I Like The Ones

Escrito por Jessie Prade - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Marii Luck
[1]

One.

- Não, não, não. Nope, não, jamais. Nunca. Hm, talvez... Não, não, esquece. - ele dizia, apontando para as garotas no salão, uma por uma. - Não. De jeito nenhum. É... Nem fodendo.
- Ta bom, Gibbs. - o empresário, Tanner Radcliffe, suspirou - Que tipo de garota você quer, exatamente?
- Exatamente eu não sei. - o músico alisou o bigode - Hm, de preferência . Alta, mas não muito. Magra, mas também não um palito... - pensou mais um pouco - Ah, olhos , isso é essencial. E um sorriso bonito, sabe? E...
- Ei, amigo! - Tanner riu, e deu um tapinha no ombro do outro - Estamos procurando uma garota para gravar um videoclipe, não a sua futura esposa. - disse.
Mas Austin já não estava mais prestando atenção.
Ele tinha os olhos fixos na garota que acabara de entrar no bar, acompanhando cada passo dela ao cruzar o salão. Vestindo um short jeans claro, botas e uma regata branca, aquela mulher era o conjunto perfeito de tudo o que eles haviam passado o dia inteiro procurando.

- É ela. - apontou. - É ela que eu quero.
- Ok, primeiro: pare de apontar. - o empresário abaixou o braço dele - Segundo: não acho que ela esteja aqui pelo nosso vídeo. - completou, enquanto observava a garota se inclinar no balcão para pedir algo ao barman.
- Provavelmente não, mas quem se importa? - Austin levantou, e foi até ela.
- Ah, idiota. - Tanner resmungou, seguindo-o.
A garota havia acabado de beber dois longos goles de sua cerveja, quando notou a presença do homem ao seu lado. Olhou-o atentamente, apoiada de costas no balcão, e ergueu as sobrancelhas.
- Pois não?
- O que você vai fazer amanhã à tarde?
Ela estranhou.
- Você tá me cantando? Porque, se está, a pergunta não deveria ser o que eu vou fazer hoje à noite?
- Não. - Austin sorriu - Se eu estivesse te cantando, já saberia o que você iria fazer hoje à noite.
Ela riu.
- Mas você é bastante convencido, não é?
Ele apenas se apoiou de lado no balcão, sorrindo mais ainda.
Tanner se juntou a eles, e deu um tapinha nas costas do músico.
- Ele está brincando, não é? - sorriu amarelo, batendo nas costas de Austin com mais força - Diga, senhorita, como é seu nome?
- . - a garota respondeu, incerta se dava também o sobrenome ou não. Aqueles dois certamente não regulavam muito bem.
- Muito prazer, . Meu nome é Tanner Radcliffe, e este é Austin Gibbs. - o tal Tanner apontou o outro, o de bigode, que mantinha o sorriso despreocupado no rosto - Austin é músico, eu o represento pela 8123 Management.
- Que ótimo, parabéns. - bebeu mais um gole de cerveja, claramente não dando a mínima para o que ele dizia.
- Ok, sintetizando: - Austin se meteu, empurrando o empresário discretamente - Vou gravar um videoclipe aqui, nesse mesmo bar, amanhã à tarde, e gostaria que você fizesse parte dele.
- Hm... ? ela coçou o queixo ? O que tem nessa pra mim?
Tanner e Austin se entreolharam.
- Quer dizer que você topa? ? o empresário perguntou, surpreso.
- Depende. ? bebeu mais um gole de cerveja ? O que eu vou ganhar com isso?
Tanner coçou a nuca.
- Bem, o nosso orçamento é relativamente...
- Oitenta dólares por dia de gravação. ? Austin cortou, sorrindo para a garota. ? Mais as refeições, e toda a bebida que você puder consumir... ? acrescentou, apontando o bar ? Depois do expediente, é claro. Começamos amanhã ao meio-dia.
Tanner o olhou com cara de quem diz ?ficou maluco?? enquanto terminava sua bebida.
Como se os rapazes nem estivessem ali, ela deixou a garrafa vazia sobre o balcão, pagou pela cerveja, e saiu sem dizer nada, balançando os cabelos e os quadris.

Austin a observou desfilar por todo o caminho entre o balcão e a saída, sem se despedir dele, como se ele não fosse bom o suficiente ou digno de atenção. A garota nem mesmo o olhou uma última vez antes de cruzar a porta do bar e sair, deixando o convite feito por eles sem resposta alguma.

Quando sumiu completamente de seu campo de visão, ele sorriu, e balançou a cabeça.
- Acho que estou apaixonado.
Tanner gargalhou, dando-lhe tapinhas solidários nas costas.
- Sinto muito, meu amigo, mas aparentemente não foi recíproco.
O músico ficou em silêncio por um instante.
- Ela virá amanhã. ? disse, enfim.
- Como você tem tanta certeza?
Austin deu de ombros, ainda com o mesmo sorrisinho nos lábios.
- Eu não tenho.

Two.

No dia seguinte, quando Austin chegou ao bar com Tanner e toda a equipe de produção, faltando quinze minutos para uma da tarde, já estava lá. Recostada à lateral de seu Mustang 66 conversível, com um cigarro apagado na boca, ela procurava um isqueiro nos bolsos do casaco, bastante concentrada.

- Não falei que ela viria? ? Austin disse, sorridente, e desceu do carro antes mesmo de Tanner estacionar propriamente o veículo. ? Chegou cedo. ? começou, ao se aproximar da mulher.
ergueu o olhar, mas não retribuiu o sorriso que o rapaz tinha no rosto.
- Você não disse o horário. ? retrucou, com o cigarro ainda nos lábios.
- Você não perguntou. ? ele tirou um isqueiro do bolso dos jeans justos que vestia, acendendo-o frente ao rosto de .
Ela acendeu o cigarro, deu uma tragada profunda, e soprou a fumaça lentamente.
- Eu não estava interessada. ? disse, dando de ombros.
Austin ergueu uma sobrancelha, e cruzou os braços.
- E o que te fez mudar de ideia?
- Quatro palavras. ? respondeu, olhando em volta.
- Quatro palavras? ? ele pareceu surpreso, depois abriu um sorriso convencido. ? Bem, eu falei várias coisas ontem. ?Eu sou Austin Gibbs?? ?Quero você no videoclipe?? Vamos, quais foram as quatro palavras que te conquistaram?
A garota apagou o cigarro, jogando-o no chão e pisando nele com a ponta de sua bota de cano alto.
- Oitenta dólares por dia. ? disse, e saiu para falar com Tanner Radcliffe, deixando Austin ali sozinho.
O músico deu uma risada, e balançou a cabeça, tirando uma carteira de cigarros da jaqueta e se recostando ao carro de .

- - - - -

Passava um pouco de duas da tarde, ele já estava pronto, e ouvia o diretor de vídeo ? Joseph Cooper ? dizer qualquer coisa sobre o videoclipe, mas não prestava realmente muita atenção.
- ... Então no refrão vamos colocar você no palco, com algumas pessoas atrás, e todo mundo vai...
- Tá legal, Coop, eu gostei, está ótimo. ? Austin respondeu, dando um tapinha nas costas do diretor, com o olhar bem longe.

No outro lado do bar, uma loirinha ? assistente de cabelo e maquiagem ? arrumava o penteado de , enquanto ela ria de algo que Tanner falava, ambos sentados um de frente para o outro. Os dois haviam se dado muito bem, e Austin o odiou por isso.
Não era justo a garota não dar a mínima para ele, e estar interessada em Tanner. Não era justo, e ele precisava mudar aquilo.
- Desculpe, cara. ? disse, despedindo-se de Cooper, que ainda tentava lhe explicar o roteiro do clipe ? Se me dá licença, volto em alguns minutos.

, ao notar a aproximação de Austin, ajeitou o vestido vermelho curto que era o figurino do clipe, e plantou no rosto sua melhor expressão indiferente. O músico, contudo, ao se juntar a eles, virou-se para Tanner, ignorando a presença da garota, que fez uma careta confusa.
- Quando vamos começar? Tempo é dinheiro, meu amigo, e já estou começando a ficar entediado por aqui.
- Daqui a pouco. ? o outro respondeu ? Vá fumar um cigarro, ou pegar um ar, sei lá. Só estamos esperando Melissa terminar aqui com a , e podemos começar a gravação.
Austin então se virou para as duas garotas, e sorriu.
- Melissa, que prazer te conhecer! ? colocou uma mão no peito, e inclinou a cabeça num cumprimento educado ? Eu sou Austin Gibbs, tudo bem com você?
- Tudo... ? ela deu um sorriso bobo, sem prestar atenção ao que fazia, e puxou o cabelo de sem querer.
- Ai! ? a garota resmungou, e Melissa arregalou os olhos, horrorizada.
- Oh meu Deus! Desculpe, , eu juro que foi sem querer!
A bufou, e fechou a cara.
- Cai fora, Gibbs, está desconcentrando a moça.
- Desculpe. Mel... Posso te chamar assim? ? a assistente balançou a cabeça afirmativamente, e Austin deu um sorriso ? Estou te atrapalhando, Mel?
- Não! ? ela respondeu rápido, ficando vermelha. ? De forma alguma.
revirou os olhos, enquanto os dois ficavam de sorrisinhos um pro outro.
- Você não tem, tipo, outro lugar pra estar agora, não? ? perguntou, em tom entediado.
- Na verdade não. ? o músico deu de ombros ? Então, Mel, - abriu outro sorriso ao se virar para a loira ? você vai fazer alguma coisa mais tarde? Nós vamos ficar por aqui e beber alguma coisa, talvez você pudesse esperar e beber com a gente...
- Beber com você?
Melissa deu um sorriso. Ela sabia o que significava beber com Austin Gibbs, sua fama de conquistador circulava pela cidade. Assim como a de destruidor de corações. Mas ele era bonito demais, sexy demais.
Talvez não fosse uma ideia ruim, afinal.
- Beber comigo. ? Austin repetiu, dando uma piscadela cheia de segundas intenções.
A garota deu uma risadinha, e novamente puxou o cabelo de sem querer.
- Melissa! ? a brigou, ouvindo um pedido de desculpas sem graça da outra ? Vamos terminar isso logo enquanto eu ainda não fiquei careca, ok? ? afastou-se dali, puxando sua cadeira e resmungando coisas incompreensíveis, enquanto a garota a seguia carregando o resto das coisas.

Austin deu um sorriso satisfeito, e Tanner balançou a cabeça.
- Que merda você tá fazendo? ? o empresário perguntou.
O músico coçou a barba, analisando Melissa enquanto esta trabalhava.
- Psicologia reversa.
Tanner deu uma risada.
- Você é um idiota.
Austin, então, baixou o olhar para , sentada na cadeira com os braços cruzados em frente ao peito, encarando-o com uma expressão séria no rosto.
- Ser idiota está funcionando. ? respondeu, mandando um beijo para a garota, que rolou os olhos e, emburrada, passou a fingir que ele não estava ali.

Two.

No dia seguinte, quando Austin chegou ao bar com Tanner e toda a equipe de produ??o, faltando quinze minutos para uma da tarde, j? estava l?. Recostada ? lateral de seu Mustang 66 convers?vel, com um cigarro apagado na boca, ela procurava um isqueiro nos bolsos do casaco, bastante concentrada.

- N?o falei que ela viria? ? Austin disse, sorridente, e desceu do carro antes mesmo de Tanner estacionar propriamente o ve?culo. ? Chegou cedo. ? come?ou, ao se aproximar da mulher.
ergueu o olhar, mas n?o retribuiu o sorriso que o rapaz tinha no rosto.
- Voc? n?o disse o hor?rio. ? retrucou, com o cigarro ainda nos l?bios.
- Voc? n?o perguntou. ? ele tirou um isqueiro do bolso dos jeans justos que vestia, acendendo-o frente ao rosto de .
Ela acendeu o cigarro, deu uma tragada profunda, e soprou a fuma?a lentamente.
- Eu n?o estava interessada. ? disse, dando de ombros.
Austin ergueu uma sobrancelha, e cruzou os bra?os.
- E o que te fez mudar de ideia?
- Quatro palavras. ? respondeu, olhando em volta.
- Quatro palavras? ? ele pareceu surpreso, depois abriu um sorriso convencido. ? Bem, eu falei v?rias coisas ontem. ?Eu sou Austin Gibbs?? ?Quero voc? no videoclipe?? Vamos, quais foram as quatro palavras que te conquistaram?
A garota apagou o cigarro, jogando-o no ch?o e pisando nele com a ponta de sua bota de cano alto.
- Oitenta d?lares por dia. ? disse, e saiu para falar com Tanner Radcliffe, deixando Austin ali sozinho.
O m?sico deu uma risada, e balan?ou a cabe?a, tirando uma carteira de cigarros da jaqueta e se recostando ao carro de .

- - - - -

Passava um pouco de duas da tarde, ele j? estava pronto, e ouvia o diretor de v?deo ? Joseph Cooper ? dizer qualquer coisa sobre o videoclipe, mas n?o prestava realmente muita aten??o.
- ... Ent?o no refr?o vamos colocar voc? no palco, com algumas pessoas atr?s, e todo mundo vai...
- T? legal, Coop, eu gostei, est? ?timo. ? Austin respondeu, dando um tapinha nas costas do diretor, com o olhar bem longe.

No outro lado do bar, uma loirinha ? assistente de cabelo e maquiagem ? arrumava o penteado de , enquanto ela ria de algo que Tanner falava, ambos sentados um de frente para o outro. Os dois haviam se dado muito bem, e Austin o odiou por isso.
N?o era justo a garota n?o dar a m?nima para ele, e estar interessada em Tanner. N?o era justo, e ele precisava mudar aquilo.
- Desculpe, cara. ? disse, despedindo-se de Cooper, que ainda tentava lhe explicar o roteiro do clipe ? Se me d? licen?a, volto em alguns minutos.

, ao notar a aproxima??o de Austin, ajeitou o vestido vermelho curto que era o figurino do clipe, e plantou no rosto sua melhor express?o indiferente. O m?sico, contudo, ao se juntar a eles, virou-se para Tanner, ignorando a presen?a da garota, que fez uma careta confusa.
- Quando vamos come?ar? Tempo ? dinheiro, meu amigo, e j? estou come?ando a ficar entediado por aqui.
- Daqui a pouco. ? o outro respondeu ? V? fumar um cigarro, ou pegar um ar, sei l?. S? estamos esperando Melissa terminar aqui com a , e podemos come?ar a grava??o.
Austin ent?o se virou para as duas garotas, e sorriu.
- Melissa, que prazer te conhecer! ? colocou uma m?o no peito, e inclinou a cabe?a num cumprimento educado ? Eu sou Austin Gibbs, tudo bem com voc??
- Tudo... ? ela deu um sorriso bobo, sem prestar aten??o ao que fazia, e puxou o cabelo de sem querer.
- Ai! ? a garota resmungou, e Melissa arregalou os olhos, horrorizada.
- Oh meu Deus! Desculpe, , eu juro que foi sem querer!
A bufou, e fechou a cara.
- Cai fora, Gibbs, est? desconcentrando a mo?a.
- Desculpe. Mel... Posso te chamar assim? ? a assistente balan?ou a cabe?a afirmativamente, e Austin deu um sorriso ? Estou te atrapalhando, Mel?
- N?o! ? ela respondeu r?pido, ficando vermelha. ? De forma alguma.
revirou os olhos, enquanto os dois ficavam de sorrisinhos um pro outro.
- Voc? n?o tem, tipo, outro lugar pra estar agora, n?o? ? perguntou, em tom entediado.
- Na verdade n?o. ? o m?sico deu de ombros ? Ent?o, Mel, - abriu outro sorriso ao se virar para a loira ? voc? vai fazer alguma coisa mais tarde? N?s vamos ficar por aqui e beber alguma coisa, talvez voc? pudesse esperar e beber com a gente...
- Beber com voc??
Melissa deu um sorriso. Ela sabia o que significava beber com Austin Gibbs, sua fama de conquistador circulava pela cidade. Assim como a de destruidor de cora??es. Mas ele era bonito demais, sexy demais.
Talvez n?o fosse uma ideia ruim, afinal.
- Beber comigo. ? Austin repetiu, dando uma piscadela cheia de segundas inten??es.
A garota deu uma risadinha, e novamente puxou o cabelo de sem querer.
- Melissa! ? a brigou, ouvindo um pedido de desculpas sem gra?a da outra ? Vamos terminar isso logo enquanto eu ainda n?o fiquei careca, ok? ? afastou-se dali, puxando sua cadeira e resmungando coisas incompreens?veis, enquanto a garota a seguia carregando o resto das coisas.

Austin deu um sorriso satisfeito, e Tanner balan?ou a cabe?a.
- Que merda voc? t? fazendo? ? o empres?rio perguntou.
O m?sico co?ou a barba, analisando Melissa enquanto esta trabalhava.
- Psicologia reversa.
Tanner deu uma risada.
- Voc? ? um idiota.
Austin, ent?o, baixou o olhar para , sentada na cadeira com os bra?os cruzados em frente ao peito, encarando-o com uma express?o s?ria no rosto.
- Ser idiota est? funcionando. ? respondeu, mandando um beijo para a garota, que rolou os olhos e, emburrada, passou a fingir que ele n?o estava ali.

Three.

Os refletores estavam ligados, e as câmeras preparadas, todos estavam concentrados naquela cena. , de pé no centro do palco em seu mini-vestido vermelho, apoiada no pedestal do microfone, esperava instruções, olhando o músico de canto de olho, uma vez ou outra. Austin, por sua vez, sentado num banquinho à beira do palco, com uma garrafa de cerveja na mão, e parecendo bem relaxado, nem dava sinal de notar a presença da garota.
Isso a deixava furiosa.

- Repassando: - começou o diretor, parado ao lado da atriz ? você vai fazer umas gracinhas aqui, como se estivesse cantando, depois vai até o Austin e diz a frase que a gente combinou no ouvido dele. Aí você ? virou-se para o músico ? vai simplesmente ser o Austin Gibbs de sempre, e vamos focalizar no seu rosto na última frase, tudo bem?
- O que ele quis dizer com ?ser o Austin Gibbs de sempre?? ? perguntou a Tanner, que riu e deu de ombros.
- Você vai ver depois. ? disse, divertido.

O diretor e o empresário deixaram o palco, e começaram-se as gravações. Ia correndo tudo bem, representava seu papel com desenvoltura, e Austin apenas batia palmas e se balançava no ritmo da música enquanto a garota fingia cantar I Love Rock ?n Roll. Cooper deu o sinal, e a garota seguiu o roteiro, indo decididamente até Gibbs e se sentando em seu colo. Ela se inclinou, e colou a boca ao ouvido do músico.
- Você quer tirar minhas roupas? - perguntou em tom provocante.
Austin perdeu o equilíbrio, e, não fosse ele segurar a garota pela cintura, ambos iriam ao chão.
- Corta! ? o diretor gritou, irritado. ? O que foi isso, Gibbs?
- Foi mal, Coop. Acho que esse banco tá com algum problema... ? o outro deu uma risada sem graça, ainda segurando a cintura de com firmeza.
Ela bufou e afastou a mão dele com um safanão, livrando-se do aperto e voltando para perto do microfone.
- Vamos fazer de novo. ? Cooper resmungou. ? Três, dois, um... Gravando!

Aquela foi, definitivamente, a cena mais difícil de ser gravada. Na segunda tentativa Austin sapecou um beijo no pescoço da garota ? levando um tapa, obviamente -, e na terceira gritou ?NÃO, EU NÃO QUERO TIRAR SUAS ROUPAS, SUA PERVERTIDA!?, arrancando risadas da equipe. Na quarta vez foi erro de , que tropeçou enquanto caminhava até o músico, e na quinta Gibbs caiu na gargalhada assim que a garota se inclinou para falar em seu ouvido.

Enquanto Austin ainda tentava controlar o ataque de risos, Joseph Cooper olhou no relógio, e suspirou.
- Vamos tentar a última vez.

Melissa subiu ao palco e retocou a maquiagem de , enquanto a garota ajeitava o próprio vestido. Depois que a outra se afastou, ela inspirou profundamente, e acenou que estava pronta.
- Gravando!
fez tudo o que deveria fazer, e sentou no colo do músico, rezando mentalmente para que ele não estragasse nada dessa vez. Aproximou a boca do ouvido dele, e perguntou.
- Você quer tirar as minhas roupas?
A câmera se moveu ao redor deles, e focalizou o rosto de Gibbs, enquanto ele arregalava os olhos numa careta maliciosa ao dizer que sim. Os dois se viraram um para o outro, e ficaram se encarando, com as duas mãos nos ombros de Austin, e ele segurando a cintura dela com uma mão e uma garrafa de cerveja com a outra.
- Eeeee... Corta! ? Cooper disse, aliviado.
mais do que rapidamente saiu do colo do músico.
- Podia ter esperado um pouquinho mais né Coop... ? Austin resmungou, descendo do palco logo atrás da garota.
- Ótimo, pessoal, ficamos só com um dos refrões e as cenas no carro para amanhã. Muito bem! ? o diretor parabenizou, e apontou em direção ao bar ? Agora fiquem com a recompensa de vocês.

A bebedeira durou cerca de duas horas. Na primeira metade do tempo Austin flertou com Melissa, lançando olhares ocasionais a apenas para conferir se a garota estava olhando para eles ou não. , por sua vez, que já havia se descoberto boa atriz, acompanhava a manobra do músico sem que ele notasse, disfarçando enquanto conversava com o diretor do vídeo. A maquiadora, contudo, percebendo a tensão entre os dois, chegou à conclusão de que não havia espaço para ela naquele jogo, e decidiu jogar a toalha de uma vez. Despediu-se da equipe, da atriz e do músico, e voltou para casa.
A segunda hora foi apenas enrolação, onde todos beberam demais, começaram a discutir futebol e política, e ficou decidido que era hora de irem embora.
se despediu dos rapazes, e esperou a maioria ir embora para se trancar em seu carro, preparando-se para a noite. O rádio tocava um cd velho dos Rolling Stones, e ela fumava lentamente enquanto curtia a música. Quando esticou o braço pela janela, na intenção de bater as cinzas, sentiu o cigarro ser tirado de sua mão.
- O que você ainda está fazendo aqui? ? Austin perguntou, dando uma longa tragada no cigarro dela e o devolvendo em seguida.
- O que você ainda está fazendo aqui? ? a garota devolveu a pergunta, erguendo uma sobrancelha.
- Eu estava com o Tanner, acertando os detalhes de amanhã. ? ele respondeu, ao mesmo tempo em que abria a porta do carro para sair ? Sua vez. ? disse, estendendo a mão para ajuda-la.
Ela pensou por alguns segundos.
- Eu não tenho para onde ir, exatamente. ? admitiu, a contragosto.
Os dois se recostaram no carro dela, lado a lado.
- Como assim? ? Austin perguntou.
rolou os olhos.
- Eu não sou daqui. Estava a caminho de Tucson quando parei nesse bar, ontem, e vocês me convidaram a participar do vídeo. Achei a proposta interessante, e decidi ficar, mas não conheço ninguém aqui.
O músico fez uma careta.
- E você vai dormir no carro, aqui do lado de fora do bar mesmo?
- Foi o que eu fiz ontem. ? ela respondeu, simplesmente.
- Bem... ? Austin a olhou de lado, como quem não quer nada ? Você pode ficar na minha casa, se quiser; minha mãe ?tá viajando.
A garota gargalhou. Enquanto Austin a olhava sem entender, ela se curvava para frente, com as mãos na barriga, sem conseguir parar de rir. Por fim, com lágrimas nos olhos, virou-se para ele:
- Sua mãe? Quantos anos você tem?
- Hey! ? Gibbs fechou a cara ? Eu vivo em turnê, ok, não faz sentido comprar uma casa só para mim se eu nunca fico nela mais que dois meses por ano!
- Se você diz... ? a garota deu de ombros, ainda rindo.
O músico rolou os olhos.
- Vai aceitar ou não? Lá pelo menos você pode tomar um banho, comer alguma coisa ou sei lá.
- É, você tem razão... ? ela pulou para dentro do carro, e indicou o assento do carona com a cabeça ? Entra aí, fracassado, vamos pra sua casa.

Austin se acomodou no banco do carona, e deu a partida. Ele ia indicando o caminho, e a garota apenas dirigia sem dizer nada.

- Próxima rua à esquerda. ? o músico apontou, e a olhou de lado ? Quer dizer, então, que você mora em Tucson?
- Não. ? ela franziu a testa ? Eu disse isso?
- Bem, mais ou menos. Você disse que...
- ... Estava a caminho de lá. ? o cortou, prestando atenção ao trânsito. Quando pararam num cruzamento, ela o olhou rapidamente ? Minha irmã mora em Tucson. Ela tem um restaurante próximo à universidade, onde eu faço uns bicos de garçonete quando preciso de dinheiro.
- E onde você mora?
A garota pensou por uns segundos.
- Em todo lugar... Ou em lugar nenhum, depende do ponto de vista. ? respondeu, enfim.
- Entendi. ? Austin balançou a cabeça ? Vive de cidade em cidade, fazendo bicos de vez em quando pra arranjar uma grana, sem ter pra onde ir ou alguém por quem voltar.
deu uma risada.
- Rude!
- Não, não, isso é interessante! ? apontou a entrada de um posto de gasolina - Duas ruas depois daquele posto, à esquerda. É a quarta casa, de muro verde. ? voltou a olhar a garota. ? Você é o que as pessoas chamam de espírito livre. ? constatou.
- É uma maneira de ver as coisas. ? a garota disse, depois de um tempo.
- Qual é a sua maneira?
- Eu fico entediada com muita facilidade. ? respondeu, simplesmente. ? Chegamos. ? anunciou, ao parar em frente à casa.

Gibbs abriu o portão, e ela parou o carro na garagem.
Era uma casa muito bonita, em dois tons de verde, com as portas e janelas brancas. Típica casa de subúrbio, com um gramado bem cuidado e vários tipos e cores de flores no jardim. Ao descerem do carro foram recebidos por um Pastor Alemão agitado e brincalhão.
- Ei, garoto! ? Austin cumprimentou o amigo canino, depois apontou a garota ? Essa é a . , esse é o meu melhor amigo, Dylan.
O cachorro deixou o dono, pulando e latindo enquanto brincava com a garota.
- Oi, Dylan, você é lindo, sabia?
- Ah, sim, ele sabe. Dizem isso pra ele o tempo todo, por isso ele é assim folgado. ? Gibbs disse, rindo, enquanto abria a porta da frente ? Vem, vamos entrar, você deve estar louca pra tomar um banho e comer alguma coisa.
o acompanhou, e enquanto cruzavam a sala, ele ia apresentando os cômodos. Era uma casa relativamente grande, mas aconchegante, com um toque feminino tão forte que deixava claro que Austin era o único homem ali.
- ... Aquele lá é o quarto da minha irmã, ali é o da minha mãe. Esse aqui vai ser o seu, e esse ? apontou para o quarto logo em frente ao dela ? é o meu. Pode deixar suas coisas no quarto, vou arranjar alguma coisa pra gente comer.

Ela deixou sua mochila no quarto, sem reparar muito em nada, e foi até a cozinha. Lá eles comeram sanduíches, beberam mais cerveja, e conversaram um pouco sobre suas vidas. não falava praticamente nada sobre a dela, Austin tagarelava sobre a dele.
Ao fim da refeição, encaminharam-se novamente ao corredor que levava aos quartos.
- Bom, você deve ficar bem instalada. ? Austin começou ? Tem toalhas limpas no armário do banheiro, e o chuveiro demora um pouco para esquentar, mas depois é maravilhoso. Estou logo aqui em frente, se você precisar de alguma coisa, qualquer coisa mesmo - acrescentou, com uma piscadinha maliciosa ? é só chamar.
- Ok, obrigada. ? sorriu.
- Sério, qualquer coisa que você quiser, eu estou à disposição. Qualquer coisa. O que você quiser.
- Tá bom, Gibbs, cala a boca. ? ela riu, e entrou no quarto de visitas, fechando a porta na cara do rapaz.
- Qualquer coisa! ? ele ainda gritou, do outro lado, em tom divertido.

Ela deu uma boa olhada no quarto. Tinha decoração neutra, com cortinas escuras, uma cama de casal, uma cômoda pequena, uma TV e um aparelho de som. se aproximou da estante, olhando os CDs e DVDs. Wilco, Bruce Springsteen, Ryan Adams, Bob Dylan, alguns filmes... E um CD intitulado Charlie. Ela deu uma risada, e o pegou nas mãos. Austin estava bonito na capa.
Ah, a quem ela queria enganar? Ele era muito, muito bonito.
Balançando a cabeça, ela deixou o CD separado, e foi tomar seu banho.
Ao sair do banheiro, ainda enrolada na toalha, ela colocou o CD para tocar enquanto se vestia. A primeira música, Charlie, era uma baladinha sobre o irmão do músico, com quem ele provavelmente não tinha mais contato. A segunda, La La La, fez a garota rir. Deus, como aquele homem era convencido! Mas a voz dele era ótima, isso ninguém podia negar. Rouca de um jeito sexy. A melodia era gostosa, e a letra muito sugestiva. Extremamente sugestiva. Tão sugestiva que a fez pensar em... Coisas. Várias coisas.

Sem pensar muito, deixou o quarto, vestindo apenas um short curto e uma regata branca, e bateu na porta à frente. Após alguns segundos, Austin abriu a porta, de jeans e sem camisa, e a olhou com a testa franzida.
- Ok, mas você vai ter que tirar as meias! ? a garota exigiu, enquanto o empurrava para dentro do quarto e fechava a porta atrás de si.

 

Comentários da autora

Nota da Autora: Gente, não tenho nem cara de falar nada aqui. Uma vida pra cada atualização né :/ mas o próximo ? e último ? vou tentar mandar mais rápido, prometo!! xx


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