Drugs

Escrito e revisado por Cáa Pardine - Siga a autora no Twitter



O telefone tocava, mas eu não conseguia parar de rir. Atendi o telefone ainda rindo sem necessidade. Tudo estava tão colorido e alegre. Sombras escondiam coisas e tudo estava se movendo.
- ? – Ouvi uma voz conhecida, mas não consegui dizer quem era. Vi umas luzes vermelhas ao lado da minha cama e vi o número dois piscar. Acho que era meu relógio. Ri sozinho de novo e decidi responder a ligação.
- O próprio. – Falei com uma voz pastosa e ouvi a pessoa bufar do outro lado da linha.
- Será que dá pra vir me ver? – Comecei a rir sem parar. Tentei levantar, mas acabei caindo de cara na cama. O quarto girava e meu estomago começou a embrulhar. Meu corpo inteiro estava relaxado demais, parecia que meu coração estava atrasado para bater. Ri de mim mesmo.
- Mas eu nem sei quem é!
- É a , . – Minha risada cessou na hora. Todo o barato pareceu diminuir, prestei mais atenção na ligação e ouvi fungar. Cacete, o que eu estava fazendo?
- Já to indo, . – Disse com a voz mais firme. Levantei mesmo com meu corpo inteiro pedindo para deitar depois dos dois cigarros de maconha e duas carreiras de cocaína. Não poderia deixar na mão. Nunca deixei.
Tomei um banho gelado e minhas pernas fraquejaram de uma vez. Bati o joelho e a testa no box e me xinguei infinitamente por não conseguir nem andar para ver o que estava acontecendo com .

- E eu nunca o amei. Aí... – Ela perdeu a voz e a abracei.
- Relaxa, . Ele não te merecia.
- Ele é um hipócrita! Todos os homens são! – Disse com indignação.
- Hey, olha como fala!
- Claro, , você é realmente diferente. – Debochou e eu não gostei. Estava começando a ficar nervoso. Precisava voltar pra casa logo. Toda a droga estava lá. O que eu estava dizendo? Era a que precisava de ajuda!
- Sou sim, ok? – Tentei esconder meu nervosismo.
- Semana que vem é o aniversário da minha amiga. – Ela disse desanimada.
- Uma festa, huh? – Estava ficando mais nervoso ainda.
- É, você vai comigo, né? – Fez um biquinho e concordei rapidamente com a cabeça.
- Eu acho que preciso ir embora. – Mudei drasticamente de assunto e comecei a batucar nervosamente em minha perna, ignorando uma parte de mim que pedia para ajudá-la a superar um babaca qualquer.
- Ok, . – Vi aquele sorriso doce surgir e por um instante perdi o rumo. Mesmo a deixando, ela compreendia e sorria para mim.
- Qualquer coisa você me liga? – Falei automaticamente e a vi abrir um sorriso maior. Levantei apressado. Apesar de ter perto de mim, o vício era forte. Tudo o que precisava era uma carreira bem gorda sendo aspirada.

- Você está realmente linda. – Cumprimentei quando ela entrou em meu carro. Íamos a festa da amiga de .
- E você é lindo. – Ela retrucou e quase a beijei. A encarei por mais alguns segundos e arranquei com o carro. Era fascinado por . A garota mais linda e engraçada, que se metia com os caras mais idiotas e burros. A garota que eu queria em minha cama não só uma ou duas vezes, mas sim todos os dias de minha vida. A garota que não sabia do meu vício, tanto pelas drogas quanto por ela. A garota que me considerava apenas um amigo. E essa amizade era uma merda.
Baguncei meus cabelos e olhei para a garota do meu lado. O bolso da minha calça queimou quando me lembrei do cigarro de maconha pronto. Precisava fumar aquela droga.

Injetei a droga e me joguei no banheiro. Tinha perdido depois da terceira vez que fui pegar uma cerveja para me distrair da droga que estava em meu bolso. Não adiantou de bosta nenhuma, depois da terceira lata de cerveja, fiquei nervoso demais e fui buscar algo mais forte em meu carro.
Comecei a sentir meu corpo inteiro formigar e meus olhos começaram a arder sem parar. Falei qualquer coisa e ouvi um barulho distante. Meus olhos começaram a fechar e não tinha forças para me mexer.
O banheiro inteiro começou a rodar, comecei a enxergar formas coloridas e distorcidas. Vi uma forma diferente, parecida com e logo sentia o gosto de lágrima na boca.
Eu estava chorando? Tentei tocar em meu rosto, mas meu braço doía muito.
Ouvi um soluço e depois apaguei.

- ? – Ouvia uma voz angelical, mas não sabia de onde vinha.
- Caralho. – Xinguei baixinho e logo senti alguma coisa apertando minha mão. Tentei abrir os olhos e xinguei novamente. Estava em um quarto claro demais para eu suportar. Olhei ao redor e encontrei com a mesma roupa que ela tinha ido para a festa. Tentei falar algo, mas minha garganta estava seca e doía demais.
- Desde quando você usa drogas, ? – Ouvi falar, o medo em sua voz era perceptível, fechei os olhos fortemente. Ela não merecia isso. Não merecia um cara drogado e sujo como eu. Nunca seria bom o suficiente para aquela garota.
- Quando eu usava maconha, - minha voz estava rouca e piorava a cada palavra que conseguia dizer. – depois de um tempo o barato não é o mesmo, . Você não entenderia...
- Eu só quero te ver bom, . – Olhei para a garota ao meu lado e tive vontade de me chutar. Os olhos dela estavam vermelhos e o cabelo meio bagunçado. Eu era um filha da puta. - Nunca ficarei bom, . – Falei e me virei para o outro lado. Vi meu braço todo enfaixado e me xinguei mentalmente. Bela merda de amigo você era, .

- O que vai ser? – O cara vestido de preto perguntava em tom monótono e eu baguncei meus cabelos. Estava nervoso. Nervoso como sempre, sempre que comprava drogas era a mesma coisa.
- Cocaína. Trinta gramas. – Disse ainda nervoso e o cara riu da minha cara.
- Seu bastardo, vai revender essa porra?
- Não, é tudo pra mim. – Meu coração batia descompassado, precisava dessa merda de droga. Só precisava esquecer que não via há dois meses desde o hospital. Precisava esquecer de tudo, cacete!
- Você cheira mais que um porco, cara. – Senti um soco forte em meu peito e logo senti o saquinho contra minha camiseta. Suspirei aliviado e passei três notas de cem dólares pro cara que não fazia questão de saber o nome.
Não consegui esperar para cheirar em casa. Ajeitei quatro carreiras gordas e desajeitadas na parte plana do painel do carro e as cheirei. Duas para cada narina. Desceram raspando e bati forte no volante do carro.
Logo senti meu corpo relaxar e meu nariz começar a escorrer. Merda! Estava acontecendo de novo.
Limpei o nariz na camiseta que estava e vi que era realmente sangue.
Liguei o carro com pressa e nem vi quando o sinal fechou naquele cruzamento.

- Ele vai ficar bem? – Ouvia a voz de , mas não conseguia responder.
- Eu realmente não sei, não podemos aplicar nenhum dos medicamentos que ele precisa devido a cocaína.
- , por que você fez isso? – A ouvi, com a voz chorosa e juntei toda a força que ainda me restava para dar um ponto final nisso tudo.
- Eu fiz porque não poderia te ter como sempre desejei. – Tentei abrir os olhos, mas não consegui. Ouvi um grito agudo e logo tudo ficou escuro demais.

 

Comentários da autora



n/C (a.k.a. nota da Cáa): So, meu segundo drama. Problemas reais me fascinam em histórias fictícias, acho que não poderia deixar o caso das drogas passar em branco.
Espero que gostem e comentem! HAHA
~ @xCah