Claridade, maldita claridade. Foi o que eu pensei ao abrir os olhos e lembrar que tinha me esquecido de fechar as cortinas ontem à noite. Alguns flashbacks eram o que eu tinha da noite passada. Fechei os olhos com força tentando me concentrar e me lembrar de algo. Lembrei de boa parte do show, apesar de já ter feito sob o efeito de algum álcool; da festinha aqui em casa, e de ter passado a noite com alguma morena gostosa. Dei um sorriso bobo e instantaneamente virei para o lado para ver se a garota ainda se encontrava ali. Não. – merda. Num pulo, levantei-me lembrando que tinha uma sessão de fotos e então corri para o banheiro. Naquele momento, meu celular começou a tocar Hold My Hand do NFG – eu definitivamente tinha que mudar aquele toque. Anotei mentalmente fazê-lo depois. O nome de Flyzik piscava na tela, junto com a foto do mesmo vestido de Mickey.
- Alô?
- Alô, Alex? ALÔ?! VOCÊ ME ATENDE COM ESSA PUTA VOZ DE SONO COMO SE NÃO ESTIVESSE EM CIMA DA HORA PRAS FOTOS DA GK. – Tive que afastar o celular da orelha enquanto Flyzik berrava do outro lado da linha e senti minha cabeça latejar por um momento. – Você. 15 minutos. Gk Hill. – O ouvi falar pausadamente em tom de fúria. Não tive tempo nem de dar bom dia, ou inventar alguma desculpa, já que ouvi o “Tu Tu Tu” do outro lado da linha. Bom, muito bom.
Nunca me arrumei tão rápido em toda a minha vida; em 20 minutos, já me encontrava em frente ao prédio onde seria a sessão de fotos. Subi rapidamente até o local, e chegando lá vi algumas modelos já sendo fotografadas. Cumprimentei as pessoas com um aceno de cabeça, enquanto buscava Flyzik e Jack com os olhos.
Encontrei Flyzik ao telefone um pouco mais distante e Jack sendo arrumado por uma maquiadora qualquer, então fui até ele.
– E aí, Jack. – disse dando um tapa leve em sua testa, que me olhou com cara de morte. Ele apenas riu e em seguida me cutucou. – Party hard ontem, hm? – Sorri de canto. Concordei de leve com a cabeça, ainda me lembrando da tal garota.
- Eu não lembro de muita coisa. – Ri baixo. E antes de falar mais alguma coisa, Flyzik já tinha chegado um tanto quanto vermelho do meu lado, me empurrando pra outro canto, onde eu deveria me trocar. – Eu não sou sua babá, asshole. Troque-se logo, você está atrasado. – Após dizer isso, bateu a porta à suas costas e me deixou sozinho com Kelly, a assistente bonitinha da GK. Lá ela me mostrou o que eu deveria vestir, e assim passei praticamente a tarde inteira, trocando de roupa, tirando fotos e mais fotos.
Quando eu e Jack saímos da sessão de fotos, resolvemos parar pra comer. E quando nós estávamos na lanchonete tinha algo estranho, eu me sentia estranho por não lembrar muito bem da garota que passei a noite. Só sei que foi uma puta festa na minha casa, tinha gente saindo pela janela e bebida que não acabava mais. Acho que foi graças a isso que eu não me lembre de muita coisa.
– Cara, essa turnê local que a gente vai fazer vai ser animal! Eu tô muito animado! – Jack dizia enquanto enfiava algumas batatas na boca. Ver aquela cena era no mínimo desgastante, porém comum.
- Uhum, já pensei em alguns covers pra gente tocar, e... – Fui interrompido pelo meu celular tocando, e a foto de Flyzik invadiu a tela novamente. – Fala, Matt. – Rolei os olhos distraidamente enquanto ouvia as recomendações de Matt para a entrevista que nos íamos ter amanhã de manhã. Xinguei mentalmente por não poder ir a festa da Nicolle hoje, já que amanhã bem cedo teria que estar de pé.
E assim fiquei conversando com Jack sobre a festa, ele me contou que tinha brigado com durante a festa e mais alguns acontecimentos. Porém eu me sentia um completo babaca por não me lembrar do rosto da garota com quem eu teria passado a noite, eu podia estar mal, mas tenho certeza que foi uma das melhores noites da minha vida, e ela com certeza soube cuidar de mim.
- Alex, aconteceu alguma coisa? – Ouvi Jack perguntando me despertando de meus pensamentos.
-Oi?
- Tô falando contigo, e você está totalmente desligado.
- Ah, desculpa. É que eu to pensando na festa da Nicolle que seria hoje. – Menti, já que eu tenho certeza que Jack me acharia o maior babaca do universo por estar pensando em uma garota que não sei o nome e não me recordo de seu rosto.
Suspirei profundamente, terminando de tomar meu suco.
08h00min e eu já estava arrumado e perfumado para o Flyzik não reclamar. Ouvi uma buzina em frente à minha casa e desci para encontrar os caras pra irmos para a tal entrevista. No caminho, fui conversando com Rian, enquanto Jack tirava um cochilo, Zack observava a paisagem e Matt falava no telefone com alguém. Chegando ao prédio, Flyzik foi falar com a recepcionista enquanto nós esperávamos sentados no sofá. Havia algo estranho ali, já que Matt parecia irritado e a mulher com cara de tédio não ajudava em nada. Depois de certo tempo, Matt veio até nós um tanto quanto emburrado.
– A entrevista não é hoje.
- O QUÊ?! – Eu me exaltei e a mulher da recepção me olhou um pouco torto.
– É, caras, me desculpem, eu errei o dia. O programa é só na semana que vem.
- Porra, Matt! Perdi minha sessão física da manhã por sua culpa! – reclamou Zack.
Lancei o meu melhor olhar mortal para Flyzik, que tentava se desculpar. Ele colocou a culpa no cansaço, já que ele estava organizando a turnê sozinho. Apenas bufei e rolei os olhos.
– Vamos embora, então?
Fui pra casa com Jack e passamos o dia todo bebendo cerveja e vendo televisão. Mais tarde, resolvemos fazer um WebChat, no qual fiz o Jack fazer um strip-tease e ficamos conversando com nossas fãs até de madrugada.
– Cara, vou indo. – Me despedi de Jack e fui andando até minha casa, que não era tão longe assim.
”The Jonner’s Pub” piscavam as letras chamativas do outro lado da rua. Aquele era um bar inaugurado há uma semana e eu ainda não tive tempo de conhecê-lo. A ideia me pareceu estranhamente convidativa.
– E aí, patrão, qual vai ser? – Ouvi o garçom de meia idade me perguntar após eu adentrar no local, que estava relativamente sem muito movimento, talvez por ser madrugada de uma segunda-feira.
– Uma dose de whisky, por favor. – Respondi um pouco destraído, enquanto visitava cada canto do local com meu olhar.
Em um banco em frente ao balcão, não muito longe de onde eu estava me acomodando, avistei uma ruiva me sondando atentamente, com um sorriso sacana nos lábios. Sorri de volta e suspirei fundo. Abaixei meu olhar para a minha bebida e bebi um pouco do líquido, que desceu queimando minha garganta, apesar de eu gostar daquela sensação. Não sei quantas doses foram ou quantas horas se passaram, só sei que acordei com o segurança 4x4 me arrastando pra fora do bar; minha camiseta estava totalmente amassada e úmida. Olhei pra baixo e constatei o óbvio: tinha passado mal. Senti a chata sensação de estar sendo observado por alguém, porém ignorei, pois minha cabeça latejava fortemente. O segurança enorme me jogou pra fora do bar. Não sei como cheguei em casa, só sei que no dia seguinte acordei no meio da tarde. Arrastei-me até a sala, acompanhado pela dor de cabeça muito bem conhecida por mim. Ellen provavelmente estava arrumando algo para eu comer - aquela mulher me conhece melhor que eu mesmo. Reparei em duas revistas sobre a mesa, provavelmente compradas por Ellen. Meus olhos rolaram distraídos até encontrarem a seguinte notícia em uma das capas: “ALEX GASKARTH TERIA SUPERADO O FIM DE SEU ROMANCE COM LISA RUOCCO? - O vocalista da banda All Time Low foi visto saindo carregado de um bar nessa madrugada do dia 14/06”. Abaixo desta, havia uma foto minha sendo escorado pelo segurança. Xinguei-me mentalmente, pegando as revistas e tacando-as no lixo. Sentei-me no sofá e antes que pudesse pensar em qualquer coisa, ouvi meu celular tocando e lá estava a foto do meu amigo Mickey na tela. É, eu tava fodido.
's pov.
Acho que três anos morando longe me fizeram perceber que não há nada comparado com o verão californiano. Minha vida havia mudado radicalmente, de novo. Eu morava em Cardiff, país de Gales, com minha mãe havia três anos. Eu levava uma vida relativamente boa. Eu tinha um emprego relativamente bom, no começo. Eu era assessora da banda Funeral for Friends, porém nem tudo era um mar de rosas já que por ser a única mulher trabalhando nesse meio, eu era meio que totalmente explorada por eles. Eu acabava sendo uma babá deles, quase que assessora pessoal dos próprios assessores que trabalhavam comigo. Tudo era que fazia, sendo que trabalhavam mais dois comigo, Jason e Mitchell eram em grosso modo falando, nojentos. Isso me desgastava e tomava quase 100% do meu tempo. Até que um dia resolvi me afastar da banda, pedi demissão. Mitchell ficou puto comigo e me destratou, isso só me fez pegar mais raiva dos mesmos. Enquanto eu procurava emprego em Cardiff, veio o motivo da mudança radical em minha vida. Meu pai estava com câncer.
Depois da mudança nós tínhamos nos afastado bastante; enquanto nós éramos uma família formal na Califórnia, Robert era tudo pra mim. Já que mamãe ficava basicamente seu tempo todo dando aula, Charlotte era professora de Arte e Pintura. Robert tinha uma pequena oficina na garagem de casa, então quando eu voltava da escola era Robert quem estava em casa, e assim cresci basicamente muito ligada a ele e a David.
Dave era meu primo mais próximo por parte de pai, já que tio Ed e tia Norah haviam falecido em um acidente de carro, a guarda de David ficara com meu pai, já que tio Ed e ele eram muito ligados.
Com o passar dos anos o trabalho de mamãe foi tomando todo o tempo que tínhamos em família, já que a oficina de Robert não gerava muitos lucros, Charlotte se lotava de trabalhos paralelos. E isso acabou desgastando o relacionamento dos dois. Tanto que mamãe acabou arrumando outro homem em um dos empregos paralelos. No começo foi totalmente chocante para nós, que como uma família tradicional era unida. Mas mamãe acabou indo morar no País de Gales com Charlie e eu fiquei com Robert e David para poder terminar o colegial.
Não via a hora de me mudar para Cardiff com a minha mãe, e assim feito, recomecei minha vida. E com tantas mudanças de planos em nossas vidas, eu e Robert acabamos nos distanciando. Claro que recebíamos notícias uns dos outros e nos falávamos ao menos uma vez ao mês. No começo fui umas duas vezes a Califórnia vê-los. Porém já faz mais de três anos que isso não acontece. Mas infelizmente, ou felizmente, as coisas vão mudar de agora em diante.
Agora me via parada em frente a grande janela do meu novo apartamento, observando a avenida que passava em frente ao mesmo, beirando a praia. Era uma vista realmente privilegiada. Cá estou eu, observando o mar e repensando na minha vida, curtindo minha ressaca. Era sábado à tarde e ontem tinha ido com a festa de um amigo do namorado novo dela. A festa foi boa; ótima na verdade. Repreendi um sorriso bobo ao lembrar.
era minha amiga de longa data, nós fizemos o colegial juntas. Nunca perdemos o contato e agora ela estava super animada com minha volta à Califórnia. namorava um tal Jack, de uma tal banda lá qual eu não me lembrava o nome. E ontem tinha me levado para a tal festa para eu poder conhecer a “nova galera”.
Meus pensamentos foram interrompidos pela campainha que tocava em seu som estridente, massageei minhas têmporas, xingando mentalmente. Caminhei lentamente, olhando pelo olho mágico antes de abrir a porta. Instantaneamente um sorriso se abriu ao ver a figura do lado de fora.
- Hey. – Abri a porta, recebendo um abraço apertado de David. E como eu amava aquele abraço.
Dave tinha mudado fisicamente, e isso era perceptível a qualquer ser humano. Ele era poucos anos mais velho que eu, tinha olhos azuis muito brilhantes e agora havia tatuagens cobrindo parte de seus braços musculosos e a barba mal feita o deixava com o ar másculo. Porém o sorriso o sorriso ingênuo o deixava com a feição perfeita de um anjo. Eu era muito ligada a David, era como um irmão mais velho e melhor amigo para mim. Acho que a pior parte de ficar em Cardiff foi não ter David para me aconselhar em tudo que eu fazia.
- Oi meu amor. - Dei espaço para ele entrar no apartamento. – Que cara é essa?
- Acho que o álcool não fez seu melhor trabalho ontem a noite. – Dei um sorriso amarelo, enquanto observava ele me olhar feio.
- Vai tomar um banho e um analgésico. Vamos levar Robert para almoçar hoje.
Ao ouvir, fiz uma cara de desânimo e suspirei lentamente.
– Tem certeza?
- Tenho, vai logo.
E assim fui me arrastando para meu quarto. Tomei um banho rápido e gelado para tirar aquela sensação ruim do meu corpo e coloquei um vestido soltinho acompanhado de uma sandália baixa, porque o calor lá fora judiava. Peguei minha bolsa e assim saímos de casa.
Pegamos Robert na casa dele, o brilho do sorriso de meu pai tinha se apagado. Eu o conheço tão bem para saber cada detalhe de sua feição, papai começaria o tratamento daqui umas semanas. A ideia era positiva, porém sabíamos que no fundo a quimioterapia acabava com qualquer um. Foi um dia tranquilo, conseguimos nos divertir, e distraí-lo um pouco.
Já estava pra anoitecer quando eu me encontrava no escritório improvisado que havia feito em meu novo apartamento, organizando tudo. Mas eu sabia que tinha algo em minha mente que atormentava, e era sobre a noite passada. Sorri boba lembrando-me de Alex – tenho quase certeza que esse era o nome dele. Lembrei-me de seu toque em minha pele, mordi o lábio discreta e inconscientemente. Eu tinha que falar com para saber mais sobre ele, a noite fora maravilhosa e eu via em seus olhos que aquilo não terminaria ali. Eu via nos olhos de Alex que ele estava tão envolvido quanto eu.
Suspirei derrotada tentando afastar esse tipo de pensamento. Eu não podia simplesmente ficar assim por alguém que eu tinha passado apenas uma noite. Mas como eu mal podia esperar pra saber do mesmo peguei meu telefone ligando para .
- Alô. – Ouvi a voz emburrada da mesma do outro lado da linha.
- Wow! O que aconteceu hein? – Já logo perguntei, eu sabia que para atender com aquele tom de voz, algo feio tinha acontecido.
- Amiga. – Ouvi um suspiro do outro lado da linha. – Preciso de um pote de sorvete tamanho família, já que meu corpo repele qualquer tipo de álcool. – É, tinha rolado algo feio, e pela fossa, eu tinha quase certeza que envolvia Jack.
- Chego em quinze minutos. Flocos ou napolitano?
- O dois, se for possível. E calda. – Ri baixinho desligando o telefone.
No caminho parei na mercado para comprar e realizar os desejos da minha amiga, indo em direção a casa dela. Lá fui recebida por uma com os olhos inchados de tanto chorar e com o nariz vermelho. A situação era pior do que eu esperava.
Coloquei os potes de sorvete no freezer e sentei com no sofá.
- Ok, pode começar. – E durante uns 30 minutos sem pausa ouvi minha amiga falar com sua voz embargada de Jack. Seu atual - ou ex-namorado.
- Mas , você não o viu ficando com nenhuma delas. – Tentava argumentar terminando o segundo pote de sorvete junto com minha amiga.
Pelo que havia percebido Jack era um cara muito legal e parecia amar da mesma forma que a mesma o amava. Porém Jack havia bebido demais ontem – como todos nós - e viu umas garotas se jogando para cima dele. Ele não fez nada para pará-las, mas ninguém havia visto Jack dando mole para nenhuma delas. Só , que jura que viu o namorado com a mão na coxa de Holly.
Eu me senti mal por , nunca a vi ficar assim por nenhum cara. Passamos assim a noite, tomando sorvete, comendo pizza e eu ouvindo minha amiga falar de Jack. Ela me contou como eles se conheceram, como ele era antes de namorá-la e como os dois são agora. Eu não pude argumentar, me senti egoísta por querer saber de sobre o Alex, então essa noite não falei nada pra ela. Acabei dormindo na casa de .
“ALEX GASKARTH TERIA SUPERADO O FIM DE SEU ROMANCE COM LISA RUOCCO? - O vocalista da banda All Time Low foi visto saindo carregado de um bar nessa madrugada do dia 14/06”. Eram as letras garrafais que ditavam a notícia na capa de uma revista de fofoca. Senti-me mal por um segundo ao ver a foto do Alex em um dos seus piores momentos estampada na capa dessas revistas baratas.
Então ele é assim? Que estúpida que eu sou. Reprimi um riso baixo – óbvio que ele é assim, ele é só mais um rockstar que se acha o bom querendo se aparecer –. Eu tinha o chato hábito de falar sozinha, mas aquilo me pareceu um balde de água fria. Eu estava disposta a ir atrás de Alex, saber mais sobre o mesmo, queria observar seus olhos e seu sorriso bobo. Mas após ver a notícia, meu roteiro tinha mudado completamente. Eu tinha que esquecer a noite com esse projeto de rockstar.
Eu tava simplesmente tentando não enlouquecer junto ao Flyzik, sério. Ele já havia errado a data de uns quatro compromissos. Não parava de passar informações erradas e ficar pra lá e pra cá resolvendo as coisas da turnê. Eu sinceramente não sabia se sentia pena ou ficava irritado. Mas eu não podia culpá-lo, afinal, eu também não estava ajudando em muita coisa, admito. Depois do meu rosto estampado nas revistas de fofocas por semanas, imprensa já estava me jogando no fundo do poço, dizendo que eu procurava a solução do término do meu namoro em cachaça e em profissionais do sexo. Não vou mentir que era basicamente isso, mas não exatamente. Convenhamos que após o fim de um relacionamento sério, eu estava aproveitando tudo o que não pude aproveitar durante anos. Eu agradeço muito à Lisa, ela foi ótima pessoa pra mim, mas ela me deu um pé na bunda! Eu não iria atrás dela. Iria simplesmente aproveitar tudo o que tinha direito, isso sim. Porém fui taxado de infantil. Às vezes fama é uma bosta. E eu simplesmente não podia fechar as portas pra quantidade de mulher que caiu aos meus pés depois que a Lisa terminou comigo. Se a vida te der limões cara, faça a melhor limonada que puder. Mas eu definitivamente não estava agradando os padrões dos produtores da banda, já que minha vida de gandaia muitas vezes era taxada como uma coisa prejudicial para a minha voz e para integridade das minhas fãs nos shows. E a quantidade delas nos mesmos. Centenas de vezes já ouvi da boca do Nano “Alex, as mães das garotas não vão deixar elas irem aos shows de um vocalista drogado e prostituído”. Eu não estava drogado, que fique claro, e nem prostituído. Mas quem mais se afetava com isso tudo era meu querido amigo Mickey Mouse Flyzik. Sério, ele tava numa pilha de nervos. Nunca o vi assim. Flyzik não tinha descanso depois que Nano pediu as contas, porque a mulher engravidou e ele resolveu morar em Daytona. Ou seja, nosso querido Mickey tinha ficado praticamente sozinho com a organização da banda, já que Vinny e os outros caras pouco sabiam ajudar. E enquanto nós da banda estávamos viajando, matando a saudade de nossa família, Flyzik estava cuidando da nossa agenda e de nossas vidas em um geral, sozinho. Isso estava sobrecarregando-o, e eu, sinceramente, acho que ele precisa de ajuda. Não ajuda como psicólogo ou terapeutas, mas sim ajuda de um profissional na área, mas Matt é chato e diz que a pessoa “nova” só vai atrapalhá-lo, já que ele vai ter que explicar e ensinar tudo de novo. Se bem que um terapeuta pra tratar a obsessão medonha com o Mickey não seria nada mal.
Faltavam algumas semanas ainda para o início da turnê, enquanto isso eu passava as tardes basicamente com os caras no estúdio ensaiando, criando novos arranjos para as músicas velhas, tentando deixar o repertório o melhor possível.
- Eu, sinceramente, acho que Super Bass ficaria um cover incrível. – Falei com convicção tentando achar os acordes pra essa música.
- E eu, sinceramente, acho que o Alex devia parar de enfiar música de gays no repertório. – Ouvi Zack dizendo e mostrei o dedo do meio pra ele. – Sério, cara, já foi Katy Perry, Kesha, Dev, passando por Rihanna e Britney Spears. Chega, né? – Fingi que não ouvi e continuei dedilhando a guitarra.
- Acho que Blink cairia bem, ao som do verão. – Olhei de rabo de olho pro Jack enquanto ele fazia a dança do verão, e em seguida olhei pro Rian.
- Eu concordo com Jack, todo mundo gosta de Blink, nós sabemos tocar melhor que nossas próprias músicas e vai combinar com a cara da turnê. – Rian falou enquanto se espreguiçava e se ajeitava em seu banco.
- Ok, Blink ganhou, mas nada tira minha idéia da gente tocar Nicki Minaj. – Revirei os olhos e comecei a puxar os acordes de What’s my age again.
Eu tinha acabado de terminar a ligação da minha mãe quando a foto do Vinny aparece na tela.
– Fala, Vinny.
- Alex, o Matt ta por aí? - Olhei para os lados e só vi Rian e Zack jogados no sofá jogando vídeo game, enquanto Jack estava no telefone pedindo pizza.
- Não, Vinny, por que? – Ouvi ele xingando baixinho.
- Ele não atende o telefone, ele não dá sinal de vida e deu problema com o carregamento dos produtos da Merch, eu preciso dele pra me ajudar a resolver.
- Se ele aparecer ou ligar aqui, eu aviso você. – O ouviele agradecendo e desligando em seguida.
Sério, o Matt vai pirar. As coisas parecem estar dando bem erradas ultimamente, e o peso do mundo sobre as costas dele. Mas pra nós da banda as coisas estavam normais. Já estávamos terminando de resolver o repertório, a nova linha da GK saía em alguns dias, eu só tinha que me preocupar com não estampar meu lindo rosto em revista de fofocas.
O resto da noite correu praticamente bem, comemos pizza e bebemos cerveja, enquanto travamos uma disputa no vídeo game. A noite foi tranquila, apesar do calor infernal que fazia na Califórnia.
Já era quinta feira à noite e eu estava em casa tomando cerveja e assistindo algum programa aleatório na TV quando ouço a campainha tocar. – Mas que porra. – Levantei rapidamente indo em direção a porta.
- Oi, baby. – Logo fui tomado por uma boca coberta por um batom vermelho sangue, e senti braços finos envolvendo meu pescoço. – Senti saudade.
- O... Oi. . - Não tive tempo de pensar muito. – O que te trás aqui essa hora?
- Isso é jeito de me receber Gaskarth? – Ela perguntava em tom manhoso enquanto suas unhas passeavam por minha nuca. – Eu vim aproveitar a noite que você perdeu comigo sexta passada. – Sexta passada? Sexta foi minha festa. Acho que me lembro de nela. Apenas acho. – Já que você preferiu passar a noite com aquela baixinha sem sal de vestido preto. – Baixinha? De vestido preto? Hã?
- Ah... É. – Eu não conseguia formar frases concretas ainda, então a garota que eu não me lembro estava de vestido preto? E era baixinha? Ok, duas pistas.
- Você não se lembra dela, não é?
- Er, não. – Menti. Ok, não foi uma mentira em si, eu não me lembro dela fisicamente, mas lembro que ela tinha os olhos mais lindos que já havia visto. E eu tenho quase certeza que eu nunca tinha visto ela antes por aqui. Mas como eu iria achá-la novamente?
- Sabia... É sua cara não se lembrar das garotas que você dorme.
- Da sua eu me lembro perfeitamente. Não só do rosto, mas de muitas outras coisas. – Deixei-me levar no jogo de . Afinal, não tinha nada a perder mesmo
Nós já estávamos quase sem roupas - e não vou botar a culpa no calor dessa vez – quando ouvi o meu celular tocando.
- Fala, Mickey. – Atendi um pouco afobado e sem ar, devido aos beijos que me dava.
- Alex, eu não vou pedir pra que você mande o repertório de novo. Liguei pro Rian e ele disse que o encarregado era você.
- Mas eu já te mandei anteontem, Matt! – Sentia a trilha de beijos de por meu pescoço.
- Mandou? – Pude ouvir o barulho dele digitando algo no computador. – Ah, sim, desculpe, ta aqui. – O ouvi suspirar. – Sabe, isso era tarefa do Nano, não estou acostumado com isso.
- Eu já disse pra gente achar outro alguém pra entrar no lugar dele, Matt.
- Seria pior agora, Alex. Não tenho tempo de explicar trabalho pra ninguém, com quase duas semanas pra turnê começar. Isso a gente vai ver mais pra frente.
- Bom, ok, você que sabe. Tenho que desligar, porque hã... Tenho assuntos pendentes. – Vi o sorriso malicioso de .
- Cara, você não presta... Mas use camisinha. Um Gaskarth no mundo já é de bom tamanho.
- Vai se foder. – E assim que desliguei, joguei o celular em algum canto, voltando a fazer o que eu estava fazendo com .
- Cara, sério. Ela vai solucionar todos seus problemas Matt! – David tentava convencer Matt de que sua irmã, prima ou sei lá o que era a solução perfeita para todos os nossos problemas. David era um amigo do Flyzik de longa data que morava aqui na Califórnia, às vezes saía com a gente, era um cara legal.
- Eu não sei Dave, não é hora de eu ter que me preocupar em supervisionar o trabalho de uma novata na Crew.
- Eu te garanto que não vai precisar disso Matt, ela tem experiência com o trabalho! – Nós estávamos sentados em uma cafeteria. Eu, Matt, Rian, Dave e Vinny, decidindo o que fazer pra aliviar lado de Matt. E sinceramente eu to gostando da idéia de ter uma garota na Crew. Principalmente se for gata.
- Ok, marca uma reunião com ela lá em casa, amanhã pode ser?
- Ok! Você não vai se arrepender.
’s pov.
Eu estava nervosa, não era bem uma entrevista de emprego, mas ainda sim me deixava nervosa. Dave havia arrumado pra mim um emprego como assessora de uma banda de um amigo dele, ou era algo do gênero. Eram mais ou menos 10 da manhã quando David apareceu lá em casa pra me levar até a casa desse tal de Matt que era o empresário da banda.
Matt, ou Flyzik como preferir chamá-lo, era muito bonito. Não era muito alto nem muito baixo, tinha alargadores e um piercing no lábio, que deixava seu sorriso mais bonito ainda. Sorri um pouco tímida ainda quando ele se apresentou e em seguida me dei passagem para entrar em casa. Dave se despediu de nós alegando ter um compromisso e disse que era pra eu pegar um táxi de volta.
A casa era simples, bem clara com paredes brancas e grandes janelas de vidro, mas o que dava um toque especial era a imensidade de objetos coloridos da Disney. Eram quadros, bonecos, portarretratos e até a louça exposta tinha orelhas do Mickey. Ri baixo ao observar tal detalhe.
- Então , me conte mais sobre você, e sua experiência. - Matt puxou assunto enquanto eu o seguida para o que ele chamava de escritório. Na verdade era um escritório improvisado, igual o que eu tinha no meu mais novo apartamento. Pude perceber alguns recortes de revistas em alguns quadros, umas caixas com que eu deduzi serem camisetas da banda, e a mesa de Flyzik, ainda com o mesmo toque de infantilidade com objetos do Mickey e um grande Mac em sua frente.
Enquanto observava o local, fui contando ao Matt minha experiência com o Funeral for Friends, das minhas inúmeras mudanças até chegar ao aqui e agora. Matt me ouvia com atenção e às vezes digitava algo em seu computador, poucas vezes fazia alguma objeção.
- Pois é, acho que vamos nos acertar. Dave tinha razão quando disse que você era tudo que eu estava procurando! - Matt disse com entusiasmo, enquanto eu corava.
E assim o mesmo começou a contar mais sobre o All Time Low. Sim esse era o nome da banda que eu iria trabalhar agora, nome não me era estranho, revirei minha mente rapidamente tentando lembrar-me de onde esse nome era conhecido. Devo ter lido em alguma revista ou visto algum clipe na televisão. Voltei minha atenção às histórias que Flyzik me contava dos meninos.
Já havia se passado um tempo e eu ainda conversava fervorosamente com Flyzik sobre experiências com as bandas e estava assinando alguns papeis como contrato de gravadora, contrato com a banda, etc., até que três batidas na porta interrompem nossa conversa.
- Entra. - Ouvi Flyzik falar rapidamente enquanto mexia em seu computador.
- Desculpa pelo atraso, eu disse que vinha, mas acabei dormindo além da conta. - Uma voz sonolenta entrou no recinto, paralisei por um segundo, eu reconhecia aquela voz. Não. Não podia ser ele. Tive que me virar lentamente com meu melhor sorriso pra ter certeza.
- Hey, você deve ser a mais nova membro da nossa Crew. - Disse ele animado, enquanto cumprimentava Matt com um aperto de mão e tapinhas nas costas. Aqueles olhinhos inchados típicos de quem acabou de acordar, uma touca cobrindo os cabelos que deduzi estarem desgrenhados.
Ele estendeu a mão pra mim e sorriu. Juro que parei de respirar por um minuto. Mas logo apertei a mão do mesmo, e botei em meu rosto meu melhor sorriso cínico.
- Prazer, sou Alex Gaskarth, vocalista do All Time Low.
- Sou Lockhart, nova assessora do All Time low. - Dei uma risada nasalada e voltei minha atenção aos papeis. Filho da puta. Alex não se lembrava de mim. Não se lembrava da noite em sua casa... Ok eu devia saber que ele era igual a qualquer outro rockstarzinho que só quer saber de comer as garotas. E pior que agora eu era quase sua chefe. Eu praticamente mandaria na vida desse cara. Eu estava muito fodida.
E outra que eu teria que apagar essa noite da minha cabeça. É totalmente fora de ética eu me envolver com alguém da banda. Suspirei pesadamente, enquanto ouvia de fundo Flyzik contar sobre minhas experiências para o cara atrás de mim.
Juro que foram torturantes esses quase 15 minutos que fiquei no mesmo lugar que Alex, aquele cheiro fraco de sabonete que emanava de seua pele, inebriava o local.
Respirei fundo olhando para fora da jenela do táxi que corria entre as ruas da California. Eu estava sendo tão idiota por estar me sentindo assim... Tinha sido só uma noite, huh? Sim, só uma fucking' noite, uma das melhores.... Me peguei pensando e lembrando dos detalhes, mas logo me foquei. Foco. Era isso que eu precisava de agora em diante, mas só de pensar que vou ter que olhar aqueles olhos intensos e ver aqueles lábios tão perto e não poder fazer nada dói profundamente. Eu tinha que ser forte.
Já fazia mais de uma semana que eu tava trabalhando pro All Time Low e as coisas estavam correndo bem. Flyzik tinha marcado outra reunião em sua casa para eu conhecer os meninos, que mais foi um jantar informal do que uma reunião. Os garotos são encantadores! Tanto os outros membros da Crew, quanto os garotos da banda: Jack era de longe o mais espevitado de todos, era o tipo de pessoa que te fazia rir por horas e você não se cansava nunca!; Rian era o mais fofo de todos, eu poderia paralisar olhando seu sorriso; já Zack era mais reservado, mas sabia que seus olhos azuis escondiam muitas coisas.
Eu mantinha contato com os meninos quase que diariamente enquanto víamos os últimos detalhes da turnê que começaria em uma semana. Vinny, o cara da Merch, havia me ligado algumas vezes para resolver uns problemas. Eu estava feliz por ser tratada tão bem por eles.
Era quinta-feira a noite e eu estava recolhida no meu escritório programando algumas coisas na agenda dos meninos quando ouvi meu celular tocar ao meu lado me tirando a atenção do trabalho.
- Alô?
- Oi, ! É o Rian. - Sorri ao ouvir a voz já conhecida do mesmo.
- Hey, Rian. O que manda? - Disse enquanto me espreguiçava e recostava na cadeira.
- Então , eu e os caras marcamos de ir para uma boate nova que abriu perto da Valley. Queríamos que você fosse com a gente! - Olhei para a janela do meu escritório e puder ver a linda noite que fazia lá fora.
- Mm, não sei Ri... Eu não estou no pique. - Eu preferiria mil vezes ficar em casa conversando com enquanto devoraríamos um pote de sorvete. Mas estava em uma de suas expedições no Egito, com seus estudos de arqueologia.
- Qual é ? Vai me dizer que prefere ficar gorda vendo pela vigésima vez o mesmo episódio de Friends que vai estar passando enquanto toma sorvete?
- Ouch, era quase isso. - Nós dois rimos e logo Rian não deu tempo de eu retrucar.
- Às dez eu passo na sua casa. See you. - E assim desligou na minha cara. Filho da mãe.
Olhei rapidamente para o relógio que marcava dez para as nove, assim me levantei pensando no que eu iria vestir quando eu me toquei: Alex estaria lá. Mordi meu lábio inferior. E eu não deixaria isso barato.
Já eram quase dez horas quando Jack, Zack e Danny passaram na minha casa para irmos juntos para a Hauted - acho que era esse o nome da boate. Cumprimentei os caras e logo dei falta de Rian.
- Cadê o Dawson?
- Foi com o Flyzik e com o Vinny buscar a . - Hmm, a novata estaria hoje à noite, então? Bom saber.
era uma boa menina, muito prestativa, pelo que percebi desde que ela começou a trabalhar conosco. Porém havia um quê de mistério em seus olhos que me deixava intrigado. Seu sorriso era de longe o mais bonito que eu havia visto, e eu não podia negar que ela era muito gostosa. Acordei dos meus devaneios quando Danny me deu uma leve cutucada e perguntou baixinho.
- Alguma novidade sobre a garota da festa? - Suspirei derrotado e neguei com a cabeça.
Eu havia contado para Danny sobre a garota baixinha misteriosa do vestido preto que eu transei na noite da minha casa, afinal ele era o mais sensato dos caras e eu sabia que podia confiar nele. Não que eu não pudesse confiar nos outros, mas eu seria alvo de zoação pro resto da minha vida. Eu tinha botado em minha cabeça que iria achar aquela garota custe o que custar, e Danny disse que me ajudaria nisso. Só que ficar pensando nessa garota agora não adiantaria muita coisa já que eu teria uma infinidade de garotas pra me divertir na Hauted.
A música era alta e a boate estava cheia, não lotada. Assim que cheguei fui cumprimentando uns conhecidos que via pelo caminho com Jack ao meu lado. Fizemos o caminho até o bar e eu apenas secava com os olhos cada par de pernas descobertos por ali, com um sorriso sacana em meus lábios. Enquanto bebia cerveja calmamente, olhava para uma loira que dançava sensualmente ao som da música, já estava começando a sentir calor só de olhar. Jack já tinha sumido atrás de alguma garota, e não sei quanto tempo depois ou quantas cervejas depois eu já estava agarrando a loirinha em algum canto da boate.
- VIRA! VIRA! VIRA! AEEEEEEEEEEEEE! - Era apenas o que eu conseguia ouvir quando cheguei perto de Jack, que estava gritando junto a um amontoado de pessoas.
Pude ver que quem estava fazendo disputa de shot era John O'Callaghan, do The Maine, já que não era difícil enxergá-lo. Porém não reconheci a pessoa que estava competindo com ele.
No meio da gritaria fui me esquivando das pessoas e instantaneamente meu queixo caiu ao ver a novata virar habilidosamente um shot, que eu deduzi ser de tequila, por conta do limão que ela segurava. A cena era linda: estava um pouco corada e tinha acabado de levantar o rosto, então seus cabelos se espalharam um pouco. Ela apertava com força os olhos e a boca, e tive a impressão de que todos os homens em sua volta a observavam da mesma maneira que eu. Em seguida, mostrou a língua para John e fez rock'n'roll com as mãos, enquanto fazia não com a cabeça se negando a beber mais um. Se John bebesse mais um shot, ele iria morrer, sério, a cara dele estava péssima enquanto a novata estava inteira.
- WINNER! - Ouvi Vinny gritar enquanto levantava o braço de em um movimento saudosista e todos à sua volta a aplaudiam e gritavam, uma cena no mínimo encantadora.
Enquanto assistia meus amigos se dissiparem e John ser carregado por Jared para fora, pedi uma cerveja e observei as pessoas dançando na pista. Tocava Little Bad Girl do David Guetta e uma garota em especial me chamou a atenção; forcei minha visão e mordi meu lábio ao ver a garota rebolando sensualmente ao toque da música. Quando ela olhou em minha direção, me deparei com a novata dando seu show. Por um momento eu fiquei vidrado vendo-a rebolar, porém me vi obrigado a desviar o olhar por um segundo, mas logo em seguida mudando de ideia virei meu corpo indo em sua direção.
movia seu corpo sensualmente no ritmo da música, eu observava a garota a minha frente enquanto ia dando passos em sua direção. Era um movimento inesperado de minha parte, minhas pernas faziam o caminho sem a minha permissão. Porém em questão de segundos, Danny Kurily abraçava a novata por trás sussurrando algo ao pé do ouvido dela. , de olhos fechados, apenas mordia o lábio e sorria enquanto Kurily passeava as mãos pela lateral de seu corpo. A raiva cresceu em mim, respirei fundo enquanto olhava aquela cena com certa raiva, porém não sabia por que.
Acho que faziam pelo menos umas duas horas desde que eu vi Danny dançando com a novata e eu já tinha tocado o terror na Hauted. Dancei com todas as meninas presentes, fiquei com metade delas e agora eu me encontrava escorado no bar com um Jack muito, mas muito bêbado falando coisas desconexas para uma morena qualquer enquanto eu olhava distraidamente para a infinidade de bebidas expostas na parede.
- Acalmou? - Ouvi uma voz feminina atrás de mim, que eu por um acaso conhecia bem.
- No way. - Ok, eu estava um lixo. Minha voz estava arrastada pela quantidade de álcool que tinha em meu corpo. E assim virei meu corpo lentamente apoiando meus cotovelos no bar me deparando com uma com um sorriso fraco nos lábios.
Desci meus olhos pelo corpo da mesma fitando suas pernas descobertas pela saia rosa que usava, e subindo para seu colo, onde brilhava uma pequena corrente com um pingente de uma coroa. Quando foquei meus olhos em seu rosto, ela me fitava com uma sobrancelha arqueada. balançou a cabeça negativamente sentou no banco alto e cruzou as pernas. Engoli a seco e me aproximei mais ainda.
- Kurily, huh? - Falei tentando puxar assunto, enquanto ouvia gargalhar alto.
- Meu, cala a boca. - disse ainda com um sorriso nos lábios.
- Qual é novata, vai bancar a santa? - Pude perceber a mesma suspirando profundamente enquanto seus lábios não perdiam o sorriso fraco de canto.
- Você não me conhece Gaskarth. - Incrível como meu nome soava sexy saindo da boca dela.
- Mas adoraria conhecer... - E assim inclinei meu corpo para cima do de enquanto fechava meus olhos e minha boca ia de encontro com a dela. Mas logo senti algo que com certeza não eram os lábios da novata. Abri meus olhos e olhei para a mesma que estava com o dedo indicador pressionando meus lábios enquanto segurava o riso.
- Sem essa, projeto de rockstar. - me empurrou lentamente enquanto passava por mim e saía rindo. Eu olhei para os lados procurando algum rosto conhecido, e mais a frente encontrei Rian rindo da cena que ele via de longe.
Projeto de rockstar? Ah, isso não ficaria assim.
Preciso começar a rever meus conceitos. Afinal, qual a lógica de beber como se o mundo estivesse pra acabar e depois acordar com a maior dor de cabeça do universo, sem se lembrar de nada da noite anterior? Eu realmente não entendia, mas não conseguia agir de outra forma. Mas pelo que eu pude lembrar, a noite passada fora ótima.
Olhei para o lado discretamente, me espreguiçando e desejando que a morena que esteve em minha cama há algumas semanas estivesse deitada ao meu lado novamente. Soltei um suspiro frustrado ao ver que isso não seria possível e continuei na cama por mais algum tempo. Pelo sol que entrava pela fresta da janela, podia notar que já era mais de meio dia. Revirei minha cabeça rapidamente procurando algum compromisso e me lembrei do ensaio que teríamos mais para o final da tarde, já que a turnê começava dalí a dois dias, então me permeti ficar mais um pouco aturando minha ressaca.
Solitário. Acho que essa é a palavra certa pra me descrever ultimamente. Sabe quando você fica sóbrio e começa a pensar na vida e em todas as possibilidades de conspiração do mundo contra você? Então, esse é exatamente meu estado. Quem sabe mais tarde isso possa render uma letra de uma música melancólica, ou então eu simplesmente posso me esquecer de tudo o que estou pensando agora. Já são quase três horas, ninguém me ligou, ninguém bateu em minha porta, ninguém se lembra de Alex Gaskarth. Crise existencial? Não.
Nem meus cachorros estão mais em casa! Lisa havia levado os dois, alegando que eu não teria tempo de cuidar dos "nossos filhos" enquanto estivesse levando minha vida de rockstar.
Rockstar, essa palavra não me trás boas lembranças da noite anterior. Ironicamente, enquanto eu estava jogado em meu sofá bebendo minha segunda garrafinha de água, tocava Rockstar, do Nickelback. Observava Holly e Kendra rebolarem na frente da Playboy Mansion enquanto minha mente viajava nas palavras que havia me falado na Hauted. Não havia doído exatamente, mas eu nunca havia levado um fora tão direto com direito a uma zoação desse porte. Qual é a dessa novata? Algo nela é muito intrigante. O olhar dela tem alguma coisa que eu não consigo decifrar. Um misto de indiferença com algo que eu realmente não sei explicar!
E assim passei mais umas horas até alguém finalmente se lembrar do Mr. Gaskarth, e essa pessoa foi quem eu menos esperava.
- Alô?
- Oi, Gaskarth. É a . Você tem um ensaio hoje às 18:00, ok?
- Ah, oi, novata. Pode deixar, estarei lá. - Falei sem muita emoção na voz porque... porra, eu ainda estava frustrado com o "projeto de rockstar".
- Novata, Alex? - Ela tinha me chamado pelo nome. HÁ.
- Acostume-se.
- Te vejo às seis. - E assim ela desligou.
Observava discretamente a novata trocar impacientemente o peso do corpo entre uma perna e outra, enquanto digitava furiosamente em seu blackberry. Estávamos no último ensaio antes do primeiro show, e nossa setlist mesclava bem as músicas antigas e as do novo CD. Flyzik estava sentado no canto com seu inseparável notebook, próximo a uns dois caras da gravadora e mais uns membros da Crew. estava quieta desde que chegamos, com a cara fechada, e eu havia percebido leves olheiras embaixo de seus olhos .
- Hey, Alex, quando você vai dar mais uma festa daquelas em sua casa? - Acordei de meus desvaneios ouvindo Allan, um dos caras da gravadora, me perguntar.
- Ah, logo mais. Só estou esperando a poeira baixar. - Vi me olhar de canto e depois voltar a prestar atenção em seu celular. Várias pessoas já haviam comentado da festa comigo, mas nenhuma delas tocou no assunto da menina misteriosa que eu tanto queria encontrar. Danny estava me ajudando, mesmo eu ainda estando estranhamente irritado com ele após a Hauted.
- Vamos passar Six Feets agora? - Ouvi Rian perguntar enquanto eu afinava minha guitarra. Jack assentiu com a cabeça, e logo começamos a tocar uma das músicas mais pedidas nos shows.
Assim passamos nossa tarde/noite passando música por música, depois pedimos algumas pizzas e cerveja, já que um bando de homens - e uma menina - precisavam se alimentar e beber. Observei conversando com Rian e Zack enquanto os dois bebiam cerveja e ela segurava uma garrafa de água. ria de algo que Zack comentara, porém não era um sorriso verdadeiro. E sim um apagado.
- Dá pra disfarçar e parar de comer a novata com os olhos? - Vi Matt comentando baixinho ao meu lado, e olhei pra ele com indignação. Quando ia negar o que estava fazendo, ele arqueou uma sobrancelha e soltou antes que eu pudesse argumentar - Não vá negar. - E levantou o dedo indicador pra mim.
Abaixei o olhar, rindo e balançando cabeça negativamente. Comer com os olhos não seriam as palavras certas, mas observa-la cautelosamente, sim. tinha algo que me fazia querer observá-la o tempo todo, descobrir o que vem por trás de cada tatuagem, cada expressão misteriosa e seu riso torto.
- Ela é linda. - Falei baixinho, sem pensar.
- Realmente... - Flyzik concordava comigo olhando-a também. - Mas não é pro teu bico, Alex. - E assim, se afastou de mim, indo conversar com Allan.
O que veio a seguir eu não consegui assimilar muito bem. Eu tinha me forçado a parar de olhar , e assim que peguei meu celular para me distrair, algo me chamou a atenção pelo canto dos olhos.
A novata estava com uma cara assustada e seus olhos se enchiam de lágrimas, e vi Rian e Zack olhando com uma semblante sério para ela. Em seguida, desligou o celular, murmurrando um "eu tenho que ir" e saindo correndo da saleta em que nos encontrávamos. Passou pela porta como um furacão, batendo a mesma às suas costas. E assim, todos se entreolharam sem saber o que havia acontecido.
's pov
Em choque, eu estava completamente em choque. Depois de receber a ligação do hospital dizendo que David havia sofrido um acidente de carro grave, eu tinha corrido para o hospital sem pensar em nada. No caminho, liguei para meu pai que estava em Santa Mônica passeando com um velho amigo. Não queria preocupá-lo, mas era necessário. E assim eu estava com a cabeça baixa entre as pernas e minhas mãos enterradas em meus cabelos enquanto eu tentava inutilmente não pensar no pior. Ouvi meu celular tocar e Matt aparecer na tela do mesmo.
- Ei.
- O que aconteceu? Como você tá? Onde você está? - Achei fofo o tom preocupado carregando sua voz e respirei profundamente.
- Você pode me encontrar no hospital St. Lousiville? - Foi inutil minha ideia, mas eu precisava contar com alguém no momento. Papai ainda não chegara e eu estava sozinha, eu precisava de alguém, e esse alguém foi Matt.
- Claro, chego em 15 minutos, ok?
- Certo, te espero. - Com a voz enfraquecida pela quantidade de lágrimas que eu já tinha chorado. Desliguei meu celular rapidamente enquanto pendia a cabeça para trás e me recostava na poltrona fofa da sala de espera. Aquele ambiente não me agradava nem um pouco, havia vozes preocupadas, pessoas chorando ao receber notícias de médicos. Podia ver pelo vidro quando um médico corria com seu paciente deitado sobre a maca. Era angustiante, e mais angustiante ainda era saber que David estava lá dentro.
Eu estava irritada também pelo fato de ninguém poder dar uma informação concreta. Uma enfermeira havia passado e falado que meu Dave tinha sofrido um acidente grave, no qual o carro capotara e seu estado era grave, devido a pancadas na cabeça e fraturas em suas costelas.
- ! - Vi Matt e Rian andando rapidamente até mim ao me avistar e quando me levantei, senti os braços de Matt me rodeando e recostei minha cabeça em seu peito. Passei meus braços por volta do mesmo e o apertei, Flyzik passou a mão por meus cabelos e sussurrou "estou aqui" bem baixinho para mim, assim eu deixei lágrimas rolarem por meu rosto de novo.
Eu acho que ali pude estar selando uma relação amigável verdadeira com Rian e Matt, algo que seria muito importante para mim agora. Já que vou ficar mais de duas semanas com o All Time Low na estrada, eu precisava de alguém que me confortasse.
Quando eu me acalmei, contei para os dois o que tinha acontecido, o que vinha acontecendo comigo desde que descobrimos o câncer de Robert. Rian parecia surpreso com a história e pouco fazia objeções enquanto eu contava a mesma, já Flyzik ,que já sabia da situação, apenas ouvia.
- Eu... Não acredito. - Ele olhava para algum ponto fixo. - Estamos contigo, . - Rian pegou minha mão. - Eu e todos os meninos. Você pode contar conosco, agora você é parte da família. Querendo ou não. - Nós rimos para descontrair. Eu mordi o lábio e sorri fraco, porém sinceramente.
Logo um médico alto e grisalho andou até nós perguntando se éramos parentes de Dave, eu prontamente me levantei e disse que sim.
- Então, senhorita Lockhart, o estado de seu primo é grave, não vou negar mas temos boa aceitação do mesmo com a análise que já fizemos e David irá passar por uma cirurgia agora para reconstrução de dois ossos quebrados em sua costela. Sobre a batida na cabeça, creio que não foi nada grave, mas já estamos cuidando disso também. A cirurgia durará cerca de 3 horas. Se a senhora quiser se retirar do hospital e voltar mais tarde, fique a vontade.
- Eu vou ficar aqui, obrigada. - E com um aceno de cabeça o médico se retirou.
Pude ver na expressão de Matt, que ao mesmo também estava arrasado, pois Dave também era seu amigo. Um dos melhores. Assim, pouco a pouco, a notícia foi se espalhando para amigos e familiares, que não paravam de telefonar.
A angústia só me consumia por dentro, ainda estava com meus olhos marejados e soluçava hora ou outra. Matt acariciava minha mão enquanto Rian contava alguma história, para me distrair de certo.
- Mas então o Vegas disse "Porra Jack, vá para seu bunk" - Eu ria fraco, porém verdadeiramente. Fomos interrompidos pelo toque do celular de Rian.
- Só um minuto. - Ele olhou quem era e rapidamente atendeu. - Que é, Alex?... Não... Tô com a e com o Matt... Dave sofreu um acidente... Uhum... Não, não precisa vir Alex. - Engoli seco ao pensar na possibilidade de Alex vir para cá, não queria que o mesmo me visse assim. Eu estava fraca, desamparada, Gaskarth não podia me ver nesse estado. - Ok Alex. Até.
- Alex esta vindo, tem algum problema? - Vi Matt dando de ombros e tive de fazer o mesmo.
Meu pai chegou logo em seguida, fazia alguns dias que não o via. Para mim ainda carregava o olhar apagado, mas o sorriso no rosto passando a mensagem que tudo estaria bem. Agarrei todas minhas forças restantes quando vi meu pai, era egoísmo demais da minha parte pensar na minha dor. Meu pai estava com câncer, mas estava aqui comigo. Sabia que tudo ficaria bem, eu sentia isso. Assim passei longos minutos agarrada nele, sentindo o mesmo perfume de loção para barbear que sempre carregara.
- ... - Ouvi a voz que fazia meus pelos se arrepiarem inconscientemente. Estava perto da máquina de café quando me virei lentamente para ver seu semblante perfeito em minha frente. - Eu sinto muito. - Ele abriu os braços para mim, de início eu havia ficado meio apreensiva de um contato assim com o Alex, porém eu não estava em estado de relutar contra nada e nem ninguém nesse momento. Suspirei profundamente e me aconcheguei nos braços do mesmo, Alex me apertava confortavelmente em seus braços não muito fortes, porém perfeitos para mim. Encostei minha cabeça em seu peitoral e pude jurar que senti um beijo muito fraco ao topo de minha cabeça, não tinha mais forças para chorar, apenas apertei meus dedos no tecido da blusa de Alex enquanto trazia seu corpo para mais perto do meu.
Alí, nos braços de quem eu havia jurado esquecer eu me encontrava perfeitamente completa, obriguei-me a deixar de lado esses pensamentos e me afastei do mesmo, olhei em seus olhos e disse. - Não precisava vir...
- Eu prercisava, nós do All Time Low somos uma família, cuidamos uns dos outros. E você é a novata e é uma garota, precisa de um cuidado especial. - Fechei a cara pra Alex, e revirei meus olhos quando ele disse isso.
- Não é porque eu sou uma garota, Alex, que significa que eu preciso de mais cuidados. - Cruzei meus braços e fiquei olhando fixamente para o mesmo que ria fraco.
- Veremos quem é que vai cozinhar e queimar o dedinho, quem vai chorando pedir um band-aid para Matt. - Minha indignação foi crescendo violentamente conforme ia ouvindo as palavras de Alex.
- Primeiro: Não é porque eu sou a única garota na Crew que vocês vão me tratar como dona de casa. E segundo: Você é um babaca. - Virei as costas para Alex revirando meus olhos e caminhando em passos fortes pelo corredores em direção dos outros. Definitivamente eu não daria mais corda para Gaskarth. Prepotente demais esse projetinho wannabe de Jordan Pundik.
A cirurgia de Dave tinha sido um sucesso, ainda bem. Ele ainda estava no hospital em observação e ainda ficaria algumas semanas de cadeira de rodas, devido a gravidade dos ferimentos em sua coluna. Estava tudo entrando nos eixos novamente.
Amanhã começaria a turnê do All Time Low, na qual eu os acompanharia. Flyzik me deu a opção de ajudá-los a longa distância, caso eu quisesse ficar ao lado de David nessa hora, mas meu pai e Janelle - atual rolo do David - me garantiram que eu podia ir e que tudo ficaria bem. Eu estava apreensiva, Matt havia me dito que a turnê contaria com os shows de abertura do We Are The In Crowd, que tem uma menina como vocalista. Ok eu não ficaria tão sozinha assim, eu espero.
O grande dia chegou, o primeiro show seria em uma casa de shows perto de Venice Beach, não tão longe. Dali partiríamos para Nevada, mais precisamente Las Vegas em um ônibus de turnê, eu mais dezesseis garotos. Ok, tanto os meninos da banda quando os da Crew eram uns amores de pessoas, mas convenhamos que eles nunca tiveram uma garota na Crew cuidando e ajudando-os. Garotos querem curtir a vida, beber e comer garotas até dizer chega. Principalmente quando se trabalha no mundo musical, onde tudo era mais fácil e talvez, até mais glamuroso, diga-se de passagem. E eu era uma garota que estava rodeada por homens no qual um deles era minha mais nova obssessão. Foco. Eu estava lá a trabalho, e não seira Alex Gaskarth que atrapalharia minha primeira turnê.
Malas prontas... e pé na estrada!
Oi meninas! Eu demorei um pouco para escrever a n/a porque eu estava esperando a fic começar de verdade. os primeiro capitulos foram escritos meio que no automático, já que foi mais pra mostrar os dois lados dos personagens. Agora que começa de verdade, você e o Alex vão entrar em um verdadeiro pé de guerra. Esrão prontas? Haha
Espero que gostem da fic, e comentem pra me fazer feliz!
Qualquer reclamação: @whoisth Xx