Amor. Quatro letras que formam uma palavra de significado tão forte. Toda
história deve ter um final feliz, como manda o script, com muito amor.
Porém, essa palavra não consta no meu dicionário. Amar, se apaixonar, cair em
amores são coisas que outras pessoas sentem, não eu. Não é permitido. Não é
bem-quisto. Não é algo que eu tenha curiosidade em sentir. Viver minha vida, sem
nenhuma coisa positiva. Ninguém para me proteger. Ninguém para se preocupar
comigo. Ninguém para cuidar de mim. Ninguém para me amar. Viver sozinho. E assim
ser até o último suspiro de minha vida.
Viver sempre com a sensação amarga de pensar como seria se eu fosse uma pessoa
normal, com pensamentos normais, família normal, forma de ver normal. Ter um
sonho, um objetivo. Mas isso tudo para mim não passa de uma mera e
insignificante ilusão que jamais se tornará algo concreto.
Amargura, vingança, escuridão. Morte. Para os medrosos, a vida seria um inferno,
mas para mim já não é lá grande coisa.
. 21 anos. Serial Killer.
Minha família sempre foi a melhor máfia assassina que já existiu no mundo.
Temido por todos, meu pai sempre disse ser respeito isso o que os inferiores
demonstravam para nós. Mas sei que é medo. Quando se mata todos os tipos de
pessoas, existe um momento em que você consegue distinguir medo de respeito. Sem
irmãos. Meus pais sabem como é a vida que se leva um criminoso. Ter irmãos e
familiares apenas atrapalha a vida profissional. Afinal, como nós, os outros
sempre tentam pegar no ponto fraco. Criado friamente, meus pais se esforçaram o
máximo para que eu não sinta por eles nenhum tipo de amor fraternal, fazendo
assim que eu não faça alguma estupidez caso eles sejam pêgos. O que é
praticamente impossível. Ninguém nunca sequer tentou matar os chefões de uma
máfia agora já estabilizada e consideravelmente invensivel.
Eu estava indo para mais uma missão. Ou seja lá como se fala a função de "saber
quem será a próxima vítima". O lugar em que morávamos sempre fora o mais
escondido possível. Claro que havíamos várias moradias espalhadas pelo mundo,
mas sempre estávamos localizados no mesmo lugar de sempre.
- , preste atenção. - minha mãe me manda um olhar repreendedor que me faz
voltar a minha atenção ao meu avô, que não me dava um de seus melhores olhares.
- Voltando ao assunto. A família Morgan nos contratou para exterminar a família
, dona da maior empresa petrolífera do mundo.
- E porque deveríamos matar toda família? - perguntei sem interesse. Matar uma
família inteira é trabalhoso demais.
- Parece que os chefes de lá induzem os filhos a cuidarem dos negócios no
futuro, matá-los é essencial para que a empresa despenque de uma vez.
Uma decisão sensata. Nós nunca ligamos para quantias de dinheiro mas somos
milionários. Matar uma família inteira significava aumentar no mínimo uns 2 ou 3
zeros em nossa conta bancária que honestamente, já passara dos 12 zeros.
Passamos praticamente o mês inteiro organizando a trama. No final das contas,
fiquei apenas com o mais fácil, dar um jeito na filha mais nova do casal
.
Estava tudo perfeito. Tudo como havíamos planejado. O plano era para ser
executado em apenas uma hora.
Já se passaram 4 e ainda estamos aqui.
Flashback
- John! Tira daqui! - ouvimos falarem quando meu avô havia acabado de
matar os Kitamuras mais velhos.
Sinto o olhar surpreso de minha mãe. Não sabíamos que havia mais um na família.
Não fomos informados disso. Olhamos para meu pai, que terminava com o mais velho
da última geração da família atacada e fala calmamente subindo as escadas:
- Eu cuido dele.
Eu e minha mãe concordamos com a cabeça e então andamos atrás dele, onde
provavelmente estaria o resto da família, se divertindo. Uma coisa que não
gostamos, é de matar uma pessoa pelas costas ou dormindo, a não ser que seja
extremamente necessário. Apenas covardes fazem isso. Chegamos numa sala
improvisada e minha mãe parou por ali enquanto eu seguia corredor a frente, no
máximo de silêncio que eu podia.
Eu sabia o mapa daquela casa de cor e salteado. Decorar o lugar onde irá se
infiltrar é uma das coisas mais importantes a se fazer antes de atacar. A última
porta da casa, a mais protegida. A maior. O quarto da caçula dentre todos os
. Era ali o lugar em que eu cumpriria a minha missão.
Abri a porta sorrateiramente e não gostei nada do que vi ali. Uma cama vazia, um
quarto escuro e as janelas escancaradas.
Entro no quarto brutamente em seguida e a procuro por todos os lugares até ouvir
um barulho. Fecho os olhos impaciente e vou andando até a janela. O tal John
levava a menina até um carro, onde entraram rapidamente e foram embora. Dou um
soco no batente da janela e volto andando rapidamente passando por vários mortos
e uma mãe intacta sorrindo para mim. Ao ver minha expressão, o sorriso se
desfez:
- Está morta?
- Fugiu. - passo por ela e desço as escadas, onde meu avô e meu pai esperava por
nós. Ao contar o ocorrido aos dois, estes se enervaram.
Fim do Flashback
Final das contas. Eu terei de matar a garota sozinho por mim mesmo. Um castigo.
E receberei 10.000 libras a menos do que deveria pelo meu erro. Nada demais
quando o combinado seria 3 milhões.
Descobri onde ela estava e o dito cujo que acabou com nosso plano. Era o fim.
Para eles.
Segui para a casa de veraneio que haviam comprado de última hora apenas para se
refugiarem em Bora-Bora. Pelo que vi, a segurança não era tão boa quanto era o
esperado por mim. Meu único problema seria arranjar um momento em que o casal
vinte estivessem sozinhos.
Estava no local a quatro dias. Era óbvio que nenhum dos dois me reconheceriam.
Ele só havia visto meu pai e meu avô e ela nem sequer sabe a cor de nossos
cabelos. Passei ao lado dos dois incontáveis vezes, sempre observando a rotina
do casal.
O começo do fim se iniciou uma semana antes de eu começar a botar meu plano em
prática. Eu estava sentado numa mesa do shopping, tomando um café e lendo o
jornal, que anunciava o fim da empresa na área petrolífera. Até que
então ela aparece:
- Oi, se importa se eu me sentar aqui? As outras mesas estão cheias. - ela
aponta com a cabeça para as outras mesas do lugar, com uma bandeja de
café-da-manhã nas mãos.
A olho sério e concordo com a cabeça, voltando a ler o jornal. Depois de um
tempo lendo, resolvo levantar os olhos para saber como estaria a futura cadáver.
E surpreendido, a vi me encarando. Desviou o olhar corada ao perceber meu olhar
sobre ela.
- Desculpe. - a voz dela sai baixa.
Não respondo. Não desvio o olhar dela.
- É-é que-- - e então ela balança a cabeça. - Nada.
- Está com medo? - pergunto sério, abaixando um pouco o jornal e ela me olha
surpresa.
- Não. Era para eu estar?
- De fato. Sou um estranho.
Ela faz uma careta e bebe de seu suco, falando um tempo depois:
- Você não me parece perigoso.
- As aparências enganam.
- Então você não é tão frio quanto demonstra ser?
Levanto uma sobrancelha levemente surpreendido pela rapidez de pensamento que
ela obtinha. O jornal já não era mais tão importante.
- Me acha frio?
- Não acho, você demonstra ser.
Dobro o jornal ao perceber que o amassava e desvio toda minha atenção a ela.
Interessante. Ela era uma pessoa bastante interessante.
- Como posso demonstrar ser algo para uma pessoa que sequer conheço?
Pareci pegar ela em cheio, pois seus lábios se desgrudavam um do outro e então
voltavam a se juntar, ela olhava para mim procurando por uma resposta
inexistente dando em seguida uma risada sem graça:
- Você é esperto.
- Tirando conclusões novamente.
Ela então balança a cabeça confusa.
- Esquisito.
Abro um minúsculo sorriso sarcástico e volto a me encostar na cadeira,
re-abrindo meu jornal.
- O que faz aqui em Bora-Bora? - ouço a voz dela.
Movimento minha mão esquerda levemente para tirar o jornal de minha frente e
conseguir enxergar o rosto dela.
- Trabalho. Você?
Ela hesitou por um momento. Sorri internamente.
- Férias.
- Escolheu Bora-Bora para aproveitar o inverno? Interessante. - volto a olhar
para o jornal. - Está sozinha?
Sinto ela se remexer e então depois de pouco tempo depois, ou ela falar:
- Não.
Todo esse tempo para um "não"? Parece que alguém esqueceu de dar instruções para
a garota. Sem desviar a atenção dela mas ainda fingindo ler o jornal a ouço se
pronunciar:
- Você está?
- Estou. - digo prontamente.
Se remexe novamente.
- ! - ouvimos uma terceira voz. - Estive te procurando por todos os lados,
não suma mais assim!
Desvio o olhar do jornal para então ver o garoto que olhava para
nervoso.
- Desculpa, eu estava com fome, oras.
Ouço o homem suspirar e então olha para mim.
- Que é?
Não desvio o olhar dele, o que o deixou um pouco mais nervoso.
- Escuta aqui, perdeu alguma coisa na minha testa?
Dou um pequeno sorriso e então me levanto e olho para :
- Bom de conhecer. - e mando um último olhar ao tal John, que fica vermelho com
a situação.
Depois daquele dia, parecia prestar mais atenção ao redor. O lugar onde
estávamos em Bora-Bora não era tão grande e podíamos facilmente nos topar até
pelo menos três vezes ao dia, a não ser que eles decidam sair para um passeio de
escuna, o que eu deveria dizer, como uma boa vítima fugindo de seu assassino,
não ser uma boa idéia.
Meu rosto parecia estar bem marcado na memória da última . O fato de
apenas eu aparecer ao longe da vista dela, a fazia se aproximar. Quem não
gostava da idéia era seu companheiro intruso, o tal do John, me mandava olhares
desconfiados e nervosos sempre que nos encontrávamos. Para variar, isso não me
afetava, ele não era minha prioridade, por mais que minha vontade de meter uma
bala no meio da testa dele estivesse enorme. Uma coisa que sempre tenho de fazer
é focar. A hora dele vai chegar, e não tarda a acontecer.
Três dias para a execução.
Meu plano já estava pronto. Por mais que os seguranças tenham tamanho e cara o
suficiente para espantar qualquer um de perto da casa, para mim era apenas
questão de jogo de cintura. Era decisão deles quererem morrer ou não. Não gosto
de matar quem não é necessário. Mas por obra das pessoas que devem morrer,
inocentes perdem suas vidas brutalmente. Ninguém escapa das mãos dos ,
uma vez que somos incumbidos a tarefa de matá-los. Era isso o que eu acreditava.
Dois dias para a execução.
Eu estava aproveitando o final da tarde para verificar o movimento da praia onde
eles estavam localizados. Não chamar atenção é um dom que os tem na hora
da ação. Estava tudo a meu favor. No fim da tarde a praia já não estava tão
cheia, pelas minhas contas, umas poucas 5, 6 pessoas. Casais, caminhando pela
beira-mar. Estupidez. Coloquei as mãos nos bolsos de minha calça e então passei
a andar sem rumo, já que o que eu tinha de fazer, já havia feito.
Sentei em um banco de madeira, de frente para o mar, uma leve brisa refrescante
batia em meu rosto. Aquilo sim era clima para um assassinato. Chuva, tempestade,
tempo nublado, escuro e sem energia? Clichê de filmes de terror. Além de
atrapalhar o plano fazendo com que as vítimas talvez mudassem seus trajetos
originais, ainda fazia com que eu tivesse de usar roupas pesadas e tivesse uma
visão ao menos 8% pior do que se estivesse com um tempo bom. Fora que por mais
que as pessoas neguem, elas sempre ficam mais receosas e atentas ao que acontece
ao redor com o tempo ruim. E isso era sempre um ponto negativo para mim.
Não é porque sou um assassino sem coração, sem amor, sem nenhum tipo de bom
sentimento, que não irei me divertir como uma pessoa normal. Tenho companheiros
que me chamam de amigo. Amigo. Isso é algo que eles nunca me ouvirão dizer sobre
eles. E eles sequer me obrigam. Sabem de onde vem minha origem, conhecem quem me
criou.
Saímos para beber, vamos a cassinos e visitamos bordéis quando achamos que
precisamos de uma atenção do sexo oposto e lá é exatamente o lugar onde com
certeza iríamos ter a tal atenção que precisamos. Eles são como eu, mais moles,
claro. Eles sentem amor. Sentem amizade. Sentem aflição. Sentem pena.
Posso me considerar um homem de sorte. Teria mais se pudesse usufruir de toda a
beleza que Deus me concedeu. Porém, só faço uso dele quando estou numa missão.
Sou belo o suficiente para fazer qualquer pessoa se apaixonar por mim.
Conquistar era fácil. O difícil era ser conquistado.
Estava tão absorto em meus próprios pensamentos que sequer senti ela se sentando
ao meu lado. Na verdade posso até ter sentido, porém não dei a mínima.
- Não tem um dia em que eu não me pergunto do porquê de você estar sozinho num
lugar como esse. - a ouço dizer. Movimento meus lábios formando um sorriso de
canto sem desviar o olhar do horizonte.
- E porque decidiu me perguntar agora?
- Não estou perguntando. - ela responde no mesmo tom de ironia que eu havia
usado. Isso fez com que ela capturasse toda minha atenção só para ela. Era uma
garota esperta e querendo ou não, eu gostava disso.
- Não está? - a olho com o mesmo sorriso.
- Não. Estou fazendo apenas um comentário. - ela percebe meu olhar pairando
sobre ela e vira seu rosto em minha direção.
- E porque <i>você</i> está aqui? - brincar com a vítima era meu passatempo
favorito. Confundi-la, conquistá-la, iludi-la. <i>Isso</i> era divertido.
- Férias, já disse.
- Porque mente? - encarei bem no fundo de seus olhos e vi sua pupila aumentar
devido a surpresa em minha pergunta afirmativa.
- Eu não estou mentindo.
- Sim, você está. - confirmo a deixando ainda mais desconfortável. Eu estava
sereno, de fato calmo, querendo mais e mais o descontrole da parte dela. - Sua
foto está no jornal. A filha desaparecida da família , que fora
inteiramente assassinada semana passada.
E o jogo começou. estava espantada com a notícia e parecia não querer
acreditar no que eu falava.
- C-como v-você--
- Eu apenas leio o jornal. - não é certo fazer com que a vítima saiba quem é seu
assassino antes do tempo. - Você não?
Não consigo uma resposta para minha pergunta. Eu estava indiferente.
Surpreendido pela atitude dela, a vejo se acalmar rapidamente e voltar ao seu
estado normal.
- Estou fugindo. - ela diz em um determinado momento. Sorrio por dentro. -
Aquele homem que viu comigo, John, ele é filho do melhor amigo do meu pai.
Cresceu comigo. Meu pai pediu a ele que me salvasse quando atacaram nossa casa.
E essa é a prova de que não se deve conversar com estranhos. Eles nem sempre tem
a melhor das inteções como seu ouvinte.
- E acha que Bora-Bora é o melhor lugar para se esconder?
Ela levanta os ombros.
- John acha.
- John acha. - repito o que ela disse. - E John sabe até quando deverão se
esconder?
Ela me olha desconfiada.
- Não sei. - responde séria. Continuo com meu sorriso e volto a atenção para o
mar.
- Se ele foi incumbido de te proteger, o que faz aqui sozinha?
- Preciso de um ar. Não gosto dele na minha cola sempre.
- Isso não deveria se fazer quando se está fugindo. - a olho.
- Não tenho medo. Quero dizer, de morrer. - não consegui evitar uma certa
seriedade em minha afeição. Ela não tinha medo de morrer? Eu não gostava de
matar pessoas assim. Elas que merecem viver, ao meu ver. - Ele fica no meu pé e
sequer posso fazer alguma amizade ou conversar com alguém que não seja ele.
- E porque veio falar comigo?
Ela levanta os ombros.
- É o único que eu senti segurança em falar. - essa garota tem o perigo correndo
em suas veias. Ela tem muita sorte em eu ser paciente e fazer tudo de acordo com
o meu plano. - Desculpe se te atrapalhei.
- Não atrapalhou. - falo calmo a fazendo abrir um leve sorriso. - Quer jantar?
- Não, não estou com fome. - ela se levanta. - Acho melhor voltar para casa.
John deve estar louco da vida atrás de mim. Moro ali, caso queira conversar,
minha janela é a da esquerda, se estiver de frente para a casa. - ela aponta
para o local e eu concordo com a cabeça sem dizer nada. Sabia onde era o quarto
dela. Sabia exatamente onde era. - Então tchau.
- Até logo. - falo com um sorriso não tão inocente assim em meu rosto. Ela
percebe e faz com que suas bochechas se avermelhem levemente. Se vira e começa a
caminhar em direção à enorme casa. A vejo se distanciar com um pensamento na
cabeça. Hora de fazer uma visita inesperada.
Sem precisar ir para casa e me arrumar, continuei sentado no mesmo banco de
madeira até o sol se pôr. Fui até um quiosque, onde jantei um prato leve. Sempre
com olhares em minha direção, era possível sentir de longe o desejo das nativas
de Bora-Bora e suas turistas em mim. Elas que me perdoem, mas hoje um
tem compromisso. Depois de pagar a conta e comer uma folha de hortelã dada de
cortesia pelo serviço do quiosque, voltei a caminhar na praia, agora
completamente deserta. Rumei com uma única direção. A casa indicada por .
Olho no relógio e vejo o ponteiro maior na casa de número 1 e o menor na casa 6.
Uma e meia da madrugada, era bom o tal John estar dormindo.
Agilmente escalei o muro de pedra da enorme casa e sequer me cortei com os cacos
de vidro colocados propositalmente no topo do mesmo. Sem fazer o menor barulho
cheguei à sacada do quarto da , olhei para os lados e vi que os
seguranças conversavam sentados em cadeiras de frente para uma mesa, onde bebiam
cerveja e jogavam baralho. Não seria nada difícil daqui a dois dias, ou um, caso
consideremos o horário. Me viro para a porta-janela aberta com as cortinas
esvoaçando para fora e vejo dormindo serenamente em sua enorme cama
dorsel.
Me dirijo até a porta dupla do quarto e silenciosamente giro a chave
trancando-nos dentro do aposento. Vejo as duas porta-janelas do quarto e passo a
observar o local. Branco. Era a única cor vista ali. Chego mais perto da cama
onde estava e fico vendo seu peito subir e descer lentamente de acordo
com sua respiração. Ela vestia uma camisola de seda branca e seus cabelos foram
presos de qualquer maneira por um fino elástico da cor de suas madeixas. Ela
abraçava um dos travesseiros e continha uma perna coberta e uma descoberta pelo
enorme edredom de plumas de ganso.
Me aproximo ainda mais da cama acabando com qualquer espaço entre eu e o móvel.
Admito ser uma bela visão, a que eu estava tendo. Porém, em nenhum momento minha
vontade de matá-la diminuiu. Eu queria a matar por me fazer achá-la um belo ser.
A vejo se remexer e lentamente abrir os olhos em minha direção. Surpresa, se
mexe rapidamente, sentando-se na cama, agora cobrindo todo seu corpo com o
edredom, me fazendo ver apenas seu rosto e braços. Ela não gritara nem fizera
nenhum som comprometedor a mim.
- O que faz aqui? - ela sussurra espantada. Nada falo. Apenas sento na cama e
pego em seu braço, a puxando para mim. Levanto a mão livre em direção a minha
boca e com o dedo indicador, faço sinal de que era para ela ficar em silêncio.
Sem o menor esforço, ela ficara calada e se deixara puxar por mim. Analisava
cada milímetro de seu rosto apostando que ela fazia o mesmo comigo. Sinto sua
mão segurar firme em meu braço que a segurava e então com a que estava livre,
acariciou levemente meu rosto, antes de selar o espaço entre nós com um doce
beijo. Eu estava disposto a dar a ela o que o tal John não dava ou não a deixava
ter. Um pouco de satisfação antes de morrer não fazia mal à ninguém.
Quando senti nossas línguas se encontrarem a puxei para mim, acabando
definitivamente com qualquer indício de espaço entre nós. Ela estava em meu colo
e nosso beijo apenas aumentava de acordo com que nossas línguas se tocavam. Ela
agora segurava em meu pescoço e nuca e alternadamente arranhava, puxava e
apertava. Eu a levanto, a colocando de frente para mim e retiro meu sapato,
colocando meus pés em cima da cama e encostando na base da mesma. agora
aproveitava meus beijos em seu pescoço e minhas mãos em suas coxas. A camisola
subia mais e mais de acordo com que eu fazia carinho em suas pernas esculturais.
Volto a unir nossos lábios e com uma única mão, subo por dentro da camisola, não
sendo impedido em momento algum e toco em seus seios nus, a fazendo desgrudar
nossos lábios e soltar um leve gemido.
Passei alguns minutos lhe dando prazer, enquanto ela se jogava cada vez mais
contra mim, me beijando e gemendo em meu ouvido. Ao parar de tocar em seus
seios, ela retira minha camisa e minha bermuda, voltando a se sentar de frente
para mim em meu colo. Nos encaramos ofegantes. Ela passa os olhos pelo meu
peitoral e lentamente se desfaz de sua própria vestimenta. Fico intacto a
observando jogar a camisola para algum lugar não importante do quarto. Passamos
cerca de 40 segundos apenas nos encarando, até eu desencostar da cama e inverter
nossas posições, a deitando e segurando em sua perna esquerda com minha mão
direita. Uma coisa que eu admirava em mulheres eram suas pernas. Acariciá-las
era sempre o melhor a se fazer. Beijando seus lábios, eu a instigava a enlaçar
minha cintura com suas pernas. Descia os beijos por entre seu pescoço e colo,
chegando em seus seios. A levei à loucura com meu toque e senti sua calcinha de
renda úmida.
Retirei sua última peça e a minha também. A vi arregalar os olhos ao ver o
volume de meu membro e sorri maliciosamente, voltando a beijá-la. Eu dispensava
o uso da camisinha. Não era necessário. Ela morreria em questão de dias. Tempo
para engravidar não teria. Nos beijamos com os olhos abertos dessa vez,
encarando um ao outro. Sendo assim, sem mais nem menos, penetrei por completo
dentro dela, forçando nossos lábios de maneira que ela não pôde desgrudá-los
para soltar um alto gemido. Senti suas unhas encravarem em minhas costas e
rapidamente sai de dentro dela, voltando ainda mais forte.
Eu era realmente grande e ela não parecia estar acostumada com todo esse volume
dentro dela. Aos poucos a tensão de sua vagina foi se esvaindo e então eu pude
aumentar a velocidade de minhas investidas. Não demorou muito para ela
finalmente estar relaxada, aproveitando o momento comigo. Não vou negar que era
a melhor transa que eu havia tido até aquele momento. Algo nela fazia com que eu
a quisesse mais e mais.
Dançávamos sem parar e a cama parecia quebrar a qualquer momento,
tentava com todas as forças que lhe restavam, não soltar um ruído qualquer que
pudesse fazer com que John ou um dos empregados acordasse e viesse checar se
estava tudo certo. Nossas respirações estavam descompassadas e cada vez mais
queríamos que aquilo não acabasse.
Sentia os lábios dela em meu lóbulo e ela já se movimentava junto comigo. Olhava
em seu rosto e via a boca aberta e os olhos fechados, demonstrando tesão.
- ... - a ouço sussurrar em gemido. Por algum motivo desconhecido, aquilo me
fez enlouquecer. Ninguém nunca havia me dado um apelido e eu sabia que ela o
havia feito inconscientemente. Aumentava as estocadas e agora nossas respirações
faziam barulho. - --
- Mais um pouco. - digo ao sentir um pré-gozo da parte dela. Sinto-a se
contrair, tentando se segurar e aumento mais ainda minhas investidas. - Relaxa.
- foi eu dizer e ela relaxar que nós dois chegamos ao ápice - o orgasmo -
juntos. Me mantenho dentro dela até resolver sair de cima e deitar no lado vazio
da cama. Olho para o lado e a vejo encarando o teto com a boca entreaberta,
procurando por ar. Seu peito agora estava diferente de quando eu cheguei,
subindo e descendo rapidamente. Eu podia ouvir seu coração batendo acelerado.
Depois um considerável tempo, a vejo olhar para mim e mexer os lábios formando
uma palavra:
- Mais.
Sorri com todas as intenções maldosas possíveis e voltei para cima dela,
grudando nossos lábios. Ela era uma garota forte. Uma garota extraordinária. A
virei de bruços e a fiz ficar de quatro. Me inclino por cima dela e distribuo
beijos em sua nuca e costas, empurrando seus cabelos para o lado. Suas costas
lisas eram gostosa de se tocar. Sinto sua mão tocar em meu membro, me
masturbando mesmo estando de costas para mim. Não me movo apenas aproveitando o
toque. Ela fazia um bom trabalho. Ela estava sendo melhor do que as prostitutas
que eu gastava meu dinheiro nos bordéis.
Mais um pouco e eu me desfaço da mão dela, e penetrando em seguida. De acordo
com que as investidas aumentavam, eu a via agarrar os lençóis e travesseiros e
levantar o rosto. Com minha mão livre, a dirigi até sua vagina, penetrando dois
dedos meus e a fazendo soltar um leve gemido pedindo por mais. Atendi a seu
pedido no mesmo momento. Tanto com meu membro, quanto com meus dedos. Ela pedia
por mais e por velocidade. A cama chegava a fazer barulho quando eu aumentava
demais as duas coisas ao mesmo tempo, mas era uma sensação única. Tanto para mim
quanto para ela.
Gozamos juntos. Ela se deitou e me puxou para deitar encostando minha cabeça em
seu peito. Seu coração estava aceleradíssimo. Seu peito se perdia no movimento
da respiração. Ela acariciava minha cabeça enquanto eu olhava para um ponto
qualquer do quarto. Minha razão dizia para mim sair dali naquele momento. Dizia
que fora um erro eu ter feito esta visita a ela. Dizia que eu não iria conseguir
matá-la. Bobagem.
Transamos mais duas vezes até ela adormecer e eu sair pelo lugar onde entrei,
destrancando a porta antes. No caminho para o hotel onde estava, vi o sol
nascer. Ele estava belo demais para o meu gosto.
Véspera da execução.
Quando eu acordei já passavam das 4 da tarde. Me sentei na cama e baguncei ainda
mais meu cabelo, tentando me acostumar com a luminosidade vindo de fora do
quarto. Uma coisa que os hotéis bora-boranos tinham de providenciar eram
venezianas para quem gostasse de acordar tarde. Aquelas porta-janelas com apenas
uma cortina branca não era o que se podia dizer confortável pois a luminosidade
atrapalhava o sono de quem o tinha fracamente. O que não era meu caso.
Eu nunca havia dormido tanto desde que eu completara 14 anos. Já estava
acostumado a ficar até mais de 24 horas acordado por causa das missões e quando
ia dormir, eram apenas por 5, 6 horas no máximo. Mais de 10 horas de sono não
era comum. E eu sabia o porque daquilo ter acontecido. A razão tinha nome. Tinha
nome e rosto. E um sexo estrondoso.
Tomei meu segundo banho do dia e fui comer algo no restaurante do local. Me olho
no espelho do saguão de entrada do hotel. Eu estava ótimo. Na minha opinião eu
estava demais. Obviamente as mulheres do local achavam o mesmo. Com meu ego
alto, eu saio do local a pé, respirando o ar puro de Bora-Bora. Não tardou para
mim dopar com e John caminhando. Obviamente ela não me vira pois sua
atenção estava toda numa barraca de objetos feitos com conchas, porém seu
acompanhante percebera e tratara de logo tirá-la dali sem fazê-la olhar em minha
direção. Sorrio satisfeito ao pensar que em menos de um dia eu estaria vendo seu
corpo jazendo morto no chão.
Passei o dia que me restava andando pelo local, sentei para beber uma água de
coco e me surpreendi comigo mesmo ao me ver pensando na garota. Mais uma vez
minha razão tentava me direcionar para o caminho certo, como sempre fazia. Mas
desta vez. Apenas desta vez, outra parte de mim falava alto. E pela primeira vez
na minha vida, eu tive vontade de ouvir aquilo que todos chamam de coração.
Era sua última noite com os olhos abertos. Sem eu perceber, estava escondido por
entre as árvores da casa vizinha da dela. A via apoiada na sacada de seu quarto,
olhando para o céu estrelado e a lua cheia. Recebi uma ligação de meu pai
naquele dia mais cedo.
- Já fez o que deveria? - o ouvi dizer friamente, sem um "oi", sem um "como
vai?". Respondi que amanhã acabaria com tudo. - Não demore. Quero esse caso
encerrado até depois de amanhã. - não fiz nada além de concordar e em seguida
ouvir o 'click' indicando que ele havia desligado. Mas eu não estava com vontade
de obedecê-lo. Não naquela vez.
Voltei à realidade e a vi que não estava mais na sacada. Olho no relógio. 2 da
manhã. Ela provavelmente ficara me esperando, eu tinha certeza que era aquilo.
Silenciosamente fui ao lugar onde ela estava a poucos momentos e segurei na
maçaneta abrindo a porta-janela e entrando no quarto, a vendo em pé na frente da
cama, olhando para mim.
Se aproximou lentamente e o mesmo o fiz.
- Demorou. - foi apenas o que ela conseguiu dizer antes que eu lhe tomasse os
lábios com vontade. Grudamos nossos corpos até eu a soltar e olhar em direção a
porta. - Já tranquei. John está dormindo faz um tempo.
Não foi preciso dizer mais nada. Alguns 5 minutos e ela estava sentada em um
criado-mudo comigo dando investidas. Aquilo estava bom. Bom demais para acabar
assim. Logo que terminamos, segurei o rosto dela com as duas mãos.
- Foge comigo. - murmurei e tenham certeza: aquele não era eu.
A vi arregalar os olhos.
- Não posso. - ela sussurra de volta.
Nada mais digo. Me visto e saio do quarto da mesma maneira que entrei. Ela
também não veio atrás de mim. E o plano voltou a ser o que era.
Dia da execução.
Acordei exausto. E isso era raro de acontecer, principalmente quando eu não
havia feito nada além de um simples sexo. Sexo não me cansava e isso era
comprovado. Desisto da idéia de me levantar da cama para fazer algo. Naquele dia
o que eu mais queria era ficar em minha cama e não matar nenhuma
. E lá estava ela novamente. Tomando conta de meus pensamentos. Seu
aroma em mim. Seu gosto em minha boca. Seu toque em meu corpo. Eu a queria. Eu
sabia disso. Eu a queria para mim. Viva.
Sendo assim, me levantei e depois de arrumado, sai do quarto para um lugar onde
eu pudesse aliviar meus pensamentos.
Eu estava pronto. Na frente da enorme casa. Olho no relógio, dois minutos para
entrar em ação.
Olho para a sacada do quarto dela. A luz acesa, uma sombra passava de vez em
quando. Eu logo estaria lá. E dessa vez entraria pela porta.
Gritos. Não era possível se ouvir.
Eu estava sozinho portanto agir cautelosamente era extremamente necessário.
Assim que acabei com o primeiro andar, os corpos caídos no chão rodeados de
sangue, fui para o andar superior. Segui até o quarto de John. O ouvi murmurar
um "eu sabia" antes de cair no chão morto com uma bala em sua testa. Eu não sou
homem de passar vontade. Fiquei alguns minutos parado na frente de seu corpo. Um
sorriso se forma em meus lábios. Eu adorava isso.
Me viro e vou em direção ao lugar que eu mais bem conhecia da casa. Olho no
relógio. 1:45. Eu estava atrasado. Inevitavelmente e sem controle de meu corpo,
caminhei rapidamente até o quarto de , o abrindo em seguida. A luz
estava acesa e ela estava acordada, em pé ao lado de sua cama. E estava
diferente de ontem.
Ontem ela estava com o olhar cheio de satisfação, de alívio ao me ver ali. Hoje
ela estava espantada, com medo.
- Você... - ela fala fracamente. Não digo nada a não ser mirar a arma para ela.
- Não...
Um último olhar. Meu dedo no gatilho. Ativo-o.
- ... - a ouço sussurrar. Eu me desculpava com o olhar. Atiro.
Ela sentiu a bala passar por seus cabelos. Era possível ver alguns fios
esvoaçando com o efeito da bala passando por si e acertando a parede logo atrás.
Sinto seu olhar surpreso. Abaixo a arma.
- Porque... você... - ela perguntava para mim confusa. Não desvio meu olhar do
seu. Me aproximo e incrivelmente ela não se afasta. Levanto minha mão vazia e
acaricio seu rosto, a fazendo fechar os olhos e aproveitar o carinho. Ficamos
alguns minutos calados até eu murmurar:
- Você não tem escolha.
Ela abre os olhos assustada, esperando a minha explicação para aquela frase.
- Fuja comigo. - repito o que havia dito no dia anterior. Dessa vez ela não
hesitou em balançar a cabeça afirmando. Selei nossos lábios e ao separá-los,
murmurei um "entre" fazendo com que uma garota exatamente idêntica a
entrasse no quarto. A garota sabia o que fazer, veio até o lugar de e
se virou para mim. me abraçou e se pôs atrás de mim, me vendo apontar a
arma para a garota e dando um tiro certeiro bem em seu coração.
Nós dois vimos a garota cair em nossa frente sem vida. Me virei para e
ela mantinha seus olhos vidrados no corpo já em processo de esfriamento. Sem a
menor intenção de confortá-la, peguei sua mão, a puxando para fora do quarto e
correndo para o lado exterior da casa.
- Não diga nada, finja pavor, chore se precisar e não deixem te tocar. - digo
indo em direção ao carro, que estava um pouco longe da casa e jogando um
elástico a fazendo entender para prender seu cabelo. Destravei o carro com o
sensor e tirei uma mochila preta do porta-malas. Tirei uma peruca da cor oposta
as do cabelo dela e coloquei a deixando não menos fantástica. Peguei em sua mão
e voltei para o lugar do crime, onde liguei para a polícia local.
entendera exatamente o que eu estava fazendo. Colocando minha vida e a
dela fora de risco. Eu sempre fazia isso. Fingindo ser a pessoa que ouvira algo
de estranho enquanto passava pelo local. Eu seria a última pessoa a ser
desconfiada pelos policiais. Algumas horas de depoimento e nós dois estávamos
livre para irmos para onde quisermos. Policiais são cegos. Eles não analisam bem
a vítima. Se o fizesse saberia facilmente que aquela no lugar de não
era ela e sim uma garota idêntica desesperada por uma ajuda familiar.
Eram 6 da manhã quando eu e fomos dispensados da delegacia. Fomos para
o hotel onde eu estava hospedado e comemos algo antes de subirmos para o quarto.
Nenhum de nós dois se atreveu a dizer nenhuma palavra enquanto comíamos. E assim
foi o silêncio se estendendo até ela se sentar em minha cama e ficar olhando
para mim.
- O que vamos fazer agora? Eu não tenho roupa nem nada. - ela parecia bastante
calma e ciente do que estava acontecendo. Não a respondo e pego meu celular,
digitando o número de casa.
- - ouço a voz de meu pai. Ele sabia que era eu. Assim como eu
tinha certeza de que era ele. Vou até a porta-janela e olho para a paisagem:
- Está feito.
Silêncio. Eu podia sentir os lábios de meu pai se formando num largo sorriso.
Era óbvio que meu pai me amava e se preocupava comigo. Na minha idade eu já
podia saber disso. Eu já sabia pelo que nós estávamos prestes a passar a
qualquer momento e o que esperar.
- Vestígios?
- Nada.
- Ótimo. - o ouço suspirar. - Bom. Sua missão acabou. Pode voltar para
casa no final da semana. Vou te dar um tempo para descansar.
- Não quero. - minha voz saíra mais ríspida do que eu planejava.
- Mas vai. - uma coisa vocês podiam ter certeza, eu era filho de meu pai.
- , em toda sua vida agindo nesse ramo, você não teve uma folga
sequer. É preciso saber parar quando se é necessário.
Era óbvio que eu não estava ligando de sair de férias. Ainda mais agora que eu
tinha outros planos e entrar numa outra missão atrapalharia muito. Mas eu não
poderia fraquejar na frente de meu pai. Ele era esperto demais.
Nada digo. Ouço apenas um "espero te ver em três dias para lhe dizer o seu
período de folga" e em seguida um "click". Desligo meu celular e
volto para dentro do quarto onde me olhava curiosa.
- É o seguinte. - puxo uma cadeira e me sento de frente para ela. - As coisas
mudarão um pouco daqui pra frente. Você tem de fazer tudo o que eu mandar. Se
alguém descobrir que eu não te matei... você morre e eu morro junto.
A vejo engolir seco e concordar com a cabeça.
- Se você fizer algo de errado e sair fora do que combinarmos, vou ter que te
matar e como pôde ver, eu não estou muito afim de fazer isso.
- Não vou. - ela diz confiante e eu olho em seus olhos, vendo que não era
mentira e que ela realmente não estava com medo algum do que estava para vir pra
nós.
Balanço a cabeça em concordância e logo olho para o lado pensando no que fazer.
Não demora muito para eu ter todo um plano em minha cabeça. Levanto e fecho
minha mala já pronta para no caso o plano não desse certo. O que era impossível,
mas um homem prevenido vale por dois.
não se atrevera a falar nada nem me questionar sobre o que eu estava
fazendo, eu levantei minha mão afim de pegar em sua e ela apenas se levantou e
veio até mim, saindo então nós dois do quarto. Paguei rapidamente a conta e
meia-hora depois estava comprando nossas passagens para Dublin.
- Michael? . Preciso de um serviço seu. - falo sério andando de mãos
dadas com . Minha mala já havia sido despachada e estava apenas com uma
mochila de costas. Sigo para um lugar mais reservado. - Preciso de uma
identidade. Não. Para uma mulher. Cale a boca e preste atenção. Preciso dela
para amanhã no fim da tarde no máximo. Não importa quanto vai custar, apenas
faça. - uma coisa que eu odiava, era ser contrariado quando eu estava
pagando pelo serviço da pessoa. - Sim. 20 anos. A levo aí para a foto. Quem se
importa com a droga da data de nascimento? Faça o que quiser, apenas faça-a ter
20 anos. E se a fizer oriental, eu te mato.
Falo com Michael Hunger. Ele era uma pessoa que eu poderia chamar de
"companheiro". Fazia serviços para a família. Identidades falsas. Era o melhor
do mundo. Cobrava fortuna por uma simples. Porém fora indicado à morte por um
arqui-inimigo da Peru. Obviamente fomos contratados para matá-lo, mas a oferta
dele no final das contas fora melhor para nós. Ele faz tudo o que pedimos quando
quisermos. E na nossa vida, o que mais precisamos é de várias máscaras. Michael
tem a péssima mania de querer puxar nossos olhos. Se ainda não entendeu, ele ama
qualquer raça oriental.
Ouço a chamada para nosso vôo.
- Vamos. - digo a fazendo se levantar e pegar em minha mão. Seguimos até a
entrada do vôo e apresentamos nossas passagens. Sorte eu ter uma cópia
autenticada da identidade dela. Senão seria difícil manipular algum funcionário
para nos fazer entrar naquele avião.
Algumas várias horas de vôo. Eu me pegava observando-a de vez em quando. Se eu
nunca havia feito nada de errado - ao meu ver - em minha vida, esse era o
momento certo para a primeira vez. Eu estava me apaixonando, sabia disso. E esse
fato não me perturbava nem um pouco.
Nem um pouco.
Atenção passageiros, aqui quem fala é o piloto, estaremos pousando dentro de
cinco minutos, por favor, desliguem seus aparelhos eletrônicos e coloquem o
cinto de segurança. Obrigado por escolherem a Europe Airlines e uma boa
viagem.
Colocamos o cinto calmamente e esperamos a hora do pouso. escolhera o
lado da janela e passara parte do tempo olhando para o lado de fora do avião.
- No que está pensando? - pergunto baixo de modo com que apenas eu e ela
ouvíssemos. Ela me olha sem expressão.
- Nada demais.
Foi o suficiente para não lhe dirigir mais nenhuma palavra. Ela estava calada
demais. E pensativa demais. Pensar muito, em diversas ocasiões, não é o melhor a
se fazer.
Chamei um táxi assim que saímos do aeroporto e indiquei o hotel onde eu sempre
fico. 20 minutos e nós já estávamos na frente do local. Olho para .
- Não saia daqui. - murmuro saindo do carro para conversar com o gerente e pedir
que colocasse as malas em meu quarto. Ele já me conhecia e posso dizer que
gostava de mim. Qualquer gerente gostava de um hóspede que não lhe dava trabalho
e ficava muito tempo no hotel, aumentando a conta e ainda pagava sem reclamar.
- Não se preocupe, senhor Trumel, cuidarei eu mesmo para que suas malas estejam
em seu quarto em segurança. - ele fala sorrindo. Abro um pequeno sorriso
profissional e balanço a cabeça me despedindo e entrando de volta no táxi,
indicando uma rua não muito longe dali.
Assim que descemos, fui direto até o local onde eu sempre ia alugar um carro.
Dublin era uma bela cidade e andar de táxi por lá era querer levar um desfalque.
Fora que taxistas nunca são rápidos o suficiente. A atendente já me conhecia e
diria que me conhecia bem. Ela sempre fazia questão de falar comigo. Mas dessa
vez ela recuou. Talvez porque eu estivesse de mãos dadas com , que
olhava para todos os lados, apreciando o local.
- Aonde vamos? - ela finalmente demonstra algum interesse em nosso caminho.
Estávamos dentro do carro e para variar, calados.
- Te arrumar.
A vejo fazer uma careta. Sorrio.
- Se alguém que conhece sua família te vê aqui, eu estou morto e sinceramente?
Não quero que isso aconteça logo agora.
Então sua expressão ilegível se transforma num gracioso. Fui direto a um
cabelereiro que levei minha mãe uma vez. Ele deveria ser bom para custar mais de
100 euros um corte. Não estava afim de economizar com a pessoa que passaria
parte do meu tempo comigo.
- Peça um corte diferente do seu e que ele mude a cor do seu cabelo. - falo
entrando com ela. - Fala que quer estar irreconhecível.
Ela concorda com a cabeça e segue até o balcão onde era atendido. Coloco as mãos
no bolso de minha jeans e olho o lugar. Repleto de mulheres. E homossexuais.
Obviamente ambos estavam com suas atenções em mim. Eles sabiam que eu não era
gay.
Fui indicado a sentar numa confortável poltrona e me serviram de café e
biscoitos. Odeio café e biscoitos. Recusei educado. 3 horas de espera até uma
mulher parar em minha frente. Olho para cima. Abro um sorriso.
- Gostou? - ela pergunta. Seus cabelos estavam num chanel com uma franja reta. A
cor totalmente o oposto da que costumava ser. Me levanto e seguro em sua
cintura.
- Sexy.
Ela sorri.
- Então vou falar para Pietro que deu certo.
Selo meus lábios nos dela demorando um pouco ao sentir nossas línguas se
tocarem. Assim que nos separamos era possível sentir a inveja das mulheres e
gays do local em cima de . Vou até o balcão e acerto tudo o que tinha de
acertar.
Fomos então mudar a íris dela de cor e comprar algumas roupas. Demoramos um
tempo em algumas lojas e em outras fomos até rápidos demais. Eu não optava em
nenhuma roupa a não ser que ela pedisse pela minha opinião. Me mantinha apenas
calado a observando trocar de roupa. Fim da tarde, milhares de sacola.
- Estou com fome. - ela reclama. Não era para tanto. A comida do avião era uma
droga e nos esquecemos de nos alimentar no decorrer da tarde.
- Só mais um lugar e vamos jantar. - digo dirigindo e não ouço mais nada.
- ! - ouço a voz de Michael e o olho com um pequeno sorriso. - Adivinha
quem passou por aqui mais cedo? Connor! - e então o vejo desviar o olhar para
atrás de mim. - E ele fez exatamente o que você fez. - sua voz era mais
maliciosa agora. Volta o olhar para mim. - Quer dizer que
finalmente vacilou?
- Bom saber sobre o seu interesse em viver, Hunger. - falo ameaçadoramente e ele
levanta as mãos.
- Desculpe, desculpe. Só estou surpreso. Não achava que você tinha dessas,
. De qualquer maneira, não era a primeira vez que Jared Connor trazia uma
garota para criar uma identidade falsa. Aquele é realmente mais sem coração que
você. - o vimos andar atrás de uma mesa bagunçada e se sentar na frente de um
computador velho. - A cada missão que ele entra, volta com uma. Aí é aquela
história. Ele enjoa dela, acha outra e mata a antiga.
- Hunger. - o corto nervoso e ele me olha assustado. - Faça o que tem de fazer
calado.
Vejo o olhar dele ir para e entender meu nervosismo. Ele não tinha um
pingo de sensibilidade naquela cabeça enorme dele.
- Bom. Vamos tirar a foto dela. - ele fala agora sério. Finalmente. Cruzo meus
braços e o olho indo até e indicar um lugar maior, onde havia uma tela
branca e uma máquina de fotografar na frente. Um flash e em seguida ele volta
rapidamente para o computador. - Não sei porque não quis oriental. Com essa
maquiagem toda ela passaria por uma facilmente.
Nada digo. voltava lentamente receosa. Michael era um idiota.
- O nome dela. Sarah Nicole Evans. - ele falava olhando para a tela do
computador. - 20 anos, nacionalidade canadense, descendência francesa. - não
argumentava com nenhuma das informações que ele passava. Ele colocaria isso nos
arquivos do governo dos países que citava, para no caso de ter de provar que ela
era realmente Sarah Nicole Evans.
- Pais?
- A mãe é viúva e vive numa fazenda no interior de Montréal.
- Renda?
- 2.000 dólares por mês. É uma fazenda leiteira.
Concordo com a cabeça. Tiro a carteira do bolso.
- Quanto?
- 2.500. - sem reclamar faço um cheque com a quantia dita e entrego para ele,
recebendo a identidade, certidão de nascimento e alguns documentos em troca.
- Bom trabalhar com você, . Não é que nem Connor ou Louvre que reclamam
do preço. Eles não sabem o trabalho que é fazer o que eu faço.
- Boa noite, Hunger.
- A gente se vê. Tchau boneca. - ele acena para , que nada faz, apenas
se vira quando coloco a mão em sua cintura e anda para fora do prédio que
parecia estar abandonado.
- Não acredite em tudo o que ele fala. - murmuro quando entramos no carro e
íamos para o restaurante. Ela me olha. - Connor não mata as garotas que salva.
Ela fica me olhando séria.
- O que ele faz?
- As manda para a Austrália. O governador de lá é amigo íntimo do pai dele. Não
vai deixar ninguém chegar perto de uma ilha que ele comprou especialmente para
elas escondido da família.
A vejo abrir a boca.
- Elas ficam trancadas? Numa ilha?
- Você prefiria morrer ou viver com mordomia em uma ilha? - desvio o olhar
rapidamente para ela e a vejo se calar. - Ele é um idiota.
- É seu amigo?
- Não tenho amigos.
- Mas mantêm um relacionamento amigável com ele.
- Somos cúmplices, é diferente.
- Companheiros então.
Ela era realmente teimosa. Nada mais falo. Não gosto de ser argumentado e sabia
que ela não iria exitar em me contrariar.
A levei em um restaurante bom e considerado fino. Comemos calmamente.
- Onde está sua família?
A olho sério.
- Porque o interesse?
Ela levanta os ombros.
- Todo mundo tem uma família.
- Eu não acho que posso chamar de família o que eu tenho.
- E por que não?
- Quando se faz o que eu faço é preciso ficar sozinho.
Ela bebe um gole de seu vinho.
- E por que estou aqui com você?
- Porque estou de férias. - falo indiferente. Claro que essa não era a resposta
certa. Claro que eu estava louco por ela. Claro que eu a queria para mim.
Claro que eu não iria deixar ela saber disso.
Demorou cerca de mais uma hora e meia até chegarmos no hotel. Como sempre fora,
os funcionários me trataram como convidado de honra e assim . Não
gostava de suítes presidenciais, muito grandes com muito espaço para um inimigo
se esconder e armar uma emboscada. Um quarto relativamente normal era o
suficiente para mim. sequer abriu a boca quando entrou. Obviamente ela
estava acostumada com coisas melhores que aquilo, mas ela já estava agradecida
demais por estar ali viva para ver aquilo.
Logo depois que foram depositadas suas sacolas com as compras num canto
orientado por mim no local, o funcionário recebeu uma pequena gorgeta e se
dirigiu para fora do quarto fechando a porta silenciosamente. Procuro por
e a vejo de frente para a janela, observando a movimentação na rua logo
abaixo. Sigo até ela e coloco as mãos em sua cintura.
- Preciso de um banho. - ela murmura.
- A cama precisa de nós dois. - murmuro de volta recebendo uma risada.
- A cama pode esperar.
- Sim, mas eu não posso. - a viro para mim grudando nossos lábios.
- Nem minha sujeira. - ela tenta falar por entre os beijos. Me separo e então,
sem sequer esperar por alguma reação minha, ela se dirige até uma das sacolas e
pega um pijama e uma calcinha, seguindo para o banheiro.
Suspiro e corro minha mão pelos cabelos. Se ela pensa que iria ficar assim ela
estava enganada. <u>Eu</u> sou o homem na relação.
Tiro minha roupa e entro no banheiro, a fazendo se assustar e dar uma pequena
risada sem graça ao me ver indo em sua direção em baixo do chuveiro.
- O que está fazendo?
- Eu disse que não podia esperar. - falo fechando a porta de vidro do minúsculo
box. - E acho que preciso de uma ducha. - sorrio maliciosamente a fazendo
colocar suas mãos em meu peito e subir, enlaçando meu pescoço. Nada diz. Apenas
gruda seus lábios nos meus e me deixa lhe puxar pela cintura, acabando com o
espaço entre nós dois.
Ela acariciava minha nuca e massageava minha língua com a dela. Desço meus
lábios por seu pescoço e colo sentindo a água correndo pelo seu corpo. Ela
apertava seus dedos contra minhas costas de acordo com que eu passava minha
língua lentamente pela pele quente dela.
Com minha mão direita, puxo sua perna a fazendo então dar um pequeno pulo e
enlaçar suas pernas em minha cintura. Voltamos a nos beijar, ela segurava meu
rosto com as duas mãos enquanto eu ia até a parede atrás dela e a prensava. Mais
alguns minutos de carinho e resolvo penetrar, o fazendo rapidamente fazendo com
que ela desgrudasse seus lábios dos meus e soltasse um alto gemido de prazer e
surpresa.
Sexo em pé não era nada confortável. Principalmente dentro de um box minúsculo e
o chão escorregadio. Mas no final das contas o resultado era sempre o mesmo. A
satisfação era maravilhosa e ver ofegante sorrindo e acariciando meu
rosto não tinha preço.
- Ótimo. Você tirou minhas forças para me lavar.
- Daqui a pouco elas voltam. - falo ainda com ela em meu colo e me sentando num
banco de mármore dentro do box.
- Uhum. - ela encosta sua testa no vão de meu pescoço e suas mãos em meu peito.
- Vou ter de ir embora daqui a uns dois dias.
- Hm.
Ficamos calados. Algo estava errado. Pelas minhas pesquisas com mulheres normais
no mundo, ela me olharia indignada e faria um enorme barraco.
- Hm? - a imito confuso. Ela levanta o rosto para me encarar.
- O que tem?
- Você não está nem um pouco preocupada se vou voltar?
Ela dá uma pequena risada.
- Sei que vai voltar.
- E se eu não voltar?
Ela diminui seu sorriso:
- O que pretende ganhar com isso?
- Você dizendo que precisa de mim. - sou direto. Ela levanta uma sobrancelha.
- Não preciso de você.
- Então acho melhor você morrer.
- Acho que sim.
Ficamos calados. Mas que diabos de garota era aquela?
Sem mais uma palavra a ser dita, selei novamente nossos lábios. Ela sabia que eu
precisava mais dela do que ela de mim. Eu também sabia. Só não sabia o porquê.
- Quero sair. - ela murmura entediada. Estávamos na tarde do dia anterior ao que
eu teria de embarcar para voltar para casa. Estávamos nus na cama do hotel. No
final das contas, comprar tudo aquilo de roupa para ela fora um ato não-pensado
e inútil. Ela não usara sequer uma lingerie comprada.
Nada respondo e a vejo se apoiar em meu peito e se levantar um pouco para poder
me enxergar.
- Me ouviu?
- Ouvi.
- E porque não me responde?
- Porque não tenho o que responder.
Ela bufa em impaciência e se levanta, enrolada num dos lençóis da cama.
- Eu não sirvo para ficar presa num quarto de hotel.
- Pois trate de se acostumar. - falo mudando o canal da TV sem realmente prestar
atenção.
- Não quero me acostumar.
Volto meu olhar para ela.
- Você está sendo irritante.
Foi o suficiente para ela encrispar os lábios e pegar uma roupa para em seguida,
se trancar no banheiro. Vinte minutos depois a vejo arrumada procurando por um
sapato.
- Posso saber onde pensa que vai? - me sento na cama.
- Andar.
- Não é necessário se arrumar tanto para andar no quar...
- Não vou andar dentro do quarto, se é isso que está pensando. - ela não desvia
a atenção do que fazia.
- Fora dele que não irá andar também.
- Vou sim.
- .
- ! Eu não sou uma prisioneira ou o que quer que ache que eu seja!
- Eu disse que as coisas não seriam fáceis.
- Mas não disse que seria tão difícil assim. - ouço a voz magoada dela e de
alguma maneira, aquilo me afetou. Em cheio.
Ela me pegou. Pegou de jeito.
Suspiro e me levanto.
- Espera meia-hora. - falo entrando no banheiro e fechando a porta atrás de mim.
Ligo o chuveiro e entro debaixo da água. Respiro fundo. O que estava acontecendo
comigo? Porque eu fazia tudo o que ela queria? Porque eu me importava com o que
ela pensa ou acha de mim? Porque fico com raiva por saber que ela não está
sentindo isso por mim?
Quando foi que diabos eu me apaixonei por essa garota?
Vinte minutos foram o suficiente para eu terminar meu banho e seguir com a
toalha enrolada na cintura para o quarto, onde assistia a um canal
qualquer com uma cara de tédio. Olha para mim e volta a olhar para a TV. Me
troco e me arrumo.
- Vamos. - falo sério e a vejo se levantar ainda mais séria se dirigindo até a
porta calada. - Você vai ficar com essa cara?
- Vou.
Me calo. Mas que merda. Coloco as mãos no bolso e seguimos até o estacionamento.
- Onde quer ir?
- Algum lugar onde eu possa andar.
Nada mais falo. A levei até um parque que havia na cidade. Ainda não havia
escurecido então era bem agradável de se caminhar lá. Ela andava na frente
suspirando o ar de Dublin. Era impossível não deixar de ver todos aqueles homens
fazendo cooper e quebrando o pescoço para olhá-la mais uma vez. Eles não
saberiam com quem estavam se metendo caso mexessem com ela.
Para a sorte deles, sequer arriscaram mandar um "oi" para ela, já que eu estava
logo atrás. Passei o tempo em que permanecemos dessa maneira, ela na frente e eu
atrás apenas a vigiando, pensando no que eu iria fazer para mantê-la viva e
nosso segredo seguro.
Jantamos num restaurante qualquer e voltamos para o hotel. estava tão
mal-humorada que sequer olhou em minha cara até eu deitar na cama para
dormirmos. Não preciso nem dizer que não rolou sexo nenhum naquela noite. Nem no
dia seguinte.
- Você não sabe quanto tempo vai ficar sem me ver. - falo estupidamente enquanto
arrumava a gola de minha camisa. estava sentada na cama lendo um livro
que havíamos comprado no dia anterior. Não recebo nenhuma resposta. Aquilo tudo
estava uma merda. Eu deveria ser homem o suficiente de sacar a minha arma e
meter um tiro no meio da testa dela. Mas quando eu estou para fazer isso, eu
olho para o rosto dela e é aí onde minha falha acontece. - Quando é que vai
voltar a falar comigo? - murmuro derrotado.
Silêncio. Eu já nem conseguia mais me irritar com ele. Estava quase me
re-acostumando, como se não houvesse ninguém ali. Sinto dois braços me
enlaçarem, nada digo e nada faço.
- Volta logo. - ela murmura com a voz abafada pela minha camisa.
Abro um minúsculo sorriso e termino de me arrumar, a fazendo me soltar por isso.
Assim que termino, a olho e a vejo parada exatamente onde nós estávamos em
segundos. Vou até ela e deposito um beijo em sua testa.
- Seja o que for, tente não chamar muita atenção nem sair muito. - digo baixo e
a vejo assentir. - Não me ligue nem me procure, deixei um cartão de crédito para
você, chega amanhã. Procure uma casa ou algo assim, Dublin é um bom lugar para
se viver.
- Não poderíamos ficar na América? - ouço a voz perturbada dela.
- Quanto mais longe de lá, melhor.
- Não gosto daqui.
- Conversamos sobre isso depois. - selo nossos lábios num beijo que acabou
demorando mais do que o planejado. - Tchau Sarah.
- Não demora a voltar. - ela diz parada na porta assim que eu saio. Abro um
pequeno sorriso.
- Não vou. - e lhe dou as costas
Senhores passageiros com destino a Montréal, por favor, desliguem seus
aparelhos eletrônicos e se certifiquem de que sua poltrona está em sua posição
ereta. Espero que tenham tido uma boa viagem, obrigado por escolher a Arline.
Olho para fora do avião com um desânimo pesando em meu peito e uma ansiedade em
embarcar novamente para voltar ao lugar de onde acabei de sair.
Meia-hora e eu já estava dentro de um táxi pronto para ir para casa. Uma enorme
casa para apenas cinco pessoas. Cinco pessoas e os empregados. Obviamente não
tinhamos ninguém para nos gabar da imensa casa que tínhamos. Exceto pelos sócios
de meu pai.
Sequer penso em procurar por algum de meus familiares, vou direto para meu
quarto no segundo andar e deixo minha mala em qualquer canto. Era um enorme
quarto com poucas coisas. Eu tinha minha própria residência, escondida num local
bem difícil de se pensar que ali vive alguém rico. Tomo um banho rápido e ao
sair, dou de cara com Stacy, a filha de um dos empregados, na qual eu me
satisfazia quando estava carente de... Hm.. Sexo.
- Achei que fosse demorar menos. - ela sorri maliciosa em minha direção enquanto
secava meu cabelo com a toalha e vestia uma jeans. Nada respondo. - Então,
trouxe alguma lembrança para mim?
- Não. - respondo seco.
- Hm... Que pena. - ela não parecia estar nada ofendida com minha resposta.
Stacey era o tipo de mulher que não ligava em ser usada, desde que houvesse uma
segunda dose. - Fica aqui por quanto tempo?
- Não é da sua conta.
- Se não fosse, não estaria perguntando. - ela sorri se deitando em minha cama.
- Você não deveria agir assim com seu patrão.
- Você não deveria dormir com suas empregadas. - ela retruca. Agora sabem porque
durmo com ela. Sou um tipo de homem com inclinação ao sadomasoquismo. Quanto
mais a mulher judia de mim, mais gosto.
- Durmo com quem quiser.
- Não é verdade e você sabe disso. - ela se levanta e vem em minha direção. -
Você dorme com quem lhe convém a dormir.
Mulher é um ser bastante interessante. Elas fingem não nos conhecer, mas sabe
exatamente o que nós somos.
- Porque não deixa de ser tão duro consigo mesmo e faz o que quer fazer? - ela
toca em meu peitoral. - Sabe, os dias sem você aqui não são tão bons. Não tenho
pra quem me arrumar.
- Sebastian é um bom partido. - me afasto pegando uma camiseta. Ouço uma
agitação atrás de mim.
- Você não falou mesmo no Sebastian. Ele é um idiota.
- Você dorme com o idiota. - falo ironicamente enquanto tentava dar um jeito em
meu cabelo no espelho.
- Durmo porque você não está aqui para mim. - ela me abraça pelas minhas costas
e deposita um pequeno beijo. - Mas agora você está.
Dou uma pequena risada.
- Estou, mas não vou dormir com você.
Ela pareceu entender que estava falando sério e abriu a boca indignada.
- E porque não?
- Porque você não me convém. - falo abertamente indo até a porta de meu quarto e
a abrindo. - Não mais. - digo antes de fechá-la com um sorriso, a vendo furiosa.
Sigo com o mesmo sorriso até ir ao escritório do meu pai, onde acabo com o
sorriso e bato na porta, ao ouvir um "entre", abro-a adentrando e o vendo atrás
de sua mesa, como sempre.
- Fez boa viagem? - ele diz sereno.
- Fiz.
- E já pensou onde pretende ficar na sua primeira folga?
- Talvez algum lugar no mediterrâneo, não sei. - me sento numa das poltronas da
imensa sala e coloco a cabeça para trás. - Não quero férias.
- Não vou discutir sobre isso.
- Aconteceu alguma coisa. - desvio meu olhar para meu pai, que surpreso,
arregala rapidamente os olhos.
- Como?
- Aconteceu alguma coisa para o senhor do nada me mandar sair de férias. Não sou
burro, pai.
Silêncio. Ouço então uma pequena risada vindo dele.
- Não, , você não é burro. É por isso que continua vivo. - entrefecho os
olhos rapidamente e os abro novamente, ainda calado. - Sim, aconteceu algo.
- O quê?
Ele suspira e se levanta, indo até a parede de vidro atrás de sua cadeira e
observa o nosso imenso jardim sem fim.
- Aparentemente a família teve a mesma idéia que a família Morgan. -
ele começa. - Porém fomos mais hábeis e os matamos antes que eles pudessem
efetuar o pagamento dos contratados.
Suspiro impaciente.
- E o que isso tem a ver comigo?
- Tem a ver que os contratados para assassinar a família Morgan são os
Borninghan.
E tudo fora esclarecido. Os Borninghan são outra máfia de serial killers,
considerados nossos inimigos, nós apenas não abríamos uma batalha entre nós
porque o governo poderia nos descobrir e nos sentenciar à uma pena perpétua.
Porém era óbvio que sempre que podiam e podíamos, nós e os Bornighan matávamos
uns aos outros. Isso quando tínhamos a sorte de sermos contratados para
trabalharmos juntos. Obviamente havia essa possibilidade de um trabalho em
grupo, porém não somos pessoas pacifistas e quanto mais rápido o outro se
extinguir, melhor.
Sabemos de tudo sobre o clã Bornighan, assim como eles sabem de tudo sobre nós.
A única coisa que ambos os clãs não sabem, é que Jennifer Bornighan era uma
ótima companheira de cama e que eu definitivamente era o melhor objeto de
diversão dela.
- E quem anunciou guerra? - pergunto não muito interessado.
- Eles foram os desfalcados. De qualquer maneira, sabemos que estamos em
vantagem, isto é apenas uma precaução.
- E porque não me quer por perto?
- Porque sei vai querer matar mais do que deve.
- O que falando em Bornighan é uma boa coisa.
Meu pai nada responde.
- Os Bornighan estão em acordo com os Neggel, da Alemanha. - ele diz cansado. -
E os Strudel deixaram claro que não tem interesse nessa briga. Porém os Connor
estão começando a se sentir tentados a ir para o lado deles. Sabe como são, os
melhores estrategistas e Bornighan estão oferecendo a ilha de Galápagos como
agradecimento.
- Os Connor não vão nos trair.
- Como tem certeza?
- Jared.
Meu pai se silencia. Sabia que eu, Jared e Connan Louvre éramos bons
companheiros. E sabia que nosso pacto era forte.
- Estamos nos precavendo, filho. - ele repete. - Não estamos mais jovens como
antigamente e os Bornighan tem a vantagem de terem mais filhos do que nós.
- Não ligo para quantidade. - falo sério.
- . Apenas faça o que mando. - ele diz autoritário e minha impulsividade
em desobedecê-lo falou mais alto, então a imagem de aparece em minha
cabeça. Ela estava me esperando em Dublin. - Vou pedir para que mantenha contato
com Louvre e Connor. É importante mantê-los conosco. Perkins já prometeu
fidelidade e estou para acabar com a raça de Sulivan caso ele vacile mais uma
vez.
Continuo calado.
- Tente não aparecer muito. Não duvido que Bornighan perca a oportunidade de
matá-lo ao vê-lo despreparado e sozinho.
- Até parece que não me conhece.
- Não estamos mais de brincadeira, . Isso está valendo nossas vidas.
- E desde quando o que fazemos já não vale nossas vidas?
- Desde que quem matamos não sabe nossos truques e desavenças. - foi o
suficiente para me calar. - Terá no mínimo três meses, é o tempo em que eles
estarão demorando para arquitetar um plano contra nós. Caso veja algum deles,
não hesite em matar.
Concordo com a cabeça.
- Manterei contato com você para informar o que acontece. Me avise caso aconteça
algo de estranho. - ele diz voltando a se sentar na cadeira. - Está dispensado.
Me levanto e sem mais nenhuma palavra, saio do escritório. No meio do caminho
para meu quarto, encontro com minha mãe.
- Para onde vai?
- Não sei.
- Sugiro que vá para Grécia ou Indonésia. Evite a América Latina e a Europa
Ocidental principalmente Itália e Inglaterra. São as sedes principais deles.
- Sei disso. - digo rispidamente. Ela concorda com a cabeça. - Vou pegar algumas
roupas e ir para casa.
- Nos vemos em breve.
Nada respondo. Já estávamos acostumados a nos tratarmos friamente. Subo as
escadas e ao entrar em meu quarto, vejo Stacey sentada em minha cama com uma
camisa minha. A ignoro e pego minha mala aberta, e indo em direção ao meu
armário, onde pego algumas roupas que ali estavam.
- Quem é a vadia? - a ouço falar. Sem resposta. - !
- Não é da sua conta. - falo rapidamente.
- Então existe uma vadia... - ela diz nervosa e fecho meus olhos, mas que merda
de pressão. - Vamos, me fala, . Quem é ela? Onde ela está?
- Não fale como se eu fosse seu.
- Você é me...
- Não sou de ninguém. - a corto rispidamente e a vejo ficar furiosa, se
levantando e vindo até mim, pegando em meu braço e me virando, encarando em meus
olhos.
- Você já se esqueceu, não é? Você é meu, sempre foi e sempre vai ser. Tenho
certeza de que se lembra de quando tínhamos 13 anos, quando...
- Cala a boca.
Vejo sua fúria se transformar em ironia.
- Sabia que não iria se esquecer. Você me prometeu naquela noite...
Flashback
- Me prometa. - ela dizia abraçada em meu corpo magro. Olhávamos para o céu
estrelado, limpo e negro. A lua cheia iluminando mais do que as luzes fracas que
existiam ali. Estávamos deitados na grama, nus, em cima de uma toalha qualquer.
- Me prometa que mesmo eu não sendo rica, que vamos ficar juntos para sempre.
Olho para ela. Meu coração ainda batendo rápido pela ação que acabávamos de ter.
Era nossa primeira vez. E por mais que não tenha sido especial, para nós naquele
momento estava sendo.
- Eu prometo. - falo sério sentindo logo em seguida os lábios carnudos dela
grudados nos meus.
Fim do Flashback
- Nós tínhamos apenas 13 anos. - falo pouco interessado e voltando a arrumar
minha mala. Com toda a certeza aquele assunto mexia comigo. Sou um homem de
promessa cumprida. Por isso jamais prometo nada a ninguém. E por mais que aquilo
não tenha tido importância para mim e continua não fazendo, o fato de eu haver
dito que prometia me perturbava profundamente.
- Mas você prometeu. E promessa é dívida, . - ela agora parecia mais
carinhosa. - Sabe que te amo.
- Não diga besteira.
- Não estou. - ela diz rapidamente. Segura novamente em meu braço. - ...
- Escuta. - a corto antes de ter de ouvir mais baboseiras melosas. A olho sério.
- Aquilo é passado. Éramos crianças e não sabíamos o significado da palavra
promessa.
- Eu sabia. Você sabia. Você sabe que sabia.
- Não, eu não sabia. Stacey, somos de mundos diferentes. Eu não amo você e nunca
vou amar.
- Não é verdade.
- Pense o que quiser, pouco me importo. - falo fechando minha mala e indo em
direção a porta.
- Achei que..
- Pois achou errado. - a corto. - Caia na real. Sugiro que comece levar
Sebastian a sério pois ele é o único que irá te amar. - e fecho a porta do
quarto sem remorso algum.
Vou para o primeiro andar e encontro com meus avós me esperando.
- Então, espero que aproveite suas férias. - minha avó sorri, o que não é
retribuído por mim. Nada que ela não estivesse acostumada.
- Não se esqueça de conversar com Connor e Louvre. - meu avô diz sério. Concordo
com a cabeça e saio de casa, indo em direção ao carro que me levaria até o
aeroporto.
- ! Quanto tempo! - Connan abria a porta de seu apartamento para mim.
Entro e abro um pequeno sorriso, recebendo um forte abraço. - Como anda?
- Bem. Você?
- Ótimo. Acabei de voltar de um trabalho. - ele ia até o bar enquanto eu me
sentava no sofá. - Foi uma merda cara, na China. Sabe como acho as chinesas
horríveis. Elas e aquela forma de falar, eu odeio o mandarim.
Nada digo, apenas o observo servir dois copos com whisky e gelo e vir até mim
entregando um dos copos.
- Preciso urgente ver novos rostos, se é que me entende. - diz malicioso e eu
abro um pequeno sorriso. - Mas me fala, você não veio aqui pra me ouvir falar
sobre minha missão.
- Não.
- Então?
Respiro fundo e bebo um gole do whisky.
- Você já deve estar a par dos acontecimentos entre nós e os Bornighan. - fui eu
tocar no assunto que o sorriso de Cannon se fecha numa expressão séria.
- Sei. Fica tranqüilo. Estamos do seu lado. Já tive um papo com meus pais e eles
se mostraram bem certos de que nossa aliança está bem selada.
Concordo com a cabeça.
- Connor parece estar afrouxando. - digo rapidamente e ele arregala os olhos.
- Como?
- Parece que Victor está mesmo querendo nos extinguir. - dou outro gole na
bebida. Victor era o irmão de Jenniffer. Ele era pior do que eu em questão de
assassinado e frieza. Era capaz de matar alguém de sua própria clã se estivesse
perturbado. - Ofereceu Galápagos a Jared.
- Galápagos? - Cannon se engasga. Concordo com a cabeça. - Mas que porra é essa?
Eles brigaram por anos por essa ilha e agora que os Bornighan conseguem, eles
oferecem de mãos abanando para os Connor?
- Parece que sim.
- Filhos da puta. Connor não vai aceitar.
- Como tem certeza?
- Encontrei com ele semana passada. Parecia estar puto com aquela garota
Bornighan que se envolveu na nossa última missão juntos. Falou algo em matá-la.
- Preciso ter certeza de que ele não vai vacilar.
O vejo concordar com a cabeça.
- Ouvi dizer que vai tirar umas férias. - as notícias corriam rápido. - Para
onde vai?
Fico calado.
- Bom, parece que de alguma maneira, isso está virando moda. Meu pai está
receoso com Victor, sabe como é, ele não se garante com o novo líderzinho. Não
vejo a hora de eu pegar o cargo dele. - ele termina com o whisky de seu copo em
um gole. - Me deu férias também.
- Para onde vai?
- Estava pensando Dubai, mas então me lembrei que Victor tem contato. Não quero
servir de isca para ninguém, muito menos alvo fácil. Tenho uma vida pela frente.
- ele sorri se encostando no sofá.
- Connor está com uma garota nova.
- Ele sempre está. Mas... - então ele cruza as mãos e apoia os cotovelos nos
joelhos. - me fala. Michael Hunger andou falando por aí que você vacilou.
Minha seriedade passou do limite. Michael Hunger era um homem morto.
- Sem problemas com isso, cara, sabe que eu e Jared fazemos isso toda hora. -
ele percebe meu rancor pelo assunto e resolve se redimir. - Onde está a garota?
- Dublin. - não havia motivo para esconder uma vez que ele já sabe.
- Dublin? Você está louco? Lá é uma das sedes...
- Eu sei. - digo rapidamente. - Michael vive em Dublin, precisava da identidade.
Ele concorda com a cabeça e dá uma risada.
- A garota deve ser um partidão. - ele me olha divertido. - Para fazer
broxar, deve ser mesmo um grande pecado.
Nada falo.
- E aí? Se importa de eu passar as férias com vocês? - ele diz se levantando e
pegando meu copo e levando para o bar.
- Não.
- Ótimo. Quando vai?
- Depois que falar com Jared.
- Não vai demorar muito, ele anda por aqui esses dias, consertando umas cagadas
que fez, acho que deixou a atual dele na Espanha. Não dou uma semana para ele
despachá-la pra Austrália.
Nada falo. Seria bom manter os dois por perto. Assim como eu e Victor, eles eram
os sucessores dos clãs deles, junto comigo eu poderia saber se eles iriam ou não
mudar de lado.
- Está em Miami. - ouço a voz de Cannon em meu lado. - Na casa de veraneio dos
Connor. Parece que ele decidiu ficar dois dias a mais por lá. Quer apostar
quanto que encontrou com Penélope?
Abro um pequeno sorriso malicioso. Penélope era uma prostituta. De elite. Que
raramente oferecia serviço a alguém que tivesse menos que 11 dígitos na conta
bancária. Apesar de ser milionário, Jared ainda não havia ultrapassado dos 10
dígitos. Ela era uma mulher fascinante e sabia trabalhar bem. Um serviço
completo.
- Ela é apaixonada por ele, aquela mulher. - Cannon limpava os óculos de sol com
um pano. - Por isso sempre aceita trabalhar pra ele.
Nós não falávamos palavras rudes quando nos relacionávamos às mulheres que nos
entretíamos.
- Ele deveria saber gastar mais o dinheiro dele.
- Ele não gasta com outra coisa a não ser sua vida sexual. - Cannon sorri
malicioso. - Ele sempre foi assim.
- Sei disso.
Sabíamos muito bem. Jared foi o primeiro de nós a deixar de ser virgem. Com 9
anos, ele transara com uma garota no banheiro de nosso colégio. Obviamente era
uma do ensino médio. Vamos dizer que eu, Cannon e Jared não aparentávamos ter a
idade que tínhamos e nossa beleza e maturidade era bem além dos garotos de nossa
idade.
Mais algumas horas e finalmente descíamos na frente da imensa casa de veraneio
dos Connor. Pegamos nossas mochilas e seguimos para a porta da frente. Nós
havíamos passe livre para circular ali quando bem quiséssemos. Essa era uma das
vantagens em sermos bons companheiros. Cannon abre a porta e a primeira visão
que temos era de várias mulheres nuas andando pela casa.
- Ora, ora, ora... - ele murmura com um sorriso se formando nos lábios. Continuo
sério. - Vamos ser francos, Jared é um filha da puta mas sabe como agradar os
companheiros.
Nada falo. Fecho a porta atrás de mim e olho para os lados, onde mulheres com
seus corpos esbeltos encaravam a mim e meu físico.
- Onde está Jared? - pergunto para uma delas e esta aponta para a piscina, e
pegando em meu braço carinhosamente. - Agora não. - murmuro me soltando dela e
indo até onde ela indicara.
Cena não agradável.
- Jared, pare de fazer o que faz e vamos até seu escritório. - digo
rispidamente, tirando atenção dele e das duas garotas que o acompanhavam dentro
da hidromassagem.
- ! Não sabia que havia chego de Bora-Bora! - ele sorri animado.
Obviamente não parara o que fazia. - Dois minutos, estou chegando ao ápice, vai
indo, vai indo.
Era nojento. E típico de Jared. Sem falar mais nada, sigo até o segundo andar,
onde não estava muito diferente. Mulheres para todos os lados, de todas as cores
e tamanhos.
- . - ouço uma voz sensual atrás de mim. Sorrio. - Quanto
tempo...
Me viro para a dona da voz. Seus cabelos vermelhos ainda brilhantes, sua pinta
acima do lábio superior, seus olhos verdes profundos e seu corpo esbelto. Ela
continuava a mesma, senão um pouco mais bronzeada que a última vez que a vi.
- Penélope. - respondo parado com a mochila nos ombros.
- Achei que se esquecera de mim. - ela diz fingindo mágoa. Era alguns anos mais
velha comigo, o que era ainda melhor pois os anos de experiência eram bem
melhores do que as iniciantes.
- Sabe que não.
- Hm... então, que tal trazermos algumas memórias à tona? - ela sorri
galanteadora, pegando em meu braço. - Parece que andou malhando.
Abro um pequeno sorriso.
- Vamos, não vou cobrar nada de você. É o meu favorito. - e pisca sorrindo.
- Desculpe, mas preciso conversar com Connor.
- Connor pode esperar.
- Sei que sim. Eu é quem não posso.
Isso não pareceu abatê-la.
- Pois bem... Sou paciente. - ela diz entrando num quarto. - Sabe onde me
encontrar. - E pisca mais uma vez.
Sem mais perda de tempo, vou em direção ao escritório de Jared. A seriedade
volta em meu rosto e em minha mente. O que ela deveria estar fazendo
agora? Definitivamente qualquer coisa, menos se encontrando com outro homem. O
que não posso dizer o mesmo de mim. Não perderia Penélope por nada.
- Então! - Jared entra na sala, fechando a porta atrás de si logo em seguida.
Usava uma boxer e tinha uma toalha apoiada em seus ombros. O olho sério. -
Imagino que tenha vindo aqui para falarmos sobre a nossa aliança.
- Você não é burro, Connor. - digo sério. - Então... Galápagos?
Ele dá uma risada e se senta na cadeira atrás da mesa.
- É uma boa recompensa não acha?
- É, é sim. - concordo com ele sincero. Galápagos era uma das melhores ilhas e
uma das únicas ainda não tão habitada pelos homens e usada pelo governo.
Ficamos calados.
- Bom, parece que você está desconfiando de mim. - ele diz divertido.
- Ainda não.
- Certo.
Mais silêncio e ele vai diminuindo gradativamente seu falso sorriso do rosto.
- Vou ser sincero com você. - ele agora se senta ereto na cadeira e apoia ambas
as mãos na mesa, se aproximando mais. - Quero essa ilha. A Austrália está
começando a ficar superlotada.
- O que acha da Geórgia e Cuba? - falo sério e ele levanta uma sobrancelha.
- Você adora a Geórgia.
- E você também.
Ele abre um pequeno sorriso aponta para mim.
- Isso é que é companheiro! Me satisfaço com Geórgia apenas. - ele diz mais
animado. A ilha de Geórgia era a menos vigiada pelo governo e com o fato de nós
sermos trilhonários, ajudava com o assunto de vigilância. Vários casos
eram abafados caso acontecesse algo por lá. - Mas quero que continue com o
acordo com o governo.
- Feito.
O sorriso se expande no rosto de Jared.
- Então. - ele puxa o assunto. - Hunger me contou. - ele solta uma risada. Uma
coisa que Jared não tinha, era medo. Não havia receio nenhum de me ver sacar uma
arma e meter uma bala na testa dele. Ele não tinha medo nenhum de morrer, talvez
fosse por isso que eu não me incomodava com a presença dele. Se ele morresse, eu
não me importaria pois ele não estaria se importando. O problema é que o assunto
que ele estava para tocar era delicado demais para comigo. - Quero ver a garota.
- Vai ver. - falo sério.
- Você me entendeu. - ele diz malicioso. Paro de mexer no porta-papel de sua
mesa e vejo o olhar significativo que me mandava.
- Isso é com ela. - falo tentando parecer pouco interessado. Ele solta uma
gargalhada.
- Você nunca fora muito egoísta. - ele diz divertido. - Gosto disso. O que é
seu, é nosso.
- Nem tudo, Jared, nem tudo.
- Não ache que vou deixá-la passar, . Cannon comentou comigo antes de eu
subir que iria com você irá Dublin.
- Vamos passar as férias juntos.
- Então estão de planos para férias e nem ao menos me chamaram? Que tipo de
companheiros são vocês?
- Não é como se eu quisesse isso, Connor.
- Sei que não. Você é um bastardo filho da puta. - ele diz sorrindo. - Vou com
vocês.
- Faça o que quiser.
- Mas vou passar primeiro na Espanha.
Me levanto indicando que o assunto havia acabado.
- Vai passar o dia aqui? - ele pergunta assim que abro a porta.
- Vou. - respondo antes de fechá-la e indo em direção à porta onde Penélope
havia entrado. A vejo encarando a vista, havia outras mulheres no quarto, mas
nenhuma delas era de meu interesse. Ela não era tão mais velha, apenas dois ou
três anos mais velha. Mas seu sexo era definitivamente de alguém que praticara o
"esporte" a vida inteira.
A vejo desviar sua atenção da vista para mim e abrir um leve sorriso sedutor,
saindo da sacada e entrando no quarto, fechando a porta-janela logo atrás e as
cortinas. Olha para as outras garotas.
- Só você. - falo sério.
Ela sorri bate palma duas vezes, fazendo com que todas as garotas se levantassem
e passassem por mim com um certo desânimo por não participar do que aconteceria
a seguir. Tranco a porta. Eu odiava ser interrompido.
- Vai dormir aqui? - ela deixa seu robe cair no chão, mostrando seu corpo nu.
- Não. - respondo retirando minha própria camiseta.
- Então quer dizer que vai ter de ser rápido?
- Como sempre fora. - termino o diálogo selando nossos lábios.
- Quanto tempo seus papais deram de férias? - Jared já não estava a par do
perigo que estava correndo. Não que eu fosse o perigo. Cannon era. Ele levava as
brincadeiras extremamente a sério.
- Ou você cala essa sua boca, ou eu calo ela pra você e acredite, não será da
mesma maneira que suas garotas fazem.
Abro um pequeno sorriso. Era um tanto quanto divertido observar a evolução da
conversa dos dois.
- Então. Para onde vamos? - Jared diz um tempo depois, quando sentávamos em seu
jato particular. - Mandei levarem Jaqueline para Dublin.
- Jaqueline? - Cannon ri. - Você já não havia pego uma Jaqueline?
- Já peguei várias Jaquelines, Louvre.
- Vamos direto para Dublin. - eu não estava afim de presenciar Jared dizendo o
nome de cada mulher que havia pego até agora. Dos 9 anos para cá foram milhares
de mulheres, ainda me surpreendo em ver que existe alguma mulher no mundo que
Jared não havia traçado, popularmente falando. Ele não tinha preconceito. E
quando eu digo que não tinha, era porque não tinha mesmo. Desde
menininhas de 8 anos até travecos. Jared não perdia uma oportunidade. Por isso
ele também estava na indústria pornográfica. Óbvio que apenas eu e Cannon
sabíamos disso.
- Vamos ver se essa sortuda que enlaçou vale mesmo a pena. - Jared sorri
animado. - Espero que ela seja boa de sexo. Qual a idade dela?
O olhos sério demonstrando não estar nem um pouco a fim de falar sobre .
O interesse dele nela parecia ter crescido ainda mais e isso não era nada
confortável.
- Hunger disse que é uma mulher e tanto. - Cannon não me ajudava nem um pouco
dizendo isso. Ouço a gargalhada de Jared.
- Vou saber disso depois.
Vez de Cannon gargalhar.
- Não acredito que nem a de irá deixar passar.
- Ele já deixou claro que não dá a mínima.
Sinto o olhar dos dois em mim e finjo não ter ouvido e prestar atenção no jornal
que lia. Eu realmente dou a mínima, eles apenas não precisavam saber disso.
Três horas e meia depois estávamos num carro indo em direção ao hotel onde eu
deixara há três dias atrás. Minha saudade era intensa e a vontade de
té-la era maior ainda, porém o fato de Jared e Cannon estarem ali atrapalhava e
bastante os meus planos. Jared ligava para alguém, provavelmente para fazer com
que a tal Jaqueline fosse levada até onde estávamos. Cannon aproveitava para
observar bem as mulheres que passeavam na rua.
Chegamos no hotel e fomos bem recebidos pelos empregados.
- Então. Que tal chamar a garota? - Jared dá a dica ansioso.
- Vamos reservar nosso quarto antes, Connor. - Cannon diz o puxando pela gola. -
Terá muito tempo para testar a garota de .
Reviro os olhos e sigo até o elevador.
- Nos vemos no jantar.
- Filho da puta, vai amolecer a carne para mim. - Jared diz rindo e eu nada
digo. Se eu não fosse tão interessado no que ele oferecia com relação ao nosso
trabalho, eu já teria o matado faz tempo. Entro no elevador em silêncio e é
dessa maneira que saio.
Sem controlar meus passos, eles rapidamente me levavam até o quarto onde ela
estava, pareciam pés desesperados para entrarem em descanso. Ao abrir a porta,
não a vejo ali.
Ela não estava ali.
Nem suas malas.
Não havia nada além de uma cama arrumada e nenhum vestígio de alguém ter se
hospedado ali.
- Merda. - murmuro correndo e esquecendo da existência do elevador, pegando as
escadas. 3 minutos e eu estava no balcão da recepção. Jared e Cannon me olham
sérios e curiosos. - Onde está a senhorita que estava hospedada no quarto 707?
- Ela fechou a conta faz dois dias, senhor.
Então meus pêlos se eriçaram e a raiva tomou conta de mim.
- Ela, por acaso, recebeu uma carta de um banco? - falo com meus dentes
trincados.
- Um minuto, senhor. - o funcionário diz, voltando para o computador e digitando
algumas letras. - Sim senhor, ela recebeu a carta.
Fecho os olhos. Eu iria matá-la.
- Obrigado. - murmuro com dificuldade e sigo para o hall do hotel com os dois
atrás de mim.
- Ela fugiu? - Cannon pergunta pasmo.
- É o que parece. - falo furioso.
- É uma garota digna de viver. Corajosa. - Jared ri divertido.
Arrebato meu celular de meu bolso e ligo para o banco onde criara a conta para
ela. Algumas palavras e sabia exatamente onde ela estava.
- Aonde vão? - perguntei assim que os vi atrás de mim.
- Você acha mesmo que eu vou perder ver você vacilar em matar a menina? Nem
ferrando. - Jared diz sorrindo com Cannon.
- Não brinque comigo, Louvre. - falo nervoso e ele levanta as mãos, recebendo
minhas costas enquanto chamava por um táxi.
Pelo histórico do uso do cartão, ela havia feito algumas compras em supermercado
e se hospedado num pequeno hotel num lado esquecido de Dublin. Ela brincara com
a pessoa errada. E não sabia com quem havia se metido.
Vinte minutos e eu descia feito um furacão do táxi, fazendo com que um dos dois
que me acompanhavam pagasse. Entrei no local, que parecia bem caseiro e uma moça
bem idosa veio me atender.
- Em que posso ajudá-lo, meu querido? - ela sorri amigável e mando um olhar
gélido.
- Procuro por Sarah Evans. - minha voz estava travada. A mulher não parecia
saber diferenciar o tom das palavras e continuou com a expressão carinhosa e a
voz compreensível.
- Sarah Evans?
- Ela veio se hospedar aqui faz 2 dias. - digo rapidamente, enquanto ela
procurava algo num armário de arquivos. Mas que diabos de lugar era esse que
sequer havia um computador?
- Ah sim, a pequena garota simpática. - ela sorri para mim. - Sim, sim. Ela está
no quarto 402, o senhor pode...
- Apenas me diga onde se localiza esse quarto. - falo rudemente. A velhinha
pareceu finalmente perceber meu nervosismo e, com medo apontou para um lado onde
havia uma porta que dava para um local aberto, cheio de portas laranjas.
Me dirijo rapidamente para o tal. Haviam vários carros, o que significava não
ser um lugar tão isolado quanto pensava que era. Jared e Cannon corriam atrás de
mim pois eu andava o mais rápido possível, saco minha arma de dentro da calça e
a ativo, colocando-a de volta ao ver uma família sair de um dos quartos. 399,
400, 401.
Bato fortemente na porta com o número 402 estampado enormemente. Ouço passos
dentro do aposento. Olho para o lado e vejo um casal me olhar assustado.
- Acho melhor saírem daqui. - murmuro grosseiramente, os fazendo andar mais
rápido para longe de mim. Jared mais uma vez ri e Cannon apenas observava
divertido. Ouço a porta ser destrancada e agilmente empurro a porta que estava
para ser aberta e saco a minha arma.
Dou de cara com uma assustada, os olhos arregalados olhando para mim.
- ...
- POR QUE É QUE VOCÊ SAIU DA MERDA DO HOTEL? - grito grudando a arma na testa
dela, que se assustava cada vez mais comigo. Olha para os dois atrás de mim.
Estava impaciente, com minha mão livre, pego em seu queixo rudemente e a viro
para mim - ME RESPONDE!
- E-eu... - ela tentava dizer, mas não conseguia.
- ANDA! - a arma estava tão apertada contra a pele dela, que eu sabia que quando
retirasse ela dali, formaria uma marca. A vejo tentar se acalmar e abrir a boca,
mas eu estava nervoso demais. Lhe acertei o rosto com a arma e em seguida a vi
sangrar na região dos lábios. - Você tem um minuto. - falo quase tremendo em
fúria.
Ouço a voz de Cannon murmurar algo como "desperdício".
- Cale a boca. - digo ríspidamente para ele, que nada mais fala. - Dez... -
começo a contar para , que fecha os olhos. - POR QUE VOCÊ NÃO FALA?
Ela nada diz. Parecia que ela queria que eu atirasse. Estava apenas esperando eu
apertar o gatilho e eu estava quase lá. Surpreso pela arma não ter sido
disparada pois com meu nervoso, metade do gatilho já estava sendo pressionado.
- Você quer morrer? - pergunto mais baixo. Ela abre os olhos.
- Sabe que eu não me importo.
Aperto meus lábios. Eu odiava isso nela. Odiava saber que ela não era dependente
de mim assim como eu estava sendo dependente dela.
- Me responde. - falo mantendo minha sanidade.
- Um homem veio procurar por mim. No hotel. - ela fala olhando para o chão. -
E-eu não sabia quem ele era. E... E ele mostrou minha foto pra camareira.
Abaixo a arma. Do que diabos ela estava falando?
- E-eu não sabia o que fazer! Nunca havia visto ele na vida e... A primeira
coisa que pensei foi sair de lá. Você me disse para não te ligar, eu fiquei com
medo de deixar uma carta e o homem ler e vir até mim. - ela estava prestes a
desatar em choro.
Agora eu estava puto.
- Como ele era?
- Alto, moreno... barba feita...
- Victor. - ouço a voz de Jared. Eu sabia disso.
- Merda. - murmuro socando a parede ao meu lado.
- Eu disse que você era louco de vir para Dublin. - Cannon murmura.
- Cala a boca. - falo olhando para , que ainda estava jogada no chão com
sangue pingando de seus lábios, provavelmente o corte era interno, fora apenas
havia um pequeno corte, mas o sangue era em grande quantidade. - Ligue para
Hunger. - falo sério e vejo Jared sacar o celular do bolso. Pego no braço de
e com um puxão apenas, a levanto, levando-a para o banheiro. Fecho a
porta atrás de mim.
A coloco sentada na pia e procuro por algo para estancar o sangue que não
parava. Acho uma pequena maleta branca com uma cruz vermelha estampada nela.
Abro e encontro um rolo de gaze e alguns remédios a mais. Umedeço um pedaço da
gaze e seguro agora delicado em seu queixo. Podia ver a vermelhidão no lugar
onde eu havia pego, devia estar dolorido.
- Desculpe. - falo baixo enquanto meus olhos estavam em seu machucado. - Eu
estava fora de mim.
A vejo então segurar em meu rosto com as duas mãos, me fazendo olhar para ela.
Um sorriso se força em seus lábios machucados e ela os sela com os meus, me
fazendo sentir o doce gosto de seu sangue. Quando resolvo aprofundar o beijo,
ela treme, se soltando de mim.
- Arde. - ela murmura encostando no machucado.
- Desculpe. - repito voltando a gaze no local com o corte.
- Ele não atende. - Jared murmura assim que saímos do banheiro. O olho sério.
- Vamos até lá.
- Vai matá-lo?
- Se ele estiver vivo, sim, vou matá-lo. - falo calmo.
- Vão indo na frente, preciso passar no hotel para pegar Jackeline. - Jared diz
enquanto andávamos até a frente do local. Eu com as malas de em mãos e
Cannon me ajudando. - A propósito. - ele pára na frente de . - Muito
prazer, Jared Connor.
Ela balança a cabeça em cumprimento.
- Teremos uma chance melhor de nos conhecermos. - ele diz malicioso e a sinto
apertar minha mão.
- Jared. - falo sério e ele me olha divertido.
- Nos vemos em uma hora no aeroporto. - ele apenas diz e entra num dos táxis
disponíveis.
- Vou direto para o aeroporto. Me dê a mala dela. - Cannon fala colocando as que
ele carregava dentro de outro táxi. - Vê se judia bem do Hunger, estou para
meter uma bala naquela cabeça enorme dele desde a última vez que passei por lá.
Tenho certeza que ele falou sobre Catherine para Boswell.
Nada digo e apenas passo as malas que carregava para ele. Em seguida acerto a
conta de na pensão e pegamos o carro que havia alugado.
- Você disse que não tinha amigos. - ela diz um tempo depois serena.
- Não tenho.
- Aqueles dois são seus amigos.
Nada respondo.
- Quem é Catherine? - e de repente resolve fazer todas as perguntas que
haviam em sua cabeça.
- Era uma você para mim.
- E o que eu sou para você? - ela pergunta um tempo depois. A olho sério.
- Nada. - desconverso.
Vinte minutos e fazíamos o mesmo caminho que havíamos feito alguns dias antes.
em minha cola sempre olhando receosa para os lados.
- Não demonstre que está sendo perseguida. - murmuro calmo e ela tenta em vão
parecer calma.
Ao chegar na porta do local onde Hunger morava, vejo a porta entreaberta. Retiro
a arma que se localizava grudada em minha cintura e a ativo novamente, agora com
a real intenção de usá-la. ao ver, se mantêm atrás de mim, sempre
olhando para cima e atrás.
Silenciosamente adentramos no local, que estava escuro e assim que chegamos à
sala onde estivemos da última vez, um rastro de sangue se espalhava pelo chão.
segura um grito, colocando as duas mãos na boca e eu rapidamente vou
até o dono de todo aquele mar de sangue.
Michael estava morto.
Os olhos vidrados e a boca aberta, o corpo estirado ao chão e um rombo em sua
testa. Sem dúvida aquilo era serviço de Victor. Um tiro certeiro, só podia ser
ele.
Olho ao redor e procuro pelos arquivos onde estavam a identidade falsa de
, ao encontrar a pasta, um desespero passara pelo meu corpo. Vazio.
Revisto mais uma vez o local. Não achara sequer a cópia de sua identidade.
Estava ferrado. Victor sabia de Sarah Evans, apenas não sabia de
. Meu conforto durou por apenas alguns milésimos de segundo quando
finalmente realizei de que o computador de Hunger não estava ali.
- Merda. - murmuro lívido de raiva. Olho para que ainda olhava
horrorizada para Michael. - Vamos. - pego em sua mão e a puxo, correndo para
fora dali. Deixei o carro alugado na empresa, apenas pagando mais do que devia e
saindo o mais rápido que podia dali. - Jared. Aeroporto agora. - falo sério
dentro do táxi, que por minha ordem e três notas de 100 euros, corria o mais
rápido que podia. - Ele é carta fora do baralho. - falo rapidamente e o senti
hesitar e desligar logo em seguida.
- Para onde vamos? - me pergunta enquanto corríamos até o setor de
embarque.
- Não sei. - murmuro encontrando Cannon.
- Onde? - ele fala. Provavelmente Jared já havia o ligado.
Olho para o painel de vôos a procura de uma luz para algum lugar no mundo em que
Victor não poderia nos achar. Pelo menos não até nós planejarmos algo contra
ele.
- Indonésia. - falo ao ver o nome do local aparecer na tabela. Era o melhor
lugar para se esconder e metade das milhares de ilhas eram todas minhas. Seria
fácil ir para uma das ilhas da Papua Ocidental, onde havia pessoas para me
receber. - Cadê Jared?
- Ligando para o piloto. - Cannon sai do celular. Espera Connor estar conosco
para perguntar. - O que Bornighan descobriu?
- Ele provavelmente tem a lista de todos que nós pedimos para Hunger tirar do
nosso caminho. - explico correndo com do meu lado e a tal Jacqueline
com Jared, nos dirigíamos para onde o jato dele estava estacionado. Era óbvio
que não iríamos pegar o avião público. Demoraria cerca de duas horas a mais para
chegarmos no local. - Pegou o computador.
- Filho da puta. - Connor fala nervoso. - , preciso...
- Eu sei. - o corto. Ele precisava tirar aquelas garotas da Austrália naquele
mesmo momento. - Vou ligar para o embaixador da Geórgia.
Ele sorri agradecido.
- Depois de falar com o da Indonésia. - termino pegando meu celular.
Eu estava cansado. sabia disso. Se mantivera calada durante toda a viagem
enquanto eu falava sem parar no telefone com o mundo inteiro. Obviamente
comunicara meu pai sobre Hunger e não comentei sobre . Ele concordara
com minha ação e dissera que entraria em reunião imediata com os aliados. Uma
guerra estava para começar e eu estava dando graças a Deus que estaria longe
dela. Pelo menos por um tempo.
A cama de minha casa estava excepcionalmente macia naquele momento. Eu não fazia
a menor idéia de onde os outros estavam, só sabia que estava se
despindo em minha frente e que a porta estava trancada.
- Sentiu minha falta? - ela pergunta engatinhando até mim, me dando leves beijos
em meu rosto e pescoço.
- Não tanto quanto você sentiu a minha.
- Dormiu com alguém lá?
- Dormi.
Ela pára o que fazia e me olha séria.
- Não somos um casal de namorados. - falo sério.
- Vou me lembrar disso. - ela diz voltando a me beijar. Suspiro impaciente. Mas
que merda.
Aos poucos vou relaxando e sentindo o prazer ir aflorando de acordo com que ela
distribuía seus beijos em mim. Me despe rapidamente e me abocanha, me fazendo
abrir um sorriso e fechar os olhos, aproveitando a massagem.
- Vamos lá... - falo sensualmente. - Você sabe fazer melhor. - olho para baixo e
a vejo então abrir um pequeno sorriso malicioso, enquanto massageava minha base
e acariciava o resto. Aos poucos aumenta a velocidade. - Bem assim..
Não hesitei em gozar dentro de sua boca e ela não pensou em sequer parar com o
trabalho. Estava excedendo as expectativas. Me sento e então a puxo para mim,
grudando nossos lábios e sentindo o meu gosto em nossas bocas. Fico por cima
dela e minha pressa era enorme. Paro de beijá-la e passo a observá-la com um
sorriso. Ela cora ao ver que não desgrudava os olhos de seu corpo. Toco em seus
seios, os massageando. Ela então fecha os olhos e separa os lábios que até agora
estavam grudados e solta um profundo suspiro.
Eu senti falta daquilo. Daquele corpo. Daquele perfume.
Lentamente desci passando meus lábios e minha língua por cada parte de seu
corpo, a deixando completamente dopada de tesão. Eu já estava ereto novamente e
não esperei ela perceber que eu iria encaixar, penetrei rapidamente e a beijei
para que não soltasse um gemido tão alto quanto seria de verdade. Investia
fortemente e sentia suas unhas quase arrancar a pele de minhas costas.
Ela gemia alto e eu junto. Aquilo estava ótimo. Parecia não acabar nunca e eu
gostava daquilo. Cada vez mais e mais forte, ela gritava por mais e sendo assim
mais eu lhe dava. Não sei como a cama não desmontara com toda aquela
brutalidade. Chegávamos a pular. Quem estivesse ouvindo era capaz de sentir o
orgasmo surgindo em nós. Suas pernas enlaçavam minha cintura e me puxava para si
cada vez mais forte.
- ... - ela finalmente geme, indicando estar chegando em seu ponto máximo.
Aumento mais a velocidade, a fazendo quase berrar em prazer e finalmente gozamos
juntos, me fazendo cair em cima dela, nossos corações acelerados e nossa
respiração descompassada.
Sinto sua mão acariciando minha cabeça e seus lábios em minha testa.
- Eu senti sua falta. - ela admite depois que não ouvíamos mais nosso ar
entrando e saindo por nossas bocas e eu já estava deitado ao lado dela,
encarando o teto. Viro a cabeça para olhá-la e vejo-a me encarando com os olhos
brilhantes. Sua mão sobe até meu rosto, acariciando-o.
- Pois saiba... - sussurro, a puxando para mim. - Que eu também senti a sua. -
falo quase inaudivelmente vendo um sorriso brotar em seus lábios e em seguida me
beijar com um sentimento que há um tempo atrás eu achava que nunca sentiria.
Amor.
- Aquele maldito desgraçado. - Jared falava assim que eu apareci na cozinha para
levar algo para eu e comermos. Não havia empregados na casa para nos
servir, apenas uma faxineira que ia quatro vezes por semana.
- O que aconteceu?
- Bornighan mandou um presente para as garotas de Jared na Austrália. - Cannon
diz sério. Olho para Jared que berrava no celular no lado de fora da casa.
- Sobreviventes?
- Ninguém.
Voltamos ao silêncio e ele apenas é extinto quando Jared entra na cozinha
vermelho.
- Ele está correndo atrás de todas as pessoas que deixamos vivas e matando
todas. - ele fala tentando manter a calma. - De alguma maneira parece que aquele
Hunger filho da puta mantinha um arquivo secreto escondido de nós sobre quem nos
contratava e Bornighan está os matando e espalhando no mundo que é a serviço de
nós.
Mantenho minha expressão séria, diferente de Cannon, que se levanta abruptamente.
- Nossos pais...
- Eles sabem. - Jared o corta. - Disse para eliminarmos qualquer objeto
eletrônico pessoal. Vamos ter de nos comunicar por lugares públicos e nos manter
aqui. Neggel está com um novo satélite de rastreamento e parece que vai estrear
ainda essa semana para nos localizar. Somos o alvo principal de Victor. Sulivan
finalmente deu as caras para a verdade.
- Eles já eram. - falo sério. - Vamos extingui-los, não há com o que se
preocupar com relação a eles.
- De qualquer maneira, Bornighan está com a vantagem, parece que ele encontrou
um novo clã no Japão e Rússia. Os caras são feras em infiltrações. Já ativamos
todos os nossos recursos, mas parece que a nossa tecnologia não é boa o
suficiente para eles.
- O que vão fazer? - Cannon olha para mim.
- Vamos esperar eles atacarem. - falo calmo. - Eles terão de fazer uma hora.
Apenas digam para reforçarem as medidas de segurança, Bornighan parece estar a
dez passos em nossa frente. Vou fazer uma ligação. - saio rapidamente da cozinha
e vou em direção ao jardim.
Não havia perigo nenhum em passear livremente por aquela ilha onde estávamos. A
vigilância era 24 horas e o governo estava de olho no que quer que acontecesse.
Disco um número rapidamente e ouço o telefone chamar.
- Achei que não ia me ligar, .
- Era o que eu planejava, mas parece que seu primo resolveu atrapalhar um pouco
minha vida, Bornighan. - falo ainda mais malicioso do que ela.
- Onde está?
- Estarei aí em um dia, como da última vez. Espero que me receba bem e sem
surpresas desagradáveis.
- Sabe que não sou de agir pelas costas, . Gosto de fazer as pessoas
saberem que estão morrendo. - abro um pequeno sorriso.
- Então até amanhã. - falo rapidamente e desligo. Eu não havia medo de ir para a
toca dos lobos, o meu medo é eles virem até mim com comigo. Meu medo.
Jamais achei que sentiria isso. Volto rapidamente para a cozinha e preparo uma
bandeja. - Vou para Lisboa amanhã, volto no dia seguinte.
- Não acredito que vai atrás dela. - Cannon abre a boca, Jared apenas me olha
sério. - Não acho que ela irá trair Victor.
- Darei meu jeito. - murmuro.
- É bom você fazer com que pelo menos essas duas sobrevivam, . Não tenho
esperança sobre as outras. - Jared falava rancoroso. Ele estava se referindo a
Jacqueline e . - Sei que a novata é importante pra você. Só saiba que
agora que somos o alvo principal, não é uma boa elas aparecerem em nossa
companhia. Victor não é burro e é formado em medicina, lembra? Nem a melhor
plástica conseguiria enganá-lo.
Nada falo e apenas subo as escadas, indo em direção ao meu quarto, onde
ainda dormia serena. Coloco a bandeja em cima de uma poltrona e me sento na
cama, acariciando a pele de seu rosto macia. Ele ainda estava inchado e o corte
vermelho, mas mesmo assim não deixava de mostrar o charme dela.
Encosto em seus lábios a acordando e fazendo-a retribuir meu beijo.
- Bom dia. - ela murmura sonolenta e manhosa, sorrio e a beijo mais uma vez,
antes de me levantar e arrumar uma pequena mala. - Onde vai?
- Preciso arrumar um problema em Lisboa. - falo rapidamente.
- Mas acabamos de chegar.
- Connor e Louvre ficarão com você. - falo a confortando, o que a fez se
acalmar.
- Quando vai?
- Hoje a noite.
- E volta?
- No dia seguinte.
Nada mais fala. Termino de arrumar a pequena mala a fazendo ser literalmente
pequena, para que eu não tenha escolha a não ser voltar para cá ao ver que não
haviam mais roupas para mim. Sempre que me encontrava com Jenniffer Burnighan eu
sempre ficava <i>além do esperado</i>. Mas dessa vez eu havia uma motivação para
voltar. Olho para trás e vejo sentada na cama com o lençol cobrindo seu
corpo nu até abaixo do colo, ela segurando-o com uma mão e a outra arrumando o
cabelo levemente bagunçado. Uma bela visão. Me pega a observando e dá uma
pequena risada sem graça. Sorrio e largo minha mala onde estava e vou até ela em
nossa cama, ficando por cima e a fazendo deitar novamente. Suas mão se dirigem
até meu rosto e o acaricia levemente, inclino-o de modo que possa beijar a palma
de sua mão e volto a olhá-la. Ela mantinha um olhar sereno confortante.
- O que farei nesses dois dias sem você?
- Pode fazer várias coisas, aqui é seguro, tem Louvre e Connor e a garota do
Louvre para te fazer companhia. E seja o que for, não aceite nenhuma bebida que
seja verde ou azul de Jared.
Ouço uma gargalhada delicada.
- Ele vai tentar me envenenar?
Sorrio.
- Vai fazer você cair de quatro por ele.
O sorriso dela diminui.
- Hm.
Toco em seus lábios e ela aprofunda nosso beijo fazendo com que eu não
agüentasse mais e deixasse meu peso cair lentamente em cima dela, o que não a
pareceu aborrecer, pois me puxava para mais junto.
- Parem de transar que eu estou entrando, a não ser que queiram que eu filme
isso e coloque em meu website. - ouvimos a voz no momento irritante de Jared
alta. - Hm. não perde mesmo tempo. - e dá uma risada. cora e se
cobre ainda mais com o lençol. - Não se preocupe mon'ange, vi mais corpos nus
femininos do que você, tenho certeza. - e ri mais uma vez. - , pare de
achar que está de férias e venha para a sala. Precisamos bater um papo quanto a
Geórgia agora que não tenho mais o porquê de usá-la. - ele parecia mais
carrancudo. - Estou esperando. - e sai do quarto fechando a porta em seguida.
Suspiro cansado. Eu odiava isso em Jared. Ele era inoportuno. Sempre fora. Saio
de cima de , que me olha desanimada.
- Vá tomar um banho. - pego a bandeja intacta. - Quer comer algo?
Ela nega com a cabeça. Me viro então indo até a porta e saindo, indo para o
primeiro andar da casa.
- O que aconteceu? - falo sério deixando a bandeja na mesa de centro. Jared e
Cannon estavam sentados sérios.
- Victor invadiu o sistema de vigilância dos Perkins. - Cannon diz e minha
expressão se transforma numa carranca.
Os Perkins era um daqueles clãs que tinham de optar pelos lados. Não tinham voz
nenhuma em qualquer decisão e tudo o que mandávamos eles fazerem, eles faziam.
Era um bando de baderneiros que gostavam de matar. Só estavam ali para ver
sangue. Algum tipo controlado de psicopatismo. Porém, o sistema de vigilância
deles sempre fora o melhor. Melhor até que os dos Bornighan. Ter o sistema
invadido por eles significava que o inimigo estava realmente forte e que
precisavam começar a agir com isso.
- É bom você conseguir algo com a Jenniffer. Ela é uma das poucas esperanças que
temos.
Me mantenho calado. As coisas não estavam muito boas para o nosso lado. E não
via alguma razão delas melhorarem no momento. Ouvimos passos e olhamos para a
escada, onde Jacqueline e desciam conversando. Nos olham curiosas.
- Eu acho que preciso trazer alguma garota para cá. Pareço um lobo solitário. -
Cannon ri se levantando. - Vou ver se Summer ainda está viva e trazê-la para cá.
Uma coisa que podíamos ter certeza era que Cannon não suportava "sobrar". Não se
importava se eu ou Jared estávamos sozinhos, nós mesmos não nos importávamos,
mas a idéia de nós termos com quem transar a noite e ele ficar apenas
bebericando vinho em frente a uma lareira não era bem confortante para ele.
Summer era uma das milhares de garotas que ele salvara apenas para transar, mas
que acabara deixando se levar por ela. Ele era diferente de Jared. Apesar de
Jared ser um canalha em pessoa, ele ainda tinha compaixão no coração. Mantinha
as suas vítimas salvas vivas. Cannon era um pouco diferente. Digamos que Summer
e Catherine foram as duas únicas garotas que Cannon deixou vivas.
- É melhor correr, meu amigo. - Jared diz sorrindo. Sinto o olhar surpreso de
. Era a primeira vez que ela ouvia um de nós nos relacionando ao outro
como amigo. Fecho os olhos impaciente. Com certeza ela viria com afirmações
depois de que eu realmente os tinha. Eu os tinha. Apenas não gosto que pessoas
sem ser nós três saibamos disso.
- Bom. - Cannon suspira. - Vou arrumar uma pequena mala. Ela deve estar na
Rússia. Vou pegar uma carona no vôo de e descer no aeroporto já que essa
merda de ilha não tem um.
- Cale a boca. - falo sério. A merda de ilha era minha.
Louvre da uma risada.
- Então seremos apenas eu e as damas nos próximos dois dias? - não era possível
não perceber a animação de Jared ao dizer isso. O olho sério. - Será divertido.
Jacqueline dá uma risada e apenas abre um pequeno sorriso.
- Vamos almoçar. - falo me levantando rapidamente e indo até , colocando
a mão em sua cintura e a levando em direção a porta. - Tranque a porta ao
dormir.
- Não acho que uma porta trancada irá impedir de Jared fazer o que quer. - ela
responde baixo evitando os dois que estavam atrás de nós ouvir. Ouvíamos Jared
gritar para Cannon sobre nós sairmos para almoçar e passos rápidos nas escadas.
A olho sériamente nervoso. Ela não estava ligando de transar com Jared?
- ...
- Não somos um casal de namorados. - ela repete o que eu havia dito na noite
anterior. Bastante justo. Porém algo nessa frase perturbou algo dentro de mim.
Eu estaria fazendo a mesma coisa que ela, só que com Jenniffer, nossa inimiga.
Qual o maldito problema dela transar com meu companheiro?
Nada mais digo. Entramos no carro e em silêncio passamos a viagem inteira até o
pequeno vilarejo que havia na ilha.
Nós não precisávamos pagar nada. Eu gostava daquela ilha e curtia passar meu
tempo sozinho relaxando longe de tudo. Fora que a ilha não constava no mapa e
informação sobre ele apenas eu tinha, nem minha família a obtivera, por isso era
a mais segura com relação aos Bornighan. Eu pagava com minha grana todos os
suprimentos, não haviam mais de 1.000 pessoas na ilha e todos eram meus
empregados.
- Boa tarde, senhor . - uma senhora diz carinhosa. Eles eram todos
agradecidos, sem sombra de dúvidas, suas vidas melhoraram desde que passaram a
receber alimentos e suprimentos gratuitos todo mês. Balanço a cabeça em
cumprimento.
- Muito receptivos esses nativos. - Cannon diz com a mãos no bolso olhando para
o lado onde todos desviavam suas atenções para nós e faziam um tipo de
reverência. Conversando com o chefe do local, descobri que eles estudavam sobre
a educação asiática, onde era preciso reverenciar o seu superior.
Nos sentamos numa mesa de madeira, algo rústico. Não demoramos a sermos servidos
com uma quente comida caseira.
- Eles não têm salada? - ouço Jacqueline falar. Ótimo. Estamos com uma garota
fresca. Porque Jared gostava das complicadas?
Jared e sua mania de sempre tratar suas garotas como rainhas, pergunta à nativa,
que rapidamente corre até a cozinha, trazendo um prato de saladas verdes e
alguns outros acompanhamentos a parte.
- Cannon, vou te pedir uma lista para trazer para nós. - Jared diz com um
sorriso.
Olho para que comia lentamente e calada. Ela parecia observar bem o
lugar.
- O que foi? - pergunto baixo enquanto os dois discutiam sobre Cannon ser um
burro de carga e Jared seu mestre. Ela desvia seu olhar surpreso para mim.
- Hm, nada. É um lugar bonito.
Nada digo. Havia uma certa hesitação pairando no ar.
- Pergunte. - digo sério e ela volta o olhar para mim.
- Você já deixou alguma se salvar assim com eu?
Fico calado. Era uma pergunta proposital. Ela estava me testando, eu sabia
disso. Dou uma pequena risada debochada e bebo um gole de minha bebida.
- Não, você é a primeira.
- Isso significa que posso não ser a última.
- Exatamente.
Ela concorda com a cabeça, sua expressão demonstrando descaradamente o
desconforto e volta a comer. Toco em seus cabelos, brincando com eles um pouco.
- ... - ela gemia avisando estar quase no orgasmo e estoco rapidamente
gemendo junto com ela. Mais um pouco e caia em cima de seu pequeno corpo
ofegante.
Assim que chegamos do restaurante, Cannon fora para seu quarto reservar um vôo e
providenciar um novo aparelho de celular para nós três. Jared fora dar uma volta
com Jacqueline, pois ela queria caminhar um pouco e eu e fomos transar,
já que eu estaria indo viajar por dois dias em algumas horas. Já era a terceira
vez e o cansaço parecia estar longe de chegar.
Ouvia o coração dela bater descompassado e seu peito subir e descer rapidamente.
Estávamos suados.
- Não quero que vá. - ela diz.
- Não quero ir. - admito. Acabei de perceber que depois de sexo fico bem mais
sensível e acabado dizendo tudo aquilo que não quero dizer e tudo aquilo que
queremos - eu e ela - ouvir. Sinto seus finos braços me enlaçarem e nos apertar
contra o outro. Eu era o protegido dessa vez. Deposita um beijo no topo de minha
cabeça.
- Mais... - ela sussurra em meu ouvido me fazendo sorrir e voltar à posição que
estava à minutos atrás.
- Senhor . Estamos em Lisboa. - ouço a voz forçada da aeromoça. Ela não
era bem uma aeromoça, era apenas uma das amantes do pai de Jared. Concordo com a
cabeça e murmuro um 'obrigado' me levantando e pegando minha mala.
Desço no aeroporto de Lisboa e pego um táxi, indo direto para o mesmo hotel que
sempre me hospedara desde a primeira vez que chegara à cidade a fim de matar
Jenniffer Bornighan. Essa era a cidade favorita da caçula principal da família
inimiga. Ela sempre trabalhava como isca, não era de menos, uma mulher
indispensável. Logo que a vi, sabia que iríamos ser mais do que inimigos. E da
mesma maneira que eu não a matei quando tive minha oportunidade, ela não me
matou quando teve a oportunidade dela. Estávamos quites.
O hotel que ficava não era muito luxuoso. Apenas um hotel três estrelas
qualquer. Um pequeno quarto e uma vontade de voltar à Indonésia e passar o resto
da madrugada fazendo o que fiz a tarde inteira com .
Deito em minha cama suspirando e encarando o teto. Recebera alguns telefonemas
de meu pai durante minha vinda a Lisboa. Ele definitivamente não sabia sobre
Jenniffer. Me informara sobre a situação da vigilâcia. Os primeiros a serem
atacados ele duvidava que seriam os Yuckman. Yuckman eram nossos aliados desde a
geração de meu tataravô. Impossível desfazer a aliança. Eles eram ótimos
estrategistas e matá-los primeiro seria um grande começo. Sem estratégia o plano
não evoluia. De qualquer maneira, eles se separaram pelo mundo e para matar todo
o clã, Bornighan teria muito trabalho.
Fecho os olhos adormecendo. Não sonhara. Eu ainda estou para ver um dia que
sonharei. Nunca em nenhum momento de minha vida me vi sonhando. Serial killers
evitava sonhar. Caso acontecesse, as pessoas que matamos voltariam neles para
nos atormentar, seria um distúrbio mental terrível, assim como aconteceu com
minha tia Virgínia, que está hospitalizada numa casa para loucos.
- Vim ver a senhorita Orben. - digo na recepção de um enorme apartamento.
- Da parte de quem? - o homem dizia seco. Levanto uma sobrancelha. Então ele era
um amante? Mas que decadência, Jenniffer.
- Ela espera por mim, saberá que sou eu. - digo superior. O homem então me olha
furioso e pega o interfone, o colocando no ouvido. Era um apartamento luxuoso,
cheio de mulheres viúvas que se diziam solteiras e terem nascidos ricas. Olhavam
para mim desejosas, apenas mantinha as mãos no bolso de minha jeans, jogando a
blaser levemente para o lado.
- Décimo quinto andar...
- Eu sei. Obrigado. - digo lhe dando as costas e sendo o único naquele lugar
desejando me ver morto, não nu em sua cama.
Pego o elevador com cerca de seis mulheres. Sorrio malicioso para todas elas,
que sorriem de volta. Era óbvio que elas entraram no elevador propositalmente já
que o único botão apertado era a do andar que eu pararia. Assim que o elevador
apita indicando ter chego, me esquivo das seis e murmuro um "senhoritas" as
fazendo sorrir ainda mais. Com um aceno de cabeça, saio, indo até a porta número
152. Toco a campainha e demoro a ser atendido. Ela fazia de propósito porque
sabia que eu odiava demora. Cerca de cinco minutos depois, ouço a porta ser
destrancada e aberta, dando lugar a uma mulher que batia em meu ombro e possuia
um corpo cheio de curvas.
- . - ela diz em sua voz aveludada e me abre espaço, me fazendo
adentrar ao local. Nada mudara. Sinto suas mãos passando em meu abdômem. Uma
pequena risada. - Você não perde a forma mesmo.
- Faço o possível. - murmuro divertido. Viro para ela. - E você colocou mais
silicone.
- Hm. - ela levanta uma sobrancelha. - Eu sei que está falso demais para parecer
algo normal.
- Nada em você parece normal. - digo mais perto a fazendo re-abrir seu sorriso.
- Sentiu minha falta? - ela encosta seus lábios nos meus.
- Não.
- Sei que não. - ela diz irônica. Apenas porque ela sentia minha falta, achava
que eu também sentia dela. - Então, vamos pular a parte chata e ir logo para a
divertida. - enlaça uma perna em minha cintura, dando um pequeno impulso e
pulando em mim, grudando nossos lábios.
- Acho melhor considerarmos a parte chata. - A solto de mim e a devolvo ao chão
firme. - Você merece um pouco de sofridão.
- E posso saber o motivo? - ela parecia nervosa.
- Aquele recepcionista lá em baixo me pareceu bem perturbado em lhe ver receber
um homem.
Gargalhada.
- Ele é apenas uma diversão. Tive alguns problemas com certas residências aqui e
tinha de ter cúmplices.
Nada me respondo e me dirijo até um sofá, me sentando.
- Não irá me servir nada? - pergunto divertido. Ela me manda um sorriso
malicioso.
- Eu já servi. - ela se aproxima perigosamente.
- Me entendeu.
Dá uma risada e segue até o bar, colocando algo para bebermos.
- Então quer dizer que meu irmãozinho resolveu sair da toca e fazer algo que
preste.
- Se matar todo mundo que ver pela frente significa fazer algo que preste para
você, sim, ele resolveu fazer isso.
- Você parece bem nervoso com isso.
- Obviamente.
- E qual o motivo para vir até aqui me ver?
- Não é pelo sexo. - sorri vitorioso ao ver o sorriso dela se desmanchar.
- Imaginei isso. - ela praticamente joga o copo com a bebida para mim. Dou uma
pequena risada deboche. - Anda. Fala.
- Você sabe o que quero. Até agora me manti paciente com seu irmão. O deixei
matar todas as garotas de Connor e invadir o sistema de segurança dos Perkins.
Mas agora ele quer matar os Yuckman e isso já é demais.
- Eu não tenho controle sobre meu irmão. - ela se senta numa poltrona séria. -
Sabe que não trabalho com ele.
- Vai ter uma hora em que ele precisará de sua ajuda. - falo sério.
- Assim como você está precisando agora. - ela sorri divertida.
- Não preciso de sua ajuda. - falo rude. - Você é apenas uma opção. Se
precisasse, garanto que não estaria sendo paciente e não estaria lhe dando a
oportunidade de escolher se quer me apoiar ou não.
Ela fica séria ao ouvir minha resposta. Sabia que me queria aos seus pés, mas
teria de fazer muito mais para isso.
- O que ganho com isso?
- O que quer?
- Você.
Dou uma risada.
- Não seja ridícula.
- Não seja tolo.
Desde a última vez que nós nos encontramos, Jenniffer havia admitido sentir algo
por mim. Nossa situação era algo como Romeu e Julieta, porém eu não era nada
igual a Romeu. Eu não morreria por ela e não abriria uma guerra por essa mulher.
- Se você não for meu, nada feito.
- Eu não sou um objeto.
- Ah, é. - ela sorri maliciosa.
Fico calado. Eu sabia que era. O objeto dela. Assim como ela era minha.
- Que tal Madagascar?
- Você não é tão burro assim, .
- Você sabe que não sou de perder, Bornighan. Se quer ver seu irmão vivo e quer
ver a si própria viva, é bom aceitar.
- Não tenho medo do que você diz trazer, . Que venha com tudo. Garanto
que não serei alvo fácil.
- Sei disso. Mas garanto que será um alvo morto.
Digamos que a tensão ali estava a ponto de explodir como uma bomba. Ela mantinha
seu falso sorriso estampado no rosto enquanto eu não hesitava em mostrar minha
seriedade perante a situação. Um suspiro.
- Quero a Ilha Proibida da América Central.
- Disse Madagascar, não a ilha proibida. - essa era uma ilha onde jamais
colocarão a mão a não ser eu. Era minha ilha, onde eu depositava todo o meu
valor. Havia um banco, clandestino, claro. Onde eu depositava todo o meu
dinheiro e ele assegurava de que eu pudesse usar o dinheiro em qualquer parte do
mundo.
- , achava que você fosse mais maleável.
- Achei que fosse mais inteligente.
- Aught.
- Não tenho muito tempo.
- Aonde está agora?
Dou uma risada. Ela sabia que eu não iria responder.
- Victor está louco para pegar sua nova namoradinha. - a ouço dizer enquanto se
dirigia de volta para o bar. Minha carranca volta. - Ah, então há mesmo uma
namorada.
- Eu não tenho namorada.
- Então é o quê?
Mas que merda.
- Um caso encerrado. - falo gélido.
Uma risada.
- , , você anda tão amoroso assim?
- Tome cuidado com o que fala, Bornighan.
- Tome você cuidado com o que decide, . - ela se vira para mim perigosa.
- Eu sei exatamente como essa está. E sei exatamente como chegar até
ela.
Nada digo.
- Parece que agora quem está contra a parede é você. - ela se aproxima sentando
em meu colo, de frente para mim. - É bom tomar a decisão certa, se quer vê-la
viva.
- Não tenho importância nela.
- Sei que não. Meu irmão também sabe, mas você nos conhece, temos uma paixão em
matar todos que se relacionam com os e seus aliados. Ela é o alvo
favorito de Victor e ele está louco atrás dela pelo mundo.
Minha fúria aumentava cada vez mais.
- Oh-oh! Então você não sabia disso? - ela dá mais uma gargalhada. - Victor
conhece sua namoradinha, . Ah, se conhece. Ela não te disse? Ele é louco
por ela, . E está literalmente lívido de raiva por você estar com ela.
- Ela não está comigo.
- Me engana que eu gosto. - ela ironiza. - O mundo sabe que ela está com você.
Sarah Evans não é tão importante quando a difunta , mas não se
engane, . Aquele Hunger foi de bastante utilidade para nós.
Seguro fortemente em seu pescoço. Eu queria estrangulá-la.
- Mate-me e não terá como saber como anda Victor. - ela diz fraca, porém
decidida. Não tinha mesmo medo de morrer.
A largo e a jogo no chão. Aquilo saíra de meu controle.
- Diga a seu irmão. - falo levantado e indo até a porta. - De que não
quer vê-lo nem pintado de ouro. E que se ele realmente tem um interesse nela,
que passe a esquecê-la.
- Sabe que ele não fará isso. E pense bem. - ouço a voz dela se aproximar. - se
ele a ama, - meu punho se fecha ao ouvir as três últimas palavras. - você terá
sorte. Ele não irá matá-la. Não... Victor não fará isso. Está louco para tê-la
de volta.
A olho sério.
- Se você pensa que ele começou isso do nada por causa do dinheiro que não
recebemos, está enganado. - ela diz séria. - Não nos importamos com a grana,
temos-a. Sabe como é, o advogado da família se certificou de que
seríamos pago ou sua família iria inteira para o túmulo. Victor começou essa
guerra porque vocês cutucaram a ferida dele. . - ela canta o nome de
e me prensa na parede. - Eu não sei o que essa garotinha tem de
especial para vocês se apaixonarem por ela. - ela se aproxima me fazendo sentir
o cheiro de gim vindo de seus lábios. - Mas seria bem melhor se ela realmente
fosse morta. - sinto suas mãos desabotoando os botões de minha jeans. - Se tem
medo que alguém a mate, - minhas calças caem rapidamente e sinto suas mãos agora
percorrendo meu abdômem e peito. - tenha medo de mim. - finaliza retirando minha
camiseta e encostando seus lábios nos meus.
Eu estava corroendo em raiva. Me desfaço das calças e a pego no colo, a fazendo
enlaçar suas pernas em minha cintura. A viro, colocando-a prensada na parede.
Suas mãos não sabiam onde parar e percorriam por toda a extensão de meu corpo
que ela conseguia alcançar. Com os pés, ela retira minha roupa íntima e eu jogo
o robe que ela usava por cima do corpo nu. A penetro rapidamente e com muito
mais força do que imaginava ter, a fazendo gritar em dor. Não parei, ao
contrário, queria vê-la implorar para parar, o que não aconteceu uma vez que
sexo selvagem era o favorito de Jenniffer. E eu literalmente não conseguia
parar. Ela chegou ao orgasmo muito antes de mim e pareceu sofrer um pouco com
minhas fortes estocadas uma vez que ela já havia gozado. Porém como sempre,
pedia por mais. Nossos lábios estavam ao ponto de sangrar tamanha a força que
fazíamos no outro. Minhas costas ardiam por causa dos arranhões e ao sair de
dentro dela pela última vez, reparei na marca de meus dedos estampadas em sua
cintura.
Ofegávamos sem parar. Coloco minha roupa e a vejo deitada no carpete.
- Se quer cuidar de sua namorada... - ela diz sem ar. - É melhor correr. Victor
está chegando na Indonésia.
Filho da puta.
Maldita hora em que resolvemos acabar com todos os eletrônicos que possuíamos.
Meu nervosismo e minha ansiosidade ultrapassavam a linha da minha sanidade e me
fazia com que saisse do controle. Corri para o hotel em que estava, onde fechei
a conta e corri o mais rápido que podia para chegar ao aeroporto. Correr é um
modo de falar, não fui propriamente com os pés, e sim com o automóvel.
E o mundo parecia estar contra mim naquele momento, próximo vôo para Indonésia,
apenas em oito horas. Oito malditas horas. Corri até o setor de aviões privados
e perguntei se o de Connor ainda estaria lá. Não estava. Mas que inferno. Sentei
exausto numa das cadeiras que havia lá e comecei a pensar. Não era tão difícil
assim chegar na Indonésia. consegue tudo o que quer quando
quiser bem no momento em que quiser. Me levanto e sigo até o próximo telefone
público que avistei. Um helicóptero vinha para me levar até o aeroporto de
Madri, onde estava localizado o meu avião. Preciso fazer com que providenciem um
jato em Lisboa. Ou que as empresas aéras dêem mais atenção às ilhas da
Indonésia.
Suspiro aliviado ao entrar no meu avião, onde aeromoças me tratavam como um rei.
Precisava relaxar. E relaxar mesmo. Pedi que elas me dessem privacidade para
tentar descansar. Fechei os olhos e respirei fundo. Uma tempestade vinha para
frente. Acompanhado de trovões e furacões. E não digo uma tempestade de chuva e
vento. Digo mais como uma guerra. O mundo estaria entrando na Terceira Guerra
Mundial e não saberiam o por quê. Não era necessário saber muito, apenas estar
consciente de que era preciso ser inteligente e esperto o bastante para se
manter vivo. Muita gente inocente iria morrer. E eu não estou nem um pouco afim
de morrer para salvar as vidas delas, já tinha uma vida com que me preocupar e
para quem nunca ligou para nada além do próprio umbigo, era demais.
Consegui dormir por cerca de quatro horas, onde me acordaram gentilmente
avisando que havíamos pousado. Levantei fervorosamente e me dirigi para fora do
avião, onde um helicóptero me esperava ligado para me levar à ilha em que
estávamos.
- Louvre já voltou? - pergunto para o piloto, que prestava atenção no painel de
controle.
- Não senhor.
- Alguém suspeito?
- Não senhor.
Nada mais pergunto. Olho para fora, já estava escuro e era extremamente perigoso
voar de helicóptero a essa hora da noite. Porém os pilotos contratados pela
minha família recebiam um tratamento especial. Eles tinham de saber pilotar em
qualquer situação. Nem que tivesse de passar por uma baita tempestade, eles
tinham de nos entregar vivos ao ponto onde deveríamos chegar. Exatamente por
esse motivo que não demoramos mais de meia-hora para estar pousando no heliporto
da minúscula ilha. O jipe já estava lá para me levar para casa. Mais quinze
minutos e eu adentrava correndo, assustando a empregada.
- Senhor !
- Onde estão os hóspedes? - pergunto friamente.
- Saíram. - ela dizia em seu sotaque extremamente esquisito.
- Saíram para onde? - pergunto nervoso. Ela dá um pequeno pulo assustada e fala:
- O homem disse ir para pedras.
Jared filho da puta.
Desde que levara Connor ali pela primeira vez há três anos com sua trilhonésima
namorada, ele descobrira um lugar perfeito para se transar com ela e as outras
garotas que traria em seguida. Era à beira-mar, um local lotado de pedras
enormes em forma de cama, confortáveis o suficiente para se deitar e rolar. Pego
o jipe eu mesmo e sigo para o local. Não surpreso, logo vejo voltando a
pé. Olha surpresa para mim.
- O que faz aqui?
- Pergunto o mesmo para você. - digo frio. Ela fica séria ao ouvir meu tom. -
Onde está Jared?
- Com Jacqueline.
- É mesmo? - digo irônico. Ela carranca. - Entre no carro.
- Posso ir andando para casa, quero tomar um banho...
- Entre no carro. - repito a cortando. Ela me olha séria.
- Não quero.
- Não estou a fim de brincar agora, . Faça o que eu mando. - digo
exausto. Estava realmente exausto e isso não passou despercebido pelos olhos da
.
- Você disse que não havia perigo em andar livre por aqui.
- Não havia. Agora há. Anda.
Sem discutir, ela dá a volta no carro e entra no lado passageiro, se mantendo
calada. Acelero indo em direção as pedras, onde avisto o carro que Jared estava
usando. Buzino forte para que depois de 10 minutos, o casal pornográfico
apareçam enrolados em alguns panos.
- Mas que diabos você está fazendo aqui? - Jared pergunta vindo até meu lado do
carro.
- Preciso falar com você, vamos para casa.
- O quê? Agora?
- Você pode transar com ela depois, anda, é urgente.
Jared bufa e segue para o jipe dele com Jacqueline, dou ré e volto para a
estrada, acelerando para casa.
- Aconteceu alguma coisa? - me olhava curiosa.
- Quero ter uma conversa com você mais tarde. - digo sério. A vejo engolir seco.
Nada mais falamos até chegar em casa, onde saímos do carro e nem olhamos para a
cara um do outro. Ela seguiu direto para o quarto e eu para o escritório, onde
Jared entra minutos depois.
- O que tá acontecendo? Cadê o Louvre? - ele se senta numa cadeira.
- Victor está atrás de . - ignoro as perguntas dele e me mantenho em pé,
o olhando sério. Ele ri.
- Isso já sabemos, ele está atrás de todas...
- Não. - o corto. - Ele quer somente .
Connor se endireita.
- Explica.
- Jenniffer disse que ele é apaixonado por ela. - falo sério.
- Como é que é? - ele parecia estar se divertindo com a notícia, reviro os
olhos. - Peraí. Bornighan está fazendo essa cena toda porque ama ?
Me mantenho calado de forma que confirmo o que ele havia entendido. Ouço a
risada alta dele e levanto uma sobrancelha.
- Qual é a graça? - pergunto seco.
- ! Você não está vendo? - Ele se levanta rápido. - Estamos com o ouro em
nossas mãos! Enquanto estivermos com , Bornighan não se atreverá a nos
matar!
- E quando é que você começou a se importar em viver?
- Oras, digamos que nunca quis morrer. - ele volta a se sentar. - Escuta
, estamos com a peça-chave. Tudo o que precisamos fazer é criar um acordo
com Bornighan e pronto!
- Não. - digo rapidamente, o deixando surpreso. Não havia o que falar. - Não. -
repito.
- Como... ah... - ele de sério, passa a uma expressão surpresa e divertida. -
Você se apaixonou.
Nada digo. Queria negar, mas perante a situação que estava, se eu negasse, ele
entregaria de bandeja para Victor. Risadas.
- Eu não acredito! apaixonado! Haha, essa é boa!
- Cale a boca. - murmuro nervoso.
- Certo. Então me diga, . O que pretende fazer?
- Matar Victor.
- É uma boa opção. - Jared concorda com a cabeça. - Já pensou em como?
- Não.
Nos mantemos em silêncio.
- Olha , - ele começa a falar - somos amigos. - ele afirma. Me mantenho
calado. - Sabe que sempre apoiamos uns aos outros e tal. Você e Louvre são as
únicas pessoas que confio na vida. Nem meus pais eu tenho essa confiança. - Ele
não vai mesmo começar com o blábláblá desnecessário, vai? - Mas veja nossa
situação. Você pode acabar com essa guerra agora mesmo. - ele se levanta e vem
até mim. - Ou esperar pelo pior.
Nada digo, fico olhando para o chão pensando nas possibilidades. Com ou sem
? Era melhor que eu entregasse ela e acabasse com tudo isso. Antes que
eu me apaixonasse mais... Profundamente, vamos assim dizer.
- Você está encrencado, . - o ouço continuar. - Vou estar do seu lado,
sabe que vou. Mas saiba que, se Jacqueline morrer, mato . - ele agora
falava friamente. O olho sério. - Você mata a minha, eu mato a sua. Estamos
quites. - olho em seus olhos e vejo que ele falava sério. - A escolha é sua. Não
ligo de matar alguns, principalmente daquele lado. Quero a vingança de minhas
garotas. Mas eu tenho uma aqui, viva e comigo. - ele agora falava mais baixo. -
Se ela morrer, não importa se é meu amigo ou não. Eu mato a .
A frieza de nossos olhares era pior do que viver pelado na Antártida. Isso era a
nossa amizade. Deixávamos claro nossas decisões, não deixando de apoiar ao
outro.
- É melhor pensar bem e pensar rápido. - ele volta a sorrir, se afastando de mim
e indo em direção a porta. - Acho que não temos muito tempo, Victor já deve
estar sabendo nosso paradeiro. Louvre mandou um recado para a torre de contato
essa manhã, disse que chega hoje de madrugada com equipamentos. Espero que até o
amanhecer você já tenha tomado sua decisão, . Até amanhã. - ele sai e
fecha a porta atrás de si. Fecho os olhos e respiro fundo, estava encrencado.
Passo mais uma hora no escritório pensando sobre todas as situações,
possibilidades, riscos e planos. A coisa era fácil. Eu entregava em
troca de Bornighan parar com toda aquela palhaçada. E a via ficar nos braços
dele.
Suspiro e sigo para a porta, indo em direção ao meu quarto com ela. Ao entrar, a
vejo lendo um livro. Desvia seu olhar para mim.
- Parece exausto. - comenta.
- Estou exausto. - concordo parado na porta.
- Então vem dormir. - ela sorri carinhosa. Fico parado apenas a observando. Algo
em meu estômago se remexe e garanto que não era a fome. Ela percebe minha
seriedade e me olha com preocupação. - O que foi? - pergunta singela.
- O que você tem com Victor Bornighan? - vou direto ao assunto. A vejo mudar sua
expressão calma para uma mais séria. Desvia seu olhar do meu e passa a encarar a
parede a frente.
- Nada.
- Não parece. - falo friamente. Ela suspira.
- Qual a importância?
- Ele está matando metade do mundo por causa de você. E não estou sendo
metafórico. - digo rapidamente a fazendo com que olhasse para mim surpresa.
- Como?
- Sei que me ouviu bem.
- Ele não... - e se auto-corta apertando os lábios e olhando os lençóis.
- O que tem com ele? - volto a perguntar. Demora um tempo para ela responder.
- Ele me ama. Mas não o amo. Meu pai havia prometido minha mão a ele. - ela fala
amargurada. - Eu não queria. Ele sempre vinha com frases doces e presentes
caros, mas nada importava para mim. Eu odiava tudo aquilo.
Me manti parado na soleira da porta ouvindo tudo o que ela tinha para falar.
- Prometeu ser um bom marido, mas não queria me casar com ele. Disse que me
faria mudar de idéia, mas não conseguiu. Sempre deixei claro que não queria nada
com ele. Não sei porque ele está fazendo isso..
- Porque te ama. - a corto rude. Ela me olha assustada.
- Mas não o amo.
- Você sabia que somos inimigos mortais?
Ela arregala os olhos.
- N-não.
- Pois somos. E ele aparentemente agora me quer ver morto mais do que tudo na
vida.
A vejo ficar boquiaberta.
- Eu... eu não...
- Sei que não sabia disso. Ele não deve ter lhe contado muito sobre sua vida
profissional. - falo friamente e a vejo engolir seco. - Pois vou ser sincero com
você. - me apoio na porta, o cansaço estava tomando conta de mim, mas não deixei
transparecer. - Ele está tentando matar todo meu clã e aliados. Está matando
inocentes atrás de você. E não estou afim de fraquejar por causa de uma mulher.
Vejo seus lábios tremerem. Eu sabia que estava sendo duro com ela. Eu tinha de
ser.
- Vou fazer um acordo com ele. Pessoas estão morrendo e não sabem o por quê.
Você volta para ele e ele pára com essa besteira. - finalizo a fazendo arregalar
demasiadamente os olhos.
- Você... vai me jogar para ele?
- Vou.
A vejo prender a respiração com minha resposta. Desvia o olhar de mim e encara
as mãos onde vejo uma lágrima cair de seus olhos. O que era aquilo dentro de
mim? Meu corpo estava prestes a tremer de tão forte que era.
- Entendo. - ouço sua voz fraca. Foi como um soco no estômago. Eu não queria
ouvir aquela palavra. Queria a ver suplicar para ficar comigo. Mas sei que não é
bem o perfil dela esse tipo de comportamento. - Faça o que for melhor... para o
mundo. - ela acrescenta deixando a frase no ar. Para mim deixou claro de que não
era o melhor para ela. Não era para mim também.
Desencosto da porta e sigo para o banheiro a fim de tomar um longo e demorado
banho quente. Não a olho e fecho a porta, fechando meus olhos e respirando fundo
em seguida. Meu peito doía e era dor interna. Eu não queria admitir nem por
decreto que era meu coração reclamando. Tomo meu banho e quando meus dedos já
estavam enrugados, minha pele vermelha por causa da água quente, os vidros
embaçados e o vapor tomava conta do banheiro fazendo com que minha visão fosse
diminuída, resolvi sair do chuveiro. Enrolo uma toalha na cintura depois que me
secara e sai para o quarto. Olho para a cama e via abraçada a um
travesseiro, me aproximo silenciosamente e abaixo de frente para ela. Podia ver
as bochechas inchadas, o travesseiro e lençol úmidos e os traços das lágrimas
que haviam por ali descido. Acaricio suas maçãs levemente. Vê-la tão vulnerável
era péssimo para mim. Respiro exausto e deposito um beijo em seus lábios.
- Me desculpe. - sussurro tão baixo que nem eu mesmo consegui ouvir o que disse.
Ela se mexe mas não acorda. Me levanto e coloco uma boxer, indo até meu lado da
cama, deitando e antes de adormecer, olho para o lado, rezando para que não
fosse a última vez que a visse antes de fechar os olhos para aguardar a chegada
do dia seguinte.
- Estou sabendo do acontecido. - ouço a voz de Louvre assim que entro na cozinha
no dia seguinte. Estava sério. Me sento na bancada e pego uma maçã, dando uma
mordida e encarando a mesa de mármore em minha frente. - Porque diabos você
sempre se mete em confusão? Hein? É como quando estávamos naquele inferno de
internato e você botou fogo na ala C. - ele se senta no outro lado da bancada de
modo que ficasse de frente para mim. - Já decidiu? Jared me contou o que
pretende fazer caso Jacqueline não sobreviva.
- Ele não tem que se preocupar com ela. - falo sério. Cannon concorda com a
cabeça.
- Sabia que ia fazer isso. - ele suspira cansado. Balança a cabeça exausto. -
Mas que merda, .
Nada digo. Continuo comendo minha maçã, ainda encarando a mesa.
- Sei que Jared acha que tudo é culpa da . - Cannon diz mais baixo. -
Não sei porque tanto drama com a garota dele, ele sequer a ama. Mas acho que
está com inveja. - desvio meu olhar para ele. - Sei que me entendeu. - ele fala
sério. - Jared sempre quis se apaixonar.
Continuo calado. Sabíamos os três de que Jared sempre fora o mais apegado aos
sentimentos. Cannon se divertia com eles, então não tinha exatamente tempo para
sentí-los da maneira que deveria sentir. Porém ele tivera a vez dele com
Catherine. Ela fora morta pelos Bornighan numa missão que ele tivera de fazer.
Fora motivo o suficiente dele querer matar Victor com as próprias mãos.
- Admito que quando soube que era a mulher por quem Victor está
apaixonado, pensei em entrar naquele seu quarto e matá-la na mesma hora. - ele
diz me olhando, esperando alguma reação. - Só assim estaríamos quites, você
sabe. - ele se referia à Catherine. - Então me lembrei que Jared havia dito
sobre você estar apaixonado por ela também.
Mordo a maçã com mais força. Eu odiava ter de ouvir que estava apaixonado. Era
como dizer uma fraqueza ao inimigo de bandeja.
- Não acho que deveria devolvê-la. - ele diz sincero e o olho agora surpreso. -
Sinceramente, , Connor diz isso porque acha que tudo é culpa dessa sua
garota. Mas não tenho certeza que Bornighan irá simplesmente se contentar em
recebê-la de volta de mãos beijadas.
Eu sabia disso.
- Faça o que você quiser. - ele diz suspirando. - Mas acho que está na hora de
começar a pensar em você. E nela.
Volto a olhar para a mesa calado.
- Victor está na Austrália. - ele diz finalmente mais alto. - Planeja vir para
cá daqui em um ou dois dias.
- Quem falou...
- Jared.
Respiro fundo.
- Ele sabia da sua decisão. Nós te conhecemos, . - ele explica calmo. -
Falou com Bonighan esta manhã.
- O que falou?
- Bom, parece que estão para entrar num acordo, mas pelo que entendi, Victor
quer fechá-lo pessoalmente. E com você.
Era impossível não se sentir intimidado com a expressão que veio a seguir em meu
rosto.
- Estaremos preparados caso mude de idéia. - ele fala mostrando duas chaves. -
Trouxe algumas munições, mas não sei se sairíamos vivos assim tão fácil.
Bornighan vem crente que você irá negar a ele.
Ouvimos um alto barulho e a porta sendo aberta.
- Pegue sua namoradinha, Bornighan está na ilha principal. - Jared diz sério. O
olho nervoso. - Desculpe, , mas quero acabar com essa história o mais
rápido possível. Quero dormir sossegado essa noite, não com uma metralhadora do
lado.
Aperto os lábios. Eu queria lhe dar um soco bem dado no meio de seu rosto mas
tudo o que faço é levantar e passar por ele, indo até meu quarto. Entro e vejo
saindo do banheiro, secando os cabelos num belo vestido amarelo. Me
olha séria, machucada mais propriamente dito. Sim, era possível ver em seus
olhos o quão machucada estava.
- Pegue suas coisas. - falo seco. Ela arregala levemente os olhos. - Vou te
levar até Victor.
Mais um tempo em silêncio e encarando os olhos dos outros. Ela implorava para
ficar. Eu sentia que queria que ela ficasse. Tentava o máximo que podia mostrar
pelos meus olhos de que não me importava com a ida dela.
- Você tem dez minutos para estar lá em baixo. - resolvo acabar logo com todo
aquele sofrimento de ambos os lados e saio do quarto, fechando a porta logo
atrás de mim.
Encosto na parede ao lado da porta e fecho os olhos. Era por isso que pessoas
como eu não deveriam sentir aquilo que pessoas com um trabalho normal e uma vida
normal sentiam. Eu não sabia lidar com todo aquele carinho. E por mais que eu
gostasse de recebê-lo, eu não poderia oferecê-lo da mesma maneira.
Principalmente para .
Desço as escadas lentamente e vejo Connor e Louvre a minha espera no Hall.
Jacqueline acompanhava Jared, que me olhava sério.
- Olha , eu sinto muito..
- Não sinta. - o corto seco. Nada mais é dito. Eu odiava palavras de conforto
num momento em que elas não fariam efeito algum. Poupe-me os momentos de emoção.
Eu já estava com emoção demais para lidar. Ouvimos passos lentos depois de
alguns minutos e Cannon corre para ajudar com as malas. Não me movo. Eu
não estava disposto a encará-la. Era doloroso demais para mim. Vê-la ir assim,
sem nem dizer nada.
Fomos o caminho inteiro calados. Ninguém se atreveu a dizer nada, nem Jared com
um de seus comentários inorportunos. Assim que avistamos a ilha principal, era
possível enxergar os diversos aviões negros da família Bornighan.
- É... espero que Victor esteja de bom humor. - Jared finalmente abre sua boca
grande para dizer uma grande merda. Descemos no heliporto e por questão de
nanosegundos não pego em minha arma quando avisto Victor saindo de um dos jatos.
ficava atrás de mim, imagino eu olhando para a imagem do sucessor do
Sr. Bornighan. Victor parecia bem nervoso por vê-la tão perto de mim e eu mais
nervoso ainda por ver que ela sairia de onde estava para ir direto aos braços
dele.
- Parece que você descobriu meu desejo antes mesmo de eu ter o gosto de mandar
um dos seus para o túmulo, . - ele falava friamente.
- Não estamos no colégio, Bornighan, aqui fora tenho poder sobre meus atos. -
falo rude.
- Então, quer manter um diálogo ou ir direto ao assunto? - ele desvia o olhar
para atrás de mim.
- Isso depende de você, quem está com ela sou eu. - falo irônico, o fazendo se
mexer desconfortável.
- Por pouco tempo, , por pouco tempo. - ele diz agora mais baixo. As
hélices dos aviões e helicópteros haviam parado de girar, fazendo com que o
silêncio se instalasse ao nosso redor. Homens com jaquetas de couro e o imenso
emblema dos Bornighan estavam espalhados ao lado e atrás de Victor. Mais que o
quádruplo do que eu estava disponibilizando atrás de mim. Sem sobra de dúvidas,
eu estava em desvantagem. - Me diga antes. - o ouço começar a falar. - Porque
não a matou?
- Porque havia outros planos para ela.
Victor entendera os meus planos para a e a expressão de fúria tomou
conta de seu rosto.
- E o completou.
- Estou com ela aqui, não estou?
Foi o suficiente para o tirar do sério.
- A entregue.
- Achei que quisesse um diálogo antes.
- Você não está a par da sua posição, . - ele diz superior. - Não estou
para brincadeiras, então a devolva logo ou eu te mato.
- Me mate e garanto que a levo comigo antes. - sorrio desafiador. - Não que ela
já não queira ficar comigo.
Ele sacou sua arma. Segundos depois os milhares de homens e mulheres Bornighan
atrás repetiram seu gesto. Ouço atrás de mim as armas também serem sacadas. Não
o fiz.
- Não tem medo de morrer, ?
- Sabe que não.
- Pois deveria.
- É, deveria. - concordo. Ele entrefecha de leve os olhos, os abrindo
normalmente novamente. - Se importaria de uma palavra com a antes?
- Obviamente, mas isso não é minha escolha. - ele diz a contra gosto, olhando
para mim. - Pegue as malas dela. - ele diz para dois homens, que se aproximam
lentamente, me ultrapassando e pegando as malas de . - Imagino que terá
problemas com seus superiores, .
- Isso já não é da sua conta. - sorrio frio. Ele dá uma pequena risada e abaixa
a arma, indicando alguns segundos para eu conversar com . Me viro para
ela, sem medo de receber um tiro pelas costas. Ela desvia seus olhos para mim. -
Não olhe para trás. Seja o que for.
- Mas... - encosto meu dedo indicador em seus lábios.
- Se você disser algo, vou ter que mudar de idéia e pelo que vê, se eu fizer
isso, seremos todos carne morta. - digo com um certo tom de divertimento. Ela
tenta abrir a boca novamente, mas eu aperto mais meu dedo contra ela. - Foi bom
enquanto durou. - vou para mais perto de modo que meus lábios tocassem em seu
ouvido. - Obrigado... .
A vejo arregalar os olhos ao me ver lhe dar um apelido, e dou dois passos para o
lado, encarando Cannon e Jared, que concordam com a cabeça, dizendo que estava
tudo certo atrás de mim. Ouço passos de apenas duas pernas se aproximando e em
seguida alguém tomar em seus braços.
- Vou esperar ansioso por outro motivo para lhe matar, . - ouço a voz de
Victor tão perto quanto o vento que tocava em meus cabelos.
- Não se preocupe, criarei um antes para te ver morto. - digo sério. Ouço uma
risada e então os passos, agora dobrados, se afastarem. Me viro a tempo de ver
me mandar seu último olhar antes de entrar dentro daquele jato negro
com Bornighan atrás, a mão posta em seu quadril. O sangue começara a ferver
naquele momento e subir em minha cabeça.
Mas nada foi pior que ver o jato abrir vôo. Sem relutar, sem lutar, sem
demonstrar que eu me importava com a ida dela. Apenas fique ali, parado, com a
vontade de deixar as lágrimas que pela primeira vez teimavam sair pelos meus
olhos, a respiração vindo a falhar, a vendo partir nos braços de outro. A única
pessoa que eu me importava na vida. A única que me fizera sentir alguém. Aquela
que me fez ver que eu era humano e que eu podia sim, me apaixonar. Aquela que eu
amo e que não vou deixar de amar. Não enquanto o ar entrar e sair em meus
pulmões.
Sinto uma mão em meu ombro. E apenas quando os pontos negros no céu desaparecem
que desvio o olhar da imensidão agora acinzentada.
- Sinto muito, . - ouço a voz de Cannon.
- Cale a boca. - falo friamente movendo minhas pernas para dentro do
helicóptero. Silenciosamente, os três me acompanham sem nada a dizer durante
todo o caminho, assim como fora na ida até ali.
- Senhor . O senhor seu pai ordena que o senhor volte para os Estados
Unidos imediatamente. - o piloto dizia de acordo com que recebia as informações
da torre.
- Diga que estou de férias e que só volto quando achar que devo voltar. - digo
sério. Mais nada é dito.
A noite estava silenciosa. Eu não conseguia dormir. E pela primeira vez na vida,
o motivo de minha insônia não era a sede de matar. Era a saudade. Sento na
cadeira a beira da janela de meu quarto, de frente para a imensidão do céu e do
oceano. Imaginava como ela poderia estar agora. Se ela estaria, assim como eu,
encarando o mesmo céu que agora cobria nossas cabeças. Ela adorava encarar as
nuvens e estrelas.
Nunca pensei que minha emoção fosse aquela que acabaria comigo como jamais
alguém acabou. Meu coração agora travava uma luta contra minha razão. Porque eu
a deixara ir mesmo? Porque achei que tudo melhoraria com ela longe de mim?
Parece que tudo o que eu fiz foi apenas trazê-la para mais dentro de mim. Que
tomasse conta agora do meu corpo inteiro.
Meu coração berrava por seu nome. Até minha razão começava a fraquejar e
implorava por sua volta. Eu queria tocá-la novamente, senti-la, tomá-la em meus
braços, tê-la em minha cama, possuí-la.
Desvio meu olhar para dentro do quarto. Ontem ela estava ali. Me levanto e sigo
até o lado onde ela dormira. Seu cheiro ainda estava impregnado. O travesseiro
era aquele que mais guardava seu aroma. Incondicionalmente o abraço e fecho os
olhos criando sua imagem em minha frente. Sorrindo assim como sorrira ontem
assim que entrara no quarto. Serena, carinhosa.
O vento soprava e com ela vinha o sussurro do apelido dado a mim por ela. .
Ah, como eu amava o som da voz dela ao dizer aquelas palavras. E apenas agora
que a perdi que percebi o quanto mexia comigo.
Aquilo tudo estava errado. Eu não deveria estar daquela maneira. Não deveria
estar deprimido.
E sem ao menos perceber, meu rosto estava molhado e as lágrimas no travesseiro
que ontem eram dela, hoje eram minhas, as duas, se misturando e se encontrando
de uma maneira que eu e ela não poderíamos fazer mais.
O dia seguinte fora intenso. Ao abrir os olhos, a imagem de meu pai estava em
minha frente e por mais que eu quisesse que fosse uma miragem, não era.
- Você me desobedeceu. - ele diz friamente. Respiro cansado.
- Me desculpe. - murmuro.
Silêncio. Ele mesmo não sabia o que dizer perante aquela situação.
- Estou decepcionado com você, . - o ouço dizer em sua voz grave.
- Me desculpe. - murmuro novamente. Eu não estava afim de discutir, estava fraco
e ele percebia isso. Um pai sabia quando seu filho estava mal.
Ele suspira desistindo de manter sua pose ereta e se deixa sentar na beirada de
minha cama.
- Sua mãe e seus avós estão lá em baixo. Preocupados.
- Diga que me desculpo. - digo olhando para a parede.
- Sabe . - ele começa a dizer e fecho meus olhos esperando um sermão. -
Nunca pensei que um filho meu pudesse fraquejar. - ele parecia envergonhado de
dizer aquilo. - Mas admito que fiquei bastante decepcionado ao saber que não
mantivera sua posição.
Abro os olhos. Estava confuso.
- Um nunca volta atrás em sua decisão. - ele diz sábio.
- Fiz pelo clã. - finalmente digo algo a não ser me desculpar.
- Fez por medo. - ele retruca rapidamente.
- Não tenho medo.
- Ah, tem. Tem sim. Todos tem.
É, eu tinha. O fico encarando sério.
- Se a ama, deveria lutar por ela, não dá-la gratuitamente para Victor.
- Não a amo.
- , achei que fosse mais inteligente.
E eu fiquei sem resposta novamente. Ele suspira.
- Eu sabia que mantinha viva.
Arregalo os olhos, sento na cama.
- Em minha vida inteira desejei que alguém pudesse entrar em sua vida para abrir
seus olhos e fazer com que desistisse de seguir a linha de nossa família. - ele
começara a dizer olhando para mim. - Meu pai, seu avô, ele absorvia esse mesmo
desejo comigo. Como pode ver, foi em vão. Quando você nasceu, o desejo dele
passara a ser para você.
Do que diabos ele estava falando?
- Quando soubemos que você não havia matado a , um fio de esperança
surgira em nossas vidas. - eu nunca vira meu pai tão... sentimental. Era
impossível para mim imaginá-lo da maneira que estava, tão a flor dos
sentimentos. - Foi um grande baque saber que você resistira ao sentimento e
entregara a garota tão facilmente.
- Porque não me falaram antes? - pergunto nervoso. Ele olha para mim surpreso. -
Porque não me disseram que concordavam com o que eu estava sentindo?
- Queríamos que se virasse sozinho.
- Sequer demonstraram apoio. Eu fiquei o tempo inteiro pensando nas vidas que
seriam tiradas caso eu ficasse com ela. - eu estava descontrolado. O que o amor
havia feito comigo? Eu não conseguia controlá-lo, meu pai sabia disso e se
mantinha calado para me ouvir. Ele estava disposto a isso. - Eu pensei na
decepção que o senhor sentiria por ver um filho, seu único filho vacilar contra
a maior regra que o senhor mesmo ensinou! - falei mais alto.
Ele nada dizia e isso me deixava louco.
- Se eu soubesse... se eu soubesse que... mas que merda pai! - dou um soco na
cama.
- Sinto muito, .
- Não, não sente.
- Sinto.
- Quer saber? Dane-se. - falo irado. - Ela já está a milhas daqui em algum lugar
do mundo com Bornighan. E eu não me importo mais. Escolhi viver sem ela e é
assim que vai ser.
- Isso é errado.
- Mas foi o que decidi. - o corto autoritário. - Vou agir da maneira que me
ensinou desde que nasci. E não vou ignorar minhas raízes. - falo mais para mim
mesmo do que para ele.
- Achei que fosse mais sensato. Estou definitivamente decepcionado com você,
filho.
- MAS QUE PORRA! - berro. - TUDO O QUE FAÇO É MOTIVO DE DECEPÇÃO! SE QUERIA QUE
SENTISSE AMOR, PORQUE NÃO ME ENSINOU? A CULPA É SUA! FOI VOCÊ QUEM ME ENSINOU A
SER ASSIM! - eu estava puto da vida e tudo o que vinha em minha cabeça era que a
culpa era de meu pai. A culpa era toda dele.
Meu pai se levanta calmo.
- Quando quiser tê-la de volta, me avise. Estarei pronto para atacá-los. - ele
diz mantendo a calma. Eu respirava fundo e forte. - Sei que não vai sobreviver
muito tempo sem a garota. É viciante, este sentimento. - ele se dirigia para a
porta. - Uma vez sentido, é impossível se ver livre dele. Sei que pareço
entender do assunto, mas não entendo. Porém é impossível não saber o que o amor
causa nas pessoas. Espero que você sinta falta dele e faça o que é certo para
você. - e sai do quarto fechando a porta atrás de si.
Fecho os olhos numa expressão de dor. Todas as dores que nunca imaginei sentir,
estava sentindo naquele momento. Todos os sentimentos que diziam ser bom,
estavam sendo ruins para mim. Saudade, paixão, amor, dependência. Eu decidira
viver sem ela. Sem ela iria viver.
Já por quanto tempo, eu não sabia dizer.
O dia foi bem cinzento. E não era porque eu estava pós-deprimido pela ida de
e sim porque o tempo estava realmente fechado. Logo que meu pai saiu do
quarto e pude ouvi-los indo embora no barulhento jipe, pude dar atenção a
paisagem externa. Estava um vento forte, indicando que vinha por aí uma
tempestade. Eu odiava a chuva.
Tomo um banho e coloco uma roupa qualquer apenas para ficar em casa. Eu estava
de férias e férias para os mortais normais significava relaxar. Por mais que no
momento eu não conseguisse relaxar, eu relaxaria, de uma maneira ou de outra.
Desci as escadas e encontrei com Jared e Cannon.
- Como está? - o último me olha curioso.
- Não estou deprimido se é isso o que te perturba.
Ele se mantém calado perante minha resposta. Me sento e sou servido de um almoço
preparado por Jared. Levanto uma sobrancelha e o olho desconfiado.
- Se acha que vou perder meu tempo tentando te animar com remédios escondidos no
alimento, vá tirar seu cavalo da chuva, . - ele diz sério, continuo com a
mesma cara e ele revira os olhos. - Eu não transei ainda com Jacqueline e fiz
uma higiene das mãos dobrada para fazer.
Fora o suficiente.
Comecei a me alimentar sobre os resmungos de Connor e as risadas de Louvre. A TV
é ligada e a notícia principal aparecera.
- ... De acordo com informantes interno, a garota era mantida escondida numa
ilha da Indonésia. - desviei meus olhos para a televisão. Carranco. -
será levada para realizar alguns exames precautivos e então voltará a
comandar os negócios da família. Ela passa bem e agora é mantida sobre proteção
24 horas. Jullie Bougver para a ABC News.
Sem perceber, eu olhava sério para a TV e parara de comer. Ela é desligada, mas
meu olhar se mantinha agora na quina da bancada.
- Eles não perdem tempo mesmo. - Jared diz irônico. - Ou Bornighan não perde.
Ele quer mesmo te ver na fossa, .
- Ele terá de fazer muito mais para que isso aconteça. - falo continuando a
comer.
- E o que vai fazer?
- Nada.
- Nada?
- Nada.
Ficamos calados. Sinto a troca de olhares de meus dois companheiros e então a
cabeça de Cannon ser balançada em negação.
- Tenho uma missão em Nebrasca essa semana. Se quiser...
- Pare de se preocupar comigo. - o corto sério. - Não preciso de ninguém para
cuidar de mim.
- Pare de agir como um dependente então.
O olho nervoso.
- Desde quando tenho agido como um dependente?
- Desde que fora embora.
- Não faz nem 24 horas que ela se fora e já tenho uma imagem feita? - me levanto
jogando o prato quase vazio na pia.
- Para você ver como está sua situação. - Cannon me olha calmo. Murmuro um "Vá
se foder" e saio da cozinha. Eu sequer os vi direito, eles não têm o direito de
me julgar.
Uma semana se passara e eu estava começando a me entendiar. Ou melhor. Eu já
estava em puro tédio.
Aproveitei o tempo de sobra para me dedicar ao meu físico, corria todas as
manhãs. Jared e eu apesar de continuarmos hospedando ali, não nos comunicávamos
ou porque eu não estava, ou porque ele estava se divertindo com Jacqueline.
Por mais que eu tentasse manter meus pensamentos longe de , era
impossível não me flagrar imaginando como ela estaria no momento. Sempre que
isso acontecia, balançava a cabeça e espantava todos os pensamentos para longe.
Como no mundo a palavra paz não podia, por decreto algum ser realizada, a minha
principalmente, o inferno começara a me ligar dizendo que estava quente demais
lá em baixo e que eu estava a tempo demais no paraíso.
Jacqueline queria ir para Paris afim de fazer compras, porém eu e Jared havíamos
assuntos a tratar agora que Bornighan se mantivera sigiloso e Cannon avisara que
Strudel estava com plano para ambos os clãs. Jared com seu bom-coração ou apenas
afim de fazer um agrado à namorada, a mandou com três seguranças especiais
junto. A garota ficaria dois dias na cidade do amor para as compras.
- Ela mal se foi e já sinto falta de seus peitos. - ele ri se sentando assim que
fechara a porta. O continuo olhando sério. - Mas que cara.
- É a única que tenho.
- Já teve expressões melhores.
Fico calado. Ele se senta.
- Qual é a pior?
- Strudel planeja minha morte e de Victor.
- Não é novidade. - ele se encosta na poltrona sorrindo.
- Strudel já tem o equipamento e a equipe.
- Isso é novidade. - ele torna a desencostar e me olha mais interessado. - Onde
ele conseguiu?
- Parece que sua ida à América Latina para procurar terrenos para suas empresas
multinacionais não era exatamente o que ele planejava. Praticamente todos estão
com ele. E você sabe como os latinos são baderneiros, não conseguem evitar um
burburinho. - digo jogando uma pasta com as informações de todos os grupos
aliados. - Os caras são tipo os Perkins, só que piores.
- E o que estão planejando exatamente?
- É isso o que não sabemos.
- Strudel de merda. Se manteve nulo por todo esse tempo.
- Era de se esperar uma atitude dessa.
- Era mesmo. Bom, podemos ir até os Estados Unidos e matar todos, o que acha?
- Sugestivo. Mas tenho uma idéia melhor.
- E qual seria?
- Vamos esperá-los atacar os Bornighan, é óbvio que eles são mais fracos que nós
apesar de toda essa tecnologia que eles dizem ter e é claro que eles vão nos
atacar em segundo lugar, eles devem estar preparando uma boa para mim. Assim que
eles atacarem, estaremos pronto para atacá-los e de quebra, conseguir suas
ações.
Jared sorri.
- Você é um cara inteligente.
Sorrio. Passamos horas imaginando o tal plano arquitetado de Strudel e formando
estratégias não-oficiais para matá-los. Então o telefone toca. Era Jacqueline
avisando que já estava em Paris. Jared passa parte do tempo conversando com ela
enquanto eu olhava concentrado para a planta da casa de veraneio de Strudel. Até
ouvir um berro. Desvio rapidamente minha atenção para Jared, que berrava no
telefone e então se calara. Estava lívido e chocado. Seu pescoço e rosto
vermelhos, as mãos grudadas no telefone com os nós nos dedos chegando à
brancura. Os olhos arregalados e os dentes se rangendo. Me levanto e vou até
ele. Demora um tempo até ele apenas soltar o telefone, o deixando cair no chão.
O fico olhando curioso, esperando que ele dissesse alguma coisa. E realmente
disse. Olhou para mim e murmurou:
- Victor Bornighan é um homem morto.
Fico sério. Ele não se movera um músculo e olhava fixamente para um ponto
qualquer da parede em nosso lado, provavelmente planejando algo para matar
Victor da maneira mais fria, dolorosa e cruel.
- Ele a matou. - ele apenas diz um tempo depois. Foi impossível não arregalar os
olhos surpreso. - Está nos observando. Viu a oportunidade e matou Jacqueline.
Me mantenho de boca fechada. Vejo seu olhar procurar o meu.
- No final das contas a culpa não era de .
- Nunca fora.
- Eu vou matá-lo.
- Tem meu apoio.
- Não. Eu irei matá-lo com minhas próprias mãos.
- Terá que decidir isso com Louvre.
- Louvre poderia ter feito isso se quisesse.
- Louvre não fez porque havia coisas mais importantes a se fazer.
Jared fica calado.
- Vai ter sua oportunidade.
- Poderíamos decapitá-lo em três e então esfaquear as três partes até nos
sentirmos vingados. - ele dizia olhando para o teto com os olhos brilhando em
sede de matar.
Nada digo.
- Sim, poderíamos decapitá-lo ainda vivo.
- Connor..
- Não me diga que não quer.
- Quero.
- Então passemos o plano para Bornighan. Depois cuidamos de Strudel.
- Jared, volte à realidade.
- Eu voltei. Minha realidade era querer matar Bornighan. Deixei passar, mas ele
parece querer morrer de qualquer maneira. - ele sorri de uma maneira maliciosa.
- Vou matá-lo. Arrume suas malas, , voltaremos amanhã para os Estados
Unidos.
Sem dizer mais nada, ele se vira, subindo as escadas rapidamente e se trancando
em seu quarto.
Victor Bornighan cavou sua própria cova, e eu seria o primeiro a enterrá-lo.
- Ele está fora de si. - Cannon diz ao passar apenas quinze minutos comigo e
Jared. - Está louco.
- Sei que está. - concordo. Estávamos numa limusine indo direto para minha casa,
onde haveria uma reunião. Com nossos pais, obviamente. Eles ainda eram os
poderosos chefões.
- Como você aguentou esse tranco, hein Louvre? - Jared agora falava conosco. -
Saber que sua mulher foi assassinada. Na sua frente?
Cannon fica sério. Odiava quando tocavam neste assunto com ele pois era o único
assunto em que ele fraquejava sem ao menos perceber.
- Me diga? Porque não foi até Bornighan e o matou? Quem sabe assim minhas
garotas estariam vivas e continuasse com .
Fico calado. Ele estava bêbado. E falando sério, Jared bêbado não se podia levar
o que diríamos ser a sério.
- Tinha outras coisas mais importantes a fazer, Connor.
- Bobagem. - ele ria. - Isso queria dizer que ela não era tão importante ass...
Foi o suficiente para ativar o modo de fúria de Cannon, pois este se levantou de
onde estava dentro do automóvel e seguiu até Jared, pegando em seu colarinho.
- Não diga que ela não era importante, Louvre, sei que está bêbado, mas posso
fingir estar fora de mim e meter um tiro nessa sua boca grande.
- Vá em frente. - Jared ri.
- Cannon. - digo sério o fazendo soltar Connor e voltar a se sentar. - Você é
provocado muito fácil.
- Não é a provocação, , sabe disso. É o assunto.
- E você, ? - suspiro esperando pelo pior. - Não fica com vontade de
matá-lo só de pensar em imaginar Victor transando com ? Ela gemendo o
nome dele, ele a beijando e a possuindo?
Não, eu não pensara naquilo. Até agora. Pode ser que tenha passado algo pela
minha cabeça, mas nada que me fizesse ficar tão sério quanto o momento.
- Obrigado por me fazer imaginar, Jared.
- Vocês são dois frouxos. - ele ri. - Suas garotas morrem e são comidas por
Bornighan e vocês não mexem um músculo. Você deu sua garota de bandeja para ele,
, é um covarde.
- E o que você pretende fazer? - Cannon o olha superior. -Bêbado desse jeito.
Matar ele a machadadas?
- Se houver um machado no meu lado e um Bornighan na minha frente, será a
machadadas que ele irá morrer. Salute! - ele levanta a taça de champanhe e em um
gole, termina com ele, o tacando num canto e pegando a garrafa em seguida.
Eu e Cannon nos entreolhamos, iríamos entrar em problemas com a senhora Connor.
- E vocês sequer tentaram evitar esse desastre! - ela dizia abraçando Jared, que
agora fazia drama dizendo coisas como "ele a tirou de mim", "ela não vai voltar"
ou "deus, me leve com ela". - Olhe só para ele! Quem era essa garota afinal?
- Bornighan a matou. - digo friamente surpreendendo a todos na sala.
- Bornighan? - meu pai me olha sério. Concordo. - Então parece que ele ainda
está afim de nos prejudicar.
- Vamos dizer que deixara uma marca bem feia no coração de Victor. -
Cannon dá uma risada tentando dissipar a tensão. - Ouvi dizer que o
chutou.
- Sim, o chutou. - o pai de Jared olha sério para mim. - E Victor Bornighan o
culpa por isso, .
- Não é minha culpa se ele não é bom o bastante para ela. - levanto os ombros.
- Bom, ele não parece pensar a mesma coisa. - a mãe de Cannon diz séria. - Está
matando todos que tem a ver conosco. E ainda há esse problema de Strudel. Dois
clãs querendo nos ver mortos.
- Digamos que ele está na mesma situação que a nossa, Gertrude. - minha mãe diz
me protegendo. - Se não corresponde a Victor Bornighan, meu
filho não tem nada a ver com isso. Ele a entregou para o próprio Victor sem
aclamações, se ela o chutou é porque realmente não tem interesse nele.
Nada mais disseram. Minha mãe era a mulher mais fria e mãe do mundo. Podia ser o
que quisesse, mas não podiam mexer com seu filho único, ou seja, eu.
- Então, o que faremos? - o pai de Cannon pergunta.
- Vamos matar o maldito do Bornighan. Eu vou fazer picadinho dele! - Jared dizia
em seu estado não-lúcido. O pai dele o olha nervoso.
- Tire-o daqui e faça com que ele volte a sobriedade.
Duas empregadas o levaram.
- Não podemos ficar parados num momento como esse. - ele diz assim que filho
fora tirado da sala. - Se continuarmos assim, seremos alvo fácil para os
Bornighan e os inúteis dos Strudel.
- Vamos acabar com Strudel primeiro. - meu pai diz sério. - Eles estão apenas
nos dando trabalho e na hora de acertar as contas com Bornighan, o que menos
quero é pessoas se achando assassinos entrar no meio da reunião.
Todos pareceram concordar com ele.
- Chame Perkins e mande-os acabar com os Strudel, pelo que conversei com Nicolas
Perkins, ele conhece os líderes de alguns dos clãs aliados de Strudel e dará um
jeito de trazê-los para nós.
Mais concordância.
- Dou um mês para acabarmos com eles. Nesse um mês espero que vocês juntem
forças o suficiente para a tal guerra que se aproxima com Bornighan. Eles não
estão se importando com Strudel, mas podemos tirar proveito deles, então é neles
que começaremos.
E assunto encerrado. Vinte minutos depois, estávamos apenas eu e meus pais na
sala.
- Victor Bornighan me ligou esta manhã. - meu pai diz sério.
O olho sem uma expressão definida.
- Me informou sobre a morte da garota de Connor. E acrescentou de que se você se
aproximar da garota , ele a mata.
Sorrio malicioso, Victor era um cara inteligente. Sabia que eu não conseguia
negar um desafio.
- . - minha mãe me fala receosa, a olho. - , meu filho. Sei que
essa garota é importante para você. Não quero que se intrometa em assunto que
não é seu..
- Se tem ela no meio, é assunto meu. - digo sério. Minha mãe concorda com a
cabeça.
- Só quero dizer que, talvez ela esteja correndo mais risco jogada no mundo do
que com você, então faça a coisa certa.
- Vou pegá-la de volta. - falo decidido. Vejo um sorriso se abrir nos lábios de
ambos.
- Esse é meu filho. - meu pai diz orgulhoso. - Qual é o plano?
- Irei sozinho. - falo fazendo com que seus sorrisos diminuam, eles abrem a
boca. - Ela é assunto meu. - repito. - Não de vocês.
- , você é nosso filho..
- E está na hora de me deixarem criar minha própria missão.
Ambos se entreolham.
- Faça o que achar que é certo, filho. - meu pai diz confiante. - Qualquer
coisa, estaremos aqui.
Concordo com a cabeça e saio da sala. Abro um pequeno sorriso.
É hora do show.
- Não pense que vai nessa sozinho, seu merda. - ouço a voz de Jared antes de
entrar em meu carro. Sorrio.
- Vocês não deixam uma escapar. - murmuro vendo Jared e Cannon descendo as
escadas principais da minha casa e entrando no meu carro.
- Não quando tem Victor Bornighan no meio. Qual é o plano?
- Victor está de olho em . Vamos dizer que ele se dispôs a matá-la caso
eu me aproximasse.
Ouço risadas.
- Esse Bornighan gosta de um perigo. - Louvre diz no banco de trás. - Ele está
na Espanha. está na casa dela em Los Angeles. Para onde primeiro?
- Los Angeles. - murmuro.
- Você sabe que ele sabe que escolherá LA, certo?
- Sei, e é por isso mesmo que vou para lá.
- Você é um filho da puta engomadinho que quer se dar bem. - Jared ri dando
tapinhas em meu ombro. - Por isso gosto de você.
Dirigi por várias horas sem me cansar e ao chegar na residência dos em
Los Angeles, era uma surpresa não ver a tal segurança que haviam dito na TV.
Victor estava realmente me subestimando. Ou não.
- Ora, ora, ora... - ouço uma voz logo que entro na casa. - Se não é
? E olha só, trouxe os amiguinhos.
Minha expressão divertida se dissipa e a seriedade toma conta. Jared ri atrás de
mim.
- O que faz aqui? - pergunto sério.
- Estou cuidando de para Victor. - Jenniffer se aproxima de mim
sorrindo. - Ele sabia que você viria para cá. Vamos dizer que eu me ofereci para
nosso encontro.
Me mantenho calado.
- Você não deixa de apertar a mesma tecla não é, Bornighan? - Jared sorri
divertido. - Cismou com .
- Eu sei o que é meu, Connor. E acredite, confio que ele pode sobreviver
sozinho. - provoca Jared, o fazendo ficar sério. Cannon coloca uma mão no ombro
dele antes que pudesse se descontrolar.
- Onde ela está? - pergunto calmo. Jenniffer ri.
- Não espera que eu diga, não é?
- Sim, eu espero.
- Tudo tem seu preço... - ela se aproxima.
- Ah, fala sério. - Jared saca a arma e aponta para a testa de Jenniffer. - Fala
logo onde a está se quiser se manter viva.
Jenniffer ri.
- Você é bem estouradinho, não é Connor? Vamos lá, atire, então quero ver vocês
descobrirem onde ela está.
- Daremos um jeito. - ele responde rapidamente, mas eu o corto.
- Jared. - murmuro sério e ele bufa abaixando a arma.
- Vai logo transar com ela e tirar a merda da informação. Não tenho tempo de
sobra pra ficar gastando com isso.
Silencioso, pego no braço dela e sigo para a sala. Conhecia aquela casa com a
palma da minha mão. Tranco a porta e a empurro para a mesa, ficando por cima
dela.
- Onde ela está? - seguro em seu pescoço e ela sorri.
- Não está aqui.
- E onde está?
Ela sorri e desce as alças de seu vestido.
- Venha tirar a informação. - diz maliciosa e rasgo sua vestimenta. - Bem assim.
- Onde ela está? - pergunto novamente. Ela olha para baixo e vê que eu não
estava nem um pouco excitado com a situação. Fica séria.
- Se você acha que eu vou mesmo entregar o paradeiro da para você ir
correndo para os braços dela, está muito enganado, . Você é meu, já disse
isso.
- E eu já deixei claro que não sou seu e nunca vou ser. Fala ou eu te mato.
- Me mate.
Retiro minha arma da aba da calça e o encosto em seu peito.
- Fala.
Ela ri. Pressiono mais a arma contra ela.
- Fala Bornighan.
- Vou te dar uma dica. - ela sempre teve amor a vida. Eu sempre soube. - Você
teve duas escolhas depois que recebeu a notícia de que Victor a mataria caso
você se aproximasse dela. - ela enlaça sua perna em minha cintura. - Vir até
aqui encontrá-la, ou ir até ele matá-lo. - ela encosta seus lábios em meu queixo
e passa a sussurrar. - Vamos dizer que você fez a escolha errada.
- Ligue para Julian e peça meu jato para vinte minutos no aeroporto daqui. -
falo saindo da sala, colocando minha arma de volta onde estava. Os dois levantam
uma sobrancelha.
- O que aconteceu?
- Ela está na Espanha.
- Mas que merda. - Cannon murmura. - Perkins conseguiu um dos clãs da América
Latina.
- Não me importo com isso agora.
- Onde está a Bornighan? - Jared esperava vê-la sair da sala. Abro a porta e sem
me virar para eles digo:
- Ela iria dar trabalho demais. - e sigo para o lado de fora.
- Eu nunca pensei que pudesse um dia pedir ajuda a seus primos. - Cannon
murmurava do meu lado no avião. Eu olhava sério para fora e então desvio o olhar
para ele.
- Nem eu.
Ele ri.
- Você é mesmo louco por essa garota.
- Ela não é a única razão de eu armar tudo isso.
- É a razão maior.
- Você me faz parecer um fraco apaixonado.
- Olha , fraco você não é, mas apaixonado eu estou bem certo.
Nada respondo.
- Falei com meu primo de San Diego, ele vai se organizar lá e seguir direto para
Espanha. Amanhã de manhã estará lá. - Jared volta e se senta de frente a mim. -
Já sabe o que vai fazer?
- Matar Victor.
- Já disse para não pegar o prêmio todo para você. Sua prioridade é --
- Querem parar de achar que faço tudo isso por ela? - olho para ele nervoso. -
Sim, estou indo para lá pegá-la de volta, mas não apenas isso. Quero Victor
Bornighan morto.
Ele levanta as mãos.
- Tudo bem.
- O que acha de uma A12? - Cannon se encosta na poltrona dele sorrindo. - Faria
um estrago legal nele.
- Podemos usar minha bazuca.
- Não se usa uma bazuca numa pessoa, Connor.
- Vamos evitar trabalho para a cremação dele, Louvre, estou sendo simpático com
a família.
Os dois olham para mim esperando eu dizer que maneira gostaria de matá-lo.
- Só quero que ele veja bem que eu estou o matando. - falo frio e os dois riem.
- Típico de você . Típico.
- Ela está na casa sede deles. - ouvia meu pai dizer. - Victor não a está
deixando sair nem do quarto. Sabe a planta de lá decor. Ela está na ala leste,
bem afastada, num quarto isolado e com quatro seguranças no corredor frontal,
dois no lado externo do quarto e seis no telhado. Cães de guarda na redondeza.
Bornighan dorme com ela.
Foi impossível não se enervar com a última informação. Ele a estava obrigando a
ser dele.
- Louvre está indo praí. Jackson deve chegar em algumas horas. Esteja com um
plano em mente. Victor está conciente da morte da irmã e não deixará barato. Ele
esta furioso com isso. Matou todos os seguranças que estavam na casa de
.
Abro um sorriso. Ele deveria estar mesmo puto da vida. E isso era ótimo.
- Vou desligar. Sua mãe está um caso sério com tudo isso e cisma em querer ir
praí.
- Não quero ela aqui.
- Ela disse para trazer para cá depois de tudo.
- Apenas reforce a segurança. - falo antes de desligar.
- Bom, a segurança está barra. Vi Yohan na segurança frontal. - Cannon entra na
casa em que estávamos. Yohan era o irmão mais novo de Victor e Jenniffer. Ele
era um grande ogro e não necessitava de armas para matar as pessoas. Sempre com
as próprias mãos. Lembro-me bem da última vez que nos enfrentamos. Três tiros no
peito e ele ainda conseguia lutar como se não tivesse recebido nenhum. Era um
grande obstáculo.
- Quero ele. - Jackson entra na casa com meus outros primos. Não éramos primos
de sangue, uma vez que meu pai era filho único, mas como fomos criados todos
juntos, éramos como primos e nos tratávamos como assim. Desviamos nosso olhar
para a porta. - Boa noite homens.
- Se não é Jackson. - Jared sorri indo o abraçar. Quando éramos menores, os dois
sempre travavam briga por tudo, com o passar do tempo, tudo fora melhorando. -
Então, quer tomar conta de Yohan é?
- Tenho alguns assuntos pendentes com ele. - ele se senta. - Eu e Ginny podemos
dar conta dele, não maninha?
Ela sorri. Ginny era de poucas palavras. Poucas mesmo. Ela apenas sorria e
fingia abrir a boca para dizer algo, mas sua beleza era tão hipnotizante que
antes que o homem possa perceber que ela não iria dizer nada, ele já estava
morto no chão. Ela nunca se infiltrara muito nas missões, não nas mais difíceis.
Ela era especial, apenas em casos extremos.
- Quer dizer que você está apaixonado, ? - Gustav me pergunta animado.
Ele era o garoto mais baderneiro que eu já conheci. Deveria ser transferido para
o clã dos Perkins.
Reviro os olhos.
- Não acredito. - ele fala animado. - Está vendo Jackson? - ele grita apontando
para mim. - Não é pecado porra nenhuma se apaixonar.
- sabe domar os sentimentos dele, Gustav. - Jackson falava calmo. - O
dia que souber fazer isso, poderá se apaixonar também.
- Ah, vai se fuder. - ele se senta emburrado no sofá. - Sei domar bem meus
sentimentos.
Olhamos todos para ele como se ele tivesse dito a maior besteira do mundo. Bom,
estava ali.
- Certo, Yohan é seu. Tem certeza que darão conta dele? - pergunto aceitando o
copo de whisky que Jared servia.
- Você está me subestimando, primo. - Jackson ri.
- Não estou. Só sei qual o perfil de Yohan Bornighan. Lutei contra ele, lembra?
- E não é porque você perdeu que eu irei perder também.
- Ele não sabe que sou uma . - Ginny murmura com sua voz sedutoramente
treinada.
Dou uma risada.
- Você é um porco Jackson.
Este sorri ao ver que eu havia entendido o plano. Eu o odiaria se fosse morto
dessa maneira. E usar minha prima dessa maneira e o corpo dela... tsc tsc, sem
caráter.
- Qual é o plano, primo? - Jackson se senta numa poltrona em minha frente.
Respiro fundo.
- Você e Ginny acabarão com Yohan. Tente fazer com que os guardas achem mesmo
que ele irá se divertir com você, Gi. - olho para ela sério, que confirma com a
cabeça. - Não vai ser legal ver guardas berrando que Yohan morreu. Só vai piorar
minha situação.
- Certo, e onde eu entro? - Gustav não era provido de paciência.
- Você vai quando eu mandar, matar todos que ver pela frente. Vê se faz o
trabalho direito e não deixa resquício. - falo cansado. Gustav sempre se
empolgava demais.
- Cala a boca. - ele responde.
- Eu, Jared e Cannon daremos conta do resto. - olho para os dois. - Sem
machucar--
- Sabemos, sabemos. - Jared balança a mão. - Sem matar sua amadinha, como se já
não soubéssemos disso.
Nada mais falo, apenas me levanto.
- Vou dormir.
Talvez fosse a última noite limpa que fosse ter. Talvez fosse a última noite que
eu estivesse vivo. Eu só sabia de uma coisa. Veria antes e levaria
Victor comigo. Olho para o céu e respiro o ar gelado passar por entre minhas
narinas. Me pego imaginando o que estaria ela fazendo. Balanço a cabeça tentando
afastar todos os pensamentos dela, mas parecia carrapato. Ela viera para ficar.
E por mais que eu não gostasse dessa idéia. Havia uma parte de mim que estava
gostando. E definitivamente não era minha razão.
Fui acordado no meio da noite. Não era uma boa hora, deveria ser o quê? Três,
quatro da manhã? Cinco, no máximo. Gustav praticamente estava disposto a me
perfurar com uma furadeira, caso eu não acordasse em dois segundos. Abri os
olhos e o vi com o terror em seu olhar. Me levanto rapidamente.
- O que foi?
- Melhor você vir pra sala. - ele fala sério demais para ele mesmo e se vira,
correndo para que eu não tivesse tempo de perguntar nada a ele e o seguisse.
Estavam todos lá. Todos. Ou ao menos os que sobreviveram.
- Bornighan mandou um homem bomba. - podia ouvir o pai de Jared dizer sério. Meu
coração endurece.
- E onde estão meus pais?
Silêncio. Um olha para o outro esperando que alguém me desse a notícia de que eu
já sabia. Fecho os olhos e respiro fundo.
- Quando?
- Há três horas. Um homem chegou com um buquê de rosas para sua mãe. Foi o que
um dos seguranças externos falou. Disse que não dera tempo de fazer nada, pois a
bomba já estava acionada para explodir em quinze segundos. - eu ouvia o pai de
Jared dizer tenebroso. Todos estavam receosos e ansiosos com o que viria a
seguir de mim. - Não houve sobreviventes.
Não doera tanto quanto teria que doer. Talvez porque eles tivessem me ensinado a
não sentir dor caso isso acontecesse. Porém não era possível ignorar o pequeno
resquício de desconfortância que estava causando em meu peito.
- Meus avós?
- Estavam juntos. Os quatro.
Concordo com a cabeça. Suspiro e me viro de costas para todos.
- Quero Bornighan morto até o dia depois de amanhã ao amanhecer. - falo
duramente e não ouço nenhum ato contra minha decisão. - Façam o que tiver que
fazer.
Não preciso dizer que Victor mexeu com o fogo. Havia brincado com a chama ao
pegar de volta, mas agora ele ultrapassara meu limite de paciência. Ele
estava louco. Louco para morrer.
Uma hora depois de eu anunciar o período que eles teriam de atacar, Jackson,
Gustav e Ginny saíram para botar o plano contra Yohan em ação.
- Nos dê uma hora. - ouço a voz de Jackson. - Se em uma hora nenhum de nós três
ligar, faça o que quiser.
Concordo com a cabeça e me mantenho sentado numa poltrona, com o queixo apoiado
na mão e planejando a morte de Victor. Furadeira? Serra elétrica? Micro-bomba
interna? Decapitação? Meu instinto assassino havia aflorado. Eu estava
totalmente fora de mim. Queria sangue. O sangue de todos os Bornighans
existentes no mundo. Se ele extinguira os , irei extinguí-los também,
porém, fazendo o trabalho completo.
Durante uma hora fiquei ouvindo planos inúteis para mim. Nada dizia. Eles sabiam
que eu ia agir de acordo com meus interesses. Eu ia direto a Victor Bornighan e
minha . O que quer que aconteça, eles estavam alí para me dar cobertura.
Meu celular tocou 50 minutos depois da saída de Jackson, Gustav e Ginny.
- Trabalho feito, para onde agora?
- Mate todos da frente, não quero problemas na infiltração.
- Vamos pelo portão C.
- Entendi. - e desligo. Olho para Jared. - Portão A. Portão B. - olho para
Cannon. Ambos concordam com as cabeças. Eles mesmos se dividiram em grupos
pequenos e médios para a infiltração. A família de Jared esperava num local mais
próximo do castelo Bornighan. Olho no relógio. O amanhecer estava ali. Uma hora
para o sol raiar. Eu gostava das coisas no claro. Sem lugar para esconder, sem
agir pelas sombras. Victor Bornighan iria morrer e saberia que estava morrendo
pelas minhas mãos. Me levanto depois de um tempo, eu podia demonstrar estar
calmo e certo de que tudo daria certo, mas eu sabia que estava louco da vida e
com sede do sangue de Victor Bornighan. Se ele queria acabar os , teria
de fazer muito mais do que matar meus pais e meus avós. Ele teria primeiro que
tentar sobreviver, então ele poderia atacar à vontade. Sigo para o castelo
Bornighan. Silêncio. Não sorrio. Ando em direção ao local e entro facilmente.
Não haviam guardas, quero dizer, não haviam guardas vivos.
Sei que sou digno o suficiente para entrar pela porta da frente e foi assim que
o fiz. Sem ninguém para me atrapalhar e nenhum indício de que ali estava
acontecendo uma guerra, abri a porta e então o barulho dos berros chegaram em
meus ouvidos. Tiros, objetos se quebrando, não me demorei a fechar a porta. Eu
conhecia aquele lugar com a palma de minha mão. Para chegar aonde e
Victor estavam, eu tinha de atravessar a casa e os jardins. Caminhava lentamente
pelos aposentos, a tintura de sangue real se espalhava exagerada em alguns
cômodos, sorrio internamente ao ver que não havia ali um corpo sequer do meu
clã.
- ! - ouço um berro e olho para o lado onde vejo Jared me olhando
assustado, um deslize e sinto algo em minha cabeça.
- Boa tarde, . - Igor, primo de Victor mantinha o que eu apostava ser uma
arma em minha cabeça. Suspiro.
- Bornighan. - respondo educado. Mas o que diabos Jared pensava em me distrair
dessa maneira?
- Preparado para morrer?
- Não exatamente.
- Que pena.
- E você?
Ele ri.
- Bom, não sou eu o encurralado agora.
- Tem certeza? - ouço a voz de Cannon atrás e um som de arma sendo ativada.
Sorrio. - Abaixa logo essa arma.
- Talvez eu seja mesmo eliminado. Mas talvez vá comigo.
- A primeira dúvida você pode ter certeza de que está mais para uma afirmativa,
já a segunda não depende de mim. - Cannon diz irônico.
O segundo seguinte passara como um tufão. Ao momento em que Igor ativara sua
arma para atirar em minha cabeça e estourar meu cérebro, Cannon fora mais rápido
e eu mais ainda, me agaixando o suficiente para que a bala que em seguida saiu
da arma de Igor, fosse parar no batente da sala em que Jared estava. Eu pude ver
a bala ultrapassar os miolos de Igor e cair fraco em seu lado. Observamo-o cair
no chão sem vida.
- Tá difícil de se concentrar? - Cannon sorri para mim e olho para Jared.
- Porque diabos você me distraiu?
- Foi expontâneo, ele estava grudado no teto feito uma aranha e eu o vi apenas
naquele momento. - ele se levantava e mancava até nós.
- O que houve? - pergunto ao olhá-lo e ele ri.
- Tive um problema com Sohnia. Sabe como é aquela espanhola, fogosa. - e pisca
sedutoramente. Para a pessoa errada.
- Melhor cuidar disso. - me viro, continuando meu caminho.
- E perder toda a diversão? Fala sério, . Não é todo dia que estamos no
castelo Bornighan podendo matar quantos nós quisermos sem ter você ou nossos
pais no ouvido dizendo para fazer o certo.
- Jared, você é um idiota. - ouço Cannon dizer atrás de mim, enquanto caminhava
pelo imenso corredor, indo em direção à porta de vidro que dava para o jardim.
- E você é um covarde. Porque não matou Mirtha?
- Não está em meu manual matar mulheres.
- Elas não vão dar pra você se você poupar a vida delas. É capaz de te comer
vivo se fizer isso.
- Vai se fuder, Jared, ao menos uma vez na vida, pare de falar merda.
- Calem a boca. - falo sério. Estava cansado daquele blábláblá no meu ouvido. Se
eu bem conheço Victor. Ele não contrataria apenas os 100 seguranças que estavam
mortos para nos impedir de ir até . Não, eu sabia que não podia
subestimar este Bornighan. - E Meredith e Duncan?
- Vingamos seus pais, , não se preocupe. - Cannon diz divertido atrás de
mim. - Eles já estavam mesmo meio velhos, sabe. O homem parecia saber que ia
morrer. Aquele imbecil estava a espera com um charuto na boca e a mulher ao seu
lado, apenas nos olhando, sem nenhuma armação.
Levanto uma sobrancelha. Isso era bem esquisito.
- E adivinha só. - ele continua falando. - Eles não pareciam nada felizes em
saber que seus pais haviam morrido.
Isso era muito mais do que apenas esquisito. Nada disse. Ao menos parte da
vingança estava feito. Prato por prato, nossos pais estavam igualmente em outro
mundo agora. Espero que continuem com a guerra do outro lado, não espero chegar
lá e dar de cara novamente com os Bornighan.
Encontramos com os primos de Jared no caminho, que falavam tanto quanto ele.
Talvez fosse os genes ou a convivência, mas era impossível ter um minuto de
silêncio com todos os Connors juntos. Eu me deixava ficar para trás, enquanto os
via se divertir matando todos aqueles homens vestidos de preto e se achando
espertos o suficiente para sobreviver por 3 minutos a mais do que o parceiro.
- De onde surgiram essas mulheres, meu Deus? - Jared sussurra maravilhado. Eu
concordava com ele. Era bem difícil matar todas aquelas mulheres sensuais, que
nos mandava sorrisos maliciosos e rebolavam mais do que deveriam ao andar. O
problema era, elas realmente eram <i>de matar</i>. Ou um, ou outro, preferimos
nossas vidas.
Vi Cannon roubando um beijo de uma antes de lhe perfurar o pescoço. Eles estavam
mesmo se divertido.
- Você parece solitário. - ouço uma voz atrás de mim com uma ponta incomodando
em minhas costas. - Vamos acabar com isso.
- Não preciso de sua ajuda. - murmuro antes de atirar em seu estômago de
surpresa. Algo que eu aprendi em minha vida assassina era sempre esconder uma
arma de maneira que possa atingir o inimigo caso ele esteje atrás de mim. Ouço o
barulho de um corpo caindo ao chão e continuo andando.
- Você não tem noção do quão gostosa aquela era.
- Não faria diferença. - respondo Gustav, que se juntara a nós no meio da
disputa pela sobrevivência. - Onde estão Jackson e Ginny?
- Dando um jeito nos de cima. - e aponta para a lage, onde era possível ver uma
movimentação. Desço um pouco o olhar e paro numa janela-porta com uma pequena
sacada de enfeite na frente. Meus olhos se estreitam ao ver Victor me observando
sério por trás da porta. Ao ver que o vi, não tira a seriedade do rosto e dá um
passo para trás, fechando a cortina branca.
Ando em direção ao local agora mais rápido, chamando a atenção de todos e os
fazendo correr mais também.
- Quem tem pressa come cru. - Jared diz rindo enquanto atirava nos que estavam
longe.
- Não tenho tempo para me divertir aqui, Connor. - entro na casa da ala leste.
Dou de cara com alguns seguranças prontos para atirar em mim. Ótimo. Coloco a
mão para trás e sinto a pequena bomba caseira feita por Jackson em minha palma,
jogando dentro e voltando a fechar a porta e saindo de perto, onde ela explode
dois segundos depois, estourando a porta e estremecendo a parede que estava
encostado.
Entro em meio a toda aquela fumaça e vejo os corpos carbonizados no chão. Passos
rápidos vindo das escadas.
- Eu cuido disso. - Gustav corre para me passar e some já que a fumaça estava
densa.
- Ele consegue ser pior que Jared. - ouço a voz de Cannon em algum lugar atrás
de mim.
Subo as escadas mais lentamente e ouço algo ser jogado em minha direção.
- Para trás! - grito para que não trombe com ninguém ao recuar, feito. Ao ver a
fumaça de dissipar não gosto nada do que vejo.
- Cacete. - Jared diz apoiando-se na parede. Gustav estava morto e ali jazia de
seu pescoço para baixo.
Subo correndo as escadas que antes ele havia subido e sinto um fio em minhas
pernas, me agaichando dando tempo o suficiente de me livrar de um enorme machado
passando por cima de minha cabeça.
- Eu disse para trazermos a bazuca! - Jared grita ao ver a cena.
- Cale a boca, Connor! - Cannon grita e corta a linha invisível, fazendo com que
o machado caia no chão. Eu já estava praticamente no topo da escada agora
atirando sem medo para todos os lados, recebendo raspões de bala em meu braço.
Nada grave, minha roupa era bem propícia para o momento. Taquei a arma fora ao
ver que a última bala havia sido gasta e retirei minha faca do bolso da calça.
Eu queria mesmo sentí-los morrendo pelas minhas mãos.
Quinze minutos esfaqueando e recebendo tiros. Minha roupa não iria aguentar
muito mais. Ao ver que todos ali estavam mortos, com a ajuda de Cannon e Jared,
retiro a parte de cima de minha vestimenta acabada.
- Eu odeio quando você decide pela faca. - Cannon diz. - Sempre acho que uma
hora vai me acertar.
Nada respondo, três segundos e por uma questão de sensibilidade, taco a faca
para trás de mim, acertando o batente. Mais três segundos e sinto Jared jogar
todo o seu peso em mim enquanto ouvia o som de um tiro e o sangue de meu
companheiro no chão.
Cannon automaticamente atira em seguida e seguro o corpo de Jared. Pescoço.
- Estou morto. - ele diz com dificuldade.
- Cale a boca. - falo rasgando um pedaço de pano, mas impedido pela mão dele.
- Para quê tanto esforço, ? Sabe que vou morrer.
- Você é um covarde, pára com isso. - eu corria o máximo que podia, enquanto
Cannon berrava por ajuda.
- Você é um bunda-mole. Não perca tempo com carcaça, . Vá para a carne
fresca. - e aponta com a cabeça para dentro da porta dupla enorme.
- Jared, deixa de se fazer de vítima, nem com a garganta fudida você pára de
falar merda.
- Me deixa aproveitar enquanto sei que posso falar-- - e engasga. - Aí. - ele
chama nossa atenção. Eu não me movia mais. - Vocês foram os melhores
companheiros que tive.
- Deixa de drama--
- Cala a merda da sua boca Cannon. - ele fala rouco. - Aceite os fatos. - e olha
para mim. - Mata Victor por mim. Fode logo sua namoradinha e vê se sai dessa
vida. Ela não é para você , seu fracote.
Ouço uma risada atrás de mim.
- Vão se fuder. - ele sorri para nós. - Vão se fuder mes--
Fecho seus olhos e respiro fundo. Eu estava tendo perdas demais e não estava
gostando nem um pouco daquilo. Me levanto e olho para alguns do clã Perkinson.
- Leve-o para casa.
- A mãe dele vai surtar. - Cannon diz ao meu lado, enquanto via o corpo sendo
carregado escada a baixo.
Eu já nem prestava mais atenção, ia direto para a porta onde estava com
Victor Bornighan.
- Quer que eu--
- Fique de olho em baixo. - o corto.
- Não tente me enrolar, . Não vai entrar soz--
- Vou. - o olho sério. - Quero fazer isso sozinho. Pelos meus pais, meu primo e
Jared.
Ele tentou dizer algo, mas pensou melhor, concordando com a cabeça e me dando
dois tapas no ombro.
- Se em uma hora você não sair dessa porta, subo e elimino quem estiver em minha
frente.
Concordo com a cabeça e os vejo descer escada abaixo. Olho para a porta. Eu
finalmente estava ali, prestes a encarar Victor Bornighan e a mulher que mudou
minha vida. Eu estava sentindo a falta dela. Eu a teria de volta custe o que
custar. Coloco a mão na maçaneta. Destravada. Apesar de estar certo de que não
seria fácil, meu coração acelerado estava tranqüilo. Tranqüilo sabendo que eu a
veria. Abro a porta rapidamente e passo o olhar pelo aposento.
- Boa noite, .
Arregalo os olhos. O que diabo eles estavam fazendo ali? Fico parado na porta e
passo o olhar pelo lugar. estava sentada numa cadeira com Victor à
frente e meus pais à frente dele.
- Vocês--
- Éramos para estarmos mortos? Sei que sim. - meu pai sorri frio. O mesmo
sorriso frio que ele dava para suas vítimas antes de matá-las. Engulo seco. Uma
pessoa com quem eu não me metiria com era meu pai e de repente ele estava ali,
me mandando o único sinal dele de que eu iria morrer.
Fico calado olhando para os dois e em seguida para e Victor.
- Que porra é essa?
Minha mãe balança a cabeça.
- Nunca fora educado. - a ouço murmurar. Meu estômago revira. O que diabos
estava acontecendo.
- Sem querer me intrometer na reunião que você acha ser familiar, , -
Victor começa a falar olhando para mim, mas em seguida desvia a atenção para
meus pais. - acho que ele deveria saber a verdade antes de morrer.
Eu já nem sabia mais o que pensar. Tudo o que eu achava ser não era. Podem me
internar num hospício, pois estou louco. Volto o olhar para meu pai, que suspira
e troca o peso de perna.
- Você, , não é um . - ele fala colocando as duas mãos no colo com
a expressão mais paciente do mundo. Me mantenho calado. - Você deve estar se
perguntando o que diabos eu estou falando. Vou ser direto com você pois sei que
é bastante inteligente. Toda a sua vida, você sempre achou que os Bornighan eram
os malvados. E que você era um . Adivinhe só. Você é realmente um
, mas Bornighan eram mais malvados do que você pensa e bom, nós somos os
Bornighan. - ele aponta para a minha mãe e ele.
Arregalo os olhos e dou um passo para trás.
- Como--
- Vamos dizer que há 22 anos atrás, um perdeu a guerra para um
Bornighan. - ele volta a falar me cortando. - E em troca de mantê-lo vivo, seus
pais concordaram em trocar de lugar conosco, fazendo com que eles vivessem na
humilhação de ver seu próprio filho sentir ódio e matar as pessoas da própria
família em sangue frio.
Me mantenho calado ouvindo cada palavra que aquele homem dizia. Meu punho agora
se fechava em raiva.
- Victor fingia ser um Bornighan apenas para fazer com que você matasse cada vez
mais o clã. Ninguém da sua geração, exceto meu filho ali - ele aponta para
Victor que mantinha um sorriso vitorioso no rosto. - sabe da história. E é assim
que o clã acaba. - ele sorri olhando para Victor, que se aproxima com
uma arma.
Não movo um músculo. Olho para . Ela se mantinha calada e com os olhos
arregalados. Parecia tão surpresa quanto eu com a notícia.
- Ah sim, havia me esquecido de . - a voz do que eu achei minha vida
inteira ser meu pai, fala. - Toda essa história de Victor apaixonado por
, dos pais dela. Era tudo mentira. Não se preocupe, , talvez ela
tenha sido a única pessoa - tirando seus colegas idiotas - que não te enganaram.
Se bem que matar a família dela fora de grande ajuda, já que os estavam
mesmo atrapalhando meus negócios na Arábia Saudita.
Vejo a expressão de olhar contrariada para o homem, seguindo para
Victor e a arma em mãos e então para mim, suplicante para que eu me movesse e
desse uma de minhas milhares de escapadas que sempre dera nessas ocasiões. A
novidade era, eu não estava com forças para isso. Apesar da verdade agora
exposta, parte de mim ainda achava que aqueles dois sentados ali na frente são
meus pais.
Vejo Victor se aproximar de mim e levantar a arma, puxando o gatilho, quando um
tiro é ouvido no quarto. E definitivamente não era o tiro que se esperava no
momento. Viramos para o lado onde vemos com uma arma apontada para meu
pai. Meu ex-pai. Morto. E agora de verdade. A mulher gritava ao ver o corpo do
marido estirado sem vida. Victor pareceu perder as estribeiras. Virara a arma
para , que aponta para ele ao mesmo tempo, com medo.
- Atire, , ande! - ele falava raivoso. - Atire como atirou no meu pai! -
eu podia ver as mãos de ambos tremendo, a de por medo e a de Victor por
ódio. - ANDA! - e aperta o gatilho, acertando a lateral do corpo dela, na altura
do rim. Ouço seu gemido de dor e seu corpo desabar. - Coragem de matar alguém
desarmado você tem, não é? - ele se aproxima dela e chuta seu corpo. - Sua
vagabunda. - e a chuta de novo.
Vejo o que era minha mãe abraçar o corpo morto e não hesito em sacar minha arma
e acertar sua cabeça, fazendo com que Victor virasse rapidamente para mim, como
se acabasse de se lembrar que eu estava ali. Com a mesma rapidez que sua cabeça
e corpo viraram para mirar em mim, o meu corpo virara para ele e fora
instantâneo, dois tiros, dois acertos, dois gemidos de dor e um berro com meu
nome.
Meu ombro queimava e a dor era tanta que a fazia ficar dormente. Diabos.
- Seu desgraçado. - Victor murmurava e mira mais uma vez em mim, que estava
prestes a lhe mandar outro tiro, quando ouço um "abaixe" e ao fazer, uma bala de
uma arma calibre 12 atravessa a porta, acertando o peito de Victor.
E o desgraçado não morreu. Ele ria.
- Vocês acham mesmo que essas balinhas vão me matar tão fácil?
- Essa era a idéia. - ouço a voz de Cannon. - Renda-se Bornighan, você já era.
Ele ri mais uma vez e dá dois passos para trás, pegando e a levantando.
Mais um gemido de dor e meu passo para frente:
- Mais um e ela morre. - ele deposita a arma na cabeça dela, nos fazendo parar.
- Eu posso morrer, mas levo sua garota junto, , o que acha?
"Merda." Penso. sequer olhava para nós, sua atenção estava no lugar
onde Victor a acertara com a bala. Uma grande mancha de sangue se estendia por
sua roupa. Sua mão não estava mais conseguindo estancar o ferimento.
- Larga ela, Victor. - falo sério e ouço sua risada.
- Nem pensar.
Vejo Jackson entrar pela sacada com uma arma na mão e encostando em Victor.
- Ouviu o que disse, Bornighan. Largue a garota.
Victor fecha os olhos e sorri, soltando , que cai no chão e solta mais
um gemido dolorido.
- Vem . - Cannon diz ainda olhando Victor, que sorria. Isso não estava
me cheirando bem. Olho ao redor. Nada. Ele estava planejando.
- Atire nele logo. - murmuro nervoso enquanto se levantava com
dificuldade para vir até onde nós estávamos. - JACKSON!
E não houve mais tempo. Um segundo e Victor levanta novamente sua arma, outro
segundo e dois tiros eram ouvidos. Um acertando Victor e outro . O
esquema foi que não fora a bala de Victor que a acertara e sim a de Jackson.
Victor apontara a arma para dentro de sua boca e nos fez achar que seria para
, em seguida Jackson atirara, não antes de Victor atirar e se matar,
fazendo com que seu corpo saísse da frente de e a acertasse em cheio
nas costas.
- NÃO! - berro correndo até ela, que caía novamente no chão.
- Mas que merda! - Jackson dizia vindo até mim. - --
- Chama a ambulância. - falo enquanto a virava para mim. - , !
Abre os olhos, anda! ANDA!
Lentamente ela me obedece e a levanto, a fazendo fazer uma careta e gemer de
dor.
- Desculpa, ...
- Shhh... - eu falava descendo com Jackson em minha frente e Cannon atrás de
mim, berrando para nosso clã que havia acabado e que era para voltamos para
casa. - Vai passar, agüenta firme, vou te levar para o hospital.
- Eu vou morrer... - ela dizia fraca.
- Cala a boca. - falo sério enquanto corríamos o mais rápido que podíamos. Ginny
nos esperava com um jipe e arregalou os olhos ao ver o corpo de em meus
braços. Sequer esperara eu fechar a porta para acelerar em direção ao hospital
mais próximo.
- Não é um caso fácil, senhor...
- Brown. - completo a frase do médico, que concorda com a cabeça.
- Ela fora acertada em partes vitais e têm de realizar alguma operações de alto
risco. Estamos trabalhando nisso. - ele acrescenta ao ver minha expressão. - Mas
não espere muita coisa, senhor Brown. Na verdade, vou ser honesto com o senhor,
não tenho muitas esperanças nela.
Meu estômago revira. Tudo estava revirado. Minha cabeça, meu corpo, minha vida.
Ela era a única que conseguiria me ajudar agora. E neste momento ela está dentro
da Unidade de Tratamento Intensivo lutando pela vida, que o médico disse não
valer muito a pena.
- Eu sinto muito. - ele coloca a mão em meu ombro, como se quisesse me passar
força e concordo com a cabeça, ainda sério e o vejo se virar para voltar para
dentro da sala de cirurgias, onde eu mandara trazer os melhores médicos do
mundo.
Ela não podia me deixar aqui. Não agora. Não agora que ela me fez finalmente
saber o que é amor. Que me fez querer deixar a minha vida e aprender a viver uma
vida normal. Ela não podia me deixar sozinho.
Então eu decidi.
Se ela me deixasse. Eu iria atrás dela. E eu estava pronto para isso. Eu e minha
arma.
- Senhor Brown? - ouço duas semanas depois. Duas semanas e não havia
dado nenhum sinal de melhora. Não morria, tampouco dava indício de que iria
acordar. Eu estava exausto e minha esperança por um fio. Levanto a cabeça para
encarar o médico. - Posso lhe dar uma palavra? - e indica sua sala. Me levanto
me preparando para o pior.
O enterro de Jared havia sido há uma semana e mesmo assim o peso de perder meu
amigo ainda pesava. Cannon não estava muito melhor. Pelo que eu fiquei sabendo,
ele faria uma viagem para tentar espairar um pouco.
- Me liga se ela indicar alguma melhora. - foi a última coisa que me dissera
antes de sair do cemitério. De lá para cá, não nos falamos mais.
As coisas deveriam estar melhorando agora que quem deveria ter morrido, morrera.
Nunca pensei que a vida fosse estar pior com Bornighan morto. Ontem, em casa,
recebi uma carta dos advogados da família. Eu ficaria com a herança tanto
quanto Bornighan, afinal, eles planejavam mudar tudo para o nome de
Victor assim que eu morresse. O tiro saiu pela culatra e o trilhionário agora
sou eu.
Se fosse há meses atrás eu estaria comemorando com Cannon e Jared, viajando pelo
mundo. Ou mesmo sozinho, comprando alguma ilha escondida no mapa onde eu pudesse
ter meu momento e minha paz. Agora os tempos eram outros e meu coração tinha uma
dona. E a dona tinha nome e sobrenome: .
Me sento na poltrona na frente da mesa e o olho com uma expressão cansada. Eu já
sabia que não viria uma notícia boa. Se fosse, ele estaria louco para me contar
e não me enrolaria com tanto blábláblá.
- Senhor Brown, o senhor já está a par da situação da senhorita Craigan. - ele
começara, colocando as duas mãos sobre a mesa. - Não temos previsão de melhora e
não acho que irá melhorar muito mais. Estamos fazendo o possível. O que venho a
lhe perguntar a seguir não é de extrema urgência e o senhor pode pensar com toda
a paciência e ter o tempo que precisar para responder. Caso a senhorita Craigan
não chegue a melhorar e como o senhor é o responsável por ela, é preciso da
autorização e conciêntização para o desligamento da máquina.
Por fora eu apenas continuava com a mesma expressão fria que sempre tivera. Por
dentro parte de mim estava matando todo meu interior. Desligar a máquina seria
matá-la. Eu nunca mataria .
- Não é necessário responder agora, senhor Brown. - o médico diz se levantando.
- Assim que tiver pensado bem, pode vir falar comigo.
Me levanto sem dizer mais nada e me retiro da sala, voltando para a UTI. Eu não
podia ficar lá por muito tempo nem dormir, então eu vinha sempre nos horários de
visita e no tempo em que tinha de ficar fora dalí, optava por ficar caminhando
sem rumo e tentar pensar no que fazer caso ela não sobrevivesse. Sinceramente,
estava bem difícil. Todos meus planos a incluia.
A olho por trás da janela de vidro que havia no quarto antes de entrar. Ela
estava toda ligada a máquinas e os olhos bem fechados. Entro no lugar e paro em
seu lado. Seguro em sua mão e me sento na poltrona que sempre deixava ali.
Suspiro pesado.
- Eu disse pra você que não ia dar certo. - murmuro. Claro que eu não havia dito
isso. Eu não pensava assim. Por mais que eu quisesse, o amor estava ali
novamente para me atrapalhar e me estragar. Onde está o que não tinha
medo, não sentia nada por ninguém? Onde está o antigo eu? - Apenas acorde, por
favor.
Encosto a cabeça na mão dela. O que fazer quando a única pessoa em que você é
ligada na vida está parecendo um vegetal? É a resposta que eu mais queria saber.
Quatro meses depois...
Eu havia decidido começar a me distrair. Um novo trabalho. Matar pessoas não me
interessava mais, apesar de ser a única coisa boa que eu fazia. Eu decidira que
não iria matar mais ninguém. Por mim, por e por Jared, que sempre me
dissera que essa não era a vida que eu queria. Como ele previra, eu era um
fraco. Sou e sempre serei. Há certas coisas na vida que devemos aceitar. Ser um
serial killer é bom até você souber a sua verdadeira missão na vida. A minha era
conseguir deixar de ser o que eu estava certo que era para ser. Eu já sabia que
deveria ser qualquer coisa, menos um matador.
Cannon viera passar um tempo comigo depois de três meses longe. Voltara com uma
grega. Era uma bela mulher.
- Há várias dessas por lá. - ele dizia enquanto a mulher nos fazia uma bebida em
casa. - Nada ainda da ?
Nego com a cabeça e recebo o copo da grega bebendo todo o conteúdo de uma só
vez. Só santos sabiam o quanto eu precisava ficar bêbado.
- Ela vai melhorar, . Sabe, meus pais sempre disseram de que se a pessoa
não morreu de uma vez, talvez seja porque elas tenham que viver mais um pouco.
Nada respondo. Os pais de Cannon não haviam dito de que se fosse para ela viver,
já teria dado algum sinal de melhora.
- E o que anda fazendo?
- Estou com uma agência. - falo me levantando e indo eu mesmo pegar minha
bebida.
- Uma agência? Você está trabalhando?
- Não dá para ser um vagabundo para o resto da vida. - murmuro pegando gelos e a
garrafa de whisky.
- Você é um vagabundo trilhonário, . Tem mais de 10 trilhões de dólares
na sua conta e tudo o que você pensa é em fazer mais dinheiro?
- Penso em me distrair. O dinheiro vem por conseqüência.
- Enfim, é uma agência de quê? Modelos? - ele sorri para a parceira, que lhe
devolve um sorriso malicioso. Lembrar a mim mesmo de não passar a noite em casa,
se quiser paz.
- Serial Killers.
Ele fica sério e desvia o olhar para mim.
- Você está com uma agência de matadores?
- Estou.
- E porque diabos você tem isso?
- Oras, se não sou bom o suficiente para ser um deles, tenho certeza de que sou
para ser o "dono" deles. - faço aspas com os dedos.
- , você era um bom matador.
- Eu sou um bom estrategista. - volto a me sentar e o vejo levantar uma
sobrancelha. - É bem diferente.
- Sim, é diferente. Só achei que você quisesse deixar absolutamente tudo fora da
sua nova vida.
- Não dá para renegar as raízes. - levanto os ombros. Ouvimos o telefone tocar.
Ultimamente era a única coisa que fazia barulho em casa. O telefone. Pessoas
ligando e pedindo para matar as outras. Este país não era bem um paraíso como as
agências de viagem diziam para os estrangeiros.
Me levanto e preguiçosamente vou até a base do telefone, o pegando.
- Alô?
- Senhor Brown?
- Ele. - eu já sabia quem era. Havia dito meu nome como Eric Brown no Hospital
Particular Saint Lewis.
- Estou ligando para avisar sobre a senhorita Craigan. - suspiro cansado, não
esperando pelo que vinha a seguir. - Ela acordou.
Um choque passa por todo meu corpo.
- Como?
- Sei que fora inesperado. Eu mesmo estou surpreso, mas tenho certeza de que não
é uma miragem, senhor Brown, a senhorita Craigan está bem acordada. Com os olhos
bem abertos. Ela chama por um tal de .
- Certo, estou indo praí. - e desligo rapidamente, me virando para Cannon, que
me olhava curioso.
- Então... - ele disse ao me ver subir as escadas de três em três lances, pegar
meu casaco e descer correndo. - Não vai me contar quem era?
- O Hospital.
- ELA MORREU? - ele se levanta rapidamente assustado e corre até mim, que paro e
o olho sério.
- Acha mesmo que eu estaria correndo desta maneira feito um louco se ela tivesse
morrido?
- Então ela está viva?
Ficamos cerca de 10 segundos calados um olhando para o outro, até eu resolver
ignorar a fazer algum comentário que o magoasse e lhe dei as costas, seguindo
para fora de casa.
- Estaremos aqui. - o ouço gritar. E novamente quase lhe mandei um comentário
magoante. Fechei a porta sem responder e corri para o carro, acelerando o mais
rápido, provavelmente pegando altas multas, mas como Cannon dissera, o dinheiro
estava ali para ser gasto.
Vinte minutos e eu estava de frente para o médico, que me explicava rapidamente
sobre o despertar de . Ele sabia que eu não estava nem aí para os
organismos que voltaram a funcionar, eu queria vê-la. Em cor e ao vivo de olhos
abertos. Mais cinco minutos de espera e eu pude entrar.
Ela olhava para a janela, calma e tranqüila como sempre fora. Eu fecho a porta
atrás de mim e vejo seu rosto virar em minha direção. Ela abre um pequeno
sorriso e eu abro o meu.
- Você mudou. - ah, como eu senti falta daquela voz. Sento ao seu lado e a vejo
levantar a mão e passar na lateral de minha face.
- Cortei o cabelo. - sorrio. Ela ri com minha brincadeira. Eu estava mesmo de
bom humor.
- Ficou bonito.
- Fiquei? - faço uma careta e ela revira os olhos.
- Eu nunca vou dizer o que quer que eu diga.
- O que você acha que eu quero que você diga?
- Que você é bonito.
- Você acha que sou?
Ela abre a boca, mas logo pára. Faz uma careta e eu dou uma breve risada.
- Quase me pegou.
- Sim, essa foi por pouco.
- Então, quatro meses e meio. - ela olha para fora. - Imagino o quanto mudou
tudo.
Toc Toc
Olhamos os dois para a porta, eu, obviamente, com o olhar mais assassino do
mundo, e não era aquele calmo de que a pessoa sabe que vai morrer e sim uma em
desespero para ela sair dali o mais rápido que podia. Porém, o médico não tinha
esse modo de intimidação ligado e me chamou para mais uma conversa. Beijei a
testa de e segui para fora do quarto.
- Gostaria de lhe dar uma informação, senhor Brown. Achei que seria mais sensato
dizer primeiro ao senhor do que para a senhorita Craigan. - ele indica a porta
de sua sala e eu rapidamente ando até ela, afim de sair da mesma com a mesma
rapidez que fui até lá.
Nos sentamos e não me parecia ser uma notícia ruim, pois o médico sorria com
toda a vontade. Me mantenho calado esperando a notícia, até ele dizer, com todas
as palavras e bem claro:
- A senhorita Craigan está grávida. De 6 meses.
Por um momento o meu coração batera acelerado, mas no momento seguinte, ele
parara. Grávida?
Meu rosto, que até aquele momento se mantinha sereno, mudara para uma expressão
mortífera. O que não passou despercebido pelo médico, que a propósito, ficara
bem sem-graça.
- Tem certeza? - falo sério.
- Hm... Sim. - ele parecia agora bem hesitante. Me levanto.
- Obrigado pela informação. - e me dirijo para fora da sala, indo diretamente
para o quarto de , entrando e fechando a porta, trancando em seguida.
Ela, ao ver minhas ações, se mantém calada e um pouco mais ansiosa do que
aparentava estar.
- Aconteceu algo?
- Aconteceu. - respondo um milésimo de segundo depois de sua pergunta.
- E o que é?
- Você está grávida. De seis meses. - repito da mesma maneira que o médico
disse, porém, em outro tom.
A reação dela fora idêntica à minha. Nós dois sabíamos muito bem que a criança
não era minha. E ambos sabíamos também com quem estava há 6 meses
atrás.
- Você transou com ele? - eu sabia da resposta, mas agora, hm, agora eu queria
mesmo que ela sofresse.
Ela mexia as mãos nervosa.
- Transou ou não? - pergunto calmo. Ela me olha ansiosa.
- Eu não queria.
- Não se transa quando não quer. - respondo me levantando e lhe dando as coisas.
- Quer que eu fale que ele me estrupou? Então ele me estuprou! Diga o que
quiser, , eu não quis!
Respiro fundo. Eu estava prestes a abrir a porta daquele quarto para não voltar
mais. Fui exagerado. Era óbvio que eu iria voltar. Eu não seria tudo o que sou
agora se não voltasse quando dissesse que iria.
Ficamos calados. Me viro para ela e a vejo vermelha, eu aposto todo meu dinheiro
que ela estava muito nervosa consigo mesma. Talvez até mais do que eu. Olho para
a barriga dela e então percebo a saliência. Ela estava mesmo grávida e estava na
cara de quem quisesse ver. A mãe de Cannon no final das contas estava mesmo
errada. Ela não morrera porque tinha uma vida para dar.
Um herdeiro de Victor Bornighan.
Mais duas semanas e nós estávamos indo para casa. Ela havia vendido todas as
suas ações e resolvera ficar comigo. Tinhamos dinheiro o suficiente para
ficarmos sem trabalhar pro resto da vida. Mesmo que tivessemos 200 anos. Porém o
clima estava bem pesado entre nós. Depois da notícia da gravidez dela nada
parecia nos deixar a vontade.
Sexo? Nem pensar, ela estava preocupada demais com a miniatura do Bornighan que
estava por vir. Cannon fora bem amigável com o assunto:
- Mate o bebê. - ele dissera sério.
- Ela não quer abortar.
- Eu não disse "aborte o bebê", . Eu disse mate.
Fiquei calado. Essa era uma possibilidade. Nego com a cabeça.
- Prometi à mim mesmo que não iria tirar a vida de mais ninguém.
- ! Onde está sua sanidade? Perdeu ela quando matou Victor? A criança é
filha do Bornighan! Ela vai te matar quando crescer e souber que você é o ser
que assassinou o pai biológico.
- Eu não espero fazer parte da vida dessa criança. - falo nervoso pensando na
possibilidade.
- E você vai fazer o quê? Sumir da vida da ? Esqueceu quem é a mãe?
É. Eu havia esquecido. De qualquer maneira, não quis matar a criança. ,
mesmo escondendo de mim, estava animada com aquilo. Queria ter a criança, mesmo
sendo filha de quem era. Ia escondida ao médico, toda vez que passavamos em uma
loja de bebês, ela demorava mais que o normal olhando a vitrine. E eu sabia que
ela comprava alguma coisa, quando voltava sozinha na loja. Ela gostava da idéia
de ser mãe.
Então veio o bebê. Eu não fiquei ansioso como todos os homens na mesma sala que
eu na hora do parto. Fiquei sentado, lendo um jornal, apenas ali porque ela era
quem estava dando a luz e não qualquer mulher. Eu não invejava nem um pouco os
homens que choravam emocionados com a notícia de que eram pais.
- Como você consegue ser tão calmo num momento desses? - um deles, que já jogara
milhares de lenços de papel fora pelo fato das mãos não pararem de suar. O olho
desinteressado no diálogo e respondo frio.
- Não é meu filho quem está nascendo.
- Ah, é seu sobrinho?
- Não. - e volto a olhar para o jornal. O homem não tentara mais conversar
comigo.
- Senhor ? - ouço dizerem. Abaixo o jornal. - Parabéns, é um menino.
Ótimo. Herdeiro do Bornighan e homem. O bebê estava pedindo.
Me levanto e, com toda a calma sigo o enfermeiro. Entro no quarto em que
estava com a criança e fico parado na frente da cama, olhando para
aquele ser que era do tamanho do meu ante-braço. Ela levanta o rosto suado para
mim. Encaro em seus olhos. Foi aí que a tristeza bateu em mim. Ela estava feliz.
Eu não estava em paz.
Todo dia, toda tarde, toda noite, todos os lugares aquele maldito choro ecoava
em meu cérebro. Chegara a um tempo em que mesmo ele não chorando, eu ouvia o
choro.
- É um bebê, . - ela dizia cansada.
- Um bebê que tirou nossa vida, . - eu falava nervoso.
- Nossa vida? Você sequer olha pra ele!
- É claro que eu não olho para ele, é para o bem dele!
- Um pouco de compaixão não faz mal a ninguém. - aquilo me deixara realmente
nervoso. À quem ela estava pedindo compaixão? Ela estava louca? Resolvo ignorar
o pedido dela e sigo para fora do nosso quarto.
Pensando mais um pouco, era melhor eu sair de casa. Mais um segundo no meio de
todo aquele choro eu enlouquecia. Pego o carro e sigo até a casa de Cannon, onde
a garota grega atende a porta.
- Can, seu amigo está aqui. - e dá alguns passos para trás me permitindo entrar.
- O que traz aqui novamente pela terceira vez em quatro
dias? - Cannon se aproxima com uma expressão divertida. - Deixe-me ver...
- Cale a boca. - murmuro mal humorado. - Eu devia ter te ouvido.
- Em quais das vezes?
Meu olhar o fez pensar bem antes de continuar sendo irônico.
- Devia ter matado a criança.
Ele ri.
- , vou te contar uma coisa. - e coloca o braço em meu ombro, enquanto
andávamos para o jardim com a piscina. Algo dentro de meu estômago avisa de que
eu estava sentindo falta de Jared e sua casa cheia. Mesmo sendo de prostitutas,
era sempre agradável visitá-lo. - Bebês são todos iguais. Meu aviso fosse para
que você se preparasse para o futuro, não para um choro de nada.
- Vou mandar o choro de nada para você. Quero ver se sobrevive.
- Eu sobrevivo.
O pior era que ele sobrevivia mesmo.
Suspiro cansado.
- Me traga uma bebida e seja um bom amigo me consolando e não me dando avisos
que sabe que não irei ouvir. - me sento numa das cadeiras da piscina e encosto,
relaxando. Eu só havia sossego quando estava ali. Em casa era como a terceira
guerra mundial. Terceira guerra mundial infantil. E os bebês ganhavam.
Passei o dia inteiro ali tirando todos os pensamentos com relação ao bebê. Fora
extremamente difícil retirar o "matar"; "afogar"; "queimar" e "eletrocutar" da
cabeça. Bebê à carbonara. É. não ia gostar disso.
Voltei para casa lá pelas 23:30, meia-noite, ela estava saindo do banho quando
entrei no quarto.
- Onde estava? - ela perguntou indo para seu closet. A sigo.
- Cannon. - falo sério parado no batente.
Ela nada mais diz. Apenas veste sua lingerie e sua camisola de seda branca.
Passa a toalha no cabelo e se vira para provavelmente voltar ao banheiro. Mas eu
não estava muito afim de deixá-la passar, não depois de tê-la visto nua.
Ela já sabia o que eu queria.
- Estou cansada.
- Eu também. - respondo instantâneamente. Ela suspira e sorri.
- Eu imaginava. Quer uma massagem?
- Adoraria.
Em seguida sinto suas mãos deslizarem por debaixo de minha camiseta e seus
lábios encostarem nos meus. Passo os dedos levemente sobre sua camisola e paro
em sua cintura, a puxando mais para perto de mim e aumentando o tesão entre nós
dois. Desço os lábios por seu pescoço, trilhando um caminho onde a saliva era o
único resquício de que eu havia passado por lá. A maciez da pele dela me
extasiava e fazia com que a minha queimasse em excitação. A medida que ia me
agaichando, beijando seu pescoço, colo e seios, descia comigo sua camisola. Olho
sua calcinha de renda e em seguinda para cima, onde mordia o lábio
sensualmente. Mando-lhe um sorriso maroto e desço, depositando um leve beijo no
lugar.
- Cama. - ela murmura.
- Aqui. - respondo a puxando para mim. Sem reclamações, ela se ajoelha, tirando
minha camiseta e passando as mãos rapidamente por todo meu corpo. Ela parecia
ter uma certa urgência em me sentir ali. Enfim nós estávamos nus em pêlo. Me
sentara, encostando num dos armários e a fazendo se sentar de frente para mim em
meu colo. Agora sim eu precisava dela. Seus lábios mordiscavam minha orelha e
sua língua passava por meu pescoço. Suas mãos apertavam meus braços e suas
pernas estavam dobradas uma de cada lado de mim.
Eu gemia baixo com todo o tratamento e rapidamente coloquei minha mão direita em
sua vagina, a fazendo soltar um alto gemido de prazer. Massageava sua intimidade
enquanto ela tentava abafar todo o som que saía por entre seus lábios. Ouvia meu
nome sendo sussurrado sensualmente em meu ouvido, enquanto fazia minha parte.
Então em um momento de surpresa minha, ela puxa minha mão para longe de si e me
penetra, me fazendo entrar em delírio.
Começara como ela sempre começava quando estava tomando conta da situação.
Lentamente. Gradativamente a velocidade aumentava, assim como os gemidos, o
prazer e a vontade de querer mais. Eu a ajudava, com minhas mãos em sua cintura.
- ... - ela avisa que estava por vir.
- Mais um pouco. - falo com dificuldade, a sentindo aumentar as estocadas.
Ao fim, chegamos no ápice juntos. Deliciados, escorrego minhas costas agora para
o chão, a sentindo deitar em cima de mim. Nossos corações batiam
descompassadamente e nossa respiração era rápida.
Ela se movimenta, descendo de mim e apoiando sua cabeça ainda em meu peito,
olho-a e a vejo com seu sorriso malicioso, abrindo a boca e dizendo apenas uma
palavra:
- Mais.
Sorrio agora a envolvendo. Eu teria que tomar conta da situação.
- Faz essa criança parar de chorar. - eu murmuro enquanto tentava dormir
tranqüilo seis meses depois.
- Calma, , ele está com dor de estômago, não vai parar dessa maneira.
- Então some daqui com ele! - me sento nervoso na cama.
- Pára de falar isso! Eu não vou sumir com ele! Mas que droga! - ela berra
fazendo a criança chorar mais ainda. - Porque você não entende?
- Porque você não ME entende? - eu grito me levantando. - Some com ele daqui ou
senão sumo eu!
Ela arregala os olhos. Eu estava vermelho. Ela conhecia aquele meu estado.
- Você não vai fazer isso.
- Então é bom tirar ele da minha frente neste segundo. - murmuro assassinamente.
Ela abraça-o mais forte. Aquilo o que eu sentia já passara do ciúmes. Eu estava
com raiva. Raiva dessa criança maldita. Raiva de .
- Pára . - eu odiava quando ela me chamava pelo meu nome. Fecho minha mão
em um punho. - Eu não vou abrir mão do meu filho.
Então o mundo pára. Eu estava cansado. Cansado de tentar evitar. Eu tinha
que fazer aquilo. Estava me matando. Victor Bornighan me amaldiçoara
quando mandara essa criança. Ela parecia saber que eu era o maior inimigo do pai
e que o matara e agora estava se vingando sabendo que tinha para
protegê-lo. Mas não seria mais um obstáculo. Não mais.
Segui diretamente até ela, pegando a criança de seu colo.
- , o que você ta fazendo? ! - ela berra enquanto eu seguia com ela até
a sacada do nosso quarto. - Me devolve ele, , por favor, me devolve--NÃO!
Eu olho para baixo e coloco a criança para o lado de fora da sacada ainda a
segurando.
- Vai me atormentar? Vai querer se vingar do seu pai idiota? - eu ignorava todos
os tapas, socos e gritos que dava atrás de mim. - Pois saiba, seu
muleque, que eu não vou dar chance para a sorte.
E o solto.
- , NÃO! - quase se joga atrás do bebê, se não fosse eu
segurá-la pela cintura. Olho para baixo e sorrio aliviado. O choro cessara. Sem
mais atormentação. Olho para , ela mantinha os olhos arregalados para
onde o bebê estava jazido morto. Ela tentava respirar, mas parecia ser
impossível naquele momento. - Você... - sua voz saía rouca, falhando e fraca. A
olho sério.
- Eu disse que eu mesmo calaria a boca dele. Entre. - ela não se move. - ENTRE!
Sem dizer nada, ela entra, desabando no chão e começando a chorar. Reviro os
olhos. Eu não queria me livrar daquele choro em específico.
- Vamos dormir, logo você esquece aquela coisa. - e sigo para me deitar em nossa
cama. Mas ela não me seguira, não viera até mim. Ficara ali, no chão, chorando,
soluçando e chamando pelo filho. - !
- Me deixa em paz seu... seu assassino!
Arregalo os olhos surpreso com o que deveria ser um chingamento. Me levanto
rapidamente da cama e sigo até ela, a fazendo se afastar e se encolher num canto
do quarto atrás de si.
- Escuta. E me escuta direito! - eu agaicho na frente dela. - Eu deixei de ser
isso o que você me chamou por você. VOCÊ! TA ME OUVINDO? - seguro firme em seu
pescoço. - Eu deixei tudo para trás pra ficar com você, aceitei aquela coisa
dentro da minha casa. ELE ERA FILHO DO MEU INIMIGO! Você viu o que ele fez para
mim, VOCÊ VIU!
Ela se encolhia a cada grito que eu dava e chorava baixo.
- Queria ver se você tivesse de conviver com um ser que é a cópia genérica da
pessoa que você mais odeia no mundo. Queria ver se conseguiria encarar o filho
daquele que acabou com sua vida e te fez viver através de uma mentira.
ouvia tudo o que eu dizia e pareceu entender meu lado. Me olhou
espantada com tudo o que falei. Ela não havia pensado por aquele lado, claro,
ela estava ocupada demais cuidando da aberração. Se jogou em meus braços
murmurando palavras sem nexo, onde eu apenas entendi o "me desculpe". Sem dizer
mais nada, me levantei e a levei para cama comigo.
O dia seguinte fora bem normal. Acordei mais cedo que e mandei
limparem toda a sujeira que aquela criatura criou na noite anterior. Fora um dia
muito bom se me perguntassem. não estava 100%, mas estava melhor do que
a noite anterior.
- Aonde vai? - ela me perguntava assim que beijei seus lábios depois que havia
pego meu casaco.
- Agência.
- Não pode ficar aqui? - ela parecia exatamente quando estava grávida daquilo.
Carente e precisando de mim.
- Desculpe, tenho um pedido de emergência. Volto daqui a quatro horas para
almoçar com você.
- Tudo bem.
Dou-lhe mais um beijo nos lábios e sigo para fora do quarto. Cannon me visitava
sempre que eu ficava mais de um dia sem dar notícias. Acontece que naquele em
específico, ele fora com um sorriso bem maior.
- Quer dizer que se livrou do etêzinho Bornighan?
- O santo de Jared bateu em você ou o quê? - eu dizia enquanto avaliava uma
estratégia que haviam me mandado para aprovar.
- Não me venha com essa de Jared, . A propósito. Ele nunca mataria o
filho da mulher que amava.
- Sorte que não sou ele.
- E a promessa de que não ia matar mais ninguém.
- Se foi quando ouvi aquele choro.
- Então quer dizer que vai voltar à ação?
- Não.
O vejo ficar sério.
- --
- Caso encerrado. - falo voltando a atenção para o trabalho. Ele ficou até a
hora que eu havia combinado com que estaria em casa. Nos despedimos e
segui para meu lar. Doce lar. Doce até eu ver todos aqueles carro da polícia e
ambulância em frente de casa. Estaciono e vou até o primeiro policial que
aparece. - O que diabos está acontecendo aqui?
- O senhor é o proprietário desta residência? - um outro aparece rapidamente.
Confirmo e ele levanta a mão. - Policial Croghan.
- Pode me explicar o que está acontecendo aqui? - não era possível que
tivesse ligado para a polícia porque matei o filho daquele... cadáver.
- Sua secretária ligou desesperada. Parece que houve um homicídio aqui.
O fico encarando sério o esperando que continuasse.
- Por um acaso, o senhor conhece esta pessoa? - e mostra uma foto de .
Não.
Volto o olhar para o policial.
- O que tem ela?
- Aparentemente ela cometera suicídio há algumas horas. Estava em posse de uma
arma, o senhor por acaso, é dono do objeto?
- Eu tenho cara de ter arma em casa? Onde ela está? - olho para os lados.
- Fora levada para o necrotério do hospital do cent-- - não o esperei terminar.
Voltei para meu carro e corri o máximo que podia até o hospital indicado. Ela
não poderia ter feito aquilo. Não comigo. Não depois de tudo o que fiz por ela.
Não demorei a encontrar com o médico responsável pelo corpo dela.
- Um tiro na boca apenas. - ele me informara. - O senhor é o marido dela?
Hesito.
- Não. - respondo seco.
- O senhor, por acaso, conhece o home--
- Ela não tem mais contato com a família. - o corto rapidamente. O vejo
concordar com a cabeça e então suspirar, concordando com a cabeça.
- Há algo que ela não sabia enquanto estava viva. - o médico diz pesaroso. O
olho tentando demonstrar minha ansiedade, mas minha expressão estava dura como
uma pedra em meu rosto. - Ela carregava no ventre, um bebê. Tive que retirá-lo
do útero para que sobrevivesse.
Um choque passa por meu corpo. Da mesma maneira que soube quando ficara sabendo
da gravidez de com Bornighan.
- Como?
- A senhorita, ela estava grávida. Por algum milagre, ela não atirara em alguma
parte que prejudicasse a continuidade da formação do feto. Continuaremos com o
in vitro.
Encosto na parede. Ela não podia ter feito isso comigo.
- Quero vê-la.
O médico concorda.
- Gostaria de saber com quem o bebê--
- Sei quem irá ficar, não se preocupe. - o corto novamente, o fazendo então sem
reclamar mais, abrir a porta de uma sala, onde um corpo jazia debaixo de um
lençol.
Sigo até o tal e retiro o pano para ver o rosto já frio de .
- Tudo o que fiz para te manter viva... - murmuro. - Tudo o que fiz para que
ficasse feliz e não fizesse o que fez... - aperto o lençol entre minhas mãos. -
Só me diga onde eu errei. Pois o seu erro fora ter parido aquela criança.
Fico calado, minha vista sendo embaçada pelas lágrimas. Lágrimas de angústia e
raiva. Lágrimas de tristeza e inconformidade. Lágrimas de saudade.
- E agora? O que eu faço com a nossa criança?
E a resposta não veio. Nunca veio. E eu nunca soube o que fazer com ela de
verdade. Porque nós nunca havíamos pensado em ter um herdeiro. Eu não queria um.
E não teria.
10 anos depois...
- Ora, ora, ora, se não é ? - ouvia a voz agora mais velha de
Cannon. - E como fora na sua missão?
- Os russos são podres. - respondo maroto e ele ri.
- Você não muda, , não muda. Vamos, entre! Imagino que esteja cansado de
ver sangue, huh? Camille está preparando um jantar daqueles!
Sorrio e aceito o convite, deixando a bolsa de trabalho ao lado da porta, como
sempre fazia e observando todo o lugar, agora parecendo mais alegre. Olho para
Cannon, que até então me olhava animado.
- E como está? - ele sabia que a pergunta não era sobre ele. O vejo diminuir o
sorriso.
- Veja com seus próprios olhos. - e abre uma porta, onde eu podia ver dois
meninos em frente a uma TV enorme. Ambos concentrados em vencer. - Ô moleques,
olha só quem veio nos visitar!
- Tio ! - um deles responde animado, jogando o controle do video-game
para o alto e correndo até mim e abraçando minhas pernas, ele tinha por volta de
seus 7 anos. O outro apenas me olhara um pouco menos animado e se levantou,
vindo até mim calmamente.
Diminuo o sorriso. Ele era o espelho dela. Quando o via, a via ali, me
encarando, com seus mesmos olhos, sua mesma expressão, até seu mesmo sorriso.
- Não vai dizer nada? - Cannon diz para o garoto, que sorri tímido.
- Oi, tio .
Eu podia sentir se remexer no fundo do túmulo. Eu não havia ficado com
a criança. Não ficaria com ela. Assim como não ficara com . Minha vida
era para ser mesmo da maneira que eu pensara desde o início. Sem amor, sem vida
real, sem sentimentos. Eu e minha frieza. Eu e minhas armas. Eu e meus inimigos.
Pedi a Cannon que ficasse com o garoto, ele sim estava disposto a uma nova vida.
E eu não queria aquele menino vivendo da minha vida. Ele não seria como o pai.
Seria feliz, assim como sua mãe seria se não tivesse conhecido a mim.
Meu erro um dia foi fraquejar perante uma mulher, um amor que no final acabara sendo impossível. Mas a vida é cheia de surpresas e de uma coisa eu sabia: eu não sou mais fraco, pois os fracos morrem, e eu estava ali. Vivo e pronto para exterminar quem quer que fraquejasse em minha frente.