What Goes Around, Comes Back Around

Escrito por Anne R - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Júlia

Capítulo 1 - Girls do what they want, boys do what they can

A menina que vestia uma calça de moletom e uma blusa cinza se ajeitou no sofá, apoiando o pote de pipoca em seu colo enquanto apertava o play.
"Observação do autor: Esse filme é ficção. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.
Principalmente você Jenny Beckman.”

Ela riu nasaladamente. Quinhentos dias com ela era um de seus filmes preferidos, talvez pela história, talvez pela ironia em cada palavra. Ou talvez por causa de Zooey Deschanel.
Sem que percebesse, caiu no sono, acordando somente na parte do filme em que Summer e Tom se reencontravam.
Digam o que quiser da Summer, mas tinha certeza que todas as mulheres, meninas e travestis, dariam qualquer coisa pra ser um pouquinho Summer, com aquele jeito todo arrogante-eu-sou-melhor-que-você.
Ouviu seu celular tocar em cima da mesa, esticando-se para pegar.
"Hey , encontra com a gente na 8123!!! Tô eu, as meninas e os meninos!!!! Vem, por favoooooooor... Não aguento mais esse nhe nhe nhe entre -Kennedy! E eu tenho certeza absoluta que você deve estar mofando no sofá! Vem, vem, eu juro que a não tá aqui! - .”
riu. Quando dizia as meninas, queria dizer, , , ela mesma, eu e . E bom, os meninos, John, Kennedy, Garrett, Pat e Jared. E , era, er... O mais novo brinquedinho-pseudo-namorada de O'Callaghan.
Como não tinha nada a perder, e se não estaria lá mesmo, ela resolveu ir. Afinal, qualquer encontro no 8123 - uma lanchonete - eram risadas.
Não a entenda mal, o problema não era exatamente com . Era com qualquer brinquedinho de John. E o problema todo, deve ser porque ela já havia sido um dos brinquedinhos de John.
Eles namoraram durante, quase, 4 meses. O namoro terminou de uma forma dolorosa. Uma traição, na cara dura. E ela não se importava se ele estava bêbado. Era uma traição de qualquer forma.
Foi até seu quarto, pegou o primeiro jeans claro e rasgado que alcançou, uma blusa básica branca e sua jaqueta de couro. Mesmo estando no Arizona, era inverno e quase oito da noite, fazia frio.
- Mããããe! - a menina gritou, enquanto calçava o par de all star branco.
- Fala, filha!
- To indo no 8123! To com o celular, beijo, te amo! - pegou as chaves do carro e bateu a porta.
A relação com sua mãe não poderia ser melhor, é claro que elas tinham suas brigas, mas a mãe de era liberal, a apoiava em todas as decisões e, acima de tudo, eram amigas.

O caminho entre sua casa e o 1823, era bem curto, mas ela tinha certeza de que o único que estava de carro era Kennedy, e as meninas moravam um pouco longe.
Estacionou o carro e logo que desceu veio correndo em sua direção:
- ! ! ! Vem. - ela puxou-a pelo braço. - Você chegou na hora certa! Vamos jogar verdade ou desafio!
- Ahn.. Ok.
Elas encontraram o pessoal perto do estacionamento, num lugar coberto.
- Oi gente! - deu um "oi geral".
- Eai. - ela ouviu alguns.
- Então, nós vamos jogar verdade ou desafio. A boca da garrafa é resposta e o bumbum, pergunta. - explicou.
rodou a primeira vez, caindo pergunta pra Pat e resposta pra .
- Hm... Verdade ou desafio?
- Verdade.
- Tá... Vai ser um negócio bem tosco, mas eu sempre tive vontade de saber e sempre esqueço de perguntar: Como vocês, meninas, se conheceram?
- Poxa, Pat... Esperava mais! Então, quando os pais da se separaram, ela veio pra cá, e a gente se conheceu no primário, depois de uns dois anos, a se mudou, e entrou na nossa sala, mas a gente não gostava dela, nos entendemos depois. Isso na segunda série. Na quarta, mais ou menos, a e a entraram.
- Hm... Roda isso de novo, vai.
Rodou mais uma vez, caindo pergunta para , e resposta pra Kennedy.
- Kennedy... My dear Kennedy... - ela coçou o queixo, rindo.
- Nem vem, . - ele riu. - Mas vai ser desafio. Cuidado, agora eu sou um homem de respeito.
- Te desafio a ir lá no 8123 e pegar uma Stella pra mim. E quem vai pagar é você.
- Ô sua imbecil, é um desafio, e não extorsão!
- Para de mimimi! Você é um homem ou um rato? - ela disse autoritária.
- Um rato, minha senhora. - Garrett respondeu, fazendo todos rirem.
Kennedy resmungou, mas levantou-se e voltou alguns minutos depois com uma cerveja gelada.
- Tá, madame. Alguém roda essa merda de novo. - rodou, caindo pergunta para John e resposta pra .
- Verdade ou desafio?
- Verdade, claro né!
- Tá, vou fazer uma legal, mas só porque você é legal, ... Com quem, como e quando, foi seu primeiro beijo?
- Ser invasivo: você sabe como. - ela riu. - Mas enfim, foi com o Jack...
- Que Jack? - Jared interrompeu.
- Barakat, primo da . Foi aos 13, se eu não me engano, no quarto de hóspedes da casa da , e foi... Legal, eu acho.
- Uhhh... Ela curte rockstars! - Pat brincou, rodando a garrafa, que parou antes de terminar de rodar, graças a uma intervenção de Jared.
- Ah! Cansei de brincar de verdade ou desafio. - Jared fez bico.
- Mas não deu nem duas rodadas! - John falou.
- Mas eu não quero!
- Ui, mimado. - disse, enquanto apertava as bochechas de Jared.
- Vamos lá pra dentro.
- Mas eu quero ficar aqui fora! - fez bico.
- Fazer o que aqui fora?
- Ah, o céu tá tão bonito hoje! Olha! - ela balançou os ombros de Pat.
- Tá lindo mesmo, , mas tá frio! E você tá sem casaco.
- Hm. Mas eu quero ficar aqui! - "Bem que você podia me emprestar seu casaco, duh." pensou.
- Vou ficar aqui com você, mas só porque eu não quero que você fique gripada.
- Você é o anti-corpos que faltava no meu organismo! - ela disse e o abraçou lateralmente.
- Vamos, pelo menos, sentar, não aguento ficar de pé muito tempo.
- Fraco. - ela riu, enquanto sentava. - Mas é sério, olha como esse céu tá maravilhoso.
Eles ficarem em silêncio um tempo, quando Pat começou a cantarolar:
- Look at stars, look how they shine for you, and everything you do...
- Pat... Como cantor você é um ótimo baterista. - ela disse rindo.
- Ouch!
Não era segredo pra ninguém que Pat amava , e amava Pat. Não seria surpresa pra ninguém se no dia seguinte eles aparecessem de mãos dados dizendo a todos que estavam namorando, mas... Patrick e eram complicados demais pra isso. Pat era tímido o bastante pra só beija-la quando estava um tanto quanto alto, ou quando baixava o santo do amor em seu pequeno corpo. E ... era intensa, vivia o aqui e o agora, o depois... A gente vê depois.

olhou para Garrett e sorriu tímida, desviando o olhar. Por deus! Como ela se sentia como uma menina de dez anos vendo o garoto que gostava na escola perto dele. Alô, ele era só Garrett Nickelsen, o mesmo Garrett que a ensinou como andar de bicicleta, o mesmo Garrett que a ensinava matemática quando ela estava quase de recuperação. E bom... O mesmo Garrett que a beijou. O primeiro menino que ela beijou, há mais ou menos... Uns quatro anos atrás. Por favor, , já faz quatro anos!
se sentia desconfortável por estar parada entre e John, parecia que iria afundar no banco a qualquer segundo, e John... Bem, John estava do mesmo jeito desde que chegara: aéreo a todo o resto.
- Gente, vou pegar alguma coisa para beber. - Garrett disse.
- Eu vou com você! - disse levantando-se, não aguentando mais ficar no meio do casal-problema.
Os dois caminharam devagar até o caixa.
- Vai querer o que ?
- Um milk-shake de chocolate.
Ele fez os pedidos e tentou entregar uma nota de dez dólares, que foi recusada.
- Vai logo Garry! Eu consumo, eu pago!
- Nem vem! - Ele disse rindo e pagando os dois.
- Bobo. - ela disse e ele mostrou a língua.
Eles voltaram à mesa, mas dessa vez, sentou do lado de Garrett.
- Como vai a banda?
- Ah, vai bem... Bem, naquelas né. Você vai a todos os nossos shows ! Mas, de qualquer jeito, nós estamos tendo umas composições boas. Acho que depois que o Kenny e a começaram a namorar, melhorou, cara, acho que Whoever She Is é uma das nossas melhores músicas. E desde o termino da e do John, as composições dele veem melhorando.
- Como você é mau! - ela riu.
- This Is The End e If I Only Had A Heart são geniais!
- Nisso eu tenho que concordar. - sorriu.
E como Garrett amava o sorriso dela! O jeito que os cantos do lábio se curvavam quando ela o sorria, ou como ela passava a língua pelos lábios quando eles ficavam secos. Meu Deus, ela despertava o lado mais gay de Garrett!

Kennedy e eram o casal ternura do grupo de amigos. Qualquer um que olhasse de longe podia pensar que eles eram casados. E era quase isso. O romance era cheio de "eu te amo" e aquele bla bla bla de filme adolescente.
- , você tá bem? - Kennedy encarou a namorada, que olhava pra mesa, com a cabeça apoiada nas mãos e o cabelo preso num rabo de cavalo.
- Mais ou menos. Esse cheiro de fritura tá me deixando enjoada. Ew. E sério, to morrendo de vontade de vomitar. - ela fez careta.
- Quer ir ao banheiro? Eu vou com você.
- Vai ser nojento Kenny.
- Ah , vamos logo vai. - ele levantou e puxou a mão da namorada, praticamente arrastando-a até o banheiro.
Os dois entraram e Kennedy encostou-se na porta de uma das cabines.
- Senta no chão , uma hora o vômito vai vir.
Sentou-se no chão e Kennedy acariciou os seus cabelos.
- Acho q... - antes de terminar a frase, ou até mesmo a palavra, ela colocou tudo pra fora.
- , calma. - Kennedy tentou acalmar a menina, que até chorava. - Vai ficar tudo bem.

olhava um tanto como... Enojada, em direção a Kennedy e . Pelo amor de Deus, como duas pessoas no mundo podiam combinar tanto e dar certo? Porque, pelas leis da física, ou da química, tanto faz, os opostos se atraem!
- Estranho né? - Ela sentiu a voz um tanto rouca de Jared tocar seu pescoço.
- Os dois? A coisa mais estranha que eu já vi na minha vida. E olha que você já passou várias vezes diante dos meus olhos. - ela riu nasaladamente.
- Vou rir pra palhaça não perder o emprego. Ha. Ha. Ha. - ele riu ironicamente.
- Foi engraçado, tá? - ela fez bico.
- Tão engraçado quanto o Kennedy imitando o John.
- Não me ofende desse jeito! - ela riu.
- Mas agora... É sério, olha como eles são parecidos! - os dois viraram para o casal. e Kennedy pareciam ser destinados, e era isso o que preocupava . Nada pode dar tão certo desse jeito! Até a primeira vez deles tinha sido cinematográfica. E a segunda também. A terceira, a quarta, a quinta e todas que a sucederam.
- Eu aposto que eles casam. - Jared disse, a despertando dos pensamentos.
- Eu aposto que eles terão uma menina. - ela riu.
- E eu aposto que terão um menino, deal? - ele estendeu a mão.
- Quem ganhar, decide o que quer. - ela sorriu, apertando a mão dele.
- Uh. O que quiser?
- Você me entendeu, Monaco.
- Eu acho que sim. - ele pausou. - O que eu quiser.

Capítulo 2 - If I go there will be trouble, an' if I stay it will be double

não lembrava de muita coisa. Lembrava-se de passar muito mal com o cheiro das batatas fritas. As batatas fritas que ela adorava!
Lembrava-se de Kennedy segurar seu cabelo enquanto ela botava pra fora tudo o que havia comido desde o café-da-manhã. Ew.
E sinceramente, o que ela mais desejava nesse momento era ter uma máquina do tempo e voltar para dois meses atrás. Ou uma aspirina. Uma aspirina iria muito bem agora.
O mundo parecia que desabava aos seus pés. Meu Deus, ela sempre tão... Certinha e cuidadosa! Se isso tivesse vindo, sei lá... De ou de , ou até de , que seja, não seria surpresa alguma, mas veio dela. Dela!
O rosto pálido, agora mais pálido que o normal, estava manchado pelo rímel que escorria junto com as lágrimas. Meu Deus! Como ela podia ser tão burra? Burra, burra, burra! Era isso que ela era.
Ela precisava ligar para alguém. Desde que esse alguém não fosse Kennedy, ou algum dos meninos.
Tateou a cômoda em busca de seu celular, quando o encontrou, digitou o primeiro número que veio a sua cabeça. . poderia dar a louca, ou ser bem compreensiva.
- Alô? - atendou com a voz rouca, como se tivesse acabado de acordar.
- T... Te acordei ? - ela disse soluçando.
- Sim... Mas, não importa agora.
- Me desculpa.
- , você tá chorando? O que houve? Você e o Kennedy brigaram? - nada, não respondia. - , PORRA, ME RESPONDE, O QUE HOUVE? SE VOCÊ TÁ CHORANDO POR CAUSA DO KENNEDY, EU VOU CORTAR AS BOLAS DELE!
- Não se preocupa, meu pai faz isso por você. - ela sussurou.
- , você tá me deixando preocupada! O que houve?
- Eu... Eu to grávida. - ela disse a última frase num sussurro desesperado.
- Você o que? - disse um tanto alterada.
- Isso que você ouviu.
- De quem? Do Kennedy?
- Não, . Do Patrick! - ela disse irônica e rolou os olhos.
- Uh. Grossa.
- , EU TO DESESPERADA! Eu vou ser mãe aos dezessete!
- Você já falou com o Kennedy?
- , eu descobri faz uma meia hora. E passei a meia-hora chorando.
- Vai falar com ele. Agora. - sabia ser bem como ser mãe, às vezes.
As duas desligaram o telefone e encarou a tela. O papel de parede, uma foto dela e de Kennedy, a fazia ter vontade de chorar. Só parou de encara-lo, quando seu celular vibrou, indicando que uma mensagem tinha chegado.
"Isso não é uma coisa que se fale pelo telefone, vai até a casa dele! - ."
foi ao banheiro limpar o resto de rímel dos olhos, para ir até a casa de Kennedy.

Kennedy se sentia mal por ficar com . Não o entenda mal, não é que ele não gostasse dela, ele a amava. E era exatamente isso, ele estava cansado de ser só de uma, de sentir seu coração bater. Por que, pra que ser de uma quando se pode ser de todas?
Ele balançou a cabeça, decidido a acabar com o namoro.
Saiu de casa, andou uma quadra e encontrou uma , pálida e com cara de quem tinha encontrado a morte.
- Kenny, a gente precisa conversar.
- Precisamos mesmo.
- Fala você primeiro. - ela disse.
- ... Não me entenda mal, por Deus, eu te amo. Mas, eu quero terminar. Eu preciso terminar. – ele disse e os olhos da menina marejaram. Ele não esperava por isso! sempre fora tão forte. - ... , não chora. - ele a abraçou.
- Kennedy.
- Fala . - ele disse ainda abraçando-a.
- Eu to grávida.
- Você... O que?
- Pelo amor de Deus! Dá pras pessoas entenderem de uma vez o que eu falo? Eu to grávida Kennedy! Grávida!
O chão de Kennedy pareceu desparecer de baixo de seus pés. Isso não podia estar acontecendo, não com ele. Ele tinha só dezessete!
- Eu... Eu preciso de tempo. - falou e puxou os cabelos, num sinal de nervosismo.
- Tá. Mas me avisa. E não pensa só por mim, mas por esse pedaço de nós, que tá crescendo em mim. - ela sorriu fraco, enquanto ele sussurrou um "eu te amo" baixinho e beijou a testa dela, e voltou pra casa.
Sentou na cama e pegou o caderno que sempre usava para escrever música. Ou trechos, que futuramente virariam músicas.
"I just need some time, to figure out, time to figure out, time to figure this thing out, I just needed some time. Well I'm trapped, in this modern city, yes I'm trapped with this fancy drugs."
Puta merda. Sua mãe. Como ele ia contar pra sua mãe que estava grávida? Ele estava, no mínimo, mais fodido do que ele esperava.
"And I can't even please my mother, cause there's still so much that she don't know..."
Fodido. Era isso que ele estava.
"Caras, to fodido. Me encontrem no 8123 o mais rápido possível, to indo pra lá agora. - Kenny"
Ele desceu os contatos, enviando a mensagem para: Patrick Viado, Jared Mais Viado Ainda, John Bicha e Garrett Bichona. Deus, por que ele não podia ser normal?

Kennedy chegou lá e os outros quatro maines já estavam parados ali.
- Caralho, que cara de morto. - Garrett o cumprimentou, como sempre, amável.
- Quase cara, quase.
- O que houve? - John perguntou, dando uma Stella pro amigo.
- A tá grávida. Grávida. Porra. - todos os quatro engasgaram com as cervejas.
- E... Você vai assumir a criança né?
- Não sei Jared! Eu tenho dezessete, porra.
- Dude... - Pat começou. - Se você tá surtando desse jeito, imagina a . Você pode fugir da responsabilidade e não assumir esse filho, mas esse pedaço de vocês, tá crescendo dentro dela. Não é como se ela pudesse ir lá e arrancar isso de dentro dela.
- To fodido. - Kennedy nunca tinha usado a palavra "fodido" tantas vezes num período tão curto de tempo.
- Pois é, pois é. Por isso que eu digo, relacionamento é uma merda.
- Até umas três semanas atrás tava correndo igual um cachorrinho atrás da , tsc.
- Não tô mais.
- Não? Tá pegando a coitada da pra tentar esquece-la. O pior é que nem isso tu consegue, porque a é quase a cópia perfeita da . - Kennedy disse, num tom surpreendentemente calmo.
- Acho que a única coisa que diferencia é que a é um puta pé no saco. - Jared riu. - CARALHO!
- Que foi, sua bicha?
- Caralho Garry! Minha aposta com a , tá mais perto de chegar ao final. Achei que ia demorar anos!
- Que aposta?
- A gente apostou ontem, que o Kennedy e a teriam um filho... - Kennedy arregalou os olhos. - Calma, só daqui uns bons anos, e a apostou que seria menina e eu que seria menino.
- Tá... E o que vocês apostaram?
- Quem ganhasse, escolheria. Qualquer coisa. - ele sorriu malicioso.

juntou dois mais dois, e descobriu que estava grávida! Deus, era tão óbvio. já sabia. , desconfiava e , tinha quase certeza.
Quando "juntaram" as informações, resolveram ir até a casa de .
- Meninas! - a mãe de abriu a porta e deu beijinhos em cada uma.
- A tá ai?
- Tá sim, . Lá em cima, pode subir. - ela sorriu.
As quatro passaram igual a um raio, quando chegaram lá em cima, abriram a porta de com cuidado.
O quarto de , que quase sempre estava arrumado, estava uma bagunça. O celular estava no chão, um milhão de roupas na cadeira, a porta do banheiro escancarada e uma chorando desesperadamente na cama.
- ... - sentou na borda da cama e acariciou o cabelo da amiga. - Vai ficar tudo bem.
- É! Se o Kennedy não assumir a criança, eu e as meninas assumimos como pai. - disse, fazendo com que todas rissem.
- É sério! Já pensou se for menina? - falou. - ? E se for menino. Hmmm... Danny . Nome de rockstar!
- Tem que ser menina! - gritou de súbito.
- Por quê?
- Errr... Porque tipo, ontem, eu e o Jared, apostamos que vocês teriam um filho, mas claro, só daqui a alguns anos, e eu apostei que seria menina, e ele que seria menino. E bom... Quem ganhasse, poderia escolher qualquer coisa. E ele disse com um sorriso muito malicioso! - Ela deu uma risada baixinha, como se lembrasse do sorriso dele.
- Ihhh, acho que você quer mesmo que seja menino!
- Cala a boca, ! - ela jogou uma almofada na cara da amiga.
- Gente, é sério. Nem pra minha mãe eu tive coragem de contar ainda. - secou as lágrimas.
- Eu acho que quanto mais rápido você contar, melhor.
- Concordo com a , não é como se você fosse uma criança. Você já tem quase dezoito anos .
- Minha mãe me teve com dezoito anos. - riu.
- Então! Conta pra ela.
- Quem sabe...
- Ei, se ela te expulsar de casa, eu te abrigo!
- E... Ahn... Você falou com o Kennedy? - finalmente perguntou o que estava entalado na garganta.
- Falar, eu falei. - os olhos de marejaram. – Mas ele disse que precisa de um tempo! Um tempo. E o filho da puta ainda teve coragem de me dar um beijo na testa e dizer que me amava.
- Filho da puta. - As quatro sussurraram.
- Ah! E eu não contei a parte mais filha da puta da história.
- Tem como ser mais?
- Tem! Eu encontrei ele no meio do caminho, porque ele estava vindo terminar comigo!
- Eu juro que eu vou cortar as bolas dele. - levantou da cama.
- Você não vai a lugar nenhum.

Kennedy chegou em casa depois de duas horas jogando conversa fora no 8123.
- Filho? - A mãe de Kennedy o chamou.
- Oi mãe.
- Tá tudo bem? - Era incrível como eles se comunicavam, sei lá, através de pensamentos.
- Eu fiz uma burrada enorme. - Kennedy sentou no sofá e começou a chorar desesperadamente.
- Calma! O que foi? – Lauren (N/A: gente, não lembro de jeito nenhum o nome da mãe do Kennedy, se alguém souber, por favor, me falem!) sentou-se do lado do filho e passou a mão pelas suas costas.
- Me ouve, me fala o que fazer e depois briga comigo. – O menino soluçou – Você sabe que eu estava namorando a há algum tempo né? – Lauren concordou com a cabeça. – E eu sei que você a adora e fala que namorar ela foi a melhor coisa que eu fiz em toda a minha vida. Mas ontem, ela passou mal, vomitou muito no 8123, aí eu a levei pra casa, e quando cheguei aqui resolvi repensar nosso relacionamento. E eu cheguei à conclusão que a amava. A amo muito. E isso foi o que me fez terminar com ela, talvez... Eu estivesse cansado de ser só de uma. Aí ok, sai de casa, hoje lá pelo meio-dia, determinado a terminar com ela, só que, eu a encontrei no meio do caminho, e ela disse que precisava falar comigo, e eu disse que também precisava... Eu contei que eu queria terminar e ela fez uma coisa que eu nunca imaginei que ela faria...
- Ela te bateu? - Lauren arregalou os olhos.
- Não. Não exatamente. Ela começou a chorar, chorar muito. E, cara... A sempre foi tão forte, não imaginei que eu a faria chorar assim. Ai eu pedi pra ela parar de chorar. E mãe... Sabe o que ela falou pra mim? – ela fez um sinal negativo com a cabeça. – Ela disse que tava grávida! - Lauren arregalou os olhos. – E eu... Eu fui um covarde, imbecil e idiota! - ele puxou os cabelos.
- Kennedy Brock, o que você disse?
- Eu... Eu disse que precisa de um tempo.
- Kennedy, olha pra mim. – ela segurou a cabeça do menino, fazendo com que ele a encarasse. – Eu estou muito, muito, brava com você. Mas, acima disso, eu estou decepcionada! Meu Deus, eu tenho certeza que ela não fez esse filho sozinha. Trata de lavar esse rosto, e ir lá agora e dizer para ela que você vai assumir esse filho. Agora.

Kennedy caminhou até a casa de . Se ele fosse de carro, era capaz de bater o carro contra um poste.
Parou em frente a casa de e viu que a luz do quarto dela estava aceso.
", desce aqui. Nós precisamos conversar."
Ele digitou a mensagem e ficou esperando. Não muito tempo depois, uns cinco minutos, a menina passou pela porta.
- Não precisa ficar com medo. Eu contei pros meus pais, e sei lá por qual motivo, eles estão animadíssimos pra ter um neto.
- Sério?
- Uhum. E você, se decidiu?
- Decidi. – ele coçou a nuca e trocou o peso de perna. – Eu vou assumir essa criança.
- Não adianta só assumir.
- Eu crio. Nós criaremos.
- Nós criaremos. Soa bonito. – ela sorriu e eles se beijaram.

Capítulo 3 - It's the way you do the things you do that make me fall in love with you. Oh Dakota, are you in love with me too?

queria dar um tiro em alguém. Se ela tivesse uma AK-47 alguém estaria morto agora. Com certeza estaria.
- Porque as pessoas tem que ser tão burras? – ela disse enquanto bufava.
jogou-se na cama. Ela era o tipo de pessoa que fazia tudo pelas pessoas que amava, e nesse momento estava irritada. E uma feliz já não é nada amigável, uma irritada então.
Cansada de não fazer nada, pegou seu iPod e saiu de casa.
Andou até a praça, pois tinha certeza que o casal mais safado da Terra estaria lá. O casal mais safado da terra: Eric Halvorsen e .
Eric Halvorsen é quase tão alto quanto John, tem olhos castanhos claros e cabelos também castanhos claros. Não era tão safado, mas levou ele para o caminho do mal.
... era a safadeza em pessoa. É sério, Deus falou "que nasça a safadeza" e nasceu.
- Eai, casal safadeza do ano. – jogou-se no meio dos dois.
- Eai, enrolada do ano.
- Vai se foder, Halvorsen. – ela riu.
- O que você veio fazer aqui? – perguntou com sua sutileza, dando espaço para sentar.
- Ah, tava sem nada pra fazer em casa. Meio irritada, resolvi sair para nada, mas no meio do caminho lembrei que o casal-safadeza sempre tá aqui, então... Aqui estou eu!
- Oi gente! – Pat chegou, e acenou, tirando o cabelo do rosto.
- Patrick, my dear! – Halvo levantou do banco e se jogou no amigo.
- Sai de mim, sua bicha. Seu negócio é com o John!
- Nossa Patrick, suas piadas estão cada vez melhores, só que ao contrário.
Os dois se afastaram, deixando as duas meninas ali.
- Hey , que história é essa de ficar toda sorridente? E o sorriso aumentar quando o Pat chegou?
- Hm... Nada. Ué. O de sempre, na verdade. A minha situação enrolada com o Pat, só isso. Ontem ele foi tão bonitinho que eu quis aperta-lo até a morte. Sabe aquele filme, Meu Malvado Favorito, que a... Agnes, se eu não me engano, aperta o unicórnio falando "FOFINHO!!!!"? – ela imitou – Então, me sinto assim.
- O que ele fez? – riu.
- Nós estávamos no 8123 né, jogando verdade ou desafio. Só o Jared deu um ataque de bicha ciumenta porque a falou que o primeiro beijo dela foi com o Jack e blá blá. Só que eu queria ficar do lado de fora, porque sério, o céu tava muito bonito pra não ficar olhando, só que é claro, o Patrick falou que tava frio e que ia ficar lá comigo, como se ele fosse o anti-corpos da minha vida, - rolou os olhos - até ai, nada a normal do que a fofisse dele. Só que o viadinho começou a cantar Yellow. Deus, Yellow. Yellow é tipo, o hino dos deuses.
- E você fez o que? Qual foi a patada?
- Só um que como cantor ele é um ótimo baterista!
- Porra . - começou a rir.
- Mas é sério, você já ouviu o Pat cantando alguma coisa? Acho que não né.
- , ele é tipo... A fofura do século com você!
- Eu o amo, e é claro que todo mundo sabe disso porque só estaria mais explícito se estivesse escrito com letras garrafais na minha testa, mas eu acho essa baboseira toda de serenata um saco. E ele sabe, ele faz pra provocar.

- Caralho, Pat. A cada dia que se passa você se prova ser mais bicha. – Halvo riu.
- Não fui eu que pedi a namorada ajoelhando no chão com o John cantando I Wanna Love You no fundo, né?
- Vai se foder. Ninguém deu uma ideia melhor.
- Cara...
- Fala.
- Tá todo mundo fodido.
- Menos eu.
- Mas você não tá nem fodido, e nem fodendo.
- Cara. Você tá andando muito com o Kennedy. – os dois começaram a rir.
- A gente é da mesma banda, imbecil.
- Mas e a ? - ele deu um soquinho no braço de Pat.
- Ah, na mesma. Ontem eu fui todo fofo e ainda tomei uma cortada. Mas tô suave, eu curto a , mas curto ainda mais ela como pessoa.
- Hm, Aristóteles do século XXI.
- Não. – ele cortou e os dois riram. – Ow, tenho que voltar pra casa. O Tim tá lá com a namorada nova dele.
- A que parece um castor? – Halvo colocou os dois dedos indicadores na frente dos dentes da frente.
- Isso é um esquilo, anta.
- Pode ser um castor.
- Pfffff...

Pat foi para casa e observava o irmão e a nova namorada. Os braços grossos de Tim estavam em volta da cintura de Ashley, que tinha os cabelos escuros repicados e olhos escuros. E cara, ela lembrava muito um castor.
Não muito tempo depois, a campainha tocou. Ele não precisava levantar a cabeça pra saber quem era, quando a lufada de ar quente entrou, ele sabia que era .
- Oi Pat! – ela chegou e deu um beijo na bochecha do menino.
- Hey . – ele tinha certeza que ela viria, os pais dele eram muito amigos dos dela. Na verdade, os pais dele eram padrinhos de , e os pais de eram padrinhos de Pat. Quando Pat era mais novo, o pai de , Tom, falava que Pat casaria com .
- Você saiu da praça muito depois de sair com o Halvo?
- Não... Uns vinte minutos depois. Você sabe né, tenho que tomar banho, essas coisas.
- É bom tomar banho né! Pelo menos uma vez por semana. – os dois riram e fizeram careta.
- Mas to cheiroso! – ele tentou sentir o próprio cheiro.
- Deixa eu ver. – se aproximou de Pat, que se sentia... Arrepiado (embora John já havia dito que depois dos doze anos não era arrepio) com a respiração quente de em seu pescoço. – Hmmm... Tá mesmo! Qual o perfume?
- Polo Black.
- Eu amo esse perfume! – ela disse. "Eu sei..." ele pensou.
Pat se sentia uma bicha perto de . Sério, ele poderia não ser engraçado e pegador como os companheiros de banda e Halvo, que vivia com eles, mas ele ficava com um número considerável de meninas... Quando estava bebâdo, é claro, mas nunca havia se sentido como se sentia com . Todas as vezes que eles haviam se beijado, eram no mínimo, maravilhosas. Por mais piegas - e gay - que isso soasse, ele se sentia completo.
- Os meninos te falaram alguma coisa de sair hoje?
- Falaram, a gente vai num pub às 8 horas. Eles chamaram as meninas.
- Meu, o Kennedy te falou da reação dos pais da ?
- Não dude, ele contou que foi bem melhor do que o esperado. Ele ia me contar, mas eu tive que sair daqui correndo, não aguentava mais minha mãe falando da namorada do Tim, e meu celular tava sem bateria.
- Ah, o pai dela ficou bem puto, prometeu o Kennedy de morte e etc. Mas a mãe dela achou lindo, a acha que a mãe dela fumou alguma coisa antes de receber a notícia... E ela conseguiu acalmar o pai da , que tá meio puto ainda né, mas normal.
- O Kennedy escreveu um começo de música muito bom quando deu a louca nele de não assumir a criança.
- Sério? Depois vou pedir pra ele me mostrar.
- Esses dias as produções estão sendo muito boas, tipo, de verdade. Acho que essa conturbação na vida de todo mundo tá ajudando.
- Hm... Quando vai ter show?
- Acho que na sexta que vem.
- Aonde vai ser?
- No pub que a gente vai hoje. O cara vai confirmar lá.
- Hmm... E quem vai hoje?
- Ah, os de sempre. E a e o Halvo, claro.
- A e o Halvo estão incluidos no de sempre, Pat.
- Bom... Ultimamente eles estão se pegando tanto que quase nunca estão no de sempre.
- Essa vida amorosa conturbada dos nossos amigos... e John não conseguem ficar no mesmo ambiente sem querer cortar um o pescoço do outro, e Jared são fogo, tipo de verdade. Kennedy e , são o casal-certinho-mas-que-se-tornou-problema, Garrett e é o empata mas não vai. – ela disse e os dois riram.
- E nós...
- Nós não somos um casal, Pat.
Ele bufou e afundou-se no sofá. Oh Deus, por que tinha que ser tão difícil?
Porque se não fosse, não seria ela.
- Bom, tenho que ir, são quase seis horas e você sabe como as meninas são né?
- Pelo amor de Deus, agiliza elas. Sério.
- Pode deixar babe! - ela deu um beijo na testa de Pat e saiu.

passou em sua casa, pegou algumas - milhões - de roupas, ia decidir o que vestir com as meninas, que se encontrariam na casa de .
era o tipo de menina que tinha medo, mas não demonstrava. Tinha medo de relacionamentos, de se prender, tinha medo de altura e do escuro. Tinha medo, também, de que uma hora, tudo estivesse dando certo, e na outra, BOOM, tudo deu errado. Por que você sabe, quando uma coisa dá errado, as outras também dão. Maldita Lei de Murphy.
- Mãe, você pode me levar na ?
- É aqui do lado .
- Mas eu to com preguiça. – ela fez bico. – Por favor, por favor, por favor.
- Sai daqui com essa cara de gato do Shrek, .
- Por favor mãe!
- Chata! – ela riu. – Pega suas coisas logo.
- Você é a melhor!
- Eu sei, eu sei.
pegou as suas bolsas – porque é claro, não daria para levar tudo em uma bolsa só – e encontrou sua mãe.
O caminho até a casa de foi curto. saiu e tocou a campainha.
- Oi tia! – ela cumprimentou a mãe de .
- Oi ! A tá lá em cima com as meninas, pode subir.
Ela subiu as escadas da casa com facilidade, mesmo com as pernas curtas, ela conseguia subir três degraus por vez.
- Oi meus amores! – ela entrou animada, e olhou para as amigas que pareciam tristes. – Eita, o que houve?
- Amor. Foi isso que houve.
- Elas tão assim desde que eu cheguei. – deu de ombros.
- Se abram pra tia Panda. – ela usou o apelido, que vinha de uma piada interna. – E quem vai começar... Vai ser você, , que até ontem tava super animada e feliz.
se remexeu, desconfortável.
- Sabe aquela sensação de que alguém tá fazendo algo por pura obrigação? E não por vontade? Então... É isso que eu to sentindo, eu to sentindo que ele falou tudo aquilo, de criar o bebê junto comigo, por que alguém tá obrigando ele a isso!
- Bom, eu acho que se você não tá feliz, termina. Ele vai assumir, e criar a criança de qualquer jeito. Meu pai não me criou junto com a minha mãe, mas me criou. – foi logo falando, esse assunto de família a deixava meio balançada.
- Já eu acho que você tem que se abrir com ele, bota as cartas na mesa. Diz o que você tá achando da relação.
- Mas , ele vai falar que não tá fazendo isso. Eu conheço meu namorado.
- Eu conheço o meu também, e eu nunca imaginaria o pedido de namoro com I Wanna Love You, as pessoas estão ai pra te surpreender.
- Tá, ela falou pra mim e não pra vocês. – sorriu. – Eu acho que ele pode estar se sentindo pressionado, mas eu concordo com a , se você não tá feliz com isso, termina. Seja feliz.
- Acho que vou terminar, mas não hoje, sabe? Vou esperar, porque pode ser uma coisa de momento.
- Agora, zinha linda do meu coração, conte-me o que te aflige.
- O O'Callaghan, já veio com aquele papo de que quer conversar, você sabe onde vai dar. Mas eu não to mal, to ok. Acho que vou conversar com ele hoje.
- Conversar. Hmmmm.
- , eu não sou você pra ser pervertida desse jeito! Ninfomaníaca.
- Agora, sua vez, .
- Tô preocupada com o sexo do filho da , vai decidir o que aquele ruivo do inferno quer fazer comigo. Ou o que eu vou fazer com ele. – ela deu um sorriso malicioso.
- Tira o meu filho dessa orgia, Senhor! – riu e fez o "pai-nosso".
- E por último, mas não menos importante, , meu amorzinho, que sempre é tão falante e desde que eu cheguei não abriu a boc...
- Pera, você tá reclamando que ela não abriu a boca ainda? Ô Deus, para o mundo que eu quero descer. – botou a mão na testa, como se estivesse desmaiando.
- Vou ignorar a e fingir que ela não existe. Eu tô "assim", quieta e calada, porque aquele putinho, mais conhecido como Garrett, tá trocando saliva com, ninguém mais, ninguém menos que Amber Hankis. Desculpa, mas não sou obrigada. – terminou e o resto das meninas riram.
- Take a breath, and let the rest come easy. – cantarolou a música da banda de Jack, All Time Low.
- Socorro, alguém pelo amor de Deus, tira essa ninfomaníaca do meu quarto! – reclamou. – Acabou de falar que tá querendo o Jarry, mas fica falando do ex.
E assim, em meio a risadas, e comentários idiotas, elas se arrumaram.

Capítulo 4 - One more kiss could be the best thing, one more lie could be the worst

estava preocupada com as amigas, O'Callaghan que se explodisse. Por ela, ficaria a noite toda, trancada em seu quarto, comendo Kit Kat, tomando coca-cola e vendo filmes. Mas não, as amigas queriam se divertir, e se elas estariam feliz indo para um pub, ela estaria também.
Olhou para as amigas, que estavam maravilhosas.
- Vamos gente? - terminou de calçar o peep-toe.
- Sua mãe vai nos levar?
- Não , a gente vai com meu carro. Vamos apertadinhas, mas não vou fazer minha mãe levantar da cama agora.
As seis desceram, e se apertaram no New Beatle amarelo de , que foi dirigindo, é claro, seu carro era como seu filho, ninguém encosta.
Era sábado à noite, mas mesmo assim, o número de pessoas no pub era gigantesco.
- Vamos logo, se não a gente não vai achar mesa! - pulou pra fora do carro.
- Sem estresse, o Pat me mandou uma mensagem e disse que já tá ai dentro.
- Falando em Patrick, Dona , fez a gente falar sobre nossos "amores" - fez aspas no ar - e nem abriu a boca pra falar do nosso sweet anão.
- Sweet Anão, ?
- Por favor , daqui a pouco até você é maior que ele!
- Eu falo! - ela levantou as mãos. - Mas, só a hora que a gente voltar. E quando todas estiverem sóbrias.
- , não bota um gole de vodca nessa boca!
- Ah, , só um golinho!
- Quando você começa você não para mais. - elas riram, embora fosse uma das maiores verdades da Terra.
A fila andava, e o frio na barriga de aumentava. Meu Deus, ela tinha dezessete anos, podia parar de agir como uma pré-adolescente de doze antes de dar o primeiro beijo.
- Os nomes, por favor? - o leão, a.k.a segurança do pub, pediu os nomes e os rgs, assim que comprovou que todas eram "maiores de idade" - RGs falsos, vocês são maravilhosos! - deixou-as entrar.
- Hey! Meninas! - elas ouviram a voz, já mais animada que o normal, de Jared.
Foram até a mesa e cumprimentaram todos.
- Cadê a , John?
- A gente não tá mais junto, . - ele esticou até a outra ponta da mesa para pegar mais uma garrafa de cerveja. - E ah, oi pra você também, . - ele deu oi para prima, que já se atracava com Halvo, que respondeu com um joinha, sem desgrudar as bocas.
- Ô caralho, hein. - Garrett bufou.
- Falando em , cadê a Amber, Garrett? - perguntou, com a voz pingando sarcasmo.
- Por aí. Nós não temos nada sério . - ele respondeu, calmamente e ignorando o sarcasmo.
- Hmm.
sentou-se do lado de Kennedy e . Kennedy tratava de um jeito extremamente cuidadoso, como se ela pudesse quebrar a qualquer segundo. Kennedy sempre fora cuidadoso, mas agora, parecia que ele tinha medo de que qualquer sopro de vento mais forte quebrasse Julia. "Talvez seja só pela gravidez...”
- ? - ela ouviu a voz de John, muito próxima do ouvido dela.
- O... Oi.
- A gente pode conversar?
- Pra que? Não quero ouvir a mesma história de sempre, O'Callaghan.
- ... Por favor, dez minutos. - ela suspirou, revirou os olhos...
- Dez minutos, a partir de agora.
- Lá fora, por favor.
Ela levantou, a contra-gosto e de bico. Caminhava na frente dele, sem nem olhar pra trás, batendo os saltos com força no chão.
Ele sentia o frio na barriga e as mãos suarem. "Merda John, larga de ser bicha." ele repetia como um mantra em sua mente.
- Fala, O'Callaghan.
- ... Eu sei lá, quero te pedir desculpas. Eu fui um babaca, eu... Não sei o que dizer.
- Você me chamou aqui pra falar que "não sabe o que dizer"? - ela tentava manter a calma, e usava toda a força de seu corpo, uma vez que seu coração batia tão forte, que ela tinha medo que alguém além dela o escutasse.
- Eu posso ouvir seu coração... - ele falou, como se lesse os pensamentos dela. - E eu sei que você quer isso tanto quanto eu. Eu sei que você me ama, tanto quanto eu te amo.
- John, você me magoou muito. Acho que você não tem noção do tempo que eu fiquei na "fossa" - ela fez aspas com os dedos - né? E pode ser que alguma parte minha, lá no fundo, bem no fundo mesmo, ainda goste de você, mas, graças ao bom Deus, ela tá tão distante, que eu posso fingir que ela não existe, sem nem fazer muito esforço.
- Não é como se eu fosse fazer isso de novo, por Deus. Eu não vou. Eu estava bêbado! Bêbado, .
- O fato de você estar bêbado, não muda o fato de ter me traído! John, não adianta a gente tentar, nós estamos fadados ao fracasso. Não é pra gente ficar junto. E se é, não é pra ser agora!
- Pelo amor de Deus, tenta me entender! Olha meu lado, eu nem lembrava o nome da menina no outro dia!
- Pfff... Nem lembrava o nome dela no outro dia... Você não sabe o quão cafajeste isso soou. Cafajeste e nojento.
John a beijou, ou tentou, que seja.
- John, sai de perto. - ela disse, tentando respirar, o empurrando.
- ...
- John, sai de perto! - ela gritou a última parte e sentou no puff, cobrindo os olhos como se estivesse prestes a chorar.
- Não chora, babe. - ele tentou abraça-la.
- Não me toca. Você tem que entender, que eu quero que você se foda! Você... Você conseguiu destruir toda e qualquer parte minha que gostava de você. Que te amava, porra! Eu sei lá... Eu fui burra demais. Eu confiei cegamente em você. E eu só quebrei a cara. Desde o começo, só quebrei a cara.
- Você fala como se eu fosse o único culpado nessa merda toda.
- E não é? Por que não fui eu que te traí, foi? Eu posso ter todos os defeitos do mundo, O'Callaghan, e eu sei que eu tenho praticamente todos, mas eu nunca, nunca, traíra alguém, não só namorando, nunca traíra alguém, de nenhum jeito. - ela levantou.
Maldito seja. Maldito seja John Cornelius O'Callaghan V.

John queria morrer. Ou matar . Ele havia tentando de todas as formas fazer com que ela voltasse para ele. Mentira, ele não havia tentado de todas as formas, ele tentou uma vez. Ele foi sincero, ele tentou se abrir, mas... Destruiu tudo com o beijo. Porque é claro, ele era John O'Callaghan, quando as coisas estavam dando certo, ele tinha que arrumar um jeito de destruir tudo.
Ele caminhou, trocando o peso de perna a cada passo, no melhor estilo O'Callaghan de andar, até o bar e pediu uma vodca.
- Ei cara... A chegou lá e já contou o que houve pras meninas, aí sabe, eu tava lá do lado, e escutei.
- Dude, eu não sei o que fazer. Não é como se eu pudesse fazer uma serenata pra ela, Jared.
- E por que não?
- Porque... Porque eu sou uma bicha.
- Porra John. - Jared gargalhou.
Ele apoiou a cabeça na mesa e olhou pra pequena pista de dança no pub.
A banda tocava alguns hits, e também tocava algumas composições próprias, que não eram ruins. Pelo contrário, tinha bastante gente na pista, inclusive o maior problema da vida dele.
Ele não sabia quando a história deles havia começado, na verdade tinha uma vaga ideia... Quando entrou na escola, eles não conversaram, ela era só a menina nova, mas isso fora a tanto tempo... No primário. Eles nunca conversaram, até que a prima de John, , veio pra a cidade, e as três - , e - ficaram muito amigas. Mas, ele só foi se apaixonar por ela, lá pelo primeiro ano do colegial. Maldita foi a hora.
- Cara...
- Oi. - John respondeu, "pulando" na cadeira, de susto.
- Olha pra pista, devagar. Sem dar na cara.
John virou-se devagar, com medo do que poderia ser...
dançava muito, o vestido de paetê preto estava grudado no corpo, a jaqueta de couro estava sabe-se lá onde.
Puta que pariu.
- Mais uma dose de vodca, por favor. Sem sal e sem limão. - ele pediu ao barman.

Depois de dançar bastante, e beber bastante também, chamou as amigas para ir embora, isso já eram quase quatro horas da manhã, ela podia ouvir sua cama chamando ela a quilômetros de distância.
- Vocês vão dormir lá em casa né? - perguntou, enquanto entrava no carro.
- Uhum. - as cinco responderam num murmúrio, com preguiça até de respirar.
Quando chegaram em casa, todas tomaram banho, as cinco pareciam ter tomado, também, várias garrafas de energético, por que não calavam a boca.
- Deixa eu dormir no meio! Por favor, por favor! - implorou.
- Por que, Deus, você quer dormir entre mim e a ? Uma chuta mais que a outra!
- Porque é melhor do que dormir entre a e a !
- Chata. Nem se você quisesse eu e a deixaríamos você dormir aqui. Né, ?
- Nem se você implorasse. - ela pensou. - Só se você fizesse massagem nos nossos pés.
- Eca! Prefiro dormir entre a e a e morrer pisoteada.
- Ridícula. Meu pé é bem limpo.
- Não sei vocês, mas eu... - bocejou. - quero dormir.
afundou a cabeça no travesseiro, lembrando do que havia acontecido com John, e sentindo uma incrível vontade de chorar.
"Mas que se foda." ela pensou, enquanto tentava se distrair, voltando a atenção para a conversa das amigas.
- É que eu e o Halvo já estávamos naquele fogo todo...
- Que vocês sempre têm, diga-se de passagem.
- Cala a boca, . Para de interromper a minha história, obrigada. Então... Ai o Garrett e o Pat começaram a chegar com umas doses de vodca, do nada. Sério. E a gente começou a beber e tipo... Aquele pub foi ficando pequeno e quente. Muito quente. Aí o Halvo sugeriu que nós fossemos lá pra fora e...
- Eu não quero saber! - ouviu falar, e isso é a última coisa de que se lembrava antes de cair no sono.

- Dude, para. Que bosta. - Jared tampou o ouvido.
- Não é só porque você tem a tensão sexual acumulada, que o menino não pode contar as aventuras sexuais dele.
- Sexo no banheiro do pub não é aventura sexual, Pat. E acho que o Halvo tem que consolar o John, que tá todo tristinho.
- Own, Johnzito, o que houve baby? - Halvo afinou a voz, enquanto passava a mão pelo cabelo de John.
- Aposto que eu sei! - Garrett levantou a mão, mais bêbado do que qualquer um ali.
- O que?
- Elementar meu caro Brock, O'Callaghan foi tentar alguma coisa com a , e se bem a conheço, ela falou umas boas verdades na cara dele, e ele ficou doído. - Garrett segurava um cachimbo imaginário, como se realmente fosse Sherlock Holmes.
- Até bêbado esse cara sabe das coisas.
- John, o que você contou pro Jared que você não me contou? Quero divórcio.
- Eu só falei pra ele o que aconteceu... Que eu falei que não era o único que fazia merda na nossa história, e ela ficou putinha. Disse que foi burra, que confiou cegamente em mim, que tinha todos os defeitos do mundo, mas não trairia ninguém do jeito que eu a traí e nem de jeito algum etc, etc. Ah, e claro, relembrou que quer que eu me foda.
- Ela sempre relembra que quer que você se foda, John. - um silêncio estranho preencheu o quarto de Kennedy.
- Ou, Garrett, aonde a tua mina, a do cabelo tingido, ficou o tempo todo? Eu a ela entrando, deu beijinho em todo mundo, saiu e eu não vi nunca mais.
- Ela tem nome, Halvo. - ele coçou a cabeça. - Ashley.
- Amber. - Pat corrigiu, fazendo todos rirem.
- Agora, pergunta séria: amanhã é que dia da semana?
- Domingo. Na verdade, segunda, mas como a gente ainda não dormiu, domingo. Por que?
- Tenho recuperação de Inglês. - Garrett jogou-se sobre o travesseiro.
- A é boa em Inglês.
- Cara, eu to bêbado, ou louco, mas a cama tá gritando meu nome. - Jared jogou-se do lado de Garrett.
- Ai, esse bando de macho no meu quarto...
- Você fala como se não gostasse da fruta, Kenny. - John afinou a voz, enquanto "alisava" o colchão do seu lado.
- Vocês estão mais gays que o normal hoje. - Kennedy riu, e deitou... Do lado de John.

Capítulo 5 - Calling all the stars to fall, and catch the silver sunlight in your hands

Garrett acordou mais cedo do que todos, e resolveu sair logo daquele antro de homens.
Foi até sua casa, que era a umas duas quadras da de Kennedy.
- Mãe, cheguei!
- Filho, eu sei que você tem prova amanhã, vai estudar.
- Acho que eu vou passar numa amiga pra estudar.
- ? Sei que ela é boa em Literatura.
- É mãe...
- Qual o livro mesmo?
- Romeu e Julieta.
- Hm. Só toma um banho antes, você tá fedendo.
- Banho é pros fracos.
- Garrett Daniel Nickelsen, vai tomar banho. Agora.
- Manhêêê...
- Agora.
O menino levantou a contra-gosto, resmungando e foi tomar banho, o que não demorou muito, vestiu uma calça jeans escura e uma camisa branca.
- Mãe, to indo!
- Tchau Garry.
Ele saiu de casa, e foi caminhando. Deus abençoe Tempe, por ser tão pequena e tudo ser tão perto de tudo.
Garrett bateu na porta da casa branca.
- Garrett? - Lilían, mãe de , perguntou.
- Oi tia!
- Quer falar com a ?
- Por favor. - ele sorriu.
- Você chegou na hora certa, faz uma meia hora que ela chegou da casa da e acabou de sair do banho.
- Ufa! - ele riu, enquanto Lilían punha a cabeça pra dentro e gritava o nome de , que não muito depois, desceu.
vestia um shorts curto, de moletom cinza, uma blusa básica branca, nos pés uma pantufa do Mickey – que John havia dado pra ela, alegando que ela parecia um rato –, e usava seus óculos "geek", de armação preta, coisa que ela quase nunca fazia, já que sempre usava lente.
- Oi Garrett!
- Oi , então...
- Garrett, entra filho. – Lilían saiu de frente da porta, rindo e ele entrou.
- Então, eu fiquei de recuperação em Literatura, e você foi a melhor da classe, me ajuda, pelo amor de Deus! - ele juntou as mãos.
- É claro né, você trouxe o livro?
- Não. – os dois riram.
- Tinha certeza, já volto. – ela subiu as escadas, e voltou com o livro. – Você já leu alguma parte? – ela sentou na cadeira do lado.
- Não. - eles riram, de novo.
- Eu vou tentar explicar, Capuleto é a família da Julieta, e Montecchio é a família do Romeu, eles são inimigos, Julieta tem treze anos e Páris quer casar com Julieta...
- Ele quer que a menina case com treze anos?
- Era assim naquela época. Então, continuando, o pai da Julieta pede para que ele espere dois anos...
- Sensato.
- Garrett, pelo amor, para de me interromper a cada frase, aí depois, o pai da Julieta, convida o Páris pra um espetáculo de ballet, que vai acontecer na casa deles. Nisso, a mãe da Julieta e a ama, que é tipo uma empregada, só que mais próxima da família, tentam convencer que ela se case com Páris. Já Romeu, era apaixonado por uma prima da Julieta, que chamava Rosalina, só que eles brigaram, ai Benevólio, um amigo de Romeu, pra consola-lo, convence ele de ir nesse espetáculo, pra ver se ele encontra Rosalina...
- Espera, o cara era apaixonado pela prima da Julieta? – assentiu. – E como eles se apaixonam? Quero dizer, o Romeu e a Julieta.
- Espera menino, já vou chegar ai, aí eles vão pra festa e tal, nisso, do nada – ela deu ênfase no "do nada" – ele bate o olho na Julieta, e pronto, a merda tá feita, ele se apaixona, assim do nada, e ela vê ele e fica completamente apaixonada também. Aí depois da festa, Romeu vai dar uma volta no jardim, e vê a Julieta na varanda, aí acontece a cena da varanda, que Romeu fala que não liga que o matem, que o prendam, desde que os dois fiquem juntos, isso em menos de quatro horas. – ela parou, mas Garrett assentiu, para que ela continuasse. – Aí, eles decidem-se casar, e quem vai fazer a cerimônia, é o padre... Frei, desculpa, Frei Lourenço, porque ele acha que se os dois se casarem, as duas famílias podem se reconciliar. A Julieta tem um primo, muito escroto, diga-se de passagem, que se chama Teobaldo, e ele fica putinho por que o Romeu foi embora mais cedo da festa, e o desafia a uma luta.
- O cara ficou bravo porque o Romeu, que ele não gosta, foi embora cedo da festa? Eu ia ficar é feliz.
- Eu sei, eu sei, ele é retardado, já disse... Romeu decide que não vai lutar, Mercúcio (amigo de Romeu) aceita a briga no lugar dele, só que Teobaldo matou Mercúcio, ai o Romeu se sentiu ofendido, e matou Teobaldo...
- No fim, não adiantou nada ele recusar a briga, já que brigou de qualquer jeito.
- É... O Príncipe, que era primo de Mercúcio, decide exilar Romeu da cidade, por causa do assassinato, e se Romeu voltasse, ele seria morto, aí ele passa a noite no quarto da Julieta e eles se casam.
- No quarto?
- É... No quarto, só que a mãe da Julieta, aceita o pedido do casamento de Páris, ai a Julieta vai até o Frei e pede um jeito de fugir do casamento, o Frei teve a ideia da Julieta se fingir de morta, na verdade, tomar o negocinho que até seu peito ia parar de subir e descer conforme ela respirasse e tal, e ela mandou uma carta pro Romeu avisando, só que antes dele receber a notícia, ele soube que a Julieta morreu, corre até a Verona e porque a carta foi extraviada, ai ele encontra Páris, só que Páris acha que ele é um vândalo, confronta ele, e ele mata Páris.
- Deus, ele mata todos! - ela riu com o comentário.
- Quase... Ai ele vê a Julieta morta, e se mata, ai Julieta acorda, vê Romeu morto, e se mata. Aí as duas famílias entram na tumba e veem os três mortos, e ficam amigos.
- Tá, no fim, as duas famílias ficaram amigas por causa da morte dos dois?
- Exatamente, a discórdia causou a amizade.
- O que você acha dos dois ?
- Otários, de verdade. Não que eu não acredite em amor, pelo contrário. Mas, eu nunca me mataria por amor, e eles fizeram tudo isso em menos de uma semana! Uma semana.
- Hm, nesse ponto eu concordo, mas sei lá... Acho que eu sou intenso demais, acho que eu falaria que me mataria, mas nunca faria isso, de verdade.
- Ô Garrett, tão intenso!
- Não me zoa, meio metro!
- Retardado.
- Boba. – e os dois riram. – Sério, eu não sei como você consegue ler livro tão complexos, e ainda explica-los pra mim.
- Ah, pra mim, é fácil. Literatura sempre é divertido pra mim. Tipo matemática pra você.
- Mas matemática é só decorar. Tem fórmulas, não precisa de muito esforço.
- Não precisa de um esforço? Eu praticamente queimo todos os meus neurônios.
- A zombie eat my brain and I'm still smarter than you.
- Continua? Então não sei porque eu to explicando literatura pra você.
- Ah... Detalhes.
- Vai se ferrar. De verdade.
- , tenho que ir pra casa, sério. Obrigada, Deus te abençoe!
- Tchau, Garry. - ela levantou, levando-o até a porta.
- Tchau . - ele deu um beijo na testa dela e saiu andando.
Ela fechou a porta e jogou-se no sofá.
- Esse menino é de ouro filha. – Lilían sentou-se no braço do sofá.
- Eu sei mãe. E é por isso mesmo que sabe, eu não consigo dar uma chance.
- Por que não?
- Porque... Eu tenho medo de decepciona-lo sabe? Não atingir as expectativas.
- Filha... Quando eu casei com o seu pai, eu achei que não daria certo. Aliás, quando eu casei com o seu pai, imagina, a gente se encontrou no supermercado, eu estava comprando comida de soja, vestida de um jeito todo certinho, e seu pai tava na sessão de frios, comprando lasanha pronta, vestindo camisa do Pink Floyd e calça rasgada. Quando, em que mundo, isso daria certo?
- É uma chance em um milhão.
- Às vezes você é racional demais, . Você pensa demais, tipo eu. – ela riu baixinho. – Se deixa levar pela emoção, pelo menos uma vez na vida. Vocês tem tudo pra dar certo, só que não tão nem tentando. Como você vai saber se não vai dar certo, se nem tentar?
- E se eu tentar e me machucar mãe? E se eu tentar e... E machuca-lo? Eu acho que eu não vou aguentar. Eu tô cansanda de decepcionar todo mundo que eu amo. – ela puxou o próprio cabelo.
- E quem você decepcionou que você ama?
- Você e meu pai, com a recuperação de matemática, a quando eu não contei que o John estava a traindo com a , o Garrett quando eu o rejeitei.
- Realmente, a você decepcionou. Mas a mim e ao seu pai, foi um deslize, e foi só uma vez, e quanto ao Garrett... Você não tava preparada, você deu seus motivos.
- Eu... Só preciso pensar. – ela colocou a almofada no rosto.
- Tudo vai ficar bem, babe. – a mãe dela fez cafuné na cabeça dela.
- Eu espero. De verdade, porque se eu arruinar tudo mais uma vez, é capaz que eu não aguente.

Garrett caminhou devagar até em casa, repensando na tarde que teve com , fazia tempo que eles não tinham uma tarde daquelas. Gostosa e sem que ninguém forçasse nada.
Garrett era apaixonado por desde que se entendia por gente, é claro, ele havia namorado alguém, e ela havia namorado outra pessoa, mas parecia que nenhum dos dois eram felizes, nenhum dos dois era feliz, como eles eram juntos, "juntos" do jeito deles.
Ele esperava que tudo desse certo, de alguma forma, ele precisava que tudo desse certo.

Capítulo 6 - Sparks fly whenever you smile

4 meses depois...

corria de um lado pro outro, pra variar acordou atrasada e jogava tudo na bolsa da escola, jogando, além do material escolar, roupas, pois depois da aula, iria no médico com , descobrir o sexo do bebê.
só ia, pois a maior interessada – depois dos pais da criança – era ela, já que Jared fazia questão de lembra-la a cada semana de que o sexo do bebê estava cada vez mais perto de ser descoberto.
- , você não vai entrar nem na segunda aula nessa velocidade! - Calma mãe, to acabando! – ela gritou de volta.
Ela calçou o vans vermelho e desceu as escadas correndo.
- Me leva?
- Nem precisa pedir duas vezes, porque se eu não levar, você só chega pra última aula.
- Que é biologia, então, vamos. – ela riu, correndo até a porta de entrada.
era a pessoa mais hiperativa do mundo, não para um segundo, sempre 'tá fazendo alguma coisa, mexendo a perna, mexendo no lápis, tanto faz, ela não consegue ficar parada, simplesmente não consegue.
Entrou no carro e se jogou no banco do passageiro, ligando o rádio.
- I've been looking under rocks and breaking locks, just tryna find ya, I've been like a maniac insomniac... – ela acompanhava a voz de Jason Derulo, cantando baixinho.
- Vai logo menina! Você tá ai cantando e a gente já chegou!
- Ok mãe, beijo! Umas cinco horas to em casa.
- Beijo, e dá boa sorte pra !
riu e bateu a porta. Se ela tinha algum parafuso a menos, era meio desregulada das ideias, era culpa de sua mãe, que era exatamente igual.
Ela encostou-se do lado da porta da sala do 3ºB, esperando a próxima aula que era Geografia, sua professora de Geografia, Sra. Jokins, era baixa, de cabelos brancos e tinha, fácil, uns 70 anos, mas não parava sentada, passava entre as cadeiras, apontava todos os países que enquanto falava no Mapa Mundi, e assim por diante.
O professor de Química, Sr. Thomson, saiu da sala e a olhou feio, como se ela ligasse, seu prazer no final do bimestre, era esfregar seu A+ na cara desse maldito professor ranzinza de Química.
Ela entrou na sala, e achou as amigas sentadas no canto da sala com uma cadeira vazia, que ela tinha certeza de ser para ela.
- Oi! – ela jogou a bolsa na carteira.
- Aloha! – cumprimentou. – Você vai mesmo hoje?
- Sim, lady. – as duas riram, virando-se para frente, não muito depois da professora entrar na sala e "tossir" para chamar a atenção dos alunos.
A aula de Geografia passou voando, e a aula de Física que faltavam até o recreio, passou rápido.
- Eu tô com fome! – passou a mão na barriga, que já estava de um tamanho considerável, uma vez que ela já estava com quase quatro meses e meio.
- Vamos ali falar com os meninos, - apontou com a cabeça para a mesa onde eles se encontravam, e fez uma careta. – preciso falar com o Garrett, saber se ele foi bem na prova de Literatura.
ajudava Garrett desde a recuperação, e Garrett, ia muito bem desde então, tirou B na prova mensal e B+ na bimestral.
- Foi bem na prova? – sentou-se do lado de Garrett, enquanto observava os dois.
- Uhum. – ele murmurou com a boca cheia. – Você me ajudou muito ontem, obrigada. – os dois sorriram, e achou os dois mais idiotas do que o normal, por saberem que se amam e mesmo assim se mantinham afastados.
- E é hoje que a gente vai descobrir o sexo do meu filho! – Kennedy atraiu a atenção de todos.
- Sim! – comemorou. – Pena que você não vai, mas eu vou estar lá, fazendo o papel do pai por um tempo.
- Essa safada tá se aproveitando do seu filho, Kennedy. Quer mesmo é saber quem ganhou a aposta.
- , não entrega a menina assim, poxa. – fez cara de triste, mas depois riu. – Tinha que ter entregado de um jeito mais... "Jared, a quer que você ganhe só porque ela quer ver o que você vai fazer com ela, Ursão!" – ela tentou imitar , mas não conseguiu, porque ria, afinava a voz e tentava ser sexy, ao mesmo tempo, arrancando risadas de todas e fazendo corar.
- Vão se ferrar, de verdade. – ela fechou a cara, brincando.
- Bom, eu to com fome, então vou comer. – finalmente tirou os olhos do par de Vans cor-de-rosa.
- Eu vou junto, cansei de bullying. – se fez de coitada e levantou, dando risada. – Ser menos discreta ao tentar não encarar o John, você não consegue né?
- Tá escrito em neon e piscando na minha testa, né? – ela riu – Eu sei que a nossa briga mais "séria" foi há quatro meses atrás, mas mesmo assim, essas micro-discussões, alfinetadas, tão mexendo comigo.
- Eu sei... Mas, você não pode... Não sei a palavra, talvez ceder as provocações dele sabe? Eu sei, é difícil, eu mesma cedo as provocações do Monaco, mas ainda sim, não cede.
- Sua frase foi muito bipolar.
- Eu sei. – as duas riram e fizeram os pedidos.
O resto do recreio passou como um borrão, as aulas depois do recreio eram: Educação Física, que não fazia graças à um atestado, Química de novo, que ela dormiu e Biologia, que ela amava, mas já não aguentava o professor falando.
O sinal tocou, e a despertou dos pensamentos que variavam entre o sexo do bebê de e a bolsa que viu no shopping na última sexta.
- Vamos logo! – bateu os cadernos na carteira.
- Vocês vão com a gente na clínica?
- Não. Eu tenho que ajudar minha mãe com as últimas coisas da mudança do escritório, a tem salão marcado, a tem médico e a tem que estudar pra recuperação de Biologia.
- Ah sim, entendi. - caminhava com , enquanto as outras iam na frente.
- Pelo amor , controla essa menina... – sussurrava – Não deixa ela dar a louca na frente da enfermeira e falar que queria que o Kennedy estivesse lá e blá blá blá. E também controla ela se for menino, porque todas nós sabemos que mesmo que ela não fale, ela quer uma menina. Isso se você conseguir se controlar. – ela deu ênfase no "se", rindo.
- Vai se ferrar ! – ela riu. – É óbvio que eu vou me controlar, eu só não quero que seja menino, oras.
- Porque o Jared é tão tarado quanto a daria uns beijos no Niall Horan, todas nós sabemos.
- Tô cheia do seu "todas nós sabemos hoje", meio metro.
- Para de bullying com a menina e vamos logo! – puxava a menina, entrando no carro. – Dirige você, porque é capaz de eu chegar lá dirigindo e a minha médica parir o filho de que ela nem tá esperando.
- Meu Deus, , você não pode dirigir, bota isso na sua cabeça oca! – riu, e trocou de lugar.
- Oca? Olha quem fala, a Sra. Não Tenho Nada Na Cabeça.
- Obrigada pela parte que me toca, mon amour.
- Ui, a Sra. Não Tenho Nada Na Cabeça fala duas palavras em francês! – ela fez biquinho, imitando alguns franceses.
- Eu sei que você tá estressada por causa do sexo do seu filho, então não vou me desgastar com você.
- Você percebeu que a gente se refere à criança que eu tô esperando como ele?
- Filho, enquanto não sabemos o sexo se torna um termo unissex. Ou você prefere que eu o chame de andrógena?
- Não, porque em menos de meia hora ele vai ser determinado! – ela passou as mãos pela barriga.
- Ela será.
- Se você tá dizendo...
se esticou até o porta-luvas e tirou o CD "Don't Believe The Truth" do Oasis.
- Por que você tem um CD do Oasis no carro se você não gosta de Oasis, ? Não é você mesma que fala "Se tivemos Beatles, quem precisa de Oasis?"
- Porque o Kennedy me fez gostar, e tem uma música que eu amo. – ela adiantou o CD até a faixa 7 (N/A: não sei qual é a faixa, foi um chute.) e Lyla começou a tocar baixinho.
- Também amo essa música. – ambas cantavam baixinho e tamborilava os dedos no volante. - Se a sua filha for menina, e vai ser, chame-a de Layla.
- Mas a música chama Lyla.
- Mas se fala Layla, e quem em sã consciência dá o nome pra filha de Lyla?
estacionou em meio a comentários "Cuidado com essa baliza, por favor, se esse carro quebrar, eu só ganho outro quando meu filho completar 18 anos."
As duas entraram na clínica, que era branca e bem arejada, com grandes janelas que davam para a rua.
- , tenho ultrassom marcada às duas horas.
- Por aqui, .
- Minha amiga pode ir comigo? Sabe, o pai não pode vir e tal...
- Claro, por aqui. – as duas entraram no corredor branco, depois entraram em uma sala com uma placa "Dra. Hurley, ginecologista."
- Oi, !
- Oi Ashley. – ela cumprimentou a médica, que era baixa, tinha cabelos escuros descendo em cascata pelas costas e olhos azuis. – Essa é minha amiga , ela veio me acompanhar, já que o Kennedy não pode vir.
- Ah, por quê? Ele foi tão gentil na última vez.
- A mãe dele pediu que ele fosse com ele visitar os avós, em Phoenix.
- Ah sim. – elas se sentaram e a médica remexeu em uns papéis. – Pode ir ali ao banheiro trocar a roupa pelo roupão. – ela sorriu e deixou a sala. – , né?
- , por favor. me faz pensar que as pessoas estão bravas comigo.
- , é bonito. – ela sorriu. – Você é amiga da há muito tempo?
- Faz uns sete anos.
- E do Kennedy? Ele é muito meigo, a propósito.
- Uns sete anos, também. Eu e a entramos na mesma época na escola, e consequentemente conhecemos o Kennedy juntas. E ele é mesmo um amor, meigo demais né? Às vezes eu tenho vontade de pegar os dois e guardar num potinho. Os três agora.
- Você prefere que seja menino, ou menina?
- Menina. Por favor.
simpatizou com a ginecologista, apesar de que, simpatizava com qualquer um que falasse bastante.
- Cheguei! - entrou na sala, vestindo uma daquelas roupas de hospital, mas com a bunda tampada.
- Podemos ir, então.
As três saíram da sala e entraram na sala da frente, que era igualmente branca, mas com menos intensidade de luz, com uma maca no meio da sala e outros aparelhos do lado.
- Pode deitar , e já tira essa parte da barriga.
deitou, e "destacou" uma parte da roupa que cobria sua barriga.
- Senta, . – a médica pediu, e ela sentou. – Sua barriga tá bem pequena pra quatro meses.
- Ai, essa ridícula come come come e continua magra, e eu mal como, sabe, vivo de dieta e engordo com o ar! – fez bico.
- Sei como é. – Ashley deu risada e passou um creme transparente na barriga de . – É uma sensação geladinha, mas já passa. – ela disse e ligou um aparelho, com uma bola de metal embaixo.
- Quer que eu segure sua mão, ?
- Por favor. – ela sorriu, e levantou, segurando a mão da amiga.
Ashley chegou com o objeto na barriga da amiga, que apertou a mão de e fez uma careta.
- Relaxa, não vai doer. Você já fez uns desses.
- Eu sei, mas os outros não tinham essa sensação meio quente.
- Já já passa.
observava a tela e podia ver todas as formas do "sobrinho". Todas as cinco chamavam o filho de e Kennedy de "sobrinho" para não brigar pelo termo "afilhado".
- Aposto cinco dólares de que ele vai ser parecido com você. – sorriu.
- Não aposta não , você já tá bem enrolada nesse assunto de apostas.
- Babaca. – as duas riram.
- Deu pra ver alguma coisa, Ash? – era íntima da doutora, porque pelo o que contou a , Ashley era amiga da família há anos.
- Dá sim. Mas espera ele ou ela descruzar as pernas para sabermos o sexo. – as duas assentiram.
Elas conversaram por mais uns dez minutos, quando a doutora resolveu tentar de novo.
- Descruzou as pernas! – Ashley comemorou, passando o instrumento pela barriga de mais uma vez, essa parecia estar com um cabide na boca, pois não parava de sorrir. – Parabéns , você terá um lindo menino. – ela sorriu.
Nesse momento o ar perto de pareceu ficar comprimido, Jared ia acabar com ela. O que ele pediria? Um strip? Ser sua "mordoma" até o fim do ano letivo?

Os cinco Maines e Halvo estavam no 8123 esperando pelo resultado do exame, estavam todos muito animados e um pouco altos, graças a quantidade de cerveja que tinham ingerido.
- Falta muito? – Jared perguntou, esfregando as mãos.
- Mais uns quinze minutos. Calma, Jared, tá mais ansioso que eu.
- Esqueceu que ele vai saber quem ganhou a aposta? – Halvo provocou. – Mas, ela vai te ligar falando do resultado?
- Não, elas vão vir até aqui.
- A vem junto?
- Não, John. Eu não sei porque vocês ainda não se resolveram, sério, a última briga faz uns quatro meses.
- Eu sei, eu tô deixando esfriar bem pra não por tudo a perder de novo.
- Ai, ele é racional!
- Cala boca, Patrick. – John falou, arrancando risadas dos amigos, que voltaram logo a tomar cerveja.
¬¬¬¬Não muito depois, o carro dos pais de estava estacionando.
- Advinha? – pulou do carro nos braços do namorado. – Nós vamos ter um menino!
- Eu falei! – e beijou a namorada.
Jared estava perplexo demais para qualquer reação, o coração batia forte contra o peito. Ele tinha ganhado! G-A-N-H-A-D-O. Ele poderia escolher o que queria de , ninguém tinha a mínima noção do que é isso. Ninguém.
Ele olhou para a menina, que o encarava, com um olhar de "Você venceu. O que vai querer?"
Jared olhou-a e sussurrou, quase sem barulho, com aquele sorriso presunçoso, que fez com que o estômago de se embrulhasse: "Na sexta... Se prepara."
teve a sensação de que todo o sangue de seu corpo foi para as suas bochechas. Maldito seja Jared Monaco.

Capítulo 7 - Girls do what they want, boys do what they can

odiava todos os dias que tinha que levantar da sua cama quente e aconchegante às seis da manhã, mas odiava principalmente as terças-feiras. Odiava suas aulas, odiava saber que Halvo teria treino de futebol e que todas as líderes de torcida olhariam para ele. E em que mundo, alguém tipo Eric Halvorsen faz futebol. Se ele fizesse, sei lá... Basquete, ela entenderia, mas era Futebol. FU-TE-BOL.
Não que ela duvidasse da capacidade do namorado, ele era bom. Ela só não gostava de dividi-lo com milhões de meninas que babavam nele, principalmente quando ele fazia algum gol e tirava camisa, naquele momento ela tinha vontade de ter um revólver só para atirar na cabeça de todas. Ou na cabeça de Halvo.
Esse era o motivo pelo qual ela mais odiava às terças-feiras, os treinos de futebol trancados. Porque os treinos de futebol às terças, eram fechados. Como se alguém fosse copiar as técnicas da Constance High School. Grande merda.
Com muito esforço ela levantou-se e foi até o banheiro, os olhos estavam pequenos graças ao sono, já que ficou até altas horas no Skype com as amigas, comemorando a descoberta do sexo do filho de , a pele estava mais pálida que o comum, e ela sentia que o corpo precisava urgentemente de um banho se ela quisesse se manter acordada. Não que ela quisesse, mas ela precisava.
Tomou uma chuveirada quente e pegou a blusa do uniforme, calça jeans e o par de Vans com cadarços pretos. Se tinha uma coisa que todas as seis amigas tinham em comum era: o uso dos Vans. Não que elas fossem muito fãs de tênis, mas já que na escola o uso dos mesmos era obrigatório, as seis usavam Vans, com algumas exceções, às vezes usavam All Star.
Terminou de se arrumar e jogou-se no sofá, esperando a buzina do carro de , que sempre passava em sua casa, pontualmente às seis e cinquenta para que elas fossem para a escola. Outra coisa que ela odiava (não somente às terças): a pontualidade exagerada de . Era horrível, se elas marcassem às duas horas, duas e dez, no máximo, todas tinham que estar lá, se não quisessem tomar um sermão terrível, ou não a encontrar lá.
Quando a buzina tocou, no horário de sempre, ela levantou-se e correu até o carro da amiga.
- Bom dia flor do dia!
- Bom dia, . - cumprimentou, com o mau humor habitual da manhã. - Odeio chuva.
- Eu gosto, quando eu não tenho que ir pra escola.
- Exato. Posso ouvir minha cama gritar meu nome daqui. - ela resmungou, ligando o ar quente. - Se nós ainda pudéssemos levar nossos cobertores e travesseiros...
- Aí que você iria babar mesmo na aula de Geografia.
- Você fala como se eu me importasse. - falou, jogando o cabelo por cima do ombro.
- , você não tá doente? Porque é sério, tá chovendo, mas não tá frio, e você tá de casaco - ela apontou pelo suéter de cashmere azul-celeste - e ligou o ar quente.
- Só tô meio gripada, já já eu melhoro. - a amiga sorriu.
Elas chegaram à escola, e encontraram as quatro um pouco depois da entrada, parecia reluzir de tão feliz, estava hiperativa, como sempre, mas com uma cara horrível, parecia alheia à todo o resto, o fone de ouvido estava tão alto, que podia ouvir os ruídos a uns dois metros de distância, estava mexendo na mochila, a procura de alguma coisa que obviamente não sabia o que era.
- Bom dia. - resmungou para todas e jogou-se do lado de .
- Bom dia flores do dia! - cumprimentou todas, animada.
- Não sei como você consegue ser tão bem humorada de manhã. - falou, finalmente tirando o livro de História Avançada de dentro da bolsa.
- E eu não sei como você consegue fazer História Avançada e mesmo assim não fico contestando.
- História é a melhor matéria, . - as duas estavam prestes a entrar numa discussão, que resultaria em falando que Inglês era a melhor matéria de todas, e negando, falando que era História, ou que se fosse alguma coisa relacionada à Inglês, seria Literatura mas o sinal tocou antes.
- Eu odeio, odeio, odeio Filosofia. - protestou. - Não vou ser filósofa, não preciso disso na minha vida.
- Mas você também não vai ser matemática, e precisa aprender Matemática.
- Não preciso também, . Eu sei subtrair, adicionar, multiplicar e dividir.
- 8x1?
- 8.
- 8x2?
- 16.
- 8x8?
- 64. Para com isso , não sou uma calculadora.
estava, definitivamente, de mau humor.
- Eu quero sentar no canto, por favor. - implorou, com os olhos pidões encarando , já que sabia que sempre sentava no canto, embaixo da janela.
- Por quê?
- Porque eu tô com sono, juro que só essa aula, na próxima a gente destroca! E eu tô grávida! - jogou as coisas na cadeira de , que bufou e passou pra cadeira de trás.
- Só porque eu tô muito, muito legal hoje. E você me deve um chocolate.
- Devo? Desde quando? Por quê?
- Pela troca de lugares. - resmungou alguma coisa inaudível e voltou a olhar pra frente.
O professor de História dava detalhes sobre a Segunda Guerra Mundial e sentia os olhos pesarem cada vez mais, e a voz do professor Frans ficar cada vez mais longe, até tudo ficar preto e ela não escutar mais nada.
- , acorda. - cutucou-a.
- Pra quê? Não tô afim de assistir mais duas aulas imbecis.
- Recreio, anta. - riu e levantou.
As duas caminharam até a mesa de sempre, sentaram-se e apoiou-se na mesa.
- Cadê a porcaria do 3ºA que não sai? - ela reclamou.
- Tão saindo agora.
Ela levantou a cabeça, e olhou para a porta da sala do namorado, Garrett saia na frente com o novo brinquedinho, Falyn Synder, Jared e John vinham conversando logo atrás, Kennedy procurava alguém, com certeza, Pat parecia alheio ao mundo, com os fones de ouvido, e Halvo estava conversando com Hanna Stark, a melhor amiga de Falyn, e líder de torcida.
Ela já havia mencionado o quanto odiava as líderes de torcida?
- Oi amor. - Halvo chegou, e deu um selinho na menina.
- O que a Stark queria?
- O dever de casa de Biologia. Ficou com ciúmes foi?
- Não. Só não gosto dela. Não gosto de líderes de torcida.
- Ciúmes.
- Vai se ferrar, Halvorsen. - ela fechou a cara. - Eu te odeio.
- Nah. Me ama. Isso sim.
Halvo adorava irritar , adorava o jeito com que ela fechava a cara, a adorava.
Muitos naquela escola pensavam que o relacionamento dos dois era baseado em beijos e só sexo, mas não, os dois se amavam. Amavam-se demais, mais do que qualquer outra coisa na Terra.
Halvo bagunçou o cabelo da menina e sentou-se ao seu lado.
- Quer que eu passe pra te pegar hoje depois do treino?
- Pra quê?
- Tomar sorvete.
- Tá frio.
- 20ºC não é frio, .
- Tá. Que horas?
- Às cinco, em ponto.
- Ok. - ela sorriu.
Ela observou tudo a sua volta, e Pat dividiam o fone e ele mostrava alguma música para ela, quando percebeu que ela os olhava, sorriu, envergonhada, parecia achar sua Coca-Cola mais interessante do que qualquer um ali, John conversava com , mesmo tendo certeza de que eles tinham terminado há mais de quatro meses, e Kennedy conversavam entre sussurros, parecia afundar no banco, de raiva, Jared por sua vez estava radiante. lia algum livro que não conseguia ler o título e Garrett conversava com Falyn.
- Que livro você tá lendo, ? - perguntou, já que estava com raiva de mais para conversar com Halvo e o todo o resto parecia entretido de mais com alguma coisa.
- Morro dos Ventos Uivantes, clássico da literatura inglesa.
- Ah sim, é bom?
- Aham. É um romance, é bem legal, quando eu acabar de ler, eu te empresto, se você quiser.
- Eu vou. - era tão apaixonada por leitura quanto e . Mas as duas últimas não liam livros, devoravam, liam livros de quatrocentas páginas em dois dias. - Vamos fazer alguma coisa depois da aula? Não quero ficar sozinha em casa.
- Vamos. Shopping? Tava afim de ir naquele restaurante novo que abriu na praça de alimentação. Comida japonesa.
- Por mim, fechado. A gente chama as meninas no fim da aula.
- Sim, lady. - sorriu e voltou a atenção pro livro.
, por incrível que pareça, sabia o seu horário de cor, terça-feira a primeira aula era Geografia, Matemática, Artes, Inglês, Literatura e Álgebra. Ela odiava álgebra, Deus, ela não ia usar nada daquilo na vida dela, nunca.
- Vamos . - Halvo pousou as mãos no ombro da namorada, despertando-a.
- Vamos. - ela pegou na mão de Halvo, que a deixou na porta da sala de aula.
- Beijo môzi.
- Deixa de ser gay. - ela riu, dando um selinho nele. - Beijo. - deu outro selinho e entrou na sala de aula.
A professora de Inglês, Sra. McGranold, que duvidava ter mais de 25 anos, entrou na sala e escreveu no quadro.
"Peguem uma folha de caderno, e escrevam nela uma biografia. Não precisa ter mais que dez linhas."
amaldiçoou a maldita professora. Odiava falar de si mesma.
Arrancou a folha do caderno e pegou uma caneta azul.
"Meu nome é O'Callaghan, tenho 17 anos e curso o terceiro ano do Ensino Médio. Minhas melhores amigas são tudo pra mim, tenho um namorado, Eric Halvorsen, que cursa o terceiro ano, também, meu primo é a criatura mais estranha do universo, e tem uma banda com os melhores amigos, que são, também, meus melhores amigos. Nos encontramos sempre no 8123..."
começou e depois só escreveu banalidades, como gostava de escrever, a aula de Inglês passou voando, dando lugar a Literatura, que a professora falava sobre o livro que teriam de ler pro segundo bimestre, algo como... Hamlet, ela achava. E Álgebra passou tão devagar que parecia estar indo de camelo, passou praticamente a aula toda com a cabeça sobre o queixo, só tirou a cabeça de lá, quando jogou uma bolinha de papel nela.
"Falei com as meninas, todas concordaram em ir no japones, xx."
Não muito depois do bilhete, a aula acabou.
- Vamos logo! - pegou no braço de , pela segunda vez no dia. - Tô morrendo de fome.
- Como a gente vai nos carros? Acho que só a tá de carro.
- Dá pra ir todo mundo, .
- Ok.
Elas se apertaram no carro de , já que no dia anterior, pegara o carro dos pais emprestado. O shopping não era muito longe da escola, chegaram lá em menos de dez minutos e estacionou no estacionamento.
Todas fizerem os pedidos e sentaram nas mesas.
- Vocês viram o brinquedo novo do Garrett? - perguntou. Referiam-se a todas as ficantes, ou qualquer coisa assim, dos Maines, como "brinquedos".
- O cabelo dela é ruim. - torceu o nariz.
- E desde quando Falyn é nome de gente?
- Ela deve ter nascido na Toscana. - falou, mexendo no hashi.
- Na Toscana? Por quê?
- Porque quem nasce na Toscana é Tosco. - as cinco riram.
- É sério?
- Óbvio que não né . Na verdade, acho que é Toscana ou Toscano mesmo, ou não é nada porque é uma região né... - ela pensou. - Mas se fosse tosco, Falyn com certeza seria de lá.
- Gente, o livro que a professora passou é mesmo Hamlet?
- É, .
- Então vou precisar de ajuda. - falou. - ...?
- Mim Yoda, mestre Jedi, você Luke Skywalker, aprendiz imbecil. - respondeu com uma voz estranha, arrancando risada de todas.
- Pelo amor, hoje você tá demais. - limpou o canto dos olhos que escorriam lágrimas. - Vou pedir pro Garrett sair com a Falyn mais vezes.
- Vai é, vadia? Faço o Kennedy voltar com a Hawkins. - ela apontou o hashi para a amiga, como uma ameaça.
- Ai, só da menção no nome da vadia os pelos arrepiam. - ela elevou o braço até a altura dos olhos, mostrando os pelos arrepiados.

Halvo havia acabado de sair do treino de futebol, todo suado e fedido. Correu até os vestiários e tomou uma ducha, vestindo a roupa que havia levado.
- Halvorsen. - o técnico chamou com forte sotaque irlandês.
- Meu nome.
- Sobrenome. Enfim, - ele riu - o próximo jogo vai ser no próximo sábado, sem ser esse que está vindo, o próximo, e eu achava melhor fazer uma surpresa, mas decidi falar... Parabéns, você é o novo capitão. - ele entregou a braçadeira de capitão para Halvo.
Halvo conseguiu o que sempre quis, ser capitão do time de futebol. Ele sorriu, e agradeceu o técnico, que ainda fez um discurso de que ele tinha pensado muito nessa decisão e que não queria se arrepender e blá, blá, blá. Assim que conseguiu fugir do técnico, correu até o carro, para ir logo até a casa de contar a novidade.
Ele tocou a campanhia e atendeu, vestindo um shorts jeans escuro e moletom marrom e comprido, com GAP escrito em rosa escuro.
- Adivinha? - ele falou.
- O quê?
- Você namora o capitão do time de futebol!
- Ah! Não acredito! - ela pulou no pescoço do namorado e o beijou.
- Tô tão feliz. - ele parou o beijo, com o queixo apoiado no pescoço da menina.
- Eu também, tô feliz demais por você. - ela sentia a respiração dele batendo contra o pescoço dela.
- Vai ter jogo no próximo sábado, sem ser esse, o próximo, você vai né?
- É claro, não vou deixar meu namorado, o mais novo capitão do time de futebol, na cara das vadias né. - ela sorriu.
- Mesmo se todas as vadias caíssem aos meus pés, eu ainda iria preferir você. - ele sorriu e a beijou.

Capítulo 8 - I know the way this plays out but I couldn't find the words to tell you

- Eu... Eu consigo senti-lo. - riu.
- Sério?
- Uhum. Quando as mães falavam "olha, meu filho tá chutando!" eu achava que eram elas mexendo a barriga, mas eu consigo mesmo.
- Me deixa sentir?
- Agora não tá chutando, Kenny.
Ele colocou a mão por cima da barriga dela mesmo assim.
Kennedy, desde sempre, vinha à casa de às quartas depois da aula. Quarta, era um dia especial, foi o dia em que eles ficaram pela primeira vez, e depois, o dia que eles começaram a namorar.
- Eu preferia que fosse menina. - Kennedy jogou-se ao lado de .
- Por quê? Pra ganhar a aposta? - os dois riram.
- Não, pra tratar minha filha tipo uma princesa.
- Não vai ter uma princesa, mas vai ter um príncipe.
- Que nome a gente vai dar pra ele?
- Quando eu e você terminamos por um tempo, e as meninas falaram que iam assumir nosso filho, - ela riu - elas falaram em Danny. Mas... Não sei se gosto. Gosto mais de Harry.
- Harry? Não sei. Prefiro Liam. Liam é bonitinho.
- Bonitinho é feio arrumadinho. Harry é lindo. E é nome de príncipe.
- Verdade. Mas, temos muito o que pensar até lá.
- Minha mãe falou que quer que o quarto do bebê seja verde.
- Verde?
- É. Falam que tranquiliza o bebê. - ela deu de ombros.
Os dois ficaram em silêncio. adorava silêncio, principalmente quando era entre ela e pessoas próximas, ela não sentia obrigação nenhuma de falar.
- Ah, esqueci de te perguntar uma coisa, vai ter show mesmo na sexta?
- Vai, a gente tá ensaiando bastante. Vai ser bem especial.
- Por quê?
- Porque vai ter um pedido de desculpas bem bonito.
- Sério? Até imagino de quem pra quem. Tem ensaio hoje?
- Uhum. - ele olhou o relógio. - Daqui uma hora.
- Aonde?
- Casa do Pat.
Kennedy deitou do lado de , que se aconchegou no peito de Kennedy.
Embora pensasse em terminar tudo - já que achava que ele só estava com ela por causa do bebê -, ela o amava, muito. Amava tanto, que chegava a doer. E não era de um jeito fofo e bonitinho, era como se apertassem o coração dela até que ele se esmigalhasse.
Kennedy fazia cafuné em e observava o peito dela subir e descer conforme ela respirava.
- ...
- Oi.
- Como você se vê daqui dez anos?
- Eu nem sei se eu vou estar viva daqui há dez anos. - ele arregalou os olhos. - É sério, eu posso morrer aqui e agora. Mas, se eu estiver, eu pretendo estar formada, com meu filho feliz e saudável.
- Você me vê no seu futuro?
- É claro. - "Não necessariamente como um marido, namorado e afins." ela completou mentalmente.
- Você sempre quis ter uma filha né?
- Aham. Mas tô gostando da ideia de ter um filho, fico pensando em quando eu tiver uns trinta e dois anos, e ele com quinze chegando das baladinhas, me pegando no colo. E outra, dá tempo de ter uma filha mais pra frente. Bem mais pra frente.
Eles ficaram mais uma meia hora jogando conversa fora, ou só escutando as respirações. Até que Kennedy teve que ir.
- Beijo, amor.
- Beijo Kenny. - ela deu um selinho nele.
fechou a porta e jogou-se no sofá. Sentia raiva de si mesma, raiva de Kennedy. Era tão controladora que só a ideia de ter tudo fora do controle a fazia ter vontade de chorar. Odiava ter as emoções fora de controle, e não saber o que estava sentindo. E era o que estava acontecendo.

xx

- Eaí, mate. - Pat foi o primeiro a cumprimentar Kennedy.
- Hey. - ele jogou-se no sofá.
- Levanta logo, que a gente vai passar as músicas de uma vez.
- Quais vão ser, John?
- Aquela lá...
- I'm Sorry, cara. I'm Sorry. - Garrett o corrigiu.
- Tá, - ele bufou - I'm Sorry, If I Only Had The Heart, Time, Time To Go e This Is The End?
- E o cover de I Wanna Love You, por favor. - Pat riu.
- Tá... Tá, tanto faz.
- Ai, tá de mau humor.
- Falta de sexo. - Jared falou "entre tossidas".
- Até porquê, você tá fazendo muito sexo.
- Eu vou.
- Vai? Com a ? Ela não é louca.
- Ela perdeu a aposta.
- Isso é estupro. - Kennedy falou, e os cinco deram risada.
- Vão se ferrar. - ele riu. - Não vai ser desse jeito, a aposta é só um meio de chegar até onde eu quero. Eu não sou retardado.
- Mas é ninfomaníaco.
- Cansei de bullying. Vamos ensaiar logo.
Eles levantaram, indo para a garagem, pegaram os instrumentos e começaram a ensaiar.
- A gente pode não ensaiar I'm Sorry hoje?
- Por que John?
- Não tô no clima. Vamos direto pra Time.
- Ok.
Time começou, e Kennedy lembrava de quando escreveu... Não parecia que fazia tanto tempo, mas fazia pouco mais de quatro meses, muita coisa havia mudando desde então. Ele, que sempre fora meio responsável, agora teria que ser totalmente responsável. Teria mais uma vida pra cuidar, além da dele.
- Kennedy, tá vivo? - ele despertou com Jared passando a mão em frente ao seu rosto.
- Tô. Tava pensando.
- Alô apocalipse!
- Vai se ferrar, John. - os cinco riram.
- Que música agora?
- Eu preciso mostrar uma coisa pra vocês. - Pat se remexeu desconfortável no banco.
- Mostra.
- Tenho vergonha. - ele riu, tirando o cabelo dos olhos.
- Deixa de ser bicha. Vai logo. - Garrett reclamando, colocando o baixo no apoio e sentando no chão.
- Tá, tá, tá. Já volto, tá lá no quarto.
Kennedy sentou-se do lado de Garrett, esperando Pat voltar.
- Já decidiu o que vai fazer com a , afinal?
- Não. - Jared sentou-se. - Acho que vai ser alguma coisa "leve". - ele fez aspas com os dedos.
- Sei. - John riu.
Pat demorou mais uns dois minutos e voltou com as mãos atrás do corpo.
- Então... - ele sentou-se no banquinho atrás da bateria. - Eu escrevi, ou pelo menos tentei escrever, uma música.
- Sério? - Kennedy arregalou os olhos.
- Uhum. Foi há umas semanas, depois que eu e a conversamos, e ela disse que nós tínhamos que parar com esses beijos, etc.
- Mostra logo que eu tô curioso!
- Tó. - Pat deu o papel pra John, que leu a música com uma certa rapidez. - É boa, de verdade. Gostei pra caramba da letra, só a gente pensar numa melodia boa, e ela vai ficar maravilhosa.
- Book Of Me And You, Pat? Não tinha um nome menos gay? - Jared continou a ler a música. - Mas é bem boa, mesmo.
Kennedy e Garrett leram a música "em conjunto".
- Se a gente arrumar uma melodia boa, em pouco tempo, podemos tocar na sexta.
- Nem fodendo, Garrett. Eu tenho vergonha.
- Sai dessa. É boa pra caramba. Modéstia parte, acho Time muito boa, - Kennedy riu enquanto passava a mão pela gola da camiseta, com um ar superior - mas a gente pode tirar ela da setlist, porque a sua é muito boa.
- Eu vou pensar. Agora vamos ensaiar porque a gente só ensaiou uma música, que vocês já querem tirar da setlist.
- Qual agora? - Kennedy levantou-se, pegando a guitarra.
- Por mim, Time To Go.
- Ok, Time To Go.

xx

olhava a TV, com os créditos de O Diabo Veste Prada, era um de seus filmes preferidos, e ela já havia perdido a conta de quantas vezes já havia visto.
, desde que se entendia por gente, queria fazer algo relacionado à moda. Seja ser modelo ou estilista, editora de revista e afins, como não poderia ser modelo, se contentava com algo relacionado à moda.
E Andy, tinha o emprego dos sonhos. Por que, por favor, quem não quer trabalhar numa Runway Magazine? Tudo bem que a Miranda e Emily não ajudavam muito no trabalho, mas mesmo assim.
Ela riu, lembrando dos desejos das amigas. queria ser médica, queria ser princesa, queria ser produtora, queria ser dona de casa e não queria fazer nada.
Ela não lembrava dos sonhos de nenhuma das amigas, até porque, entrou na escola bem depois dessa "fase", mas pela primeira vez que tomaram um porre, elas contaram dos sonhos, dos medos...
, agora, tinha medo de não ser uma boa mãe ou não atingir as expectativas. Tinha medo de não alcançar o que as pessoas acreditavam que ela alcançaria ou seria.
Desligou a TV e deitou-se na cama, puxando o cobertor por cima do corpo, não muito depois, caiu no sono.

xx

Depois do ensaio, os meninos tentaram convencer Pat a tocar a música na sexta, pareciam estar mais perto do que queriam, já que haviam conseguido, também, fazer uma melodia pra música, que a deixou ainda melhor.
Kennedy passou na 8123, pegou um lanche pra viagem e foi pra casa.
- Mãe?
- Oi, filho.
- Tudo bem?
- Uhum. - ela riu. - Tô esperando seu pai chegar. - ela olhou no relógio. - Hoje o ensaio foi bom hein.
- Aham, sai da casa da tarde, quase seis horas, aí a gente ensaiou bastante e depois fizemos a melodia pra uma música que o Pat compôs.
- O Pat? Sério?
- Uhum. - ele tomou um gole da Coca.
- E a , como tá?
- Bem, meio estranha, mas bem.
- Acontece na gravidez. - ela sorriu.
- Vou comer lá em cima e dormir, 'tô morto. - ele beijou a testa da mãe e subiu.
Kennedy comeu rápido, e viu Duro de Matar 4.0 pela milésima vez, dormindo não muito depois.

Capítulo 9 - If it hurts this much, then it must be love

(Deixem a música carregando que eu falo a hora que for dar play! Música 1. Música 2. Música 3.

Sexta-feira. podia ouvir os sinos tocando ao longe.
- Thanks God is friday!
- Tava pensando nisso agora, . - riu.
- Vamos logo pra escola, quando mais cedo comerçarmos, mais cedo acabaremos. Vai. Vai.
- Tô indo! - acelerou. - Hoje tem show né?
- Uhum. Você vai, né?
- Aham. Não é só porque eu tô "brigada" com o O'Callaghan que eu vou passar a ignorar os meninos, que sempre foram como uma família pra mim. E outra, vocês vão se arrumar lá em casa, duh.
- Pode crer.
As duas ficaram em silêncio, só cantando a música que tocava baixinho até chegarem à escola.
adorava sua escola, apesar de tudo. Ela estudava lá desde que se mudara, antes mesmo de começar a primeira série, e estudava ali desde então, só mudando de unidade, conforme crescia.
- A te contou?
- O quê? - as duas saíram do carro.
- O Kennedy falou que hoje vai ter um pedido de desculpas. No show.
- Hm. - fez um barulho com a boca, enquanto pensava se poderia ser pra ela. Mas não poderia. Poderia?
- Qual a primeira aula?
- Biologia. - chegou, e respondeu por . - Chegaram cedo hoje.
- tava com fogo.
- Ah.
Não muito depois, o sinal tocou. Elas entraram na sala, sentaram-se no mesmo lugar de sempre e o mesmo professor de sempre entrou na sala.
estava cansada do comum. Cansada de sempre fazer, sentir e pensar as mesmas coisas. Ela queria... Queria ser diferente. Mas ela não podia, pelo menos não agora, já que se tivesse que fazer alguma mudança, teria de ser agora, e hoje não poderia, já que ela iria fazer o mesmo programa de sempre: ver o The Maine tocar.

xx

queria morrer. Só Deus sabia o quanto ela odiava Física. Física era quase tão ruim quanto sonhar que estava pelada na escola.
- Eu quero morrer. - sussurrou.
- Junte-se ao clube. - sorriu irônica.
- Vai se ferrar. - ela suspirou, se ajeitando na cadeira. - Que horas são?
- 07h49
- Fala sete e cinquenta.
- Mas são sete e quarenta e nove.
revirou os olhos.
- Qual a próxima aula?
- Inglês. Acho.
- É Inglês mesmo, . - respondeu.
- Obrigada. - sorriu, voltando a prestar atenção na professora de Física, até que a inspetora batesse na porta, indicando a troca de aula.

xx

estava parada na porta da sala, esperando a troca de aula. Pra variar, chegou atrasada. Se chegasse atrasada mais uma vez no mês, ela não entraria na aula. Ótimo, mais horas pra dormir.
Maldita professora de Física que não saia da sala. E quando saísse, com certeza a olharia com aquele olhar de professora-sexualmente-frustrada.
- Atrasada, ?
Ela revirou os olhos.
- Vai pro inferno, Monaco. Não tô de bom humor.
- Então é bom que fique, porque não sei se você sabe, mas hoje é sexta-feira.
É claro que ela sabia. Isso não a deixava dormir. Por Deus, o que aquele projeto de homem - maravilhoso, cheiroso e gostoso, por sinal - iria fazer com ela? Um strip? Um strip-poker? A fazer de escrava sexual? Seus neurônios pareciam queimar só de pensar.
- Eu sei. Eu sei. Até porque, você faz questão de me lembrar todo santo dia.
- Só pra não perder a prática.
- Você não tem uma aula pra estar, Monaco?
- Não. Na verdade, deveria. Mas o mal amado do professor de Geografia me tirou da sala.
- Aposto que você deu motivo.
- Eu...
Antes que Jared pudesse terminar a frase, a professora de Física saiu da sala, mandou entrar e Jared voltar pra sua sala.

xx

A manhã passou se arrastando. Um minuto parecia ter oitenta segundos, e não sessenta.
Quando a inspetora deu as duas batidinhas na porta, indicando que a aula tinha acabado, as seis saíram, cada uma indo para as suas casas.
jogou-se na cama, e suspirou. Odiava ter que esperar. E odiava ficar ansiosa. Era exatamente o que ela estava sentindo: ansiedade pura correndo dentre suas veias.
- Mas que grande merda. - ela suspirou.
Alcançou o celular na cabeceira. 15h55. As meninas disseram que chegariam só às 17h00, ótimo, mais uma hora e cinco minutos fazendo o que ela mais gostava: absolutamente nada.

xx

- Vamos acordar ela. Por favor. - pediu.
- Nós vamos, .
- Mas... Daquele jeito, . Com susto e tal.
- Não, .
- Eu concordo com a . Acho que a gente podia dar um susto nela.
- O engraçado é que ninguém pediu sua opinião. - sussurrou.
- Também não dou mais opinião nenhuma. - fez bico.
- Vamos acordar ela logo.
entrou no quarto da amiga, e a cutucou. Nada. dormia como uma pedra.
- . - sussurrou no ouvido dela. Com a gravidez, o espírito maternal ficava cada vez mais forte.
- Eu tenho uma ideia. - ajoelhou-se do lado da cama de . - , acorda, o John tá cantando... - ela estalou os dedos para que as amigas falassem alguma música, e fez "Free Falling" com a boca - Free Falling pra você.
Os olhos da menina começaram a abrir devagar...
- Ele tá... Ele tá o quê? - ela sentou e as cinco se contorceram de dar risada. - Ah. Ele não tá cantando. Vão pro inferno, vocês.
- Pára de reclamar e levanta, vai. - a sacudiu.
- Eu tô levantada.
- Você tá sentada.
bufou, mas levantou.
- Tá, o que a gente vai fazer agora?
- Tentar dominar o mundo. - disse e todas riram.
Depois que todas se acalmaram, disse que precisava contar algo, e que depois se arrumariam.
Elas se sentaram no chão, colocou uma almofada no colo e começou:
- Eu não lembro se eu contei pra vocês, mas eu e o Pat conversamos outro dia e eu pedi pra ele parar de tentar me beijar. Sabe, ele é como um irmão pra mim e o beijar seria como se eu beijasse um irmão, mesmo que eu já tenha o beijado em algum momento da minha vida. - ela lembrou-se das poucas vezes que havia o beijado. - Mas sabe, não era como se eu quisesse pedir aquilo, eu só pedi. E ele disse que sim. Isso foi numa terça-feira, há algumas semanas. Na sexta, ele, o Tim e os pais deles foram lá em casa, num jantarzinho que minha mãe fez, e o Pat me mostrou uma música. - ela suspirou. - Uma música que ele compôs. Pra mim.
- Tá... E isso é ruim porquê...
- Isso é ruim, , porque eu não sei como eu devo me sentir. E porque a música é linda. De verdade.
- Como é?
- Eu não lembro da letra direito, mas fala que nós estamos andado em círculos e que nada mudou totalmente. O refrão é mais ou menos assim: "And we have to find a window with a different point of view, and we'll wake up here tomorrow expecting something new, we'll all be thinking, "are we really thinking this through?" This is just another chapter in the book of me and you" - ela cantarolou.
- Wow. - disse. - Isso é realmente uma coisa que o Pat escreveria. Bem gay.
- Ai sua sem coração! - bateu com uma almofada em . - É linda. De verdade. Bem Pat, mesmo.
- Concordo com a , totalmente gay, mas, bem Pat.
As cinco riram.
- Bom, vocês chegaram aqui 17h30, meia hora depois do combinado e nós enrolamos e já são quase 18h40, se nós não nos arrumarmos, só vamos ficar pronta, às 22h.
- Ai, que preguiça. - levantou. - Com essa barriguinha aparecendo, fica horrível de escolher alguma roupa.
- Eu já escolhi, sou uma mulher prevenida. - riu.
- Qual é então, mulher prevenida?
- Um tubinho preto e sem mangar. Simples, fácil e lindo, dear. - ela piscou pra . - Mais alguém vai de vestido?
- Eu! - levantou a mão.
- Como é?
- De manguinhas. Rosa. Muito fofinho.
- Fofinha pro Jaredzinho.
- Tomar no cu você não quer, né?
- Nah. - riu. - Eu já decidi a minha, também. Uma calça jeans skinny preta, blusa branca do The Killers, jaqueta de couro e...
- Vans preto. Tá, tão original que me deu até sono. - bocejou. - Eu vou de jeans claro e com uma bata. Só. Simples porque tá calor.
- Eu vou de saia e blusa branca. Só. Essa barriga não ajuda muito nas escolhas.
- E eu, sobrei. - riu. - Vou de jeans e blusa branca caidinha, só.

xx

Depois de horas se arrumando, espremidas no banheiro de , as seis ficaram prontas às 20h00, sendo que o show começava às 20h30.
- Timing perfeito! - sorriu.
- Perfeito o escambau, a gente tem que estar lá, tipo... Daqui meia hora. Até a gente entrar. - fez careta.
- Para de reclamar e vamos logo.
As seis foram até o New Beatle de e se espremeram no banco traseiro. disse que tinha ir no banco do passageiro porque, segundo a mesma, se alguma gorda fizesse peso em sua barriga, ela poderia perder o bebê, e isso não era algo que alguém queria.
Depois de uns quinze minutos, elas chegaram no 21, o pub que o The Maine tocaria.
O lugar estava cheio e a fila pra entrar, gigante, mas estava andando rápido.
- Eu não vou aguentar esperar muito mais que dez minutos.
- Calma, . - disse, apoiando a cabeça no ombro da amiga.
- Ô neném. - as seis riram.
Dez minutos, e elas conseguiram entrar. O lugar estava tão cheio quanto lá fora, se não mais cheio. Elas sentaram numa mesa, que ficava perto do bar.
- Olha quem sentou aqui do lado. - sussurrou e as outras cinco viraram-se para olhar.
Na mesa do lado, sentaram-se as líderes de torcida. Amber Hawkins, Collins e Falyn Synder.
- Que dia de sorte. - virou os olhos.
As seis esqueceram as meninas ao lado delas e ficaram conversando e dando risada. se sentia estranhamente ansiosa para o show. Essa história de desculpas.
- Oi meninas. - Halvo chegou e deu oi para todas as meninas e um selinho em .
- Achei que você não ia chegar.
- Isso tudo é preocupação, ? - ele riu. - Hoje é um dia especial. Em diversos sentidos.
sentiu uma pontada no estômago. Será que...? Não, não era. Ele estava falando da aposta. Com certeza.
- Eaí galera! - o DJ que tocava falou no microfone e o pub todo gritou. - Bom, mais dez minutos e o The Maine entra no palco!
O lugar todo ficou mais escuro.
- Odeio essa luz escura. Não enxergo ninguém na minha frente.
- Como se precisasse, né .
Não muito depois, a silhueta magra e comprida de John apareceu no palco. Uns segundos depois, Garrett, Jared e Kennedy apareceram e só depois Pat sentou-se atrás da bateria.
- Hoje a gente vai começar com If I Only Had The Heart. - John falou, dando risada.
A platéia toda vibrou. Todos cantaram o refrão. Os maines achavam aquilo incrível. E era. Era uma sensação maravilhosa, todos cantando a música que você havia composto. Era como uma sensação de dever bem feito.
Logo depois eles tocaram o cover de I Wanna Love You e a platéia toda ria com as besteiras que eles faziam entre si, como John imitando uma prostituta no meio da música e se oferecendo pra Jared, que fingiu "pega-lo".
- Bom... Agora nós vamos tocar uma música inédita. - todos gritaram. - Na verdade, o show está com algumas músicas inéditas. - Mais gritos. - Mas a de agora, quem escreveu foi o Pat! - ele apontou pro baterista. - Então, se estiver mais gay que o normal, a culpa é toda dele! - ele riu.

(Play na música 1)

Here we are, spinning in circles again
We are young enough to think that we can
But nobody is to blame, funny how things don't change at all
But I keep thinking maybe we'll be good someday

sentiu todas as borboletas no seu estômago. Deus, aquela música era muito pessoal. De verdade. Todo o sentimento dele - e consequentemente o dela - estava exposto naquela música. Era a história deles. O livro deles.

And we have to find a window with a different point of view
And we'll wake up here tomorrow expecting something new
We'll all be thinking, "are we really thinking this through?"
This is just another chapter in the book of me and you
Yeah the book of me and you

Ela cantava baixinho. Ela havia decorado cada verso. A música era linda, de verdade. De longe, era a preferida dela.

I turn the page, thinking I can turn this around
The page, every wall that said must come down
Funny how it never does, trying to make it like it was on word
But I keep thinking time will make us strong enough

Pat cantava baixinho e não conseguia olhar para . Tinha medo de que ela estivesse brava com ele por deixar que John expusesse que a música tinha sido escrita por ele. Ou por deixar que eles tocassem a música. Era pessoal. Era deles. Só e somente dos dois.
A música continuou, Pat ainda não conseguia encarar e ela por sua vez mantinha os olhos fixados no menino esperando que ele a olhasse.

Yeah the book of me and you
Yeah the book of me and you
It's the book of me and you

Pat finalmente tomou coragem e a encarou, com um sorriso de lado, como se pedisse de desculpas, ela riu e desviou o olhar.
- Hmmm. Acho que alguém tá com vergonha. - Kennedy riu e apontou pra Pat, que estava muito vermelho.
- Sabe como é, né. - Pat respondeu.
- Mas vocês gostaram da música, né? - a plateia toda gritou quando Jared falou, já que ele quase nunca falava nos shows.
A próxima foi Time To Go, que animou consideravelmente a platéia que tinha ficado um pouco mais calma depois de Book Of Me And You.
Depois, John foi até o backstage pegar um banquinho, e voltou.
- Agora... Bom, é uma música importante pra mim, para uma pessoa muito importante pra mim. Sabe, cara, eu já tentei de quase todas as formas me redimir. Eu já admiti que errei. Já fiz praticamente tudo. Menos isso. Na verdade, já fiz. Já escrevi várias músicas pra ela. Várias mesmo. If I Only Had The Heart é uma das que eu escrevi. - ele riu. - Mas nunca tinha escrito nenhuma com esse propósito. Me desculpar.

(Play na música 2)

I'm fucked up again
I shouldn't drive tonight
But I keep thinking of you
I hurt you again
I shouldn't lie tonight
So the next few words are true

sentiu os olhos marejarem na primeira estrofe da música. Era demais pra ela. Ela conseguia montar a cena na cabeça dela. Era exatamente o que tinha acontecido!

Never again, never again
No, will I leave you high and
Never again, never again
No woah
Never again, never again,
No will leave you high and dry this time
I more than mean it

Aquelas duas estrofes haviam sido como uma facada no peito. Não, aquilo era muito pior. Ela não ligava que todos a vissem chorando. Não ligava mesmo. Não ligava que todos a achassem estúpida pelo que ela fez, ou pelo o que iria fazer.

I'm sorry
I'm not what you wanted
I'm sorry
I'm sorry I let you down

John não tinha coragem de olha-la. Não tinha. Ele não tinha coragem porque ela podia estar o olhando com aquele olhar de "eu vou te matar, filha da puta" ou um olhar compreensivo de "eu te perdoo, vamos ser felizes para sempre". Sabe, não nem que ele não tinha coragem, ele não sabia se conseguiria suportar algum olhar que não fosse o segundo.

I could use some poor excuse
Cause the hardest thing to say
Oh it's the hardest thing to say in the world
Yeah I'm sorry

Ela queria que ele a olhasse. Queria dizer que precisava falar tudo o que pensava, porque, até agora quem estava falando era ele.
Cada palavra que ele cantava, era uma facada. Dolorida e funda. Ela se sentia mal por fazê-lo se sentir mal, mesmo que ele a tivesse feito se sentir tão mal quanto, ou ainda mais, já que a corna da história, era ela. Ela era a imbecil da história.
A música se repetiu e o coração dela pareceu se partir em mil novos pedaços. Ela queria gritar para que ele descesse do palco e parasse. Ela queria se explicar.

Yeah, I'm sorry

A música acabou e os Maines disseram que o show havia acabado, disseram obrigada e saíram do palco. o encarou por mais alguns segundos, até sair dali e ir procurar John. Ela precisava acha-lo.
Ela perguntou pra Halvo se ele havia o visto e ele disse que ele ainda não tinha chegado. Ótimo. Onde raios aquela girafa havia se enfiado?
Andou até a parte externa do pub, apertando a jaqueta de couro contra o corpo.
Ele estava lá. O corpo alto e magro apoiado numa pilastra, de frente pra rua.
- Oi. - ela disse baixinho quando chegou perto.
Num primeiro momento, ele a olhou assustado, depois sorriu.
- Oi. Você...
- Por favor, eu vou falar, mas não me atrapalha e não me interrompe. A música é linda. Me fez pensar em tudo que nós passamos. Eu consegui imaginar a primeira estrofe! Eu... Eu estou disposta a enfrentar todo mundo, todas aquelas pessoas que me zoaram nos primeiros meses. Eu estou disposta, John. Disposta a esquecer de tudo, disposta a dar uma chance nova. - ela suspirou. - Disposta a dar uma chance pra nós dois.
- Você tá falando sério?
- De um jeito que eu nunca falei na minha vida. Eu espero que você não jogue tudo no lixo. E que você entenda que eu vou desconfiar de tudo o que você fizer, pelo menos por enquanto. - ela sorriu.
- É claro que eu vou entender, sweetheart. - ele a abraçou e ela apoiou a cabeça no peito dele.
- Eu senti sua falta.
- Eu também. - ele sorriu e beijou a testa dela.

xx

- Ei ei ei... Aonde você pensa que vai? - Jared puxou o braço de .
- Eu tava indo tomar um ar.
- Bom, não vai ser agora. - ele chegou mais perto dela. - Agora você vai ali, comigo.
Ela revirou os olhos.
- Que seja rápido.
Ele a puxou pelo pulso e a arrastou até o outro canto do pub, abrindo uma porta e entrando, seguido por ela.
- O que... Que lugar é esse?
- Uma sala. - ele pegou uma cadeira e deixou no meio da sala. - O dono daqui é amigo do meu pai, e não, isso não tem nada a ver com o fato de tocarmos aqui, aí eu pedi a sala "emprestada" - ele fez aspas no ar - pra ele, e ele me emprestou.
- Tá. Fala logo, o que eu tenho que fazer? - ela parecia completamente determinada, mas na verdade, estava morrendo de medo.
- Senta. - ele apontou pra cadeira. A sala estava escura, mas mesmo assim, eles conseguiam se ver. - Bota as mãos pra trás da cadeira. E fecha os olhos. - ela botou as mãos pra trás e fechou os olhos.
- O que raios você tá fazendo? - ela abriu os olhos, tentando puxar as mãos, mas não conseguiu, uma vez que ele tinha amarrado as mãos dela. - O que você fez?
- Agora você tem que me obedecer, docinho. Querendo ou não. - ele sussurrou no ouvido dela.
Ela conseguia ouvir Pour Some Sugar On Me tocando no pub e quase deu risada de quão irônica era a cena. (Coloquem a música 3 pra tocar, lembrando que essa é totalmente opcional).
Ele ficou de frente pra ela.
- Você é meio prepotente. Mas sabe... Eu gosto de você.
- Pena que eu não posso dizer o mesmo. - ela sorriu.
- Não?
- Não.
- E se eu te desamarrar... Você vai ser boazinha?
- Eu posso até tentar, mas não te garanto nada. - ela decidiu entrar na brincadeira.
- Então eu vou soltar. Mas quero ver você tentar. - ele ajoelhou-se atrás da cadeira e soltou a fita com a boca.
correu até a porta, mas Jared foi mais rápido que ela e a prensou contra a porta.
- Nada disso. Você disse que ia tentar ser boazinha. - ele passou os lábios pela curva do pescoço dela.
- Você... Você tem que confiar menos em mim. - ela tentou afastar o pescoço da boca de Jared, mas era impossível.
- Tease a little more. - ele cantarolou e puxou o lábio inferior dela com os dentes. - Little miss innocent sugar me.
- Eu...
- Você... - ele beijou o maxilar dela.
- Eu não quero você tão perto.
- Você tem certeza? - ele mordeu o lóbulo da orelha dela.
- Não. - ela suspirou.
- Hmmm. Suspeitei. - ele deu um chupão no pescoço dela, que puxou de leve os cabelos da nuca de Jared, trazendo-o até sua frente.
- Eu te odeio. - ela sorriu.
- Não odeia não, docinho. - ele retribuiu o sorriso e a beijou.
já havia beijado Jared várias vezes. Várias mesmo, e por mais bêbada que ela estivesse em cada uma delas, ela conseguia se lembrar de todas, e esse beijo foi o de longe, o mais quente de todos. A sala parecia cada vez menor.
Jared tinha uma mão nas costas de e a outra na nuca, arranhava as costas de Jared com uma das mãos e a outra estava pousada no ombro de Jared.
- Jared... - ela falou no ouvido dele. - Por favor. - ela parou o beijo e abraçou o pescoço dele, escondendo o rosto na curva do mesmo.
- Tudo bem. - ele passou a mão pelo cabelo dela, bagunçando-o mais um pouco.
Os dois já tinham chegado "quase lá" várias vezes. De verdade, "quase lá" de acabarem na mesma cama, só de roupas íntimas. Mas tinha algum problema sério com sexo. Pra ela tinha que ser especial, ela já havia dito que queria que fosse com ele, porque seria especial, porque eles eram, acima de tudo, amigos, mas ela ainda não estava preparada. Deus, ela tinha só dezesseis anos.

xx

procurava em todo o canto, e não a encontrava.
- Pat, você viu a ?
- Não, . - ele suspirou. - E a gente precisa conversar.
- Conversar, por quê?
- Bom, porque eu deixei tocar a nossa música.
"Nossa música. Nossa música. Ele disse nossa música."
- Não tem problema, Pat. De verdade. - ela sorriu.
- Tem sim. - ele suspirou. - Porra, . Eu escrevi uma música pra você, que por Deus, não é pra te pressionar, mas a única coisa que você disse foi "legal".
Dessa vez, ela suspirou.
- Pat, eu preciso de um tempo pra pensar. Eu sempre preciso, e dessa vez não seria diferente. Eu preciso organizar minhas ideias. Preciso saber se é isso o que eu quero de verdade, porque eu posso te falar agora que é, mas na verdade, não ser e depois te machucar. Eu não tô pronta pra te machucar.
- Então... - ele olhou pro chão e depois a encarou de novo. - Quando você tiver decidido me fala. Por favor.
- Pode deixar, - ela sorriu - mas agora eu tenho mesmo que encontrar a !

xx

estava sentada na mesa. Estava ali desde que o show acabou. Não tinha paciência alguma praquele povo todo gritando e suados, todos juntos. Não mesmo.
Ela já havia perdido a conta de quantas Stellas já havia tomado. Alguém agradeça a Deus por ela ser tão forte com bebidas.
Todos já haviam passado por ali, ou procurando alguém, ou pra saber se estava tudo bem com ela. E ela sempre respondia que não sabia onde o alguém estava, já que ela ficou ali o tempo todo, ou dizia que estava tudo bem. Porque estava, na medida do possível. Só sentia vontade de morrer quando Garrett passava com Falyn pra cima e pra baixo.
Ela era tão... Falyn.
- Oi. - falando no diabo...
- Oi, Garrett. - ela olhou pros lados, e nenhum sinal de Falyn. - Cadê a Falyn?
- Foi embora. Passou mal. - deu de ombros. - Quantas Stellas você já tomou?
- Não sei. - ela riu. - Parei de contar depois da quinta.
- Cara, você tá mais sóbria que eu.
- Agradeça à minha mãe que adora um destilado.
- Sua mãe é gente boa. Saudades dela.
- Aparece lá em casa, ela fala de você. Sempre.
- Sério? - ele arregalou os olhos. - O que ela fala?
- "O Garrett tá indo bem na escola? Ai, ele só vem aqui quanto tá de recuperação. Ai que saudade desse menino!" - ela fez voz falsete, imitando a mãe.
- Socorro, é igualzinho! - ele gargalhou.
- Anos de prática, dear.
Os dois conversaram, até o fim da noite, como se não houvesse nenhuma Falyn na vida de Garrett. Como se existissem só os dois naquele pub. Os dois e mais ninguém.

Capítulo 10 - Baby, I'm nothing but bad news

- Eu não quero! - resmungou.
- Não é como se você tivesse escolha, , eles já estão vindo.
- Mas... Agora que eu voltei com o John. - a mãe de arregalou os olhos, mas fez um sinal positivo com a cabeça, pedindo pra filha continuar. - Só Deus sabe quanto ciúmes ele tem do Alex. Aliás, o Alex não vem, né?
- Vem o Jack e os meninos.
- Mãe!
- Sem mais nem menos.
suspirou. Não que ela não gostasse do primo, muito pelo contrário, ela amava Jack, e amava todos os meninos que faziam parte do All Time Low também, mas, John morria de ciúmes de Alex, uma vez que quando tinha uns 14 anos, era completa e inegavelmente apaixonada por ele.
- Quando eles chegam?
- No domingo.
- No domingo...
- Amanhã. - ela sorriu.
- Tá. - era bem a cara de sua mãe avisar em cima da hora.
Foi para seu quarto, jogou-se em sua casa e deu um suspiro longo.
- Bosta. Minha mãe sabe que o John não suporta o Alex. Que raiva, logo agora...

xx

- Ai, minha cabeça. - colocou a mão na testa.
- Se não bebesse tanto...
- Eu não bebi. Aliás, pra dizer que eu não bebi, bebi uma ou duas Stellas, mas foi só. - a menina sentou-se na cama, abriu a bolsa e tirou a aspirina.
- Quer que pegue água?
- Nah. Parece que quando eu tomo sem água, o efeito é mais rápido.
- Você é retardada. - sentou-se do lado de e riu. - Mas, como foi o negócio com o Monaco ontem?
- Ah, nada de mais pra falar a verdade. Ele me amarrou numa cadeira...
- ELE O QUÊ?
- Me amarrou, com uma corda, naquele negócio que você senta... Sabe?
- Vai se foder, é óbvio que eu sei, só fiquei surpresa, mas continua.
- Então, aí ele veio com aquele papo de boa menina e blá blá blá, tentei fugir mas aquele ogro me pegou pelo braço, ele cantou Pour Some Sugar On Me no meu ouvido e... Nós nos beijamos e quase chegamos lá, mas...
- Mas você falou que não estava preparada e aquela história toda. - cruzou as pernas. - Eu juro que eu não te entendo, de verdade, você é toda ninfomaníaca, quer vários ao mesmo, aí na hora dos finalmentes, dá pra trás.
- Eu... Eu sei lá, sério. Me dá medo.
- Medo do quê, exatamente?
- Não sei, vai que doa... Ou eu engravide.
- , não sei se você conhece uma coisa chamada camisinha! Ah, e tem outras duas coisas também: pílula anticoncepcional e pílula do dia seguinte. E quanto a dor, dizem que se você estiver relaxada, não vai sentir nada...
- Ui, entendida.
As duas riram.
- Eu leio, . Eu leio.

xx

- Sai daqui, Kennedy. - o empurrava pra fora da cama.
- Tô bem aqui.
- Só que eu não, levanta vai.
- Pra quê, cara?
- Porque eu tô mandando, porque eu tô grávida e porque o raio da cama é minha!
Ele bufou e levantou.
- Você é chata.
- Você é praticamente insuportável e eu não fico jogando isso na sua cara, então fica quieto.
Ele bufou mais uma vez e rolou os olhos, andava cada dia mais estressada.
- Quanto tempo ainda temos de gravidez?
- Uns cinco meses.
Kennedy achou que iria chorar. Ele não aguentaria!
- Cinco?
- Não Kennedy, falei brincando, oitenta. - ela revirou os olhos. Merda.

xx

revirou-se na cama pela milésima vez. Já havia tentado de tudo: contar carneirinhos, tomar banho quente, leite quente e qualquer técnica maluca pra dormir. Ela não conseguia! Tudo o que Pat havia feito e dito pra ela não saía de seus pensamentos.
Levantou, andou até a janela e olhou para a casa de Pat. O jardim estava como sempre, bem aparado, e a casa era igual desde que ela conseguia se lembrar. Depois, olhou pra janela do quarto de Pat que estava aberta, ele estava deitado de bruços, os cabelos compridos jogados sobre o rosto e só um lençol cobria seu corpo, ela podia jurar que ele estava de boxer preta! Malditas sejam boxers pretas.
- Eu... - ela começou, pra si mesma. - Eu não sei o que fazer.
Sentiu vontade de chorar e arrancar fio por fio do próprio cabelo. Por que tudo não podia ser mais fácil? Por que ela não podia ficar com Pat? Por quê?
Ela jurava que queria as respostas dessas perguntas, aliás, ela podia jurar que sabia as respostas dessas perguntas, mas, não podia ser tudo tão fácil assim, as coisas não podiam simplesmente se "acertar".
- As coisas não podem ser tão fáceis assim! - ela falou um pouco mais alto, virando-se e ficando de costas para a janela.
Assim que entrou no quarto, seu celular vibrou na cômoda, indicando que uma mensagem nova havia chegado.
"Pra quê simplificar quando se pode complicar, huh?
Ah, você deveria ser mais discreta ao me observar "dormir".
- P."

Ela riu nasaladamente e sentiu as bochechas corarem. Só Pat mesmo...

xx

John, Garrett, Jared e Halvo estavam no 8123 conversando.
- Cara, não sei... Foi meio gay.
- John, era você e a ... Eu juro que eu não sei como ela não virou pra você e falou: "Deixa de ser gay!" - Jared tentou imitar e todos riram.
- Não fala assim dela. - John fez bico.
- Sua bicha!! - Halvo deu risada.
- Vamos falar da bichisse do John e falar do que é bom: aposta! - Garrett deu risada e apontou pra Jared.
- Ah, nada... Ela deu pra trás. Não quero falar nesse assunto.
- Por quê? Por que ficou na mão, literalmente?
- Vai se foder. E não, é porque, por incrível que pareça, eu tenho algum respeito por ela.
O celular de John vibrou.
"John, desculpa... A gente acabou de voltar e eu sei que você não suporta o Alex, mas... ele, meu primo, o Zack e o Rian estão vindo. Amanhã. Desculpa! Não foi culpa minha, xx.
Ps.: Eles vão ficar aqui em casa."

- Cara...
- O quê?
- All Time Low tá chegando na cidade. Amanhã.
Jared sentiu o ar ir embora. Mas que porra! Jack Barakat não. Ele lamberia o chão, mas Jack não chegaria perto de , não chegaria. Só Deus - e Jared - sabiam da raiva que ele sentia por Jack, só Deus.
- Aonde eles vão ficar?
- Na casa da .
- Ótimo, realmente muito bom. - Jared revirou os olhos e sentiu vontade de matar Jack.
- Vai perder a mina. - Halvo riu.
- Ela nem é minha. - ele mostrou o dedo do meio. - E não se esqueça, Zack Merrick vem também.
- Meu cu.
Eles deram risadas. Os próximos dias seriam, no mínimo, engraçados.
- E outra, não é só porque eles vêm que as meninas têm que ficar com eles.
- Elas vivem na casa da e eles vão ficar lá, a nasceu grudada no Jack, então eles provavelmente não vão se desgrudar. - Kennedy falou. - Todo o lugar que elas forem, eles vão.
- Cara, eles não têm escola pra ir, não? - Jared praguejou e revirou os olhos. A vida não é justa.

Capítulo 11 - Another head aches, another hearts breaks

"Another head aches, another heart breaks. I'm so much older than I can take and my affection, well... it comes and goes.”

trocou o peso dos pés. Maldito seja Jack Barakat que a fez acordar à uma da tarde num domingo.
- Mãe... - ela bocejou.
- Oi.
- Eles tão chegando?
- Cinco minutos, .
Ela sorriu para a mãe, se perguntando se o primo não teria aula, provavelmente não, como estrela-do-rock-rebelde-em-ascensão, largara a escola há dois anos, esse deve ser o motivo de sua acefalia.
O carro da irmã de Jack, May, estacionou na porta da casa de .
- ! Você está grande! - May disse, rindo e abraçando a prima.
- Bom, se você aparecesse mais...
- Não tenho tempo, . Você sabe que se eu tivesse, eu viria.
- Eu sei, tô brincando. - ela riu fraco. - Agora cadê aquela bichinha... Digo, Jack?
- Tá saindo do carro.
olhou pro carro e pode ver o primo, que devia ser uns dois palmos mais alto que ela, o cabelo preto com uma "mecha" descolorida bem no meio e desengonçado.
- JACK BASSAM BARAKAT! Sua bicha! - ela riu, ignorando a mãe que a repreendia com o olhar. - Larga essas coisas e vem dar oi pra sua prima.
Jack deu risada e arrumou a franja, correndo até a prima.
- Ow, cresceu hein.
- Se eu cresci, você tomou fermento, olha teu tamanho!
- Acontece, né... - ele riu.
- Cadê o resto da banda?
- Aqui, zinha. - Rian foi o primeiro a sair, a abraçando. adorava Rian, e o sentimento era recíproco, Rian a tratava como uma irmã mais nova. - Eu senti sua falta. - ele bagunçou o cabelo dela.
- Eu também! - ela sorriu.
- E eu?
- Zack? - sua boca abriu-se num "o" perfeito. - Filho de uma égua, você tá tomando esteroide? Olha isso, olha o seu tamanho! - ela levantou o antebraço dele até a altura de seus olhos e o apertou, soltando um "ui" afetado. - Tá fortinho.
- Para de falar com ele, e vem me dar oi! - ela reconheceria a voz de Alex mesmo depois de anos luz.
- Cadê sua mecha rosa? - mesmo com a touca, dava pra ver que não havia nenhuma mexa rosa ali. - Eu pedi pra você continuar com ela! - ela olhou para o menino e sorriu.
- Ah... Tive que tirar. - ele tirou a touca e deixou o cabelo da cor natural a mostra, enquanto a abraçava. - Saudades de você.
- Eu também. - ela riu contra o peito dele.
- Bom, Elle, eu tenho que ir. - May se despediu da mãe de . - Pelo amor de Deus, juízo. - ela virou-se para os meninos. - E , se eles fizerem algo errado, pode bater.
- Eu vou. - ela riu, despedindo-se da prima. - Mesmo se eles não fizerem nada de errado. - ela sussurrou no ouvido da prima, antes de soltar o abraço.
Os seis entraram na casa de , e dividiram os quartos, ficando Rian e Zack no quarto de hóspedes e Alex e Jack no quarto do irmão de , que agora cursava a faculdade.
Depois de arrumarem as coisas, todos se sentaram na sala.
- E as meninas? - Rian perguntou, sempre teve um carinho muito grande por todas.
- Bem... Só a tá com o Halvo.
- Ainda? - Zack arregalou os olhos.
- Ainda. - riu. - Bom, eu e o John voltamos anteontem, a e o Pat estão na mesma situação. E, antes que você pergunte, a tá solteira, Jack.
- Eu não ia perguntar. - Jack olhou ofendido para a prima, que riu debochado. - Tá, eu ia.
Os cinco caíram na risada.
- Quando elas vêm?
- Hoje elas não vêm, sorry.
- Você ainda vai pra escola?
- Mas é claro, Alex. Eu ainda sou uma pessoa comum. O dia que eu for Angel da Victoria's Secrets eu paro de ir pra escola.
- Babaca. - ele riu. - Já tem alguma coisa programada pra hoje?
- Hoje é domingo! - eles a olharam, como se aquilo não significasse nada - Alô? Dia da preguiça. Mas, sexta que vem tem uma festa muito boa.
- Festas. Eu amo festas. - Zack riu.
- Nós sabemos, Zack. Vocês querem fazer alguma coisa? Tipo... A gente pode ir andando até o 8123. Sei lá. - ela deu de ombros.
- Ah, por mim, tudo bem. - Alex falou e os outros três concordaram.
- Então vamos! - ela levantou e calçou as sapatilhas.

xx

O 8123 não era muito longe da casa de , uns 15 minutos andando a pé.
- Vocês já vieram aqui antes, né?
- Uhum. - Jack respondeu. Ele era, de longe, o mais hiperativo e animado.
- O que a gente vai fazer?
- Comer, Alex, duh. - falou, rindo e Alex deu a língua.
Os cinco sentaram-se em uma mesa, pediram os lanches e ficaram conversando, jogando conversa fora.
- Vocês já fizeram algum show grande?
- Ah... Aham. Sabe a Warped Tour? - os olhos de brilharam, é claro que ela sabia! Warped Tour era a junção de várias coisas que ela amava.
- Sim!
- O produtor, ou sei lá o que aquele cara é, da Warped, ligou pra gente e disse que quer que a gente toque.
- Cara, que foda. É bom que vocês consigam backstage pra mim, porque eu sou exclusiva.
- Exclusiva, ? - A voz de surgiu de trás dela.
- ? - Jack levantou uma sobrancelha.
- Oi! Essa retardada nem pra chamar a gente pra vir comer com vocês. Tô triste. - fez bico.
- A gente? - Zack perguntou, não conseguindo esconder a animação na voz. Quando aquele menino tinha ficado tão dado?
- É, tá todo mundo lá fora bebendo.
- BEBENDO? A não tá bebendo, né?
- Não, né, agora com o bebê...
- BEBÊ? - Rian engasgou com a batata frita. - Ela tá grávida? Do Kennedy?
- Sim, ela tá grávida. E é meio óbvio que é do Kennedy.
- Vamos lá fora, ?
- Ah, ...
- Vamos, vai. - Jack apoiou . Quando ele não a apoiava?
- Tá. - ela disse meio a contragosto e se levantou.
Os seis foram pra fora do 8123. conseguiu ver todo mundo na porta da lanchonete.
- Cara, não são nem três horas da tarde e vocês já tão bebendo.
- ! - John levantou e abraçou a "namorada".
- Oi! - ela deu um beijo na bochecha dele. - Caso vocês não se lembrem, esse é o meu primo, Jack, o Alex, Zack e Rian! - ela apontou animada para cada um deles.
- É claro que a gente lembra... - Jared disse baixinho.
- Que foi? - Jack perguntou, mas Jared não respondeu.
- Rian! - levantou e abraçou o baterista. e Rian eram muito amigos, Rian ajudou depois que ela teve uma crise pós-beijo com Garrett.
- Neném! - ele abraçou a menina, que deu bateu no peito dele depois de ouvir o apelido. Rian chamava de "neném" porque escutou a mãe dela chamá-la assim e achou engraçado.
Depois, eles ficaram conversando até que Pat disse que estava cansado de não fazer nada e Jack sugeriu que eles brincassem de "Eu Nunca".
- Você tem certeza, Jack? - levantou uma das sobrancelhas, em dúvida.
- Tenho, não tenho nada a esconder. Minha vida é um livro aberto, docinho.
- Mas a gente não tem vodca aqui.
- Isso é o que você pensa, . - Halvo levantou e correu até seu carro, voltando com uma garrafa de vodca.
- ERIC HALVORSEN, você escondeu essa vodca de mim? Da sua namorada? Seu bastardo.
- O Garrett me obrigou, eu juro! Juro mesmo.
- Tudo sempre sobra para o baixista! Merda.
- Eu sou baixista também, então isso só acontece com você. - ele riu.
- Enfim, vamos jogar. - John pôs treze copos na mesa, não iria jogar por causa do bebê.
- Eu começo! - falou. - Eu nunca me senti atraída por mais que uma pessoa dessa roda.
rodou os olhos e bebeu, John e Alex haviam passado pela vida dela. bebeu, amaldiçoando Zack e Halvo. bebeu, malditos sejam Jared e Jack.
- Agora vou eu. - cruzou as pernas. - Eu nunca... - ela mordeu o lábio inferior e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. - dei pt.
Todos, tirando beberam.
- Eu nunca amarrei ninguém em uma cadeira, contra a vontade do mesmo. - falou e fuzilou Jared com os olhos. Ele foi o único que bebeu, sentindo a raiva consumir seu corpo, quem ela achava que era pra falar aquilo? Ela tinha vontade!
- Eu nunca beijei mais que três numa noite! - falou rápido, percebendo o clima. Todos, menos e , beberam.
- Eu nunca... - Jared começou e sentiu que aquilo seria pra ela. - quebrei o coração de alguém... - a boca dela se abriu num perfeito "o". - fingi que sou santo quando na verdade, nego minha vontade. Quando na verdade, eu sou uma vadia sem coração.
sentiu os olhos lacrimejarem. Ele não podia ter feito isso. Ele não podia. O que ela tinha feito, afinal? Dito a verdade? Porque ela disse mesmo. Ela nunca negaria a verdade a ninguém. Nunca. E Jared sabia disso, ele sabia!
Ela não conseguiu pensar, só correu. Enquanto uma certa lembrança a atingiu com força.

FLASHBACK ON

- ... A gente precisa resolver isso, sabe...
- Isso o quê, Jared?
- A gente, .
- Eu e você, você quer dizer? - ela sentou na cama dele enquanto ele a olhava com as sobrancelhas arqueadas. - O que eu quero dizer é que, eu gosto de você, gosto mesmo, mas eu gosto de muitas outras coisas. Eu gosto ainda mais de ser livre. Eu deixei bem claro que eu não queria nada sério. Não queria há dois meses atrás e não quero agora.
- Mas... Mas eu achei que você estava envolvida. Eu digo, com nós dois. Na nossa história.
- História, Jared? Nós ficamos algumas vezes e pronto. Aliás, você deveria ser o primeiro a saber, já que é sempre o primeiro a ficar com mais alguém nas baladas, no 8123, na escola, seja onde for. Eu sinto muito, Jared, se você achava que nós tínhamos alguma coisa, mas nós não temos. Não é você, sabe... Eu nunca me deixo precisar de ninguém e se eu deixasse que nós tivéssemos alguma coisa, eu, consequentemente, estaria me deixando precisar de você. E eu não quero isso pra mim, Jared. Não mais. - ela podia sentir as lágrimas nos seus olhos, odiava remexer em coisas que deveriam estar guardadas, mas ela sentia que devia algumas explicações a Jared. - Me desculpa, de verdade. Eu não deveria ter deixado as coisas chegarem nesse ponto. - ela levantou e saiu, deixando um Jared completamente perplexo sentado na cama.
- ! - ele gritou, mas ela não olhou, não voltou. Ela nunca olhava pra trás e muito menos voltava.

FLASHBACK OFF.

Ela não fazia ideia de quanto havia corrido, mas sabia que havia sido muito, já que estava bem longe do 8123 e perto de uma praça, que era perto da casa de Jared. Maldito seja o subconsciente.
Ela sentou num banco, colocou os pés em cima do banco, apoiou a cabeça nos joelhos e deixou que algumas, poucas, lágrimas escorressem. A primeira vez tinha se sentido mal por causa de "amor" foi a primeira vez que sentiu alguma coisa por Jack. Tinha sido na quarta série, no primeiro verão depois de conhecer . A primeira vez que ela havia sentido as "borboletas no estômago", que na época ela podia jurar ser dor de barriga. Depois, sentiu a mesma dor quando Jack voltou, na sétima série, depois de beijar Jack pela primeira vez (e ele havia dito que a amava!), na verdade, só começou a doer quando ele foi embora. Ele disse que a amava e foi embora. Ela nunca esquecera Jack, ele sempre vai fazer parte dele, mas, depois de conhecer os Maines direito, ela se sentiu... Atraída por Jared, mas tinha medo de se machucar. Ela tinha se machucado muito com Jack, mesmo sendo bem nova. Mesmo assim, ela se machucou, não tanto quanto havia se machucado com Jack, mas havia se machucado.
- Ei... - ela despertou dos pensamentos com a figura alta de Jack Barakat em seu lado.
- Oi. - ela respondeu, fraco. - Há quanto tempo tá aqui?
- Há algum... Tá tudo bem? - ele perguntou e ela só fez que sim com a cabeça, mas Jack a conhecia como ninguém, ele não falou mais nada, só sentou do lado dela e deixou que ela chorasse em seu ombro. Jack, além de tudo, era um ótimo amigo.

Capítulo 12 - You ain't nothing but a troublemaker

Sexta-feira, 22h00.

- , fecha esse zíper pra mim, por favor? - segurava o cabelo na mão, enquanto estava de costas para a amiga, esperando para que ela fechasse o zíper do vestido preto.
- Pronto! - ela fechou e se olhou no espelho. - Você acha que não ficaria muito melhor com a saia branca?
- Não, assim tá bem melhor, amiga.
- Ah...
- ZAAAAAACK! - gritou.
- Fala, doida.
- A saia preta não fica bem melhor que a branca?
- ... - ele botou a mão na cabeça. - Olha bem pra minha cara e me diz se eu tenho cara de viado.
- Agora que você tá falando... Tem, mas só um pouquinho.
- Babaca.

xx

Sexta-feira, 23h00.

- Ah! Eu amo festas. - Alex suspirou, passando pela porta da casa de Taylor, uma das meninas legais da classe das meninas.
Taylor, além de ser legal, era linda. Os cabelos eram de um tom chocolate e hoje, tinham algumas mechas roxas, já que essa parte era, normalmente, loira.
- Nós todos sabemos, Alex. Acho que é a quarta vez que você repete isso desde que nós nos encontramos hoje. - disse e deu a língua.
- Tá, repassando os recados... - falou. - Todos aqui na porta às quatro, todos. Se alguém for ficar mais, avisa quando estiver aqui e se for embora antes, eu sinto muito. - ela riu, mas logo continuou: - Só avisem, sms.
- Ok, mamãe. - falou e logo sumiu entre as pessoas, sem dar chance das amigas, ou os meninos, a seguirem.

xx

Sexta-feira, 23h47.

se sentia cansada e não podia beber. Gravidez era um saco. Não importa o quanto já amasse seu filho, a gravidez continuava a ser um saco. O barulho excessivo estava começando a dar dor de cabeça.
- Eu acho que além de grávida, eu tô ficando velha. - ela sussurrou, para que só Kennedy ouvisse.
- O quê?
- Tá tudo me irritando, a música alta, o fato de não poder beber. E além de tudo, tô te prendendo aqui, quando eu sei que você quer dançar, beber ou sei lá o quê.
- Ah , eu não me importo, de verdade. - ele falou, mais pra acalmar a menina do que qualquer outra coisa já que ele se importava.
- Eu sei que você se importa, Brock. Eu te conheço há muito tempo. Pode ir dançar, eu acho que vou pra casa, o bebê precisa descansar!
- Você tem certeza?
- Aham.
- E como você vai voltar?
- Eu arrumo um jeito, Kenny. Pode ir. - ela sorriu, Kennedy deu um beijo na testa da menina e saiu. - Ótimo, como eu vou embora? - ela levantou e caminhou até a porta, dando de cara com Zack.
- Oi, .
- Zack! O que cê tá fazendo?
- Nada. - ele deu de ombros.
- Se eu te pedir um favorzinho, você faz?
- Hmmmm. Acho que sim, o quê?
- Me leva em casa? A gravidez tá me cansando. E eu sei que você tá com a chave do carro da . Ela sempre deixa com alguém. - ela riu.
- Só te deixar lá? Depois eu volto pra cá? - ele perguntou e a menina fez que sim com a cabeça. - Então vamos, lady.
Eles caminharam até o New Beatle, que, graças a Deus, não estava muito longe dali. Zack sentou no banco do motorista e no do carona.
- Não é estranho entrar num carro que não é seu, sem o dono? Mesmo que você ande nele quase todo dia?
- Bastante. Principalmente pra mim, já que eu não ando nele quase todo dia. - Zack deu de ombros enquanto dirigia.
- Você ainda sabe onde é minha casa? - ela perguntou e Zack fez que sim com a cabeça.
Zack fora o irmão mais velho de , até que eles perdessem o contato, há um ano. Ela não lembrava o por quê, mas sabia que eles haviam perdido o contato.
- Como foi descobrir a gravidez? - ele quebrou o silêncio.
- Foi horrível. Eu chorei por horas. Eu ia contar pro Kennedy por mensagem, a que falou que isso não era coisa que se contava por mensagem, aí eu fui pra casa dele, só que eu encontrei com ele no meio do caminho. - ela suspirou. Mesmo que tudo já tivesse passado, era horrível pensar que ele estava indo terminar com ela. Maldita seja a gravidez que a fazia ficar emotiva. - Ele estava indo terminar comigo. Aliás, a gente chegou a terminar por algumas horas.
- Wow. Wow. Só wow. Eu sei que eu não sou a pessoa mais gentil do mundo, mas isso foi bem... Ruim da parte dele.
- É, eu sei, mas já passou.
- Bom, , você está entregue! - ele riu, enquanto destravava as portas.
- Obrigada, Merrick, você foi muito útil essa noite.
- Ao seu dispor.

xx

Sábado, 01h12.

- Eu odeio essa música. - suspirou e procurou algum lugar pra sentar. A música era Cold As You, da Taylor Swift. queria saber por quais raios Taylor havia colocado essa música pra tocar logo agora. Não era o tipo de música pra se tocar numa festa dessas, não era.
- É, eu também. - Rian deu de ombros, puxando a menina até a parte da piscina. - Mas você tem os seus motivos, eu odeio só por odiar.
- Eu não tenho motivos. Foi só a música que tocou...
- Quando vocês se beijaram a primeira vez. Eu lembro, .
- Rian, eu odeio você e toda essa sua memória de elefante.
- Memória de elefante? Você já foi melhor. - ele disse e riu.
- Você é um babaca, Dawson. - os dois riram, mas logo foram interrompidos por um Garrett carrancudo.
- Nossa, que cara é essa? - ela perguntou, dando espaço para que ele se sentasse do lado dela na espreguiçadeira.
- Lá tá muito cheio. Tô sem ar e isso me deixa meio irritado.
- É... - ela disse e me voltou a atenção para as pontas do cabelo.
- Alguém quer alguma coisa? Eu vou pegar água.
- Uma coca - foi a única a responder.
O silêncio era desconfortável. Tão desconfortável que preferiria ir só de calcinha e sutiã pra escola do que ficar ali.
- Você lembra da primeira festa da Taylor? Na sétima série?
- Aham. Foi a primeira vez da minha vida que eu joguei "eu nunca". - ela riu.
- Foi a primeira vez que eu tomei um porre.
- Eu lembro. Sétima série e seu primeiro porre. A vergonha na cara não existe.
- Ah, mas foi sem querer!
- Sabe o que eu fico pensando?
- O quê?
- O que eu vou contar para meus filhos da minha adolescência. Sabe... Deve ser estranho, por exemplo, quando seu filho te perguntar quando foi seu primeiro porre e você responder "na sétima série". É muito louco.
- É só mentir.
- Mentir? Para seus filhos? Você é retardado mental, Nickelsen.
- Eu não sou! Eu só estou falando que não precisa ser exatamente a verdade. Eu posso falar que foi no terceiro ano.
- Se o John falar pro filho dele que o primeiro porre dele foi no terceiro ano, seria quase uma ofensa já que no terceiro ano ele teve quase o primeiro coma alcóolico dele.
- Imagina um filho do John e da . Imagina...
- Vamos imaginar o que tá mais perto: um filho da e do Kennedy.
- Não dou dois meses para jogar ele da janela depois de cinco noites acordando de madrugada.
- Não dou dez dias para o Kennedy afogar o menino no banho, sem querer, é claro.
Os dois riram, riram, riram e não perceberam que Rian não voltou mais com as bebidas.

xx

Sábado, 01h35.

- Eu quero saber o que a Taylor tem na cabeça! A playlist está meio depressiva. - comentou, dando de ombros.
- Eu tô gostando.
- Você é depressivo, O'Callaghan.
- Eu não! - ele riu, colocando a mão sobre o peito. - Essa música me lembra a gente. - ela suspirou. Big Apple Heartbreak – Yellowcard estava tocando.
- O nosso término, só se for. Mas é uma música boa. Eu gosto de Yellowcard.
- Eu sei. - ele riu, de novo. - Yellowcard é o tipo de banda que tem uma música pra cada situação. Eu quero que o The Maine seja assim um dia.
- Vai ser, você vai ver.
- Eu sei que um dia vai. Sabe, eu quero estar no palco e ouvir todas as pessoas de dentro do lugar gritando por mim, por nós. Quero que todos saibam cantar as músicas que eu escrevi. Quero que tudo aquilo tenha significado pra alguém, por mais pequeno que seja o significado. Eu não quero ser conhecido mundialmente, não que eu não gostaria que acontecesse, mas eu quero que as pessoas que um dia escutarem nossas músicas, se identifiquem.
- Eu entendo. E vocês vão ser conhecidos, vocês vão ver. Vocês são talentosos, John. Eu tô falando sério!
- É por isso que eu te amo, você infla meu ego.
- Você é um babacão! - ela riu. - Bom, vou pegar alguma coisa pra beber, vai ficar aqui?
- Sim! - ele sorriu. - Tô com preguiça.
- Vai querer alguma coisa?
- Uma cerveja. Só. - ela assentiu e saiu.
caminhou até o bar, tentando se equilibrar no salto.
- Eu quero uma cerveja e uma água sem gás.
- Uma cerveja? Mesmo, ? - ela riu e virou.
- Não é pra mim, Alex. É pro John.
- Quer dizer que além de namorada você é garçonete? Onde eu arrumo uma dessas?
- Alex, você tá bêbado. E se você quiser saber de verdade, não dá pra arrumar uma dessas.
Ele jogou o peso em cima do banco alto.
- Sabe , às vezes, dessa semana pra cá, eu vim pensando e sabe... Não é uma coisa que eu faço com frequência, como eu vim pensando sobre você, se sinta privilegiada... Não acho que o John te mereça. - ela arregalou os olhos. - O que eu quero dizer é que: ele te traiu e você voltou com ele. É o tipo de comportamento que você sempre repugnou. E sabe, você sempre repugnou gente hipócrita e é isso que você tá sendo. Eu sei que tem essa história toda de "o amor é maior que tudo", "as pessoas mudam" e blá blá blá, mas ... As pessoas não mudam. Elas amadurecem, mas não mudam. Ah, elas não amadurecem em semanas, . Não amadurecem.
- Alex... - ela começou, mas ele deu as costas, deixando uma totalmente confusa pra trás.
Não era como se ela fosse até John e terminasse tudo, mas tudo o que Alex falou fazia sentido. Ela já havia pensado nisso, é claro, mas quando aceitou voltar com John, foi rápido, ela não podia simplesmente falar que não.
- Merda, Gaskarth.

xx

Sábado, 02h10.

- OH, GIRLS JUST WANNA HAVE FUN! - praticamente gritou no ouvido de .
- Nossa, Halvo, dá umas aulas de canto pra essa menina, eu juro que não tá fácil.
- Se não tá fácil pra você, imagina pra mim, que sou o namorado! - ele riu.
- Olha, eu não aguento vocês! Chatos. - fez bico. - Vocês não sabem apreciar meu talento! Um dia eu vou ser famosa e vou ter vocês rastejando aos meus pés, lambendo o chão que eu piso...
- Vocês me desculpem, mas eu vou procurar a Taylor e pedir pra ela cortar a bebida dessa festa! - saiu dando risada.
- , você é boa sóbria, mas é genial bêbada.
- Depois me perguntam o por que de eu namorar você! Você ama até os meus defeitos! Você nunca me mandaria pros alcóolicos anônimos!
- , você não precisa dos alcóolicos anônimos porque você sabe que se precisasse, eu te mandaria.
- Você é um fraco, Halvorsen.
O namoro de e Halvo era o tipo de namoro que causava inveja em algumas pessoas. Eles eram, antes de tudo, melhores amigos, haviam passado os melhores momentos das vidas deles juntos! Ou pelo menos, sabiam de cada bom momento que cada um havia passado. Não que eles não brigassem, eles brigavam, sabe... Acontece nas melhores famílias, mas eles sabiam lidar com essas brigas, eles haviam aprendido a lidar com essas brigas. Eles não eram o tipo de casal que se completavam, eram o tipo de casal que eram parecidos, assim como e Kennedy, mas que se davam bem. poderia escrever um livro sobre os dois, Halvo poderia escrever uma música.

xx

Sábado, 03h00.

- ! ! - Pat passava o corpo magro entre as pessoas, tentando alcançar .
Depois de um tempo, ela parou de andar e sentou no meio fio.
- Eu tô te chamando há séculos, por que você não esperou?
- Desculpa! Não estava mais aguentando ficar lá dentro. Você sabe... Lugares lotados.
- Eu não sou muito fã também. Eu não gosto dessas pessoas grudando em mim. Estupro mental.
- Estupro mental, Patrick? - ela riu. - As pessoas mal encostam, eu só não gosto, porque como eu sou baixa, tenho que olhar pra cima pra respirar e olha... Não é fácil.
- Não é fácil pra mim também, levando que em conta que eu não sou tãããão alto assim.
- A gente tá no mesmo padrão, baixos.
- Às vezes eu olho pro céu e penso em como tudo é louco... Sabe... É louco.
- 'Cê tá meio bêbado, né?
- Nahhh. Só tomei umas cervejas. Eu tô bem, eu juro.
- Patrick, você é mais fraco que eu pra bebida, e olha que isso é muito.
- Ai, mãe. - ele riu.
- Eu tô falando sério! Quero ver se você vomitasse e todo o resto.
- Não é só porque eu bebi um pouco a mais que eu vou cair e bater a cabeça! Eu consigo ficar em pé, andar e todo o resto. Eu tô montando frases sem problema nenhum.
- Eu sei... Mas você sabe...
- Te deixa preocupada. Eu sei. Você fica bonitinha preocupada.
Ela corou. Pat não era o tipo de pessoa que dizia uma coisa dessas.
- Você tá mesmo bêbado, Kirch.
- Mas você gosta de mim mesmo bêbado, eu sei. Nem adianta negar.
- Você é imbatível, eu juro.

xx

Sábado, 09h00.

se odiava por conseguir acordar cedo num sábado. E num sábado que seus pais não estavam em casa!
Ela se mexeu na cama, mal se lembrava de como havia chegado ali. Aliás, não se lembrava. Tudo o que ela se lembrava era de discutir com Jared, chorar nos braços de um Jack bêbado, beijar o mesmo Jack bêbado e... Se trancar num quarto com um Jack bêbado. Sua respiração aumentou por alguns segundos. Ela não havia feito nada com Jack, havia? Ela não podia! Ela não podia ter tido sua primeira vez bêbada! Ela não podia ter jogado dezessete anos de espera no lixo, podia?
Ela respirou, tinha de se acalmar. Desceu as escadas e tomou uma aspirina. Tinha alguma maneira de saber se ela tinha ou não? Além de perguntando pra ele, é claro. Se esticou até a bancada e pegou o celular.
", me ajuda! Tem como eu saber se eu sou virgem? Sem ir ao médico ou perguntar para a possível pessoa? Diz que sim! Ou eu devia perguntar para ? Ela é melhor nisso, né? Desculpa se te acordei! Acho que temos que conversar hoje, tem como? Todo mundo! Girls in da house, hoje, aqui, 18h00? Xx"
- Droga, eu vou parar de beber. Eu juro. - ela trocou o peso de pé. - Começo semana que vem.

Continua...

 

Comentários da autora

EU FALEI QUE NÃO IA DEMORAR! HAHAHA, tô aqui! O que vocês acharam? (aliás, comentem porque é horrível, parece que eu tô postando pro vento) Acharam o Alex babaca? Acharam que a Monaco perdeu a virgindade com o Jack? Façam suas apostas! Sem música pro capítulo já que teve muita no capítulo em si! (aliás, pode ser Troublemaker do Olly Murs!) E ME DESCULPEM PELA FALTA DE BROCK! @itzanneribeiro.




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