Jenny Was a Friend of Mine

Escrito por Gab. - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Elenzynha
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Prólogo

Jennifer Austen era incrivelmente linda e educada, além disso, era a rainha do colégio. Ela não era para alguém como eu, um cara que ninguém sabia que existia ou sequer deu um passo importante na vida.
Mas ela foi a única pessoa que me viu no meio dos outros, ela encontrou no meio de uma multidão que a queria, ela me queria.
Eu me sentia meio sufocado tendo que andar pelos corredores abafados daquele lugar e depois de ter sido praticamente espancado contra o meu armário por uns caras do time de futebol, ela modestamente se abaixou e me ajudou a pegar meus livros do chão.

Depois de algum tempo, ela ficava me encarando nas aulas de História e eu comecei a ajudá-la em Literatura Inglesa. Começamos há passar muito tempo juntos e em um dia de repente ela me beijou, eu nem ao menos sabia beijar alguém. Foi um simples tocar de lábios inocente e um pouco molhado, depois de ela me lançar um sorriso brincalhão.
Então um mês depois foi quando eu fui perceber como tudo aquilo passou rápido, eu já não era mais socado contra o meu armário porque agora eu estava com ela, os garotos me invejavam e as garotas me queriam por não saberem o que eu tinha de tão especial para estar com ela, em pensar que tudo começou com um beijo.

Perdi a minha virgindade com ela e isso pode parecer meio ridículo de se dizer porque para um homem ser mais experiente que a mulher é o ideal.
Depois do ensino médio decidimos ir morar juntos, Jenny trabalhava como garçonete em um restaurante umas três ruas depois de onde morávamos e eu tinha um trabalho de porteiro no Gold Coast Hotel em Las Vegas.
Estava tudo indo tão bem para mim, que mal pude notar que talvez para ela não estivesse tudo tão bem assim.

Em uma noite depois de algumas horas de sexo, eu acordei procurando Jenny ao meu lado, mas tudo que achei foi o travesseiro vazio. Estava chovendo lá fora e eu fui até a janela fechar as cortinas, quando vi ela atravessando a rua usando seu habitual sobretudo apressada para chegar até o homem que estava fumando encostado em um táxi.
Esfreguei meus olhos achando que talvez fosse uma peça pregada pelo sono, mas tudo que pude ver foi Jenny tomar o cigarro da mão do homem e dar um tragada, o que me surpreendeu porque Jennifer tinha um horror aberto à fumantes.
Vi eles entrando no táxi e resolvi imediatamente segui-los, pegando apenas meu casaco com as chaves e correndo até minha bicicleta para conseguir acompanhar o táxi.

Ele parou em um motel pouco conhecido de Las Vegas, um bem barato e eles logo entraram. Subornei o porteiro para que ele me dissesse o quarto que os dois deveriam estar e logo estava correndo escada a cima até o terceiro andar esperando surpreende-los.
Pensei em bater na porta, mas minha pouca coragem não me deixou fazê-lo. Sentei no chão escorado na porta enquanto chorava em meio às lágrimas da traição de Jennifer, enquanto pude ouvir os gemidos dos dois vindos do quarto.
Eles provavelmente estavam na cama agora, ele tirando o vestido dela, ela tocando seu peito agora.
Meu estômago começou a doer me fazendo querer ir embora daquele lugar, achei que talvez nunca mais pudesse olhar no rosto angelical e lindo de Jennifer, mas estava enganado.

Me deitei em nossa cama cansado de toda aquela correria e adormeci em pouco tempo, sendo acordado só pelos raios de sol que entravam pelas cortinas.
Eu ainda estava vestido com a mesma roupa que eu havia me deitado, mas Jennifer estava lá dormindo como um anjo vestida em sua camisola branca.
Ela acordou com um sorriso nos lábios percebendo que eu ali e começou a cantar as mesmas canções que ela sempre cantava quando acordava, ainda de olhos fechados.
Me virei para o outro lado tentando ignorar o ciúme que estava me deixando louco e as suas malditas canções de ninar que agora estavam me deixando enjoado. Me levantei olhando desconfiado para tudo a minha volta e pude ver que Jennifer também havia se levantado, ela veio até mim e depositou um beijinho na minha boca, o que me fez notar que por mais que eu estivesse cego de ciúmes eu ainda era um doente terminal de amores por Jennifer, acho que esse deve ser o preço que eu tenho que pagar para tê-la.
Ela apenas me disse um 'Bom dia, Sr. Otimismo' e foi tomar seu banho antes de ir trabalhar.

1. Leave the Bourbon on the Shelf.

Eu realmente estava dançando com o diabo quando ela me deixou, bem lá no fundo do poço. Ela de repente já não me amava tanto quanto demonstrava e em menos de quatro meses me pediu para que saísse do apartamento, demorei para arranjar um lugar ainda assim não muito limpo perto de Las Vegas e alternava dias entre a realidade e a insônia, apesar de tentar me fazer acreditar que eu estava bem.
Passava dias em frente a televisão e quando eu a esquecia ligada quando caía no sono, apenas me levantava e a desligava enquanto sorria tentando levantar meu astral que já nem ao menos existia. Ah Jennifer, você sabe como eu sempre tentei antes de você dizer adeus.
Tudo que eu sabia fazer era acabar com todas as garrafas de Bourbon que eu comprava diariamente, bebia todas sozinho até não aguentar mais e desmaiar.
Eu realmente não estaria satisfeito até apertá-la contra mim tão forte que seria impossível de se respirar, eu só precisaria de mais uma chance, e eu a teria aquela noite. Me apressei em tentar me deixar o mais apresentável possível e fui até onde ela trabalhava, ela estava de costas para o balcão quando encostei em seu ombro.
- Oh, sim? - me perguntou a jovem que se virou, ela obviamente não era Jennifer, mas suas feições lembravam um pouco.
- Hm, me desculpe. Eu só gostaria de falar com a Jennifer. - falei um pouco apreensivo.
- Ah, sim. Jenny está ali fora com o Robert, mas se eu fosse você não atrapalharia, ela fica furiosa quando fazem isso. - disse a jovem que me deu um sorriso de lado muito bonito.
Olhei pela janela e pude ver Jennifer segurando a mão de um homem, que não era o mesmo com quem eu a havia visto junto naquela noite a alguns meses e que a olhava passando a mão solta sobre sua bochecha por onde escorriam lágrimas.
Eu a olhava desejoso de poder tocar aqueles cabelos castanhos, que estavam do jeito que eu não gostava que ela os usasse, e apesar disso eu ainda a amava infinitamente. A jovem com quem eu havia falado, agora havia se sentado de frente para mim na mesa onde eu estava observando pela janela.
- Acho que você deveria pedir alguma coisa ou você não vai poder ficar por aqui. - ela disse enquanto eu observava Jennifer subir na moto do homem e ir embora.
- Tudo bem, eu acho que não vou ficar tanto tempo assim. - falei, mas ela apenas me ignorou e chamou a garçonete.
- Betha, por favor, traga um café sem açúcar e com creme para o cavalheiro aqui e uma cerveja para mim. - ela falou sorrindo para a garçonete que de pronto anotou e voltou para a mesa que atendia antes. - Você não me disse seu nome.
- Você não precisou disso para adivinhar como eu gosto do meu café. - respondi.
- Deve ser porque você parece meio amargo para mim. - ela riu fazendo um careta - Mas mesmo assim ainda enxergo um lado doce em você. Logo, não é tão difícil imaginar de como você gosta do seu café.
Pensei um pouco e a olhei atentamente, seu rosto parecia descontraído enquanto observava o lugar como quem já estivera ali diversas vezes e apenas estava observando para fingir que não estava sendo analisada por mim.
Betha, a garçonete, trouxe nossos pedidos e então ela tomou sua cerveja sem dizer mais nada.
- Me chamo Brandon. - cortei o silêncio.
- Hm, ótimo, Brandon. - ela estendeu a mão para mim, me fazendo apertá-la - Prazer em conhecê-lo.
E voltou a ficar em silêncio, bebericando vez ou outra sua cerveja.
- Não acha que eu deveria saber seu nome? - aquilo realmente me incomodou.
- Bom você não tinha perguntado antes. - ela sorriu gentilmente mais uma vez - Sou .
- O que a leva a se sentar numa mesa com um estranho e pagar um café para ele? - perguntei.
- Oras, não me sinto com um estranho perto de você. - ela disse, fazendo com que suas bochechas dourassem de leve - Além disso, não acho que alguém que esteja sofrendo por amor possa fazer algum mal a outra pessoa.
Abri minha boca por um momento e ela apenas continuou a me encarar docemente, apenas interrompendo meu momento de raciocínio para explicar o porquê de achar aquilo.
- Está escrito no seu rosto. Há quanto tempo ela te deixou? Um mês, dois? - ela voltou a beber de sua cerveja - Quando sentei aqui, você estava prestes a chorar. Não precisa me esconder nada, talvez nunca mais vamos nos ver nas nossas vidas.
Demorei a responder e digerir o que ela estava dizendo, tomei um gole do meu café antes de dizer qualquer coisa.
- Dois meses e meio.
- Nossa e você ainda está assim? Não acha que deveria seguir em frente? - ela me disse.
- Como se fosse muito fácil esquecer alguém que ama. - retruquei.
- Não é, mas sempre se encontra um jeito. - foi a vez dela retrucar.
- Ora, me desculpe se eu não pude achar esse jeito, mas eu estava muito ocupado pensando em alguma coisa que fizesse a minha vida valer a pena e que não fosse ela! - bati o punho na mesa e ela se espantou. - Me desculpe.
- Não se desculpe, agora você tá fazendo algum progresso. - ela riu sem humor.
De repente, algo me incomodou.
- De onde você conhece a Jennifer mesmo? Nunca ouvi ela falando sobre você. - perguntei e ela franziu a testa como se estivesse procurando a resposta mais cuidadosa.
- Bem, eu venho muito aqui. No big deal.
Soltei um 'hm, entendo' e ela se levantou da mesa, deixando cinco dólares embaixo do porta-guardanapos. Ela se levantou e saiu, me deixando ali estático sem nem dizer um tchau. Saí correndo atrás dela, que já estava quase virando a esquina quando a puxei pelo braço, fazendo-a ficar tão perto que a respiração dela batia no meu rosto.
A soltei envergonhado apenas encarando meus sapatos e puder ouvir uma gargalhada gostosa vindo dela.
- Meu Deus! Você não é nem um pouco sutil. - ela disse.
- Me desculpe.
- Parece até que você só sabe falar isso, 'me desculpe, me desculpe'. - ela riu mais uma vez. - O que você quer?
Parei para pensar finalmente, afinal o que eu deveria estar fazendo alí?
- Eu... Eu não sei realmente o que eu quero.
- E esse é o seu problema. - ela disse - Você veio atrás de mim e não sabe o que quer, você estava com alguém e não sabia o que queria. Está tudo bem não saber o que quer, mas as vezes você tem que aprender.
Eu parecia fora de mim por estar pedindo aquilo a ela, uma pessoa que nem eu mesmo conhecia, mas eu precisava.
- Então me ensine como saber. - ela riu imediatamente daquela frase, ela fazia muito essa coisa de rir de qualquer coisa.
- Mas eu nem te conheço! - ela falou - Você é apenas um estranho para mim.
- Você mesma disse que não se sentia com um estranho quando está comigo.
Ela apenas balançou a cabeça como um sim e deixou que eu a levasse até sua casa naquela noite.

2. Midnight Show - Part I

Esse um ano desde que Jennifer havia me deixado havia passado tão rápido, mais rápido do que eu pensei que passaria. Eu havia acordado naquela manhã com uma dor infernal na cabeça e nas costas, parecia que eu havia sido espancado, mas na verdade eu só tinha bebido demais na noite anterior.
Tinha sido aniversário de e eu me sentia orgulhoso de ter dado o melhor presente que ela havia recebido em toda sua vida, que foi uma viagem até Los Angeles. Ela é claro, estava muito feliz, porém bêbada demais para agradecer e caiu de sono ao meu lado depois que chegamos de viagem.
Nós tínhamos nos tornado muito bons amigos durante esse tempo em que ela tentou me ajudar a superar Jennifer, coisa que nunca aconteceu. Eu teimava em procurá-la pela noite e observá-la andar por aí com sua saia incrivelmente curta, e depois ter que ver queimando de ciúmes quando eu chegava em casa.
- Você foi vê-la de novo? O que eu te disse, Brandon? - ela falou, me ajudando a tirar minha jaqueta e por no cabideiro do apartamento que dividíamos agora.
- Eu sei, eu sei. - falei impaciente.
Ela foi até a cozinha pôs a xícara que estava em cima do balcão na pia, indo para o banheiro depois e se trancando lá por no mínimo uma hora.
Eu estava deitado quando vi ela saindo do banheiro de banho tomado e em um vestido suave enquanto secava seus cabelos. Vi ela calçando os sapatos sem falar nada, e só quando ela pegou sua bolsa e as chaves eu decidi perguntar aonde ela ia à àquela hora.
- Aonde você vai?
- Ainda não sei, preciso respirar um ar. - falou sem me olhar.
- Eu não quero que você vá, tá tarde. - falei.
- Não se preocupe, eu arranjo um lugar para ficar.
- Onde? Você não sai muito e não tem amigos que eu conheça. - perguntei.
- Hm, eu tenho visto um cara, Brandon. Nós estamos saindo e eu liguei para ele. - ela falou me encarando pela primeira vez durante aquela conversa - Talvez eu queira dormir por lá.
- Mas você não quer. - eu disse, indo até ela que tinha se encostado na parede.
- Óbvio que eu não quero, quero ficar em casa em paz. Mas ultimamente a convivência com você tem sido difícil. - ela disse suspirando.
- Não entendo porque.
- Porque eu obviamente tento te ajudar, mas tudo que você faz é correr atrás dela! - ela falou se exaltando.
- Não, não é isso que eu não entendo. Eu não entendo porque você se preocupa tanto com isso.
Ela abriu e fechou a boca algumas vezes, mas eu sabia que ela não falaria nada porque eu já sabia a resposta. Ela havia se apaixonado por mim sem eu nem ao menos ter tentado fazer com que ela se apaixonasse, e era claro quando ela ficava com ciúmes ou cansada da minha obsessão pela Jennifer.
- Eu sou sua amiga, nos tornamos amigos por causa disso, é natural que eu me preocupe. - ela sempre tinha uma resposta na ponta da língua para tudo.
- Você não está nem remotamente apaixonada por mim? - perguntei e ela riu.
- Claro que estou, seu idiota! Desde o maldito dia em que eu te vi naquele restaurante, mas não que isso fosse fazer alguma diferença. - ela falou abrindo a porta.
Eu não queria que ela fosse, eu não saberia o que fazer para trazer Jennifer de volta sem ela, então eu tive que apelar. A puxei pelo braço e encostei na parede, fechando a porta com uma mão e com a outra segurando sua cintura. Nós não tínhamos muitos momentos como esse e ela naturalmente amolecia ou fugia de mim quando qualquer coisa parecida acontecia.
Ela tentava não olhar nos meus olhos, o que fazia ela abaixar o olhar para minha boca, me fazendo encarar a boca dela também. Então sem mais, eu encostei nossos lábios. Ela tentou virar o rosto antes, mas sem sucesso, fazendo com que eu pressionasse mais os lábios dela obrigando-a a abri-los mais e fazendo com que pudéssemos ter um beijo de verdade. As mãos dela que estavam empurrando meus ombros escorregam por eles e logo abraçaram meu pescoço, minha língua encontrou a dela depois que ela finalmente parou de lutar.
Não foi elétrico como beijar Jennifer, mas foi muito mais suave. O encaixe dos lábios dela eram perfeitos para os meus e sua língua se movimentava de acordo com a minha, fazendo tudo aquilo parecer tão mais fácil do que já era.
Não demorou muito para que estivéssemos deitados na cama, agitados tentando tirar um a roupa do outro. Eu talvez fosse me arrepender daquilo mais tarde porque sabia que ela iria se apaixonar mais do que já estava apaixonada e eu ia continuar pensando na Jennifer. Já sem roupas, eu a penetrei devagar enquanto ela arranhou minhas costas e soltou um gemido moderadamente alto.
Era a segunda mulher com que eu já havia transado e era completamente diferente do que eu tive com Jennifer. Alternei meus movimentos e ela gemeu de um modo sedutor no meu ouvido, fazendo com que eu ficasse cada vez mais excitado. Ela era quente e eu podia sentir cada célula do seu corpo se arrepiando a cada toque meu, o sexo com ela era maravilhoso.
Tudo nela era ótimo, os seios, a textura das pernas dela e como minhas mãos deslizavam, o bumbum farto, exatamente tudo! Algum tempo depois eu já estava cansado, mas ainda não tinha chegado ao meu máximo, então aumentei a velocidade dos meus movimentos fazendo com que ela fizesse seus próprios movimentos contra meu corpo e me fazendo chegar ao ápice, tombando para o lado na cama.
Tudo que fiz depois foi apagar e não me lembrar mais de nada.

2. Midnight Show - Part II

Acordei com rindo no telefone com alguém, me levantei e pude ver ela vestida com sua habitual camisola de seda vermelha. As unhas das mãos estavam recém pintadas, tanto que no dia anterior estavam só com base e agora estavam vermelhas também, e suas pernas de fora brilhavam com o sol que entrava no apartamento.
Me desliguei dos meus pensamentos quando ela entrou no quarto ainda segurando o celular e fingi estar dormindo.
- Ah sim, eu sei. - ela riu como sempre fazia, mas com um sorriso diferente no rosto - Claro que não, me desculpe. Prometo que hoje nós vamos nos encontrar, eu sei, também sinto sua falta. Beijos.
Ela então desligou o celular e eu tentei parecer que estava acordando.
- Bom dia, flor do dia. - ela falou, vindo até mim e beijando a ponta do meu nariz - Tenho planos para você hoje.
- E o que seria? - perguntei.
- Quero que você vá até onde Jennifer está trabalhando. - me surpreendi com o que ela estava falando - E então, sente em um lugar onde ela possa te ver, mas que seja encostado na parede, mas não encoste no encosto da cadeira até ela estar perto, ok?
- Por que?
- Eu quero te ajudar a reconquistar ela. - ela falou calmamente como se nada da noite passada tivesse acontecido.
- Mas... Eu não estou entendendo.
- Só faça o que eu digo, ok? - ela perguntou me fazendo confirmar com a cabeça.
Mais tarde naquele dia, fui ao cassino onde Jennifer estava trabalhando e me sentei em uma mesa no canto. Fiquei observando o movimento até que ela veio me atender.
- Brandon! O que faz aqui? - Jennifer disse surpresa.
- Vim me divertir com os amigos, mas parece que eles me deixaram na mão mais uma vez. - inventei a primeira desculpa que me veio em mente, afinal, a única amiga que eu tinha no mundo é que havia planejado aquilo.
Quando fui encostar minhas costas no encosto do sofá onde estava sentado, senti uma dor muito forte e Jennifer pela minha cara de dor me perguntou o que havia acontecido.
- Eu... Eu não sei.
- Hm, não posso fazer isso, mas venha comigo até a sala de funcionários, então eu posso ver o que tem de errado com as suas costas, ok? - ela perguntou e eu assenti.
Esperei ela deixar o bloquinho e a bandeja num local, e depois pedir para outra pessoa cobrir as mesas dela e fui com ela para os fundos. Tirei a camisa e ela me encarou como se nunca tivesse me visto sem blusa antes.
- Parece que alguém aqui entrou em forma. - ela brincou, mas eu senti um fundo de malícia em sua voz. - Vira, deixa eu ver o estrago.
Ela soltou um 'Ah, Meu Deus!' quando eu virei de costas para ela.
- O que tem de errado? - perguntei.
- O que tem de errado? O que você andou fazendo? Ou melhor, com quem andou fazendo? - ela fez uma cara nada amigável para mim - Suas costas estão com um arranhado enorme e fundo!
Me recordei da noite anterior e em que me disse hoje de manhã, e quase sorri por aquilo tudo ser um plano dela. Afinal, ter dormido com ela estava me causando uma conversa com Jennifer, apesar de eu estar me sentindo mal por tê-la usado.
- Eu, hm... Estou saindo com uma pessoa. - falei.
Jennifer pareceu pensar sobre isso.
- Que bom, bom eu... Eu estou dando um tempo com o meu namorado. - ela disse, sem eu nem ao menos ter terminado de falar ou perguntado.
- Bom, eu também estou dando um tempo com essa pessoa. Até ando precisando de um lugar para ficar por uns tempos. - falei fingindo estar preocupado com o problema que nem ao menos existia.
- Eu estou precisando de um colega de quarto. - ela sorriu - Se precisar.
- Nossa Jenn... Jennifer, isso seria ótimo!

Conversamos um pouco sobre como nossas vidas andavam e sobre quando eu poderia me mudar e então fui embora. não estava em casa quando eu cheguei querendo contar as novidades para ela e quando eu fui dormir ela ainda não tinha chegado, acordei de manhã procurando algum sinal dela, mas ela não tinha aparecido.
Liguei para o celular dela tentando saber se ela estava bem, mas tudo que consegui foi um cara com uma voz sonolenta me perguntando quem eu era e é claro que eu não falei nada.
Ela não havia me dito que ia passar o final de semana com um outro cara, muito menos que iria sair por aí. Então quando ela chegou na segunda de manhã com um sorriso maior que o rosto, apenas a ignorei. Não que ela se importasse, porque ela mesma me ignorou e foi direto para o quarto dela, quando saí para ver as coisas da mudança no outro dia encontrei um bilhete dela dizendo que não voltaria para casa até a metade da semana.
Eu estava realmente puto quando cheguei no endereço novo de Jenny, mas a imagem dela esperando por mim logo me fez esquecer o que estava na minha cabeça antes.
As semanas se passaram e logo já fazia um mês que eu estava ali, e que eu continuava a ignorar as ligações e mensagens de sobre onde eu estava até que ela parou de me atormentar.
As coisas com Jenny estavam indo realmente bem e nós até tínhamos dormido juntos algumas vezes, mas segundo ela não tínhamos nada sério. Claro que eu estava mais apaixonado do que nunca e não conseguia viver sem ela, mas não poderia mostrar isso ou a assustaria. Um dia quando fui buscá-la no trabalho, tive a infelicidade de vê-la beijando o cara que eu conhecia como sendo Robert, o (ex) namorado dela.
Meu mundo desmoronou mais uma vez e eu não sabia para onde ir, apenas me lembrei de que faria qualquer coisa ficar melhor e fui até onde eu costumava morar com ela.
Bati na porta três vezes até que ela viesse atender com os olhos vermelhos e inchados, parecia que ela havia chorado por dias. Ela me encarou por alguns minutos e veio para cima de mim, me dando um tapa bem em cheio no rosto.
- Seu filho da puta miserável, como você pode sumir sem me dar notícias?! - ela gritou e depois me abraçou.
- Me... Me desculpe. - foi a única coisa que eu disse.
Ela me deixou entrar e ouvi toda a minha história mais uma vez, mas dessa vez parecia que ela já sabia exatamente o que havia ocorrido porque ela não se espantou com nada. Só algumas vezes ela disse um 'Já esperava isso dela' ou 'Você é um idiota'.
Eu realmente estava cansado daquilo e então ela me beijou antes que eu pudesse ficar realmente surpreso. O sexo com naquele dia foi incrível, nós dois conseguimos chegar ao ápice juntos e ainda ficamos deitados por um tempo, antes que ela pudesse dar a grande idéia de nossas vidas.
- Porque você não a mata? - ela disse como se estivesse dizendo para eu ir buscar o jornal.
Eu ri como se ela estivesse brincando, mas em vez dela rir junto, ela apenas continuou me encarando séria.
- Eu falei sério. Você sabe que só assim pode se ver livre dela, só assim pode ficar em paz. - ela falou, ainda mais séria que antes.
Me peguei avaliando a situação e de repente até mesmo planejando os meios de matar Jennifer. Era fato que eu não conseguia viver sem amá-la, mas se fosse para ela ficar com outro homem eu a preferia morta, eu ficava cego de ciúmes. Então eu a encarei mais uma vez antes de concordar com a cabeça.
- Você sabe que nunca vai poder tê-la de volta, mas sabe também que assim ela nunca vai estar com um outro alguém.
Assenti mais uma vez.
Cheguei no apartamento da Jennifer por voltar das 20h, porque eu sabia que ela estaria lá a essa hora e a encontrei deitada no sofá comendo sorvete. Cheguei perto do seu ouvido e disse 'Eu sei o que você quer, vou ter levar ao show da meia-noite' e ela logo se levantou indo até o banheiro para se trocar, no mínimo ela achava que eu ia levá-la até algum show no centro.
Entrei no banheiro para lavar as mãos que estavam suadas de preocupação e ela estava sorrindo de dentro do chuveiro, me chamando com as mãos. Não pude resistir mais uma vez, acabei cedendo e fizemos sexo no chuveiro. Depois daquilo, ela se vestiu com aquela mesma saia curta de sempre e uma blusa qualquer, e saímos.
Liguei para uma hora depois. Precisava que ela fosse de carro me buscar, porque eu não conseguiria carregar Jennifer por aí sem que nos vissem. Eu estava meio em choque sentado na garagem do prédio, com a cabeça de Jennifer deitada no meu colo e fazendo carinho na cabeça dela quando chegou. Ela aparentava estar calma, mas na verdade não estava, por algum motivo que eu não pude identificar ela estava triste, parecia mais chateada que o normal.
- Se você conseguir guardar esse segredo... - fui interrompido.
- Eu tenho um cobertor no banco de trás, vamos enrolar ela e depois enterrar. - ela disse sem rodeios, evitando falar mais do que o necessário.
A enrolamos no cobertor e a botamos no porta-malas, se sentou no banco do carona sem dizer nenhuma palavra e eu fui dirigindo até o deserto.
- Dirija mais rápido. - ela disse, e logo estávamos perto do local onde ela me disse para parar.
Tínhamos passado quase a noite toda no carro tentando encontrar um lugar distante o suficiente para enterrar Jennifer. realmente havia vindo preparada, trouxe duas pás e um terço.
Tiramos Jennifer de dentro do carro e começamos a cavar sem dizer uma palavra se quer, olhei o rosto angelical dela que agora não se movia, mas continuava com os olhos abertos mostrando aquele olhar azul encantador.
Por volta das 3 da manhã tínhamos cavado uma cova relativamente boa e me pediu para que rezasse por Jennifer, afinal, cresci rodeado por pessoas religiosas e ela não era muito de frequentar a igreja. fez uma boa escolha de local para enterrar Jennifer, ela realmente adoraria ser enterrada debaixo desse céu estralado lindo.
Jogamos ela na cova e voltamos a tapar o buraco que fizemos, terminando e indo embora em silêncio.
Depois de termos chegado em casa, foi tomar um banho rápido e eu decidi beber um pouco do Bourbon que ela tinha comprado. Então quando ela saiu do banho e me olhou com aquele olhar indecifrável eu apenas me dirigi ao banheiro para me lavar também.
Ela estava deitada na cama quando eu terminei meu banho e eu já tinha começado a me sentir desconfortável com todo aquele silêncio entre nós.
- Me prometa que você vai ficar para consertar tudo que eu machuquei. - falei para ela.
- Eu vou fazer isso tudo sumir, não se preocupe.

3. Jenny Was a Friend of Mine.

- Nós demos uma volta naquela noite, mas não foi o mesmo. Tivemos uma briga na chuva no meio da calçada, naquela noite. - pigarreei - Ela disse que me amava, mas que tinha outro lugar para ir.
- E então? - a mulher de cabelos negros e olhos incrivelmente castanhos, sentada à minha frente me perguntou.
Senti meus lábios tremerem.
- Ela não pode gritar enquanto eu a segurava, eu jurei que nunca a deixaria ir.
A mulher na minha frente não disse mais nada, olhei as algemas que envolviam minhas mãos por um momento e voltei a encará-la.
- Creio que você sabe dos seus direitos, não Sr. Flowers?
- Eu sei dos meus direitos, eu estive aqui o dia inteiro! E acho que já é hora de eu ir, então por favor me diga se está tudo bem. - respondi um pouco inquieto.
- Eu só gostaria de saber os seus motivos, antes de tomar qualquer iniciativa sobre seu caso. -a mulher disse.
- Não tenho motivos para um crime como esse, Jenny era uma amiga minha! Vamos lá! - falei me exaltando e me levantando da cadeira.
- Por favor, sente-se.
Me sentei passando meus olhos naquela sala de paredes cor cinza, reparando que não era como as salas de interrogatório comuns, essa sala não tinha espelhos como aqueles que os policiais ficam atrás.
- Eu não aguento mais ficar por aqui, eu juro que disse a verdade! - falei mais uma vez - Me diga o que você quer saber!
A mulher se levantou fechando o relatório que estava lendo e o deixando em cima da mesa, e abotoando alguns botões de seu blazer preto.
Ela sussurrou no meu ouvido 'Eu sei o que você está fazendo aqui' e se afastou apertando um botão próximo a porta e falando com alguém do lado de fora. Ouvi ela dizer 'Podem soltar o Sr. Flowers, por favor' e antes que alguém viesse me buscar para me soltar, eu tive que perguntá-la.
- Por que está me soltando? Eu praticamente confessei um crime. - perguntei e mulher sorriu de lado.
- Não há crime sem corpo, Sr. Flowers.
Quando fui assinar a papelada do meu depoimento, que parecia muito menor do que tudo que eu havia falado, pude ver que a mulher que havia me interrogado falava com o delegado na saída da sala dele.
Ele a olhava desejoso e ela apenas ignorava a expressão dele e falava algo que não o deixou muito satisfeito, então ela lhe entregou um papel e ele entrou em sua sala com cara de poucos amigos. Depois disso, eu apenas fui embora sem olhar para trás.

Epílogo

Olhar Brandon deitado, apagado, ao meu lado era relativamente fácil agora que o 'empecilho' Jennifer não estava mais nas nossas vidas.
Entendam-me, enterrar uma irmã não é algo fácil, planejar sua morte com o homem que você ama e que é ex dela, é pior ainda. Claro que a obsessão de Brandon por ela e meu amor ardente por ele fizeram tudo se justificar perfeitamente.
É mais que óbvio que Brandon nunca me perdoaria se eu dissesse que Jennifer sempre esteve entre meus planos de tê-lo para mim, desde a primeira vez que eu o vi no Ensino Médio.
Eu era tão ou até mais invisível que ele, eu falei sobre ele com ela e minha irmã como sempre encarou como um desafio. Eu realmente achei que ela o deixaria depois de uma semana, mas ela foi além, me machucando e o machucando por ainda mais tempo.
Ela não o queria, obviamente, nunca quis. O que ela gostava era da estabilidade que tinha com ele toda vez que voltava da sua vida ridícula de farras.
Ela se tornou garçonete e eu uma detetive respeitada, que por acaso fazia questão de ir todos os dias onde ela trabalhava para mostrar o meu sucesso para ela, assim ela não se esqueceria que por mais que sempre me desmerecesse eu sempre seria melhor do que ela em qualquer coisa que eu fizesse.
Brandon não encarou muito bem o fato de eu na verdade ser uma detetive, quando teve que depor na minha presença, mas eu dei um jeito de convencê-lo de que era melhor fazer isso comigo e não com outra pessoa.
Mas talvez o que mais tenha me deixado feliz, não foi o fato de no depoimento ele ter dito que Jenny era apenas uma amiga, mas sim o repentino ciúmes que ele teve de um colega de trabalho meu. Depois daquele momento eu soube que Brandon era meu e nunca mais seria de Jennifer.
Meus pais estavam mortos e a única pessoa que sabia que Jenny era minha irmã, no caso ela mesma, está morta. Apesar disso, eu mantenho discrição sobre a minha família quando Brandon pergunta.

Afinal, por volta das dúvidas, Jenny era só uma amiga minha.

Fim.

 

Comentários da autora

Nota da autora: Obrigada a todas vocês que leram, gostaram e comentaram em Jenny Was a Friend of Mine! Obrigada a você que leu e não comentou também, afinal, você pelo menos deu uma chance para a fanfic.
Eu já tinha essa fanfic finalizada há algum tempo, mas resolvi dar um final diferente do que eu escrevi, ela tem sim um final alternativo que eu pretendo publicar no meu blog.
Para ler mais das minhas fanfics, visite o meu blog:
http://coffeesforcloser.blogspot.com/
Mais uma vez, um muito obrigada por ter lido!
Beijos, Gab.




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