Into Your Arms

Escrito por Danielle - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Natashia
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One

There was a new girl in town
She had it all figured out
She had the most amazing smile [?]
But she made me change my ways
With eyes like a sunsets

Por minha causa. Eu simplesmente havia estragado tudo. E agora nem poderia colocar a culpa em ninguém ? eu havia feito todo o serviço sozinho. É, era uma boa forma de me descrever agora: sozinho. Desde o dia em que decidi deixá-la, por mais que eu estivesse cercado de pessoas numa festa, com os garotos jogando cartas ou vídeo games na minha casa, em cima do palco num show para milhares de pessoas, eu só conseguia me sentir assim ? sozinho. Mas eu sabia que era o mínimo que poderia agüentar depois de cometer um erro tão estúpido.
Levantei-me da cama sem vontade alguma e fiquei pensando ? de novo ? em como seria se ela estivesse aqui, se tivesse dormido comigo. Ela provavelmente teria me acordado às oito da manhã ? nunca me deixaria deitado até às 11 ? me dizendo que queria um beijo. Esse sempre foi motivo suficiente para me despertar imediatamente. Fui até o banheiro e peguei minha escova de dentes e minha pasta dentro de uma das gavetas da bancada, e as memórias me atacaram com toda a força que poderiam ter.

x Flashback on xX
- Você nunca vai conseguir acertar isso. ? ela disse quando apanhei a espingarda e pedi ao carinha que vendia as ?balas? para me dar três.
- Vou sim. E vou ganhar aquele urso ali pra você. ? eu respondi mirando o alvo que indicava os grandes bichos de pelúcia como prêmio.
- Você pelo menos já fez isso antes, ?
- Shhh. Deixa eu me concentrar. ? pedi como se minha vida dependesse daquilo.
Ela abafou o riso. O gesto foi tão lindo que eu sabia que seria impossível ter foco em outra coisa que não fosse a presença dela ao meu lado.
estava usando um perfume fantástico aquela noite. Os olhos brilhando de empolgação, os cabelos caindo pelos ombros, e o vestido rosa que ela usava tornavam-na tão delicada e frágil que eu só não ofereci para ficarmos no meu apartamento porque aquele era nosso primeiro encontro e eu tinha certeza que a espantaria se o fizesse.
Dei os três tiros e não acertei nenhum.
- Caramba, isso aqui é muito difícil. ? resmunguei. - Acho que não ganhei seu urso.
- Hum. ? ela murmurou pensativa. ? Mas não tem problema não. O importante é que você tentou. ? sorriu para mim em compreensão.
Ofereci ao cara da barraca cem dólares pelo urso e ele não pensou duas vezes ao aceitar. Até perguntou se eu não queria que ele embrulhasse o treco com papel de presente, mas eu disse que não era necessário. riu do acontecimento o resto da noite.
Passamos horas no parque de diversões. Conversamos sobre um monte de coisas e, quando a levei para seu apartamento, não queria que o encontro tivesse acabado tão rápido.
- Vou te ver amanhã no bar? ? ela perguntou antes de abrir a porta.
- Vai sim. Eu vou viajar para a Pensilvânia em show no próximo fim de semana, mas posso te ligar pra gente sair de novo assim que eu voltar?
- É claro que pode. O que você não pode é me pedir permissão para me ligar. Faça isso quando quiser; você tem créditos comigo. ? ela abraçou o urso de pelúcia indicando o motivo principal para que eu tivesse saldo positivo com ela.
Aproximei-me para dar-lhe o tão esperado beijo e ela o correspondeu docemente.
Xx Flashback off xX

Despertei de minhas recordações quando escutei o barulho da campainha. Para o porteiro ter permitido a entrada, provavelmente devia ser um de meus amigos da banda. Cuspi o que restava de espuma de pasta de dentes da minha boca e, depois de lavá-la bem rápido, corri para atender.
- E aí, cara?! ? deu um tapa nas minhas costas e ganhei mais três deles quando , e passaram por mim, adentrando meu apartamento sem que eu desse autorização.
- Quem chamou vocês?
- A Lucy. Ela adora quando a gente vem pra cá e deixa teu apê uma zona. ? Garret respondeu arrancando risadas dos outros três folgados.
- Se ela pudesse mataria cada um de vocês devagarzinho, pra dar muita dor, isso sim. ? respondi já sentindo compaixão da coitada da empregada.
- Deixa de ser amargurado e vem ver o jogo. Acabou de começar.
Pensei em dizer que não estava a fim, mas eu sabia que eles não me dariam paz enquanto eu não me juntasse ao grupo. Então, fui até a cozinha, catei uma caixa de refrigerantes e voltei para a sala para me juntar aos meus amigos. Meu corpo estava ali, estampando um sorriso forçado; minha mente estava do outro lado da cidade, numa garota indo para a faculdade.

Two

She made her way to the bar
I tried to talk to her but she seemed so far
Outta my league
I had to find a way to get her next to me

- Cara, você está um lixo. ? Garret me disse.
- É mesmo? ? perguntei sarcasticamente virando algumas batatas na frigideira.
- Você nunca se prontifica para fazer as batatas fritas quando estamos jogando vídeo game na sua casa, depois de ter passado o dia todo enchendo o seu saco. Se a situação já está assim, é porque lixo já virou apelido para o seu estado.
- Isso não está ajudando, dude.
- Me deixa terminar isso e vai dar uma volta com o meu carro. Você precisa refrescar os neurônios um pouco.
- Tá certo. Mas só estou aceitando porque minhas batatas fritas são uma merda e eu sei que você só está oferecendo seu carro por isso.
- Some daqui, . ? Garret respondeu sorrindo para minha falta de jeito e incapacidade de dizer apenas ?obrigado?.
Quando entrei no Austin do meu amigo, eu não sabia muito bem para onde dirigir. Mas depois de algumas voltas pelo bairro, deixei de conter minha vontade e fui para onde queria estar ? para o bar onde ela trabalhava.
Garret comprava um carro novo todo mês, então ela provavelmente ainda não conhecia aquele. Por isso, arrisquei-me em parar próximo à calçada do estabelecimento e ficar olhando-a servir drinks lá dentro através da porta de vidro. Naquele momento, foi inevitável não me lembrar do dia em que nos conhecemos.

Xx Flashback on xX
- Nós acabamos de comprar apartamentos na cidade, então temos que conhecer os lugares bons de freqüentar. ? justificou-se.
- Cara, se você quer beber, só fale. Não precisa ficar dando desculpas. ? acusou o amigo.
- Está certo. Eu quero encher a cara hoje e não conheço lugar melhor que aqui. Já vim algumas vezes, então vocês vão ver do que eu estou falando.
Paramos na vaga mais próxima ao bar e quando nos sentamos perto da bancada, ela veio nos atender.
- Boa noite, gente. O que vão querer? ? ela perguntou com um sorriso nos lábios.
- Boa noite. Você é nova aqui, estou certo? ? perguntou; a voz saturada de gentileza.
- É, faz uma semana que comecei a trabalhar no bar.
- Caramba, já tem uma semana que a gente não vem cá, velho! ? cutucou .
- A gente viajou duas semanas em show, seu idiota. ? dei um tapa na cabeça de e ele reclamou com um ?ai?. A garota riu da situação.
- Qual é o seu nome, gata? ? Garret perguntou. Estava demorando!
- .
- Então, , traz três cervejas. ? ele disse piscando para a garota.
- Uma pra cada um desses retardados. Eu não vou beber. ? emendei.
- Os ?retardados? são Garret, e , certo? E você é . ? me olhou fixamente ao dizer as palavras. Percebi que meu coração disparou, minhas mãos começaram a suar em bicas.
- Co-como você sabe? ? gaguejei feito um imbecil.
- Quem não conhece The Maine? ? ela disse e foi pegar as bebidas.
Depois disso, não consegui mais tirar aquele rosto da minha cabeça.
Xx Flashback off xX

Conferi as horas em meu relógio de pulso. Eu já havia saído de casa há algumas horas e sabia que precisava voltar, ou os folgados dos meus amigos jogariam o prédio inteiro no chão. Mas eu simplesmente não conseguia ir embora. Eu precisava falar com ela. Precisava dizer o quanto sentia sua falta, o quanto ela significava para mim. Porém, eu sabia também o que ela iria me dizer: se isso é verdade, por que você demorou seis meses para voltar aqui então? Aliás, por que você não entendeu meus motivos para não te acompanhar para todos os cantos que você fosse? De onde saiu toda a maturidade para encarar um relacionamento em que eu quisesse ter moradia fixa, emprego fixo, em que eu pudesse ter minha vida também? E foi porque eu sabia que ela teria razão se me acusasse de tudo isso que eu ainda não havia encontrado coragem para implorar que ela me aceitasse de volta.
Minha felicidade saiu pela porta do meu apartamento segurando uma mala e com uma bolsa pendurada no ombro havia seis meses. Eu sabia que só teria paz de novo quando a visse voltar, e enquanto isso não acontecesse só me roeria por dentro, dia após dia. E foi por tudo isso que decidi esperar no carro de Garret enquanto até a hora do expediente dela terminar.

Three

I'm falling in love
But it's falling apart
I need to find my way back to the start
When we were in love
Things were better than they are
Let me back into
Into your arms

Ainda faltava uma eternidade para ser liberada no trabalho ? ou talvez aquilo de que o tempo sempre passa mais devagar quando estamos olhando fixamente para o relógio fosse verdade.
O movimento no bar já havia cessado, e então a vi colocando o lixo para fora ? sua última tarefa. Ela já estava com a bolsa em uma das mãos e os cabelos soltos. Saí do carro de Garret rapidamente e gritei de onde estava:
- !
- ?! ? ela disse, franzindo o cenho, como se não acreditasse no que estava vendo.
- Posso falar com você um minuto? ? perguntei temeroso.
- Pensei que nunca mais fosse ver você. Pessoalmente, quero dizer.
- Era isso o que você queria?
- Não. É lógico que não. Mas é que não achei que você fosse me procurar mais. ? eu já estava esperando por aquilo, mas ainda assim foi duro de escutar.
- Pensei que fosse óbvio para você que eu viria correndo para te implorar que me perdoe.
- Você deve ter vindo correndo literalmente da China até aqui então. Demorou quase seis meses para aparecer. ? ela me encarou com um sorriso forçado.
- Antes tarde do que nunca, certo? ? sorri amarelo em resposta.
- Nem sempre é assim que as coisas funcionam.
- Olha, . ? respirei fundo antes de continuar: - Eu não sei como foram os últimos meses para você, mas sei como eles foram para mim. Sei que eu não agüento mais a idéia de que te perdi pra sempre porque sou um estúpido, egoísta e mesquinho. Sei que foi a época mais difícil que já enfrentei e que eu quero desesperadamente os velhos tempos de volta. Quero viver de novo aqueles dias em que minha preocupação maior era terminar um show logo para vir até aqui, te beijar depois que você coloca o lixo para fora.
- E para onde foi aquele papo de que nosso relacionamento está evoluindo, o que significa que precisamos pensar no futuro e nesse futuro eu devo estar sempre você está?
- Você sempre está onde eu estou. Eu não consigo te tirar da minha cabeça! ? eu ri de nervoso ao mencionar algo tão óbvio. - E o mais engraçado, obsessivo e doentio é que eu não quero parar de fazer isso também! Mesmo que me machuque, eu quero continuar pensando em você.
- Eu não sei o que eu faço com você, ! ? ela falou com os olhos cheios de lágrimas e a voz afetada. ? Eu quero muito fazer parte da sua vida, mas não sei se isso vai ser possível um dia. Mesmo que esteja tudo bem pra você eu continuar morando aqui e tendo a minha vida. Indo pra faculdade, me formando depois e trabalhando fixamente em algum lugar, eu não sei se quero passar o resto dos meus dias sentindo a sua falta. É isso que acontece a cada vez que aparece um show não-sei-aonde e eu não posso ir junto porque tenho aulas e tenho meu emprego aqui, que por mais temporário que seja, é o meu jeito de pagar minhas despesas.
- Entendo. ? respondi sentindo as lágrimas enchendo os meus olhos e abaixando a cabeça para que ela não visse aquilo.
- Mas o mais engraçado, obsessivo e doentio ? ela copiou minhas palavras erguendo o meu rosto com as duas mãos ?, é que eu prefiro sentir sua falta o resto da minha vida e esperar você voltar para sempre do que não esperar nada, do que não ter ligação alguma com você mais.
- Esses últimos meses foram uma tortura. ? eu disse por fim.
- Foram sim. ? ela assentiu e enxugou a minha face com os dedos.
- Quer dizer então que você vai me perdoar?
- Eu te perdoei no instante em que saí pela porta do seu apartamento. Só que eu continuo decidida a me formar, construir minha carreira e ter moradia fixa.
- Eu posso conviver com isso.
E então ela me beijou. Havia meses que eu não sentia aquela sensação de reconforto e serenidade. conseguia fazer com que qualquer preocupação desaparecesse, qualquer estresse cessasse, qualquer dor se apagasse. Eu estava inteiro de novo. Pensei em como havia sido orgulhoso e em como aquilo havia me despedaçado aos poucos. Quando os lábios dela me tocaram, senti todos os meus fragmentos se juntando; eu estava vivo de verdade novamente.
- Eu fiz uma música pra você nestes últimos tempos. ? eu disse depois de recobrar a coerência.
- Jura? ? ela perguntou sorrindo; os olhos brilhantes de excitação.
- Quer ouvir?
- Você canta pra mim antes de eu dormir? ? eu sabia exatamente o que aquelas palavras significavam.
- Podemos ir pro seu apartamento? Os meninos estão no meu. ? eu estava com tanta pressa agora que falei tudo como se fosse uma única palavra.
- Claro que podemos.
Eu cantei para ela, depois que nos beijamos por um bom tempo, as roupas que usávamos espalhadas pelo quarto, meu corpo suado e satisfeito. murmurou ?eu te amo? ofegante e aninhou a cabeça no meu peito.
- Eu também te amo ? respondi, e comecei a cantar a música; a história da minha vida, das nossas vidas.
- ...Let me back into, into your arms. ? ela repetiu comigo no finalzinho da canção.
Instantes depois, eu adormeci, feliz e completo, como deveria ter ficado sempre.

 

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Nota da Beta: Qualquer erro, enviem um e-mail: natashiamk@gmail.com




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