’s POV.
Eu nem sabia como havia chegado naquele bar e muito menos o que pedir ao barman na minha frente, que me olhava impaciente, com aquela cara de tédio que todo barman esconde por trás de um sorriso falso. E esse nem um mísero e torto sorriso conseguiu me dar.
- Um Martini, por favor – eu disse rápido.
Era estranho estar naquele lugar onde ninguém parecia me conhecer, eu já estava mais que acostumado a ser paparicado e constantemente parado nos lugares para me pedirem um autografo ou uma foto, mas ali não, ninguém me reconhecera até agora. O bar estava abarrotado e as pessoas conversavam animadamente embaladas por uma voz quente e sexual que saia do grande aparelho de som no extremo oposto da sala. Eu definitivamente não conseguia entender o que a cantora falava, ela nem ao menos cantava em espanhol e parecia que nem as pessoas ao meu redor falavam a minha língua, talvez estivessem falando em português ou em outras das milhares de línguas latinas.
Finalmente o barman trouxe meu Martini eu o peguei e te entreguei uma nota qualquer, talvez cinquenta libras, ele me olhou afoito como se estivesse em dúvida se eu estava te dando uma boa gorjeta ou se eu estava esperando que ele me devolvesse o troco. Mas quando virei-me de costas para ele indo me sentar em uma das mesas mais afastadas do bar eu o vi, com o canto do olho, guardar a nota no bolso do avental.
As pessoas continuavam a remexer seus corpos e eu continuava a me esquivar de seus olhares repentinos, é claro que eu me sentia deslocado e invisível naquele lugar, mas não era esse o meu propósito? Não era isso que eu queria? Me sentir um estranho. E até agora estava funcionando.
E a noite corria sem fleches ou fãs, sem entrevistas ou paparazzi. Era até mais fácil ser uma pessoa normal, mas não era tão divertido quanto ser um astro do rock. Mas é o que temos pra hoje. Tomei um gole do meu Martini que não era nem de longe o melhor que eu já havia tomando, mas me serviria àquela noite. Olhei para as pessoas a minha volta imaginando o que elas estavam conversando, mas meus olhos vagaram para a mobília escura e rústica do lugar e logo depois meus olhos pararam na bandeira da Inglaterra bem abaixo da do Brasil do lado da porta de entrada. Então era um bar Brasileiro, isso explica muita coisa.
Naquele instante a porta se abriu devagar e duas garotas entraram correndo, tirando seus casacos e indo em direção ao barman, sentaram nas cadeiras que haviam sido postas na frente do balcão e pareciam conversar sobre algo engraçado, pois o sorriso de ambas lhe cobriam os rostos, isso me lembrou os guys e me fez pensar onde eles estavam me lembrando de que era onde eu deveria estar também. Mas não nessa noite e nem nas outras passadas e nem nas próximas que viram. Era um fato que eu estava me esquivando deles, mas o motivo não era tão visível assim.
Voltei meus olhos para a mesa a minha frente passando o dedo sobre a borda da madeira escura e pensando que pelo menos as músicas eram boas. Os minutos se passaram e eu estava me convencendo de que era melhor ir embora, talvez eu fosse para a casa acabar de vez com a minha sexta-feira.
Me recostei fortemente na cadeira e olhei para o teto, talvez pedindo a Deus uma revelação, ou quem sabe tentando entender porque minha vida social havia desando daquela maneira, mas nesse instante as duas garotas que estavam sentadas no bar se levantaram e com uma chuva de aclamação elas foram recebidas na pista de dança. Minha atenção foi toda direcionada para elas, mas um bolinho de pessoas haviam se formado em volta delas, sem nem pensar me levantei e fui de encontro à redoma humana que se formou em volta delas.
Quando cheguei no “olho do furacão” as duas se olhavam tímida e intimamente, um daqueles olhares que fazem qualquer homem perder a cabeça ao imaginar as duas se olhando daquela forma na sua cama e melhor ainda entre as suas pernas. A mais alta e com cabelos grandes e ondulados olhou pra mim de uma maneira tão sexy que fiquei instigado. Mas no segundo depois elas já estavam rebolando e se tocando sensual e provocadora.
Meu Deus, pensei.
Olhei ao meu redor procurando uma brecha, uma saída. Mas o que eu vi foi que todos na pista de dança estavam se remexendo como que se hipnotizados pela música. As duas garotas se divertiam com suas insinuações e provocações. Elas realmente rebolavam, era desesperador ficar ali parado, apenas olhando. Eu desejava intensamente participar daquele ritual regado à pura luxúria.
A batida da musica foi diminuindo e se tornando uma melodia sinuosa e continua, mas nem por isso menos quente. As duas garotas se separaram um pouco e eu pude reparar nas curvas sinuosas da garota mais alta, a de cabelos ondulados, ela descia até o chão e sua calça jeans clara apertava suas coxas e a camiseta preta dos Beatles tinha um corte que deixava seus seios um pouco à mostra, eu podia sentir a textura da pele de longe, podia sentir o cheiro da roupa e do perfume que ela estava usando e eu podia ver que ela estava me olhando.
E agora nos estávamos nos encarando e em seus lábios havia um sorriso maroto, eu não conseguia parar de olhar para ela e ela também estava olhando para mim, estava se insinuando pra mim. Suas mãos tocavam seu próprio corpo e seu quadril perfeito estava em um ritmo único. Eu estava hipnotizado, e ela via isso estampado na minha cara, talvez eu estivesse até babando agora.
E por fim a musica foi se esvaindo até não restar nada, apenas um chiado em meu ouvido. As duas garotas se abraçaram rindo intensamente, em quanto às outras pessoas na pista batiam palmas. Alguns homens e mulheres foram até as duas e as cumprimentaram dando longos e íntimos abraços conversavam alegremente, mas eu não conseguia ouvir nada. Apenas minha pulsação que estava quase me deixando tonto.
Decidi me sentar novamente, não tinha a pretensão de passar mal em bar, ainda mais naquele bar. Em quanto me dirigia a mesa onde a segundos atrás eu estava sentado pude notar que a garota de cabelo ondulado me dava algumas olhadas, por sobre os ombros das pessoas que a cercava. Entrei em pânico, talvez ela tivesse me reconhecido. Quem sabe o que ela iria fazer. Quem sabe gritar meu nome seguido de McFly, e assim acabaria minha noite.
Mas em vez disso, ela me olhou uma ultima vez e se virou indo em direção ao bar e sentando-se na cadeira ao lado da garota mais baixa e de bochechas rosadas. Elas começaram uma conversa baixa e uma vez ou outra paravam para bebericar suas bebidas. Elas nem se quer olharam pra mim novamente e em quanto eu fazia o maior esforço para não ser notado, mesmo sabendo que deveria parecer aos olhos dos outros que eu era um homem amargurado e solitário como sei lá, Boo Radley, talvez?
As duas se levantaram afobadas retirando-me assim do meu transe, elas saíram abraçadas indo para algum lugar no estremo sul do bar, me questionei se elas estariam indo ao banheiro, além de refletir se elas seriam um casal. Hoje em dia não se pode deixar de levantar tal hipótese.
Me levantei e fui lentamente ao bar, fingindo que estava indo apenas reabastecer minha taça. Encostei na bancada e fiz um sinal de cabeça para chamar o barman que era apenas um para o bar inteiro. Quando ele chegou me encolhi e fiz um sinal para que ele fosse igualmente discreto, hora e outra eu olhava por sobre meus ombros, procurando algum vestígio que seja de que elas estavam voltando.
- Amigo, o que a senhorita de cabelo ondulado esta bebendo hoje? – disse tentando parecer discreto e colocando uma nota qualquer em cima do balcão onde ele pudesse ver.
- A senhorita de cabelo ondulado? – ele finge não entender ou ter um colapso de memória.
- A garota que acabou de dançar, sabe? A mais alta. – disse tentando ser breve e ainda segurando a nota em cima do balcão, dei uma olhada rápida para a nota e o barman acompanhou meu olhar.
- A sim, claro. – ele disse dando uma pausa – aquela é e essa noite ela esta bebendo apenas cerveja. – ele disse sorrindo e olhando novamente para a nota. Deixei a nota sobre o balcão em quanto cruzava os braços, e quando olhei novamente ela já não estava mais lá.
- Certo, então eu vou querer mais um Martini e outra cerveja, por favor – eu disse tentando articular um plano, eu sabia que o barman me entenderia ele era homem e também havia reparado quando elas estavam dançando. Ele voltou com o Martini e uma cerveja.
Paguei as bebidas e voltei para a minha mesa e esperei até que elas voltassem. Alguns instantes depois as duas se sentaram no mesmo lugar em ao bar. Eu me levantei e peguei as duas bebidas e fui andando devagar e pouco tempo depois eu já podia ouvir os sussurros em outra língua que elas trocavam.
- Com licença senhoritas – minha voz falhou assim que ela olhou pra mim e eu vi à outra garota abrir um sorriso sem graça.
- Pois não? – disse ela sorrindo. E eu por um segundo me esqueci do que estava fazendo.
- Eu vi que sua bebida havia acabado e fiquei me perguntando se você não se importaria em tomar outra bebida... – eu disse colocando a cerveja em cima do balcão ao lado da outra que já estava vazia. Ela me olhava como se não tivesse conseguido me entender – comigo, claro – apontei pra ela depois pra mim.
Você é um idiota, pensei.
- É... – ela disse sendo interrompida pela amiga. Ela ia me dizer um não, eu vi isso nos seus olhos.
- eu vou pra casa, ta bom? Fica ai com o... Como é seu nome? – disse a menina das bochechas rosadas me olhando com tamanho interesse que deixava seus olhos extremamente brilhantes.
- – eu disse rápido.
- Hum! Prazer , sou Mary – disse ela estendendo sua mão em minha direção, demos um aperto de mão e ela sorriu como uma criança. - Então amiga fica ai com o . Nós nos vemos amanhã. Boa noite e me liga, ta bom?
- Mas Mary eu nem... - Ela tentou dizer algo, mas a tal Mary, colocou o dedo na sua boca e lhe deu um beijo na testa, pegou seu casaco e nos deixou sozinhos.
Eu a olhei sem saber se me sentava ou se ficava em pé, não sabia se falava com ela ou se esperava ela falar comigo, eu não sabia por que eu havia feito essa loucura.
Diga algo, minha consciência sussurrou pra mim.
- Então – disse ela olhando pra mim – porque você não se senta?
- Oh é claro – eu disse me sentando ao seu lado, eu estava embaraçado com a situação mais eu tinha que me comportar como um homem. – Eu pude ver que o seu nome é , e fiquei me perguntando se você é do Brasil ou de outro país. - eu disse tentando não parecer idiota, mais já sendo um.
- E eu pude ver que o seu nome é e me pergunto qual seria o seu sobrenome. – Disse ela parecendo tão desconfortável quanto eu, mais eu senti em sua voz a tentativa de ser engraçada.
- Que tal deixarmos os sobrenomes para mais tarde? – Eu não queria dizer que meu sobrenome era , até agora ela não sabia quem eu era e eu queria que continuasse assim. Talvez ela nem soubesse o que era McFly. Ou talvez ela soubesse e não estava me reconhecendo e eu preferia que continuasse assim.
- Bem esperto . É a primeira vez que eu o vejo nesse bar. E sim eu sou do Brasil. – Ela disse tomando um gole da sua cerveja.
Seus lábios tocaram o copo de uma forma que me prendeu a atenção parecia tão macio e tão quente.
- É a primeira vez que venho aqui - eu disse abrindo um sorriso e olhando para o meu tênis – eu queria sair da rotina. Mas porque não falamos sobre os motivos que trouxeram uma brasileira tão bonita para o meu país? – eu disse tentando parecer confortável.
- Seu país – Ela gargalhou – Esse país é da rainha. Mas obrigada pelo elogio. - Ela disse dando um sorriso. – Eu vim estudar jornalismo. E sempre foi meu sonho morar na Inglaterra, então eu e viemos para cá há dois anos. – ela me contou sorrindo, mais eu podia ver a saudade de tudo o que ficou lá, no Brasil, estampada em seus olhos.
- Entendo. Jornalismo é uma boa profissão. Você mora sozinha, nessa cidade tão fria e solitária?
- Eu e moramos no mesmo prédio mais em apartamentos separados, não fica muito longe daqui, não é um bairro muito conhecido mais é bom morar lá, a maioria das pessoas que vivem lá são de outros países. – ela disse olhando rapidamente dentro dos meus olhos, de uma forma tão profunda e sincera que eu não soube o que dizer.
Ficamos, por alguns minutos, o que pareceu uma eternidade, em silêncio.
Você sabe aquele silêncio doído, arrastado e que cria aquela tensão no ar? Então foi esse tipo de silêncio.
Eu já estava me arrependendo dessa loucura já estava quase pedindo desculpas por ter estragado a sua noite, mas o meu olhar seguiu o olhar dela e ela olhava para um casal que dançava uma música lenta no meio da pista de dança. Não sei como eu não reparei que toda a atmosfera do bar havia mudado, uma vez que a música também mudou, acho que estava tão concentrado nela que não estava vendo nem ouvindo mais nada. Apenas ela.
O bar não era tão bem iluminado, mas eu pude ver o pequeno sorriso que se formou no canto direito da boca dela, assim eu sabia o que fazer. Me levantei e ela ficou me encarando com uma cara de quem não estava entendo nada, eu a ignorei. De brincadeira, claro.
- , você me daria à honra de dançar uma música comigo? – Eu disse me sentindo um pouco antiquado enquanto estendia minha mão direita na frente dela.
- Você deve ser louco... – Sussurrou ela segurando a minha mão.
Seus olhos se encontraram rapidamente com os meus eu pude ver ali que tinha sido uma surpresa boa.
Andamos até o meio da pista de dança e esperamos uma nova música começar. Eu olhava em seus olhos e nossas mãos se encaixavam lentamente, ela colocou sua mão direita em meu ombro e sorriu olhando para os nossos pés, eu passei minha mão com cuidado pela sua cintura e a segurei perto do meu corpo mais deixando um espaço para que ela não ficasse constrangida. Quando ela encostou a cabeça no meu peito eu percebi que eu era poucos centímetros mais alto que ela.
- Espero que você saiba dançar Sr. – Disse ela inclinando um pouco os lábios para próximo da minha orelha, um arrepio percorreu meu corpo quando o hálito dela tocou meu pescoço.
- Eu também espero Senhorita . – eu disse com um meio sorriso nos lábios, e já começando a ouvir a música bem baixinha saindo de uma caixa de som próxima.
Mas mais alto ainda estavam às batidas do meu coração que martelava fortemente contra o meu peito. Eu esta nervoso, mas era gostoso me sentir assim. Há muito tempo eu não sentia tamanha adrenalina correndo em mim.
Nossos corpos foram guiados pela música e parecia estar muito animada, ela sorria e cantarolava a musica bem baixinho. Era encantadora.
- Sabe... – disse ela – eu amo esse lugar, o cheiro, a música as pessoas. É como se não fosse parte de Londres mais sim do Brasil, é como se não existisse esse oceano que separa meus dois pedaços do céu.
Eu a escutei calado pensando na melhor coisa a dizer, mais eu nunca me senti assim, pois eu sempre voltei para casa. Mesmo depois das turnês, mesmo depois das viagens que duravam meses eu sempre voltei.
- Eu gostaria muito de entender o que a música está falando, sinto que eu estou perdendo algo maravilhoso. – Disse tentando parecer o mais sério e sincero possível.
- Oh, é mesmo – ela disse parecendo estar surpresa – você não fala português, meu deus, como pude esquecer.
Ela se inclinou um pouco como havia feito há alguns minutos a atrás e seus lábios ficaram a poucos centímetros da minha orelha e quando a sua respiração tocou meu pescoço eu senti meu sangue pulsar mais rápido. E mais rápido e mais rápido.
- Eu traduzo pra você – ela sussurrou no meu ouvido - Ando por aí querendo te encontrar, em cada esquina paro em cada olhar – ela fez uma pausa e meu coração parou junto - Deixo à tristeza e trago a esperança em seu lugar, que o nosso amor pra sempre viva, minha dádiva – eu prendi minha respiração na inutilmente tentativa de continuar a controlar nossos movimentos, mais era difícil com ela me sussurrando ao ouvido, ainda mais essas palavras, eu não podia me esquecer que era uma música, mas era tão complicado pensar com o corpo dela tão próximo ao meu. - Quero poder jurar que essa paixão jamais será... – eu queria sentir o gosto de suas palavras, queria beijá-la ali, eu a quis desde o momento em que nossos olhos se encontraram, mesmo não querendo aceitar isso. E agora ela estava a centímetros de mim, sussurrando em meu ouvido.
- Palavras apenas, palavras pequenas, palavras, momento... – ela me disse pouco tempo antes de eu apenas segurar seus ombros e cometer uma das piores loucuras daquela noite.
Quando segurei seus ombros e os seus olhos se fixaram nos meus estampados neles eu podia ver um misto de espanto e desejo, eu sabia que ela queria aquilo tanto quanto eu.
’s POV
Suas mãos apertavam os meus ombros como se eu pudesse cair a qualquer momento, seus olhos estavam perfurando os meus, em poucos segundos seus lábios estariam sobre os meus e eu não poderia querer outra coisa.
Aos poucos seus lábios foram se colando aos meus, enquanto um sorriso se formava dentro de mim. Eu podia ouvir o coração dele batendo acelerado bem de perto. Os lábios eram rígidos e frios e se abriram juntos com os meus, suas mãos se afrouxaram nos meus ombros, uma delas desceu para a minha cintura e se fechou sobre a minha blusa a outra subiu indo para minha nuca e me segurando firme rente ao seu corpo. Seus lábios se moviam sem pressa e pareciam ter uma sintonia inexistente com os meus lábios, nós respirávamos juntos e nos movíamos juntos, nossas línguas se encontraram sedentas de prazer, brincavam uma com a outra e novamente se separavam para que nossos lábios se movessem para lados diferentes, ele sugava meu lábio inferior enquanto eu me perdia no desejo que estava tomando conta do meu corpo, eu já não podia mais nem ouvir a música que estava tocando agora, eu só tinha certeza de uma coisa, eu queria mais dele.
Quando nossos lábios se fecharam novamente e ficaram por alguns segundos somente encostados eu pude ouvir o coração dele se acalmar e suas mãos me soltaram um pouco, mas ainda me deixando perto o suficiente para sentir o seu corpo rígido. Meus olhos se abriram e eu olhei no fundo dos olhos dele, com certeza era o mais lindo que eu já vi em toda minha vida, ele me olhava de volta parecendo tentar entender o que se passava na minha cabeça, eu diria que em vão, pois nem eu mesma sabia.
Ele sorriu enquanto me olhava, e eu retribuí o seu sorriso, minhas mãos se entrelaçaram no pescoço dele e os meus lábios o chamaram de volta. Nossos lábios se moviam rápido agora, meus lábios latejavam, mas nem por isso eu queria parar de beijá-lo, era inexplicável como tínhamos o mesmo ritmo e era mais inexplicável ainda o porquê dele haver me beijado.
Quando nossos lábios se separaram eu olhei a nossa volta e vi que quase todos já estavam indo embora, não que estivesse tarde, mas a maioria dos brasileiros trabalhavam no sábado e logo Mike, o barman estaria fechando o bar. Eu não queria que o que estava acontecendo acabasse, eu queria mais, muito mais.
- , você não quer ir para algum outro lugar? – Eu disse pensando que, talvez, ele me achasse uma vadia, mas eu não teria outra oportunidade e o que tinha de mais? Seria só uma noite, ele com certeza nunca mais iria me procurar, ele só queria sexo e era o que eu queria também. – O bar já vai fechar. - Eu disse tentando justificar o meu convite.
- É verdade. – Ele disse olhando a nossa volta – Alguma sugestão? – disse ele me provocando.
- Eu moro a duas quadras, quem sabe você não queira ler alguma das minhas reportagens? – Eu disse tentando parecer desinteressada.
- Oh, é claro, eu adoraria – Disse ele soltando uma das mãos e deixando a outra somente pousada nas minhas costas.
Andamos até o bar para pegar o casaco que eu havia deixado sobre uma cadeira.
- Até qualquer dia Mike – Eu disse sorrindo e andando em direção a porta.
Eu pude ver colocar alguma coisa em cima do balcão e vir atrás de mim, com poucos passos ele já estava ao meu lado. Estava fresco fora do bar, um pouco de ar gelado vinha do norte, mas nada extremamente frio estávamos numa época boa em Londres e em muitas das noites já podíamos sair sem tantos agasalhos.
- Meu carro esta logo ali. – Disse a mim, apontando para um carro preto do outro lado da rua.
Eu não morava muito longe, nós poderíamos ir andando, mas era mais prático e rápido irmos no carro dele, até porque assim não perderíamos tempo até a minha casa e dessa forma gastaríamos esse tempo com outras coisas mais interessantes. Ele me levou até o carro tirou a chaves do bolso do seu casaco cinza e apertou um botão e as luzes piscaram duas vezes. Logo em seguida ele abriu a porta pra mim, fez um gesto com a mão para que subisse no veículo e depois que eu me sentei no banco do carona, ele fechou a porta sem fazer muito barulho, deu a volta e se sentou ao meu lado colocou a chave na ignição e olhou pra mim colocando o cinto.
- Você poderia depois de colocar o seu cinto, me dizer onde mora. – Ele me olhou nos seus olhos e quase me fez desmaiar com o sorriso perfeito que veio logo em seguida.
- É, tudo bem. – Disse tentando reprimir o impulso de beijar ele novamente. Assim, tentei tirar meus olhos dos dele e procurar o meu cinto.
- Você quer ajuda? – disse ele se estendendo por cima de mim, sua boca ficou a centímetros da minha e meus pensamentos de alto controle se foram, eu fechei meus olhos esperando a beijo que logo viria, mas ele se afastou depois de colocar o cinto no lugar e eu abri meus olhos rapidamente me sentindo estúpida.
- Eu moro a duas quadras daqui. – Eu disse rápido. – Você pode seguir a rua e virar a segunda direita.
- Claro - Disse ele acelerando o carro.
Ele dirigia calmamente com os olhos atentos a rua. Na minha cabeça, naquele instante, minha responsabilidade estava numa luta intensa com meu desejo. Nunca fui de levar um homem para o meu apartamento e menos ainda na primeira noite. Em meio a esses pensamentos ele entrou na minha rua e com isso todos eles se calaram.
- O prédio de três andares da esquerda. – Eu disse a ele apontando o meu prédio.
Ele estacionou o carro bem na porta do meu prédio. Olhei para o apartamento da buscando indícios de que ela ainda estava acordada, todas as luzes estavam apagadas e a janela da sala estava fechada, talvez ela houvesse ficado cansada de esperar por mim e tivesse caído no sono, pelo menos era nisso que eu iria confiar. Logo depois, meus olhos foram na direção da grande garagem trancada pela grade verde escuro e dentro dela eu vi o carro que eu e as meninas dividíamos, não era nada se comparado ao carro dele, mas pelo menos ele nos servia bem.
O meu prédio não era um prédio luxuoso, muito pelo contrário. Afinal de contas eu estava ali para estudar e não para levar uma boa vida à custa da minha família, por mais que o meu trabalho me pagasse bem, eu não sobrevivia somente com o meu dinheiro.
- Posso por o carro na garagem ou você acha melhor deixá-lo na porta do seu prédio? – Ele me disse com uma voz de quem parecia estar se perguntando se era realmente certo o que estávamos pretendendo fazer.
- Bem - Eu disse fazendo uma pausa para por meus pensamentos no lugar. – Acho que hoje é o seu dia de sorte, temos um lugar vago na garagem.
- Mesmo que eu tivesse que deixar meu carro na rua, hoje, com certeza seria meu dia de sorte. – Disse ele se inclinado e encostando seus lábios nos meus por alguns segundos. – Realmente, hoje é meu dia de sorte.
Como aquele pequeno toque dos lábios dele nos meus poderia causar um arrepio por todo o meu corpo? Como apenas alguns segundos de seus lábios nos meus já poderiam me fazer desejar ter muito mais do que os lábios dele em mim? E nesse momento eu sabia, que quando ele vestisse as suas calças e apenas pegasse seu casaco e se mandasse da minha casa como qualquer outro homem, meu corpo iria querer mais.
- Eu vou ter que subir até o meu apartamento e pegar o controle da garagem. – Eu disse olhando no rosto dele, que por alguns segundos foi iluminado pela luz baixa do farol de um carro que passou por nós, ele era tão lindo. E mal sabia ele, que quem estava com sorte era eu. – Eu sempre esqueço o controle em casa.
Eu me virei pra abrir a porta do carro quando senti a mão dele em meu ombro, um choque percorreu meu corpo inteiro, me virei e olhei para ele enquanto sua mão saia do meu ombro e vinha na direção do meu rosto. Ele colocou uma mecha teimosa do meu cabelo atrás da minha orelha, seus dedos tocaram de leve as maçãs do meu rosto, enquanto seus olhos acompanhavam os seus dedos. Talvez ele pudesse sentir o que aquele toque causava em todo o meu corpo. Seus dedos perambulavam pelo meu pescoço e meus olhos se fecharam quando seus dedos encontram minha nuca, um sorriso leve se formou em meus lábios e quando abri meus olhos o rosto dele estava colado ao meu, seus lábios tremiam e seus olhos queimavam.
Ele me beijou com pressa e com uma força desnecessária. Sua mão segurava minha nuca com força fazendo minha pele queimar e também não me deixava me afastar dele, meu corpo tremia e eu tentava respirar. Pude sentir que dentro do carro estava ficando quente, eu sentia meu rosto em chamas, ele mordeu meu lábio me dando espaço, minhas mãos alcançaram seu peito e o empurraram de leve, ele encostou-se no banco novamente, com um sorriso safado no rosto, eu o reprimia com o olhar, mas por dentro eu não podia negar que eu havia gostado.
- Acho melhor eu subir e pegar o controle, antes que alguém perca o controle dentro desse carro. – eu disse tentando manter um tom descontraído, mas meu corpo inteiro tremia e eu não conseguia abrir a porta do carro.
- Sabe linda, mudei de ideia. – Ele disse abaixando os olhos e reprimindo uma gargalha.
Ele havia mudado de ideia? Como? Ele não queria mais subir? Eu tinha feito algo de errado?
- Tudo bem, se você não quer subir – Eu disse rápido, imaginando que ele estava me achando fácil ou qualquer outra coisa do tipo – Eu não levo os caras pro meu apartamento na primeira noite, sabe? Eu não estava forçando nada. Eu entendo perfeitamente, não se preocupe. – Eu disse tentando achar o maldito botão que abria aquela porta. Eu queria sair logo daquele carro.
- Não é isso – Disse ele se aproximando de mim e me olhando nos olhos, eu abaixei meus olhos tentando achar o lugar onde abria a porta. – Olha pra mim, ? – Disse ele sério.
Uma das mãos dele segurou as minhas e a outra virou meu rosto me fazendo olhar nos olhos dele.
- Então você mudou de ideia sobre o quê? – Eu disse ríspida.
- Sobre por o carro na garagem. – Ele disse calmo.
- Por que não quer mais por o carro na garagem? – Eu disse me sentindo idiota.
- Porque eu teria que deixar você ir até o seu apartamento, eu teria que esperar você no carro. – Disse ele ainda me olhando, mas soltando as minhas mãos. - E se você não voltasse? Como eu iria subir? E se você mudasse de ideia? E o pior disso tudo é que eu não quero de forma alguma que você saia de perto de mim.
Eu não soube o que pensar, apenas que eu havia sido uma idiota me comportando daquela forma. Eu havia me precipitado sobre o motivo de ele não querer subir. Eu o beijei de leve e pude ver os olhos dele se fechando, meus lábios se moveram devagar e os lábios dele acompanharam os meus e quando os meus se afastaram eu pude ver o sorriso lindo dele se abrindo nos lábios dele e suas pálpebras se abrindo lentamente.
- Já que você não quer esperar no carro, por que não sobe comigo? – Eu perguntei para ele, sabendo que se ele subisse com certeza ele não iria descer para por o carro na garagem.
- Sabe que é uma boa ideia? – Disse ele sorrindo, tirando a chave e descendo do carro.
Ele bateu a porta do lado dele de leve, meu coração acelerou e eu me pus a tentar abrir a porta do meu lado, Deus como uma porta podia ter tantos botões? De repente a porta se abre e ele estende a mão para mim. Eu a segurei descendo do carro sorrindo, quando já estava totalmente fora do carro, à mão livre dele segurou minha cintura e me puxou, me colando ao seu corpo, ele beijou meu nariz e sorriu.
- Você é linda, mas quando esta irritada é indiscutivelmente mais linda ainda. – Disse ele me dando um beijo rápido.
Toda vez que ele me beijava meu corpo contraia, e toda vez que eu ouvia a voz dele meu coração parecia bater mais baixo para não atrapalhar os meus ouvidos.
Ele soltou minha cintura, mas ainda segurava minha mão, empurrou a porta do carro que ainda estava aberta e que se fechou rapidamente, em seguida, ele apertou um dos botões do chaveiro do carro e as luzes piscaram uma vez, depois se voltando para mim sorrindo, e apenas caminhou comigo em silencio até a porta do prédio. Eu tirei um bolo de chaves do bolso, abri a grade verde e entrei depois esperei que ele entrasse e a tranquei novamente. Andamos pelo espaço de cimento ladeado pelo pequeno gramado que era o jardim do meu prédio, no fim do caminho de cimento tínhamos uma porta de vidro, pequei outra chave e a abri sem me importar com o barulho que o chaveiro fazia quando batia na porta. Logo uma luz se ascendeu no corredor, dali eu já podia ver a escada que dava ate meu apartamento e o apartamento da . O apartamento da ficava no final do corredor, como ela não gostava de subir as escadas, então achamos mais justo dar a ela o primeiro apartamento e ela adorou a ideia já que era o único que tinha espaço para uma banheira na suíte e uma cozinha maior. O meu apartamento era o do segundo andar, era simples, mas aconchegante e o menor dos três, porque eu acredito que um lugar maior me daria mais trabalho para arrumar e o da era o último apartamento, e tinha uma vista perfeita e ainda muito espaço. Ele passou pela porta de vidro e eu a fechei. E meus pensamentos vagaram pensando que eu teria que descer com ele pra abrir a porta quando ele nós estivéssemos terminado com as coisas que... As mãos dele tocaram a minhas cortas indo em direção a minha cintura, seus lábios tocaram meus cabelos fazendo com que meus olhos se fechassem e quando seu corpo tocou o meu, fez com que todos os meus pensamentos fossem embora com uma rapidez incrível.
Suas mãos estavam na minha barriga e seus dentes se fechavam em meu ombro esquerdo, o peso do corpo dele sobre as minhas costas me fez dobrar um pouco os joelhos. Minha mão direita estava sobre a porta de vidro e a outra segurava seus cabelos, uma das mãos dele saiu da minha barriga e jogou os meus cabelos para o lado fazendo com que a minha nuca ficasse exposta, logo, essa mesma mão já estava na minha coxa e seus lábios em meu pescoço, ele mordia-me, fazendo tremer cada vez que sua mão entrava pelas minhas pernas sobre a calça jeans, eu podia sentir o coração dele batendo forte nas minhas costas e sua respiração desnorteada no meu pescoço.
Eu estava começando a suar e sentia como as coxas dele estavam tão quentes quanto as minhas, ele continuava a me morder a lamber o lóbulo da minha orelha quando a mão que estava na minha barriga tocou meu seio direito. A mão gelada em cima do meu mamilo, me fez morder meus lábios com força e a minha mão, que estava nos cabelos dele, se fechou com força. Os dedos dele passavam frios e rígidos por sobe o bico do meu seio e isso me excitou de tal forma que eu já estava completamente molhada. Eu soltava gemidos baixos quando ele segurava meu seio com força e eu podia sentir um sorriso safado em seus lábios deliciosos. Quando as suas mãos soltaram meus seios e coxa eu quis relutar contra aquele ato, mas suas mãos eram mais rápidas que meus pensamentos. Ele arrancou meu casaco e o jogou em algum lugar, tirou a minha blusa e o seu próprio casaco. Me fez abaixar mais as minhas costas, seus lábios e dentes beijavam e mordia a pele das minhas costas deixando-me mais excitada ainda. Ele estava acompanhando minha coluna com a língua quando uma onda de calor invadiu minha intimidade me fazendo tremer e me arrepiar intensamente. A mão esquerda dele segurou meus cabelos em um coque, seus dentes se fecharam em minha nuca, me fazendo gemer alto. As minhas mãos estavam encostadas paralelas sobre a porta e tremiam fortemente. Os lábios dele era como cubos de gelo contra minha pele em chamas, a cada toque ele me queimava ainda mais.
Sua mão largou meu cabelo e juntamente com a outra foram em direção os meus seios, levantaram meu sutiã preto, como se estivessem pedindo passagem, e seguram meus seios. Seus dedos brincavam com meus mamilos, vez ou outra apertavam meus seios com cuidado, a cada toque eu me contorcia em seus braços e minha pele ficava cada vez mais quente. Pude sentir pequenas gotas de suor se formando na minha testa.
Ele beijou meu ombro quando a mão direita saiu de dentro do meu sutiã e deixou um rastro de fogo pela minha barriga, minha respiração estava acelerada. Sua mão continuou a descer até chegar ao cós da minha calça, abriu os botões sem muito esforço e logo o zíper cedeu a sua mão que pedia passagem.
A mão dele passou calma sobre a minha calcinha e eu tremia por inteiro. Ele soltou uma pequena gargalhada quando seus dedos acharam um ponto grande de umidade e começaram a fazer pequenos círculos em cima desse ponto, eu perdi o controle dos meus batimentos cardíacos.
Aos poucos ele subiu sua mão a colocando dentro da minha calcinha, seus dedos tocaram a minha vagina úmida. Ele colocou a ponta do dedo indicador dentro do canal, e eu senti a minha entrada se contrair sobre ele. Seus dedos subiram mais um pouco e logo acharam meu clitóris, o dedo indicador passou de leve sobre ele, e eu segurei um gemido de prazer, ele novamente estava sorrindo. O dedo indicador começou com movimentos leves em forma de circulo sobre meu clitóris, sua mão continuava a apertar meu seio de leve, sua língua deixava uma trilha de vapor em meu pescoço. Ele aumentou a intensidade e a velocidade do dedo sobre meu clitóris e meu corpo estava respondendo a cada movimento dele. Cada toque me deixa mais e mais excitada e ele parecia saber disso, e logo os espasmos vieram eu senti novas pressões em meu canal que se contraia com força. Uma forte onda de prazer começou a crescer dentro de mim e tomou conta de cada músculo do meu corpo, os gemidos se tornaram mais altos e vinham com mais freqüência. Ele aumentou a velocidade do seu dedo fazendo a minha respiração falhar uma ou duas vezes. Uma das minhas mãos deixou a porta e segurou a coxa dele apertando-a com força. Conforme os espasmos aumentavam, eu gemia alto e respirava fundo tentando fazer com que meu corpo parasse de tremer, mas era impossível agora. Meu canal fervia e se contraia freneticamente, eu senti o prazer vindo, cada vez mais forte, ele tomou conta de cada centímetro do meu cérebro. Seu dedo continuou o movimento rápido e forte enquanto meu corpo inteiro se contraia conforme a onda de prazer ficava cada vez mais intensa. Eu levantei meu rosto, fitando o teto do corredor que logo perdeu o foco quando o prazer me invadiu de uma vez só em uma onda mais forte do que todas as que já haviam vindo. Logo depois, meu canal se contraiu com força, meu corpo tentou se desvencilhar do aperto firme dele, e seu dedo continuava na mesma velocidade e intensidade. Eu senti uma nova onda de prazer invadir-me, fazendo apertar mais forte a coxa dele meus dedos pulsavam de dor, mas eu não conseguia controlar nenhum dos meus músculos naquele momento, eu estava tomada no prazer que eu nunca havia imaginado que podia existir. Meu corpo se contorcia, à medida que novas ondas se espalhavam por ele, o seio que ele estava segurando pulsava por debaixo da mão dele, e meus pensamentos agora eram apenas borrões de múltiplas cores. Seu dedo foi desacelerando e logo todas as ondas de prazer pareciam estar longe de mim, minha mão se abriu e foi soltando da calça dele, e sua mão saindo aos poucos da minha calcinha.
Meu coração ainda batia acelerado, mas minha respiração estava pausada. Ele tirou sua mão do meu seio e a pousou sobre a minha cintura, era um simples contato, mas só aquilo já me causava uma leve queimação sobre o lugar onde ele tocava. Eu podia ouvir sua respiração funda bem perto do meu ouvido, meu corpo inteiro tremia e aos poucos tudo foi se acalmando.
Ele esperou até que minha mão saísse da porta para me virar de frente para ele, seus olhos estavam quentes e frios ao mesmo tempo, eu não sabia explicar o que estava vendo bem na minha frente, mas eu sabia que era a coisa mais linda que eu já havia visto. Ele foi dando pequenos passos e se colando a mim e eu fui dando pequenos passos para trás até que minhas costas totalmente em chamas encostaram-se à porta de vidro completamente gelada o que fez um choque térmico percorrer todo o meu corpo, mas logo o meu corpo já estava na temperatura normal.
’s POV
Ela me olhava com os olhos mais intensos que eu já havia visto, sua respiração tentava se acalmar e seus lábios estavam vermelhos. Enquanto eu estava tentando inutilmente controlar minha excitação. Não sei o que era mais excitante, o fato de ela ter gozado tão intensamente na minha mão ou o fato de ter sido eu que a fiz gozar de tal forma.
Eu a devorava com os olhos e ela sorria parecendo constrangida e tremendo intensamente. Olhei para seu tronco descoberto e correndo os olhos pelo corredor vi nossos casacos e a blusa dela pelo chão e me lembrei que aquilo tudo era por culpa minha, porque eu havia perdido meu controle. Mas eu sabia perfeitamente que eu não teria aguentado nem mais um segundo ao lado dela sem tentar nada, era só uma questão de tempo para eu arrancar a roupa dela e dar a ela o melhor sexo que ela poderia ter na vida. E agora estava ainda mais difícil segurar esses pensamentos, pois o cheiro dela estava impregnado em mim e a sua pele macia parecia estar gritando o meu nome.
Meus lábios se aproximaram dos lábios dela, seus olhos se fecharam devagar quando meus lábios tocaram os seus, um pequeno tremor se ocupou do meu corpo por um segundo ou mais. Eu tentei encostar meu corpo no dela, pressionado mais o corpo dela contra a porta de vidro, mas percebendo isso ela deslizou pra baixo e saiu do meu campo de visão, um sorriso de surpresa se instalou em meus lábios, me virei tentando encontrá-la, meus olhos a procurando em todos os lugares possíveis.
Ela estava sobre o primeiro degrau da escada e me olhava sorrindo, parecia ter algo em mente. Meu olhar vagou pelo seu rosto perfeito, pelos lábios macios e desceu vendo os seios médios dentro do sutiã preto que me excitavam, e meus pensamentos já me levaram a pensar que eram completamente perfeitos, nem grandes nem pequenos, cabiam perfeitamente na minha boca e essa ideia era maravilhosa, depois dos seios meus olhos desceram para a barriga reta e um pouco abaixo o umbigo discreto, meus pensamentos eram perversos. Eu daria tudo pra morder aquela barriga até deixar marcas. Um pouco mais abaixo eu pude ver que o zíper da calça ainda estava aberto, exatamente com eu havia deixado, e por ele dava pra ver o começo da calcinha preta, e logo outros pensamentos passaram pela minha cabeça, mas esses mais fortes do que os outros, eram mais que pensamentos eram desejos que eu trataria de realizar mais tarde. Olhei a calça jeans escura que ela usava bem colada ao corpo e me veio à necessidade de arrancá-la e atirá-la longe, eu queria vê-la nua na minha frente, desejava ter o corpo dela colado ao meu, molhado de suor, ouvir a voz dela sussurrando meu nome em meio a um gemido. Eu a queria inteira, só para mim.
- Por que você não para de pensar e vem aqui? – Ela disse com uma voz tremida.
Ela tinha toda razão, pra que perder meu tempo pensando? Ela estava ali. Dei alguns passos e parei na frente dela, minhas mãos queriam tocar seu corpo, minha boca queria a boca dela. Ela segurou meu rosto e sua mão desceu pela gola da minha blusa xadrez, seus dedos desabotoaram os botões com pressa e destreza, ela tirou minha blusa olhando em meus olhos e a jogou em algum canto da escada, depois encostou seu corpo ao meu o contato das nossas peles me fez respirar fundo, meus braços passaram-se por volta dela, suas mãos estavam em meu abdômen e depois nas minhas costas e logo depois no cós da minha calça, pude sentir seus dedos sobre o fecho do meu cinto e depois de um estralo baixo e logo o cinto já não estava mais fechado, olhei para o seu rosto com cara de reprovação, mas eu estava adorando tudo aquilo.
Suas mãos seguraram meu rosto, dando-me um beijo rápido seu corpo me levou para cima da escada, ela dava passos para traz subindo a escada e me beijando com calma, meus pés a seguiam e a minha mão esquerda procurava o corrimão da escada como uma forma de me guiar. Meu corpo desejava apertá-la mais forte e meus lábios responderam a esse desejo, eu a beijava rápido e forte, mordia seus lábios, enquanto ela arranhava minhas costas e eu já estava respirando fundo tentando manter o controle. Ela me encostou na parede que havia logo após um lance de escada, senti minhas costas ficarem duras contra a parede, um sorriso safado percorreu seu rosto enquanto ela me dava uma mordida no queixo, pude sentir seu corpo descendo e logo ela estava de joelhos seus olhos continuavam em mim, mas logo não estariam mais.
Passaram um milhão de coisas pela minha cabeça nos poucos segundos que ela permaneceu daquela forma, eu só queria que ela se mexesse, só queria tê-la colada em mim novamente.
Suas mãos estavam sobre a barra da minha calça e depois subiram e abriram o botão e o zíper, sorrindo ela abaixou minha calça, esperou alguns segundos e logo suas mãos entram por debaixo da minha cueca samba canção, seus dedos tocavam a minha coxa e eu sabia onde ela queria chegar. Senti meu membro se enrijecendo à medida que a mão dela ia subindo, minhas mãos se fecharam com força quando ela tocou meu membro ereto. Sua mão massageava meu pênis devagar, minha respiração já estava descompassada, e meus olhos procuravam um ponto qualquer para se focar, mas era tão difícil se concentrar agora, eu só pensava que ela poderia aumentar a velocidade, que ela poderia apertar um pouco mais meu membro. Só que ela fez o contrário dos meus desejos, ela tirou a mão do meu membro, deixando no lugar uma marca de gelo, eu queria pedir a ela que continuasse que não parasse.
Ela olhou para meu rosto em chamas e apenas mordeu de leve seus lábios e eu vi dentro dos seus olhos que ainda havia mais.
Aos poucos ela tirou minha cueca, fazendo com que o tecido dela passasse bem devagar pelo meu membro ereto e rígido, aquilo poderia ser chamado de tortura se não fosse tão prazeroso.
As mãos dela tocaram a pele da minha coxa me fazendo tremer, estavam em chamas assim como seus olhos que estavam parados em mim, seus dedos fizeram um caminho reto e demorado ate meu membro onde a sua mão direita o segurou bem no meio, percebi que ela precisaria de muito mais que duas mãos para segura-lo por inteiro, mas com certeza ela não queria apenas segura-lo. Ela olhou em meus olhos mais uma vez e depois olhou para o meu membro em sua mão completamente ereto e aproximou dos seus lábios, a ponta da língua gelada dela encostou-se à cabeça do meu membro me fazendo respirar mais fundo, eu me encostei com mais força na parede e tentei imaginar o que viria depois daquilo. Sua língua fazia movimentos circulares sobre a cabeça do meu membro enquanto sua mão estava num vai e vem sem ritmo nenhum, hora devagar hora rápido.
Seus lábios tomaram o lugar da língua e sua mão agora estava na minha perna. Meu membro entrava e sai da sua boca, repetidas vezes, eu tentava inutilmente segurar meus gemidos, quando ele entrava se dilatava ao encontro da língua fria e molhada dela. Tudo aquilo estava extremamente prazeroso, e ela estava superando todas as minhas expectativas, eu nunca imaginaria uma mulher me chupando daquela forma na escada de um prédio, mas mesmo assim eu não estava nem um pouco arrependido de tudo o que estávamos fazendo e eu acredito que ela muito menos.
Seus movimentos eram precisos e cheios de prazer, cada vez que ela me engolia por inteiro era um gemido de prazer meu que ela arrancava e assim, a cada vez que ela me tirava de dentro da sua boca macia era outro gemido, mas esse era de insatisfação.
Seus lábios estavam gelados e a sua língua molhada era a coisa mais deliciosa que eu havia sentido em toda minha vida. Ela tinha me dominado agora, eu era um fantoche nas mãos dela e ela estava brincando com fogo, mas ela parecia saber que era eu quem sairia queimado, não ela.
Eu segurei os cabelos dela com força quando senti uma forte pontada de prazer atingir a boca do meu estomago de tal forma que eu me curvei perdendo o ar que havia acabado de entrar em minhas narinas. Minha respiração agora parecia apenas labaredas de fogo em meus pulmões e meu sangue era apenas fogo em forma de fluido por todo meu corpo. Tudo estava quente, as luzes eram tão claras que me segavam, meu corpo parecia estar gotejando, se desfazendo em prazer, mas no fundo de mim eu sabia o que era, mas não queria aceitar que aquilo viesse, não queria acabar com o prazer que estava em cada célula do meu corpo, eu não queria gozar agora.
Ela parecia sentir meu gozo vindo, pois ela me chupava com mais vontade agora e eu lutava contra meu lado que queria deixar com que ela continuasse, mas a metade de mim que ainda estava sã me dizia para pará-la agora, pois a qualquer momento seria tarde de mais.
E foi isso que eu fiz. Minhas mãos seguraram a cabeça dela, fazendo-a parar de uma forma brusca, meu corpo relutava contra aquilo e o meu membro latejava em protesto. Seus olhos se voltaram para a minha face que queimava como a terra do deserto e os pensamentos dela fluíram para mim. Eu tinha a absoluta certeza de que ela não estava entendo nada.
- Eu te machuquei? Fiz alguma algo de errado?- Disse ela parecendo preocupada e me olhando com seus grandes olhos.
Eu balancei a cabeça negativamente, soltando a cabeça dela depois subindo minha cueca e minha calça. Ela ainda me olhava confusa, parecia se sentir culpada.
- Eu fiz alguma coisa errada? Por que você esta... – Disse ela, se colocando de pé e apontando para minhas calças.
Eu apenas puxei sua mão, fazendo com que ela chegasse mais perto o possível de mim. Meus braços passaram-se em volta do seu corpo quente e frágil, seus lábios estavam a apenas alguns centímetros dos meus e seus olhos seguiam os meus com fidelidade.
’s POV
Ele me beijou com paciência, parecia estar apreciando seu próprio gosto. Enquanto minha cabeça dizia que eu tinha feito alguma coisa errada, meu coração insistia em dizer que estava tudo bem. Meu corpo estava totalmente entregue, como raramente esteve e eu me sentia em um lugar totalmente diferente. Isso tudo não aprecia ser real, esse beijo, esse corpo, essas mãos, esse gosto e esse homem não parecia existir, era tudo bom de mais para ser real e em algum lugar da minha cabeça eu achava que eu poderia acordar a qualquer momento.
Me desliguei de todos os meus pensamentos, e me liguei a ele, me concentrei na sua respiração, nos seus movimentos, na textura do seus lábios e no gosto da sua língua quente. Nossos corpos queimavam como uma grande fogueira ao luar. Nem ele e nem eu parecíamos estar preocupados com nada e nem com ninguém, eu era livre e pelo que tudo indicava, ele também. Tudo que parecia ser importante agora, esta bem aqui na minha frente, nos meus braços e se tornando real nos meus lábios, que mais eu poderia querer?
As mãos dele passeavam pelo meu corpo me tomando suspiros e me arrepiando quase o tempo todo, ele me beijava com força, parecia querer me devorar por inteiro e eu só queria ser devorada.
Ele parecia entender meus pensamentos e os desejos do meu corpo, pois logo que pensei nisso seus dedos abriram o fecho do meu sutiã sem a menor dificuldade. O tecido macio e leve do sutiã preto correu pela minha pele, desprezado a presença de qualquer tipo de atrito que podia haver entre eles. Nossos lábios se soltaram e os olhos dele se recaíram para meus seios que estavam rentes ao seu abdômen, seu olhar era limpo e até um pouco inocente, mas mesmo assim minhas bochechas queimaram levemente. Seus braços me soltaram um pouco e ele continuou a me olhar firme, minha vontade era de cobrir meus seios, mas ele parecia estar gostando do que via.
- Onde é o seu apartamento? – Ele perguntou ainda me olhando com seus olhos gulosos.
Segurei a mão direita dele e o guiei, subimos um lance de escada até chegarmos ao segundo andar onde se podia ver um corredor mal iluminado onde as paredes tinham tons claros, no final desse corredor havia uma porta grande e se notava de longe que era de um branco que chegava a incomodar os olhos. Segui o corredor reto ouvindo os passos pesados dele bem atrás de mim, a mão dele tremia levemente como a de uma criança.
Continuei andado até que ficássemos de frente para a porta do meu apartamento e mentalmente repassei como eu o havia deixado, mas logo percebi que isso não tinha muita importância agora, pois com toda certeza, mais tarde, meu apartamento seria apenas um quarto ocupado por dois corpos suados e nenhum deles estaria preocupado com a falta ou a presença de organização.
Em um ato repentino ele encostou meu corpo com força na porta, senti minhas costas dando um estralo, mas nem por isso minhas mãos deixaram de apertá-lo com mais força contra mim, em algum lugar da minha cabeça eu sabia que aquilo não era nada do perto do que estava prestes a acontecer.
Nós nos beijávamos rápido e intensamente, nossas bocas estavam atordoadas e hora e outra saiam de seu rumo perfeito e iam para outros lugares. Uma das mãos dele abandonou meu corpo indo em direção a maçaneta girando-a devagar e abrindo a porta aos poucos de forma que eu pudesse ainda me manter de pé.
Me soltei do corpo dele e entrei em meu apartamento me guiando apenas pela memória que eu tinha de onde ficava cada móvel da minha humilde decoração, se é para ser bem sincera, eu era péssima em decorar lugares.
Ele caminhava atrás de mim as segas e eu ia em direção ao sofá que ficava em alguns poucos metros da porta. Eu o ouvi batendo a porta e vindo na minha direção, nossos corpos se encontraram de novo e caímos juntos no sofá.
Ele estava em cima de mim, suas mãos percorriam meu corpo imóvel, seus lábios desceram dos meus, indo em direção ao meu queixo, depois meu pescoço e logo mais abaixo ele se perdeu em meus seios. Sua língua gelada percorria os meus mamilos me fazendo tremer de prazer, ele estava me deixando encharcada, sentia que cada parte do meu corpo estava implorando para poder senti-lo dentro de mim, senti-lo se mexendo, entrando e saindo rapidamente de forma única e intensa.
Ele se levantou se mantendo no meio das minhas pernas, segurou no cós da minha calça e a arrancou de uma vez só e me olhou por um longo segundo, logo ele arrancou a única parte da minha lingerie que havia sobrado, me deixando nua na sua frente. Eu me perguntei se ele podia ver, mesmo no escuro total, que eu estava queimando de vergonha.
Ele tirou suas próprias calças as jogando em algum canto da sala, ficando tão nu quanto eu, me inclinei ate ele e encaixei minhas pernas ao redor do seu quadril, sentindo nossas peles em chama pura. Seu membro rígido estava erguido e sua cabeça estava bem no começo da minha entrada, totalmente úmida de tanto desejo. Ele olhou em meus olhos parecia estar me pedindo algum tipo de permissão e eu apenas o olhei consentindo o que quer que ele fosse fazer. Tudo o que eu queria era que ele ficasse comigo.
A cabeça do seu membro estava na minha entrada, ele a colocou com cuidado entrando somente um pouco dentro de mim e logo em seguida olhou para meu rosto parecendo preocupado, eu quase cheguei a falar que não precisava de tudo aquilo e que o que eu realmente queria era ele dentro de mim, mas achei melhor não. O que ele iria pensar? No mínimo que eu era uma louca e pervertida. Não que eu não fosse, mas...
Nos olhos dele eu podia ver refletido meu rosto banhado num desejo explicito, que parecia não poder mais ser controlado. Ele era totalmente perfeito, seus lábios eram macios, mas ao mesmo tempo tinham a rigidez de uma rocha, seu corpo era quente e definido, desde os cabelos até o último pigmento de cor do seu corpo me fazia estremecer e eu nem conseguia imaginar o que ele podia ver em mim.
Ele me segurava com cuidado, mantendo-me muito perto dele, ele respirava no meu rosto e seu hálito estava me deixando meio zonza, seu membro estava tão quente que chegava a me queimar e a sensação de estar sendo penetrada por alguém tão bem dotado era maravilhosa.
Nós respirávamos juntos numa sintonia perfeita, até nossos gemidos pareciam sair juntos, eu nunca tinha visto tanta sintonia em um desconhecido. Ele entrava e saia de mim com calma, cuidado e carinho. Mesmo sendo apenas uma transa qualquer ele não parava de me beijar e olhava bem no fundo dos meus olhos, parecia querer ler minha alma, era estranho, porque ele parecia estar conseguindo. Ele começou a me penetrar mais forte e se tornou impossível pensar de forma coerente, o ritmo das suas estocadas só aumentava, seus gemidos estavam cada vez mais altos e hora ou outra ele perdia o ar. Ele estava prestes a gozar e eu também. Minhas mãos seguravam o cabelo dele fortemente e minhas unhas se fechavam contra a pele dele. Instintivamente ele entrou em mim mais forte e se demorou um pouco mais que o normal, me fazendo senti-lo tão profundamente onde ninguém jamais havia chegando, foi totalmente inesperado, mas também foi incrivelmente prazeroso. Minha visão foi ficando meio turva e meu coração estava totalmente acelerado, eu podia senti-lo querendo saltar pra fora do meu peito. Eu já não gemia mais, eu estava gritando, eu não sabia mais como reagir, era tudo tão excitante. A mão dele percorria minha cintura me fazendo rebolar com mais vontade, eu sentia seu membro tão dentro de mim que chegava a ser surreal. Meu canal se contraia muito mais rápido que meu batimento cardíaco, e bem próximo a mim estava o ponto máximo do meu prazer. Minhas mãos estavam fechadas nas costas dele e meus ouvidos pareciam tampados de prazer, eu não conseguia ouvir minha própria voz, o único som que embalava aquele momento era o do meu coração acelerado.
Meus olhos se fecharam. Meu corpo se enrijeceu. Uma pequena câimbra tomou conta dos dedos dos meus pés. Minhas mãos apertavam a nuca dele com mais força do que eu imaginava ter. Minha respiração era algo inútil agora. E tudo que eu podia sentir era um imenso e inexplicável prazer.
Eu abri meus olhos e vi o rosto dele bem perto do meu, senti meu corpo inteiro formigar quando seus lábios se encostaram aos meus de uma forma tão simples, mas que me fez perder o ar.
Ele ainda me segurava com cuidado e parecia nem estar sentindo minhas unhas cravadas na sua nuca. Minhas mãos se abriram com calma saindo da sua nuca e segurando seu rosto da forma mais cuidadosa que eu pude. Logo, os lábios dele já não estavam mais colados aos meus e no lugar onde há segundos atrás era a moradia dos meus desejos agora era ocupado por um sorriso limpo, lindo e dominador.
Ele se afastou um pouco de mim, ainda sorrindo ao me olhar, mas algo me dizia que ele vestiria suas calças e sairia pela mesma porta onde havia praticamente acabado de entrar. Era cruel, mas era a mais pura verdade.
Me levantei ocupando o espaço que ele havia deixando, senti minhas pernas tremerem, mas mesmo assim continuei de pé. Segurei o rosto dele e o beijei demoradamente. Eu ainda não queria que ele fosse embora, eu ainda queria mais, mais e mais. E era isso que eu iria fazer, eu o faria ficar.
Nossos corpos já estavam grudados novamente, meu suor se confundia no suor dele e nós nos beijávamos loucamente, as mãos dele percorriam todo meu corpo, me acariciando e me excitando de forma única.
Eu o soltei um pouco e o guiei até meu quarto. Chegando lá o joguei na cama e o vi se acomodar. A janela do quarto estava aberta e a luz fraca do poste de luz entrou pela fina cortina branca e foi reluzir na pele dele. Eu poderia ficar ali o observando uma noite inteira, mas vendo seu membro se enrijecer novamente, a única coisa que eu queria era tê-lo dentro de mim mais uma vez. Eu me acomodei em cima dele, uma mecha bem generosa do meu cabelo caiu um pouco no meu rosto quando fui lhe dar um beijo e ele prontamente o colocou atrás da minha orelha, mantendo meu rosto descoberto. Meus olhos fitavam o dele e tudo parecia tão simples. Éramos dois desconhecidos, e eu era a garota mais sortuda da cidade.
’s POV.
Meus olhos piscaram três vezes antes que eu pudesse ver com nitidez tudo ao meu redor, eu sentia um cheiro forte de shampoo, virei meu rosto e a vi imóvel deitada em cima do meu peito, parecendo um anjo de tão linda. Logo depois que a vi, um flash de todos os acontecimentos da noite passada, tomou conta dos meus pensamentos, me fazendo soltar um suspiro de satisfação. Quem poderia imaginar que essa garota que dormia como uma criança bem ao meu lado, poderia ser tão surpreendente na cama? Ninguém, muito menos eu.
Me movi devagar, tentando não acorda - lá, coloquei seu rosto no travesseiro onde antes eu estava e me dirigi ate o banheiro. Olhei meu rosto no espelho por sobre a pia e me vi todo desarrumado, passei uma água no rosto e me dirigi à sala, passando pela grande porta de correr que dividia o quarto com a sala, eu podia ver um sofá de tom marrom meio avermelhado e bem a sua frente uma grande TV que ficava sobre uma estante cheia de livros, CDs e DVDs. Procurei por onde eu havia deixado minha roupa à noite passada e logo as encontrei, vesti minha cueca e me dirigi à cozinha, pensando em fazer um café da manhã para ela, depois da noite passada eu acredito que ela acordaria com fome.
Entrei na pequena cozinha branca, era tão simples e arrumada, não tinha tanto espaço, mas era muito agradável. Pensei em como era difícil mexer nas coisas de outra pessoa, mas era para uma boa causa. Abri as portas do armário de parede preto a procura de cereais, ou qualquer coisa que eu pudesse utilizar, havia uma caixa de cereais aberta na segunda porta que eu abri, a caixa estava pela metade, pensei bem e decidi que cereais com leite era uma boa pedida, pensei em fazer leite quente para ela, já que estava com um clima meio frio, abri a geladeira procurando pelo leite e me deparei com a geladeira mais colorida que eu já vi na minha vida, havia frutas de todas as cores possíveis, tinha também cerveja, ovos, legumes e ate uma torta de morango na segunda prateleira.
Bem ao lado dos iogurtes cor de rosa estava uma caixa de leite fechada, tudo bem, eu já havia achado o leite agora eu precisava de uma panela onde eu pudesse ferver o leite. Comecei assim uma nova revista em todo o armário, logo em seguida o leite já estava no fogo e eu já havia achado uma bandeja, já havia colocado os cereais em uma tigela e colocado um pouco de leite, coloquei em outra tigela algumas frutas que achei na geladeira, agora só me faltava achar uma caneca e meu café da manhã surpresa estaria completo. Olhei por todo armário, mas encontrei somente copos e nenhuma caneca própria para se tomar bebidas quentes, continuei minha busca até que achei melhor procurar pela casa, talvez ela tivesse a usado ontem de amanhã e não tinha a lavado ou mesmo a colocado na pia.
Fui ate à sala, revistando cada pedaço do cômodo a procura da caneca que eu nem sabia se existia, mas parecia tão improvável que uma pessoa que morasse em Londres não tivesse uma caneca, chagava ate a ser engraçado. Olhei de relance para o beiral da janela sem nenhum motivo muito óbvio, e lá estava ela, a caneca fujona. Dei poucos passos ate ficar de frente para janela e parei para observar a vista privilegiada que ela tinha da vizinhança, peguei a caneca e fui para a cozinha mecanicamente, mergulhado nas lembranças da noite passada que ocupavam minha mente por completo. Coloquei a caneca sobre a bancada e fui desligar o fogão, o leite estava pronto e agora só faltava passar uma água rápida na caneca.
E foi isso que eu estava preste a fazer quando vi meu rosto naquela caneca, meu coração parou e eu não sabia o que pensar, larguei a caneca em cima da bancada e me dirigi ate o quarto dela, sem saber o que fazer, eu só queria sair daquele lugar, só queria perguntar a ela porque ela havia me enganado fingindo não saber quem eu era.
Cheguei ate a porta do quarto e a vi imóvel como eu a havia deixado, ela dormia respirando bem devagar enquanto eu caminhava ate a ponta da cama, me sentei e levei as duas mãos a cabeça tentando decidir o que fazer, mas tudo que eu sentia era a necessidade de ir embora daquele lugar, de esquecer aquela noite e de nunca mais me lembrar do nome dela.
E foi isso que eu fiz, fui ate a sala com passos largos, vesti minha calça e o meu tênis que estava um pé em cada canto da sala, voltei ate a cozinha, terminei o café e o coloquei sobre a mesa de centro da sala, procurei por um papel e caneta. Escrevi um pequeno bilhete e me mandei daquele lugar.
Desci as escadas correndo e me lembrando que ontem eu não sabia que estava me metendo numa fria. Minha cabeça me culpava, enquanto meu coração martelava forte se mantendo calado. Eu era um idiota e disso Londres inteira já sabia só eu que ainda acreditava que podia encontrar alguém que se interessaria por mim só por quem eu sou, sem McFly, sem fama e sem dinheiro, mas, pelo visto, era impossível.
- Seu idiota, seu burro, seu imbecil... – eu me xingava enquanto pegava meu casaco do chão.
E bem ali lado do meu casaco estava à blusa dos Beatles que ela estava usando a noite passada e por um impulso idiota ou qualquer outro nome que eu poderia me dar, eu a pequei e a guardei no bolso de dentro do meu casaco, logo depois girei as chaves que continuavam no mesmo lugar onde havíamos deixado a noite passada, e abrindo a porta com força me pus para fora daquele lugar.
Meu carro continuava parado no mesmo lugar onde eu o havia deixado a noite passada. Comecei a andar cada vez mais rápido à medida que via as pessoas na rua. Era complicado, eu pensei, e se alguém me visse saindo de lá? E se alguém tirasse uma foto? Amanhã minha cara estaria estampada em todas as revistas de fofocas da Inglaterra. Eu já estava de saco cheio dessas revistas idiotas que ate hoje rendiam o final do meu relacionamento e que pior ainda, ficavam inventando mulheres que nunca existiram na minha vida. Eu estava cansado de cuidarem da minha vida.
Peguei as chaves do carro, que por sorte ainda estava no meu bolso, abri a porta e me joguei lá dentro, me sentindo protegido pelos vidros escuros.
Fiquei ali sentado, por uns dois minutos, esperando minha inquietação passar, tentando pensar no que fazer, mas era inútil, todo que eu pensava era que eu poderia estar numa fria. Coloquei a chaves na ignição e dei a partida, pisando fundo no acelerado, tentando me focar só em sair daquele bairro e ir para bem longe dela.
Eu dirigia mecanicamente pelas ruas que eu conhecia tão bem quanto a minha mão, quando meu telefone celular toca de algum lugar do carro, meu coração acelerou enquanto eu parava no canto da pista para procurar o maldito celular. Eu só o encontrei quando ele parou de berrar loucamente, eu o havia deixado no porta luvas e logo na tela eu podia ver que havia umas vinte e cinco chamas não atendidas, tudo bem eu sabia quem era. Disquei o número rápido e o levei ate meu ouvido.
Tu... Tu... Tu... Será que é possível que ele não vai me atender? Então porque estava me ligando?
Tu...
- Alô? ? Onde você está? – disse a voz do parecendo agitado de mais.
- Eu... – comecei a falar mais fui logo cortado por ele.
- Nós estamos preocupados, eu não consegui dormir a noite inteira, fiquei pensando que você havia sido sequestrado ou abduzido!!! – disse ele perdendo a respiração.
- Ok deixa dessa, você já sabe que eu estou bem e na boa, você não é a minha mãe, cara. – eu disse sem medir as palavras.
- Eu só estava preocupado, você não dorme fora de casa a semanas, desde que... – houve um barulho alto parecendo que alguém havia acertado alguma coisa contra . – Ai !!! Eu não ia falar que ele não dormia fora de casa desde que ele terminou o namoro. Não sou tão idiota assim... – ele realmente acreditava nisso? Depois dessa eu tive que desligar.
- Tudo bem , eu estou indo para casa – eu disse ríspido. – e só pra deixar bem claro, você é mais idiota do que imagina. – finalizei desligando o celular e o tacando no banco do passageiro.
Liguei o carro novamente e sai acelerado cantando pneu.
’s POV.
Acordei sentido um cheiro de perfume masculino bem perto de mim, minhas mãos tatearam o travesseiro ao meu lado, inutilmente, pois ele estava vazio. Coloquei-me de pé olhando a minha volta tentando achar qualquer pista de que ele ainda estava aqui, mas não, ele não estava.
Em minha cabeça um milhão de burburinhos começou a se formar com uma rapidez incrível, mas eu não estava prestando atenção em nenhum deles. Eu não sei por que me sentia tão mal por ele não estar mais aqui, eu sabia que ele iria embora, eu sabia os riscos.
Me vesti com uma blusa de moletom tamanho GG que sempre ficava perto da minha cama e fui para o banheiro. Fitei meus olhos no espelho em cima da pia, me sentindo vazia.
Tudo bem, eu pensei comigo mesma, esse não era o primeiro e nem o ultimo cara que iria se aproximar de mim só por sexo, mas com toda certeza esse seria o único que havia me tratado com tanto carinho, mesmo que só por uma noite. Balancei minha cabeça tentando expulsar esses pensamentos inúteis, mas era tão fácil ceder ao pessimismo.
Sai do banheiro indo em direção a cozinha, passei pela sala de cabeça baixa e pensando no que iria comer, mesmo sem nenhuma vontade. Olhei de relance para a mesinha de centro da minha sala de estar e de alguma forma totalmente indeterminada minha respiração parou. Fiquei ali parada por alguns minutos apenas tentando manter meu coração batendo, depois de um tempo caminhei devagar passando por entre o sofá e me sentando bem em frente à mesa.
Sobre ela estava o café da manhã que ele havia preparado e embaixo da minha xícara do McFly havia um bilhete dobrado. Ao abri o bilhete, para minha surpresa, uma nota de cem libras caiu de dentro dele indo parar bem no chão e com a letra mais tremula que eu já havia visto estava escrito a seguinte frase: “Você me surpreendeu bastante a noite passada, fez muito além do que os programas normais, quem sabe eu um dia não queira repetir a dose? E só mais uma coisa, desculpe, mas eu estava sem troco! Assinado, Judd”.
Minha visão ficou turva com a chegada de uma onda de lágrimas que tomou meus olhos me impedindo de ler novamente aquele bilhete idiota, eu nunca na minha vida havia me sentido tão estúpida como eu estava me sentindo agora e dentro de mim, bem lá no fundo, eu me sentia tão usada por aquele imbecil. Mas o que eu não esperava era o que estava escrito naquele bilhete me revelando que ele pensava que eu fosse uma prostituta.
As lágrimas rolavam quentes pelo meu rosto e vinham acompanhadas por uma onda de fúria que fez minha cabeça latejar de dor, tudo que eu queria agora era encontrar aquele idiota na minha frente, eu ia lhe dizer boas verdades e o faria engolir aquele dinheiro imundo.
Me encolhi no sofá abraçando meu joelhos com força tentando controlar as lágrimas e soluços que teimavam em não parar, mas as memórias da noite passada, do bilhete e das palavras dele eram mais fortes do que qualquer outra coisa. Eu só queria ser forte, só queria ser forte o suficiente para aguentar mais uma desilusão calada, só queria me levantar desse sofá e fingir que nada disso aconteceu, mas eu não sou e nunca fui forte o suficiente para mentir.
Nem sei por quanto tempo fiquei naquele sofá parecendo uma criança indefesa. Por que tudo tinha que ser tão difícil para mim? Por quê?
Eu me sentia tão inconsciente de mim que nem me dei conta de que eu acabara dormido e que agora eu estava apenas sonhando, mas parecia tudo tão real. Ele estava ali comigo novamente tocando em meu rosto e me olhando fundo, parecia diferente, distante talvez, mas era ele, com os mesmos olhos e o mesmo cheiro. Mas ele estava tão frio que nem se quer parecia mesmo ser ele. Ele beijou meus lábios rapidamente e seguiu em direção ao meu ouvido, uma de suas mãos seguravam minha nuca com força enquanto à outra apertava minha cintura colando meu corpo ao dele, seu hálito escapou rápido dos seus lábios quando ele os abriu bem perto da minha orelha, era tão frio que me arrepiou. Ele sussurrou em meu ouvido tão baixo que parecia ser apenas um sopro, mas eu entendia o que ele queria me dizer, pois suas palavras estavam gravadas na minha cabeça e ardiam em minha memória.
- Eu vim para repetir a dose da noite passada – disse ele frio.
Tentei dizer a ele algo, mas meus lábios nem se quer abriram. Ele me segurou forte contra algo gelado, suas mãos rasgaram minha roupa com rapidez, seus olhos estavam negros e me olhavam como se estivesse olhando para um prato da carne. Ele me lembrava um animal. Seu corpo pressionava o meu enquanto seus dentes estavam cravados no meu pescoço, uma das suas mãos estava segurando os meus cabelos com força enquanto a outra passeava pelo meu corpo da forma mais suja que eu poderia imaginar. Sentia meu corpo inteiro tremendo furiosamente e os meus olhos se fechando por entre as lágrimas, eu tentava gritar, empurrá-lo para longe, mas eu não tinha força e nem voz alguma, eu estava sem ação. Ele abaixou suas calças e seu membro pulsante saltou para fora, ele segurou na cabeça de seu membro e o colocou no começo da minha entrada e para meu desespero entrou em mim de uma vez só.
Um clarão dourado tomou conta dos meus olhos molhados e meus pulmões ardiam pela falta de ar, eu tentei respirar, mas tudo o que eu conseguia fazer era tremer e tremer, constantemente. Meu coração martelava em meu peito no instante em que Marianna entrou pela porta do meu apartamento correndo, ela estava com os olhos arregalados e com as bochechas totalmente vermelhas.
- O que esta acontecendo? – ela disse se aproximando de mim e ficando de joelhos na minha frente.
Eu balancei a cabeça sem dizer nenhuma palavra, mas pensando em como lhe contar tudo.
- Eu não estou te entendendo, você a menos de dez segundos atrás estava gritando como eu nunca ouvi antes e olha só para você, você esta encharcada se suor. – disse ela segurando meu rosto.
Não consegui dizer nem uma palavra apenas a abracei com força e chorei em seu ombro.
Ela permaneceu calada apenas me abraçando esperando eu me acalmar para poder lhe contar o que havia acontecido. Aos poucos tudo foi se acalmando dentro de mim e todos os pensamentos foram se silenciando. Como era de costume, Ah sempre me acalmava, em qualquer tipo de situação.
- Tudo bem, agora você vai me contar tudo. – disse ela segurando meus ombros e sorrindo para mim.
- Ah , eu sou uma burra e idiota – eu disse sem saber por onde começar.
- O que aconteceu para você ser uma burra e idiota? – ela me perguntou tentando ignorar minha crise de infantilidade.
- Nós transamos ontem à noite, e ele foi embora e me deixou esse bilhete. – eu disse a ela entregando-lhe o bilhete todo amassado.
Ela o pegou e pelo tempo que demorou a olhar para mim eu julgo que, ou ela estava lendo e relendo o bilhete ou ela não sabia o que dizer.
- Eu não sei o que te dizer. – ela olhava para mim e eu via que ela não estava entendo nada.
- Ele é um superstar idiota, um egoísta e imbecil. Ele nem ao menos é bom de cama – eu disse tentando colocar minha raiva para fora.
- Sério? Você esta de brincadeira! Ele não é bom de cama? – ela me perguntou parecendo não acreditar em mim.
- Olha se eu não estivesse com tanta raiva eu te contaria os detalhes, mas o que eu posso te dizer é que eu nunca vi algo igual, ele é incrível, mas não conta para ninguém ta? – eu disse a ela segurando um riso, só uma das minhas melhores amigas mesmo, para me fazer sorrir naquele momento, vai ver era por isso que eu a amava tanto.
- Não se preocupe não sou como a , minha curiosidade pode esperar. – disse ela rindo.
’s POV
Eu havia acabado de entrar na minha casa quando ouvi o barulho das gargalhadas do vindo do meu quarto. Fui logo pensando no que eles estavam fazendo na minha casa. Subi a escada correndo e segui pelo corredor, indo em direção ao meu quarto, me encostei no batente da porta e vi os três deitados na minha cama vendo um programa de humor qualquer na minha televisão.
- Esqueceram a chaves de casa de novo? – eu perguntei um pouco irritado.
- ! – disse .
- Não, o Batman. – eu disse sem paciência. – Quem mais poderia ser?
- , o que você tem cara? Por que está tão estressado? – perguntou .
- Eu não estou estressado, – caminhei até a minha cama e me sentei na beirada. – eu só estou cansado, só isso.
- Você sabe que pode confiar em nós, , somos seus amigos. – disse , sentando-se ao meu lado e colocando a mão no meu ombro.
- É, cara, nós somos sua família. - completou .
- É só que... – eu tentei dizer, mas minha voz falhou. – Vocês não entenderiam.
- ... - tentou argumentar, mas eu não o deixei terminar.
- Tudo bem, gente, sério mesmo, eu estou bem. – eu menti. – Não é nada com o que se preocupar. O que vocês estão vendo? – perguntei tentando mudar de assunto.
Eles me contaram como o tal programa funcionava e eu fingi que escutava, ora e outra eu ria com algo bobo que eles diziam ou mesmo com a risada exagerada do , mas nada muito verdadeiro. Meu corpo podia estar ali, mas a minha cabeça estava em outro lugar, um muito distante dali.
Eu tinha que esquecê-la, mas por que eu não conseguia tirá-la de meus pensamentos?
- ? – me chamou uma voz bem distante. – ? – e eu levei um cutucão.
- Que foi? – eu perguntei de sobressalto.
- Estamos indo embora, mas mais tarde nós vamos sair para beber, aproveitar que não temos show essa semana. – disse com calma. – Você vem, não é?
- Eu encontro vocês as nove, tá bom? – respondi baixo. – Vou tomar um banho e tocar um pouco.
- Bem, então a gente se vê lá. – disse ele batendo no meu braço.
- É isso aí, cara, a gente te espera lá. – disse acompanhando .
- , não se preocupe tudo vai ficar bem! Às nove, hein? – disse bagunçando o meu cabelo e correndo atrás dos outros dois que já estavam descendo as escadas.
Fiquei ali parado olhando o tempo passar sem saber o que fazer, eu não queria sair para beber com eles, eu não queria ter que ficar vendo a felicidade deles enquanto eu estava infeliz. E isso não é nenhum tipo de egoísmo da minha parte, é só que eu sou o solitário, sou eu quem não tem namorada, sou eu o infeliz.
Mas tudo bem, eu iria. Porém, eu não ficaria lá com eles, afinal, eu tenho a minha vida, tenho minhas coisas para fazer, tenho meus compromissos.
E assim eu decidi minha noite e fui tomar um banho, eu tinha certeza de que com isso eu me sentiria melhor. Tirei minhas roupas enquanto caminhava para o banheiro, dentro do meu casaco eu encontrei algo que me fez sorrir mesmo sem querer. A blusa preta dela tinha o mesmo cheiro que o seu corpo inteiro, o mesmo cheiro delicioso que eu nunca mais iria esquecer e, por uma fração mínima de segundos, eu me senti bem ao me lembrar do seu rosto iluminado pela luz do abajur a noite passada, mas logo tudo havia voltado ao normal, todos os sentimentos ruins haviam voltado, eu não queria me sentir assim.
Arremessei aquela maldita blusa em direção a minha cama e continuei indo para o banheiro, liguei o chuveiro e senti a água correr quente e convidativa pelas minhas mãos. Entrei debaixo do seu jato forte. Logo, meu corpo já estava totalmente quente e molhado e meus pensamentos estavam fora de mim novamente. Ela era tão linda, como podia ser tão falsa? Fiquei me lembrando da maciez da sua pele, do brilho dos seus cabelos e do quanto seus olhos brilhavam, mas o que mais me assustava era ela ter me enganado daquela forma. Ela sabia quem eu era, mas não, preferiu fingir que nem me conhecia, por quê? Por uma noite com .
Pude sentir a repulsa vindo de dentro de mim e tudo o que eu queria era colocar para fora aquela raiva que eu estava sentindo e eu já sabia como. Fui para a pequena sala que eu havia destinado para que eu pudesse tocar sossegado na minha casa sem tem que me preocupar com o barulho que eu estava fazendo, era ali que eu me sentia livre. E foi o que eu fiz, toquei, toquei e toquei. Até os meus dedos doerem, até meus pulsos gritarem de tanta dor e até eu não conseguir fazer mais nada a não ser ofegar.
Sentei-me no chão, colocando meus braços cansados sobre meus joelhos, fiquei fitando a parede azul clara na minha frente e lembrando de como era quando eu era apenas um garoto correndo pelo jardim de frente minha casa, tudo era fácil, não havia fama, não havia dinheiro e não havia interesse.
E mesmo agora, sendo um rock star, eu não estava totalmente completo, ainda me falta algo. Mas não há tempo para lamentações, eu tenho que encontrar com os guys e eu não quero me atrasar, então é melhor eu ir tomar um banho e me arrumar.
Tomei um banho rápido e vesti a primeira roupa que achei no meu guarda roupa, sentei na minha cama por alguns segundos tentando apenas formular uma desculpa para sair de lá antes das duas, mas minha cabeça estava vazia. Meus olhos vasculharam meu quarto em busca de algo que poderia fazer com que eu me sentisse melhor, pois a ideia de mentir para os meus amigos não me agradava, mesmo que fosse para meu bem, afinal eles são a minha família. E lá estava ela, a recordação viva de que eu era um idiota, peguei a blusa dela, com o mesmo cheiro e a mesma lembrança do rosto perfeito dela. Balancei minha cabeça tentando mandar esses pensamentos para longe dela e por um segundo funcionou, mas não era hora para pensar na noite passada, era hora de viver essa noite.
E lá estava eu, as nove na porta do bar, vendo a multidão de fotógrafos loucos atrás de alguma fofoca para alimentar suas revistas hipócritas e medíocres. Sim, esse é um dos bares mais badalados de Londres e sim, é nesse bar aonde todas as celebridades vêm. Mas a pergunta é: o que eu estou fazendo aqui? Acho que está bem claro na minha cara de que eu não me sentindo bem.
Eu finalmente os encontrei, estavam em uma mesa distante da porta, andei até lá e me sentei no lugar vago do grande e redondo sofá vermelho. Sentado bem na minha frente estava , seguido da sua namorada, , e depois dela estava o casal e e logo depois, e . Bem, com isso, eu já posso saber das manchetes das revistas de amanhã: “ , o fracassado que vai ao jantar romântico dos seus amigos de banda e aparece lá sozinho”. Tudo bem, nem é tão ruim assim.
- E aí? – eu disse seco, olhando a mesa de um tom escuro a minha frente.
- Acho que a gente diz é “boa noite”. – disse com um tom de superioridade.
- Ei, deixa dessa, , não precisa tratar ele assim. – disse , tentando inutilmente me defender. Muito bobo por sinal, eu nunca fui com a cara daquela patricinha mesmo.
- Deixa, , eu não costumo entender o que cães falam. – eu disse.
- Calma aí, , você está tentando insinuar o que sobre a ? – disse , sentindo-se ofendida pela amiga perua.
- Ei, , querida, não se meta no meio disso. – disse , parecendo envergonhado pela namorada.
- Gente, vamos ficar calmos? – disse parecendo desconfortável.
- É, nós viemos aqui pra curtir a noite, não foi? – disse tentando encerrar o assunto.
- Claro, , mas como podemos curtir a noite se ele sempre a estraga com seu humor, com seus comentários e entre outras coisas? – disse , parecendo uma menina de quinze anos.
- ... – advertiu .
- Tudo bem, gente. – disse me levantando. – Elas estão certas, eu só estou atrapalhando vocês, então a gente se vê depois. – eu disse e saí andando em direção a saída.
Mas alguém estava atrás de mim, e logo suas mãos alcançaram meus ombros.
- Hey, cara, você não precisa ir embora, você sabe disso. – disse parecendo sincero.
- Não é o que parece, eu as incômodo e não quero ficar onde não sou bem-vindo.
- Elas que me incomodam. – disse ele rindo.
- Tudo bem, . Eu vou estar em casa, tenho... Sei lá, músicas para escrever. – disse sabendo que era mentira.
- Okay, pelo McFly, então. – disse ele me dando um abraço e voltando para a mesa.
Fui andando devagar por entre as pessoas e me achando um deslocado, ao chegar à porta, dei uma última olhada para a mesa onde há segundos atrás eu estava sentado, e por incrível que pareça, o clima lá não estava dos melhores.
’s POV
Eu ainda estava acordada, apesar de ser tão tarde. Estava sentada na beira da janela, olhando o movimento das folhas das árvores que acompanhavam o vento gélido da madrugada. Foi quando um carro preto de faróis baixos cruzou a esquina e parou bem na porta do meu prédio, aquilo me hipnotizou, porque eu podia jurar que já havia visto aquele carro antes.
E lá estava eu, sentada numa janela, tomando chá e olhando para um carro preto que não me era estranho, quando passa pela minha cabeça um turbilhão de cenas da noite passada.
Era ele. Eu tinha absoluta certeza.
Eu o vi descer do carro e se escorar no capô, cruzando os braços de forma única e em minha cabeça um milhão de burburinhos estavam se formando naquele instante. Porém, eu tinha apenas uma certeza, a de que eu iria esfregar aquele dinheiro na cara dele e lhe dizer umas boas verdades.
E era exatamente isso que eu estava indo fazer. Desci as escadas correndo e amassando na minha mão direita a nota de cem libras. Cruzei a porta de vidro que me levava direto ao portão de entrada e ao sair do hall, meu corpo inteiro se arrepiou ao sentir o contato dos meus pés descalços no cimento frio e molhado de sereno. Andei o mais rápido que pude, minhas narinas ardiam, meu coração batia a mil e eu ofegava como uma louca.
Ele me viu chegando e não se moveu nem um centímetro, apenas cerrou seus lábios em uma linha reta e sem expressão alguma.
- O que o playboyzinho veio fazer aqui? Ah, talvez tenha vindo buscar seu troco... – eu disse com todo o sarcasmo do mundo.
- Você não sabe... – ele começou a dizer, mas eu o interrompi.
- Ah, mas eu sei sim. Sei que você é um idiota que acha que pode transar com qualquer garota do mundo e ainda deixar uma gorjeta pra elas. – parei para respirar e continuei. – Você não merece o amor de ninguém. Ontem, eu fiz tudo o que fiz com você porque eu quis, não porque esperava que me pagasse por isso. – ele escutava com a cabeça baixa tudo o que eu dizia.
- Eu sei... – ele tentou dizer.
- Não, você não sabe. Você não me conhece, você não sabe da minha vida, você não sabe quem eu sou. E aqui está o seu troco. – eu lhe disse, jogando a nota de cem libras na cara dele e vendo-a cair na calçada molhada.
Me virei sem esperar qualquer reação da parte dele e comecei a caminhar para dentro do meu prédio, sentindo-me leve por ter despejado minha raiva e ressentimento nos ombros dele.
- Espere... – ele disse, me fazendo virar.
Eu o encarei por alguns segundos sem saber o que esperar dele enquanto ele mantinha os olhos baixos, fazendo com que seu rosto tomasse um semblante tão negro quanto o céu acima de nossas cabeças.
- Você pode saber o meu nome, pode ter lido todas as revistas que falavam coisas estúpidas sobre mim, pode ter ido aos meus shows, saber o nome de todos os meus parentes, o perfume que eu uso e o número do meu sapato, – ele parou e me olhou nos olhos de uma forma que eu nunca havia sido olhada. – mas nunca vai saber realmente quem eu sou. Nem você e nem ninguém.
Eu não sabia o que dizer e nem ele. Ficamos parados, olhando um para o outro sem saber o que dizer ou fazer, e o mundo ao nosso redor parecia girar sem reparar a nossa presença. Eu me sentia tão bem e mal ao mesmo tempo. Não é do meu feitio julgar as pessoas e foi o que eu fiz, mas de forma alguma eu poderia deixar que ele me humilhasse da forma que ele fez. Então, por que eu me sentia tão culpada pela dor que eu via nos olhos dele? Se eu estava apenas fazendo o que é certo, não deveria estar me sentindo assim. Deveria?
- Me desculpa. – disse ele quebrando enfim aquele silêncio.
- Por? – eu perguntei sem entender.
- Por ter te tratado como uma vagabunda qualquer, por ter ido embora daquela forma e por ter te julgado sem antes tentar te conhecer. – ele disse parecendo sincero.
- Eu não sei... – eu disse, mas no fundo dizendo um “sim” e isso me incomodava, pois eu não entendia o porquê de estar o perdoando assim tão fácil.
Ele me olhava e seus olhos eram tão sinceros que por eles transparecia a luta que estava acontecendo dentro da sua cabeça. Eu podia ouvir os murmurinhos dos seus pensamentos e o peso de cada palavra que ele despejaria sobre mim. Mas eu não pude evitar me sentir tão parte de tudo aquilo que ele era.
- Eu vim aqui porque, – ele começou, parecendo confuso. – bem, eu não sei o porquê. – ele disse enquanto desfazia o semblante pesado e levava uma das mãos à cabeça, olhando assim, ele até parecia um adolescente confuso.
- Hum. – disse eu sem saber o que dizer.
- É só que... – ele deu uma pequena pausa, parecendo colocar os pensamentos em ordem. – Aqui ninguém parece me conhecer e nem se importar comigo. Aqui eu sou apenas eu. E foi aqui, longe de todos os holofotes e de toda a fama, que eu finalmente percebi que sou apenas um homem quebrado, inseguro e amargurado.
Seus olhos estavam grudados aos meus, seus lábios se mexiam tão lentamente que pareciam estar me confessando um crime do qual eu nunca mais iria me esquecer.
- Você me entende? – ele me perguntou.
- Não. – eu disse querendo dizer “sim”, pois era daquela forma que eu me sentia há muito tempo. – Acho melhor você ir embora, . – eu completei por fim.
- É... – ele disse e logo em seguida serrou os lábios novamente.
Eu me virei sem nem olhar pra trás e caminhei de volta para o meu apartamento, ao cruzar o hall e fechar a porta de vidro, eu dei uma rápida olhada para onde eu o havia deixado e ele continuava lá. Encostado em seu carro, com os braços cruzados e olhando para mim. Desviei o olhar rápido e subi as escadas correndo sem ter nem um pensamento claro e importante.
Entrei no meu apartamento e fui direto para a janela, vendo que ele ainda continuava ali do mesmo jeito. Aquilo era estranho, completamente estranho. Me sentei na janela, coloquei a minha xícara entre as mãos e continuei a tomar meu chá como se nada tivesse acontecido. Entretanto, dentro do meu coração, dentro de mim eu sabia que algo estava acontecendo e o pior que tudo o que ele tinha dito estava mexendo comigo, acordando tudo o que eu havia decidido não mais sentir.
E mesmo tentando, eu não conseguia ser fria como eles.
’s POV
Na vida, as coisas às vezes parecem mais complicadas do que realmente são e nada faz mesmo sentido quando você vê que as pessoas que mais importam pra você, não estão mais do seu lado. Tudo parecia desmoronar sobre os meus ombros e eu estava sobrecarregado de mais.
Dei uma última olhada para a janela do quarto dela, vi todas as luzes apagadas, olhei para o meu relógio e vi que eram cinco da manhã. Em mim não havia vestígios nenhum de sono, nem de cansaço, mas mesmo assim entrei no meu carro e acelerei, indo para casa.
Não era justo, nem certo mentir para mim, mas eu podia jurar que ela ainda estava acordada, pensando em tudo que eu disse. Mesmo sem a pretensão nenhuma de vê-la ou de conversar com ela, as coisas aconteceram, eu confesso que não gostei das coisas que ela havia me dito, mas ver seu rosto e poder sentir o seu cheiro me fez recordar das coisas da noite passada. E tudo que ela havia me dito hoje, fez com que eu percebesse que ela não dava a mínima pra quem eu era.
Em alguns aspectos era bom e em outros era melhor ainda.
Tudo que eu havia conquistado com o McFly havia mudado a cabeça das pessoas sobre mim e eu me sentia tão mal por isso. Elas simplesmente esqueceram quem eu era e um exemplo bem claro disso era minha ex-namorada.
Estava agora a dois quarteirões da minha casa e eu não estava com pressa nenhuma de chegar lá, mas eu não podia evitar isso por muito tempo.
Estacionei meu carro, dei um suspiro de derrota e me joguei para fora do carro. Logo quando pisei no chão da garagem, senti meus pés doerem por eu ter ficado tanto tempo em pé.
Andei devagar por entre as caixas que se amontoavam pelos cantos da garagem e fui em direção a porta que me levava direto para a área de serviço.
Passei pela cozinha pegando uma cerveja na geladeira, fui para a sala e subi as escadas indo para o meu quarto, sentei-me na cama e tirei meu tênis com uma mão só. Deixe a cerveja em cima do criado-mudo, empurrei meu edredom e me coloquei debaixo dele, olhei para o travesseiro vazio ao meu lado, desejando que ele estivesse ocupado agora. Era tão estranho me sentir sozinho, eu que sou acostumado com os meninos andando pela minha casa, tomando minha cerveja, usando minhas roupas, ou mesmo assistindo filmes pela madrugada.
Não sei se poderia me acostumar a sentir essa falta deles, mas eu os entendia, eles eram comprometidos e eu o solteiro. Eu deveria sair para festa, bares, conhecer mulheres interessantes e me envolver com alguém do meu círculo de amizades, mas era inútil, nenhuma das mulheres fúteis e siliconadas me interessavam. Eu quero alguém com um mundo diferente do qual eu me propus a viver, alguém que me escute, me entenda, alguém sincero, honesto e o mais importante, que me ame pelo que eu sou e não pela quantidade de zeros da minha conta bancária.
Foi em meio a esses pensamentos que eu dormi. Um sono leve e cheio de sonhos e em todos eles haviam apenas uma pessoa, .
Acordei assustado com alguma coisa sobre mim e logo que meus olhos se abriram, foram inundados pela luz clara do sol que entrava pela brecha da minha cortina.
- Quem é ela, ? – a voz do me perguntou e pela altura que a sua voz estava, eu podia dizer que era ele que estava em cima de mim.
- Sai de cima de mim, . – eu disse me virando e o jogando no chão.
- , me diz quem é ela! – ele disse entre risadas enquanto se colocava de pé.
- Ela quem, ? Você está bêbado? – eu perguntei me sentando na cama.
- Não vem com essa, , está nas revistas. E quando eu entrei aqui, eu ouvi você sussurrando o nome de uma mulher. – ele me disse sorrindo.
- O quê? – eu disse sem saber o que dizer.
- , eu sou seu melhor amigo, você tem que me contar. – disse ele vindo na minha direção. – Você tem uma foto dela aí? – ele completou, colocando a mão no meu ombro.
- Que revista, ? Que mulher? Você está ficando louco? – eu disse enquanto pensava em algo.
Ele me entregou a revista e lá estava uma foto embaçada que parecia ter sido tirada ontem, quando ela e eu estávamos conversando em frente ao seu apartamento, e em cima da foto estava a seguinte manchete em vermelho “O SOLTEIRO MAIS COBIÇADO DE LONDRES FOI FINALMENTE FISGADO?”
- Olha, , eu só trouxe essa, mas tem mais três revistas diferentes lá em casa. – ele disse coçando a cabeça. – Elas devem estar espalhadas por Londres inteira e quem quer que ela seja, eles vão encontrá-la.
’s POV
Já estava acordada quando meu relógio marcou nove e meia da manhã, me virei pela cama para não ter que encará-lo e perceber que estava perdendo mais uma manhã enquanto ficava atirada em minha cama.
Pensei no que fazer e me veio a ideia de correr no parque. Sentir o ar puro e ver as crianças correndo atrás umas das outras ia me fazer bem e era disso que eu precisava, de ar fresco e sol, pois eu já estava ficando tão branca quanto eles.
Fiquei de pé em um instante e fui direto para o banheiro, tomei uma ducha rápida. Fiquei em dúvida se vestia a camiseta roxa ou a branca, mas por um impulso repentino, pequei a roxa, vesti uma calça de ginástica preta que terminava um pouco depois do joelho e calcei meu antigo tênis de correr da adidas. Prendi todo o meu cabelo em um rabo de cavalo forte e bem alto, coloquei meus óculos escuros e marchei para fora do meu apartamento, indo em direção às escadas.
Eu descia de dois em dois, sem ter qualquer pensamento fixo em minha mente, apenas cantarolava uma música que eu havia ouvido há algumas semanas atrás, em uma propaganda de brinquedos na TV.
Empurrei a porta de vidro apenas o suficiente para eu passar e em segundos já estava caminhando nas calçadas do meu bairro. Era domingo e logo todas as pessoas estavam pelas ruas, espalhadas pelos cafés ou mesmo pelos mercadinhos que se esparramavam pela rua. O sol não estava tão quente como no Brasil, mas estava perfeito para Londres, nem quente e nem frio, ameno.
As pessoas sorriam e conversavam animadas, diferente de outros lugares de Londres, onde você via rostos sérios e frios olhando para você como se olhassem através do seu corpo, como se você fosse fumaça.
Caminhei uns quinze minutos até chegar ao parque. Chegando lá, eu apenas sorri ao ver o abarrotado de gente que, como eu, estava procurando melhorar a sua manhã.
Corri pelo parque olhando os casais sentados embaixo das árvores, aproveitando o sol. Em outros locais havia crianças brincando com seus animais de estimação, ou mesmo dormindo sobre a grama ao lado de seus pais, que aproveitavam para ler um livro enquanto tomavam um sol. E assim o tempo foi passando ligeiro.
Eu já estava tão cansada de correr que me joguei sobre a grama, embaixo de sobra de uma árvore enorme e apenas respirei profundamente, tentando recuperar meu fôlego.
- ... – disse alguém se aproximando de mim.
Por um instante ou mais, senti meu coração parar de bater ao ouvir meu nome.
- . – me virei olhando para ele.
Os olhos dele, que estavam cobertos por um par de óculos escuros, seu rosto estava praticamente tampado pelo boné que usava e que estranhamente não lhe caia muito bem.
- Você precisa vir comigo. – disse ele baixo e com pressa.
- E por que eu preciso ir com você? – eu perguntei sentindo o tom estranho e tenso na voz dele.
- Não é hora para joguinhos. – os lábios dele fizeram uma curva quando ele encerrou essa frase e algo me dizia que não era um bom sinal.
- Se você quer mesmo que eu vá com você, trate de começar abrindo a boca, , ou então eu não vou me mexer nem um centímetro. – eu disse.
Os braços dele se descruzaram e por um segundo me passou pela cabeça a ideia de que ele podia me carregar dali, ele tinha força o suficiente para isso. Mas ele apenas enfiou a mão no bolso da calça, tirou uma folha de papel e a estendeu para mim, eu me levantei e a peguei, segurando a com força entre meus dedos.
Meus olhos devoraram as grandes letras vermelhas quase um milhão de vezes antes de se voltarem para ele novamente.
- Mas, eu não... Por que estão dizendo isso?... Eles não acham que... Acham? – eu disse, tentando colocar meus pensamentos em ordem.
- Acham. – ele disse frio.
- Mas eles estão errados... – disse confusa.
- Mas eles não sabem e é por isso que você tem que vir comigo. – ele me disse sério.
- Ou o quê? Vão cercar meu prédio? Ou sei lá, descobrir onde é o meu trabalho? – disse achando graça nas minhas palavras.
- Acho que eles já sabem onde você mora. – ele pigarreou e continuou. – uns dois minutos depois de eu sair do seu prédio, chegaram acho que uns cinco fotógrafos. – ele disse calmo.
- MAS O QUE ELES QUEREM DE... – eu comecei a gritar.
- Não seja estúpida. – disse ele colocando a mão sobre a minha boca enquanto olhava para os lados, vendo se alguém nos observava. – eles querem uma foto sua, ou melhor, querem saber quem você é e o que tem comigo. – ele resumiu.
- Uma foto minha pra quê? – perguntei, tentando assimilar aquelas informações.
- Para estar estampada por todas as revistas sensacionalistas de Londres amanhã como a suposta namorada de . – disse ele pensativo. – Ou pior, podem dizer que você foi o motivo para o rompimento entre e eu.
- O-H, M-E-U D-E-U-S!! – eu disse soletrando cada palavra demoradamente.
- É, eu sei. – ele disse tão baixo que eu quase não o escutei. – Então, vamos? – ele se virou e andou na direção oposta a que estávamos.
- Mas o que vamos fazer? – perguntei, caminhando logo atrás dele.
- Não podemos deixar que eles cheguem perto de você. – disse ele frio.
’s POV
Nós caminhávamos a passos largos, um ao lado do outro, em silêncio absoluto. Eu olhava para baixo, tentando manter meu rosto tampado para que ninguém me reconhecesse e ela apenas respirava lentamente.
Paramos em frente ao novo carro do , ele havia me emprestado especialmente para aquela ocasião.
- Onde está o seu carro? – perguntou ela ao entrar no carro esportivo azul que fora estacionado na entrada do parque.
- Eu teria muitos problemas se saísse com ele. – apenas sorri para ela ao dizer isso. – Este é mais discreto.
- Muitíssimo discreto. – disse ela olhando através dos vidros escuros e vendo a quantidade de pessoas que paravam para olhá-lo. – Mas que tipo de problemas?
- Se eu saísse com o meu carro e fosse até a sua casa, ficaria muito óbvio que nós temos algo. – eu tremi ao dizer aquilo. – Eu sei que não temos nada, mas eles pensariam que nós temos. – disse rápido, sem saber se ela havia me entendido.
- Entendi, . – disse ela fria.
- Além do mais, o me deu uma mãozinha. – eu estava louco para contar a alguém o que nós fizemos e por isso nem esperei uma resposta dela: fui atirando a ela todas as nossas artimanhas. – Foi ele quem me mostrou a revista, disse que estava cheio de fotógrafos na entrada do condomínio e que se eu fosse atrás de você, eles iriam me seguir. Então foi aí que eu pensei em dar a eles uma pista falsa. saiu com o meu carro e eu com o dele, enquanto foi para a cidade e levou os paparazzi para muito longe da sua casa, eu apenas esperei ele me dar o sinal e fui atrás de você.
- Um plano de mestre, – disse ela ironicamente. – mas como você sabia onde me achar?
- , – eu disse rápido e logo expliquei tudo. – quando eu cheguei, ela estava saindo, mas mesmo assim foi muito educada e me esperou explicar tudo. Ela ficou apavorada com a ideia do que eles poderiam fazer com você, se eu não a encontrasse, então ela me disse que você havia saído, mas que ela não tinha certeza de onde estava, ela me deu a sugestão de procurar por você no parque.
- É, ela é uma amiga maravilhosa. – disse ela baixo, parecendo mergulhada em seus pensamentos.
Após dizer isso, nós ficamos em silêncio. Eu dirigia olhando para frente, mas hora e outra eu dava uma olhada rápida para onde ela estava sentada, tão encolhida e apenas olhando pela janela.
- Nós já chegamos. – disse a ela uma hora mais tarde.
- Onde estamos? – ela me perguntou, enfim olhando-me nos olhos.
- Eu comprei um apartamento bem distante do centro na época em que eu estava namorando, porque eu achava que em breve nós precisaríamos de algo maior do que a minha casa. – eu não sabia se continuava ou não, mas mesmo assim continuei. – Era um presente, um presente que ela nunca chegou a ver.
- Eu sinto muito. – foi o que ela disse enquanto nós entravamos na garagem subterrânea.
Estacionei o carro em uma vaga perto do elevador, desliguei o carro e desci o mais depressa que pude para abrir a porta para ela.
- Obrigada. – disse ela.
- Venha, o elevador é por aqui. – coloquei a mão no ombro dela.
Ela se esquivou, deixando a minha mão cair no ar.
- , não. – após ela dizer isso, eu tinha entendido, eu não poderia tocar nela.
Nós entramos no elevador em silêncio, eu apertei o botão 14 do último andar e fiquei olhando para o letreiro vermelho acima da porta, rezando para que ela me falasse algo, mas ao contrário disso, ela permaneceu em silêncio.
As portas do elevador se abriram e logo a nossa frente havia o apartamento de número 217, era o único daquele andar. Eu caminhei um pouco a frente, sentindo ela me acompanhar, peguei uma chave e o abri, estendo minha mão em um gesto para que ela entrasse.
- Nossa. – eu a ouvir dizer enquanto trancava a porta e me virava na direção dela.
estava parada no meio da sala de estar e olhava deslumbrada para a decoração toda em madeira branca. Havia um piano perto da única janela daquela sala, as paredes eram forradas por um papel de parede azul escuro muito fosco, que fora escolhido por mim. Na verdade, tudo naquele apartamento havia sido ideia minha, cada detalhe, desde os talheres guardados na cozinha até as toalhas no banheiro dos empregados, havia sido eu quem escolhera.
- Espero que tenha gostado. – disse caminhando em direção à cozinha.
- Nossa, é tão lindo. – ela me acompanhou.
- Eu que escolhi cada detalhe, acompanhei de perto a reforma. – eu disse. – Quando eu o comprei, não era tão amplo como é hoje.
- Você tem muito bom gosto. – ela me disse quando chegamos à cozinha.
- O que quer beber? – perguntei no mesmo instante em que abria a grande geladeira branca que, na verdade, mais parecia um armário de tão grande.
- Água.
- Boa pedida. – disse eu enquanto lhe entregava uma garrafa. – é a única coisa que nós temos.
Ao dizer isso, ela deu uma gargalhada gostosa e eu a acompanhei, rindo dela e de mim também. Era tão bom rir assim, eu até havia me esquecido de como era.
- Vou ligar para o serviço de quarto. – disse por fim, sentindo minha barriga doer de tanto que nós havíamos rido.
- É bom mesmo, porque eu estou com fome. – ela se sentou em uma das cadeiras que ficavam em volta da bancada feita de marfim.
- Nem percebi que já estava na hora do almoço. – comentei enquanto olhava para o relógio em meu pulso. – Acho que dirigi como uma lesma.
- Um pouco, devo assumir. – disse com um sorriso provocante nos lábios.
- Mas nós chegamos, não chegamos? Isso é que importa. – fui ligar para o serviço de quarto.
- , posso te perguntar uma coisa?
- Claro, o que quiser. – respondi.
- Posso tomar um banho? Eu sei que não trouxe roupa nem nada, mas você sabe, eu estava correndo no parque. – ela ficou levemente corada.
- Claro, não se preocupe com as roupas, eu dou um jeito nisso. – eu sorri. – Você pode usar a suíte no final desse corredor, as coisas estão no armário debaixo da pia.
- Obrigada. – ela levantou-se e seguiu em direção ao quarto.
Fiquei ali apenas olhando o lugar onde ela estava sentada há alguns segundos atrás.
Meia hora depois eu já havia pedido nosso almoço, já havia posto a mesa e estava apenas a esperando, minha barriga roncava e eu só lutava para não devorar o salmão que estava na minha frente. Foi quando ela entrou pela sala, apenas de roupão e com os cabelos molhados.
Nesse instante, todos os meus pensamentos sumiram e eu tinha apenas um desejo: arrancar aquele roupão e fazer amor com ela ali mesmo, no chão da sala.
- Que foi? Tem alguma coisa errada com o meu cabelo? – ela percebeu que eu a olhava fixamente.
Ela começou a passar as mãos freneticamente pelos cabelos molhados que espirravam gotículas de água em todas as direções, enquanto eu me levantava devagar e caminhava na direção dela sem dizer nenhuma palavra, eu a vi olhar para mim com os olhos confusos.
Tomei-a em meus braços e a beijei sem pedir permissão, mas só o fato dela estar me beijando de volta mostrava que ela também me queria.
’s POV
me beijava com um misto de ternura e desejo, em mim havia uma batalha entre ceder ou não a minha vontade louca de me entregar a ele. Sem nem mesmo lutar contra essa vontade, cedi.
As mãos dele deslizaram até que me despiu, parou de me beijar e se afastou dois passos de mim, me olhando ali, nua. Senti minhas orelhas queimarem e a vontade que eu tinha era de me cobrir novamente, mas por nada nesse mundo eu iria deixar de ver aquele sorriso safado estampado em seus lábios.
Nós nos beijamos novamente e pouco tempo depois eu já havia jogado a blusa dele em qualquer lugar não muito visível, eu segurava seu pescoço enquanto as mãos dele tiravam sua calça. Em pouco tempo, nós estávamos nus, nos encostando pele com pele.
A sensação do calor do corpo dele colado ao meu era a melhor sensação do mundo, o beijo dele era tão excitante quanto vê-lo nu daquela forma.
- Acho que eu não aguentaria nem mais uma hora sem poder te ver nua novamente. – disse em um dos poucos instantes em que soltou os meus lábios.
passou a ponta da sua língua nos meus lábios e eu apertei sua nuca com mais força ainda sentindo meu corpo inteiro queimar de tento desejo.
Ele me encostou numa parede e segurou minhas coxas, me elevando um pouco, eu cruzei minhas pernas em seu quadril e me segurei em seu pescoço. colocou a cabeça de seu membro em minha entrada e eu mordi o lábio de tanto prazer, ele era tão bom nisso.
Ele começou entrando em mim com calma e logo já estava em um ritmo tão rápido, que eu só podia rebolar de prazer. Quanto mais alto eu gemia no ouvido dele, mais fundo ele ia.
Depois, meus ouvidos já não podiam mais ouvir meus próprios gemidos e todos os outros sons foram abafados pelo prazer que estava dominado meu corpo naquele momento. Minhas pernas tremiam e logo teria que me segurar, mas pelos tremores em seu abdômen, ele também estava tão mergulhado em seu prazer quanto eu.
Meu corpo tremia tanto que eu não conseguia mais me segurar e aos poucos fui voltando para chão, continuei encostada a ele enquanto ele voltava ao normal.
Meu coração, que batia a mil, parou quando ele me beijou tão delicadamente.
- Nossa, foi incrível. – disse ele me olhando com uma imensidão de ternura desmanchando em seus olhos.
- Foi bem mais do que isso. – disse, beijando-o mais uma vez.
Depois de dizer aquela frase, parecia que tudo estava voltando a minha mente: eu sabia que não deveria ter transado com ele novamente, eu sabia muito bem disso. Porém, havia algo entre e eu que era mais forte do que qualquer outra coisa.
interrompeu meus pensamentos quando me pegou no colo e me deitou, com uma inexplicável delicadeza, no grande tapete cor de musgo que cobria toda a sala de estar. Nós nos olhamos por alguns segundos e logo depois beijou minha testa, fazendo-me fechar os olhos, em seguida, ele beijou meu nariz fazendo-me sorrir, depois ele mordeu meu queixo de uma forma delicada e ao mesmo tempo sexy, ele desceu, se perdendo em meus seios e me fazendo tremer de tanto prazer, era quase um pecado ser tão bom nisso, depois ele estava em minha barriga, me mordendo e lambendo cada pedaço da minha pele que apenas queimava em resposta. Ele segurou minhas coxas, separando-as e depois, dando um breve olhar indecente em minha direção, ele se perdeu em meu sexo.
Sua língua gelada tocava meu clitóris, deixando-o em chamas, me fazendo perder quase todos os sentidos. Quanto mais ele me estimulava com sua língua extremamente macia e molhada, mais embaçada minha visão ficava, eu podia apenas gemer e ora ou outra segurar seus cabelos. Eu me contorcia ao ritmo da sua língua e ele não parava.
Meu coração batia descompassado e meus pulmões pareciam relutar contra o ar que os invadia. E logo o mundo inteiro estava mudo de novo. Sentia as ondas de prazer percorrendo a ponta dos meus dedos e correndo pelas minhas veias, indo para todas as partes do meu corpo, cada músculo, cada célula e cada átomo pertencente ao meu corpo estava derretendo-se em prazer.
Quanto mais eu gemia e me contorcia, mais devagar ia, eu já não agüentava mais de tanto prazer, meu corpo estava tão entorpecido que eu já não podia mais sentir os meus dedos dos pés.
Eu senti meus pulmões se encherem de um ar gélido demais para a temperatura do meu corpo nesse instante, e tudo que eu queria era que ele continuasse.
’s POV
Seu cheiro, seu gosto, a textura de sua pele, a elegância com que rebolava em minha boca, o som dos seus gemidos e a forma com que segurava o meu cabelo. Era disso que eu estava falando quando me perguntavam sobre uma mulher perfeita. Tudo nela era convidativo, tudo era intrigante, tudo era excitante.
Parecia que eu a havia desenhando inteira para mim, era a forma perfeita de todos os meus desejos e sonhos. Como eu poderia dizer não a isso?
Ela sempre se entregava a mim dessa forma: única, inteira e sem pudor. Por isso que eram as transas mais intensas que eu já havia tido na vida. Toda vez que chegávamos ao fim, eu só queria mais uma vez. Era um ciclo vicioso, mas era o vício mais gostoso do mundo.
Em meus lábios, o gosto doce do seu gozo; em meu nariz, seu cheiro estava impregnado em minhas células olfativas; e em minhas mãos, seu quadril perfeito a rebolar de tanto prazer. Esse conjunto de perfeições tinha o poder de me excitar de tal forma, que eu não poderia explicar, nem se para isso eu dispusesse de dez mil palavras.
A vi gozar mais uma vez, olhei para ela e ela retribuiu meu olhar. Suas bochechas estavam rosadas e havia pequenas gotículas de suor em sua testa. Ela se aproximou dos meus lábios e me deu um beijo rápido, e logo eu já estava perdido em suas curvas novamente.
Seus olhos eram ainda mais lindos quando eu os olhava tão de perto. Me faziam perguntar a Deus, como eu não havia a encontrado antes.
Peguei uma de suas pernas e a beijei, do pé até as coxas, ouvindo-a dar algumas risadas baixas quando eu estava beijando seus pequenos dedos. Acariciei sua perna enquanto a apoiava em meu ombro, coloquei meu membro em sua entrada e ao mesmo tempo olhava em seus olhos, entrei bem devagar e carinhosamente, aproveitando cada pedaço do caminho. Era tão quente e úmido dentro dela e a sentir assim, de dentro para fora, poder ver as reações do seu corpo de diversos pontos de vista diferentes era a melhor forma de me sentir parte dela.
Aumentei a velocidade e a força com que penetrava o seu canal, fazendo com que ela apenas segurasse com força o tapete embaixo de nós. Na posição em que estávamos, eu podia controlar e ver cada movimento dela. E eu estava amando isso.
- Mais rápido, . – ela disse em meio a gemidos e suspiros.
Continuei como estava, apenas indo cada vez mais devagar, a vendo arfar de prazer. Ela gemia e se contorcia na minha frente, ela era tão linda nua, ora e outra, enquanto me perdia em seu corpo, eu acabava perdendo o ritmo das minhas estocadas. O estranho é que isso nunca havia me acontecido.
Tentei me focar só em entrar e sair, cada vez mais devagar, retardando meu orgasmo, fazendo com que assim, ele fosse bem forte e demorado.
Eu entrava e saia bem devagar, sentindo meu membro se expandir quando estava inteiro dentro dela. Minha glande já estava em chamas quando senti meu orgasmo chegando, cada vez mais rápido.
Logo, meu membro estava queimando e eu sentia o prazer tomando conta de todo o meu corpo. Por todo o meu membro havia aquela queimação prazerosa que dentre pouco tempo, só restaria em minhas lembranças e também em meus desejos mais profundos.
Reuni forças para poder entrar e sair mais uma vez dela. Ela quase gritou de prazer. Então eu procurei por seus lábios novamente. Os lábios dela se uniram tão rápido aos meus, que se entregaram ao tentarem recuar um pouco, mas já era tarde, ela me pertencia.
Nós nos beijávamos suavemente, abraçados sobre o tapete da grande sala de estar. Eu estava amando cada minuto com ela, só queria saber se ela também sentia o mesmo.
Ela se aninhou em meus braços e ficou ali, calada. Eu brincava com o seu cabelo, que era ainda mais lindo molhado, sem saber ser deveria quebrar ou não o silêncio. Eu tinha medo de que esse silêncio repentino significava que ela estava pensando em ir embora.
- ? – ela disse baixo, com uma voz meiga e arrastada.
- Sim? - eu disse, sentindo meu coração se acelerar um pouco.
- Você gosta de... – ela não continuou.
- De? - eu a incentivei.
- Você gosta de transar comigo? – ela perguntou e eu senti seus olhos se fecharem esperando a resposta.
- Sim, eu gosto. – respondi.
Ela permaneceu em silêncio.
- Mas... – eu me encostei em meus cotovelos e ela fez o mesmo, me olhando firmemente. – Eu gosto muito mais de ficar ao seu lado, de ver o seu sorriso e de ouvir sua respiração calma. - ela me olhou em dúvida. – Acredite. – eu disse, segurando seu queixo e lhe dando um beijo rápido.
- Eu acredito em você. – disse ela voltando a se deitar em meu peito.
’s POV
Deitada em seus braços, ouvindo seu coração alto, eu me perguntava se não estava cometendo um grande erro. Ele era sim, o cara mais surpreendente que eu já havia conhecido, mas era um total estranho. Eu já havia tido experiências o suficiente para saber que era melhor o conhecer antes de me entregar.
Mas o que aconteceria se eu dissesse que era tarde de mais?
era rico, lindo e famoso. Lê-se: encrenca. Mas eu não conseguia sair dos braços dele. Ele era tudo que eu sempre quis ter, e talvez por isso, eu não queira abrir mão desse sonho, não agora.
- No que você está pensando? – ele me perguntou.
- Em você... – eu disse sendo sincera.
- Em mim? – disse ele rindo serenamente.
- É... – eu respondi, sentindo-me envergonhada.
- E no que exatamente está pensando sobre mim? – ele me perguntou e eu senti as batidas do seu coração se apressarem.
- No motivo pelo qual você me beijou na noite em que nos conhecemos. – eu disse com a voz arrastada.
- Bem, acho que posso te dizer o motivo. – disse ele sério.
- Eu espero que sim. – senti minhas mãos suarem.
Meu coração disparou enquanto ele respirava e mexia em meu cabelo. Mesmo nesse curto período de tempo em que ele apenas respirava, eu podia sentir o medo que havia em mim de que tudo o que tivemos até aquele momento, se desfizesse a qualquer instante. Eu não sei o porquê, mas eu sentia que não estava pronta, ainda, para virar as costas e voltar para o meu mundo sem .
- , você é uma mulher incrível. Mesmo te conhecendo há pouco tempo, eu posso sentir isso. E você tem algo em seus olhos que, eu não sei, mexe comigo. Toda vez que nós vemos, eu sinto que a única coisa que eu quero é que o tempo pare, apenas para que eu possa ficar com você sem ter que dizer adeus. – disse ele baixinho.
- Mas tudo aquilo que estava escrito no bilhete... – ele não me deixou terminar.
Ele se sentou e eu me sentei também, nós ficamos de frente um para o outro, ele colocou o seu dedo indicador em meus lábios e respirou fundo.
- Eu te peço para esquecer tudo o que eu escrevi naquele bilhete, todas aquelas idiotices que não faziam sentido algum. Eu só fiz aquilo porque estava com medo, eu não me envolvia com alguém há muito tempo e você foi tão surpreendente em todos os aspectos que eu simplesmente não sabia o que fazer. – ele me olhava profundamente. – Num ato de covardia, eu escrevi o bilhete apenas para tentar afastar você de mim.
- Mas porque você queria que eu me afastasse? – perguntei, segurando seu rosto diante do meu.
- Eu tinha medo de que você só estivesse comigo por causa da fama e do dinheiro. Acredite, eu me sinto envergonhado por isso.
- , o que você tem que entender é que o seu dinheiro e a sua fama só pertencem a você e mais ninguém, esses são os frutos do seu trabalho, do seu esforço. E pode ter certeza eu não quero, em momento algum, usufruir deles. – eu disse me sentindo leve.
Em resposta, ele apenas me beijou suavemente. Eu o havia perdoado por tudo, como não o perdoaria?
se levantou e me estendeu sua mão, a segurei e me levantei também. Ele correu os olhos pelo meu corpo nu e sorriu.
- Toda vez que eu te olho, acho você cada vez mais linda. – ele disse enquanto me colocava no colo.
- ! – eu o adverti em meio às risadas.
Nós saímos da grande sala de estar e fomos pelo corredor que dava para um dos quartos do apartamento. Ele beijava minha orelha enquanto me carregava.
Entramos em um quarto cujas paredes eram de um azul-bebê muito claro, havia uma cama no centro que era enorme e estava coberta por uma roupa de cama branca com pequenas flores azuis escuro, quase toda a mobília do quarto era branca, exceto uma penteadeira que era da mesma cor que as paredes. me colocou no chão com delicadeza e, segurando a minha mão, guiou-me até o banheiro.
O banheiro era branco com detalhes pretos e era enorme, havia um grande espelho que se estendia pela pia colossal. Mas ele continuou andando e foi em direção ao box, o abriu e entrou. Eu o segui com cuidado, apenas ligou o chuveiro e deixou a água escorrer pelo seu corpo. Observei calada a água se espalhar pela pele dele, fazendo-me ter flashes de todos os momentos que havíamos passado juntos, ele era perfeito demais para coexistir com o meu mundo.
Naquele instante, eu decidi aproveitar ao máximo cada momento em que ele estivesse na minha vida, como se fosse o último. E quando chegasse o fim, eu prometi a mim mesma, o deixar partir sem guardar nenhuma mágoa ou ressentimento.
’s POV
Nós estávamos deitados agora, ela havia vestido uma das blusas que eu tinha guardada e eu estava apenas de bermuda, ela estava encostada em um dos travesseiros e permanecia com os olhos fechados enquanto eu apenas a olhava.
Ela era linda assim, natural.
- O que você tanto olha, hein? – perguntou-me enquanto eu a via abrir um lindo e glorioso sorriso.
- Nada. Eu estou apenas te observando... – sorri também.
Ela abriu um dos olhos e me deu um beijo no nariz, me fazendo rir alto.
- Eu estava pensando em como ter a minha vida de volta. – disse ela me olhando firme.
Por um instante, toda a felicidade que havia em mim pareceu sumir. Então ela estava pensando em ir embora? Em me tirar da sua vida, se é que um dia eu fui parte dela! Por não saber o que dizer, eu permaneci em silêncio.
- , meu lugar não é aqui e você sabe disso. – disse olhando para os meus lábios.
Eu permaneci calado, sem me mexer ou expressar qualquer tipo de reação. Se ela queria ir, não era eu que a iria impedir.
- Você tem que entender que eu tenho um trabalho, tenho a faculdade e as minhas outras responsabilidades. – disse ela segurando meu rosto.
Eu não conseguia entender o porquê de ela estar me falando àquelas coisas, nós estávamos tão bem. Ela poderia ir para a faculdade e para o trabalho, mas eu só queria que ela voltasse para mim ao final do dia.
- Mas isso não significa que eu estou dizendo que não te quero mais. – disse ela com seus grandes olhos meigos, fazendo todos os meus medos se dissiparem.
- Então, o que você esta querendo dizer? – eu perguntei ainda meio amargo.
- Eu só quero saber, quando eu vou voltar para minha casa? Você disse que os fotógrafos estão lá e que vão fazer de tudo para me encontrar. – disse meio incomodada.
- Sobre os fotógrafos... – parei e pensei em algo. – É, eles vão ficar lá.
- Por quanto tempo? – me perguntou.
- Até quando eles acharem que você ainda tem algo comigo. – respondi.
- Então, se eles acharem que você está com outra, eles vão sair do meu pé e ir procurar essa garota? - ela me perguntou sem entender que acabara de me dar uma ideia genial.
Eu a beijei, ela apenas retribuiu meu beijo sem nem ao menos me questionar sobre o porquê de eu estar tão eufórico.
- Você é uma gênia sabia? – disse a ela enquanto me sentava na cama.
- Eu? Por quê? – ela sentou também e se escorou em minhas costas.
Procurei meu celular pelo criado mudo, sentindo que o universo inteiro estava ao meu favor.
- , será que dá para me contar o que está acontecendo? – ela perguntou, elevando a sua voz e me tirando dos meus pensamentos.
- Você acabou de me dar uma ideia de como tirar os fotógrafos da sua casa. – respondi, sentindo-me mais empolgado que nunca.
- Como? – ela parecia repensar em tudo que havia me dito nos últimos minutos.
- Eu vou sair com outra garota. – resumi tudo.
- Você o quê? – disse ela, transbordando confusão e ciúmes ao mesmo tempo.
- , – segurei seu rosto lindo entre as minhas mãos. – é tudo parte de um plano. Eu vou sair com uma garota, sem nenhum envolvimento, apenas para que eles pensem que a bola da vez é ela e deixem você em paz.
- Mas vai dar certo? – ela me perguntou parecendo enfim entender meu plano.
- Claro, eu vou sair com alguém que eles nunca esperariam, isso vai fazer com que eles vendam muitas revistas, acredite. – eu disse, me sentindo animadamente maquiavélico.
- Quem? – ela me perguntou curiosa.
- Você vai saber logo, logo. – peguei o meu celular e disquei um número rapidamente.
O telefone chamou insistentemente e eu tinha a certeza de que a pessoa do outro lado estava pensando se atendia ou não, no fundo do seu grande ego, ela queria que eu insistisse, mas ela também tinha medo de que eu não retornasse novamente.
- Alô? – eu ouvi a voz dela do outro lado da linha.
- Sou eu. – disse sem nem me abalar por estar conversando com ela após todo esse tempo sem ouvir sua voz.
- O que você quer? – ela me perguntou meio rude demais e já entregando que estava curiosa para saber o que era.
- Quero ter uma conversa com você. – disse sem expressar nenhum tipo de sentimento em minha voz.
- Sobre o quê? – ela disse imparcial.
- Anote o endereço e descubra. – lhe disse o endereço e esperei que ela o anotasse. – Às quatro. – disse por fim, desligando o telefone sem nem me despedir.
olhava para mim com os olhos curiosos, mas suas mãos estavam fechadas, o que indicava que ela estava um pouco nervosa e incomodada com a situação.
Eu a abracei, sorri para ela e a vi retribuir o sorriso.
- Não se preocupe, meu bem. – disse beijando sua testa. – Logo todo esse tormento vai passar. Acredite em mim, vai dar certo.
Tudo que eu mais queria era que nós pudéssemos ficar juntos sem nos preocuparmos. E agora eu tinha a certeza de que havia uma esperança. Eu não sabia como ia ser daqui pra frente, mas eu sabia que não podia desistir dela.
’s POV
Era quando eu estava nos braços de , como agora, que eu me perguntava sobre estar ou não fazendo o certo. Por mais que eu tentasse encontrar a resposta para essa pergunta, era inútil tentar me iludir. Eu já havia aprendido essa lição, já havia me machucado e pior, machucado outras pessoas que sempre estiveram ao meu lado. Mas talvez com fosse diferente. Ou talvez não.
Balancei minha cabeça de leve, tentando esvaziar a minha cabeça.
e eu olhamos para o relógio mais uma vez, vendo que a tal garota, que ele insistia em não me dizer o nome, estava agora atrasada quase meia hora.
- Não se preocupe, ela virá. - disse ele, apertando fortemente minha mão direita, que estava apenas escorada por sobre a barriga dele.
- Eu estou tentando. – eu era tão transparente, que as pessoas sempre viam o que estava sentindo ou pensando só pela forma como eu respiro.
No instante em que meus lábios se fecharam, um som alto e fino, como o toque de um telefone, ecoou por todos os cantos do apartamento. Eu me encolhi ainda mais nos braços dele enquanto ele apenas me abraçou e sussurrou no meu ouvido.
- Fique aqui e faça o que combinamos. – sussurrou ele por fim, dando-me um beijo de leve.
Ele se levantou aos poucos, calçou os tênis e quando estava quase contornando toda a cama e indo em direção a porta, eu segurei seu pulso e senti meu coração se partindo aos poucos.
- Me promete que tudo ficará bem... – eu quase implorei para ele.
- Eu prometo isso a você. – disse ele, vendo através dos meus olhos e tocando fundo a minha alma machucada.
E dizendo isso, ele saiu do quarto. As palavras de ecoaram pela minha cabeça até eu ouvir novamente sua voz pedindo para alguém se sentar.
Eu me levantei da cama e me escorei na porta, abrindo uma pequena fresta, apenas para que eu pudesse ouvir tudo o que eles falavam.
- Obrigada. - disse uma voz feminina e arrastada.
- Quer beber alguma coisa? – perguntou , educadamente frio.
- Bem, o que você tem para beber? – perguntou a voz feminina, parecendo se oferecer para .
- O que você está fazendo? – disse sobressaltado.
Algo em mim me disse para correr até a sala e fazer algo, mas o quê? A única coisa que eu fiz, foi andar pausadamente até o final do corredor e me esconder atrás de uma parede, para que eu pudesse ver o que estava acontecendo sem ser vista. Pelo menos, esse era o plano.
Vi a dona da voz se jogando para cima de e aquilo fez minha cara formigar de uma maneira que eu jamais sentira antes. Lutei contra a vontade de ir até lá e arrancar milhares de fios do cabelo impecavelmente brilhante dela. Entretanto, me contive.
- Estou apenas recuperando o tempo perdido. – ela disse, quase esfregando suas coxas nas de .
- , eu não te chamei aqui para recuperar o tempo perdido. – disse enquanto a empurrava de volta para o sofá. - E em momento algum pensei em recuperar o tempo perdido, pois a única pessoa que perdeu seu tempo aqui é você, não eu.
apenas sorriu de um jeito sedutor e arrumou o vestido preto e justo que usava.
- Você sabe que eu adoro propostas, – disse ela, alisando os cabelos. – mas eu adoro mais ainda o que ganho com elas.
- Você não mudou nada... – disse , lhe entregando uma taça com um líquido branco, que eu julguei ser vodca.
tomou uma grande golada e depois passou sua língua sobre os lábios incrivelmente avermelhados .
- Então diga, meu benzinho. – disse ela apelando, talvez, para um apelido antigo que eles usavam.
- Bem, eu quero que você finja que está saindo comigo, finja ser minha namorada. – disse seco.
- Hum, finja? E o que eu ganho nessa história? – perguntou ela.
- Fama, capa de revistas e dinheiro. Vamos lá, , não me diga que esqueceu como é namorar Judd. – disse ele impaciente.
- Não mesmo. – ela respondeu, levantando uma sobrancelha e mordendo seus lábios rapidamente.
Vadia, eu pensei, sentindo-me inferior, sabendo que tudo que e eu tínhamos corria grande perigo. Estava bem claro para mim que ela o queria de volta e era capaz de fazer qualquer coisa para isso, mesmo que tivesse que reconquistar do zero.
- Então, o que me diz? – disse ele, apenas a olhando.
- Aceito, mas antes eu preciso saber por quê. – exigiu .
- Porque eu estou cansado de ter que enfrentar os holofotes sozinhos e você sabe lidar muito bem com eles. – parecia estar carregando um fardo muito pesado para se carregar sozinho, intimamente, eu desejei ajudá-lo.
- Eu sei que está escondendo algo, , só não sei ainda o porquê. – disse ela se levantando e meu coração apenas parou.
- Você acha? – disse irônico.
- Você não sabe mentir. Você não é bom nisso, nunca foi. – disse ela parecendo o conhecer muito bem.
- Tem razão, e talvez eu nunca seja tão bom quanto você... – parecia que ele ainda tinha as cicatrizes da relação que teve com ela.
- Talvez. – disse ela colocando a taça na mesa.
- Só mais alguns detalhes antes de você finalmente ir embora. – ele pigarreou e prosseguiu. – Nada de contato físico, sem beijo, carinho ou sexo. Nada de me procurar, eu vou te procurar e temos um lugar para ir hoje à noite. Eu te pego às nove.
se colocou de pé e eu a vi abrir um sorriso maroto no canto dos lábios. Ela pensava que poderia mudar isso e meu coração tremeu ao perceber que talvez ela realmente pudesse.
’s POV
Eu a olhava pelo reflexo do espelho e a via mexer insistentemente nas pontas do seu cabelo, hora e outra ela respirava fundo e em nenhum momento desde que sai do chuveiro ela me olhou, nem ao menos por uma fração de segundos.
- Esta tudo bem? – eu perguntei a ela.
- O que você acha? – perguntou ela em resposta.
- Eu não sei é por isso que eu estou te perguntando – eu disse meio irritado me voltando para ela.
Ela me encarou fria e logo uma lágrima escorrer por seu rosto e permaneceu escondida entre seus lábios. Eu fui ate ela e a coloquei entre meus braços, ela logo escorou sua cabeça em meus ombros e apenas chorou baixo sussurrando coisas sem sentido.
- Eu não entendo porque sempre me meto em confusão – ela desse me olhando com seus grandes olhos cheios de lágrimas – eu disse que dessa vez ia ser diferente.
Meus dedos logo se prontificaram a enxugar todos os vestígios de um choro desesperado e assustador.
- Mas ao contrário disso a minha vida é uma confusão e eu nem me lembro de como e porque me meti nela – ela disse a si mesma ainda olhando pra mim.
Ela soluçava e me segurava firme, me mantendo perto o suficiente para sentir o cheiro do sal das suas lágrimas, aquilo era torturante eu só queria poder ajudar, queria poder segura-la por toda a vida, queria afastar suas dores, mas ao que parecia eu ainda tinha muito que conhecer sobre ela.
- Eu fiz algo? – eu perguntei confuso.
- Fez – disse ela olhando para mim e respirando fundo.
- O que eu fiz?
- Entrou na minha vida e trouxe com você todos esses problemas – ela disse, seu rosto era tão frio quanto suas palavras.
- Eu não entendo... – eu estava tão confuso que eu mal podia explicar a mim mesmo o que estava acontecendo.
- Eu também não, eu só sei que estou em sua cama, vestindo as suas roupas e vendo você se vestir para sair com outra – disse se tornando ainda mais complexa e indecifrável.
- me escuta – eu disse segurando seu rosto enfrente ao meu – logo isso vai passar e tão logo você poderá voltar para sua casa, vestir suas roupas e se deitar em sua cama.
- É o que eu mais quero – ela disse bufando e me roubando por um segundo um sorriso, ela era a mulher mais linda que eu já havia visto.
- E eu espero que quando tudo isso passar você possa escolher se quer estar ou não comigo – eu disse ouvindo minhas palavras saírem estranhas.
- Eu vou precisar de um tempo pra pensar em tudo, para pensar em mim e decidir o que eu quero – disse ela se afastando de mim – as coisas com você, aconteceram rápido de mais e continuam em um ritmo que não se encaixa a minha vida, a mim e ao mundo em que eu vivo. Espero que você me entenda...
- Eu entendo – não eu não a entendia.
Me afastei dela e continuei a me arrumar, eu iria encontrar daqui a meia hora e tinha que estar no mínimo apresentável, não estava com paciência para aguentar ela falando da minha roupa.
Hora e outra eu olhava com o canto dos olhos para o lugar onde estava encolhida e olhando para o nada, mesmo não tendo nenhuma ideia do que iria acontecer daqui em diante eu só tinha uma certeza a de que eu estava confuso. Eu não podia e não queria me envolver de mais com ela, mesmo que seja extremamente vivo e intenso tudo que eu estava vivendo com ela, eu sei que é errado, vai contra tudo que eu prometi.
Dei uma última olhada para ela pelo espelho e respirei fundo buscando coragem sei lá da onde para tentar uma aproximação.
Caminhei até o outro lado da cama e me sentei bem perto dela, ela por sua vez me olhou calada, com os lábios retos e os olhos um pouco inchados.
- Ei, você esta melhor? – eu tentei ser carinhoso e coloquei a mão sobre uma das pernas dela.
- Acho que sim – disse ela tentando sorrir.
- Me desculpe pelo que esta acontecendo com você, eu nunca quis ver você daquela forma...
- E você queria me ver como, quando me buscou no parque? Por que quer me manter tão longe desses fotógrafos? – ela me perguntou parecendo pressentir que eu escondia algo.
- Só queria te manter a salvo, eles podiam ter especulado a sua vida de tal forma que você iria querer ir embora de Londres desejando nunca ter vindo para cá, desejando nunca ter me conhecido... - eu disse tentando parecer sincero.
Eu tinha tanto medo de mentir, mesmo que fosse para proteger alguém ou mesmo para livrar a minha cara, eu nunca fui bom nisso.
- Tudo bem , eu só preciso de um tempo pra entender tudo que esta acontecendo comigo, tudo que esta acontecendo ai... – disse ela apontando para mim.
- Você tem o tempo que precisar – eu disse me inclinando e indo em direção aos lábios dela.
Ela por sua vez, desviou seu rosto e fitou o chão como se não estivesse me enxergado. Isso me incomodou, pois eu não estou acostumado a ser ignorado e pra ser sincero eu já havia me esquecido do gosto de não ser visto.
- Tudo bem – eu disse beijando sua testa.
Caminhei ate a porta do quarto e andei pelo corredor escuro me sentindo estranho por dentro. Tomei o elevador e me dirigi ao estacionamento onde o carro de me esperava reluzente, peguei as chaves e o abri, sentindo o cheiro forte do couro dos bancos e as lembranças do dia em que o dirigiu pela primeira vez transbordaram na minha cabeça, ele amava aquele carro. Só de pensar nisso me fez querer devolve-lo imediatamente.
Acelerei o carro sentindo seu motor veloz, tudo naquele carro transpirava velocidade, e tive que me controlar muito pra não passar dos 90km mas confesso, quase não resisti.
Cheguei ao edifício onde morava, peguei meu celular e me deparei com uma mensagem que havia me mandado a algumas horas atrás, a mensagem dizia: “Cara aonde você está? E o meu carro quando pretende me devolver? To preocupado... e os guys já estão perguntando de você não sei o que mais inventar. Precisamos conversar sobre isso, urgente!”
Ele deveria estar preocupado, disquei seu número e esperei que ele me atendesse.
- Cara aonde você se meteu? – perguntou parecendo desesperado – Eu não sei mais o que inventar... E cadê o meu carro?
- Relaxa, ta tudo bem! Essa conversa vai ter que ficar pra depois, onde vocês estão? – perguntei já adivinhando a resposta.
- nos estamos no mesmo restaurante de sempre, você vai trazer meu carro não vai? – disse ele quase choramingando quando me fez a última pergunta.
- Em quinze minutos eu chego ai... – eu disse desligando o telefone ao ver descendo os degraus e vindo na minha direção.
Ela estava deslumbrante como sempre, mas eu nunca mais a veria da mesma forma, não importa quantas roupas ela vestisse, quanto tempo gastasse se arrumando, ela nunca iria esconder de mim a sua verdadeira personalidade...
sorriu ao me ver e se sentou espalhando seu cheiro floral pelo carro, e no mesmo instante eu já estava acelerando o carro.
- Aonde vamos? – perguntou ela falando delicadamente.
- A um restaurante, o mesmo que sempre íamos... – eu disse me sentindo irritantemente desconfortável.
- Eu adoro aquele lugar, tão cheio de gente famosa e paparazzi... – ela disse parecendo não saber o limite de uma conversa.
Parecia que ela não se cansava de falar dela mesma, mas tudo bem eu já não estava mais escutando nenhuma de suas palavras havia alguns longos segundos. Virei a esquina vendo a quantidade de fotógrafos e vi os olhos dela se ascenderem da mesma forma que antigamente.
- Eu amo esse lugar, eu amo essa vida... – ouvi ela sussurra baixinho enquanto eu ia em direção ao estacionamento.
Em quanto eu estacionava o carro se olhava loucamente no pequeno espelho que havia levado em sua bolsa minúscula, e me veio à lembrança das inúmeras vezes que eu a vi fazendo isso e dos momentos em que eu dizia que ela era linda e que não precisava se preocupar com sua aparência, mas de nada adiantava. Desci do carro e esperei que ela fizesse o mesmo, tranquei-o e dei a volta segurando-a pela cintura e indo direto para os fleches que me cegavam.
sorria enquanto posava para todas as fotos, se esquecendo de que eu estava ao seu lado, eu apenas sorri, fingindo uma tal felicidade, mas mal eles sabiam que a minha felicidade se encontrava a alguns quilômetros daqui.
’s POV
Andar de um lado ao outro do grande quarto de já não mantinha meus pensamentos ruins longe o suficiente para ser seguro pensar em como agir quando ele chegasse. Como de costume eu estava irritada.
tinha me deixado sozinha naquele apartamento em quanto ele saia com outra dizendo ser o melhor pra mim, afinal o que nós tínhamos?
Pensei mais alguns segundos e decidi que esse seria o primeiro tópico da nossa conversa afinal eu estava no apartamento dele e nós havíamos transando algumas vezes. Mesmo com medo do que ele fosse dizer ou entender ao ouvir essa pergunta eu teria que perguntar a ele mesmo parecendo estupido e idiota, mas eu não podia continuar algo que eu nem sabia exatamente o que era.
Havia tantas coisas que eu gostaria de lhe perguntar, haviam tantos assuntos, histórias que eu gostaria de dividir com ele, mas era tão complicado separar o meu passado com a confusão do meu presente.
Talvez seja mais do que complicado...
As horas se passavam e eu me sentia cada vez mais atolada em meus sentimentos, tudo aquilo que antes era um vazio agora estava completamente abarrotado pelos sentimentos e conflitos que giravam em torno do nome .
- E aqui estou eu mais uma vez atolada ate o pescoço nessa confusão. – disse para mim mesma.
Caminhei calmamente ate a cozinha me lembrando dos braços de que me faziam perder o ar todas as vezes em que se encontravam em minha volta, ele era o cara.
E que cara.
Peguei uma cerveja e me sentei sobre a pia tentando vislumbrar o rosto maravilhoso de bem na minha frente. Se ele estivesse aqui tudo estaria mais iluminado, ele tinha uma luz própria que o cercava e o fazia ainda mais lindo. Todas as vezes em que ele me tocava ou apenas me olhava era como se eu também tivesse essa luz, era como se tudo que era parte dele me pertencesse.
Eu tenho que me controlar, pensei tentando me convencer se que ainda não estava apaixonada por ele, inutilmente, pois eu só conseguia pensar, planejar, sonhar e imaginar meus passos com ao meu lado. Eu teria que fazer algo a respeito, e rápido.
Peguei mais uma cerveja e uma daquelas caixas de cereal de chocolate e fui para a sala onde a grande TV de tela plana ocupava a parede branca. Coloquei todos os controles que eu encontrei ao lado e me atirei no imenso sofá de couro marrom escuro, tudo naquela casa cheirava a sofisticação e grana preta.
Passeie por todos os canais possíveis ate que peguei no sono e tudo na minha mente se foi como fumaça.
E logo eu já estava sonhando com os braços fortes de , seu sorriso invadia minha alma e a deixava em chamas, eu me agarrei a sua camisa e me fui tomada pelo seu cheiro, era tudo tão quente e simples quando ele estava comigo.
- Acho que te amo... – eu sussurrei e o vi sorrir.
'POV
Ela havia sussurrado que me amava em meus braços em quanto eu a carregava até o quarto, ela deveria estar sonhando. Mas havia algo que martelava em minha cabeça dizendo que ela havia falado pra mim, ou era meu desejo que me fazia acreditar que era verdade o que ela havia falado.
Ela dormia com um pequeno sorriso no rosto, e me fazia crer que talvez fosse ela tudo que eu realmente precisava.
- Eu estou ferrado – sussurrei indo para o banheiro.
O amor era uma droga, eu sabia disso, nem mesmo o amor pode resistir ao dinheiro, a ganancia e a vaidade. Talvez fosse diferente com ela, ou talvez fosse pior.
Era mais que complicado, era impossível.
Eu não deveria me apaixonar de novo, eu prometi nunca mais me entregar, prometi nunca me envolver com alguém como ela, eu prometi que nunca mais amaria alguém, nunca mais.
Amanhã quando estivesse estampando em todas as revistas minhas fotos com toda essa confusão teria um fim, e já não vai haver mentiras nem lágrimas, não haverá mais nada.
Deixei a água quente percorrer meu corpo e logo meu desejo traiçoeiro me fez querer que estivesse ali comigo me olhando com seus grandes olhos, eu já ficava excitado só de pensar nisso.
Ao sair do banho me deparei com um anjo deitado em minha cama, ela dormia encolhida ainda sorrindo.
- Como pode ser tão linda assim? – sussurrei baixinho.
Me vesti lentamente procurando não fazer barulho, eu não queria que ela acordasse era tão bom vê-la dormir tão tranquilamente.
Me deitei ao seu lado e continuei a olha-la, acariciei seus cabelos que cheiravam a shampoo, sua pele era tão lisa, tão macia que sempre me dava essa vontade louca de morder. Ri baixinho ao me perceber um maníaco mordedor de garotas inocentes.
mexeu em meus braços e se virou para mim, mas não acordou apenas se agarrou a mim como uma criança que se agarra ao seu ursinho favorito.
Fiquei imóvel sem saber o que fazer, ela suspirou e abriu os olhos, piscou duas vezes e depois me olhou firmemente.
- Oi – eu disse.
- Oi – respondeu ela tímida e linda como sempre.
- Eu não queria te acordar, me desculpe – eu lhe disse.
- Eu que não deveria ter dormido, eu estava esperando você chegar... – ela disse em quanto eu vislumbrava a confusão em seus olhos.
- Estava me esperando? – essa me pegou de surpresa.
- Sim eu estava, queria conversar com você? – disse ela.
- Então pode falar. – alguma coisa me disse que era sobre nós que ela queria falar.
Ela me beijou carinhosamente e depois que nossos lábios se separaram ela sorriu.
- Eu não me lembro sobre o que eu queria falar com você – ela estava mentindo eu vi, mas talvez ela só estivesse adiando aquela conversa.
A beijei mais uma vez e me concentrei em seu rosto angelical.
- Que foi? – disse ela dando uma risada gostosa.
- Nada – eu menti pra mim mesmo e segurei a vontade louca que tentava me dominar, a se pudesse contar a ela sobre tudo, seria tão mais fácil.
Ela me deu uma mordida de leve no pescoço e ficamos ali deitados nos olhando por longos segundos. Fiquei me perguntando sobre o que ela estaria pensando, e por mais que às vezes fosse tão fácil desvendar seus pensamentos, naquele instante ela parecia a muralha de um castelo, imponente e impenetrável.
- Você não quer saber o que aconteceu lá? – eu perguntei a ela e ou ver uma ruga surgir no centro da sua testa eu percebi que tinha feito a pergunta errada.
Ela me beijou suavemente e me virou ficando em cima de mim. Seu beijo era de uma urgência e de uma delicadeza que me fez tremer por um segundo ao pensar que ela talvez soubesse que era a ultima vez que nos beijávamos, ela parecia saber de tudo.
Nos beijamos pelo que pareceu uma eternidade, mas quando seus lábios se afastaram eu desejei que fosse verdade. Ela me olhou com uma mágoa em seus olhos, me olhava em quanto tirava a própria blusa e me mostrava seu corpo que reluzia como bronze a luz do abajur. Seus seios tão macios e deliciosos estavam a dois palmos de mim tentei resistir, tentei deixar que ele controlasse os movimentos. Seus dedos tocaram meu rosto e seus olhos me fitavam como as chamas de uma vela que queimava com toda a força, seu olhar tinha o poder de atear fogo a minha alma que mais parecia um monte de palha seca. Ela tinha o poder de acabar com todas as minhas certezas, ela conseguia abalar tudo que sempre esteve tão sobre controle.
Depois de tirar a minha camiseta ela me abraçou forte, sua pele era tão quente e convidativa. Em quanto tocava suas costas eu a vi fechar os olhos. Seus lábios tocaram meu ombro com ternura espalhando uma faísca pelo meu corpo inteiro.
Ela tirou a calcinha tão calmamente que foi a coisa mais sensual que eu a vi fazer desde o primeiro instante em que eu a vi. Ela tirou minha cueca samba canção e expos meu membro rígido para fora. Sentou em meu colo e me abraçou novamente, eu não sabia o que fazer.
Beijei seu pescoço em quanto acariciava seu corpo, ela alcançou uma das minhas mãos e entrelaçou seus dedos aos meus, um movimento tão sincero que eu a desejei mais ainda.
Meu membro estava na entrada de sua vagina e eu podia sentir seus corpo se contorcendo de desejo, mas um desejo diferente de todas as outras vezes. Se ela abaixasse um pouco o seu quadril eu a penetraria.
Ela segurou as minhas duas mãos e as colocou bem perto do meu rosto, encostadas no travesseiro, cada uma de um lado do meu rosto, ela se inclinou um pouco e fitou meus olhos neste instante ela se abaixou seu quadril bem devagar me fazendo a penetrar levemente, e por incrível que pareça, eu estava gostando de tudo aquilo, talvez muito mais do que fosse capaz de assumir.
Sua vagina estava incrivelmente úmida e apertada, que controlava os movimentos e a velocidade em que eu a penetrava, como sempre ela me surpreendia.
Em nenhum instante ela desviou seus grandes olhos dos meus, e mesmo que eu tentasse desviar seu olhar eu sinto que não conseguiria, pois seu olhar, seu corpo, seu cheiro era como um imã que me atraía o tempo todo, independente da distancia, independente de qualquer coisa.
Seu corpo tremia acompanhando os movimentos da sua vagina que se contraia loucamente, ela estava rebolado sobre o meu membro e eu confesso estava quase gozando de tanto prazer, ela me fazia perder meu auto controle.
Sua mão suava e seus dedos apertavam aos meus cada vez mais forte, seus gemidos se tornaram cada vez mais frequentes e altos, tudo aquilo me fazia querer explodir em prazer e eu já estava quase lá.
Nossos corpos se encaixavam tão bem que pareciam desenhados um para o outro como as peças de um quebra-cabeça que se encaixam e revelam que por trás das peças pequenas e confusas, existe um significado surpreendente.
Apertei sua mão com força sentindo seu prazer chegar, nós vamos gozar juntos pensei, ela fechou os olhos por alguns longos segundos, tudo ao nosso redor se silenciou, seus lábios se aproximaram dos meus e nós nos beijamos em quanto o prazer tomava conta dos nossos corpos suados, gememos juntos e respirávamos ofegantes.
Ela se deitou ao meu lado olhando para o teto, seu olhos vagavam distantes. Eu abracei e coloquei seu rosto em meu peito e assim eu peguei no sono.
’s POV
Eu estava exausta, não havia pregado os olhos o resto da noite, em nenhum momento sequer eu conseguirá não pensar em e isso era uma droga. Ele dormia como um garotinho de seis anos que acabará de voltar de um dia no parque.
Estou totalmente encrencada, pensei.
Logo pela manhã, quando decidi que iria ver um pouco de televisão levantou, caminhou ate a sala e me disse bom dia, tomou um gole do meu café e foi ate o banheiro, o que me restou foi andar de um lado para o outro fitando o teto ate que ele percebesse que deveríamos conversar.
Tenho plena e total certeza de que transar com ele ontem, daquela maneira, foi à pior merda que eu poderia fazer nessa situação, mas aconteceu. Tá bom, não foi tão simples assim tipo “apenas aconteceu” eu sei, eu forcei e pior eu deixei que acontecesse.
- Ninfomaníaca – eu disse baixinho me dando um tapa na testa.
- Não chega a tanto – disse dando uma das gargalhadas mais gostosas que eu já pude ouvir.
- Eu estava, bem... Falando de uma amiga – eu tentei inventar uma história qualquer.
- Falando? Sozinha? – disse ele com um sorriso zombador nos lábios estupidamente lindos.
- É. Minha terapeuta me disse uma vez que é bom conversar consigo mesmo sobre qualquer assunto, isso cria um tipo de laço. Sabe? – não ele não sabe, nem eu mesma sei de onde tirei todas essas bobeiras.
- Sei como é. – ele mentiu.
Força, diga, grite, mas fale o que pensa. Diga o que deseja, implorou meu eu interior.
- Quero falar com você. – eu disse fitando a costura da camisa dele que eu vestia.
- Ontem você disse a mesma coisa. E se eu pudesse ninfomaníaca, eu queria comer antes que voltássemos a fazer aquilo nova... – eu o interrompi.
- Você não esta entendendo, eu vou falar com você, nada mais do que apenas falar – eu disse mantendo meus pensamentos em ordem em quanto meus olhos vagavam pelo seu corpo cheio de pequenas gotículas de água e nos meus mais profundos desejos eu quis lamber cada uma delas – apenas resolver as coisas.
- Então vamos apenas resolver as coisas – disse ele vindo em minha direção.
- Por favor, se vista. – humilhante não conseguir me controlar.
- Fala sério? – disse incrédulo.
- Por favor...
- Tudo bem, me de dois minutos.
Fui até a cozinha e coloquei um pouco de café em uma caneca, sentei-me no sofá e coloquei a caneca na ponta oposta a minha da mesinha que fica no centro da sala, me sentei no sofá e esperei que ele voltasse. entrou pela sala lindo e deslumbrante, caminhando a passos largos com um sorriso delicioso nos lábios.
- Me ajuda – sussurrei para mim mesma.
Ele pegou a caneca e quando ia se sentar ao meu lado eu somente apontei com o dedo para o sofá a minha frente e mentalmente o pedi desculpas, nesse instante seu semblante mudou completamente ele passou de uma estrela tão radiante quanto o sol para um mero astro que vaga na imensa escuridão.
- Vamos conversar, estou te ouvindo – disse ele rispidamente demonstrando tanta indiferença que chegou a me deixar tonta.
Tudo bem .
- Você disse que depois de ontem eu poderia ir para minha casa, tocar a minha vida, que eu estaria segura. – já era um começo pensei respirando fundo.
- Eu disse, mas pensei que depois de ontem você quisesse ficar. – Deveria me derreter ao escutar isso?
Mantenha o controle, pedi a mim mesma.
- Olhe para nos , pertencemos a mundos diferentes, não existe um futuro pra gente e mesmo que houvesse não sei se estamos preparados pra assumir todas as conseqüências. Não quero continuar a ser “a outra”, ou seja, lá o que sou.
Mantenha a calma, não seja precipitada, eu disse a mim mesma.
- “A outra” do que você esta falando? – Questionou ele parecendo incrédulo.
- você saiu com a sua linda e maravilhosa ex-namorada, o que todos vão pensar? Que eu sou sua amante ou que eu fui o motivo da sua separação, não quero ser nenhuma das duas coisas. Eu tenho uma família em outro país que confia em mim e espera que eu dê o devido valor a todo sacrifício que eles fizeram para eu estar aqui. Você entende ?
Ele apenas balançou a cabeça e levou a caneca até a boca e tomou um gole do café.
- Por favor, me entenda, eu tenho um trabalho, uma faculdade pra terminar e você tem sua banda. Onde estávamos com a cabeça quando fizemos todas essas loucuras – eu me levantei e comecei a andar de um lado a outro da sala.
Inspirei por um segundo e lutei contra a vontade de olhar para ele, de tocar seu rosto e de implorar a ele que me perdoasse. Mas ele nem sequer virou o rosto para minha direção se ele parasse de respirar poderia ser confundido com uma daquelas estátuas trabalhadas em marfim.
- Tudo não passou de uma ilusão, tudo que fizemos deve ser deixado de lado, nós não daríamos certo e só nos machucaremos se tentarmos... – parei de costas para ele, os olhos em lágrimas que faziam minha linha d’água arder, tentei conter as lágrimas e desejei com todas as minhas forças que ele me dissesse que eu estava errada.
- Você tem razão, eu nunca deveria ter iludido você desta maneira.
Como assim? Ele estava concordando comigo, estava me deixando ir embora.
- Eu vou levar você pra sua casa – disse ele tão baixo que quase não o ouvi.
- Não precisa vou chamar um táxi, desta forma ninguém vai nem desconfiar que eu estive aqui.
- Como queira. – disse .
Corri para o banheiro apanhei minhas roupas no chão atrás da porta vesti minha calça de ginastica. Olhei meu reflexo borrado no espelho enquanto prendia meu cabelo em um coque mal feito.
Por que está chorando sua idiota?. Eu me perguntei.
- O táxi já chegou – disse vindo em direção ao banheiro.
Corri para dar sumiço a todas aquelas lágrimas estupidas, ele não poderia me ver dessa forma.
- Eu já estou indo – gritei tentando fazê-lo voltar, mas já era muito tarde ele me olhava com os olhos arregalados.
em pegou eu seus braços e me segurou tão forte que quase não consegui respirar, tentei parar de chorar, tentei me afastar dele, mas não era isso que eu realmente queria. Por mais que eu soubesse que isso era a coisa mais certa a fazer eu não podia negar que me fizera lembrar de algo que eu a muito tempo havia me esquecido.
- Não chore – disse afagando meu rosto.
- Eu estou bem...
- Então por que está chorando? – perguntou seus lindos e macios lábios.
Ele esta tão perto que eu posso sentir seu hálito quente em meu rosto, eu queria poder dizer a ele que sou uma idiota, mas ele não me entenderia. Fico em silencio olhando seus olhos, vendo tudo aquilo que vou perder no momento em que cruzar aquela porta.
- Vou sentir sua falta. – tentou ele, eu permaneci em silêncio - Você não quer ir, quer? – ele me perguntou.
- Não – respondi me arrependendo segundos depois – mas é o que tem que ser feito, eu não posso ficar dessa forma, não da maneira como esta. Eu não entendo o que há de errado se eles descobrirem quem sou eu. O que há de errado?
- Nada.
- Se for pelos paparazzi, bem eu acho que podemos resolver isso assumido algo, eu adoraria conhecer seus amigos...
- Temo que isso não possa acontecer – balbuciou .
- Não hoje eu digo, mas um dia, no futuro...
- Não posso te prometer nada – disse ele frio.
e seus segredos, eu já não podia fazer mais nada.
- Tudo bem, eu estou indo.
Cruzei o quarto em direção à porta de entrada, me despedi mentalmente de cada detalhe, cada móvel, cada lembrança que eu teria desse lugar, desses últimos dias e de . Sempre haverá algo em mim para , mesmo que eu não tivesse certeza sobre o que era. Sempre seria dele.
Debrucei-me sobre o batente da porta, fitei os olhos de .
- Adeus – eu disse me sentindo uma retardada sem criatividade.
- Espere – disse ele vindo ao meu encontro.
E em poucos segundos eu estava novamente em seus braços me sentindo parte dele, seus lábios nos meus, tão quentes, tão doces e tão intensos. Realmente eu iria morrer de saudade dos lábios dele.
- Fique – ele me pediu.
- Não se preocupe você vai ficar bem, você não precisa de mim – eu disse olhando para a decepção estampada nos seus olhos – Acredite você vai ficar bem.
Andei o mais rápido que pude pelos corredores do prédio tentando encontrar a saída, só queria ir embora, queria minha casa, minha cama, meu mundo, minha vida e . Droga eu não devia querer de volta, não mesmo.
Cheguei ao Hall e me despedi do porteiro, entrei no táxi e não olhei pra trás.
’s POV.
Não sei por quanto tempo eu fiquei ali parado, olhando para a porta desejando com todas as forças que ela voltasse, mas eu sabia que ela não voltaria. Mesmo assim eu a esperei.
Por mais que eu tentasse entender tudo que havia se passado naqueles pequenos instantes eu não conseguia, eu não entendia porque ela tinha me deixado e temia nunca entender, temia nunca mais vê-la, senti-la, abraça-la ou apenas vislumbra seu sorriso.
Eu sabia que estava me apaixonando, mas também sabia que certas feridas deixam marcas tão profundas que sempre que alguém toca nas cicatrizes é como se estivessem tocando na sua carne viva, são lembranças tão violentas de algo que não devemos nunca nos esquecer. E quando a tinha em meus braços era como se todas essas feridas estivessem novamente abertas, mas a dor era apenas uma lembrança, parecia não ser real.
Estava perdido em meus pensamentos quando a porta se escancarou na minha frente, arregalei os olhos, louco para vê-la cruzar a porta e toma-la em meus braços e a ouvir dizer que tudo que ela disse antes, não era o que ela realmente queria me dizer. Mas mais uma vez, para meu desespero, o meu destino me pregava peças e em quase todas Poynter estava presente e desta vez não seria diferente.
sorria enquanto invadia minha casa, olhando por todos os cantos como se estivesse procurando por , ele se enganou ao pensar que vindo aqui de surpresa a encontraria.
- Ah, olá – disse ele parecendo assustado ao me ver parado no meio do corredor.
- Oi, o que... – tentei perguntar, mas ele me interrompeu rapidamente.
- Eu pensei que encontraria você e a pessoa com quem anda se escondendo aqui... – disse ele enquanto andava pela casa olhando em todas as portas – Onde está ela?
- Ela se foi – disse de supetão.
- Não acredito que você terminou com a garota, justamente agora que você parecia estar se esquecendo da – disse coçando a cabeça – se bem que você levou ela ao bar ontem. Eu não te entendo , por mais que eu tente. Você é muito estranho, ou melhor, você ficou muito estranho desde que ela fez o q fez com você e te deixou.
- Ela me deixou – eu disse tentando me fazer aceitar esse fato - Mesmo depois de eu ter saído com a só para protegê-la e como ela me devolve? Ela vai embora e... E ela foi embora.
- levou um pé na bunda? É isso mesmo?! – parecia espantado ao dizer isso.
- Não seria a primeira vez...
- Você está bem? – ele parecia realmente preocupado.
- Melhor impossível – eu disse temendo que ele achasse que eu ia pirar e ia fazer qualquer coisa maluca, eu não era esse tipo de cara.
Caminhei, arrastando fortemente os pés, ate o sofá tendo atrás de mim. Me joguei com todas as forças me afundando no couro macio.
- Tem cerveja na geladeira – eu disse bufando para ele.
andou calmamente ate a cozinha e eu pude apenas ouvir o barulho da porta abrir e fechar. E por mais que eu tentasse afastar dos meus pensamentos era inútil, a casa inteira tinha o cheiro dela.
- Toma cara, você precisa mais do que eu – disse ele me entregando uma cerveja. – Quer conversar?
- Não.
- Ela chorou enquanto terminava com você? – insistiu .
- Sim.
- Então ela queria ficar, cara. Você queria que ela ficasse? – perguntou ele.
- Sim.
- Por que você deixou que ela fosse embora então?
- Porque ela queria, foi melhor assim , acredite em mim. – e dizendo isso eu tentei me convencer também, mas não estava funcionando.
- Tudo bem , nossa eu só queria ajudar – disse ele fazendo biquinho.
- Desculpa cara estou meio nervoso, vem aqui – eu disse enquanto o puxava e o abraçava como sempre fazíamos.
era um irmão para mim, sempre que eu precisei dele, ele esteve mais que lá. Sempre com seu sorriso fácil e suas perguntas esquisitas, mas ele e os outros guys sempre estiveram lá. Isso fazia com que eu me sentisse um idiota por ter me afastado, mas era doloroso de mais ver que eles continuavam o seu caminho enquanto eu me pedia em meio à escuridão.
Pensar nisso me fez lembrar de e o seus olhos que se tornaram pra mim duas tochas flamejantes, sim eu sei, ela havia me guiado de volta ao meu caminho, mesmo em tão pouco tempo, ela tinha me trazido de volta.
- Cara vamos parar de conversa e vamos logo pro ensaio – disse me tirando dos meus devaneios.
- Ensaio? – eu perguntei me assustando com tal palavra.
- Claro, as férias acabaram e se eu não me engano você concordou em ensaiar hoje o dia inteiro. – disse ele.
- Concordei?
- Nossa claro que concordou, você não se lembra de ontem no bar? Do Tom dizendo que temos que voltar a cumprir a nossa agenda de shows e blá blá blá – perguntou com uma cara de incredulidade.
- Lembro, claro – eu não conseguia me lembrar de quase nada da noite de ontem, apenas que eu estava morrendo de vontade de voltar para os braços acolhedores de .
- Nos já estamos atrasados. – Disse conferindo as horas em seu celular.
E então tudo aconteceu tão rápido uma hora eu estava me vestindo, num outro momento nos estávamos no elevador e eu só conseguia pensar que usou o mesmo elevador que eu para ir embora, era doloroso de mais lembrar do seu rosto, então eu decidi tentar esquecer. Num outro momento nos estávamos dentro do carro de e em minutos nos estávamos reunidos no estúdio.
Tom ajeitava seu cabelo e ria das piadas de . estava do meu lado e eu? Bem, eu nem estava ali.
- ? – Chamou .
- Oi.
- Vamos aproveitar que você é o único aqui que parece estar realmente concentrado e vamos deixar você escolher a música de abertura do show da semana que vem. – disse ele sorrindo, minha vontade era de sair correndo – O que você acha?
Eu fiquei em silêncio enquanto as palavras flutuavam na minha cabeça eram um misto de:
, Show, Música, McFly, Promessa, Show, , Me Deixou, Idiota, McFly.
- Então cara qual vai ser? – Perguntou Tom.
- She left me – disse eu.
Continua...
Bom, meninas eu andei sumida néh? (que vergonha) Estava meio que decidida de tira a TIPY do ar, mas mudei de ideia. Bem eu não podia fazer isso com vocês (ah sou legal) briks. Na verdade não podia fazer isso comigo, pois essa fanfic é um sonho meu literalmente. Prometo (tentar) tornar as att, mas frequentes. Me sigam no Twitter: @HarryJuddBiteme ou me perguntem qualquer coisa Ask http://ask.fm/HarryJuddBiteMe - (qualquer coisa mesmo). Então gatas obrigada pelos comentários e pelas perguntas na Ask, na boa me desculpem por ser idiota. Só uma observação eu estou reescrevendo todos os meus capítulos anteriores... Os primeiros ficaram péssimos. Acho q na att vai estar avisando que eu reescrevi, eu acho. Se vocês tiverem uma ideia de como posso fazer para ficar mais agradável me avisem. Sei que é chato essa história de eu ficar reescrevendo capítulos, mas era necessário. Então ate a próxima att... This I promise you.