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Escrito por Babi Monteiro - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Anne

Capítulo 01

Eu estava atordoada, confusa e cansada. O consultório médico era perto do mar, agradeci mentalmente por isso. O sol californiano reluzia em meus cabelos e em minha pele naturalmente bronzeada. Nem mesmo na Califórnia uma brasileira passa despercebida, acredite. Caminhei até a areia e parei, retirando as sandálias. A maré se aproximou tocando quase que delicadamente meus pés. Uma pergunta ecoava em minha mente, então resolvi dizer em voz alta.
- E se eu não acordar amanhã?
A resposta não chegou; como eu esperava. Caminhei mais um pouco e deixei meu corpo cair inconscientemente no mar. Morrer no mar deveria ser algo bom, quero dizer, morrer nunca será algo bom, mas levando em conta que acabei de descobrir que aquelas leves e inofensivas dores que eu sentia na cabeça são na verdade câncer; comecei a pensar em outras possíveis formas de morrer. Lembrei-me do Leonardo DiCaprio falando em Titanic para Rose que ela iria morrer velhinha, em uma cama quentinha, dormindo e sem dor.
Esse não seria o meu caso, provavelmente. Dor faria parte do meu cotidiano agora.
Aos poucos a maré foi me levando para longe e mesmo eu sabendo nadar, se tornou difícil não engolir água. Eu estava realmente longe da praia e o desespero começou a tomar conta de mim. Aos poucos eu já estava afundando e mal conseguia respirar, acho que em algum momento gritei por socorro, não me lembro bem, era como se eu estivesse drogada. Gritei alto o suficiente para um garoto que jogava bola na praia com alguns amigos ouvisse. Balancei os braços e então gritei novamente. Aos poucos minha visão foi embaçando e segundos depois não enxergava mais nada.

***

Assim que abri os olhos, cuspi água pela boca, eu estava respirando novamente. Tossi inúmeras vezes seguidas. E só então, depois de alguns segundos pude perceber que não estava mais na praia.
- Você está bem? - um garoto de olhos meigos perguntou demonstrando preocupação. Eu mal havia notado que ele estava ali. Olhei ao meu redor e vi que estávamos em uma espécie de enfermaria. Havia mais dois garotos próximos a mim e um homem de meia idade, realmente forte e alto. Estava apenas de sutiã e com meu short completamente molhado, assim como meus cabelos, instantaneamente cobri meus seios com os braços.
- Você está bem? Qual seu nome? – dessa vez ele disse tocando levemente meu rosto.
Pigarreei e respondi um pouco atordoada:
mais alto. – Por quê?
- Bem, somos apenas a banda mais famosa do Reino Unido e agora no mundo todo. – ele falou sarcástico.
- Ah, definitivamente não os conheço. Passei os últimos dois anos trancados em um colégio estudando pra Faculdade, não, eu não ficava pesquisando sobre bandas novas. – falei um pouco irritada. – Olha, eu realmente agradeço por ter salvado a minha vida, por se preocupar em me trazer pra cá, mas eu preciso ir embora. Vocês devem ser muito ocupados também. – levantei-me e literalmente caí logo em seguida. – Caralho, que droga!
- Acho que você precisa da nossa ajuda. Vem, deixei-me levá-la até sua casa.
Eu mal tive tempo de responder qualquer coisa e ele me pegou em seus braços, encaixando-me em seu colo e me carregando para fora da enfermaria.
- Ei, o que você está fazendo?
- Estou cuidando de você ou não percebeu que caiu logo que se levantou? – sorriu maroto e cinicamente.
Fiquei quieta, o que era quase impossível acontecer porque eu jamais deixava alguém ter a última palavra. Logo em seguida ouvi os dois outros meninos rindo e dizendo:
- Mais uma garota na cama do hoje.
- Estará de touca amanhã. – gargalhou.
Quando estávamos indo para o estacionamento, de repente surgiram dezenas de fotógrafos e fãs. Tive certeza de que eram fãs assim que elas saíram correndo atrás de nós com pôsteres e câmeras em suas mãos. Sabem a história de morrer em uma cama quentinha e blábláblá? Pois bem, acho que vou morrer agora.
Fechei os olhos com medo e apertei o pescoço de . Ele sussurrou dizendo para eu ficar calma, pois Paul daria um jeito em tudo aquilo. Nem respondi, estava mais preocupada em sobreviver a tudo aquilo.
- Eu quero ir embora. – falei alto demais e ele ouviu.
- Nós vamos, se acalme.
Paul acalmou tudo, como ele havia dito, obviamente com a ajuda de vários outros seguranças e então entramos em uma van. Meu Deus, onde eu estava me metendo dessa vez?
- Você não estava mentindo, são realmente famosos. – falei espontaneamente enquanto esticava as pernas nos últimos bancos e apertava minhas têmporas. As dores haviam voltado com mais força. Não contive uma careta e percebeu.
- Está tudo bem?
- Uhum. – menti.
- Mesmo? Posso levá-la ao médico.
- Não quero passar por aquele assédio nunca mais, obrigada.
- Ok. – ele riu sem humor e envergonhado. – Hum... Provavelmente sairão algumas fotos nossas em sites, seu namorado irá entender, não é?
- Eu não namoro. – falei simplesmente. Ele pareceu surpreso, mas eu o ignorei e apenas expliquei ao motorista onde ficava minha casa.
Depois de alguns minutos calado, tocou levemente minha perna e disse:
- Nós poderíamos nos reencontrar, o que acha? Nós iremos fazer um show amanhã à noite, eu adoraria que fosse. – terminou de dizer sorrindo maroto e mordendo o lábio de forma safada.
Olhei fixamente para sua mão que repousava em minha perna e no mesmo instante ele a retirou dali.
- Vamos deixar algo bem claro aqui, ok? – comecei dizendo. – Eu agradeço por ter me salvado, mas não estou interessada em dormir com você, nem em ir ao show da sua banda, ok? Não tenho doze anos e muito menos sou uma fã apaixonada. Sou uma garota normal, com milhões de problemas e a última coisa pela qual quero passar no momento é todo aquele assédio de agora pouco. Obrigada pelo convite, mas não.
Ele ficou alguns segundos quieto me observando estático, com uma expressão engraçada. Sua boca fazia um perfeito O. Os outros garotos riam descontroladamente da situação.
- Ual, a-acho, que-que, bem, não sei nem o que dizer. – terminou derrotado.
- Desculpe, deve ter inúmeras garotas caindo aos seus pés. – falei dando de ombros. – Nem se lembrará de mim amanhã, acredite. – sorri.
O resto do caminho foi silencioso.

***

- Obrigada novamente. – agradeci enquanto ele me colocava no chão. Sim, ele insistiu em levar-me até a porta no colo.
- Você não falou meu nome em momento algum.
- Obrigada, . – falei seu nome em alto e bom som, sorrindo. – Desculpe, não me lembro do sobrenome. – ri.
- De nada, . – ele gargalhou. – Vê? Eu me lembro do seu.
- Claro, você não se afogou e sua cabeça não está confusa.
- Ok, ok. Meu sobrenome é . Lembre-se, .
Apenas dei de ombros rindo.
- Ah, você também não perguntou o nome da minha banda. – falou olhando diretamente em meus olhos.
- E por que isso importa tanto assim pra você?
- Como irá me procurar se não souber nem o nome da banda que participo?
- Quem disse que vou te procurar? – falei chegando perigosamente perto de seu rosto.
- Todas sempre procuram. – respondeu, mordendo o lábio e se aproximando.
- Você se esqueceu de que não sou como todas as outras. Obrigada pela carona. – me despedi.

***

Já era noite, eu estava deitada em minha cama ouvindo Ramones e quase adormecendo, quando entrou em meu quarto falando alto e gesticulando, como sempre. é minha melhor amiga, como uma irmã. Somos totalmente dependentes uma da outra, tanto que moramos juntas. Ri do seu jeito apavorado e retirei os fones para ouvir o que ela falava.
- Ai meu Deus! Você está bem? Fiquei tão preocupada quando vi aquelas fotos, ! Comecei a chorar.
Sentei-me na cama enquanto ela tocava meu rosto, acho que para verificar se era realmente eu.
- Que fotos? – perguntei simplesmente.
- Como assim que fotos, ? Aquelas do garoto te salvando na praia. Você se afogou, ! Se afogou e nem me ligou para eu vir ver como você estava.
- Desculpa , é que eu estava com tanta dor de cabeça, só queria dormir. Mas, me diga, onde você viu essas fotos?
- Você precisa ir ao médico ver o que são essas dores de cabeça constantes. Então, eu estava na praia com o João Vitor e vi um grupo de garotas falando seu nome.
João Vitor é o sobrinho da , é como um filho pra nós duas.
- Meu nome?
- Sim, então achei que estivesse imaginando coisas, mas não! Ouvi elas dizerem de novo, então não aguentei e tive que perguntar, você sabe como eu sou, . – gargalhei– Então eu perguntei de quem elas estavam falando e a mais novinha disse que o ídolo delas havia salvado uma garota que estava se afogando, foi então que elas me mostraram as fotos no celular. Estavam em um site, acho que de algum fã clube. A manchete dizia “ salva garota desconhecida de afogamento.” Na primeira você estava deitada na areia e ele estava fazendo respiração boca a boca em você e na segunda você estava no colo dele, tentava esconder o rosto, mas te reconheci imediatamente! Fiquei desesperada.
- Ok, se acalme! Eu estou bem, foi só um susto. Estou bem. – falei abraçando-a. - Então ele fez respiração boca a boca em mim? Que droga, heim. – ri, sem humor.
- Você não reagiu, pelo o que as garotas falaram. Me conte toda a história desde o começo.
Expliquei tudo o que ocorreu pra , nos mínimos detalhes como ela pediu. Apenas omiti a parte que havia ido ao médico e que tinha descoberto que estava com câncer. Óbvio!
- Como assim um ídolo teen deu em cima descaradamente de você, ?
- Eu não sei. Pra mim ele é um garoto normal, sabe? Não sou fã dele, não o vejo como ídolo. Então tanto faz. – falei, dando de ombros.
- Você pode não ver, mas mais de quatro milhões e oitocentas mil pessoas, sim! – ela disse enquanto digitava algo no meu macbook.
- O que? Do que você está falando? O que está fazendo? – perguntei apavorada. nunca tinha boas ideias.
- Bem, achei o twitter oficial dele. Que tal você segui-lo? – ela falou arqueando as sobrancelhas de forma maliciosa.
- O que? Não!
- Ah, come on, . Ele é lindo! Sério, você deveria seguir ele. Ele nem vai notar, tem milhões de seguidores.
- Melhor não ...
- Vamos, segue ele, mande um Hi, apenas isso. – ela implorou beijando seguidas vezes meu rosto.
- Não, melhor não, eu só twitto coisas sem nexo.
- Ele também. – riu e eu revirei os olhos. - Ok então. Vou entrar no meu facebook.
- Ok irei ouvir música, se quiser pode dormir aqui comigo.
- Ok.
Alguns minutos se passaram e quando estava quase adormecendo ouvi gargalhar e me chacoalhar. Suspirei fundo.
- O que foi? – falei confusa.
- Ele está te seguindo e mandou uma DM.
- Quem ?
- !
- O que? Ai, o que você fez? – perguntei correndo até onde ela estava para ver meu twitter.
Havia um tweet “meu” para .

Sua camiseta ainda está comigo, irá precisar dela? lol Xx

E ele havia respondido. O cretino tinha respondido! Quais as chances de ele ver aquilo? Sou muito azarada mesmo.

Me encontrou então? looool Sim quer me entregar?

Então chequei as DM’s e havia uma dele:

Já está com saudades? A propósito adorei seus tweets. (: Xx

Ele estava sendo irônico, óbvio! Eu não twittava nada de interessante, apenas coisas aleatórias e várias coisas em português. Olhei com raiva para e me sentei para responder.

Não, na verdade foi minha amiga que lhe mandou o tweet. Você gosta de ser irônico não é? Haha

Meio segundo depois:

O velho truque da amiga. Ok. lol Com você eu gosto. Vai aceitar meu convite e vir ao show? Pode trazer essa tal amiga. Xx

Respirei fundo.

Não, obrigada. Odiaria ser vista novamente com você. A propósito se quiser a camiseta, compre uma nova, afinal, você é famoso. Bye!

Enfim, me desliguei e fechei o computador.
- Venha dormir, . – falei me deitando.
- Não acredito que fez isso! – ela falava inconformada. – Não acredito! Você nem ouviu as músicas da banda, !
- Não preciso. Adoro as bandas que tem na minha playlist, não quero conhecer uma banda adolescente.
- ! – ela me recriminou.
- Vem dormir! Amanhã conversamos. E apague a luz. – terminei de falar virando para o lado e me cobrindo, logo senti deitando-se ao meu lado.

Capítulo 02

- ! acorda. – falava alto, me chacoalhando.
- Pelo amor de Deus, para de me chacoalhar! Você sabe que eu odeio isso. – falei irritada.
- Ta bom chata! Bom dia!
- Bom dia, o que ta fazendo aí no computador? – perguntei, me espreguiçando.
- Vendo seu twitter. Sabe quantos seguidores no momento?
- O mesmo de ontem? – dei risada enquanto ia até o banheiro.
- Não na verdade, você ganhou setecentas e setenta e três. – falou calma e ironicamente.
Quase engasguei com a minha própria saliva quando ouvi aquilo.
- Ta louca? Porque ganhei tantos seguidores? Ai meu Deus, você colocou no youtube aquele vídeo da gente fazendo stripper na festa da Lauren no ano passado? – falei apavorada, correndo até ela pra ver se era realmente verdade.
- Na verdade não. – ria descontroladamente. – É por causa do , .
- O que? Por quê?
- Bem, pelo o que estou lendo aqui, as fãs viram o que ele te respondeu ontem e não é todo dia que uma “garota comum”, que nem sequer segue ele ou a banda, recebe uma reply e o follow dele. Quero dizer, o que ele te respondeu ontem não foi comum, ele perguntou se você queria entregar a camiseta dele. As fãs ficaram curiosas para saber quem você é.
- Por isso resolveram me seguir? Elas nem me conhecem! Falei pra nós nos mantermos longe disso, .
- É divertido! Imagina se você fica famosa. – sorriu sapeca.
- O que estão dizendo? Deixe-me ver. – sentei-me ao seu lado e comecei a ler minhas mentions.
Fiquei confusa com a quantidade de reply. Muitas meninas perguntavam quem eu era, outras já sabiam quem eu era, e outras pensavam que sabiam. Algumas identificaram que era eu a garota que ele havia salvado na praia e perguntavam se eu estava bem. Mas, me senti péssima ao ver a chuva de reply dizendo que eu deveria ter morrido afogada e que era pra eu me manter longe de . Mal conseguia respirar, então fechei o computador.
- Não entre mais no twitter, não fale nada e nem comente com ninguém sobre isso ok? – falei tentando conter as lágrimas. Por que estavam me odiando assim? Eu não pedi para ele me salvar.
- O que foi, ? Você nunca se importou sobre o que dizem de você. Por que essa preocupação toda agora?
- Eu não sei. Apenas esqueça isso, as pessoas também vão esquecer, eu espero. Logo, ninguém se lembrará que ele salvou uma garota na praia. Venha, temos que nos arrumar e ir até a Universidade de Artes. –levantei-me tentando ignorar a dor latejante em minha cabeça.
- Ok.

***

Fazia muito calor em Malibu, como sempre. O clima me fazia lembrar o Brasil. acelerava a moto e institivamente eu abri os braços, era como se eu estivesse voando. O vento batia contra o meu rosto e meu cabelo esvoaçava; sentir os raios de sol na minha pele, o cheiro do mar tão próximo era mágico. Era bom saber que eu ainda estava viva, que ainda podia aproveitar essas pequenas coisas.
Lembrei-me das palavras do médico. O câncer estava se alastrando, em pouco tempo não haveria mais cura alguma. No momento, se eu começasse com a quimioterapia, eu tinha chances de me recuperar, mas o tratamento era cruel, meu cabelo iria cair, minha beleza iria embora junto com minhas forças. Eu teria que passar grande parte do tempo no hospital, seria como uma segunda casa. Aceitei apenas tomar o coquetel de remédios que faria com que os efeitos da doença demorassem a aparecer. Senti algumas lágrimas rolarem pelo meu rosto. Eu já havia tomado minha decisão, estava decidido. Não iria perder meus últimos meses, ou anos, trancafiada em um hospital sem poder aproveitar o tempo que me resta. Cada segundo seria precioso de agora em diante. Eu não sei ao certo quando tempo de vida ainda tenho, mas seja qual for irei aproveitar.
Aos poucos diminuiu a velocidade, então quando abri os olhos, vi a Universidade de Artes.
- Você estava chorando, ? – me perguntou enquanto caminhávamos pelos corredores da Universidade.
- Ahn, não. Claro que não, . Estou bem. – sorri tentando disfarçar.
- Sabe, estou preocupada com você. Você tem estado tão cansada esses dias, às vezes triste. Estou realmente preocupada.
- Não, estou bem, juro. É só que, bem, só estou cansada.
- Sério? Talvez nós devamos ir até algum clube, beber um pouco, dançar, nos divertir. O que acha?
- Sim, é uma boa. Estou precisando me divertir. – falei sorrindo e ela me abraçou. Eu não poderia lhe contar sobre a doença, não suportaria.
Entramos na sala do meu professor de canto e eu me aproximei tapando seus olhos com minhas mãos.
- É pra eu adivinhar quem é? – Ed disse rindo. Balancei sua cabeça positivamente rindo.
- Hum... , é claro!
- Ed Sheeran, não tem graça brincar com você. –falei fazendo bico, enquanto ele me abraçava.
- Estava com saudades de vocês duas. O que andaram fazendo? – perguntou.
- conheceu alguém famoso. – , como sempre, disse mais do que devia. Apenas a repreendi com o olhar.
- Alguém famoso? Quem ? – Ed perguntou mais interessado do que eu realmente gostaria.
- Ninguém Edward. – senti minhas bochechas queimarem, que droga!
- ! Integrante da boyband One Direction. Já ouviu falar Ed? – falou tudo o que eu realmente queria que ninguém soubesse.
- ? Claro que sim! Quem não o conhece? – ele disse surpreso.
- A e eu! – ria descontroladamente. Que bela melhor amiga eu fui arranjar. – Ele a salvou de um afogamento, Ed.
- Você se afogou, ? – Edward perguntou preocupado.
- Sim, mas já estou bem. Por favor, parem de falar nesse garoto! Eu não quero falar nesse assunto, quero distância dele. Nós viemos para entregar minha nova canção. – sorri lhe entregando minha pasta. Ed parecia querer dizer algo, até abriu a boca, mas fechou logo em seguida, ele estava escondendo algo.
- Que ótimo! Estava ansioso pra ver. Canta pra mim? – ele disse enquanto pegava a guitarra para me acompanhar. sentou em um dos sofás e pegou o violão começando a tocar.
Respirei fundo e comecei:

The City
The city never sleeps,
I hear the people walk by when it's late,
Sirens beat through my window cill,
I can't close my eyes,
Don't control what I'm into,

This town is alive,
With lights that blind keep me awake,
Put my hood up, unlace and tie,
The street fills my mind,
Don't control what I'm into,

London calls me a stranger,
A traveller Ohoohohh,
This is now my home, my home,
Oh Whoa,
Burning on the back street,
Oh Whoa,
Stuck here, sitting in the back seat,
Oh Whoa,
And I'm blazing on the street,
What I do isn't up to you,
And if the city never sleeps then that makes two,

The pavement is my friend,
It'll take me where I need to go,
If I find it trips me up,
And puts me down,
This is not what I'm used to,The shop across the road,
It fills my needs and keeps me company,
When I need it,
Voices beat through my walls,
I don't think I'm gonna make it,
Past to-mor-roow,

London calls me a stranger,
A traveller Ohoohohh,
This is now my home, My home,
Oh Woah,
Burning on the back street,
Oh Woah,
Stuck here, sitting in the back seat,
Oh Woah,
And I'm blazing on the street,
What I do isn't upto you,
And if the city never sleeps then that makes two,

And my lungs hurt,
And my ears bled,
With the sounds of the city life,
Echoed in my head,
Do I need this, To keep me alive?
The traffic stops and starts but I,
Need to move alone.

London calls me a stranger,
This is now my home, Home,

Oh Woah,
Burning on the back street,
Oh Woah,
Stuck here, sitting in the back seat,
Oh Woah,
And I'm blazing on the street,
What I do isn't upto you,
And if the city never sleeps then that makes two.

Assim que terminei, Ed me abraçou sorrindo emocionado.
- É tão bom ver que finalmente se encontrou. Agora está sabendo mostrar seu potencial. Está incrível.
- Obrigada, você sabe o quanto é importante pra mim. – sorri em agradecimento. – me ajudou a escrever.
- Imaginei, dá pra perceber bastante dela. – todos riram. – Ah, eu tenho três convites Vips para um show que vai acontecer hoje à noite, querem ir comigo?
- Claro! Vamos adorar! – dizia empolgada. Apenas assenti sorrindo.

***

O resto do dia foi tranquilo, passamos a tarde deitadas na praia ouvindo música e tirando fotos. Já anoitecia quando voltamos pra casa e nos deparamos com uma carta no chão, junto com flores e uma pequena caixa embrulhada em papel luminoso. abria curiosa e seus olhos brilharam ao ler:
- “Quero te ver! Amanhã vamos a um parque de diversões, adoraria que você fosse. No envelope está o endereço, Paul irá te buscar. Estarei te esperando ansioso. Não me decepcione.
Xx, .
PS: Caso precise de mais um motivo para vir: Você ainda não devolveu a camiseta.”
Eu estava paralisada. Não podia acreditar naquilo. Abri a caixa e me deparei com um Black Berry. Atrás do celular estava escrito, "atenda-me quando eu tocar."
- , diz alguma coisa. – falava me olhando preocupada.
- Dizer o que, ? Esse garoto pirou? Ele só pode ter algum problema sério! Quem ele pensa que é?
- ? – ela perguntou irônica, rindo.
- Dane-se que ele é . Que se dane. – dei de ombros, irritada. – Eu não vou a esse encontro. As fãs dele vão me matar, tem ideia disso?
- Não vão nem saber que você está lá. Vai ser divertido, . Você disse que estava precisando se divertir, tem ocasião melhor que essa? – ela dava gritinhos e pulinhos de felicidade. – Temos que ir! Você vai sim! Além do mais, como ele disse, você tem que devolver a camiseta dele.
Sentei no sofá, pensativa.
- Ok, depois falamos sobre isso. Vamos nos aprontar para encontrar o Ed. – falei já subindo as escadas enquanto abraçava-me.

***

Eram dez horas em ponto quando olhei no relógio em meu braço. terminava de se arrumar enquanto eu já estava pronta.
- Eu dei uma pesquisada sobre a banda. – ela ficou em silêncio, esperando que eu desse algum sinal de que estava ouvindo.
- Que banda?
- One Direction, é claro! E eles são realmente bons, quero dizer as vozes deles são incríveis. E são muito atraentes também.
- Ai que saco heim, ! – reclamei. - Se interessou por algum? – perguntei sabendo que ela iria ficar envergonhada.
- !
- O que? Vamos, diga, se interessou por algum deles?
- Bem, sim, é realmente doce, definitivamente atraente.
- Ok. – dei risada indo até o banheiro onde ela estava para me ver no espelho.
- As músicas são lindas também...
- E atraentes? – falei brincando e nós duas rimos.
Onze horas, estávamos prontas esperando por Ed. Um carro preto parou em nossa frente na rua e o vidro do motorista foi abaixado. Ed sorriu simpático e abriu a porta de trás para nós.
- Estão lindas. – sorri em agradecimento e nos sentamos.
- Você também está lindo Ed. - sorriu olhando pra ele. Ela flertava constantemente. Dei risada e perguntei:
- Qual o nome da banda, Ed?
Ele engasgou e tossiu algumas vezes. O que estava acontecendo?
- O que foi? – perguntei preocupada.
- Ahn, nada. Estou bem. O nome da banda? – ele perguntou confuso.
- Sim, qual é? Eu conheço?
- Não, não conhece. É uma banda nova. Eles compraram algumas músicas minhas. São bons garotos, vocês vão gostar.
- Que legal! Fico feliz com isso, você é o melhor compositor que conheço. – dizia alegremente enquanto gesticulava. Ouvi um barulho baixo, mas continuo vindo de dentro da minha bolsa. Abria e me deparei com o Black Berry que havia deixado em casa. Olhei indignada para , óbvio que ela havia colocado em minha bolsa. “Cinco novas mensagens de ” reluziam na tela. Relutante, cliquei para ler.

“Motivos para sair comigo: Um: Eu posso cantar para você.”

Revirei os olhos rindo, sério que ele estava fazendo isso?

“Dois: Posso te levar para qualquer lugar que desejar ir.”
“Três: Mesmo você odiando, sou famoso, você também poderá ser.”

Quis xingá-lo no momento em que li aquilo, esse item estaria na minha lista de “Motivos para não sair com ”. Próxima!

“Quarto: Posso te proporcionar uma maravilhosa noite de prazer.”

Gargalhei sem conseguir me conter. e Ed me olharam em questionamento. Apenas dei de ombros dizendo não ser nada. Próxima e última:

“Quinto: Eu sou realmente sexy, não irá se arrepender. Então, aceita sair comigo ? Xx.”

Cliquei para responder:

“Boa noite, . Xx.”

***

Ed tinha estacionado o carro longe da entrada, então caminhávamos até lá. estava com uma garrafa de vodca na mão, segundo ela, não conseguiria aguentar gritos de fãs adolescentes estando sóbria. Entendi o que ela falava assim que entramos na arena onde aconteceria o show. De onde tinha saído tantas meninas? Edward colocou um crachá em nossos pescoços e nos guiou até um segurança. Tive a leve impressão que o conhecia, mas com os gritos das meninas, eu mal podia pensar. Nós estávamos em um local mais afastado do público, então eu podia enxergar bem a pista. Quando uma garota levantou um cartaz escrito “One dream, one band, ONE DIRECTION”, senti minha garganta fechar. Que droga era aquela? Olhei novamente para o segurança e para o crachá em seu pescoço. “Paul”. Então lembrei que ele estava na enfermaria. E eu estava em um show da One Direction.
- , eu quero ir embora. A banda que irá tocar é a One Direction. – falei puxando-a pelo braço.
- Eu sei! – ela falou enquanto me puxava de volta e entravamos por uma porta.
- Como assim você sabe? – perguntei indignada.
- Ed me contou. Ele queria falar, mas eu sabia que você não viria se eu falasse que o show era deles.
- Estava certa. Não viria. – falei irritada.
- Bem, agora que está aqui aproveite. A propósito estamos a caminho do backstage.
Mal tive tempo de dizer qualquer coisa, pois já estávamos no backstage.
- Comporte-se e seja educada, por favor! – implorou.
Revirei os olhos e sorri cínica. Ed sorriu pedindo desculpa e eu apenas dei de ombros. Foi então que eu o vi. . Ele estava saindo de seu camarim, no qual na porta havia uma estrela dourada escrita seu nome. Correu e abraçou garoto dando risada. Paul o chamou e assim que ele olhou em nossa direção, eu senti minhas bochechas queimarem. Aquele olhar era mais íntimo que qualquer ato sexual. Eu preferia ter arrancado minha roupa ao passar por aquele constrangimento. Desejei ser invisível ou pelo menos ir embora, mas não havia chances para nenhum dos dois acontecer.
- Olá Ed! E aí cara? – ele cumprimentou Ed com um abraço, deu dois beijinhos no rosto de e por fim parou em minha frente com aquele sorriso maroto e olhar intenso. – Pensei que havia dito que jamais queria ser vista comigo novamente. Sentiu saudades, princesa?
Ele definitivamente tinha o dom de me deixar sem resposta. Suspirei irritada.
- Olá pra você também.
- Pensei que iria te ver somente amanhã, mas já que se adiantou, irá conhecer a banda hoje. –ele falou sorrindo enquanto me puxava pela mão. Mal tive tempo de perguntar onde estávamos indo, ou xingá-lo, apenas puxei pela mão. Não iria a lugar nenhum sozinha com ele.
abriu uma porta e fez menção para que entrássemos, mesmo receosa; entrei. Era uma sala enorme, quatro garotos estavam lá. Reconheci dois deles.
- e ? –arrisquei seus nomes. olhou surpreso e veio em minha direção abraçando-me.
- Hey! Como você está? Está melhor?
me olhou confusa, como se perguntasse se ele realmente estava lembrando-se de mim. Não contive uma risada.
- Sim, estou bem melhor. – sorri. - Obrigada pela preocupação.
- De nada! E quem é você? — perguntou, cumprimentando .
- , mas pode me chamar de , sou amiga da . – ela sorria abertamente.
- Muito prazer. Venha, querem comer alguma coisa? – perguntou simpático. Neguei, não estava com fome. – Hey ! Olha quem está aqui! – gritou chamando a atenção de todos na sala, não apenas de . Minhas bochechas estavam coradas, eu tinha certeza.
O garoto de rosto angelical veio correndo em cima de um skate, estava apenas de meia. Tentei não rir.
- Hey! A garota da praia. não parou de falar de você. – ele riu piscando pra mim. apenas lhe deu um tapa na cabeça, o repreendendo.
- Ai! – protestou.
- Você fala demais, . – riu, e sua risada me causou arrepios pelo corpo. O que estava acontecendo comigo? - Venham, vou apresentar os outros meninos.
Um dos garotos em particular me chamou a atenção. Ele penteava seus cabelos em frente ao espelho, tinha um olhar sério e seus lábios escondiam um sorriso no canto. Um olhar marcante e curioso, como se pudesse adivinhar o que eu estava pensando. Acho que acabei deixando transparecer que estava o observando, então me deu um leve beliscão enquanto fazia sinal de negativo para mim. Balancei a cabeça despertando.
- Este é . – eu desejei não precisar cumprimentá-lo, assim não iria precisar sentir seu perfume que emanava ao seu redor. Foi em vão, ele me abraçou apertado.
- A garota do ! Estou feliz em te conhecer. – eu apenas esbocei um pequeno sorriso. Afinal, o que eu estava fazendo ali?
- Me desculpe, não estou me sentindo bem, preciso ir. – não era mentira, minha cabeça estava doendo, minha visão embaçou e eu não estava conseguindo ouvir direito. Senti as mãos de em minha cintura e ao fundo sua voz me perguntando o que eu estava sentindo. Eu queria responder, queria dizer que eu não era sua garota e que eu não queria estar ali, mas minha voz não saia e aos poucos eu não estava conseguindo mais enxergar. Então tudo se apagou.

Capítulo 03

Uma luz forte atingiu meus olhos assim que os abri. Minha cabeça latejava, a dor era constante. Eu não sabia ao certo onde estava, mas podia ouvir ao longe gritos. Tentei me sentar e focar minha visão em alguma coisa. O sofá rangeu e então logo ouvi:
- Ah meu Deus! Até que enfim você acordou, . – dizia tocando meu rosto. Seus olhos estavam marejados e vermelhos, assim como suas maçãs do rosto. Ela havia chorado.
- Onde estamos? – perguntei tentando ignorar a dor frequente em minha cabeça. Olhei ao meu redor.
- No camarim de . – falou cuidadosamente. – Você sabe quem é né?
- Sei . – falei dando risada- Eu desmaiei, não perdi a memória.
- Vai saber né . – ela disse enquanto revirava os olhos. – Bem, todos ficaram realmente preocupados. até chamou um médico. - Ele te examinou, disse que o motivo do desmaio deveria ser cansaço e stress.
Eu estava definitivamente com medo de que esse médico houvesse dito algo a mais para eles. Ninguém poderia saber sobre a doença.
- Ele disse só isso? – perguntei sem jeito.
- Sim, ele não podia te examinar completamente, afinal não estamos num hospital. Estou realmente preocupada . – disse enquanto algumas lágrimas rolaram por seu rosto.
- Vem aqui. – falei me aproximando e a abraçando. – Lembre-se eu cuido de você e você cuida de mim. Não se preocupe, eu vou ficar bem.
- Você jura juradinho? – ela dizia estendendo o dedo mindinho.
Respirei fundo dando risada. Aquilo era algo que fazíamos desde pequenas.
- Eu juro juradinho. – prometi estendendo meu dedo mindinho ao encontro do dela enquanto fazia figa com a outra mão pedindo a Deus que me perdoasse. – Agora me diga. – falei rindo.
- O quê? –ela perguntou enquanto secava as lágrimas.
- Esses gritos todos, o que está acontecendo?
- Ah! É por causa do show . São fãs... puta que pariu, você tá lerda heim. – ria descontroladamente.
- Eu esqueço que essas meninas gritam toda vez que veem eles, poxa. – falei fazendo bico.
- Vem! Quer ver o show do palco? –ela perguntou animada.
- Acho melhor não , quero dizer, as fãs irão ver, não quero que ninguém tente me matar por ciúmes.
- Não vão ver . Vai ser divertido. O Ed vai fazer uma participação no show, se já não fez.
- Ok. Eu só vou ao banheiro, me espere.
- Tá.
Me levantei, peguei minha bolça e saí do camarim a procura de um banheiro. Minha cabeça ainda estava doendo, mas eu não podia deixar que ninguém percebesse. Assim que achei o banheiro, entrei e fechei a porta, indo em direção a pia. Um espelho grande emoldurava o lugar que estava vazio. Molhei as mãos passando-as delicadamente na nuca. Aquilo deveria ajudar a amenizar a dor. Busquei por um comprimido na bolsa e o engoli tomando água em seguida. Em alguns minutos faria efeito e a dor diminuiria. Me assustei quando ouvi baterem na porta.
- sou eu, !
O que ele estava fazendo aqui? Será que estou tendo alucinações? Puta que pariu, não é possível.
- Calma , não vá a caminho da luz, não vá. Não to vendo nenhum túnel, nenhuma luz, então não to morrendo. – falei pra mim mesma sussurrando.
- , abre a porta! me disse que você está aí.
Ele estava aqui mesmo?
- ? – falei chegando perto da porta.
- Sim, você está bem? Pode abrir a porta?
Abri a porta assim como ele pediu. E ele realmente estava ali, na minha frente. Um sorriso de canto emoldurava seus lábios. Pude notar que ele estava ofegante e seu rosto um pouco vermelho.
- Você não deveria estar fazendo um show? – perguntei sarcástica.
- Estamos no intervalo, está sendo DJ. Temos que ser rápidos, é só para bebermos água ou comer algo.
- Hum... – falei tentando entender porque raios ele estava ali, na minha frente, enquanto deveria estar aproveitando o tal intervalo deles.
- Eu estava preocupado com você, tinha que vir ver como estava. – explicou, parecendo que havia lido meus pensamentos.
- Estou bem, tomei um remédio pra dor. Irei melhorar.
- Você está bem o suficiente pra ver o restante do show? Eu iria adorar! – disse empolgado.
- Pode ser. Suas fãs irão tentar me matar ou algo do tipo? – falei rindo.
- Eu espero que não. – ele riu também. – Gosto da sua risada... – dizia se aproximando enquanto tocava minha cintura delicadamente. – Gosto do modo como você me olha... – mais um passo e a outra mão dele estava em meu pescoço. – Gosto de como você morde o lábio... – ele estava perto o suficiente para que eu pudesse sentir sua respiração bater contra meu pescoço.
Então ele cantarolou baixinho no meu ouvido, sussurrando:

And your heart’s against my chest.
Your lips pressed to my neck
I’m falling for your eyes but they don’t know me yet…
[E seu coração está contra meu peito,
Seus lábios pressionados no meu pescoço
Estou apaixonado por seus olhos, mas eles não me conhecem ainda.

E eu desejei, desejei com todas as forças que restavam em mim, beija-lo. Senti-lo. Eu desejei, mas eu desejei mais ainda não o fazer sofrer. Eu não podia dar esperanças a ele, não podia ter um relacionamento com ninguém. Porque, afinal, eu estaria morta em pouco tempo. E ninguém merece se apaixonar por alguém que está doente, morrendo. Então eu desejei não me apaixonar. merecia uma garota com saúde, que o fizesse feliz por muito tempo. Não, ele não merecia uma garota como eu, doente, que jamais poderia fazê-lo feliz. Então, tomando a primeira decisão com toda certeza que eu tinha em mim, eu o empurrei. Ele me observou surpreso.
- Não . Não sou a garota que pensa que sou. Tem centenas de meninas a poucos metros que morreriam por você, meninas que sonham em se casar com você. Mas, eu não sou uma delas, me desculpe. Nós não deveríamos ter nos deixado levar dessa maneira. Você flerta a cada segundo, isso não é certo. Você deveria ir, afinal, o show não começa sem um integrante. – falei passando por ele, indo em direção à saída da arena. Mas, eu não consegui dar nem ao menos cinco passos, pois segurou firmemente meu braço.
- Eu não entendo. Você é diferente das outras. – ele dizia devagar. – Quero dizer, você não se sente atraída por mim? Todas se sentem, por que você não? – ele perguntava como uma criança, inconformado. Minha garganta se fechou por alguns segundos, isso acontecia quando eu estava nervosa; estava difícil respirar.
- , você é sexy, seu olhar é sexy e até o seu modo lento de falar é sexy. – ele riu quando eu disse isso, mordendo o lábio inferior. Que droga. – Mas, eu realmente não quero me envolver com você. Como eu posso explicar? – falei tocando minhas têmporas - Você é famoso, isso complica muitas coisas, entende? – eu tinha que conseguir uma desculpa – Você tem ideia do que suas fãs fizeram apenas por que você me respondeu no twitter? Acredite, eu me assustei muito. Você não está realmente afim de mim, está querendo me conquistar, isso é o que te interessa. Mas, pare, por favor. Volte para o seu show e para o seu mundo. As suas fãs te esperam. – falei me soltando de seus braços e continuei caminhando, dessa vez sem parar ou olhar pra traz.

***

Eu estava sentada numa cadeira estofada e vermelha de um restaurante qualquer. Nando's, na verdade, era o nome do restaurante. Eu não me lembrava se já havia estado em algum, porque era mais comum eu ir ao Mcdonalds, mas o lugar era aconchegante e estava chovendo quando saí do show, então fui obrigada a entrar no restaurante. A garçonete trouxe uma porção de batata frita, um X-Burger e um MilkShake, e só então percebi o quanto estava com fome. Enquanto devorava o lanche vi meu celular (meu mesmo, não aquele que o babaca do me deu), vibrar. Dezessete chamadas perdidas de . Eu precisava de um tempo pra mim, mas mandei uma mensagem avisando que estava bem.
Olhei pela janela, e a chuva continuava, mas agora estava mais forte. Um letreiro me chamou a atenção. “E se hoje fosse o último dia da sua vida? O que você faria?” O restante eu não me importei em ler, nem prestei muita atenção sobre o que era a propaganda. Aquelas perguntas ficaram ecoando em minha mente. “O que eu faria?” Tomei um gole do MilkShake e abri minha bolsa. Encontrei um caderninho de capa azul escuro e comecei a escrever:

“Wishlist – lista de desejos”:
1 – Não se apaixonar.
2 – Conhecer as sete maravilhas do mundo.
3 – Pular de paraquedas.
4 – Rever minha família.
5 – Fazer uma tatuagem.
6 – Nadar nua.
7 – Dormir olhando para as estrelas.
8 – Pintar meu quarto.
9 – Andar na London Eye.
10 – Dançar na chuva.

Respirei fundo, lendo o que havia escrito. Escrever meus desejos me pareceu uma boa ideia, mesmo que para algumas pessoas soasse ridículo; era importante pra mim. Não estavam em ordem de importância nem nada do tipo. Guardei o caderninho e voltei a comer, mas quase engasguei quando ouvi:
- O show foi incrível não é? – estava se tornando constante ouvir aquela voz. Somente para ter certeza resolvi levantar o olhar. Era ele. .
- Eu estou morrendo de fome! – falava gesticulando enquanto eu tentava ligeiramente me esconder. Foi em vão.
- Hey , aquela ali não é a garota da praia? Qual é mesmo o nome dela? – Apenas de ouvir a voz dele borboletas cintilaram em meu estômago. Que droga. Era o .
- A ? Onde? – perguntou afobado. Acredito que eu já estava azul de vergonha.
- Ali. – e então, em questão de segundos eles estavam em minha frente. Eu mal tive tempo de dizer qualquer coisa, porque ele já estava sentado na cadeira em frente a mina. vinha em nossa direção.
- Hey! – falou sorrindo de um modo aconchegante.
- Hey! – Imitei-o rindo.
- De todos os lugares que eu imaginava te encontrar esse com certeza seria o último. – ele falou olhando fixamente em meus olhos. Isso era algo que eu apreciava nas pessoas, me passava confiança.
- Por quê? – perguntei séria mordendo o lábio, seus olhos seguiram atentos esse movimento meu.
- Você parece ser o tipo de garota que nunca comeria isso. – ele falou apontando para o que havia sobrado do meu lanche. Gargalhei.
- , eu sou brasileira. Quero dizer, a comida brasileira não é realmente muito leve, nunca me importei com calorias ou coisas do tipo. – falei tomando o restante do MilkShake.
- Isso! Vamos falar sobre você, quero te conhecer. Como é no Brasil? – ele falou empolgado, gaguejando o nome do meu país. Ri sem graça, e olhei a nossa volta. estava falando com em uma mesa próxima, este por sua vez devorava a comida que havia pedido. Notei um ônibus grande do outro lado da rua. Ignorando a pergunta de , falei:
- Cadê o restante do grupo?
- Estão no ônibus. –disse dando de ombros. – Sua amiga está lá e o Ed também. – ele sorriu.
- Ah. – dei de ombros sem graça.
- Acho que foi destino pararmos aqui para comer. – ele riu de uma forma engraçada que me fez rir também. Eu não estava confortável perto dele. – Ou talvez o letreiro tenha chamado à atenção do , quero dizer, ele poderia comer nosso ônibus se estivesse com fome o suficiente. – não contive uma gargalhada e observei , ele realmente estava faminto. Quando olhei para nosso olhar se cruzou, acho que não durou nem dois segundos, ele quebrou a conexão. interrompeu meus pensamentos dizendo:
- Não quer mesmo falar sobre você pra mim?
- Você está realmente interessado? – respondi com outra pergunta. Ele semicerrou os olhos e sorriu afirmando com um gesto.
- Ok. O que quer saber? – perguntei dando de ombros.
- Faço perguntas e você responde. Pode perguntar o que quiser também. O que acha? – ele riu sapeca.
- Por mim tudo bem.
- Feito. – ele estendeu a mão indicando que era para eu apertar, assim o fiz.
- Você já tinha ouvido falar sobre mim? – ele perguntou pretencioso.
- Não. – respondi sincera. – Já tinha visto a banda em uma revista, lembrava mais do rosto do . Minha vez. Por que você me salvou?
- Porque você estava em perigo e porque você tinha chamado minha atenção. –ele sorriu - Eu te atraio sexualmente?
- Atrai. Sem mais comentários. – ele riu me olhando de um modo safado. - Você tem namorada?
- Não. E você?
- Não. – respondi e vi um sorriso se formar no canto de seus finos lábios. – Por que aquela camiseta é tão importante pra você?
- É a camiseta da minha banda favorita. Meu melhor amigo me deu. Eu disse em uma entrevista que o dia em que uma garota vestisse aquela camiseta seria porque ela é o grande amor da minha vida. – terminou de dizer me olhando fixamente. Entendi o motivo de tantos xingamentos por parte das fãs dele. - Como é no Brasil? Temos muitos fãs por lá. – ele perguntou empolgado. Eu ri e respondi.
- As pessoas são mais abertas, quero dizer, somos mais receptivos. Demonstramos mais amor do que em qualquer outra parte do mundo. – expliquei rindo - É um país muito mestiço, há muitas culturas, sotaques. Um país muito caloroso, carinhoso. Vocês devem ter ótimos fãs por lá. Quando amamos nós realmente amamos, demonstramos isso de diferentes formas. Nós temos nossos sentimentos a for da pele, sempre.
- Acho que eu deveria namorar uma brasileira. – falou sugestivamente - Gostaria de ser amado assim. – senti minhas bochechas queimarem, eu mal sabia o que dizer. Pigarreei perguntando:
- E você? É americano? Seu sotaque não parece ser daqui.
- Inglaterra, sou de lá. Todos nós, menos . – ele explicou e eu rezei para que ele não morasse em Londres.
- Você mora em Londres? – perguntei um tanto quanto indelicadamente.
- Yeah! Você já conheceu? – e mais uma vez, em menos de quarenta e oito horas eu desejei não ter conhecido . Em cerca de dois meses, talvez menos, eu estaria embarcando para Londres para estudar na Universidade de Artes de lá. Eu estava começando a acreditar em carma.
- Não, deve ser um lugar lindo. – respondi sorrindo. – Ah, eu preciso ir, já esta tarde. – falei olhando para o relógio em meu pulso.
- Posso te levar em casa? – ele perguntou levantando-se junto comigo.
- Não se preocupe, eu pego um táxi. - Eu insisto, . – quando ouvi meu apelido ser pronunciado por ele, senti um frio na barriga. Que droga.
- Tudo bem... – e só então, quando estávamos indo em direção à saída, pudemos perceber a quantidade de fãs que estavam fora do lugar. Meu coração começou a acelerar. Eu estava desesperada. apareceu repentinamente ao nosso lado me perguntando se eu estava bem, apenas assenti.
- , leve ela pra casa, por favor? Acho que as fãs não irão reagir bem caso a vejam. – dizia como se eu nem ao menos estivesse ali.
- Tudo bem. Tome cuidado. Eu liguei para o Paul, ele está vindo pra cá. – falou para enquanto me guiava pelos fundos do restaurante.

***

tinha um perfume maravilhoso. Notei isso quando entramos em seu carro.
- Obrigada. – falei enquanto ele ligava o som.
- Pelo quê? – perguntou trocando o CD que estava dentro do som por outro. Começou a tocar Boyce Avenue.
- Por me levar pra casa, me tirar daquele lugar. –falei colocando o sinto de segurança. O perfume de emanava pelo carro, era como uma tentação.
- Você não tem nada a ver com tudo isso que acontece com a gente. Nós somos famosos, você não precisa e nem merece passar por aquele assédio. – ele falou me observando, vi um sorriso surgir no canto de sua boca. Ele era sério, falava calmo e cauteloso. Havia algo de misterioso nele, e por mais que o me atraísse muito (lê-se bastante mesmo) eu não podia negar que o também despertava algo dentro de mim. Só não sabia ao certo o que.
Apenas a música tomava conta do carro, então começou a cantar.

Baby you light up my world like nobody else
The way that you flip your hair gets me overwhelmed
But when you smile at the ground it ain't hard to tell
You don't know, oh oh
You don't know you're beautiful
If only you saw what I can see
You'll understand why I want you so desperately (…)

A voz dele era incrivelmente linda. Como a deu um anjo. Ele cantarolou apenas aquele verso, o que me deixou um pouco desconfortável, afinal, quem não se sentiria estranha ao ouvir um cara incrivelmente lindo e atraente cantar o verso de uma música dessas estando sozinho com você dentro de um carro. Eu senti que deveria dizer algo, mas não sabia ao certo o quê.
- Linda música. – eu disse como uma debilóide completa. Deveria dar aulas sobre como estragar um momento perfeito.
Ele sorriu maroto.
- Você realmente não é fã de 1D. – não foi uma pergunta, foi uma afirmação. Eu realmente não era.
- Por quê?
- A música é nossa, Boyce Avenue fez um cover. Gosto de ouvi-lo. – ele explicou me observando enquanto ria.
- Oh, ok. Me ignore, eu realmente não sabia. – sorri sem graça.
- Tudo bem. É até legal encontrar alguém que não sabe nada sobre mim. Alguém que me vê como um cara normal.
- Você não é normal, pessoas famosas não são normais. – e então eu calei a boca, afinal já tinha dito bem mais do que deveria.
- É por isso que você não aceitou sair com ? – me surpreendeu com essa pergunta.
- Sim... Quer dizer, também. Eu nunca conseguiria namorar alguém que tem a vida como a de vocês.
- Eu entendo...
- Sua namorada não deve pensar assim. – falei enquanto olhava para sua mão, onde repousava um anel de compromisso.
- Ah, isso? – ele perguntou indicando o anel. – Não é de verdade. – ele deu de ombros. – Digamos que faz bem pra imagem da banda ter algum dos integrantes namorando. É algo como um jogo de marketing.
- E o amor? – perguntei sem pudor.
- Há muito tempo eu não sei o que é isso.
Eu não tinha o que responder, definitivamente nada do que eu dissesse superaria o que ele disse. Sendo assim ficamos quietos até chegar a minha casa.

Capítulo 04

Eu acordei quando senti os raios do sol baterem contra o meu rosto. Não fazia a mínima ideia de onde estava e nem que horas eram. Minha cabeça estava doendo, e minha boca estava com um gosto amargo. Tentei levantar, mas esbarrei em alguém. Foi aí que o desespero tomou conta de mim. Eu estava apenas de calcinha e sutiã, enrolada em um lençol branco. E havia um cara deitado, de cueca, ao meu lado. A pior parte? Eu não fazia ideia de como isso tinha acontecido. Enfim percebi que estava no meu quarto. Era uma versão bem mais bagunçada dele, mas ainda sim era o meu quarto. Levantei devagar, tomando cuidado para não cair. Dei a volta na cama e cheguei ao outro lado. Segurei um grito quando vi que era o . O !!! Que raios nós fizemos ontem à noite?
Eu estava desesperada e nem sabia o que fazer. Avistei meu celular no chão perto da cama e o peguei. Era quase sete e meia da manhã. Mandei uma mensagem pra perguntando onde ela estava. Então resolvi acordar o .
- acorda! ... – chamei várias vezes enquanto o balançava, por fim ele acordou.
- Que foi ?
- Você precisa me explicar algumas coisas. – falei enquanto vestia uma camiseta e um short. Ele continuava com os olhos fechados e quase dormindo. O chamei de novo.
- O que foi? – ele falou dessa vez um pouco mais alto.
- Por que eu acordei só de calcinha e sutiã do seu lado? Me explica. E por que você dormiu aqui?
- Eu não lembro muito bem. – ele dizia confuso. – Eu só me lembro de que você me pediu pra entrar enquanto ia buscar a camiseta do e então eu vi que estava passando um filme que eu gosto muito. Aí eu me lembro da gente tomando vinho e depois não me lembro de mais nada. – terminou dando de ombros, como se o que estava acontecendo fosse à coisa mais natural do mundo. Bufei.
- Eu bebi?
- Sim...
Eu jamais, jamais mesmo, poderia ter bebido. Os remédios nunca poderiam ser misturados com álcool. Respirei fundo sentando na cama. se aproximou mais de mim e eu mal conseguia respirar com ele tão perto. Então decidi fazer a pergunta que estava ecoando em minha mente:
- ... A gente... Você sabe... – falei sem jeito.
- A gente o quê? – ele perguntou me observando. Imaginem a cena: apenas de cueca, preta, os cabelos bagunçados de uma forma sexy e o perfume ainda estava impregnado nele.
- A gente transou? – perguntei finalmente.
Ele não respondeu. Semicerrou os olhos e mordeu os lábios.
- Não. – finalmente respondeu.
Não contive um suspiro de alivio. Ele pareceu magoado.
- Eu acho que ninguém deveria saber que você passou a noite aqui comigo. – expliquei olhando pras minhas unhas, não conseguia olha-lo diretamente nos olhos.
- Tudo bem... Ninguém irá saber. – sorriu, pude ver pelo canto do olho. – Posso tomar um banho? Minha cabeça está doendo um pouco, acho que é ressaca.
- Claro. Vou pegar uma aspirina pra você. O banheiro e ali. – falei apontando para a porta a minha direita enquanto me levantava.

***

estava devidamente vestido agora, continuava muito cheiroso e um sorriso meigo repousava em seus lábios. Era estranho ter um astro em minha casa, mas ele parecia estar muito a vontade. não havia respondido minha mensagem e quando entrei em seu quarto o encontrei vazio, com a cama devidamente arrumada. Ela não havia dormido em casa.
Não me surpreenderia caso ela tivesse passado a noite com algum dos caras da banda ou até mesmo com Ed.
- Quer ajuda ? – ouvi gritar do andar de baixo e então despertei de meus devaneios. Eu estava à procura da camiseta de , mas parecia um carma, eu não a encontrava em lugar algum.
- Não precisa. Obrigada. – gritei de volta.
Passaram-se mais dez minutos e por fim eu desisti de procurar por aquela maldita camiseta. Estava pensando seriamente em comprar uma nova para ele.
- Achou? – perguntou assim que desci as escadas. Ele estava sentado no sofá assistindo TV.
- Não, mas não se preocupe, eu irei achar. sabe onde está, tenho certeza.
- Tudo bem. – ele sorriu. Que droga, eu queria que por pelo menos dez minutos ele parasse de sorrir tão encantadoramente. – Nós iremos a um parque de diversões hoje, apareça por lá.
- Eu acho melhor não . Eu mando entregar no hotel.
- Não aceito não como resposta e tenho certeza de que também não. Será divertido. – e então ele me olhou diretamente nos olhos e naquele momento eu poderia até mesmo pular de um precipício caso ele me pedisse, eu estava encantada por aqueles olhos.
- Ok. – falei abobada.
- Então até mais tarde . – despediu-se enquanto repousava um beijo em meu rosto. Eu mal me lembrava como era falar.

***

"Respirei fundo me olhando no espelho. Eram quase duas da tarde. Eu estava sozinha em casa quando comecei a tossir sangue. Não sabia se chorava ou vomitava. Tive a sensação de que estava morrendo. Meu corpo foi desfalecendo e então eu estava careca. Caiam tufos do meu cabelo e eu cuspia sangue, cada vez mais sangue. E então eu morria. Sozinha. Morria. E a morte era dolorosa."
Acordei apavorada e chorando. Tinha sido um pesadelo. Minha respiração estava acelerada e meu coração estava quase saindo pela boca por conta do meu desespero. Gritei por socorro e então entrou no quarto.
- Meu Deus, ! O que houve? – ela perguntava enquanto me aninhava em seus braços. Eu a abraçava com força. Era bom não estar sozinha. Era bom estar viva.
- Um pesadelo. – falei enquanto soluçava. Meu rosto estava encharcado pelas lágrimas.
- Se acalme. Eu estou aqui. Estou aqui. – e então ela ficou repetindo isso muitas vezes enquanto acariciava meu cabelo. Enfim, adormeci.

***

Acordei com a cantando Forever Young. Ela estava sentada do meu lado.
- Ei, que horas são? – perguntei coçando os olhos e me espreguiçando.
- Três e vinte. – ela respondeu olhando em seu relógio.
- Você ficou aqui o tempo todo? – perguntei rindo.
- Fiquei! – riu também. – Fiquei preocupada.
- Obrigada, você é meu anjo mesmo. – agradeci a abraçando.
- Vou sempre te ajudar, você sabe. Ei, temos que nos arrumar.
- Pra quê?
- Pra ir para o parque de diversões. – falava super empolgada. – Preciso te contar tantas coisas.
- Precisa mesmo! – falei me sentando na cama.
- Passei a noite com o . – ela falou tão rápido que eu tive que esperar um pouco pra ver se eu havia escutado certo.
- O que? Sério? – eu estava surpresa. – Mas, você disse que o te atraiu.
- Sim, eu sei, mas é tão encantador. – e então ela suspirou como uma garotinha apaixonada.
- E vocês transaram? – fui realmente direta, eu sei.
- , ninguém fala “transar”. – revirou os olhos. Bufei indignada.
- Ok, vocês “fizeram amor”. – afetei a voz, deixando-a extremamente fina.
- Não. – ela riu envergonhada, suas bochechas estavam coradas. – Nós ficamos juntos, nos beijamos, ele cantou pra mim, vimos um filme juntos, foi isso.
- Isso é bom. –ergui as sobrancelhas marotamente. riu. – Sério, é bom. Pelo menos você não vai ser mais uma na lista dele. – conclui dando de ombros.
- É. – ela sorriu sem jeito. – insistiu para que eu te chamasse para o passeio. Ele parece realmente interessado. – e então eu me lembrei do que havia acontecido pela manhã. havia dormido aqui. Bem, eu não poderia contar isso pra . Ela não iria entender.
- Tudo bem, podemos ir. Só teremos que achar a camiseta dele.
- Está na lavanderia, mandei lavar. Passamos lá no caminho.
Assenti com um gesto e então fomos nos arrumar.

***

Quando se está entediada você faz bobagens. E comigo não é diferente. Eu já estava pronta, completamente pronta e a ainda se maquiava em frente ao espelho. Então, resolvi entrar no twitter. Respirei fundo quando vi o número de seguidores. Havia triplicado desde a última vez que vi. As mentions também. Uma garota mandou-me um link e então eu cliquei. Minha surpresa maior foi quando a página que abriu indicou um site de fofocas. A matéria era sobre meu suposto relacionamento com . “A garota que está roubando o coração de ”. Havia fotos minha no show do dia anterior. Alguém havia tirado muitas fotos, mas a pior foi a que eu estava abraçando . Fizeram algumas colagens, misturando as fotos da praia com as do show. E então eu li a última linha da matéria que dizia que a “garota de ” era realmente especial, pois estava usando a camiseta que ele tanto amava. Havia links para o meu twitter e facebook, além de exporem o meu nome e sobrenome. As fãs estavam loucas. Eu apenas fechei a página do twitter, não estava com paciência para ler ofensas direcionadas a mim.

Continua...

 

Comentários da autora

Oi garotas! Desculpem pela demora na atualização, estive muito ocupada com as coisas do meu colégio, comecei a fazer meu TCC, pra quem não sabe é algo realmente trabalhoso. Enfim, obrigada por estarem lendo e pelos comentários. Vocês são umas fofas! *-* Ah quem foi na Bienal? Fui com o colégio e até tirei fotos naquele mural enorme com fotos dos meninos. Infelizmente no dia seguinte já tinham zuado com as fotos deles ):
Na próxima att tem a continuação do Capítulo 04, você e sua melhor amiga irão ao encontro dos boys, estão ansiosas? Comentem ok? Ah, eu fiz um trailer da web: http://youtu.be/3SzOK0_-r10 No mais, comenteeeem e qualquer coisa estou no twitter (@_babimonteiro). Xx, Babi.




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