Dizem que o fim é a parte mais dolorosa do namoro. Eu discordo. Pra mim, a pior parte é a dor da saudade.
É com ela que vem as lembranças.
[...]
Flashback On
Quem me vê em qualquer lugar pode ter a impressão de que sou um cara bonito, legal e cheio de vida. Não foi assim que eu me senti quando me olhei no espelho.
- Primeiro dia de aula – sussurrei – Que ótimo.
Tomei um banho enquanto pensava sobre meu futuro daqui pra frente.
Meu nome é e eu estou prestes a começar o último ano do colegial. Bom, pelo menos eu espero que seja o último.
Não sou do tipo de aluno estudioso, sabe? Passei de ano graças a minha grande habilidade em colar. E é claro que quando se está no time de futebol, não é necessário querer mais nada, afinal estamos no Brasil.
Isso é a única coisa que me anima a acordar. O treino de futebol antes da escola.
O futebol entra na grade de Ed. Física, de modo que já teremos um treino hoje, no primeiro dia de aula.
Flashback Off
[...]
Isso me lembra que foi em um desses treinos que eu a conheci, e não consigo evitar um sorriso mesmo agora, depois de tantos anos.
[...]
Flashback On
Faltavam apenas 10 segundos para o final do jogo e os dois times estavam empatados. Era nossa última chance.Assim que o jogo terminou, fomos para os vestiários. Os meninos começaram a falar sobre alguma coisa que não consigo me lembrar já que não conseguia parar de pensar no que aquela garota tinha falado.
O pior é que não tinha porque eu estar preocupado assim. Quem era ela para falar de mim daquele jeito? Ela nem me conhece, nem meu nome deve saber! Só pode ser uma louca mesmo… Fui despertado de meus pensamentos por Felipe, ele me avisou que estava na hora da aula de física. Mal começou o ano e eu já tenho certeza que vou ficar de recuperação. Como disse, não sou dos alunos mais exemplares da escola e nessa matéria então? Só Deus para me ajudar.
Entrei na sala e logo senti o olhar matador do professor Leandro em mim, sentei em uma das carteiras do fundo da sala como de costume. Aquele ano seria como todos os outros, eu me daria mal em todas as provas, ficaria de recuperação e depois como sempre, dava um jeito de passar de ano.
Eu já estava quase dormindo durante a aula quando ouço alguém bater na porta.
- Com licença, professor – Logo percebi que era a menina que fez o escândalo na quadra.
- Pode entrar Srta. – Ah! Então esse era o nome da louca. – Porque se atrasou assim? - o professor perguntou.
- Porque a diretora pediu pra conversar comigo – ela respondeu timidamente.
- Tudo bem, eu acho que já sei o porquê … – Ele olhou em minha direção. Eu me assustei, o que era aquilo? Motim contra a minha pessoa? Só porque dei uma bolada sem querer na garota? – Encontre um lugar para se sentar, temos que continuar com a aula.
Ela foi andando pelos corredores e logo percebi que ela ia se sentar ao meu lado, já que era o único lugar vago na sala. A aula seguiu e Gabriela, nem uma única vez, virou o rosto em minha direção. Ela deve ter ficado realmente brava comigo, resolvi não me prender a isso e tentar prestar atenção na aula, o que não deu muito certo, dois segundos depois me peguei riscando a mesa, e fiquei nisso até ouvir o sinal do fim da aula.
Quando já estava saindo escutei a voz do professor me chamar:
- , venha aqui, por favor.
- Qual o problema, professor?
- Bom, vou ir direto ao ponto, o senhor sabe que no ano passado você foi muito mal na minha matéria, não só na minha na verdade e […]
Depois disso só me lembro de bla bla bla bla, “como esse velho fala” pensei, até ouvir o que eu jamais imaginei escutar naquele ano:
- E por isso a aluna vai te dar ajudar na matéria de física, vocês…
- QUEM? COMO? ONDE? POR QUE? – gritei.
- Quem? Oras a , a aluna que se sentou ao seu lado. Como assim “como?”, vocês dois irão estudar como todos estudam. Onde? Eu não sei, isso você decide com ela. E por que? Eu acabei de falar , você realmente não ouve nada do que os professores te falam né?
- Mas professor, eu não acho necessário tudo isso e…
- Você prefere repetir de ano? – ele me perguntou sério.
- Não, mas…
- Nada de mas – ele me cortou – a é uma das mais inteligentes da sala, e vai te ajudar muito nessa matéria, a diretora já conversou com ela que aceitou a proposta, agora vocês decidem o resto. Se me da licença, preciso encontrar com o professor João para decidir algumas coisas – então ele saiu da sala, me deixando completamente chocado e sem saber o que fazer.
Eu não queria acreditar que aquilo estivesse acontecendo. Como ela aceitou isso? Só pode estar querendo revidar o que aconteceu mesmo… Durante as aulas seguintes, tentei evitar a presença e os olhares de . Mas não tinha opção, cedo ou tarde teria que ir conversar com ela. Então, no fim do dia, ela veio falar comigo.
- E então, o professor Leandro te avisou? - perguntou séria.
- Sim, infelizmente.
- Tudo bem, a partir de quarta-feira, às 9h00.
- Mas é o horário do meu treino de futebol, não posso! - respondi indignado.
- Não posso fazer nada, se quer passar de ano vai ter que dar um jeito. - ela disse com um ar de deboche e foi andando em direção à saída.
Ela só pode estar brincando, foi de propósito, eu sei que foi. Vou ter que faltar no treino por causa daquela garota, inacreditável.
O dia seguinte foi normal, e felizmente não cruzou o meu caminho nenhuma vez durante as aulas…
Acordei na manhã de quarta-feira sem vontade nenhuma de ir à escola e pra piorar, me lembrei que teria reforço com a tal . Tive menos ânimo ainda de me levantar. Mas o que eu podia fazer? Era isso ou eu repetia de ano, e meu pai nunca me deixaria trabalhar com ele na companhia se eu não passar, não importa se eu já tiver 18 anos.
Cheguei à escola e me direcionei ao local combinado, a biblioteca, e a encontrei sentada em frente a uma mesa cheia de livros.
Me sentei e a cumprimentei:
- Bom dia.
Ela não respondeu.
- Bom dia. - repeti.
Nem sequer olhou para mim.
- Ei garota, pode ao menos ser educada? Não estou aqui porque quero, fique sabendo.
- Ah, oi. Nem reparei na sua presença. E sou educada, e tem mais, não fui eu quem acertou uma bola no rosto de alguém.
- Ah, ta bom. Vamos começar logo, não tenho tanto tempo pra perder com você.
A próxima meia hora se resumiu em nomes que eu nem me lembro de ter estudado, fórmulas e exercícios que parecem ser impossíveis de resolver. E meu Deus, como aquela garota é irritante.
Flashback Off
E sem que eu pudesse controlar, sem poder impedir, tudo mudou.
Fashback On
São três horas da manhã e por algum motivo desconhecido, não conseguia tirar aquela garota da cabeça. Já se passaram duas semanas desde a minha primeira aula de reforço com .
Confesso que nos últimos dias tenho me forçado a entender as coisas que ela tenta de qualquer maneira me explicar. A questão é saber o motivo, não sei se estou começando a me interessar pela matéria ou pela pessoa que me ensina.
Espera, não estou me reconhecendo. Desde quando você se questiona sobre isso ? Só posso estar ficando louco.
Depois de me questionar muito, finalmente adormeci.
O dia seguinte amanheceu como qualquer outro, cheguei a escola e me direcionei à biblioteca, já tinha me acostumado àquela rotina. E quando cheguei à porta e a vi, fiquei parado. Ela percebeu e disse:
- O que foi ? Estou com pressa, dá pra entrar logo?
E não sei exatamente como e nem quando, mas algo tinha mudado.
Flashback Off
Ainda me lembro daquela manhã fria de março quando acordei, um mês após as aulas de reforço, para ter a última aula antes do teste.
Pensei que seria uma aula como as outras. Não tinha ideia do que me esperava daquele dia em diante.
Acordar de segunda-feira não é legal. Mas, acordar em uma segunda-feira e ter que ir pra escola às nove da manhã debaixo de chuva é pior ainda.
Saí correndo e entrei na biblioteca antes que a chuva piorasse. , já estava lá me esperando, enquanto lia um livro qualquer.
- Bom dia – eu disse me sentando.
- Bom dia – ela respondeu.
As coisas entre nós tinham “melhorado”. Bom, pelo menos ela não tentava mais me matar e nem jogava a história da bolada na minha cara. Bolada. Na minha cara. Hã?
Como de costume, me passou uns exercícios que, graças a Deus, eu consegui resolver. Era apenas uma aula de revisão antes do meu teste naquele mesmo dia.
- Acabei – eu disse entregando o caderno á ela.
passou os olhos pelos exercícios e sorriu.
- Todos estão certos, . Parabéns.
Tínhamos entrado em um acordo, eu não chamaria ela de e ela não me chamaria de . Iríamos manter a formalidade.
- Acho que você ainda pode pegar o finalzinho do treino antes da aula. – ela disse me entregando o caderno.
- Com essa chuva? Prefiro ficar aqui, obrigado.
Ela ergueu uma sobrancelha e disse com um sorriso irônico:
- Você reclamou do horário em todas as aulas e quando finalmente pode sair, não quer? Bem irônico.
- Tá chovendo – eu disse em minha defesa.
Ela ergueu as sobrancelhas, deu um sorriso debochado e abaixou a cabeça.
- Ou talvez você não queira acertar o rosto de mais alguém.
- Ah, não começa. Não dá pra esquecer essa história por um minuto?
- Foi só uma brincadeira, mas parece que você tende a se irritar facilmente ao invés de aproveitar seu tempinho pra jogar.
- Escuta aqui, se está tão incomodada assim com a minha presença, por que não sai e vai você pra chuva?
- Quer saber? É exatamente o que eu vou fazer.
- Ótimo.
- Ótimo.
Ela saiu da biblioteca e bateu a porta com força. Meu Deus, essa garota é insuportável.
Algum tempo depois, ouvi um grito. Eu era o único ali e a bibliotecária estava mais interessada em arrumar os livros em ordem alfabética, então saí e fui olhar.
estava sentada ao pé dos degraus, com os livros espalhados pelo chão e com muito, muito sangue mesmo, escorrendo pelo joelho.
- Ah, que droga.
Eu saí na chuva e desci os degraus com cuidado. Peguei os livros dela e tentei ajudá-la a levantar.
- Pode deixar, . Eu me viro sozinha.
- Para com isso, vem. Eu vou te ajudar.
- , tá chovendo, lembra? Volta pra dentro antes que se molhe ainda mais.
Eu me irritei e a peguei no colo. foi gritando e reclamando durante todo o caminho até a biblioteca. Sentei-a em uma cadeira e a bibliotecária me disse onde encontrar uma maleta de primeiros socorros.
Peguei-a e comecei a tratar do ferimento.
- Ai – ela disse puxando a perna – Isso dói.
- Se ficar quieta não vai doer tanto.
Eu quase ri, porque eram as falas do desenho de “A Bela e a Fera”. Um dos desenhos que minha mãe assistiu comigo 300 vezes quando eu era pequeno. Como se eu me interessasse por princesas da Disney.
Só não ri porque fechou a cara e estava visivelmente se esforçando pra não gritar ou reclamar. Que frescura.
- Pronto, acabei.
Ela abriu os olhos, se levantou e respirou fundo.
- Nossa, isso doeu, sabia?
- Ah, não foi nada eu ter feito um curativo no seu joelho.
- Eu podia me virar muito bem sozinha, tá legal?
- Ah claro, caída no chão, com o joelho sangrando, debaixo de chuva. Com certeza, podia se virar sozinha.
- É claro. Eu ia me levantar, quando você apareceu.
- MEU DEUS, CUSTA DIZER UM “MUITO OBRIGADO”?
- Custa, porque eu não precisaria agradecer se você não tivesse se intrometido.
- Chata.
- Idiota.
- Besta.
- Louca.
- Eu te odeio.
- Te odeio mais.
E nós nos beijamos, assim sem mais nem menos e, mesmo que eu não queira admitir, foi um dos melhores beijos da minha vida.
Quando nos separamos, eu não sabia se falava com ela ou se saia correndo. Aquilo tinha sido muito estranho, mas ao mesmo tempo muito bom, acho que nunca havia sentido algo parecido, porém parecia que ela não tinha sentido o mesmo.
- Você está louco garoto? De me beijar assim? - ela gritava.
- Mas eu não te beijei porque eu quis… você que veio pra cima e… - tentei me defender.
- EU? Ei! Não sou igual essas idiotas que você sai pegando pela escola e…
- Você por acaso acha que eu sou pegador?
- Não acho querido, eu tenho certeza. - ela disse com um sorriso debochado - Agora vou aproveitar que a chuva passou e sair daqui. Ah! E esquece que aquilo aconteceu ok? - então ela saiu da biblioteca, e eu logo segui o meu caminho também.
[…]
Alguns dias se passaram desde o meu beijo com a , e a situação entre nós dois só piorava, não conversávamos mais, ela não sentava mais perto de mim durante as aulas, me ignorava e fazia o possível para se despistar. Mesmo sendo difícil de admitir, eu estava me sentindo mal com tudo aquilo, não queria ficar longe dela. De vez em quando tentava conversar com ela, mas como você deve imaginar, não dava muito certo:
- Então , estava pensando da gente sair e…
- Ahn , eu preciso ir no banheiro e bom... tchau!
Ela sempre dava uma desculpa e me deixava falando sozinho, eu estava até com medo dela parar de me dar as aulas de reforço, logo agora que eu estava começando a entender a matéria! E claro, essas aulas eram a única forma de eu ficar próximo da .
Mas como eu sou um garoto bem sortudo o que eu menos queria tinha que acontecer:
- Como assim a não vai me dar aulas?! - eu falei desesperado.
- Eu não sei muito bem , mas ela chegou aqui e disse que não ia dar mais as aulas porque a mãe dela estava no hospital e ela tinha que ir lá durante a semana - disse um menino do qual eu não lembro o nome, acho que era Daniel, Danilo ou David, bom não sei.
Eu sai da biblioteca desolado, era realmente péssima para inventar desculpas, na semana passada mesmo ela me disse que a mãe dela estava em uma viagem de férias para a Flórida e que só ia voltar daqui a três semanas.
Gostaria de saber o porquê de ela ter feito aquilo, na verdade eu sei o porquê, mas não faz sentido ela devia ter encarado o acontecido de outra forma e agido com mais responsabilidade. Nossa, que irônico, eu falando sobre responsabilidade.
Eu só não queria que ela me deixasse. Eu a queria perto de mim. Para sempre.
Flashback Off
E foi assim, de uma forma tão simples e rápida, que eu tive a certeza que precisava de na minha vida, e eu tinha que dar um jeito de fazê-la entender aquilo.
Eu me lembro de todas as minhas tentativas, todas as cartas escritas com muita dificuldade, todas as palavras que disse, todos os “micos” que paguei somente por ela:
Flashback On
- ! Essa é pra você! – eu gritei para todos que estavam no pátio pudessem ouvir.
Ela me olhou assustada, sem saber onde se esconder.
- você me prendeu, agora diz que não me quer choro e grito por seu nome ! Com você meu mundo é mais feliz, bate forte o coração, por favor, amor me ame … – eu comecei a cantar bem alto com a “bela” voz que tinha, porém ela pareceu não gostar, pois saiu correndo do pátio e eu até hoje não sei se ela estava rindo ou chorando.
Flashback Off
Mas eu não pararia, não até conquistá-la! E eu não parei, passei semanas e semanas tentando, até finalmente conseguir. E aquele foi o dia mais feliz da minha vida e eu acho que o da dela também, nunca vou me esquecer do sorriso que ela deu. O sorriso mais lindo de todo o universo, o sorriso que me fazia o homem mais feliz de todo o mundo:
Flashback On
- Dá pra me deixar em paz? – ela falou – você não para de correr atrás de mim, de me fazer passar vergonha, já estou cansada de você !
- Não vou parar até você me escutar!
- Eu não vou te escutar! Não quero ouvir as suas mentiras! Eu não quero me decepcionar depois!
- A última coisa que eu quero é que você se decepcione! Será que você nunca vai entender que por mais que a gente só brigue eu me importo com você? Que eu quero fazer parte da sua vida?
- Mas como… tão rápido... você não pode estar falando sério.
- Eu sei que foi rápido, até eu me surpreendi, mas eu nunca falei mais sério na minha vida. Você faz eu me sentir tão bem, e eu quero te fazer se sentir bem. Quero poder ver esse sorriso lindo todos os dias – ela sorriu pra mim – Isso bem assim! E quero ser o motivo desse sorriso. Quero poder te abraçar e te beijar o tempo todo. Quero poder dizer todos os dias que…
- …
- … que eu te amo.
- Eu te amo , de todo meu coração! Acredite, sei que fui um idiota no começo, mas eu mudei. Você me fez mudar! Eu me acostumei a chegar na escola e ver aquela sua carinha de sono todos os dias. Suas manias esquisitas, seu jeito meigo e maduro ao mesmo tempo. E eu não sei como isso aconteceu, mas é o que dizem sobre o amor, não é? Não se sabe como, nem quando começa. Ele apenas surge, por quem você menos espera e quando não planeja nada. Foi o que aconteceu. Não pude evitar, você me conquistou de uma forma que ninguém nunca conseguiu.
Respirei fundo e continuei:
- A verdade é que eu descobri o sentido do amor quando te conheci. Sou apaixonado por você, e não é apenas uma paixão passageira, pois ela irá se renovar a cada dia, não importa o que aconteça. Nada do que eu diga aqui vai poder…
Ela interrompeu a minha declaração e me beijou.
E ali nós esquecemos de tudo - eu, pelo menos -, me beijou como se fosse o primeiro e último beijo de nossas vidas. E eu não conseguia acreditar, só podia estar sonhando.
Ela parou o beijo e olhou bem no fundo dos meus olhos e disse:
- Você me encantou de um jeito inexplicável, me conquistou a cada dia mesmo sem saber. Lutou por mim como nunca alguém lutou. Me mostrou que aquele ódio, se tornou amor. Me desculpa, por ter resistido tanto, mas eu não queria admitir, não podia. O meu orgulho falou mais alto, mas graças à sua insistência, hoje estamos aqui. E não sei como será daqui pra frente, mas preciso dizer o que está gritando dentro de mim.
E ela disse, e aquela foi sem dúvidas a melhor coisa que ouvi em toda minha vida…
- , eu te amo!
Eu a peguei no colo e saí correndo para o pátio da escola.
[….]
Flashback Off
Me lembro como se fosse hoje, lembro de seus olhos brilhando, do meu coração disparado. Eu gaguejava como uma criança. Mas aquela foi a melhor decisão que poderia ter tomado. Ou pelo menos eu achava isso na época.
[…]
Flashback On
No meio do pátio me ajoelhei, tirei uma caixinha aveludada vermelha do bolso, aliás, ela estava guardada há quase um mês. Abri e gritei para que todos pudessem ouvir:
- , você é a pessoa certa pra mim, foi quem mudou a minha rotina, meus hábitos. Se tornou o motivo por eu acordar todos os dias. Eu te amo, com todas as suas qualidades, e principalmente por seus defeitos, que são o que te fazem única. E aqui, diante de todos, eu pergunto… Quer namorar comigo?
Ela já estava chorando desde a terceira palavra do pedido.
- Sim, é claro que sim!
As pessoas começaram a gritar e aplaudir. Eu me levantei, coloquei a aliança em seu dedo e dei a outra pra que ela colocasse em mim.
[…]
Flashback Off
A partir daquele dia tudo se passou como num sonho, nós éramos amigos, irmãos, companheiros e sim, namorados. As coisas só melhoravam.
[…]
Flashback On
Se passaram algumas semanas desde que pedi a em namoro, chegou a semana de provas. E ela me ajudava a estudar, como de costume. Mas agora a diferença é que ela se tornou a minha namorada!
Sem dúvidas devo a melhora em minhas notas à ela. Nunca teria me interessado pelas matérias que não gostava se não fosse pelas aulas de reforço. E sendo sincero, eu não melhorei só na escola, mas em meus atos, meu jeito e tudo o que apenas ela conseguiu mudar.
Mesmo que sem querer, ela chegou e modificou tudo, e está me proporcionando o melhor período da minha vida.
Continua...