Chanel

Escrito por Natashia Kitamura - Siga a autora no Twitter
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One.

poderia ser considerada uma das garotas mais fashionista do século XXI. Nascida em Paris, desde pequena a garota tinha a mania de escolher suas próprias roupas e montar seus próprios modelitos. Sem a ajuda da mãe ou de alguma funcionária da mesma. Aos 16 anos, assim que terminara o Ensino Médio, conseguira uma bolsa de estudos numa faculdade de fashion design nos Estados Unidos, se mudando e morando num dormitório no campus do local.
Era indiscutível como a garota era fascinada pelas marcas de roupas, sapatos e acessórios. Gucci, DKNY, Louis Vutton, Dolce and Gabbana, Versace, Givenchy, etc. Mas o que mais lhe atraía e ela não tinha medo de demonstrar, era sua obssessão por Chanel. Sua ídola era Gabrielle "Coco" Chanel e se pudesse, teria nascido no século XX apenas para vivenciar a ascensão da estilista que revolucionou o mundo da moda.
Era uma garota simples, com dotes artísticos para a moda. Tímida e social, era possível vê-la em todas as festas, porém nunca em grupinhos chamados "panelinhas" ou acompanhada de alguma pessoa do sexo oposto. Por mais que eles se aproximassem dela, a garota acabava apenas os atiçando, deixando-os com uma curiosidade incessante de saber como seria tê-la. As garotas a invejavam sempre pelo fato de chamar toda a atenção da festa, sendo esse o motivo de a garota não receber convites para certas festas. Assim como Chanel, o objetivo de era revolucionar o mundo da moda da maneira que ela gostaria que fosse.
Fora exatamente essa sua fama misteriosa e seu charme fashionista que conquistou a atenção do garoto mais cobiçado de Santa Mônica. .
era o garoto que todas as garotas queriam só para si, todas as mães queriam como genro e todo pai temia pelas filhas. Filho do prefeito de Santa Mônica, desde que o pai se elegera há um ano e meio atrás, quem recebera toda atenção fora o filho único do político. Com seu charme pessoal, seu corpo escultural, seu sorriso atraente e seu papo impossível de aborrecer até a pessoa mais mau-humorada do mundo, conseguia ter tudo o que queria. Não houvera um dia que algo que ele pedira não fosse realizado. Até ele se interessar por .
Não era o garoto mais humilde do mundo, porém não era ignorante como o pai. Nascera e crescera em Santa Mônica e amava o local. Nunca namorara. era o tipo de cara que nunca estava compromissado, tampouco sozinho. Assim que os pais conseguiram o mandato da cidade, logo dera seu jeito de manter a casa em que viviam, quando os superiores comentaram em se mudar para uma residência maior. Como se a moradia atual fosse pequena. Era à beira-mar e apesar de não ficar todo o tempo do mundo na praia, valia a pena pela vista que recebia da imensidão azul. Apenas de olhar ele já se sentia dentro da água.
Ele cursava administração de empresas para tomar conta da empresa do avô, já que o pai resolvera não seguir a carreira do próprio pai e nenhum dos outros irmãos dele. tinha três tios. Dois mais novos que o pai e um mais novo. Era impressionante o fato da família ser abarrotada de homens. Quase todos atraentes, obviamente havia alguns que não tiveram tanta sorte na vida, então optavam por serem extraordinariamente inteligentes, não deixando de chamar menos atenção que os belos. era simplesmente o neto favorito dos avós. Mesmo não chegando nem perto de ser o mais velhos deles, nem o mais novo.

Two.

Vira pela primeira vez durante a segunda semana de aula na faculdade. Ele sabia que ela era uma caloura, mas não parecia com uma. Ele conhecia absolutamente todo mundo que estava lá. Todos os nomes, o que faziam, filhos de quem eram. Uma coisa que era bom, além de paquerar, era com relação à memória. Ele não fingia se lembrar da pessoa que falava consigo, simplesmente porque lembrava dela. Por mais que quisesse esquecê-la, se lembrava. Mulheres, homens, crianças, adolescentes, velhos. Ele lembrava de todos. Era ótimo para os eventos políticos do pai, nunca envergonhava o superior com uma memória fraca inexistente.
- Quem é a do vestido amarelo? - ele olhava descarado para as pernas da garota, que desfilava no corredor, enquanto ele estava sentado num dos diversos bancos no campo da faculdade com os amigos. As amigas rapidamente olham para a garota, querendo saber quem seria a intrusa que chamava a atenção de seu homem.
- Ah. - Kylie diz sarcástica. - A francesinha.
- Francesa? - levanta a sobrancelha com os amigos. Volta a olhar para a garota, que agora sumia de vista. - Fale-me sobre ela.
As garotas se entreolham perturbadas, o que não passa despercebido por nenhum presente. enfim desvia o olhar para as garotas esperando pela informação.
- O nome dela é . - Katarine suspira. - Ela está fazendo fashion design. Caloura. Veio da França e mora no dormitório aqui da faculdade.
- Solteira? - ele pergunta e demora a receber uma resposta novamente. As garotas apenas concordam com a cabeça. - Interessante.
- Interessou, ? - Drake sorri para o amigo que abre um pequeno sorriso.
- Bom, eu nunca havia conhecido uma francesa antes. De que lugar da França ela é?
- Paris. - Roxelle responde rapidamente antes que começasse a reclamar da demora das respostas das garotas. - Está sozinha aqui.
- Sozinha? - ele levanta a sobrancelha e sorri, fazendo com que as garotas olhassem feio para Roxelle e esta encolhesse os ombros.
Os amigo de nada dizem, apenas riam imaginando o que passava na cabeça do garoto.

passava pelo buffet do restaurante observando as opções de alimento. Nada. Gordura, carboidrato, calorias, calorias, calorias. A salada? Horrível e com um molho de queijo. Eca. Sanduíche natural? Apenas de atum. Atum? Não mesmo. Suspira e então pega apenas uma lata de chá verde e segue para o campus da faculdade, sentindo a brisa salgada do mar que deveria estar em algum lugar por perto. Havia ouvido falar de que a faculdade tinha conexão com a praia e que você poderia ficar sentado num banco olhando a imensidão azul. Não demorou muito para ela achar o tal banco magnífico que estava vazio. Ao contrário do que ela imaginava, o lugar não era isolado da faculdade e muito menos vazio. As pessoas pareciam preferir estender o casaco no chão e sentar por cima dele a se sentar no banco. passara em volta do local duas vezes para se certificar de que o banco não era bichado ou algo assim para as pessoas não o quererem tanto. Mas estava tudo certo, o banco estava em perfeita condição. A cabeça das pessoas que não deveriam estar tão bem assim.
Se sentou e retirou seu bloco de desenho da bolsa. Mais uma vez a brisa passa por entre seus cabelos e os tenta levar consigo. Em vão. Eles estavam bem presos ao couro de . Ela encara o mar, agora calmo e então volta a abaixar a cabeça, deslizando o lápis 2B pelo papel manteiga. Quem visse-a desenhando poderia jurar que ela desenhava desde pequena e fizera um curso profissionalizante para isso. A primeira afirmação estava correta. Já a segunda nem tanto assim. Os pais de nunca deixaram ela praticar o desenho e assim que a mãe morreu, o pai sumira de sua vida. Assim como aconteceu com Gabrielle Chanel.
sabia que era besteira imaginar ser Gabrielle Chanel. Porém a coincidência das vidas de ambas fazia com que ela seguisse o modelo da estilista. Que mal havia? Coco se dera bem, não dera? Era como querer imitar Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo. Cada um escolhe sua base de inspiração. A diferença é que escolhera alguém exoticamente exorbitante.
Sem perceber muito o que desenhava, olha para o material e gosta do que vê. Fica encarando por alguns minutos o conjunto da saia e a blusinha aparentemente básica. Um broche seria convidativo para o look, quem sabe? Ou um lenço de pescoço.
- Não é que você é boa? - ela ouve ao lado e olha para , que estava em pé olhando para o desenho.
- Achava que eu não era? - ela volta a olhar para o desenho e com o lápis, criando o tal broche.
- Não tem como eu achar, não é? - ele diz e ela levanta os ombros. - Sou .
- Eu sei. - ela murmura desinteressada, o que o faz ficar sério. Ela sabia dele e não tinha vontade de conhecê-lo?
- Você sabe? - ele tenta demonstrar surpresa. Ela concorda com a cabeça. - Como ficou sabendo?
- Umas garotas vieram em mim agora à pouco falar que se eu chegasse perto de , eu podia me considerar deportada de volta para França. - ela mantinha sua atenção no desenho. Até que olha. - E então apontaram para você.
- Umas garotas? - ele apoia o pé no banco em que ela estava sentada. - Que garotas?
- Não sei. Não sei porquê elas vieram falar isso também, não o conheço para trazer algum tipo de ameaça para elas.
- Você é uma grande ameaça. - ele sorri e o olha antes de voltar a desenhar. - Não acha?
- Não sou eu quem tenho que dizer isso.
sorri. Se ela estava blefando, estava fazendo bem.
- Há quanto tempo está aqui?
- Há algum. - ela responde concentrada.
- Há um tempo específico?
Ela dá uma pequena risada indicando que ele não iria saber sobre isso.
- Certo. Você poderia se apresentar então.
- Você já ouvira falar de mim, deve saber meu nome.
- E se o que falaram de você não fora verdade?
- Isso já não me importa.
desce o pé apoiado até o chão. Ela era misteriosa demais para ele. A vê virar o rosto para ele.
- O que te importa?
- Saber sobre você.
- Vamos sair então.
fica calado. A garota o havia chamado para sair?
- Não deveria ser eu a pessoa a chamar para sair?
- Você me chamou, por acaso?
- Não é a hora.
Ela sorri e então fecha o bloco, o guardando de volta na mochila.
- Talvez não haja uma hora. - ela diz antes de se distanciar do garoto, que a fica olhando boquiaberto. Ouve risadas e olha para o lado, vendo o enorme grupo de amigos rindo. Sorri divertido e se aproxima deles.
- O que achou da novata? - Tarik diz divertido. ri e coloca o braço no ombro do amigo, andando com o grupo.
- Ela vai ser minha até o fim da semana.
- Sinto que essa vai ser diferente, . - Logan sorri para o amigo que ri alto.
- Nenhuma é diferente Logan. - ele olha para a garota do outro lado, que voltava para seu campus. - Ela muito menos.

Three.

Feriado. Faltavam apenas um dia para ele. Então a faculdade emendaria a quinta e a sexta e na semana seguinte seria a do saco-cheio ou seja, duas semanas sem aula. O curso de fashion design estava organizando uma viagem de confraternização dos alunos do primeiro ano para o Havaí. Um deles era dono de uma imensa casa e daria uma festa de duas semanas de duração para quem quer que quisesse ir. Obviamente a notícia se espalhara até o pessoal do curso de administração.
- Você vai na festa do Ian, ? - Roxelle pergunta enquanto saíam do último tempo de aula na véspera do feriado. - Ouvi dizer que quem quiser ir, ele já estará na casa a partir de hoje. Há um vôo de noite.
ia em direção ao seu carro com a companhia dos amigos. Sabia da festa e não sabia se ir era o melhor a fazer. Porém todos da faculdade estavam planejando ir. Ele não podia ficar de fora.
- Eu ligo se for. - murmura enquanto as garotas entravam em seu carro conversível, apenas o esperando para irem com ele onde quer que ele fosse. Quando estava quase no portão do estacionamento da faculdade, quase atropela uma aluna. Revira os olhos e ouve as garotas reclamarem. Abre a capota do carro e olha para a pessoa agachada ao chão, recolhendo suas coisas. - Você deveria olhar por onde anda. Ou não sabe diferenciar uma rua de uma calçada?
As garotas que estavam junto riem do comentário do garoto. Logo ele reconhece o semblante de , ao vê-la se levantar atrapalhada. Toma um susto com a falta de tato com a garota e solta o cinto, saindo do carro e fazendo as que estavam dentro ficarem sérias.
- Desculpe. - ela diz se afastando dele rapidamente e guardando as folhas que haviam se espalhado pelo chão dentro de sua pasta de desenhos. fica parado a olhando sério, desapontado pelo "fora" que havia recebido. Aperta os lábios e volta para o carro, acelerando e indo até o lado dela.
- ! - a garota ao lado diz indignada e ele apenas a ignora.
o vê andando com o carro ao seu lado e o olha interrogativa.
- Você vai para o Havaí? - ele pergunta e ela pára confusa. - Ian. Da sua sala. Ele está fazendo uma festa na casa dele no Havaí.
- Ah, sim. Não vou. - e volta a andar. acelera novamente.
- Vamos.
- Não quero. - ela diz séria caminhando.
- Eu te levo.
- Não, obrigada.
se mantém calado apenas observando a garota caminhar.
- Qual o seu problema?
então pára e olha para ele.
- Como?
- Eu estou te chamando para ser minha acompanhante nessas duas próximas semanas.
- E eu agradeço, mas não, obrigada.
- Ela é louca. - as garotas do carro comentam entre si. sorri e aponta para trás, onde elas estavam.
- Elas dariam de tudo para estar no seu lugar.
- Não é preciso de nada, não me importo em ceder a elas. - e volta a andar. bufa e segue até a garota novamente. - Pode parar de me seguir. - ela diz séria. - Você não sabe receber um não?
- Honestamente? Não. - ele sorri. levanta então os ombros e entra numa loja onde ela tinha de comprar mais folhas e lápis, além de um novo estojo de lápis coloridos. então estaciona a frente da loja com uma cara irreconhecível.
- Vamos, . Deixa essa mal comida pra lá. Ela está se achando a Carolina Herrera. - a garota ao lado dele diz encostando sua mão em cima da dele. fica calado olhando a garota dentro da loja e então acelera o carro se afastando do lugar.

fingia estar olhando a cartela de lápis coloridos para que o garoto finalmente se tocasse de que ela não estava interessada em ir à festa alguma com ele. Sabia da fama de e não gostava nada disso. Ao ver que ele havia saído da porta pudera então respirar aliviada e prestar a atenção no que deveria. era o tipo de cara que não dava valor para uma garota e não dar valor para era o cúmulo. Na França as coisas não eram assim.
Apesar de não ser a garota mais sociável e gentil do mundo, sabia quando uma pessoa deveria ter ou não sua atenção. Compra o material que necessitava e então volta caminhando para os dormitórios da faculdade, passando em frente à livraria do colégio e dando de cara com um livro da auto biografia de Gabrielle Chanel. Ficara encarando a capa, relembrando de toda história. Se lembrara de Gabrielle e Cartel e Boy. Ela não deveria ser tão restrita. Coco não fora. Fica pensando por mais alguns minutos e finalmente segue para seu quarto, que dividia com uma garota da mesma sala que ela, mas que nunca trocava mais do que palavras necessárias.
- Você vai na festa do Ian? - a garota a aborda logo que chega no quarto.
- Não sei.
As duas então ficam caladas, a outra apenas esperando que perguntasse o mesmo para ela. Sem escolhas, ela então o faz:
- E você?
- Vou, claro. - a garota responde rapidamente. - Ouvi dizer que vai, então acho melhor que eu não perca essa chance.
concorda com a cabeça e volta a atenção para seu novo material.
- Escuta, fiquei sabendo que ele foi falar com você hoje. - a menina se aproxima de , que folheava seu bloco de desenhos e se preparando para deixar pronto o trabalho da professora Freur. Sem deixar a colega de quarto perceber, ela revira os olhos.
- Uhum. - murmura desinteressada.
- O que ele disse?
- Não me lembro direito. - ela diz e a garota bufa. - Ele queria saber quem eu era, porque sou nova por aqui.
- Hm... - a garota balança a cabeça. - Você não está interessada nele, não é?
- Não. - ela se afasta do bloco de desenhos para enxergar melhor o resultado.
Nada mais falam. Passam o dia inteiro caladas, cada uma em seu canto. A colega de quarto de sai sem se despedir e esta só percebe que estava sem companhia quando batem na porta constantemente e ninguém atende. Se levanta indo atender e dá de cara com com as mãos no bolso.
- O que faz aqui?
- Vim te buscar.
- Para quê?
- Para nos divertirmos durante essas próximas duas semanas.
A garota arregala os olhos surpresa. O quê?

Four.

- Eu acho que já deixei bem claro que não estou afim de sair nessas próximas duas semanas. - ela se vira, deixando a porta aberta para que o garoto se sentisse livre para entrar e se acomodar em sua cama, e foi exatamente o que ele fez.
- Não é possível que queira ficar trancafiada aqui sozinha. Anda, minha programação não inclui mais ninguém.
o olha surpresa.
- Vamos para minha casa de praia em Newport.
- Isso é na Califórnia. - ela diz séria.
- Até que para uma francesa, você anda bem americanizada. - ele sorri. - Sim, é na Califórnia.
- Não precisa de praia se quer uma. Esqueceu que vive numa cidade praiana?
- Às vezes precisamos mudar um pouco o cenário. As praias de lá não são tão paradisíacas, mas são bem menos movimentadas.
- Eu não gosto de praia.
Ele sorri.
- Sei que gosta.
cruza as pernas assim que volta a se sentar em sua cadeira.
- Como pode ter tanta certeza?
- Oras, hoje você estava sentada de frente para ela, a observando com um sorriso nos lábios.
- Você anda me observando?
- Já faz um tempo. - ele se levanta e olha para o mural de foto da colega de quarto de .
- Ela foi para a casa de Ian por sua causa. - ela diz e o garoto ri.
- A maioria estão indo para lá por minha causa.
- Como pode ser tão modesto?
- Eles me fizeram ser assim. E isso não é modéstia. É realidade.
então concorda com a cabeça e vira a cadeira de volta para a mesa.
- Você não sente nada? - ele pergunta atrás dela, a olhando trabalhar.
- Com relação a quê?
- À mim.
- Não.
- Como consegue?
- Você não faz meu tipo.
- Não sabia que você tinha um tipo.
- Todos temos tipos.
- É mesmo?
- É mesmo. - ela finaliza voltando ao silêncio. Ela trabalhava melhor quando não haviam ruídos para distraí-la.
- Eu sacrifiquei o meu feriado para você.
- E eu não entendo o porquê, se nós não nos conhecemos.
ri.
- Não é necessário uma prostituta e seu cliente se conhecerem para transarem, certo?
- Você não está me comprando para ir com você, o que não equivale a nada sua comparação idiota.
- Olha só, ela fala palavrão. - ele ironiza com um sorriso e ela abre um pequeno. - Vamos dizer que sua exoticidade chama minha atenção.
- Não é só a sua que chama, acredite.
- Exatamente. É melhor que eu a reserve antes que outro o faça.
- Não haverá outro.
- Quer dizer que não se deixará enganar pelos outros e ficar apenas com o primeiro que investira em você?
- Se acha que é o primeiro, não se engane.
sorri para as costas da garota. Ela era extremamente interessante e quanto mais o tentava repelir, mais ele interessava.
- Você é mesmo bem diferente.
- Nunca disse ser igual.
- Você tem amigos aqui?
- Tenho conhecidos.
- Hm, não está afim de ter um amigo? Do tipo, para todas as utilidades.
- Se você acha que sendo meu amigo, conseguirá possuir meu corpo, não tente se enganar , eu não transo com amigos.
- E você transa com quem? - ele agacha perto do ouvido dela, a fazendo parar de trabalhar e virar sua cadeira para ele.
- Já passou pela sua cabeça eu ter feito um acordo com Deus e que isso fosse um anel de castidade? - ela levanta o dedo da mão esquerda para ele, que sorri e se afasta.
- Bem, se isso fosse realmente verdade, eu teria de fazer você pecar, ou desistir dessa besteira. Porém não é, já que o anel da castidade é usado na mão direita, e não esquerda.
não podia negar surpresa com a resposta do garoto.
- Você já fez alguma garota que tinha essa promessa, quebrá-la?
- Diversas.
- Você é mesmo o rascunho do diabo.
ri.
- Não sabia que era tão religiosa assim.
- Não sou.
- Então o seu plano de me fazer sentir culpado por quebrar tantas correntes da virgindade...
- Não cabe a mim culpar ou não. - ela o corta, voltando a olhar o desenho, agora com uma cara séria por ter estragado seu modelo de vestido que planejava usar na festa da melhor amiga na França.
- Não deu certo? - ele encara o mesmo desenho atrás da garota em pé. Ela nega com a cabeça. - Talvez consiga uma nova inspiração em Newport.
Ela pára de tentar arrumar o desenho. Talvez ele tivesse razão. O encara, ele então olha em seus olhos e abre um pequeno sorriso.
- Terei que pagar algo para ir?
- Terá que ser bem boazinha. - ele sorri malicioso.
"Você sabia que Gabrielle na verdade era uma prostituta, não é? Daquelas de elite." se lembra da amiga mais velha que trabalhava para uma revista de moda francesa e era contra Chanel. "As pessoas podem esquecer esse fato por Coco Chanel ser o que é agora, mas naquela época, ela não era nada mais que uma amante quebradora de relacionamentos que se aproveitava da fama de seus homens para divulgar suas próprias roupas em seu próprio corpo."
Ela levanta o olhar. era atraente até. Abre um pequeno sorriso retribuindo o dele.

Five.

Então, o que acha? - ela ouve a voz do garoto atrás de si ao ver a paisagem que ele dispusera a lhe emprestar por durante as próximas semanas.
- É lindo. - ela se limita a dizer.
Haviam chegado à meia hora e lhe mostrara a imensa casa de veraneio.
- Sabe... - ouve sussurrar em seu ouvido. - O melhor de morar de pé com uma praia particular, é que podemos ir nela a qualquer hora do dia e não corremos o risco de sermos pegos por pessoas indesejáveis. - e então sente suas mãos se apoiarem em sua cintura.
- É mesmo. - ela concorda.
Ele sorri ao ver que ela concordara.
- É virgem?
- Aparento ser?
- Definitivamente não.
- Então que ótimo. - ela se afasta dele, entrando no quarto.
- Você irá desenhar agora? - ele levanta uma sobrancelha e ela então o olha:
- Achei que quisesse ir à praia.
Ele muda sua expressão para uma surpresa. E enfim sorri malicioso.
- São duas e meia da manhã.
- Bom, eu disse que seria boazinha. - pela primeira vez ela sorri e ele gostara daquilo. Se aproxima e pega em sua mão, a puxando para o primeiro andar e pegando uma enorme toalha qualquer para os dois terem aonde deitar. - O quão particular ela é? - olha para os lados ao sair com o garoto e ver as luzes das casas ao lado acesas, apesar de terem uma distância bem considerável entre uma e outra.
- Particular o suficiente para saber que só eu venho aqui a essa hora.
Ela mais nada diz. Ele retira a própria camiseta e ela para de frente para ele.
- Vamos lá, você sabia que íamos fazer isso aqui, não é?
- Claro. - ela retira a própria roupa e a joga em cima da toalha esticada pelo garoto. Ele a olha excitado e se aproxima, a puxando para um beijo quente. Ela deposita suas mãos em seus braços e então sobe, bagunçando seus cabelos. Depois de um tempo, desce-as para sua bermuda, onde a desabotoa e a deixa cair. a chuta para um lado qualquer e separa seus lábios dos dela com um sorriso malicioso.
- Anda. - ele aponta para baixo e ela então se agacha, tocando seu membro por cima da cueca. Ele solta um grunhido e coloca a mão em sua cabeça. Lentamente ela desce o pano que a separava de seu membro e o toca. então fecha os olhos e sorri, sentindo o toque da garota. - Com a boca. - murmura e logo sente a língua de percorrer toda sua extensão. - Assim.
Ela não sabia a quanto tempo estava fazendo aquilo, mas sua boca começava a doer por não fechar. era enorme e ela chegava a senti-lo em sua garganta. Até que então ele próprio aumentara a velocidade e gozara dentro de sua boca, a fazendo ter de engolir o líquido espesso. A puxou e a beijou, sentindo seu próprio gosto nela. A faz se deitar e retira toda sua lingerie rapidamente, tocando em sua virgindade já molhada. Penetra dois dedos de uma vez no sexo da garota, a fazendo arquear, mas não gemer. Ele variava a velocidade e a via fechar os olhos e ficar com a boca entreaberta. Mas ela não gemia, e isso o perturbava.
- Gema. - ordena. Ela abre os olhos e o vê sério. - Vamos lá. Me mostre que está gostando.
- Eu não gosto de gemer. - ela diz e o sente penetrar os dedos ainda mais forte, a fazendo soltar um suspiro mais forte.
- Não importa. - ele diz estupidamente. - Eu quero ouvir.
Sem outra escolha, volta a fechar os olhos e torna a gemer da maneira que conseguia. Era insuportável para si de ouvir a própria voz enquanto sentia prazer. sorri e enfim decide penetrar dentro dela. Coloca sua camisinha e sem avisar, se põe dentro de , a fazendo gritar.
- Isso. - ele diz sorrindo e se movimentando em cima dela. - Anda, mais .
Ela apenas lhe fazia o que era pedido. Se movimentava para cima e para baixo gemendo da maneira que conseguia, porém não sentindo mais prazer nenhum. Sentia os toques de seus lábios nos seus e suas mãos em seus seios. Mesmo assim não sentia o prazer do sexo. Ficaram horas transando. Horas, até o dia amanhecer e ambos seguirem para dentro de casa, onde continuaram dentro do banho.
se jogara na cama e sem perceber, adormecera até o meio dia do dia seguinte.

Six.

Abre seus olhos e logo os fecha devido a intensa claridade instantânea que bate neles. Se cobre até a cabeça e respira fundo, juntando coragem para, aos poucos, ir abrindo os olhos. Demorou dez minutos para que estivesse acostumada. Retira a coberta de cima de sua cabeça e olha para os dois lados. Para o olhar no dia limpo que pairava no lado externo da casa. Se levanta e segue para o banheiro, retirando a roupa do dia anterior e tomando um rápido banho. Não demora muito a sair e colocar um leve vestido de algodão rosa claro e uma rasteirinha. Pega seu caderno e seus lápis e segue para o primeiro andar, onde não encontra em nenhum lugar.
Provavelmente estava dormindo ainda. Passa para o lado de fora da casa e faz o mesmo caminho que fizera na madrugada anterior com o dono da casa. Haviam pessoas aquela hora se divertindo e aproveitando que o sol não estava forte para se esparramarem na areia e pegar um bronzeado. Ela apenas segue para um canto da praia onde estava mais vazio e se senta num tronco de árvore que tinha por ali. Encara a vista e sente a brisa passar por si novamente. Sorri e fecha os olhos, logo tendo um breve conjunto de saia de seda acetinada amarela com uma blusinha colada ao corpo com seu colete de renda verde musgo claro. Como adorava a praia, sempre a inspirava. Abaixa a cabeça e coloca a ponta do lápis 2B na superfície de seu caderno de desenhos e logo passa a colocar no papel o que estava em sua mente.
Não sabia a quanto tempo ficara ali. Sentia o sol esquentar e então esfriar. A brisa de refrescante passava a lhe fazer estremecer ao frio e o dia já não estava tão claro quanto antes. Ouve a barriga roncar, mas não lhe dá muita atenção. Apenas para quando se afasta do caderno e vê o modelito pronto. Sorri. Precisava de uma cor. Mas isso ela poderia fazer dentro de casa. Olha ao redor e já não havia muita gente no local. Algumas crianças jogando bola num canto, um casal se divertindo com um cachorro e uma família se aproximando com seu iate. Se levanta e caminha de volta para casa, onde vê as luzes acesas.
- Aonde estava? - ouve a voz de assim que adentra à sala.
- Na praia. - se limita a dizer e sobe para seu quarto. Olha para a porta do banheiro e pensa em tomar um banho para tirar a areia do corpo. Desiste ao ver seu estojo de cores. Queria terminar aquele desenho enquanto o modelo estava fresco em sua cabeça. Se senta na cadeira do quarto e liga a luz para enxergar melhor. Pega a cor amarela e o branco cintilante para a saia. Passa-se alguns minutos e ela sente duas mãos em sua barriga e os lábios de no dorso de seu pescoço. Fecha os olhos: Não poderia ser mais tarde? - Estou finalizando as cores. - ela murmura enquanto o sentia colocar a mão por debaixo de seu vestido.
- Pois então pare.
- Não posso, irá fugir de minha mente e irei perder o trabalho que tive o dia inteiro.
para de beijá-la e olha para o desenho.
- Eu não gostei. - volta a beijá-la.
- Não faz mal, ele não foi feito para você. - ela o afasta. - Se importa?
- Claro que me importo. Lhe deixei em paz o dia inteiro, agora é a vez de me dar atenção.
- Te dei atenção demais noite passada.
- Não fez mais o que deveria. Ande, pare com isso. - ele retira os lápis de suas mãos e vira sua cadeira para ele, encostando seus lábios nos dela e a afogando em sua saliva.
- Eu não quero agora, . - ela o afasta e ele a puxa para si.
- Não me importo se você quer ou não, eu quero.
- Ótimo, arranje alguém que também queira.
- Por quê? A tenho bem aqui.
- Olha, se for para você me atrapalhar toda hora que eu quiser trabalhar, é melhor eu voltar para a faculdade! - o empurra bruscamente e se levanta nervosa. a olha surpreso.
- Nós fizemos um acordo...
- Sim. - ela o corta. - Eu viria aqui satisfazer a sua necessidade e você me deixaria em paz para fazer o meu trabalho. Eu estou cumprindo minha parte, você não.
- Você nunca quis transar comigo, não é?
- Claro que não, por que eu iria querer transar com um cara que transa com todo mundo?
dá uma risada.
- Você é mesmo única. - ele se levanta e caminha até ela. - Peça rara, gosto disso.
- É mesmo? Então cuide com carinho, senão irá perder. - ela abre a porta de seu quarto.
sorri e caminha para fora.
- Me avise quando terminar.
- Não se preocupe em esperar, irá demorar. - e fecha a porta em sua cara. Suspira e volta à mesa, se sentando e então fechando os olhos tentando procurar pelo modelo em sua cabeça. Não a acha. - Mas que merda. - diz amassando o trabalho do dia e tacando-o pela janela. Pega uma troca de roupa e segue para o banheiro, tomar o seu banho. Demora cerca de uma hora dentro da banheira. Ao ver seus dedos quase miúdos de tão enrugados, se enxuga e coloca sua roupa. Se olha no espelho e suspira. Tinha de ir aguentar agora.
Desce as escadas para o primeiro andar e o vê assistindo à TV. Não desvia sua atenção para ela, o que a faz agradecer e seguir para a cozinha, onde decide comer alguma coisa, já que não havia posto nada na boca o dia inteiro. Ouve a empregada cantarolar enquanto cozinhava o molho de uma macarronada para ela. Exausta, apoia os braços na mesa da cozinha e a cabeça nos braços. Fecha os olhos e não percebe quando a emprega para sua cantoria e duas mãos enlaçam sua cintura. Sente um beijo em seu queixo e o sussurro de :
- Agora está livre, ou terei de agendar horário?
entreabre os olhos e vê os olhos de encará-la. Levanta o corpo, o fazendo se afastar um pouco. O via sentado em uma cadeira ao seu lado. Se espreguiça e olha a sua frente, onde o prato, agora morno, descansava a sua espera. Olha para e então de volta para o prato.
- Não comi nada o dia inteiro.
- Você é mesmo difícil. Vai dizer que depois de comer tem de fazer digestão?
- Boa ideia. - ela se levanta e bebe um copo d'água. Ouve-o bufar. Encara o teto e suspira. - Vamos logo. - e sai da cozinha, sendo seguido pelo garoto, que logo gruda em seu corpo, beijando seu pescoço. estremecia agora que queria sentir os toques de . Seguem até seu quarto e ele fecha a porta atrás de si enquanto ela desamarrava sua bata e a deixava cair no chão. Ele não se demora a capturar seus seios e beijar seus lábios que descobrira que tanto gostava. Ela passava suas mãos por toda sua extensão e suspirava.
Ele logo a senta na borda de sua cama e se ajoelha em sua frente, se deliciando por entre seus seios. Ela apenas acariciava sua cabeça e jogava sua cabeça
para trás, fechando seus olhos. Sente a mão de em sua intimidade e então ultrapassar o tecido de sua calcinha.
- ... - ele a adverte. Ela abre os olhos. Ele tinha mesmo que acabar com todo o tesão? Sem dizer nada, solta pequenos gemidos, o fazendo então aumentar sua vontade e descer sua língua por seu corpo, seguindo até sua intimidade. Ela mal começara e já estava cansada de todo aquele barulho irritante que fazia. Se endireita e o empurra levemente para se afastar dela. Ele a encara confuso e ela sorri.
- Por que não me deixa fazer isso hoje? - sem reclamar, ele se senta no lugar onde ela estava, a vendo se abaixar e retirar sua bermuda e calção, abrindo mais suas pernas e passando a língua pela ponta de sua masculinidade. Ouve o grunhido do garoto e sente sua mão depositar em sua cabeça. Não demora muito a estar com toda a cabeça dentro de sua boca. Fecha os olhos apenas sentindo o movimento, ele era grande e ela estava prestes a engasgar, já que ele para cooperar, empurrava com a mão sua cabeça para mais perto de seu pênis.
Sente o líquido quente e espesso tomar conta de sua boca e gemer ainda mais alto, aumentando a velocidade de suas estocadas. Seria bom se ele se satisfizesse com aquilo apenas, mas ele sempre queria mais. Parecia uma máquina de sexo.
- Engula. - ele diz a encarando e ela assim o faz calada, deixando ser puxada para cima e sentar em seu colo de frente para ele, recebendo os lábios de junto aos seus. Se movimentam para o fim da cama, onde ele encosta na parede e a chama para sentar em cima dele. Sem pestanejar, ela engatinha até o garoto e o beija, o deixando posicioná-la acima dele. - Vamos, penetre.
Ela abre os olhos e olha para baixo onde o amigo dele já estava pronto e ereto. Ela nunca vira aquilo na vida, ele se recompunha tão rápido quanto ela. Ainda silenciosa ela senta em cima dele, soltando um suspiro ao senti-lo dentro de si. Ele segura seu rosto com uma mão enquanto ela praticamente pulava em seu colo.
- Olhe para mim. - ele diz ofegante. Ela o encara e apoia seu braço em seus ombros.
Não demorou para ele gozar, aumentando as estocadas. apenas solta o ar que prendia e sente os lábios de junto aos seus. Ele a enlaça com seus braços e a faz deitar junto dele durante o beijo.
- Eu tenho vontade de não voltar para Santa Mônica. Ficar aqui transando com você o dia inteiro.
- Você pode fazer isso com outras garotas.
- As outras não são como você. Parabéns , é meu mais novo hobby e vício.
É. Ela não sabia se isso era uma boa notícia.

Seven.

Era o sexto dia que os dois estavam em Newport Beach, na Califórnia. não parava de receber ligações de amigos, perguntando onde diabos ele estava que não chegara ao Havaí ainda. Tudo o que ele respondia era que ele estava em outro compromisso um pouco mais interessante que a tal festa sem fim do calouro de moda. Essa informação despertou o interesse de todos os presentes e não presentes da festa. Todos os que estavam no Havaí e em Santa Mônica. Mas nenhum deles podiam saber com quem estava em seu compromisso uma vez que sua casa era num condomínio fechado e ninguém de Santa Mônica tinha moradia lá.
Ao acordar olhara para o lado esperando ver o perfil de adormecida do lado. Doce ilusão. O lugar estava vazio. provavelmente havia acordado e ido para a praia tentar desenhar mais alguma roupa.
Ele simplesmente não conseguia entender porquê a moda era tão importante na vida de uma garota. Tudo bem que mulheres só pensavam em homens, dinheiro e moda. Mas geralmente a moda era relacionada à compras, e não a criação. não se importava de não ter, se importava em fazer.
Busca uma boxer para vestir e então segue até a sacada de seu quarto, que tinha uma vista para o mar invejável. Porém neste dia ele não estava muito afim de admirar a imensidão azul, mas sim procurar por uma pessoa em específico. Não demorou a achá-la com aquele mesmo vestido amarelo que a vira pela primeira vez. Sem perceber um sorriso surge em seus lábios. Ela caminhava pela beira-mar. Seus pés afundavam na areia úmida e às vezes as ondas do mar batiam em seus pés, cobrindo-os até os tornozelos. Uma leve brisa batia em seu corpo, balançando seus cabelos. Ela olhava para o horizonte sem fim do mar. Ele queria saber por que ela não sentira nada por ele. E mesmo depois de seis dias ela continuava com a mesma posição. Ele sequer pensava mais na possibilidade de ela estar blefando com ele. Ele sabia que ela não estava. era honesta. Pura. E da mesma maneira que ele a estava usando para poder transar com alguém, ela o estava usando para conseguir suas inspirações. Acontece que ele podia escolher quem quisesse para estar no lugar dela e apostava toda sua fortuna de que a garota não cobraria nada e simplesmente daria toda sua atenção para ele.
Mas estava cansado de toda a atenção. Das pessoas seguindo sua vida. Depois que ele saíra na revista People e na Forbs, não havia quem não o reconhecesse. Todos sabiam sobre sua vida. Todos se importavam com o que ele fazia. Todos o seguia. Menos . Ela era a única pessoa no mundo que não olharia uma segunda vez para ele, caso ele passasse por ela na rua. E só se importava com a moda. A maldita moda.
"Se não pode vencê-los, junte-se a ele." uma voz em seu fundo diz. Ele sorri ao sentir os ventos que antes a atormentavam, vieram perturbar .

terminava de tomar a sua ducha, já que resolvera comer logo antes do banho. Geralmente depois dele ela costumava ser tomada por uma onda de sono e cansaço, então era só comer antes de se
banhar. Enxaguava o rosto com o sabonete líquido e em seguida com água abundante, até sentir uma mão deslizar até sua virgindade e a outra até seu seio. Lábios em seu dorço e o volume de em sua traseira.
- Demorou muito. - ele murmura.
- Será que você não consegue ficar um dia sem transar?
- Você consegue ficar um dia sem desenhar? - ele a retruca e ela fica sem o que dizer. Sorri. - Eu até conseguiria ficar meses sem transar. Acontece que é com você que estamos lidando e eu não vou dar o
luxo de esperar meses para transar com você novamente. Anda, pelo menos sairemos limpos.
- Eu já terminei meu banho. - ela tenta sair do box, mas ele a prensa na parede, encostando seus lábios.
- Que pena, mas não se preocupe, não me importo de banhá-la novamente.
Ele massageava seu clitoris a fazendo mexer a cabeça para o lado em excitação. Mais uma vez eles transaram e mais uma vez ela teve de tomar banho. Ao saírem do banheiro, caminharam até a cama,
onde, sem perguntar, se deitara ao lado da estilista, que fechava os olhos exausta.
- Afim de ir no Fashion Week Paris daqui a duas semanas? - ele pergunta e então a vê abrir seus olhos e encará-lo sério.
- Como?
- Primeira fila. - ele continua. - Sabe que eu consigo.
- O que você quer? - ela pergunta desconfiada e ele a puxa para si.
- Quero você. Só para mim. - sussurra em seu ouvido. - E apenas para mim.
- E você? Será apenas meu? - ao terminar de perguntar ela ouve uma risada vindo dos lábios de .
- Você sabe que eu não tenho dona.
- Bom, eu também não e mesmo assim você me quer só para você.
- Mas eu tenho coisas para te oferecer. Coisas do seu interesse. - ele diz com um sorriso e então vê um sorriso malicioso de , que se levanta e passa as pernas, as deixando uma de cada lado de sua
cintura.
- E eu não? - ela apoia suas mãos no peitoral do homem, que sente sua virgindade roçar em sua cabeça inferior. Morde o lábio. - A diferença, é que eu consigo viver seu você... - ela abaixa e morde o lábio
do milionário. - Mas você não pode viver sem mim.
Sem responder mais nada, ele captura seus lábios e mudam de posição. Sem perceber, ele brincava com a língua em seu pescoço e dorso, enquanto massageava seu seio.
- Custa você retribuir meus carinhos ao menos uma vez? - ele diz entre os beijos. suspira. - Por favor?
Ela abre os olhos e para de beijá-lo. Era a primeira vez que ele literalmente implorava algo para ela. Pode ver em seus olhos que ele não queria apenas o sexo. Não queria o prazer, a satisfação, o ápice. Ele
queria que ela o retribuísse, queria ver em seus olhos o que ela via nos dele. Queria a sentir curtir, não parecer um robô ou uma boneca sem sentimentos e emoções.
Em um resumo, não gostara nada de ver sentimentos expostos à ela.

Eight.

Desde então estava mais do que grudento. Parecia que ele havia sido picado por um inseto e de repente começou a se sentir interessado pelos desenhos da garota. não estava acostumada com toda essa atenção, e para dizer a verdade, ela também não gostava muito da situação. Ele estava invadindo demais a privacidade dela. Se é que ela tinha algum tipo de privacidade com ele.
Estava sentada na varanda da mansão de bebericando um suco e observando a paisagem da praia, até que sente duas mãos em seu ombro descerem até a parte de dentro de sua blusa e pararem em seus seios. Não muda de posição nem quando os lábios dele passavam por seu dorso.
- Você não enjoa de transar com uma mesma pessoa sempre? - ela pergunta curiosa, finalmente desviando o rosto para o lado afim de ver em seus olhos sua resposta. Ele sorri e retira as mãos de dentro de sua blusa, puxando uma cadeira para se sentar o mais próximo que conseguia de .
- Quem disse que eu só estou transando com você? - sussurra em seu ouvido. Ela balança a cabeça em concordância e nada mais diz. Bem que as empregadas da casa eram jovens demais para serem empregadas. Poderiam ser domésticas, mas estamos falando sexualmente agora. - Que tal ficarmos mais uma semana aqui?
- Não, obrigada. Tenho aula na segunda.
- E...?
- E não posso faltar.
- Nem que eu peça com educação? - ele mantinha seus olhos fechados e os lábios roçando a pele de . Não havia como não sentir a excitação crescer em suas partes íntimas. Principalmente quando ele passou a passear sua mão da coxa para o tecido de sua calcinha. - Sei que você quer...
- Você sabe que não. - ela olha para ele, e vê atrás o semblante de algumas empregadas encarando-os sérias. - Você pode ficar, se quiser, não me importo. Há bastante opção querendo ter o que você quer me dar. - ele abre os olhos e vê que ela olhava em algum ponto atrás de si, soltando uma breve risada nauseada.
- Elas são opções, . - volta a roçar e massagear o clitóris da garota por cima do tecido da lingerie. - Você é minha escolha.
- Sinto muito. - ela se mexe confortável na cadeira ao começar a sentir o tesão tomar conta de seu corpo. Se levanta e senta em seu colo, o fazendo abrir um sorriso e jogar os braços para os lados da cadeira em que se sentava. Ao ver ela abrir o zíper de sua bermuda, não evita ver seu olhar de pudor ao enxergar o tamanho do membro que a esperava.
Antes de ela tocar no mesmo, retira a blusa que vestia e então a fina blusa de seda que trajava sem o sutiã por baixo. Sem esperar, toca-a com ambas as mãos, e ela leva as suas a cabeça de baixo do homem, que gemia em prazer enquanto beijava o pescoço da garota. Ainda sentado, retira suas mãos dos seios e leva sua bermuda ao chão, começando a descer o zíper do short jeans de cós alta que trajava. Agora com ambos nus, o vento parecia mais gelado e a pele mais quente.
- Podemos ir para o quarto? - ela pergunta ainda trabalhando no membro do homem.
- Por que não aqui?
- Seu jardineiro se juntou às suas empregadas. - ela inventa qualquer coisa. Não gostava que as pessoas assistissem a transa dos dois, algo que acontecia sempre naquela casa. olha para trás e vê alguns de seus empregados junto à parede de vidro da cozinha. Solta uma risada. Em um único impulso, ele a segura em seu colo e a leva para dentro de casa, caminhando até o segundo andar e batendo a porta atrás de si. mantinha seus lábios percorrendo o dorso do pescoço de , aque apenas sentia seu membro formigar abaixo.
Todas as roupas que estavam em cima da poltrona estofada do quarto de foram para o chão. Ela agora se ajeitava, enquanto se ajoelhava em sua frente e a fazia apoiar cada uma de suas pernas em cada um dos braços da poltrona, deixando a intimidade de à sua mercê. Fora quando ele, pela primeira vez, a encarou sério:
- O que foi? - ela pergunta. - Quer trocar?
- Sou eu quem geralmente recebo o prazer da transa. - ele comenta a fazendo levantar uma sobrancelha. - Todas sempre querem transar comigo.
- Você não vai entrar em uma sessão de desabafo, vai? - a expressão de era séria. Ela estava lá para satisfazê-lo sexualmente, não se tornar uma psicóloga. Mal conseguia entender os próprios sentimentos, quanto mais os dos outros.
- Você sabe que todo meu interesse em você vem a partir do momento em que você tenta me rejeitar, não é? - ele a ignora, a fazendo se calar. - Quero saber se você sabe gozar de verdade.
- O que seria gozar de verdade para você?
- Do tipo, orgasmos múltiplos e tal.
solta uma risada nasalada.
- Tive uma vez com meu ex-namorado.
- Ex-namorado? - ele levanta uma sobrancelha.
- Bom, era de se esperar que eu tivesse diversos espasmos com ele, não é? Senão obviamente eu não namoraria ele. - ela se mexe desconfortável.
se manteve calado a encarando pensativo. Quer dizer que um francesinho qualquer a fez ter orgasmos múltiplos e ele, o cara que teve mais experiências sexuais das mais diversas formas, não consegue?
- Se eu conseguir fazer você--
- Esqueça. - ela o corta e ele levanta as sobrancelhas surpreso. - Não é nada pessoal, mas eu realmente só faço isso quando eu estou envolvida. E nós dois sabemos que não estamos nada envolvidos um com o outro.
- Podemos estar.
Ela ri. Desiste de esperá-lo lhe dar prazer e fecha as pernas, se levantando.
- Ambos sabemos que não daria certo.
- E por que não?
- Por causa da sua infidelidade. - ela o encara antes de entrar no banheiro. levanta uma sobrancelha. - Você não tem dona, e eu não quero um relacionamento aberto. Aceite isso. - e fecha a porta.

Nine.

Logo depois de ter dito aquelas palavras, ficara pensativo. Pensava em como ela estava certa e errada ao mesmo tempo. Ele de fato era um galinha. Dos grandes. Gostava de sair todos os dias, transar com diversas garotas diferentes ou iguais (gêmeas, as univitelinas eram as melhores) e depois descartá-las. Ele tinha fama do sexo bom. Já recebera até propostas de gays para transa.
Mas desde que a conhecera, se prendera a ela. A via de longe e queria seu corpo, a via de perto e a necessitava. Pensava no dia em que voltariam para Santa Mônica e seu estômago embrulha. Não é que ele estava apaixonado. O fato era que ele não queria que todos soubessem que ele se apegou à ela, e não teria jeito de não demonstrar isso em Santa Mônica quando a cidade inteira está de olho em você. Todas as garotas que passam por , os homens tendem a querer traçá-las também. Conhecendo da maneira que ele a conhece, sabia que se algum cara oferecesse algo melhor que ele, ela não pensaria duas vezes em deixá-lo. Queria-a apenas para ele. Seu corpo só para ele. Exclusivamente para ele.
Sem perceber, se manteve um dia inteiro longe da garota, que não pareceu se importar nem um pouco com a ausência do dono da mansão de Newport Beach. Durante todo o tempo que a ficara observando, se manteve concentrada em seu bloco de notas, desenhando e se inspirando. Em momento algum olhara para o lado a procura de e isto o incomodava mais que profundamente. Enquanto ele não conseguia tirar os olhos dela, tudo o que ela queria era criar suas roupas.
Com o tempo longe dela, descobriu que aquilo era necessidade. Quando o esnobou, sentiu a necessidade de tê-la só para si. No fundo, sabia que tinha medo de ela não o querer e querer um outro alguém, não importava que fosse melhor ou pior. Ele sempre tinha de ser o favorito. A primeira opção, e se fosse a única, ainda melhor. Gostava de ver as garotas sofrerem e lutarem por ele. De que se produzissem apenas porque ele estaria no mesmo local que ele. Que mostrassem seus peitos e bundas propositalmente para tentar excitá-lo. Mas então conheceu esta garota que não queria saber nem do dinheiro ou posição de poder que ele tinha.
Fora então que decidira: Para ter só para si, devia fazê-la se apaixonar por ele. E nada mais do que investir na única coisa que importa para ela, para conquistá-la e tê-la em sua mão... A moda.

Com o sucesso de imaginação que tivera durante todo o dia, se sentira bastante satisfeita ao ver que seu caderno de desenhos possuía mais dois lindos modelos combinados. O tempo passara extremamente rápido e o fato de que não viera atormentá-la foi uma mera desatenção que tivera depois do almoço, quando nenhuma das empregadas estavam presentes. Elas deviam estar fazendo favores extras para o patrão. Resolvera então sair e comer algo na praia mesmo, uma vez que, por ser particular, provinha de serviços especiais, como garçons servindo seus chefes e convidados na praia mesmo. Fora um dia perfeito e só ela sabe o quanto queria que aquilo acontecesse novamente.
Assim que retornara para casa, pode ver a luz da sala acesa. Suspirou e arrumou a alça da bolsa que estava pendurada em seu ombro antes de voltar a subir as escadas, até ter em vista no telefone. Ela sabia o que se seguiria. Como imaginara, assim que entrou no imenso cômodo, pode vê-lo desviar seu olhar de alguns papéis que estava em seu colo e levantar um dedo, dizendo que gostaria de dar uma palavra com ela. Da maneira que ela parou, ficou. Voltou a olhar para a paisagem que agora estava escura. A praia linda iluminada pelos imensos holofotes colocados propositalmente pelos donos das residências que se localizavam grudada a ela. Havia um grupo de amigos que jogavam futebol, estes que azararam mais cedo e não receberam nenhum retorno. Volta a olhar para , que sorria ao falar com alguém no telefone. não gostava de ouvir conversas, por isso tinha a especialidade de fechar seus ouvidos, mesmo estando no mesmo local que a pessoa. Troca o peso de perna e arruma novamente a alça da bolsa em seu ombro.
- Sente-se. - ele aponta para a poltrona. o encara e vê que ele havia desligado o celular.
- Tenho pressa. - ela responde. Ele levanta uma sobrancelha. - Quero tomar um banho.
- Daqui a pouco. - ele torna a apontar para o lugar. Sem escolha, se senta e deposita a bolsa no chão. - Como eu havia te dito, consegui os ingressos para o Fashion Week.
- Eu não preciso--
- Não terminei. - ele a corta, fazendo-a se calar. - Gostaria de saber os estilistas que deseja conhecer.
nada responde. Analisa da cabeça aos pés imaginando o que ele teria em mente ao fazer aquilo por ela.
- Não quero nada em troca. - parecia até que ele podia ouvir o que ela pensava. - Só quero te conhecer melhor, sem essa coisa de apenas transar. - mexe a mão em descaso.
A garota ainda assim achava que ele tinha alguma coisa planejada por trás disso tudo. Demora um pouco a responder. , ao sentir a hesitação, sorri:
- Vamos fazer assim. Tome um banho e se arrume, vamos sair para jantar em algum lugar fresco e conversamos.
- Por que está fazendo isso? - ela finalmente diz desconfiada.
mantém o sorriso no rosto e respira fundo, cruzando uma perna:
- Você já deve ter percebido que é um pouco mais especial que meus outros casos. - ele arruma os papéis que estavam em seu colo. - Sendo assim, quero te conhecer e descobrir porque me sinto tão atraído por você.
- O que você sente por mim não é atração. - ela diz séria. solta uma risada nasalada.
- Acredite. - ele se levanta com os papéis em mão. - Você não me conhece como eu sou. - e sobe as escadas, ouvindo a porta do quarto do dono da casa se fechar.

O jantar não fora tão desagradável quando ela imaginara. não estava igual há dias atrás, quando correu atrás dela para apenas obter prazer sexual. Agora ele a respeitava e conversava apenas sobre coisas que ela se sentia confortável em falar. Nada pessoal, nada que invadisse a vida dela. Conversaram sobre moda, o que sabia de melhor. Falaram sobre as belezas dos Estados Unidos, coisa que conhecia melhor que ninguém. Praticamente não comeram. Ficaram apenas beliscando algo enquanto banhavam-se em diversos tipos de bebidas pedidas por para os dois. não sentira que ele a embebedava de propósito uma vez que ele pedia a bebida para ele e a encarava, como se perguntasse se ela gostaria acompanhá-lo, recebendo um aceno positivo de cabeça.
O caminho de casa, fora olhando para o lado de fora. Newport Beach era um lugar bom apenas para os ricos que não tinham o que fazer e queriam socializar. Mas admitia possuir algumas belezas naturais maravilhosas. não tentou puxar assunto, a deixando abrir a janela do carro, coisa que ele não fizera em nenhuma das vezes que andaram de carro, e sentiu a brisa, fechando os olhos e adormecendo. Sentiu os braços fortes do homem a pegar e entreabe.
- Posso andar. - sua voz sai rouca e o vê sorrir.
- Não vai doer ser carregada.
Ela torna a fechar os olhos sonolenta. Sente ser pousada delicadamente à cama e ter seus sapatos retirados. Abraça o travesseiro, enquanto subia suas mãos por suas pernas. Já estava tão acostumada com os toques inoportunos do homem, que passou a não se importar mais com eles, descansando mesmo com ele praticamente transando com ela. Mas esta noite estava sendo diferente. não estava a abusando como sempre fazia, nem a obrigando se manter acordada até que ele chegasse ao ápice.
Sentia as mãos do homem massagear as costas de suas pernas uma vez que estava deitada de bruços. Alguns minutos depois, sente seus lábios estalarem na região de sua bunda, com suas mãos subindo um pouco mais. O tecido de seda de seu vestido subia de acordo com suas mãos e ela não trajava nenhum sutien. Por mais obceno que algumas mulheres achassem não usá-los com vestidos, achava extremamente sexy e apostava que muitas pessoas eram como ela.
Quando sente as mãos de ao lado de seus seios, não os tocando por estarem achatados com o peso de , ela se vira para cima afim de receber o carinho. Com um braço ele a levanta um pouco e com a outra, puxa o vestido pela cabeça, retirando-o facilmente e habilidosamente, jogando-o no chão. Volta a deitá-la entre os diversos travesseiros de pluma. mantinha seus olhos fechados e os lábios entreabertos para suspirar mais forte quando ele pegava em seus pontos fracos. explorava cada pedaço de carne da garota, as mãos deslizavam levemente e lentamente. Então, de repente sente seus lábios grudados nos dela, enquanto os braços enormes do homem eram postas em torno de seu corpo de modo que ele a abraçava. A levanta consigo, fazendo-a se sentar em seu colo. deposita suas mãos nos braços de e suspira mais uma vez quando ele desce seus lábios até seu dorso e então para seus seios. Ela passava as mãos pelos braços para se manter acordada. Seus olhos já estavam pesados demais para serem abertos.
Ele volta a deitá-la na cama e retira a última peça que faltava para deixá-la completamente nua. Desce até sua virgindade e a sente um pouco úmida. Olha para e esta ainda estava com os olhos fechados e a boca entreaberta, passando levemente a língua por eles para umedece-los. Mexe na intimidade da garota, que curva a coluna levemente ao sentir o toque. sorri e agaxa à frente, passando a língua desta vez. Ouve o suspiro de e fecha seus olhos, se deliciando com o sabor que a garota lhe proporcionava de acordo com o tanto de prazer que ele lhe dava.
Passa os braços ao redor de suas pernas, a puxando mais para si. Ela deposita os pés nos ombros ou costas do homem enquanto a língua explorava toda sua intimidade. Sente as mãos de apertarem-lhe as coxas, fazendo-a soltar um gemido. Uma coisa que aprendera durante a uma semana e meia que passara com até agora era gemer. Geralmente ela se esquecia, mas sempre a lembrava de alguma maneira.
Ele já havia feito isso em diversas mulheres, portanto estar com os olhos fechados não era um problema. Mas nunca, em vez alguma se perdera durante o trabalho. gostava de sentir a intimidade de , era quente e macia, aconchegante e ela não se mexia bruscamente, coisa que várias garotas faziam. E ela não gozava rápido. Ficaram por cerca de vinte minutos naquela posição, lhe dando prazer sem parar e apenas tivera um espasmo. Ele gostava quando elas demoravam a gozar.
Assim que finalizou, se levantou e retirou a camisa, jogando-a junto com o vestido. Desabotoa os botões da calça e a deixa cair onde estava, se livrando dela com os pés. Caminha ajoelhado até a mulher, que agora abria os olhos lentamente, vendo o perfil de no escuro. Os lábios se fundem, dividindo o gosto de . Ela, pela primeira vez, passa a mão pelos cabelos do homem, que tinha suas mãos passeando pelas laterais do corpo de . Nunca haviam se beijado por um tempo tão longo como agora. Eles brincavam com suas línguas, soltando algumas risadas por entre tempos.
Então ele se separa dela, retirando sua cueca. Volta a beijá-la ao mesmo tempo que a penetrava lentamente. Ela aperta-lhe os braços com um suspiro e desgruda os lábios dos dele, soltando um pequeno gemido de prazer. As pernas se levantam, quase o enlaçando. Ele se movimentava devagar, deixando-a se acostumar com o imenso pedaço de si dentro dela. Cada vez que voltava, colocava um pouco mais, a fazendo suspirar ainda mais forte. Com o tempo ele acabara se acostumando com o silêncio do sexo dos dois. soltava gemidos em seu ouvido, que era muito mais sexy do que as mulheres que gritavam loucas de prazer. Da maneira de , ele se sentia mais envolvido na transa.
- Mais forte. - ela sussurra em seu ouvido, o fazendo sorrir. Estava conseguindo. Era a primeira vez que lhe pedir por força, geralmente ela nada dizia. Apenas o deixava fazer o que queria. Mas ele dera liberdade o suficiente para ela saber que podia pedir o que quisesse a ele. - Mais rápido. - ela diz novamente. Assim, ele a obedeceu, dando um espaço moderado do corpo dos dois, estando unidos apenas por suas partes íntimas. Ele observava a expressão no rosto da garota, que se lembrava ser de desagrado ou sem nenhuma emoção. Agora ela tinha seus olhos apertados e as mãos agarradas ao lençol. Seu sucesso lhe dava prazer, o fazendo aumentar as estocadas. Ela curva a coluna um pouco e solta um leve gemido. Pedia por mais de uma maneira que o enlouquecia.
Demorou um pouco para os dois chegarem ao ápice juntos. O que mais gostava quando transava com , era que ela conseguia acompanhar seu ritmo. Não tinha pressa, gozando no momento errado. O prazer com era muito melhor.
Assim que terminaram, ele deitou em seu lado e não disseram nada, adormecendo os dois juntos na cama.

Ten.

Durante os dois dias seguintes, fora completamente diferente do que fora na semana e meia anterior. Desligara seu celular, ligando-o apenas para fazer coisas para . Ela não gostava daquilo. Estava a acostumando mal com toda aquela mordomia. Pela primeira vez não se importara com a companhia do homem ao seu lado. O deixara acompanhá-la até a praia para se bronzearem e então ficar ao seu lado a observando desenhar. Em momento algum a atrapalhara com comentários inoportunos. Ela se acostumou com sua presença. Não se importava mais de estar no mesmo aposento que ele, uma vez que ele não queria transar toda hora. A respeitava e faziam sexo apenas à noite. Mas ainda assim, era sempre ele quem tomava a iniciativa. Se não fosse até o quarto da garota, ele ficaria sem sexo. Passara a dormir todos os dias com .
Era o último dia dos dois em Newport Beach, decidira não desenhar mais, já que criara milhares de modelos que seriam inúteis quando voltassem para Santa Mônica. Ela gostava de confeccionar todas as suas roupas, mas não havia dinheiro o suficiente para comprar todos os tecidos e materiais de costura. Decidiu que assim que voltasse para a cidade, iria procurar algum trabalho como costureira para pedir em troca as máquinas para a confecção de suas roupas. Passou a manhã inteira até o início da tarde arrumando sua mala organizadamente. Ouviu baterem na porta e sem precisar responder, aparece com a cabeça dentro do quarto.
- Vamos sair?
- Estou terminando de arrumar a mala. - ela diz colocando o último vestido dentro da bagagem, fechando a tampa da mesma.
Ele então abre a porta por inteiro, se colocando dentro do quarto e indo se deitar na cama.
- Só iremos partir amanhã de manhã. - diz olhando para o teto.
- Não gosto de fazer as coisas apressada.
segue então para o banheiro, tendo os olhos de em si a todo momento. Vai e volta algumas três vezes e então suspira, indicando que havia terminado. Tudo o que precisava fazer agora era tomar um banho e trocar a roupa suada pelo esforço de andar pelo quarto inteiro juntando suas coisas.
- O que vai fazer quando voltar à Santa Mônica? - ele puxa assunto.
- O de sempre. Estudar. - ela responde não o encarando. sorri com a falta de interesse em conversar com ele. Pensa se ela correria algum dia atrás dele para pedir-lhe algo e se ele faria. Olha para o corpo da garota e ri internamente. Era óbvio que faria, com uma troca justa, claro.
Passaram a tarde inteira no centro de Newport caminhando juntos e olhando as boutiques que chamavam tanto a atenção das mulheres de classe alta. explicava sobre os cortes e se a roupa era bem confeccionada ou não até sentir que estava sendo irritante demais, tendo uma risada pela parte de e ele dizer que não tinha problema. Encontram com alguns dos amigos de , que ao encará-la, analisam-na da cabeça aos pés, lhes enviando um sorriso malicioso. Ao perceber, se despede de todos e caminha com a mão pousada na cintura da garota. Em momento algum prestara atenção em nenhum dos homens presentes. Encarava o modo que as garotas locais se vestiam e as cores que elas usavam.
À noite, ele a levou para jantar em um restaurante a beira-mar e ao voltarem para casa, não transaram. Ao contrário de tudo o que imaginara, assim que entrou em seu quarto, ela já se preparava para sentir suas mãos a tocá-la. Mas então ele apenas se deitou em seu lado e a encarou com seus olhos brilhando pela luz do luar que vinha da janela atrás da garota. Ela o olha e ele sorri, pousando um braço em sua barriga e fechando os olhos, indicando que iria dormir. o olha mais alguns minutos pensando o que ele estava tentando fazer, mas desiste ao se ver em um beco sem saída. Fecha os olhos, adormecendo com .

Assim que voltaram à Santa Mônica, nenhum dos dois comentaram sobre a noite que tiveram. a deixou na universidade e ainda a ajudou com as malas até seu dormitório, tendo diversas das garotas encarando os dois boquiabertas. A maioria dos alunos haviam voltado para casa da mega festa que teve de duas semanas no sábado, todos procuravam por e a garota misteriosa. Agora que sabiam quem era, tinha certeza de que todos cairiam em cima de , principalmente os homens. Já tentava não se importar com todos os olhares feios para cima dela. Nunca fora querida em lugar nenhum, portanto não fora um grande esforço ignorá-las.
- Vamos sair de noite?
- Acho que tenho coisas para fazer. - ela o olha significadamente e ele sorri. As garotas se punham no corredor e estava um silêncio enorme para que todas pudessem ouvir o diálogo dos dois. - E a mala para desfazer.
- Está me dando um fora?
sorri, sabia que era irônica.
- Acho que já ficamos juntos por tempo demais. Está na hora de uma folga.
- Você não teve folga nesses últimos dias? - ele se senta em sua cama e ao ver a colega de quarto de entrar, acena. - Como vai?
- Ah, oi . - a garota sorri maliciosamente. - Melhor agora e você?
- Mau. - ele balança a cabeça, vendo a garota levantar as sobrancelhas surpresa. - Estou sendo rejeitado. - e mexe a cabeça em direção a , que lhe ignora, abrindo a mala que ele havia colocado em cima da cama.
- Oras, há outras pessoas querendo sair com você aqui. - a garota diz e ele sorri.
- É verdade. Você se importa, ?
- Nem um pouco. - ela diz imediatamente, pensando no quão bom seria se ele a deixasse um pouco em paz para poder voltar à rotina. - Escuta - ela se lembra e olha para a garota, a tal Emily, que a encara séria. -, você sabe se o comércio aqui abre aos domingos?
- É claro que não. - a garota diz grosseiramente.
assente e agradece. Separa todas as roupas sujas em um lado e as limpas vai guardando no armário. , Emily e as garotas dos outros quartos ficam parados a observando, até que ela se irrita e olha para a colega de quarto e :
- Vocês não iam sair?
ri e olha para Emily, lhe oferecendo o braço. Ela sorri e aceita, ignorando qualquer garota que a encarava invejando-a. os acompanha para fechar a porta, mas assim que terminava de batê-la, coloca a mão, impedindo-a, e diz:
- Te pego às nove. - e sai andando, recebendo um olhar indignado de Emily. revira os olhos e fecha a porta por completo.
Se ela estivesse lá às nove.

Eleven.

Sem perceber, ela havia gasto toda a tarde desarrumando sua mala e se certificando que seu caderno de desenhos ficaria em um lugar bem seguro de qualquer sujeira ou mão engordurada. Assim que terminou, tomou seu banho e colocou uma roupa leve. Olha no relógio, que marcava oito. Lembra de que diria estar as nove ali. Imediatamente pega sua bolsa para sair e voltar daqui a umas três horas, quem sabe. Verifica se estava tudo certo e se olha no espelho, achando que faltava alguma coisa. Prende parte da franja com um prendedor e se dá por satisfeita.
Ao abrir a porta, lá estava conversando com milhares de garotas ao seu redor. Ao ver parada à porta séria sorri e se vira:
- Olá.
As outras garotas então olham para , a maioria delas séria.
- O que faz aqui? - ela fecha a porta atrás de si e sorri sapeca:
- Passei duas semanas com você, sei como é, .
Ela o ignora.
- Saia com uma delas, estão loucas para receber o convite. - e dá as costas ao homem, fazendo várias garotas cochicharem entre si. ri e se desvencilha das garotas que o rodeavam, correndo até e a abraçando por trás:
- Infelizmente, sua semana comigo ainda não chegou ao fim. - e beija-lhe a bochecha.
- O combinado acabou quando passamos o portal da cidade. - ela se solta dele e se vira. - Me deixe em paz.
diminui o sorriso para um mais malicioso.
- Achei que estávamos nos dando bem.
- Pois achou errado. - e volta a lhe dar as costas. bufa e bate as mãos nas pernas, caminhando em passos largos até ela.
- Vamos lá, foi um final de semana legal, não foi? Por que não estender?
- Estamos de volta à realidade, .
- Pode me chamar de .
- Não sou sua amiga. - ela caminhava para fora da área dos dormitórios.
- E se eu pagar suas confecções? Você se torna minha amiga? - ele para num dos postes de luz quando já estavam no jardim e para. - Olhe lá, consegui sua atenção. - faz uma falsa comemoração. - Eu sei que você quer transformar em realidade todos aqueles desenhos, .
- O que sabe sobre isso? - ela se vira para ele. levanta os ombros:
- Pesquisei, você sabe. Tenho contatos.
continua o encarando agora incrédula. Ele sorri:
- Sei exatamente de tudo o que você precisa para criar sua coleção primavera/verão, . - se aproxima lentamente, não a vendo mais se afastar. Coloca as mãos em sua cintura. - Que tal uma troca?
- Estou cansada de transar. - ela finalmente diz e ele suspira.
- É uma pena, porque é mesmo a única coisa que eu quero de você.
Ela estava em suas mãos. Ambos sabiam disso. se mantém sorridente enquanto o encarava séria e pensativa. Valeria a pena vender seu corpo para ele? Talvez não fizesse tanta diferença, uma vez que ficou duas semanas à merce.
- É só isso o que você quer? Meu corpo?
- Óbvio que não... - e solta uma risada. - Eu quero você inteira só para mim. Só para mim.
- Isso quer dizer que eu não posso sair com ninguém? - ele assente. - Eu posso fazer isso.
- E terá de se mudar para minha casa. - a ideia surge na cabeça de repentinamente.
Se se mudasse para sua residência, ele poderia controlá-la da maneira que quisesse e se certificaria que ela dormiria com ele ou no mesmo teto que ele todos os dias, sem nenhuma possibilidade de um cara azará-la de surpresa. A única coisa que tinha de fazer, era parar de dar festas em sua cobertura.
Mas então a viu hesitar. Durante essas duas semanas descobriu que quando hesita, é porque ela analisa todos os lados da moeda, sendo assim, rapidamente trata de dizer:
- É de frente para o mar e posso fazer um quarto que sobra lá como seu muquifo de costura.
o encara. Ele estava dando tudo para ela? De graça assim? Para apenas ter a sensação de tê-la em suas mãos? O que Chanel faria?
Ela sabia bem o que Chanel faria.
- Eu escolho a máquina de costura. - responde, tirando um sorriso de .

Twelve.

A semana seguinte para ela fora um inferno. Todas as garotas se mantinham muito perto de si, como se já fossem melhores amigas de anos. Outras lhe enviavam cartas maldosas e até bonequinhas de vodoo com agulhas espetadas nelas e o nome de na mesma. O fato era que não havia uma pessoa que não estivesse por perto por causa de . Até mesmo os homens da faculdade agora sabiam seu nome e tentavam-lhe conquistá-la. Mas toda vez que se dopava com a situação de estar sendo paquerada, se lembrava de dizendo que a queria apenas para ele. Fazia parte do trato e ela iria cumpri-lo. Apesar de tudo, ela ainda tinha um pouco de sua dignidade.
Era sexta-feira quando todas as garotas que deveriam estar fora arrumando uma programação para a noite ou o final de semana inteiro, estavam no corredor do dormitório feminino da universidade. se aproximava de seu quarto se esquivando de todas, algumas a reconhecendo e lhes mandando olhares desagradáveis, outras cochichando entre si falando mal da garota que todos diziam ser "a francesa que conquistou ". Durante a semana que se passara, todos sabiam que e eram mais do que um casal benefício. Era assim que as pessoas adotavam os casais que estavam juntos para transar. A novidade de tê-la chamado para ir viver em sua casa logo fora assunto não só na universidade, como na cidade toda. Quarta-feira, a mãe dele visitara durante uma aula de confecção e criação para que as duas pudessem se conhecer e todos ficarem ainda mais surpresos de verem que estava levando tudo aquilo muito sério. Obviamente não gostara nada, pois vira diversas garotas chorando e outras a acusando de acabar com suas vidas, um exagero.
Assim que chegou à porta de seu quarto, verificou novamente o número, pois a porta estava escancarada e a colega de quarto de estava sentada à porta chorando nos braços das amigas. Ao olhar para dentro do quarto, pode ver todas suas coisas reviradas, suas roupas e desenhos rasgados em minúsculos pedaços e uma pichação em vermelho escrito: "Não se meta com ".
- ISSO FOI TUDO CULPA SUA! - a colega de quarto disse aos berros para a garota que estava parada assustada olhando para seus desenhos que passou fazendo durante todo o mês jogados ao chão em pedacinhos. Ouvia a garota berrar em seu ouvido e apontar para ela, mas não lhe deu atenção. Todas as suas roupas e sapatos destruídos. Todas as suas coisas. Se senta na cadeira que era a única coisa inteira no quarto e olha para os papéis em pedaços espalhados por todos os lados.
Responsáveis da universidade chegavam e tentavam acalmar a garota, dizendo que reembolsariam as duas, mas ao contrário da colega de quarto, não prestava atenção. Ninguém traria de volta suas ideias maravilhosas que tivera para uma coleção perfeita de inverno. O número de pessoas aumentou ainda mais quando chegou com uma expressão preocupada e adentrou ao quarto, vendo a situação e a pichação. Ele provavelmente havia sido chamado por algum responsável, já que toda aquela bagunça fora por causa dele. De quebra, a mãe e um dos irmãos adentraram junto, causando ainda mais tumulto.
Fora quando ela sentiu a mão de depositar em seu joelho. Ao levantar o olhar para ele, pode ver a surpresa no rosto do homem, que se inclinou para trás ao ver a expressão triste de . Nunca pensaria em ver aquilo estampado em seu rosto.
- O que foi? - ela diz não rancorosa, mas exausta.
- Vim te ajudar.
- Isso é uma surpresa. - ela pega uma das folhas picadas, tentando descobrir qual desenho era aquele e se um dia conseguiria fazer algo assim novamente. - Destruíram tudo.
- Eu sei. - ele a responde. - Vão te reembolsar. - ela assente. - Posso te dar tudo de volta.
- Desculpe, mas acho que você não conseguiria imaginar metade dos meus desenhos. - sua voz sai abafada pela mão que tampava a boca, pelo fato dela ter apoiado o queixo na mão e o cotovelo no joelho.
- Posso te dar inspiração. - ele vê os olhos de se virar para você séria. Ele sabia exatamente o que ela estava pensando: - Eu não penso apenas em sexo, sabia? - sussurra de modo que apenas ela ouviria.
- Eu acho melhor você me deixar em paz. - ela finalmente se endireita e então se levanta. a acompanha.
- Isso não foi minha culpa. - aponta para a pichação na parede.
- Indiretamente, sim, foi sua culpa. Olha, você pode ter qualquer garota que você quer. Eu só não estou mais afim, ok? - e lhe dá as costas, mas ele a segura em seu braço e a vira para ele:
- Você está me dando um fora?
- Eu te dou foras desde o início, se você não percebeu. - sua voz era fria. solta uma risada em deboche e faz um sinal para a mãe, que pediu por privacidade, fechando a porta do quarto e deixando os dois sozinhos lá dentro.
- Não sei se você sabe, mas da mesma maneira que eu posso te ajudar, eu posso acabar com esse seu sonho ridículo.
- Pouco me importo. - ela o encara sério, o fazendo ficar sério. - Estou cansada de lidar com pessoas como você que acham que podem ganhar as pessoas através de chantagens. Ainda se elas recebessem algo. - ela abre os braços mostrando toda perda que teve. - Se não fosse você, , eu não me importaria de ceder. Mas você é visado demais, e não sei se percebeu, mas eu não gosto de estar 'na boca do povo'.
se manteve calado. Não estava acreditando que ela estava dando um fora apenas porque ele era o que todas as garotas queriam de seus namorados. Mas o pior de tudo não era o fora que ele estava recebendo, era o fato de que ele não queria parar de vê-la. Talvez estivesse acostumado com a ideia de tê-la só para ele. Ou talvez ele quisesse finalmente alguém fixa com ele. Não sabia o que estava acontecendo e não sabia se era bom ou ruim.
Colocou as mãos nos bolsos pensativo. Não sabia o que era melhor fazer. Olha para e ela o olhava ainda séria, suspirando então e se virando, na esperança de achar alguma coisa intacta.
- Você está exausta, não está raciocinando direito. - ele insiste.
Ela volta a se virar para ele:
- Sim, eu estou exausta, mas isso não é uma desculpa para me distanciar de você. Eu não quero--
- Eu sei o que você quer, mas deixe eu dizer uma coisa: Você não vai conseguir. - ele diz rudemente. - Aqui no mundo real as coisas são assim, . Você não pode simplesmente achar que está fazendo o melhor para você. Você precisa de contatos. Muito esforço nunca é o suficiente se você não é influente na sociedade. As pessoas apenas fazem pelas outras quando sabem que irão receber algo em troca. Eu estou te oferecendo isso por praticamente nada.
- Desculpe se eu tenho dignidade, . - ela responde friamente. Ele estava certo, ela sabia disso, mas estava cansada dele a tratando como se ela fosse seu brinquedo. As coisas poderiam ser da maneira que ele quisesse, desde que ele a respeitasse, o que não acontecia exatamente.
Voltaram a se calar. pegou sua bolsa de couro gasta e colocou-a no ombro. Aproximou-se de , que levantou a cabeça para encará-la ao vê-la chegar mais perto e a ouviu dizer:
- Eu sei o que eu quero, . E eu vou conseguir. Com ou sem você e sua influência estupenda.

Thirteen.

Ele não tinha reação. Seus olhos estavam estáticos em , que terminava de abrir a porta e passava por todas as garotas que a encaravam curiosas para saber o que haviam discutido, algo que não iriam saber tão cedo. Ou talvez nunca. Viram a estilista se afastar o mais rápido que podia, pois sabia que assim que ele saísse do transe...
- Eu não terminei de falar com você. - sente seu braço ser segurado por uma forte e grande mão. Tenta se soltar, mas não conseguia. era forte demais para deixá-la ir. - Você pensa que pode simplesmente me dispensar dessa maneira?
- Há sempre uma primeira vez para tudo, me deixe em paz. - ela tenta mais uma vez se desvencilhar da mão de . Mais uma vez inútil. - Eu vou gritar.
- E quem te ajudaria? Todas as pessoas nessa cidade e nesse país me adoram. E os que me odeiam não tem cara o suficiente para aparecerem. - ele se aproxima absurdamente dela. - Pode ser de uma maneira rude, mas eu estou tentando te ajudar. E acredite, a probabilidade de eu ser o único é bem maior do que você pensa.
Ao ver que a garota havia acalmado, afrouxou o aperto, a fazendo rapidamente se soltar do mesmo e dar alguns passos para trás:
- Por que você simplesmente não me deixa de lado? Não me esquece? - ela pergunta aborrecida. - Eu não vou me relacionar com outro cara, não tenho interesse nisso, apenas me deixe em paz! - sua voz sai alta, então lhe dando as costas e novamente sendo impedida de continuar por .
- Desculpe se estou envolvido demais com você. - sua voz sai baixa e rouca, a fazendo parar para respirar e o encarar boquiaberta.
Se mantiveram calados por um longo tempo, ela tentando entender o que ele havia dito. Ele só poderia estar brincando com a cara dela. As pessoas não deveriam ser cruéis assim. Tentou olhar em seus olhos, mas ele fugia. Não conseguia saber se era verdade ou não.
- Me solte. - ordena e imediatamente ele o faz.
Voltou ao silêncio e o viu colocar as mãos nos bolsos de sua calça. Pensa no que ele disse. Talvez ele estivesse certo. Talvez ela não conseguisse alcançar seus objetivos rapidamente se não for pela ajuda dele. Mas não queria mais vender seu corpo para ele da maneira que fora nas duas últimas semanas. Ele abusava demais.
- Preciso pensar. - ela finalmente diz. Ele levanta uma sobrancelha. - E agradeça por isso.
Ele solta uma risada em tom de deboche:
- Está vendo? - e aponta para ela. - É exatamente isso o que eu gosto em você. - então levanta os ombros. - Bom, vejo que não tenho escolha, não? - ela assente. - Amanhã. - ele levanta um dedo. - Amanhã te procuro para saber sobre sua resposta. É tempo o suficiente.
Voltou a andar e antes de passar por ela, parou em seu lado e sussurrou em seu ouvido:
- E não tente fugir... - ela o encara e vê o que conhecia se infiltrar em seus olhos. - Você sabe que eu sempre irei te encontrar, onde quer que você esteja.

Fourteen.

Durante todo o tempo que ficou sem , ela se sentia muito mais aliviada do que quando tinha a presença do homem ao seu lado. Sempre querendo a persuadir, sempre querendo que ela fosse sua bonequinha de luxo. Sem nem ao menos perceber, havia se colocado em uma posição que não poderia sair com a mesma facilidade. Quando aceitara ir até Newport Beach, achava que as coisas seriam como eram com Chanel... Que ela conseguiria o que queria e então se veria logo livre desse fardo. Imprevisivelmente, não fora o que acontecera. A contrário do que ela imaginava, se apegara a ela de uma maneira que sequer ele conseguia explicar. Ela não entendia da onde surgira toda aquela obsessão dele por ela. Talvez ele fosse masoquista. Talvez ele apenas quisesse brincar com ela. O fato é que querendo ou não, ambos sabiam que ela não tinha escolha. Que ela era dele e precisava dele para poder conseguir o que queria. Por mais que se esforçasse em dizer que não precisava dele, ambos sabiam que não era exatamente assim. Com o tempo que passaram juntos e que todos pareciam gostar de , percebeu o quão influente ele era na vida daquelas pessoas, do quanto elas dependiam dele para alguma coisa.
Ao mesmo tempo, quando estavam no dormitório com todas aquelas pessoas, viu que mesmo que todos a odiassem, ninguém se atreveria a mexer com ela, pois o que acontecia era que se mexesse com ela, correriam o risco de mexer com . O fato de que ninguém jamais vira o garoto se interessar por alguém desta maneira, a ponto de chamá-la para dividir moradia, era algo novo. Era algo que fazia com que as mulheres de Santa Mônica passassem a temer. Observavam , seguiam-na, stalkeavam-na. Ela sentia fotógrafos escondidos por todos os lados, todos querendo saber de onde surgiu essa garota tão misteriosa que escolheu se manter "fiel" e o que ela faz para manter ele ao seu lado.
Acontece que era naturalmente misteriosa. Sem precedentes, ninguém conseguia imaginar o que fora o passado dela, tampouco como será o futuro. Tudo o que eles sabem é do presente. Sem consciência de suas ambições, as pessoas passaram a querer saber mais sobre a garota, se aproximando e interagindo com a mesma, coisa que a aborrecia mais do que qualquer coisa no mundo. Não gostava de ter sua privacidade invadida. Não gostava de pessoas que mal conhecia perguntasse se ela tivera um bom dia ou se ela iria a tal lugar. Eles que se danassem, ela não suportava a sociabilidade. Tudo o que queria era criar suas roupas, transformá-las em realidade e mudar, mais uma vez, a visão da moda.

Assim que acordara no dia seguinte, tudo o que havia acontecido voltara à sua cabeça. Ao abrir os olhos, pode ver o semblante de , e se não fosse por ele murmurar um 'bom dia', podia com certeza fingir que não acordara para que não precisasse lhe dar atenção. Porém, ele fora paciente. A esperara tomar seu banho e arrumar o material que restara, além de colocar uma roupa que ele havia trazido para ela e que, de acordo com o mesmo, havia sido escolhido por um gestor de moda muito bem conceituado no país. Ela era educada demais para lhe dizer que aquilo não era conceito, era necessidade. O homem faria de tudo para agradar a , não à ela, por isso não se importou em dar um curto vestido com um casaco leve de algodão por cima. Ela odiava vestidos de nylon. Eram falsos e... Sem corte. Pareciam sempre modelos feitos para mulheres sem vida, que vivem em uma rotina. Todas as roupas de nylon, grosseiramente costuradas com linhas grossas e sempre seguindo um padrão. Não dava forma e não deixava o tecido correr de acordo com o vento.
Fora apenas quando estavam dentro do carro que tocou no assunto:
- Você se decidiu?
- Sim.
- E qual é a sua resposta?
Ela hesitou. Ele desvia o olhar de seu celular para ela, pedindo para Jarvis, o motorista, diminuir um pouco a velocidade. Os professores não se importariam se eles se atrasassem vinte minutos na aula.
- Achei que fosse uma coisa fácil de ser decidida.
- É fácil. - ela diz seca.
- Então? Qual a dificuldade em responder?
- Nenhuma. - ela responde. - Nenhuma. - repete para si mesmo. Respira fundo e olha para , que a encarava com um breve sorriso nos lábios. Ele já sabia muito bem a resposta. - Acho que você sabe a resposta.
- Sei. - ele concorda e então se inclina para mais perto dela. - Mas quero ouvir isso de você.
Ela podia sentir o hálito de hortelã vindo de sua boca. Apertou seus próprios lábios e encarou os olhos do homem, que mantinha seu sorriso malicioso para ela. Cruza as pernas e os braços e olha para fora do carro:
- Eu vou para sua casa...
- Ótimo. - ele volta a se endireitar.
- Mas com uma condição. - ela levanta o dedo e o faz levantar uma sobrancelha.
- Fora a do seu escritório particular e dos contatos que eu tenho.
- Sim, é algo particular. - ela continuava encarando o lado de fora do carro. Ouve soltar um riso deboche e mandar ela falar: - Quero a porta do meu quarto com chave.
Fora instantâneo a desfeita do sorriso no rosto de . Ele piscou duas, três vezes até falar:
- Como?
- Se eu for ficar na sua casa, não quero que seja como em Santa Mônica com você invadindo o meu quarto a hora que bem entendesse. Se lá será meu lar, devo ter um certo controle pelo menos sobre o local onde eu vou dormir.
- Acho que isso não será possível... - ele solta outro riso e a vê lhe encarar sério:
- Então não temos um trato.
Ele não estava entendendo. Ela era louca? Já havia mostrado para ela o quão importante era no país. Ela sabia sobre a influência dele sobre todos e mesmo assim ousava encará-lo. Havia alguma coisa errada, ela não era normal. Passou a mão pelo rosto impaciente e apoiou o calcanhar no joelho:
- Há diversas outras coisas que você pode exigir de mim... Menos isso.
- Eu tenho certeza de que você não é burro e nem surdo, . - ela continuava o encarando. - E eu não sou de brincadeiras, como já deve ter percebido. Se você me quer sua, não vou negar meu corpo à você. Mas nego o meu tempo. Ele é meu e eu devo fazer com ele o que eu bem entendo.
- Jarvis, dê algumas voltas na cidade, precisa conhecer alguns points. - diz para o motorista do interfone que tinha ao seu lado. Ouve um 'sim senhor' e então desliga brutamente. - Vamos fazer um trato sobre este trato.
- Não há trato sobre o meu trato. Ou é isso, ou não é. Você escolhe. - ela sabia que vinha por aí. Mas ela estava preparada. O que quer que ele oferecesse, ela estava pronta para recusar.
- O ponto principal de você se mudar para casa, além de eu obter o controle sobre você - ele diz em tom de riso, o fazendo ficar perturbado quando viu que aquilo não a afetava. -, é eu poder usufruir do seu corpo quando eu bem quisesse. Então se você quer toda essa privacidade, digamos que eu estou disposto a aceitar, se arrumarmos um horário para isso.
- Horário? - fora a vez dela de ser irônica. - Eu não sou uma prostituta, , eu não tenho tempo para essas coisas.
- Você não é uma prostituta? - ele ri. - É mesmo?
imediatamente ficou séria. Destrancou a porta do carro e ameaçou pular, mas ele fora mais ágil em segurá-la pelo braço e dar um jeito de trancar novamente a porta:
- Você é maluca? - diz nervoso.
Sim, ela era maluca. Ela ficava maluca quando pessoas insensíveis a chamavam de prostituta sem razão nenhuma. Por mais que soubesse que o que estava fazendo era sinônimo ao que uma prostituta fazia, não admitia ser chamada por tal. Seu pai, antes de abandoná-la, levava diversas desses tipos de mulheres para casa, onde crescera na orgia, ouvindo das mais absurdas coisas e sofrera nas mãos das mulheres que embebedavam o pai e o levavam à falência. Ela podia ser chingada de qualquer nome, qualquer coisa... Menos isso.
Levantou o olhar para , que ao encará-la, quase admitira sentir um pouco de receio, mas ele era , o filho do prefeito de Santa Mônica. E ele conseguia tudo o que queria. Talvez tivesse feito alguma coisa de errado para ela que a deixasse assim, apenas ainda não sabia o que era. Talvez ela não gostasse do ironismo dele. Achava que não, ele sempre fora assim com ela. Talvez ela se aborrecesse por ter sido chamada de prostituta, mas ele tinha certeza de que ela já sabia que era assim que ele a via. E que seria assim que as pessoas a veriam se um dia soubessem sobre a verdadeira razão do relacionamento dos dois.
- Tudo bem, vamos conversar como pessoas adultas e civilizadas. - diz voltando a se sentar, quando viu que a garota havia se acalmado. - Você pode ter a privacidade que quiser no seu quarto. Eu não vou atormentá-la e nem ninguém irá enquanto você estiver lá dentro. Mas os seus finais de semana serão meus. E sexta-feira conta como finais de semana.
- São nos finais de semana quando eu tenho mais tempo--
- Eu estou te dando essa proposta. Não transaremos e eu não tocarei em você durante os quatro dias da semana. Mas a partir de sexta-feira à noite, eu poderei fazer o que bem quiser e você terá que deixar sua porta destrancada para mim. É isso, ou você simplesmente vai ter de lidar comigo tendo a chave do seu quarto também.
Ele era mais esperto do que ela pensava. Se perguntava se era só quando havia sexo no meio da conversa. Volta a olhar para fora do carro e se pergunta o que seria o certo a fazer. Pensa em Coco e em sua história. Ela era uma mulher de atitude. Ela fazia as coisas da maneira que ela queria. Custasse o que custasse. Olha para e este a encarava agora menos malicioso do que antes, talvez ele receasse de verdade sua resposta. Talvez ela devesse fazer ele sofrer um pouco em sua mão.
Afinal, um relacionamento como o deles tem dois lados. O que usa e o que deve ser usado. Ela iria mostrar para ele quem era o usado ali.

Fifteen.

Era sexta-feira. não era nada burro. Ele escolhera aquele dia propositalmente, ela sabia disso.
- Benvinda ao lar. - ele sussurra em seu ouvido enquanto ela observava o mar à frente de seu quarto da sacada. Ele não mentira quando dissera que poderia trazer a inspiração de volta. Sente as mãos de percorrerem sua barriga e seus lábios encostarem em seu ombro.
- Não é a noite ainda. - ela diz friamente. Ele solta uma risada nasalada e se afasta dela.
- Um bônus talvez? - caminha para dentro do quarto, a vendo se virar e adentrar atrás de si. - Vamos estrear a sua cama?
abrir um sorriso malicioso.
- Me dará um bônus amanhã? - se aproxima do homem, que coloca as mãos em sua cintura.
- Nem morto. - ele sorri, acariciando o local com o dedo polegar. então coloca ambas as mãos nos ombros do homem, pronta para enlaçá-lo pelo pescoço. Ao contrário do que se era esperado, ela usou as mãos para empurrá-lo para fora do quarto, ele a olha surpreso:
- Então até de noite. - e fecha a porta em sua cara antes que ele pudesse ter qualquer reação.
se mantém com a boca aberta e ao ouvir a tranca da porta do quarto sendo lacrada, solta uma risada e balança a cabeça, passando a mão pela nuca:
- Você me deixa louco... - e se afasta.

Ao ouvir se afastar, pode finalmente respirar aliviada. Olha para toda a extensão do enorme quarto. Chão encarpetado em um carpete cor gelo, uma enorme cama king size com diversos travesseiros e almofadas em cima, um hack com uma TV de plasma à frente, criado-mudos em ambos os lados da capa e dois abajures embutidos no encosto da cama. A sacada não era pequena e podia facilmente acomodar uma cadeira, como ela fazia naquele momento para iniciar seu desenho.
O quarto obviamente era uma suíte, para chegar até o banheiro, havia um corredor de três armários de porta dupla de cada lado para todas as roupas que um dia seriam acomodadas ali, já que não possuía mais nada devido ao trágico acontecimento de dias trás. Uma enorme banheira italiana se encontrava em um lado do banheiro e a bancada da pia era longa. provavelmente havia pensado bem no tipo de banheira que deveria colocar lá, já que o local podia facilmente acomodar duas pessoas.
Passara a manhã e tarde inteira em seu desenho, analisando e recriando, páginas e páginas gastas para que no fim, apenas uma única peça estivesse inteiramente criada. Se dava por satisfeita. Ela era assim, quando se focava em algo, ela o fazia até conseguir. E como sempre, conseguia. Vê as horas e percebe que estava na hora de aguentar o inoportuno do dono da casa. Ao entrar no quarto e deixar a cadeira em seu lugar, olha para o banheiro que a chamava para um delicioso banho, mas desiste ao lembrar que ainda tinha de dormir com . Destranca a porta silenciosamente para que ele não pudesse ouvir, sabia que era um absurdo, mas não esperava nada daquele homem.
Se joga na imensa cama, que era de verdade grande demais para seu corpo magro. Se acomoda entre os travesseiros e almofadas, tirando os sapatos e meias, jogando-as para qualquer lado. Suspira e fecha os olhos, pensando no que deveria fazer a seguir. Teria de recomeçar, era óbvio. Mas precisava de dinheiro. Depois desse desfalque que ela provavelmente teria para conseguir tudo o que tinha de volta, o dinheiro que juntara na França seria completamente gasto, não podia ficar no negativo e ter de recorrer à . Era capaz dele pedir em troca os dias da semana que ele dera à ela de sossego.
. O que ele queria, afinal? Não era apenas seu corpo. Um homem não precisa trancafiar uma mulher em sua casa para ter seu corpo. Principalmente quando a mulher era ela e ele já sabia que não havia necessidade de pedir muito para que ela transasse com ele. Apenas oferecesse o que ela precisava. Ela não entendia. Talvez fosse o que ele dissera. Talvez ela o intrigasse. Mas que culpa ela tinha se sua concepção sobre homens nunca fora boa desde que o pai a abandoná-la? Ela não gostava de homens, e não que se tornaria lésbica. Apenas odiava como eles querem que as mulheres sejam sempre vulneráveis e dependentes deles. Mulheres podem sim ter o poder de ser independentes e femininas.
Ela gostava de jogos, sempre gostou. Desde a França, quando Aurelio, seu primeiro e único amor, lhe confundia dizendo coisas belas e então a esnobando. Usando-a não como fazia, sexualmente. Aurelio gostava de ter uma mulher bela ao lado. era a garota mais linda do orfanato inteiro. E sempre que saia pelas ruas de Paris, olheiros a chamava para virar modelo. Fora acompanhando esses homens para ganhar dinheiro que ela descobriu a moda e descobriu 'Coco'. Infelizmente, diferente da mentora, não tinha uma boa voz e não era simpática. Mas ela tinha um belo corpo e um conjunto de olhos misteriosos e lábios carnudos que nenhum homem nunca se atreveu a recusar. Aurelio tampouco. Mas ele fora diferente, ele lhe mandava flores e lhe incentivava. Como presente, diferente de outros homens que gastavam fortunas com pulseiras e jantares à luz de velas, Aurelio lhe dava tecidos. De boa qualidade. Para que pudesse criar suas próprias roupas. Ele sabia sempre tudo o que ela queria sem ela ter de pedir. Tudo o que fazia era conversar com ela.
Assim como .
O rosto de se contorce com a semelhança que seu primeiro amor tinha com a pessoa que mais repugnava no mundo. Não entendia por que ela não gostava de , sendo que ele era exatamente como Aurelio. Ambos não pareciam se importar com seus sentimentos e tudo o que ela tinha de fazer era afastá-los de si.
Imagens de Aurelio com seus olhos muito azuis lhe encarando, tomando conta de todos seus pensamentos... Ele era a única pessoa a quem ela não se esqueceu de Paris. Que ainda estava vivaz em sua mente. Abre os olhos e o quarto já estava escuro. Olha para os lados e aguça sua audição. Nenhum ruído senão das ondas quebrando na praia. Se sentia cansada por não fazer nada. Se levanta e olha o relógio. Oito e quarenta. Se ele não chegara até agora, talvez ele não viesse tão cedo.
Toma o seu tão desejado banho e abre os armários vazios, na esperança de encontrar alguma coisa para vestir. E encontrara. colocara apenas vestidos. Como se ela vivesse apenas disso.
Era melhor do que repetir a roupa por três dias seguidos. Escolhe um vestido creme de renda e coloca seu sapato único de salto. Talvez houvessem algumas lojas ainda abertas no centro. Ela estava em Santa Mônica, afinal. Pega seu casaco de couro e o coloca por cima, para quebrar o ar romântico que toda aquela renda dava. Prende o cabelo de lado, deixando a franja cair para o lado depois que secou com o secador. Investe na maquiagem, os olhos contornados por um preto, o rimel bem espesso e o batom vermelho. Sem acessórios. Usava uma pequena pedra de brilhante que na verdade era falsa e pegou o chapéu para completar o look.
Desce as inúmeras escadas até o primeiro andar e não encontra ninguém. De acordo com , a chave de estaria na porta, e lá estava. Pegou-a e colocou dentro de sua carteira, único acessório que ela levava. Grande o suficiente para caber o batom, o celular e o dinheiro. O funcionário da casa tratou de chamar o motorista para levá-la aonde quisesse ir e tudo o que ela fez foi agradecer e recusar, indo até o ponto de ônibus mais perto. Iria se esforçar ao máximo para não depender de .
Assim que se senta em um dos bancos do ônibus, chamando a atenção de todos os passageiros, os ignora e olha para o celular mais uma vez, esperando ver alguma mensagem de , mas nada. Fecha a cara ao pensar o que ela estava pensando ao esperar uma satisfação dele assim. Aquilo era um absurdo. Demora meia hora para chegar até o centro de comércio, já que a casa de se localizava no bairro de classe alta. O Boulevard.
Como era de se esperar, a rua principal estava lotada e iluminada pelos carros, diversos postes e vitrines chamativas. Caminha lentamente loja por loja, decidindo comprar apenas o essencial. O problema era que seu essencial era demasiada. Como sua máquina demoraria duas semanas para chegar, tinha de comprar roupas para sobreviver até lá. Apenas parara as compras quando vira que já não tinha mais loja nenhuma aberta e seus braços reclamavam por segurarem tanto peso. Para em um banco e olha para o celular. Nada. Bufa e resolve jantar por ali, caminhando para o lado dos restaurantes. Passa pela maioria deles, os pés começando a reclamar com o aperto do sapato e a altura do salto, decide o simpático restaurante italiano, sentando-se na mesa que estava na calçada. se sentia mais em Paris quando comia em lugares como aquele. Adorava sentar na calçada para não pegar um resfriado com o frio do ar condicionado que a maioria dos restaurantes deixavam, ou arriscar ter sua maquiagem derretida com o calor. E ela fumava, portanto o ar natural era perfeito para ela.
Três cadeiras foram ocupadas com todas as sacolas e ela sentiu que estava sendo muito bem tratada pelos funcionários do restaurante. Olha para o cardápio e vê os preços que teria de encarar. Respira fundo. Ela precisava arranjar logo algum emprego. Pede uma salada com um suco natural e acende seu cigarro, pegando novamente o celular e vendo finalmente uma mensagem de :
"Onde você está? Está fugindo de mim? Esse não é um bom começo. Volte para cá, estou te esperando. ."
Levanta as duas sobrancelhas. E desde quando ela tentava fugir assim dele? Responde qualquer coisa, informando que demoraria ao menos uma hora para voltar, já que dependia do transporte público e que não queria que ele fosse buscá-la, pois sabia que ele iria descubrir. Assim que fechou o flip de seu celular e olhou para frente, esqueceu de tragar o cigarro, deixando as cinzas quase cair em cima de si.
Ele tinha o sorriso malicioso de sempre e como ela, o cigarro em mãos. Solta a fumaça e se levanta, pegando o celular e a carteira que estavam depositados na mesa, era claro o quão alto ele era, com relação aos americanos que passavam ao seu lado. Vê duas das garçonetes quebrarem o pescoço para encará-lo. Se aproxima de e sem perguntar, se senta na cadeira ao lado da sua.
Aquilo só podia ser um carma. não acreditava naquilo de quando se pensa muito em alguma coisa, ela finalmente acontece.
E ela nem pensara tanto assim em Aurelio.

Sixteen.

Devido às longas pernas, não demorou nem meio segundo para Aurelio parar em sua frente com o sorriso que não conseguia esquecer. Quando pensara em se levantar e fugir daquele que ela mais queria estar nos braços, percebera que era tarde demais:
- Bonne nuit, Mademoiselle, ne vous dérange si je m'assois ici? (Boa noite, senhorita, se importa se eu me sentar aqui?) - ele se inclinava levemente para frente, para que tivesse certeza de que ela ouviria seu cumprimento e responderia à sua pergunta. não conseguia lhe responder. Sua boca não abria, o cigarro estava quase terminado. Percebe o quão tola estava parecendo em sua frente, como era sempre que ele a surpreendia. Limpa a garganta e diz:
- Oui. - e descarrega as cinzas queimadas do cigarro no cinzeiro que havia na mesa. Olha para o lado e seu plano de voltar para casa e ser usada como o objeto sexual de cessara. Achava que afinal, essa era sua função do dia. Ser usada.
Aparentemente alguém mostrara à ela que estava errada. A função de seu dia era esquecer . Ou talvez compará-lo como estava fazendo há pouco.
- Está a passeio? - finalmente pergunta em inglês, mostrando que não gostaria de chamar mais ainda a atenção das outras pessoas ao redor com o francês. Descobrira que ser francesa, ser ligada à moda e possuir uma boa aparência é um imã de problemas. Se pudesse evitar ao menos uma das opções citadas talvez pudesse melhorar suas condições futuras.
Aurelio mudou seu sorriso e deu outra tragada em seu cigarro:
- Seu sotaque está muito bom. - desconversa a pergunta de com seu inglês afrancesado. assente. - Onde está morando?
- Como está Marguerite? - ela pergunta rapidamente. Marguerite era a irmã menor de Aurelio que adorava. A menina tinha seis anos e era completamente o oposto do irmão mais velho. Nada misteriosa, um livro aberto, os cabelos loiros e encaracolados. A única coisa que os identificavam como irmãos eram os olhos muito azuis que ambos carregavam. também apostava que quando a menina crescesse, ficaria alta como o irmão e levaria consigo o sorriso malicioso e olhar misterioso que Aurelio tinha.
O ex ficara a encarando por um tempo calado, provavelmente analisando o estado de , algo que fazia sempre que a via depois de muito tempo sem se comunicarem. Era impossível decifrar suas expressões. pagaria com sua vida para saber tudo o que ele pensasse quando estava com ela.
Estava se sentindo tão imbecil quanto se sentia quando provava que ela era uma pessoa vulnerável a ele. Estava agindo como uma menina assustada e medrosa. Mas era assim que ela era com Aurelio. Quando ele vinha até ela sem ela perceber e ficava por perto. Não era nem preciso dizer algo, sua própria presença a deixava despreparada para o que quer que ele fizesse.
- Está bem, o curso de artes indicou que ela viesse para cá durante uma semana aprender algumas táticas americanas. - outra tragada no cigarro que reconheceu pelo cheiro ser francesa. Infelizmente, esses cigarros eram difíceis de serem encontrados em Santa Mônica e o único lugar que ela achara cobravam os olhos da cara. Amava os cigarros franceses. Eram bem mais suaves que os exageros americanos. - Acabou hoje.
- Está aqui desde semana passada? - ela pergunta surpresa. Ele estava nos Estados Unidos e não fora procurá-la... Ela não deveria ficar aborrecida, tampouco decepcionada. Aurelio havia deixado bem claro suas intenções ao pagar a passagem de ida de para os Estados Unidos.
Só havia uma única razão de estar nos Estados Unidos. Essa razão tinha nome e estava sentado em sua frente neste exato momento.

Tudo começou há cinco meses, quando Aurelio repentinamente chegou no quarto onde vivia com mais duas garotas - que a propósito ela descobrira que Aurelio havia ficado no último dia em Paris -, e lhe disse que queria que ela fosse para a Califórnia para cursar a universidade de moda de Santa Mônica. Não era a melhor do mundo, mas era a melhor dos Estados Unidos, e ele conseguira um com preço para ela.
Obviamente recusara. Estava fora de cogitação ela se afastar de Aurelio, justo naquele momento em que ela começava a achar que ele estava se importando com ela e parando de sair com outras mulheres ao mesmo tempo que dizia que ela era a mulher da vida dele. Franceses... Sempre romanticamente exagerados.
Fora quando ele dissera que estava fazendo isso porque acreditava no potencial dele. Estava tudo pronto, ele fizera tudo às escondidas de , como sempre. As passagens estavam compradas e a matrícula feita. Ele enviou o histórico escolar de , além de depoimento dos professores do colégio, a entrevista fora feita por uma outra garota. Estava tudo certo, apenas o relacionamento deles não. estava decidida a ficar com Aurelio em Paris e então ele parou de atormentá-la. Parou porque ele parou de encontrar com ela. não estranhou pelas primeiras duas semanas, mas quando as duas semanas se tornaram um mês e meio, ela não conseguiu não ir até o homem. Ele dramatizou dizendo que ela o expulsou de sua vida depois de tudo o que ele fizera. Ela lhe explicara que não era verdade.
Pela primeira vez na vida, amolecera seu coração e falou sobre seus sentimentos por Aurelio. Por um momento, acreditou que ele a correspondia. Por três meses e meio achava que as coisas estavam perfeitas. Ela e Aurelio passeavam por Paris com as mãos dadas e ele passara a levá-la às festas como sua companheira. Todas as festas. Os rumores do relacionamento dos dois aumentavam com o passar dos dias. Então, na véspera do dia que deveria embarcar para os Estados Unidos, ela estava feliz em jogar a passagem no lixo. Um grupo de colegas haviam a chamado para beberem alguma coisa em um bar local de Paris, era o único grupo de garotas que saia, por terem gostos em comum. Assim que chegaram ao local combinado, a primeira coisa que vira fora Aurelio com Katherine, a garota rival que dizia ser apaixonada por Aurelio. Em seguida, encontrara as duas garotas com quem costumava a morar, e essas, rindo de sua cara, disseram verdades que não gostaria de ter ouvido nunca.
Antes mesmo que Aurelio a visse, foi embora. Voltou para casa se sentindo a pessoa mais idiota do mundo. Se sentiu aos prantos quando chegara em casa. Olhou ao redor sem saber o que fazer em seguida. Se deixou levar pelas emoções. Se entregou ao amor que sentia por ele.
Fora a última vez que vira Aurelio.
Até agora.

Finalmente descobrira porquê tanto odiava . Como fora tão cega?
era exatamente como Aurelio. Um ordinário. Da a última tragada em seu cigarro antes do garçom servir sua salada e seu suco. Bebe um gole da bebida e não se dá ao trabalho de servir a ele. Mulheres passavam e olhavam descaradamente para Aurelio, que não percebia, ou fingia não perceber suas presenças. Seus olhos estavam mantidos em , seu rosto e seus movimentos.
- Foi difícil te encontrar. - ele finalmente diz, depois que recebeu o copo de cerveja que havia pedido ao garçom. Ela levanta uma sobrancelha, tentando ao máximo não demonstrar a felicidade em saber que ele se esforçara para procurar. - Fui até sua universidade, mas me disseram que você havia se mudado.
Ela continuara não falando. Aproveitava que a salada estava à sua frente e lotava a boca de folhas para que não fosse obrigada a falar. Aurelio se encosta na cadeira e dá outra tragada.
- Eu me perguntei durante esses dois dias que fiquei à sua procura... Onde você poderia estar morando, se o dormitório fora algo que eu consegui para você de graça.
Sentiu seus olhos em si, enquanto dava atenção ao guardanapo de papel depositado ao lado do prato. Pega-o e limpa a boca:
- Não faz sentido você saber onde eu moro.
- E por que não?
- Porque não quero mais te ver. - olha séria para o homem, que não muda sua expressão para mais triste, aborrecido, tampouco feliz. Estava indiferente. Outra tragada é dada por ele, e dessa vez a fumaça parecia ter saído mais grossa. - Por que veio?
- Vim ver como está.
- Por quê?
Ele não respondeu. Ela continuou comendo sua salada, por um momento pensou o quão grande aquele prato era, pois parecia que a comida dentro dentro dele não dimnuía nem um centímetro.
- Você foi sem se despedir. Sem nem avisar que iria. - ele a encara agora sério. balança a cabeça:
- Você não merecia, merecia?
- Não... Eu não merecia. - ele concorda, a fazendo por incrível que pareça, se aborrecer ainda mais. Levantou o braço e pediu para o garçom lhe trazer a conta, mesmo seu copo de suco estando cheio e o prato estar apenas na metade. Apesar da ação, continuou comendo normalmente. - Você está com alguém, não está? Está morando com ele?
Enquanto tomava um gole de seu suco, ela levantou o olhar para ele. Podia sentir a curiosidade dele bater em si. O garçom chega com a conta e ela lhe dá a quantia em dinheiro exata, como sempre fazia. Odiava receber troco, pois sempre se achava na obrigação de contá-lo para que não pudesse ser enganada. Por isso andava sempre com muitos trocados na bolsa.
- Me responda, s'il vous plaît. (por favor.)
- Talvez. Mas isso não é da sua conta. - ela se levanta, deixando a conta em cima da mesa e pegando suas milhares de sacolas. A fome havia passado antes mesmo da comida ter chego. Tinha um bom caminho a percorrer na volta.
Aurelian se levanta com ela e a acompanha até a porta, jogando uma nota de dez na mesa acima da conta de e caminhando com o cigarro aceso em mãos atrás dela. A para na saída e a faz lhe encarar os olhos, aproxima-se então perigosamente e sussurra em seu ouvido:
- Vous ne m'avez pas oublié moi... Non? Je peux sentir votre désir. (Você não se esqueceu de mim... Não é? Eu posso sentir o seu desejo.) - ao ouvir a voz que tanto amava soar em seus ouvidos com provocação, os nervos de explodiram em raiva e ela se soltou. O encarou com rancor e disse:
- Je vous souhaite, ma vous ne voulez plus. Il ya d'autres hommes dans le monde... Son temps a passé. Al revoir Aurellian (Posso te desejar, mas não quero mais você. Há outros homens no mundo... Sua vez passou. Adeus Aurelio.) - se distanciou do homem, que ficara parado na calçada com seus olhos seriamente depositados nela.
Fora a vez dele deixar o cigarro queimar e a cinza cair na calçada.

Seventeen.

Durante o percurso de volta, quase perdera o segundo ônibus que deveria pegar para chegar até a rua de casa de . Ficara o tempo inteiro pensando em Aurelio, e se havia feito certo dispensá-lo assim. Sua cabeça estava confusa e tudo o que era queria, era esquecer aquilo. Ela queria esquecer Aurelio e seu passado com ele. Queria poder ter bom gosto para homens. Gostar de homens que realmente valessem a pena. Se relacionar com homens que fossem de boa indolência.
Chegara à mansão não exausta, mas estressada. Ouviu o barulho da TV sendo desligada enquanto subia os últimos degraus e se apressou a entrar no quarto. Por um segundo pensara em trancá-la, mas não poderia. Era parte do acordo. Colocara as sacolas no chão do corredor ao ouvir o barulho de sua porta se fechando e em seguida as cortinas também. O vento que passou por ter aberto a porta de vidro que dava para a sacada, sentiu que queria desestressar.
- Onde você estava? - olhou para que estava sentado na poltrona ao lado da janela, ambos os braços apoiados nos braços da cadeira. levantou os ombros enquanto tirava os sapatos:
- Te esperei até nove horas, você não chegou, decidi comprar algumas roupas decentes. - caminha até a bolsa maior que havia deixado em casa e pega seu demaquilante, passando-o e retirando toda sua maquiagem.
- E para ir até lá você precisa de toda essa produção?
- Até parece que você nunca saiu comigo à noite. - ela diz com a voz arrastada por estar tirando o batom ainda muito vermelho, apesar de um pouco fraco por ela não ter retocado em momento algum desde que saiu. - Além do mais, você saiu e não me avisou, poderia ter ido mais cedo e comprado mais.
- E desde quando você tem tanto dinheiro? - ele olha para as sacolas no corredor encarpetado até o banheiro.
- Uma mulher prevenida vale por duas. - ela diz e finalmente segue até o banheiro, enxaguando o rosto e ao se virar, ver ainda sentado na poltrona, a encarando como se houvesse alguma coisa de errado com a situação. - O que foi? - ela pergunta, bagunçando um pouco o cabelo.
- Você estava com algum homem?
nada responde.
- Você está fedendo a perfume masculino.
- Fedendo? - levanta o vestido para sentir o perfume que havia dado a Aurelian alguns anos atrás e ele passara a usar unicamente a marca.
- Então você esteve com alguém? - agora sim a voz de estava mais aborrecida.
Para amenizar a situação, retirou seu casaco e o jogou na cadeira do banheiro, em seguida, retirou to seu vestido, o deixando cair no chão e deixá-lo pelo caminho. Vai até , que percorria seu corpo com os olhos, e se senta de frente para ele em seu colo, passando ambos os braços por seu pescoço e sentindo suas mãos em sua cintura e coxa.
- Sim, eu estava com um homem. - ela diz sensualmente. Sabia que ele não brigaria com ela enquanto pensasse em come-la. - Que a propósito, era um imbecil e não largou do meu pé. - ela se mexe em cima do colo de , que olhava para seus seios e mordiscava os lábios ansioso por tocá-los. - Estou muito estressada... - ela beija-lhe a bochecha e então desce para o pescoço, trabalhando com sua língua por um curto período de tempo. Assim, volta para olhar e encontra com seus olhos desejando o corpo dela. - Preciso me desestressar... Você pode me ajudar?
- Depende da maneira que você pedir. - a voz dele sai extremamente rouca e sexy.
então se ajoelha na poltrona de frente a ele e abaixa a lingerie de baixo que trajava. Se levanta para retirá-la e então começa a despir . Quando os dois estavam nu em pêlo, toca-lhe o membro, o fazendo gemer por estar muito ereto. Passa a língua em sua ponta, o fazendo endurecer ainda mais.
- Por favor, sim? - ela diz com a boca grudada em seu membro, o fazendo fechar os olhos e se acomodar na poltrona, relaxando o corpo e sentindo a boca de começar a trabalhar.
Gemia em prazer enquanto sentia a língua dela trabalhar junto em ritmo com a boca. As mãos trabalhavam a base e os olhos eram mantidos fechados para que não pudesse cometer qualquer erro em abri-los e mencionar o nome de Aurelian. Quando mais pensava no ex, mais rápido trabalhava no membro de , que agora reclamava por ela estar trabalhando demais, de modo que ele gozaria mais rápido. Ela não se importava, queria que ele pedisse para ela parar da mesma maneira que gostaria que Aurelian pedisse perdão à ela e aclamasse para ela voltar a seus braços.
Quando então sentiu seus braços serem erguidos, trazendo ela junto. a fez deitar em seu peitoral e disse:
- Você não me ouviu mandar parar? - sua voz transpassava aborrecimento. Em seguida a expressão suavisou. - Mas fora espetacular... Você é realmente boa nisso. Por esta razão, hoje eu vou trabalhar em você. - ele a faz trocar de lugar com ela. - Deve desestressar, não é? Vamos te desestressar... - ele diz a beijando por um longo tempo enquanto suas mãos passeavam pelos seios e a virgindade muito molhada da garota.
Ao contrário dela, não pos a boca em , trabalhara rapidamente com o dedo, a fazendo até gemer sem perceber. Ela estava concentrada demais em sentir os toques de , o que o fazia perceber que havia alguma coisa de errado com ela, mas não reclamaria já que era isso o que ele queria dela. Ele queria que ela demonstrasse que queria o sexo e aproveitasse-o para que gozasse ao fim da transa.
Assim que sentiu a virgindade da garota se contrair com o tesão, resolveu faze-la sofrer um pouco mais, penetrando-a logo em seguida, a fazendo soltar um grito surpreso e agarrando os braços da poltrona, que se não estivesse já contra a parede, seria empurrada, com o tanto de força que colocava em cada estocada. Ela gemia alto e pedia por mais. Havia esquecido o quão irritante era ouvir aquele tipo de som. Se para ela era perturbador, quanto mais para quem estivesse ouvindo de fora. Mas não havia ninguém lá e a casa dos empregados era um pouco afastada da mansão. Ela poderia gemer e berrar o quanto quiser que apenas iria ouvir.
Por mais que ela dissesse que chegaria ao ápice, queria forçá-la ao máximo, para tentar faze-la gozar. Mas ele não conseguia. Estava quase no máximo e ela não chegava nem perto de gozar. Segurara o máximo que conseguia, mas não fora dessa vez. Aumentou as estocadas para algo mais rápido, a fazendo se contorcer em tesão e então deixou-se cair em cima dela. Ficara naquela posição por um tempo, até senti-la se mexer desconfortável, caindo ao lado da mesma e juntando suas forças para retirar as cobertas debaixo de seus corpos e cobri-los. o encarou séria e ele sorriu, lhe tocando os lábios levemente.
- Por que não vai para o seu quarto?
- Aqui era o meu quarto. - ele sorria ternamente, enquanto via arregalar seus olhos e abrir a boca surpresa.
- Como? - ela pergunta.

Eighteen.

Ela o assistia dormir tranquilo. Gostaria de pegar toda aquela tranquilidade e jogá-la pela janela para que ele pudesse explicar apropriadamente o que quis dizer com o que havia dito há algum tempo.
O braço forte de estava depositado em sua barriga, como se mesmo dormindo soubesse que uma hora ela iria fugir dele. Mas ela não tinha essa intenção naquele momento.
Olha ao redor e começa a prestar atenção em cada detalhe daquele quarto. Se ele fora de , por que então ele se deu o trabalho de sair para agregar a uma pessoa que ele apenas gostaria de usufruir sexualmente? Milhares de possibilidades passavam por sua cabeça e nenhuma se encaixava ou no perfil dela, ou no dele.
Agora que estava olhando para todos os cantos com atenção, podia perceber que aquela decoração não fora criada para uma garota que gosta de moda. Na verdade, ele era imune a uma decisão de sexo e idade. Qualquer pessoa poderia morar ali. Volta seu olhar para , que respirava calmamente, a boca levemente aberta. Lentamente se deitou e ficou de frente para o homem, abraçando o travesseiro. Seus olhos não conseguiam se fechar, observava o imenso braço de se mexer de acordo com a respiração. Os cílios eram grandes e os lábios carnudos. Ela gostava dos lábios de . Eles pareciam sempre massagear todos os lugares que tocavam.
Com essa imagem do homem que ela até à pouco odiava, adormeceu.

- Se você quiser, posso levá-la para fazer compras. - ele dizia assim que saíam do banho.
Como era de se esperar, só parecia atraente de verdade enquanto dormia, já que uma vez acordado, ele não lhe dava um pingo de sossego.
- Você pode me levar para almoçar e eu vou fazer compras sozinha. - ela diz enxugando o cabelo ainda nua. Depois das milhares de vezes que ele a vira pelada, sentir vergonha seria uma besteira.
a encara cobiçado e solta uma risada.
- Não quer que eu lhe acompanhe nas suas preciosas compras retrôs?
- Na verdade, não. - ela responde, colocando sua lingerie, seguida de um short jeans de cintura alta e uma camisa de nylon larga que ela prendeu dentro do short. Pegou uma camisa xadrez que havia comprado no dia anterior e um chapéu de palha pequeno. Ela parecia uma típica francesa quando colocou o sapato de couro marrom sem salto e cano alto e o óculos de sol. Retocou o batom cor de boca da maquiagem e pegou sua bolsa.
- Eu gosto quando você se veste como uma européia fashionista. - ele a enlaça pela cintura e se aproxima para beijá-la, mas ela recua.
- Não estrague meu batom, eu acabei de retocá-lo.
ri e a solta. Caminham até o carro dele, que os leva até um restaurante perto do local onde havia ido no dia anterior para fazer as compras.
- Fumante ou não-fumante? - a mulher perguntava sensualmente para , que sorria e responde que não-fumante.
- Eu fumo. - diz assim que a mulher se oferece para levá-los até a mesa.
- Eu sei. - ela vê o sorriso vitorioso de quando ele se põe atrás dela e coloca a mão na parte de trás de sua cintura. Ao passar pelas pessoas, elas paravam para cumprimentá-lo e , depois da quinta vez, desistiu e seguiu sozinha para a mesa.
- Você poderia ser um pouco--
- Eu estou aqui para te agradar. Não a eles. - ela coloca brutamente o guardanapo de pano no colo e coloca os óculos de sol na cabeça.
encosta na cadeira e sorri.
- O que é isso? Mau humor matinal prolongado? - e se inclina mais para frente. - Falta de sexo que não é...
- Isso se chama falta de nicotina. - e aponta para o lado externo do restaurante.
- Você sabe que eu odeio o cheiro de fumaça enquanto como.
- Pensando assim, você então não deveria jamais comer comigo. - ela desvia o olhar ainda aborrecida e aperta os dedos. Se lembra do cheiro do cigarro de Aurelio no dia anterior. Como os queria agora.
- Não seja tão mau humorada, sim? Estou tentando te agradar.
Ela não responde. Não disse mais nada durante todo o tempo em que ele fizera pedido para os dois e pediu uma tônica para os dois. o olha séria:
- O que foi? Vai dizer que também não bebe tônica?
- Eu não gosto de tônica.
- E os franceses bebem o que afinal? - ela pode muito bem sentir a entonação de ironia em sua voz, o que a deixou ainda mais aborrecida. Mais uma vez fica sem responder e levanta o cardápio para evitar que a aborrecesse ainda mais. O que era impossível e ela sabia muito bem.
Assim que os primeiros pratos surgiram, ela se obrigou a deixar o garçom levar o cardápio, porém, diferente do que imaginara, não a atormentou mais, ficando um bom tempo no celular, a fazendo esperar por ele para começar a comer. Olha para o alimento esfriando e revira os olhos. Era esse tipo de castigo que ele lhe daria? Tão infantil. Assim que ele desligou e pegou o talher, demorou ainda mais um tempo apenas para mostrar que aquilo não a afetara em nenhum momento, por mais que estivesse faminta.
Ele tentara colocá-la em uma conversa, mas não obteve sucesso em nenhuma das tentativas. Pularam a sobremesa e ela teve de esperar ele tomar um café e ser paparicado pelo dono do lugar, além de se forçar a sorrir quando ele mencionou que ela era uma linda garota.
No lado de fora do restaurante, ela lhe deu as costas e começara a andar em direção à rua que conhecia. Fora impedida pela mão de , que a segurara e a puxara para si.
- Se você vai ficar sem mim hoje o dia inteiro, eu acho que seria bom se você se despedisse apropriadamente de mim. - ele sussurra perigosamente perto dela.
Por detrás dos óculos de sol, olha para os lados onde diversas pessoas encaravam os dois. Claro. Quem é que não conhecia ali? Ou no mundo?
Se inclina para lhe dar um beijo na bochecha, mas ele rapidamente vira o rosto, capturando seus lábios e a obrigando a beijá-lo por um longo tempo. O beijo terminara quando quis que terminasse. Ao se separar e olhar para o lado, diversas mulheres a olhavam feio ou ofendidas pela ação em público. Sem dizer nada, dá as costas para o homem, que ri:
- O motorista estará por aqui às oito. Não se atrase.
Ela se afasta rapidamente para que ele não pudesse ter chance de segurá-la e perguntar se ela havia ouvido. Já havia tido demais dele pelo dia. Talvez se ela procurasse melhor, pudesse achar uma tabacaria que vendesse cigarros internacionais por um bom preço. Achou uma logo e parou em sua vitrine tentando achar a marca que tanto amava. Cubanas, argentinas, espanholas... Onde estão as francesas?
- Eles não vendem Gauloises aqui. - ouve a voz grossa de Aurelio atrás de si e o vê pelo reflexo da vitrine. - Quem era aquele cara que você beijou?
não responde. Vira o rosto para encarar o francês. Sua expressão era séria e ele podia ver sua mandíbula travada. E isso só significava uma coisa:
Aurelio estava com ciúmes.

Nineteen.

- Eu acho que te fiz uma pergunta. - ele se pos ao lado da garota quando ela voltou a andar olhando as vitrines fingindo interesse. - , eu não paguei sua passagem para você vir se atracar com um americanozinho--
- Não ouse achar que ainda tem algum poder sobre mim, Aurelio. - ela se vira brutamente para o ex e o vê o quão bonito ele estava naquele dia com o colete por cima de sua camiseta. - Foi você quem ficou com Katherine aquele dia, foi você quem acabou com tudo, aceite isso. - assim que terminou de dizer, pretendia lhe dar as costas e ir embora para sempre da vida de Aurelio, mas aparentemente não era o que ele queria, já que segurara fortemente seu braço e a puxara de volta para ele:
- Você é minha, . Você sabe que é. Você me ama, consigo ver em seus olhos, mon'ange. - ele acaricia o rosto da garota, que fecha os olhos por detrás dos óculos de sol. - Eu vim até aqui para ver como você estava e te encontro agarrando um homem no meio da rua. Imagina como está o meu 'eu' interior agora?
A garota não respondeu de imediato. Pensava em como se sentia sempre que encontrava Aurelio com uma garota diferente nos braços. Quando achava que tudo estava certo entre os dois e ele aparecia com alguma vadia para passar a maldita noite. Abre seus olhos e pergunta:
- Dói muito? - sua voz saíra bem mais insegura do que planejava, então segura os braços de Aurelio, que afrouxa a mão do braço da ex:
- Demais.
- Que bom. - ela responde, o fazendo levantar uma sobrancelha. - Espero que doa bastante mesmo, demais, Aurelio. Porque isso não foi nem um terço da dor que eu senti. - ela esperava que ele sentisse a tensão de seu ódio saindo de seus olhos. - Adeus.
- Eu não gosto de despedidas. - ele não larga seu braço, a fazendo encará-lo séria.
- E eu não gosto que me segurem quando eu quero ir embora. - ela olha para a enorme mão do ex apertando seu ante-braço. Ele a afrouxa. - Foi você quem estragou tudo, você sabe disso.
- Sou eu quem está correndo atrás de você agora, não sou? - ele responde, a fazendo se esquecer que queria se afastar dele.
o encarava séria. Retira seus óculos de sol para que o contato fosse direto. Ele não demonstrara receio ou sequer ansiedade. Parecia saber o que faria e mesmo assim não tinha certeza do que aconteceria.
- Me convaincre qu'il est venu pour moi. (Me convença de que veio por mim) - ela dá dois passos para trás e o vê mudar o peso de perna exausto de todo esse jogo. Mas ela não parara. - Si vous voulez vraiment me... Prouvez-le. (Se você me quer mesmo... Prove.)
Dizendo essas palavras, lhe deu as costas e se afastou com o coração a mil. Não sabia o que estava fazendo.
Só esperava que tivesse aguçado a vontade de Aurelio de te-la de volta.

O dia passara mais rápido do que ela imaginava. Aquelas compras lhe fazia sair do mundo real, passava horas em uma única loja, se certificando de que aquela compra valeria a pena, de que conseguiria fazer a combinação que quisesse com as estampas. Com o cartão que lhe dera pela manhã, sabia que não podia se preocupar com o nome da loja, como acontecia na França. Olhar para a marca significava saber a situação financeira que ela devia ter para comprar algo. Em momento algum pensara em ou Blanc ou em como os dois faziam questão de quere-la para eles. Naquela tarde era apenas ela, o cartão de crédito e suas roupas.
Quando dera oito horas, o combinado com o motorista de , ela já mal conseguia caminhar com o número de sacolas que tinha em mãos. Mulheres passavam sempre quebrando seus pescoços pois cenas assim eram apenas vistas em filmes como 'Pretty Woman'. Se aquilo era a realidade de alguém, talvez houvesse mesmo alguém no mundo como o Richard Gere. No caminho para o ponto de encontro, sorri com a concidência de sua história com a da personagem de Julia Roberts. Ela tecnicamente era uma prostituta. De elite, como Amálie, sua amiga que não suportava Chanel descrevia a mentora de . Uma prostituta que se dera bem ao encontrar um homem que tivesse um interesse maior. Apesar de não chegar nem perto de ser tão cavalheiro como Richard Gere, pelo menos ele fizera exatamente o que o personagem do ator fizera no filme. E disso não tinha o que reclamar.
O motorista ao ve-la, rapidamente saíra do carro e a ajudara com as milhares de sacolas, lotando o porta-malas do carro. Além disso, pedira para ele passar em diversas lojas antes de pegar o caminho de casa, para pegar as sacolas que ela não conseguiu carregar e avisara que buscaria antes das nove. Durante todo o caminho para casa, a imagem de Aurelio voltara em sua mente. Massageia as têmporas e joga a cabeça para trás respirando fundo. Resmunga algumas palavras e então volta para encarar a paisagem que estava agora completamente escura por causa do horário. De acordo com que chegava na mansão de , ela podia ver a praia mais vazia e carros mais poderosos passando. Alguns com homens em seus ternos ou jovens relaxados, ou garotas com seus motoristas, como . Os portões de ferro da mansão se abrem assim que o motorista é identificado e não precisou carregar sequer uma das sacolas para dentro da casa, tendo três empregadas fazendo isso por ela. Seus pés se movem dolorosamente à área interna da casa, onde luzes estavam acesas e havia um imenso barulho no lado externo.
Ela já sabia exatamente o que era. Antes de decidir se mudar para a casa de , algumas garotas que conheciam muito bem o jeito antisocial de discutiram em voz alta perto da francesa sobre as festas que sempre dava em sua mansão. Obviamente era a melhor festa de Santa Mônica e qualquer um poderia entrar. Qualquer um que tivesse os dígitos de suas contas bancárias maior que o número de seguidores que Lady Gaga tem no twitter.
Antes que pudesse ser pega por ou alguém extremamente indesejável, o que ela podia considerar todos - sem nenhuma exceção - os amigos de . Achava esquisito a casa estar vazia e o barulho no jardim estar absurdamente alta. Esse era o bom de não ter vizinhos.
Sobe as escadas rapidamente para evitar qualquer contato e se tranca em seu quarto. As sacolas já estavam postas, portanto podia se divertir retirando-as de suas sacolas, passando-as a ferro as que suportavam o calor do objeto e colocá-las ordenadamente e da maneira que queria nos diversos armários que completavam o corredor até o banheiro. Milhares de sacolas estavam espalhadas pelo quarto e metade das roupas estavam depositadas dentro dos armários. Sorria sozinha assim como se divertia sem a presença de ninguém, olhava as roupas e pensava quando começaria a criar suas próprias. Olha para um armário especial de porta dupla que decidira colocar apenas roupas confeccionadas por ela. Vazia. Apenas com um colete de renda que fora o que sobrara daquele terrorismo no dormitório da universidade. Suspira e volta a pendurar a blusa de seda amarela, até que sente um par de mãos em seus seios, respirando derrotada.
- Parece que alguém se divertiu muito com meu cartão hoje. - a voz abafada de soa enquanto ele distribuía beijos pelo pescoço e dorso da garota. - Hora de agradecer.
- Pode esperar eu terminar? - ela aponta para as três sacolas restantes. Ouve a risada de .
- Eu te dei uma tarde inteira sozinha com meu cartão de crédito. - a puxa delicadamente para o quarto, onde via o terno do conjunto social de depositado na poltrona perto à sacada. - Eu acho que você não deveria fazer mais pedidos, mas sim obedecer ordens... - e para, fazendo-a grudar seu corpo no dela.
- Achei que estivesse se divertindo em sua festa. - ela desvia o olhar para a sacada, onde era possível ouvir ainda pessoas falando alto e uma música soando ainda mais barulhenta.
- Sim, sim... Mas acho que está na hora da diversão se transformar em prazer. - e abaixa seu olhar cheio de malícia para o corpo da garota. - Não comprou nada para mim? - não se dá ao trabalho de olhar para as sacolas ou o conteúdo que elas trouxeram para o quarto que agora era de .
- Comprei, mas só irei mostrar se me deixar terminar o que fazia. - ela olha para as três sacolas restantes. levanta as sobrancelhas. - Vai valer a pena.
- Mesmo?
sorri. O mesmo sorriso criado apenas para . Aquele que ela escondia tudo o que sentia e mostrava apenas o que ele queria ver.
- Não confia em mim?
solta uma alta e longa gargalhada.
- Vou então me despedir dos meus convidados. - ele se afasta. - Você tem meia hora.
Ela o vê se afastar e destrancar a porta do quarto, saindo e antes lhe mandando um olhar malicioso. Assim que a porta é fechada, revira os olhos e volta a se agaixar para pegar as três sacolas restantes e ir até o fundo do corredor, onde estavam os últimos armários vazios. Começa a tirar algumas camisas xadrez que costumava usar por cima de regatas e seus mini-shorts. A cada peça que pegava, analisava seu tecido e seu corte. O modo que fora costurado e o trabalho final. Estava tão concentrada em suas novas peças que sequer o percebeu entrar no quarto:
- Você está se prostituindo então?
Ela se vira rapidamente, se encontrando a centímetros de Aurelio. Sentia o aroma da nicotina misturada com seu perfume masculino e prende o ar para que não caísse à tentação. Olhava assustada no fundo dos olhos de Aurelio e pode ver tudo. Ciúmes, posessividade, agressividade, tesão, inveja... Amor. Assim que sente o último sentimento, seus olhos se arregalam ainda mais. Uma única palavra piscava em neon em sua cabeça: Perigo.

Twenty.

- O que está fazendo aqui? - ela pergunta séria, se contentando para não encarar os lábios do ex.
- Acho que eu deveria lhe fazer essa pergunta, huh? - ele a estava provocando. Ela sabia disso. O aroma do cigarro penetrava em suas narinas e limpava seu pulmão de qualquer tipo de nicotina americana que possuia. Precisava de um Gauloise naquele momento. - Mas gostaria que respondesse à minha primeira pergunta.
- Isso não é da sua conta. - ela volta a se virar, pegando a bermuda que estava para colocar na gaveta, agora não se preocupando mais em verificar cada ponto de costura que o short teve. É brutamente virada e encostada no armário, tendo os braços presos por Aurelio e seu corpo grudado no dele.
- Eu já disse que você é minha. - ele diz com a voz contida. sabia quando Aurelio ficava nervoso. O quando era agora.
- Desculpe, mas eu não sabia que agora eu tinha um dono. - se mexe para tentar se soltar, mas sequer conseguiu mover um ombro direito, quanto mais seu corpo inteiro.
- Você tem. E sou eu. - os olhos profundos de Aurelio encaravam os de . - Saia da casa dele agora.
- E se eu não quiser?
Aurelio se cala. Fica encarando , pensando se ela havia mesmo dito aquilo para ele. Lentamente a solta e se levanta.
- O que ele é seu?
- Estamos juntos. - ela diz rapidamente. Quanto mais o visse sofrer, melhor. Por mais que amasse Aurelio, sentia que não podia perder a oportunidade em faze-lo sofrer pelo que fez ela chorar no passado. Apesar dos apesares, não podia negar que estava bem mais madura e confiante.
- Juntos como?
- Você já deve ter percebido, não é? - ela abre os braços, mostrando o quarto. - Dormimos juntos--
- Dormir junto não significa que você ama a pessoa.
- E você sabe muito bem disso, não sabe?
Mais uma vez ela o deixou sem uma resposta e isso estava se tornando cansativo. gostava quando ele retrucava. Não retrucar significava que ele estava se envolvendo emocionalmente demais, ou estava optando por desistir dela. Ela não queria nem uma coisa, nem outra.
- Eu sempre soube que você era uma pessoa que considera mais os emoção à razão... Eu só não sabia que isso te faria parecer tão ingênua. - de alguma maneira, sentiu que ele não queria ofende-la com aquela afirmação. Ficaram trocando olhares por um momento, até ele se afastar dela.
- Aonde vai? - ela não se contenta em ve-lo segurar na maçaneta da porta. Ele a encara sério e diz:
- E você realmente se preocupa?
Dito isso, Aurelio sai do quarto sem mais nem menos. ficara olhando para a porta agora fechada se perguntando se ele havia ou não desistido dela.
Ele não seria capaz... Seria?

- O que foi? - ela ouve a voz de soar depois de terem transado.
As janelas estavam abertas de modo que as cortinas esvoaçavam com o vento salgado do mar que entrava sem vergonha de ver os dois corpos nus e já não mais ofegantes deitados na cama. estava abraçada a um travesseiro enquanto a cabeça jazia em outro, deitada de bruços, ela olhava para o chão encarpetado do quarto. Sentia o dedo de percorrer por suas curvas, como se num tipo de brincadeira estivesse desenhando algo na pele da garota.
- O que foi o quê? - ela pergunta um tempo depois, sentindo o cansaço dos movimentos que fora obrigada a fazer durante o sexo começar a tomar conta de seu pequeno corpo.
- Está diferente hoje. Distante.
- Eu sou distante de você.
- Não, não é. Não como antes. - ele diz um tanto... Emotivo. se mexe, arrumando a cabeça no travesseiro, mas se mantém na mesma posição em que estava. Sente os lábios de tocar seu ombro e descer pela lateral de seu corpo, deslizando a mão antes delicadamente pela pele de pêssego da garota. - Tem alguma coisa te perturbando.
- Não é nada.
- Então tem algo. - ele diz sábio. A mão agora a vira de modo que ele ficara com a parte do tronco em cima da garota. Beija-lhe os lábios e desce os beijos para o dorso do pescoço. - Me conte.
- Eu já disse que não é nada. - Ela fecha os olhos. Não para sentir os toques de , mas para tentar esquecer do motivo que a estava deixando tão tensa. - Eu só quero dormir. - ela finalmente toma alguma iniciativa e empurra o rosto de para longe de seus seios, onde estava agora trabalhando.
Ele fica com o corpo ainda afastado dela e a expressão de incredulidade, até que desiste de tentar ter mais uma 'rapidinha' e se joga em seu lado da cama, passando o braço por detrás da cabeça e encarando o teto.
- Você se preocupa demais. - ele diz a fazendo lhe dar a atenção virando o rosto para ele. Olha para ela e então volta a encarar o teto. - Pare de pensar, isso só atrapalha suas decisões.
Não que ela gostasse de concordar com , Deus sabe o quanto ela odeia isso. Mas a dica dele viera em boa hora. Ela precisava mesmo parar de pensar. Parar de pensar no futuro, em e em Aurelio. Três coisas que entrou em sua vida para acabar com ela como a droga faz com o viciado. Trás prazer momentânea, mas na verdade está aos poucos acabando com sua vida.

No dia seguinte, assim que abrira os olhos, pode ver que uma mesa enorme de café da manhã esperava ser devorado por ela. Olha para o lado para ver se ainda estava no quarto e essa era uma mania dele com seus empregados, mas não. Como sempre, ele acordava mais cedo que ela. Estranhara desta vez não ter sido acordado por ela, mas não reclamou. Olhou para o conteúdo da mesa e ela estava deliciosamente apetitosa. Pratos com frutas descascadas e picadas, torradas frescas, geléias e frios naturais. Sucos e leite. sabia muito bem que não gostava de café. Preferia os descafeinados. Por isso o instantâneo ao lado da jarra de leite. Se perguntara como conseguiram colocar uma mesa dentro de seu quarto sem a acordar. Ela devia estar muito cansada.
Se levanta enrolada no lençol branco e se senta na confortável cadeira. Olha para o prato e vê seus óculos depositados em cima de seu livro, para que lesse enquanto comia. Em cima dos dois, um elástico e um papel dobrado que dizia:
<i>É falta de educação deixar o cabelo caindo em cima da comida. Prenda-o. .<i>
Sem perceber, ela tinha um pequeno sorriso nos lábios. Coloca seus óculos de leitura e tira o livro de cima do prato. Se serve de suco e pega uma das torradas, passando de leve a geléia de damasco por cima. Morde com vontade e abre o livro, vendo um envelope pardo dentro dele. Para de mastigar por um instante e deixa a torrada de volta no prato. Limpando a mão no guardanapo de pano que havia se esquecido de colocar no colo e analisa o conteúdo externo do envelope. Sem nada escrito. Levanta as sobrancelhas e volta a mastigar agora mais lentamente. Abre-o e vê um papel cartão em tom creme perfeitamente dobrado.
Lê o conteúdo enquanto bebia seu suco, mas brutamente para ao perceber seu conteúdo:

Cara senhorita Kitamura,

Agradeço o interesse no trabalho de nossa renomada marca.
Analisei seus trabalho enviado e posso dizer que estou muito surpreso que haja no mundo uma jovem com um senso de moda como o de Coco.
Sendo assim, demonstro através desta carta meu interesse em seu trabalho e a convido para que venha tomar um chá comigo neste final de semana em Santa Mônica.
O local está localizado abaixo, espero ve-la para podermos discutir mais sobre sua influência em Coco e saber sobre detalhes de futuros trabalhos.

Atenciosamente,

Karl Lagerfeld.

Ela sequer se lembrava de respirar. Era uma carta de Karl Lagerfeld. O próprio Karl Lagerfeld.
Lia e relia o conteúdo da carta escrita à mão sem acreditar no que estava vendo.
Seu sonho. Seu maior sonho. Karl Lagerfeld, o estilista de Chanel. Ele vira seu trabalho. Ele gostara de seu trabalho. Ele estava impressionado com seu trabalho! E ele queria conhece-la. Isso não podia ser verdade. Na verdade, isso TINHA que ser verdade.
não conseguia conter o seu sorriso. Depois de anos de sofridão e dor, ela finalmente conseguira um resultado. E aquilo era muito mais do que ela sequer imaginara que conseguiria.
- Então você gostou. - levanta o olhar para , que estava apoiado na cadeira à frente. - Imaginei que fosse gostar.
- Como... - sua voz era fraca. Ele levanta os ombros e se senta.
- Eu disse que tenho contatos.
- Mas foi escrita por Karl Lagerfeld. - ela balança a carta cuidadosamente. Com certeza estaria guardando o pequeno conteúdo para o resto de sua vida.
- Sim, foi. Ele estará vindo para cá durante uma aparição que fará para Chanel. Algumas horas desse tempo contado que ele tem aqui, deseja te ver.
Ela estava sem palavras. A boca não fechava. Tudo o que queria era correr e gritar e beijar e fazer o que ele quiser. Gritar para Aurelio que conquistara aquilo sem ele. Era falar para o mundo que ela finalmente conseguira. Iria encontrar com Karl Lagerfeld.
- Obrigada. - diz para .
O que ela não viu, foi o sorriso do frio falhar quando viu seu sorriso sincero. Talvez, apenas talvez, seu coração tivesse falhado junto com o sorriso.

Twenty One.

O dia seguinte fora crucial. passara a manhã inteira pensando em uma roupa para vestir no final de semana. Ainda faltava uma semana para ele, mas ela não tinha tempo a perder. Ela precisava saber o que falar para Karl e como se portal à sua frente. Ela estaria frente a frente com aquele que ela pode considerar sua inspiração criativa. Olhava desenhos e mais desenhos expostos online de Karl, via seus traços, copiava alguns, criava outros... O domingo inteiro ela se guardou em seu quarto e, sem nem ao menos perceber, se esqueceu de e sua obsessão sexual. Para sua surpresa, quando estava se banhando no fim do dia, se lembrou que era domingo, ultimo dia que teria para te-la sexualmente. E ele não havia a atrapalhado por sequer um segundo durante o dia inteiro. Ao contrário, lhe enviou o almoço e uma carta avisando que ela jantaria com ele em um restaurante no píer. O motorista a levaria.
Ao chegar no local indicado por , olhou ao redor e pode perceber que era um lugar lotado de pessoas. O motorista lhe indicou o lugar com o dedo e pode ver uma grande fila de espera na porta. Ela sabia que não teria que esperar tudo aquilo, afinal, ela estava com . Enquanto caminhava ao lado da fila, podia ouvir algumas garotas ao telefone falando sobre estar no local. Agradecia por não ser reconhecida. Era difícil quando isso acontecia.
- Mon'ange! (Meu anjo!) - ouve uma fina voz atrás de si a fazendo parar instantaneamente.
Se vira, e vê uma pequena garota com os cabelos loiros e encaracolados até metade das costas vindo em sua direção. Arregala os olhos e olha para um ponto atrás da menina. Aurelio vinha com uma mão no bolso e a outra carregava um cigarro aceso. Sente um peso em suas pernas e ao olhar para baixo, vê a irmã mais nova de seu ex abraçada à ela.
- Vamos falar em inglês! - ela ouve a menina dizer em um sotaque ainda pior que a do irmão. - Estou falando muito bem!
- Estou vendo. - se abaixa e se deixa ser abraçada pela garotinha que tanto adorava. - Está linda, Marguerite. E olhe só este vestido... - ela finge animação ao ve-la usando um dos modelitos que havia criado para ela na época em que dividia moradia com Aurelio.
- É meu favorito! - a garota dá um giro trezentos e sessenta graus e para em uma pose. sorri e toca na ponta de seu nariz. Se levanta e vê Aurelio encarando as duas com um sorriso.
- O que quer? - pergunta baixo para que a menina não pudesse ouvir. Ele levantou os ombros:
- Achei que quisesse ve-la. Brigou comigo quando disse que havia a visto.
olha para Marguerite que sorria com seus olhos azuis brilhando com a luz do luar.
- Achei que fosse voltar para Paris. - ela mexe no cachemir que carregava como agasalho e olha para trás para ver se não estaria a procurando.
- Não volto sem você. - ele diz.
Ela volta a encarar Aurelio surpresa e o via com seus olhos muito focados nos dela. Aperta os lábios e olha para Marguerite quando ela diz:
- Aurelio disse que você voltará com a gente para casa!
então entendera tudo. Solta uma risada abafada e olha para o ex:
- Isso é uma brincadeira, não é? - ela diz, o vendo tragar o cigarro que tanto desejava. - Você fez isso de propósito, não fez? - diz baixo o suficiente para que Marguerite não ouvisse. - Disse isso para ela--
- Só estou mostrando para você o seu lugar. - ele diz com um breve sorriso maroto. - Você pertence à França--
- Pois saiba que a França está vindo até mim, Aurelio. - ela diz vitoriosa o fazendo levantar uma sobrancelha. - Isso mesmo, eu consegui. Sem você.
- O que conseguiu?
- Tenho um encontro com Karl Lagerfeld. Essa semana. - viu os olhos de Aurelio demonstrarem raiva. Raiva por ela ter conseguido sem ele. Ele abaixou o cigarro. - Eu disse que conseguiria sem você. Volte para Paris.
Ameaçou se virar, mas fora segurada pelo ex, que a virou para ela:
- O que ele fez para você? - sem perceber, o cigarro estava ao chão e Marguerite estava a dois passos afastada deles. Uma criança normal estaria apavorada, mas ela parecia bem ciente da situação dos dois. - Você está apaixonada?
- Isso não é--
- Eu não vim até esse país de merda para voltar de mãos vazias, . - se aproxima perigosamente dela, fazendo com que seu hálito chegasse aos pulmões da garota. - E eu não volto enquanto não conseguir o que eu quero. - roça seus lábios com a garota, que não conseguia se mover com o estado de sua proximidade. Fora pega desprevenida. - A sede dessa sua marca favorita é em casa. Você irá voltar. - sua voz parecia um pouco mais aliviada e o empurra para longe.
- Eu não volto por sua causa. - olha para Marguerite, que arregala os olhos. Aperta os lábios, mas não poderia deixar de por Aurelio em seu lugar por causa de sua adoração com a garota. - Me deixe em paz, Aurelio. Você perdeu o seu direito--
- Você me deve, . - ele aponta para a garota. - E eu vou cobrar isso logo, logo.
- Eu não te devo nada.
Ele solta uma risada e retira o maço de cigarro do bolso, jogando para ela, que pega com as duas mãos.
- Você sabe muito bem que deve. Não se esqueça do seu passado . - ele volta a colocar as mãos no bolso e se afasta, lhe dando um ultimo sorriso maroto. Marguerite o segue correndo, ainda assustada pelo que havia dito ao irmão mais velho.
A francesa olha para o maço de Gauloises que Aurelio lhe jogara. Intacto, faltando apenas um cigarro, aquele que ele deixara cair sem perceber. Olha para frente e não o vê mais por perto. Coloca o maço cuidadosamente em sua bolsa de mão e dá meia volta, voltando seu caminho para o restaurante. Demorou cinco minutos para conseguir ser atendida e levada até a mesa de às desculpas dos funcionários pela demora do atendimento. Ela nada respondera. Seus pensamentos ainda estavam em Aurelio.
Viu com algumas pessoas ao seu redor, mas nenhuma delas sentadas à mesa de lugar para duas pessoas. O balde de vinho ao lado, assim que ele a viu, se desculpou aos que conversava e levantou, depositando uma mão na parte de trás de sua cintura e depositando um beijo em seus lábios.
- Por que a demora?
- Perdi a hora. - ela responde, colocando a bolsa de mão na mesa e se sentando enquanto o garçom empurrava a cadeira e depois pegara seu cachemir para colocá-la em uma outra cadeira.
- Perdeu a hora? Isso é novidade. - ele sorri fazendo sinal para lhes servirem o vinho, algo rapidamente feito. - Um dia inteiro de preparação não fora o suficiente para programar seu encontro com Karl?
- Você é tão íntimo assim dele? - ela encosta o vinho em seus lábios e retorna a taça à mesa. sorri:
- Vamos dizer que ser rico te faz ser mais próximo de pessoas influentes.
- Você não irá me contar mesmo, não é?
- Você terá que tirar a informação de mim. - ele diz divertido com o rumo que a conversa tomava. levanta as sobrancelhas e se encosta na cadeira, vendo o primeiro prato chegar. - Não vou escolher?
- Eu a convidei, eu decido o menu. - ele diz colocando o guardanapo no colo.
não o contrariou. Estava atordoada demais com o que havia acontecido a pouco. Ouve falar, mas não o escuta completamente. Comia lentamente e os olhos demoravam mais que o normal para piscar. Quando dera por si, tinha seu colo sendo tomado pelos lábios de dentro do carro do herdeiro.
Ao chegar no quarto, retirou sua gravata e a jogou em uma cadeira. O paletó fora deixado no mesmo lugar e a camisa também. seguira até seu closet onde escolhera um pijama e não se dera ao trabalho de se banhar. Não estava com paciência para isso. Estranhou o homem se deitar na cama sem insinuar o sexo e o vê apagar as luzes, deitando apenas com uma boxer.
- Por que me deu seu quarto? - ela diz depois de um tempo no escuro, seus olhos já acostumados com a escuridão. Não houve resposta. Se vira para encará-lo. Ele tinha seus olhos bem abertos e olhando na direção do teto. - Por que está me respeitando?
Ele vira o rosto para ela. Olha para seus lábios e então de volta para seus olhos. Abre um sorriso:
- Eu não estou te respeitando. Estou te fazendo se apaixonar por mim. São coisas bem distintas.
Se fosse cega, ela poderia acreditar pela tonalidade com que o homem lhe dirigia a palavra. Mas ela não era, e seus olhos podiam muito bem além da íris de . Ela sabia que ele a estava fazendo-a se apaixonar por ele, mas era para um propósito completamente diferente daquele que ele procurava demonstrar. Sorri:
- Não vai ser me dando seu quarto que irá conseguir isso. - volta a encarar o teto.
- Você é uma garota difícil. - deposita seu enorme braço em sua barriga, encostando os lábios em seu ombro e aproveitando para deixar lá um beijo.
o encara. Ao senti-la encará-lo, levantou o rosto para devolver o olhar.
- Me beije. - ela pede séria, o fazendo levantar uma de suas sobrancelhas desconfiado. - Ande, me beije.
- E por que eu deveria?
sorri. Respira fundo e lhe dá as costas, fingindo ir dormir. Ao sentir se virar para o lado oposto, ela abre os olhos com um sorriso confiante nos lábios e o pensamento: Quem é que estava apaixonado por quem ali, afinal?

Twenty-two.

O dia seguinte fora como um dia da semana. Sem por perto.
acordara com o sol batendo em seu rosto e o cheiro de maresia do mar que se encontrava à frente da casa. Respirou fundo e abriu os olhos lentamente para que a luminosidade não desfocasse sua vista. Sentou-se e mexeu no cabelo, bagunçando-o ainda mais. Olhou para o lado e já não se encontrava mais em sua cama. Olhou em direção aonde no dia anterior puseram uma imensa mesa de café da manhã e ela não estava lá. Se perguntou se tudo aquilo fora para anunciar seu encontro com Karl. Sem perceber, um pequeno sorriso brotou em seus lábios. Colocou a franja que esvoaçava com a brisa dentro do quarto atrás da orelha e voltou a analisar o ex-quarto de . Ou talvez atual se considerasse que ele estava dormindo consigo todos os dias. Sentiu-se bem por estar ali fora dos olhos das pessoas que tanto a odiavam por ter a atenção do cara mais cobiçado de Santa Mônica e talvez dos Estados Unidos, já que se lembra muito bem de todos os fotógrafos que perseguia o homem de pose pomposa. Olha para o criado-mudo ao lado da cama e vê um pedaço de papel pardo dobrado ao meio. O pega e vê a letra caprichada de :
"O café será servido no jardim, não espere por mim. ."
Então talvez ele se preocupasse em tratá-la bem.
Enquanto tomava sua ducha matinal, se lembrou da noite anterior e sua conversa com sobre... Sentimentos e controvérsias. Fecha os olhos sentindo a água gelada tocar-lhe a pele e os olhos de rapidamente surgem em sua memória, tão clara quanto o cheiro do Gauloise que Aurelio fumava. Colocou-se a pensar na relação que estava tendo. Aquilo já não era mais apenas sexo. Não era mais apenas prazer. Não da parte de , já que ela nunca se importou com o prazer que ele tentava lhe dar. Mas agora era completamente diferente. Ela sabia que ele dizer que estava tentando faze-la se apaixonar por ele não era verdade. Para ela, talvez ele estivesse tentando faze-la se apaixonar por ele porque ele já estivesse apaixonado por ela. O que mais lhe perturbava era: Em que momento ele passou a sentir isso por ela?
Porque se convinha que ela não se esforçara nada para conquistá-lo e o tesão por um corpo definitivamente não se leva ao amor sentimental. Talvez ao amor físico, mas nunca sentimental. Ela nunca lhe fora simpática ou se preocupara em ser sensual. Nunca o paparicara ou se esforçara em agradá-lo. Ela apenas cedeu seu corpo e o evitou. Aquilo estava muito errado. O modo com que o sentimento nasceu não era certo. Nada se esperava por um relacionamento que surgira de um acordo.
Saíra do banho com estes pensamentos, se trocara com ele ainda na cabeça e descera a espera de ver pela casa, mas assim que se sentara na imensa mesa redonda cheia de guloseimas e uma vista para o mar esplêndida, a empregada - agora mais idosa e nada sensual como eram as de Newport - informou que o dono da casa havia saído para uma reunião com a família e só voltaria no final da tarde.
Como se se importasse.
- Ele disse que se quiser ir para algum lugar, pedir para o motorista levá-la.
- Obrigada. - ela devolve um sorriso e vira-se para observar o céu muito limpo e azul. O dia estava perfeito para uma caminhada na praia. Talvez ela pudesse ir àquela praça que havia visto no caminho da casa de no primeiro dia. Comeu reforçado e voltou para seu quarto para colocar um vestido leve, passar uma base protetora e colocar seus óculos escuros e chapéu.
Desceu rapidamente e deixou um pedaço de papel jazido em cima de sua cama. Passou pelo portão e caminhou sentindo a brisa agora mais ausente. Parecia que o dia nunca ficava feio em Santa Mônica. Não como Paris que tinha seus dias de cinza e pessoas mau humoradas caminhando apressadamente para seus trabalhos ou irritadas com os diversos turistas que arriscavam ir à cidade da luz sem saber falar o francês.
Abriu um sorriso. Às vezes sentia falta do estresse francês. Paris era uma cidade como Nova York, para jovens e turistas. Noites divertidas para quem sabia se divertir. E diversão era o que a cidade oferecia. Com o caderno de desenhos debaixo do braço e seu estojo numa bolsa própria que juntara dinheiro para comprar no ano anterior, ela caminhava olhando as crianças se divertirem com suas bicicletas aos olhos dos pais, aos quais estavam sentados em bancos brancos espalhados pela imensa praça em que separava o asfalto da rua e a areia branca da praia.
se sentou em uma das mesinhas que tinha de frente para a praia e abriu seu caderno em uma folha branca. Voltara seus olhos para o mar e imaginara como estaria daqui a um ano. Uma coleção de verão. Verão era uma boa estação, apesar dela gostar muito da primavera por poder abusar dos florais. Abre um sorriso, ela estava inspirada. Inspirada por estar se sentindo bem. Por estar animada em ter o maior número de desenhos que conseguisse fazer antes de encontrar com Karl. Sempre se baseou em Chanel, mas nunca usou seu trabalho como foco. gostava de moda retrô, não clássica. Aqueles vestidos de corte reto e cores neutras não eram combinações que gostava de usar em suas roupas. Olha para a caixa de lápis coloridos que havia ao seu lado. Todos muito bem usados e menores do que o tamanho real, mostrando a qualquer um que ela usava todos eles sem medo. Não entendia por que Karl se interessara tanto em seus trabalhos. Também não sabia como ele se surpreendera com um trabalho que não é a cara de Coco, nem muito menos ter visto nela um senso como o de Gabrielle. Ela era sua inspiração. Seu modo de vida e de atitudes era aquele que seguia. Mas não seguia o mesmo senso que Chanel. De jeito nenhum.
Talvez tivesse feito algo para o estilista considerá-la. Mas será que Karl era assim? Será que ele se levava pelo dinheiro? Qualquer pessoa inteligente no mundo faria algo assim. Ela só não achava que Karl fosse preferir o dinheiro à moda. Se ele a conhecesse, ela poderia pensar que ele pudesse ver um pouco de Coco em si, mas ele nunca sequer a vira em foto.
Com os pensamentos cheios, ela fechou seus olhos para se livrar de todos eles. Queria a inspiração que tinha há meia hora atrás. Suspira e volta a abrir os olhos, o sol agora muito forte. O chapéu de palha branca com a faixa azul marinho fazia uma grande sombra em seu rosto por ter uma grande aba. olha para a folha em branco e com seu lápis de desenho, dá os primeiros riscos fracos, passando para os escuros em seguida.

Estava quase pronto. Mais um detalhe na jaqueta e conseguiria formar seu primeiro desenho do dia.
Ao finalizar, analisa todos os traços que fez com um sorriso nos lábios. Gostava dessa sensação de que fizera um bom trabalho. Olha para o relógio e uma hora e meia havia passado apenas. Suspira e pega a garrafa de água que havia comprado numa pausa que deu no desenho. O calor ainda estava forte e as crianças agora tinham as partes expostas de seus corpos com uma nova camada de protetor solar.
- Eu não sabia que você desenhava modelos masculinos. - ouve atrás de si e se vira rapidamente, vendo curvado em direção ao desenho. arregala os olhos e fecha o caderno sem pensar, como se ele não pudesse ver o conteúdo de seus desenhos. O vê levantar uma de suas sobrancelhas e se sentar ao seu lado.
- O que faz aqui? - ela pergunta séria e o vê olhar para as crianças brincando e alguns de seus pais acenando ao ve-lo olhando em suas direções. se perguntava se havia alguém no país fora ela que não conhecesse .
O rosto de se vira para ela e, mesmo por detrás daqueles óculos escuros, ela pode saber que sua atenção era inteira dela:
- Oras, você escreveu onde estaria. - ele diz e ela se lembra que antes de sair de casa, deixara marcado em um papel para que ela estaria na praça perto de sua casa. - Logo, interpretei como se você quisesse minha companhia, afinal, você nunca fez isso antes.
E ela não sabia ainda porquê fizera hoje.
Alguns minutos se passaram e abre um sorriso:
- Você já se apaixonou por mim?
Ela lhe manda um terrível olhar, o fazendo rir.
- Achei que fosse mais difícil.
- Sim, continue pensando assim. - ela volta a abrir seu caderno e uma nova folha branca e olha para um casal que caminhava de mãos dadas à beira-mar.
- Qual é a do desenho masculino?
- Não se pode mais ter ideias para roupas masculinas? - ela o olha aborrecida. levanta as mãos em culpa e nada mais diz.
Por um momento pensou que estaria livre de seus comentários irritantes, mas então começara com as ações. Sentou as mãos de percorrerem sua cintura e ele depositar um beijo em seu ombro frio. Ela o olha para deixar muito claro de que aquilo não era algo para ser feito ali àquela hora.
- Hoje é domingo, dia de você ser minha. - ele sorri e ela revira os olhos. - Vamos para casa?
- Tenho escolha?
sorri. Era óbvio.
Sem dizer mais nada, ela fechara seu caderno sem nenhuma ideia mais na cabeça e devolveu o estojo à bolsa que tinha. Colocou os óculos de sol e sentiu segurar em sua mão, entrelaçando os dedos. Antes que pudesse perguntar alguma coisa, as vozes dos casais pais soavam cumprimentando , que retornava com um belo sorriso. se espantava o quão simpático ele parecia aos olhos dos outros. Por estar com o filho do prefeito da cidade e, pelo que viu em alguns papéis em cima da mesa de centro da sala de estar, futuro governador dos Estados Unidos, as pessoas também lhe dirigiam a atenção, cumprimentando-a e não recebendo nada mais do que a expressão séria de .
- Precisamos tratar seus sorrisos, .
- Se você quer alguém para sorrir ao seu lado, você sabe que deve chamar outra pessoa para estar no meu lugar. - a garota diz maldosamente.
- Talvez. - diz com a mão livre no bolso. - Mas aí eu teria que levar alguém não tão talentosa como você para conhecer Karl.
soltou uma risada debochante. Ele estava mesmo no jogo.

- . - gemia, sentindo eem seguida as estocadas mais fortes e rápidas de , que por incrível que pareça gemia tão alto quanto ela.
Assim que chegaram ao ápice, ele se jogou ao lado dela, cobrindo os dois corpos nus. Como sempre, nenhum dos dois dissera nada e apenas ouviam a respiração acelerada do outro. se virou para , trazendo-a para perto de si e mais uma vez beijou seu ombro.
Ao chegarem em casa, a moradia estava vazia pois os empregados trabalhavam apenas até a hora do almoço. Por este motivo, não precisou esperar até chegarem ao quarto para começarem a se despir. Foram diversas transas até finalmente finalizarem na cama. se sentia cansada e dolorida pois parecia bem mais dedicado em faze-la gemer. Ela nunca admitiria, mas gostava de brincar com a indignidade dele.
- Você é uma boa namorada. - ele diz do nada, a fazendo parar de respirar por um tempo, pensando se ouvira certo. Vira seu rosto para o homem e ele a encarava com uma calma expressão. Coloca um sorriso nos lábios e a beija, beijo este que fora cortado assim que entendera que ele não estava brincando com ela.
- O que você quis dizer com isso?
- O que um homem quer dizer quando chama a outra de namorada? - ele põe seu corpo acima do dela e passa a lhe beijar o colo.
- Espere! - ela o afasta, colocando as duas mãos no peitoral do homem, o afastando de si. - Eu não sou sua namorada.
- Agora você é. - ele volta a beijá-la e ela novamente o afasta.
- E desde quando você decidiu que seria assim?
Ele sorri e olha o rosto sério de sendo iluminado pela luz da lua que agora estava forte no céu.
- Desde hoje de tarde, quando falei em depoimento mundial que estava namorando você.

Twenty-three.

estava vivendo no inferno. Era um inferno. Na verdade, ela achava que se o inferno houvesse um inferno, seria lá onde ela estaria.
Desde que soubera que havia dito ao mundo sobre o suposto namoro dos dois, todas as pessoas se tornaram ainda mais abusadas. Garotas da universidade corriam atrás da garota para paparicá-la e convence-la a comparecer em suas festas, ou chamá-las para um café ou tarde de compras. Homens estavam ainda mais ousados, além dos professores mais atenciosos e outros mais arrogantes. O pior eram aquelas pessoas com câmeras fotográficas tiradas do além para uma foto com ela. Era o absurdo dos absurdos. Ela estava odiando aquela vida. Estava odiando ser perseguida por paparazzos e receber telefonemas de emissoras querendo marcar uma entrevista. Ela era apenas uma garota se relacionando com um cara desagradável que gostava de come-la.
A semana que ela desejava que passasse mais rápido que as vezes em que ela assistia Breakfast at Tiffanny's para chegar ao tão esperado final de semana, estava demorando mais do que os programas de política da televisão. Na noite de quarta-feira, ela bateu à porta do quarto de . O viu com o corpo à mostra, uma toalha enrolada na cintura e a outra em mãos terminando de enxugar o cabelo.
- Se você quiser, posso tomar outro banho mais tarde. - ele sorri malicioso.
- Posso entrar?
- À vontade. - ele faz uma reverência e se afasta da porta. entra como um foguete e vê que o quarto dele era tão neutro quanto o dela. E menor. Limpa a garganta e se vira para , que continuava a enxugar os cabelos a olhando com pudor.
- Diga que terminamos. - ela diz, o fazendo levantar as sobrancelhas.
- Você sabe que não posso fazer isso. Um namoro que dure três dias? As pessoas parariam de me levar a sério. - ele joga a toalha em uma cadeira e segue para seu closet, onde abre uma das gavetas para pegar uma cueca.
- Então fale para as pessoas pararem de me perseguir! - ela o segue e se afasta ao ve-lo deixar a toalha cair ao chão. Fica do lado de fora do local andando de um lado para o outro. - Eu não aguento mais todas essas pessoas ridículas tentando se aproximar de mim por causa de você. Estou cansada desses homens iguais a você vir até a mim achando que--
- Quem foi até você? - ela ouve a voz de de dentro do closet.
- Todo mundo! Você quer me ouvir? - ela finalmente desiste de não encará-lo. Ele não estava a levando a sério e aquilo estava acabando com o pouco de paciência que ela tinha em si. Vê com a boxer se olhando no espelho para tentar arrumar o cabelo. - Eu não quero essas pessoas perto de mim!
- , desculpe se você faz parte da sociedade--
- Acontece que antes de você me por nessa besteira de brincadeira sem graça, eu era uma excluída da sociedade e era muito bem daquele jeito! Eu não pedi para você espalhar para o mundo que eu era sua namorada! Isso não estava no nosso acordo!
- Oras, eu acho que deixei bem claro que você vindo para cá a faria seguir as minhas regras. - ele se vira para ela e encosta no armário com um sorriso nos lábios.
- Não, eu vim para cá porque você queria um corpo para transar, não uma mulher para dizer ser sua namorada.
O que mais a irritou fora a risada que ele dera a seguir. Seu rosto ficara vermelho com a raiva que estava sentindo e não conseguiu nem se mexer quando ele se aproximou dela e enlaçou sua cintura.
- ... Eu disse que estava a fazendo se apaixonar por mim. - ele aproxima seu rosto do dela. - Aguente isso, você consegue.
- Ou você tira todas essas pessoas de perto de mim, ou eu ignoro todas as suas ameaças e vou embora. - ela diz com raiva na tonalidade, o fazendo diminuir seu sorriso. - Estou pouco me importanto se você pretende acabar com a minha vida. - ela se aproxima ainda mais para mostrar que não estava brincando e que ele passara dos limites. - Se mais alguém vier com uma de amiguinho pra cima de mim, você pode se preparar para dizer ao mundo que sua namorada morreu, porque eu vou sumir da sua vida. - e se vira saindo do quarto e batendo a porta da sua e a trancando.
Porém, não fora necessário, já que surpreendentemente não fora importuná-la ou ameaçá-la. Passou uma hora e meia dentro da banheira que tinha em seu banheiro tentando tirar todo aquele estresse de dentro de si.

Ao sair do carro que estava a levando todos os dias para a universidade, pode ver diversas pessoas afastadas e ao contrário do dia anterior, não havia um monte de paparazzos em cima dela para uma foto perfeita para ser vendida à revistas e televisão. Estranhou as pessoas de longe acenarem para ela, aceno este que não era nunca retribuído. As pessoas paravam de conversar para ve-la passar. Seus passos eram apressados até a sala de aula. Respirou aliviada ao se ver em seu lugar de sempre. Os companheiros de sala entravam e ao ve-la, sentavam em cadeiras mais distantes, a deixando com um círculo vago de cadeiras ao seu redor.
Todas as aulas se seguiram da mesma maneira. E quando o professor que no dia anterior havia pedido para os alunos voltarem com os nomes dos grupos do trabalho que ele havia passado, anunciara que gostaria dos nomes, se viu sozinha, o que para ela era perfeito. Ao sair da sala com um sorriso, encontrara com parado à frente encostado à parede com diversas mulheres ao seu redor. Esperançosa por não ter sido vista por ele e fingindo não te-lo visto ali para que as pessoas não desconfiassem de seu relacionamento, saiu de fininnho para o corredor lateral, onde dava para as escadas que a levaria para a saída da universidade, já que aquela fora a ultima aula do dia.
- Não está fugindo de mim, está? - ela pula ao sentir os braços de enlaçar sua cintura e seu lábio beijar sua bochecha. Ela o olha enquanto tentava andar com ele junto dela e ao encarar seus olhos, sabia que deveria agir como uma boa namorada. Abre um sorriso:
- Por que faria isso?
Ouve sua risada.
- Imagino que esteja de bom humor, não é? - ele sussurra em seu ouvido e ela mantém o mesmo sorriso e volta a olhar para frente.
- Poderia andar como alguém normal? Não estou conseguindo caminhar. - ela se desvencilha de seus braços, finalmente vendo as pessoas e as expressões feias das mulheres. sorri e segura em sua mão, entrelaçando seus dedos, como um casal de namorados apaixonados.
- Que tal almoçarmos fora?
- Tenho trabalho a fazer.
- Oras, é apenas um almoço. - ele sorri e ela levanta os ombros:
- Tudo bem. - tradução: Como não tenho escolha... , ambos sabiam disso.
- Boa garota. - ele sorri e lhe deposita um beijo nos lábios, pegando sua mochila e a carregando para ela aos olhares de todos.

- O que você fez? - ela lhe pergunta já dentro do quarto. - O que fez para ninguém se aproximar de mim? Inventou que tenho algum tipo de doença?
ri enquanto dirigia sua Porsche ao som de Coldplay.
- É claro que não, você acha que as pessoas estariam te olhando feio se soubessem que você tem algum tipo de doença?
- Então o que fez? - ela perde a paciência por ter de concordar com ele. lhe olha antes de voltar sua atenção para o trânsito.
- Eu apenas disse que não queria ninguém a menos de meio metro perto de você.
- Você o quê? - ela pergunta pasma. Aquilo era algum tipo de novo deboche que ele criara para ela?
- Oras, você não disse que não queria ninguém perto de você? Eu apenas dei um jeito, por que está querendo de saber de tudo? - ele diz pela primeira vez aborrecido.
Ela não responde. Vira o rosto para observar o lado externo do carro e nada mais diz. Vê estacionar em frente a um restaurante simples e o manobrista abrir a porta para ela. Foram encaminhados até um espaço mais reservado e depois de pedirem as bebidas, pode falar:
- Seu encontro com Karl será às três da tarde, irei com você.
- Por quê?
- Porque é o que um namorado faz. - ele sorri e lhe manda uma piscadela, a fazendo levantar as sobrancelhas. - Não precisa se produzir--
- Eu sei como devo me vestir ou não, ok? Você não vai também decidir isso por mim.
mantém seu sorriso e encosta na cadeira:
- Por que você é tão ingrata?
- Como?
- Eu faço tudo para você, . Tudo. Eu consigo tudo o que quer. - ele volta a se inclinar para perto dela e tem os dedos cruzados enquanto apoiava os cotovelos na mesa. - Por que ainda me odeia?
Ela não sabia lhe responder. Fizera essa pergunta diversas vezes mas nunca encontrara uma resposta.
- Oras, você não tem uma razão não é? - ele sorri, a fazendo encará-lo séria. - É, não tem mesmo. - ele se desencosta. - Sabe, você se tornou compreensível demais.
- E você sensível demais.
Aquilo de alguma maneira o pegara de jeito. nunca pretendera parecer sensível perto de , por mais que ele soubesse sem mistérios que parte dele era vulnerável à garota. Sem perceber, seu sorriso havia saído do rosto, pois estava com uma expressão muito mais confiante. Um pequeno deslize que o fez sair do topo e se manter à mesma altura que a garota.
- Você está brincando com o fogo, ... - ele diz bebendo um gole do refresco que havia pedido para acompanhar o de .
- Quando você vai entender que eu não tenho medo de você? Pode ser que em alguns aspectos você seja melhor que eu, como sua conta bancária e a influência que você tem em cima das pessoas. - ela pega seu refresco e se encosta na cadeira, misturando o líquido com o canudo que fizera questão de usar, ao contrário do companheiro. Ele a encarava sério prestando atenção no que ela lhe dizia. - Mas eu não tenho medo de perder tudo, . Eu já não tenho nada, não se lembra? Eu sei viver com nada. - ela bebe um gole da bebida, o fazendo entrefechar os olhos com raiva. Ela se inclina para mais perto dele. - Você pode fazer o que quiser, acabar com minha reputação, me machucar, me ameaçar... Eu vou continuar não dando a mínima para você.
Assim que ela terminara, vira que não adiantava o que fizesse, ele não conseguiria afinal manipulá-la. Abre um sorriso para disfarçar sua raiva e respira fundo, apoiando os braços na mesa e se inclinando, preparado para dizer a frase que ficaria na cabeça de por dias:
- Só quero que você saiba que há duas maneiras de se conseguir as coisas na vida: Por bem ou por mal. Você brinca comigo, eu brinco com você. Você me prejudica, eu acabo com você.

Twenty-four.

Apesar da discussão que tiveram durante o almoço da quinta-feira, nenhum dos dois mudou em absolutamente nada. Foi como se aquela conversa nunca tivesse acontecido. Juntos os dois se mantinham intactos, na frente de todos, um casal feliz, fora da vista de todos, ele corria atrás dela e ela o chutava. Por , estava tudo bem. Para , estava fora de seu controle. Ele não conseguia controlar suas emoções perto da garota. Internamente a luta era constante. Estava afastado dela o máximo que podia, pois não conseguia entender porquê gostaria tanto de te-la apenas para si, se já a tinha. Sabia que não fazia nada senão fazer o que ele mandava e se dedicar aos seus desenhos, que pareciam estar melhores do que ela costumava desenhar, já que o sorriso era uma peça rara constante em seu rosto. Ele se sentia responsável pelo sorriso estar estampado no rosto da garota. Contratara um segurança especial apenas para segui-la de longe para saber se ela quebraria sua regra para que pudesse jogar na cara dela quando ela decidisse quebrar o acordo, já que por ele, os dois ficariam dessa maneira por um bom tempo. Mas ao contrário do que ele jamais imaginara, não tinha o menor interesse de transar com outros homens como tinham todas as garotas de Santa Mônica e do resto do mundo que viviam na mesma altura de sociedade que a dele. A garota por quem ele se interessara não dependia da atenção dos homens para se sentir bem. Sua satisfação era causada por ela mesma e o resultado que trazia em seus desenhos. E aquilo o irritava. A única coisa com que ele não podia diretamente se relacionar era a única coisa que a satisfazia. Por mais que a satisfizesse com coisas diferentes, como aquilo que a imaginação de usufruía ou uma paisagem para ela se inspirar, não era nada comparado a uma ideia que lhe surgisse à cabeça mesmo estando em pleno trânsito às oito da noite.
Além disso tudo, ainda não tivera sucesso nenhum em fazer a garota gozar em suas transas. Na mesma quinta-feira que discutiram, entrara no quarto de quando ela o havia esquecido aberto e a flagrou no banho. Impossível de controlar suas reações, ele tratou de pega-la ali mesmo, e ela sequer reclamou. Ele adormecera com ela aquela noite. E pela primeira vez depois de um muito tempo, ela caíra no sono primeiro. Ele aproveitara o tempo em que se manteve acordado para analisar os traços e o que de verdade lhe chamou a atenção. O que no começo era uma brincadeira com seus amigos para provar que ele conseguia qualquer tipo de mulher, até as que odiavam o tipo dele, se transformara em uma obsessão de necessidade. lhe dava um prazer que nenhuma outra mulher jamais conseguira. E era o tipo de homem que não se importava em demonstrar que ficava até com mais de três em uma única festa, quero dizer, come-las em uma única noite. Ele, diferente de outros homens, não tinha problemas com seu membro em esperá-lo voltar a ficar ereto para transar com as mulheres. De tanta experiência, ele já conseguia muito bem transar até dez vezes sem precisar pausar. E mesmo exigindo tudo isso de , ela não reclamava, o que o fazia ficar completamente irado. Pensava que se um dia conseguisse a fazer sentir o prazer do ápice com ele, ela passaria a depender dele como ele era com ela. Mas ele não conseguia. Tentara penetrá-la e dar-lhe prazer de todas as maneiras possíveis, mas nada. Quanto mais os dois transavam parecia que mais sabia quando era o fim para na transa.
Constantemente ele se recordava da única vez que falara diretamente sobre ela e a vida pessoal - e sexual - dela, quando confirmou que não era de gozar muito e apenas uma pessoa havia feito-a sentir tamanho prazer. Uma única pessoa. Não era possível que ele pudesse ser tão bom assim. Não era possível que ele fosse ser um amor de pessoa com . Decididamente ele não era assim. era do tipo de mulher que gostava de um desafio, sabia. Ela agia por interesse pessoal, o homem deveria possuir algo que a instigava a sentir o prazer. Mas o quê? Ele lhe dava o mundo e ela não gozava. O que o homem fizera? Quem era ele? Estaria ela ainda apaixonada por ele? Ela sentia amor por ele?
Perguntas não se calavam. E simplesmente não gostava de ficar com dúvidas.

Ela encarava o maço de Gauloises que Aurelio havia lhe dado da última vez que a vira no píer com Marguerite. Ela não pensava em Aurelio. Ela pensava no prazer que o cigarro lhe daria antes daquela reunião. Mas ela estava completamente pronta, não podia se dar ao desluxo de chegar cheirando à cigarro na frente de Karl. Ele fumava. Era uma chaminé. Mas ele podia. Ela não.
Rapidamente ela voltou com o maço na gaveta, escondido de tudo e todos, e o mais importante, escondido dela. Todas as vezes que vira o maço, ela lembrava de Aurelio. Apenas aquele dia em especial, ele fora usado por uma outra razão. E por mais que o maço estivesse intacto, não conseguia pegar um cigarro e acende-lo por puro luxo. Sentia como se ao pegar um, estaria considerando a proposta de Aurelio em retornar para Paris. E ela não podia se enganar. Ela queria. Queria com todas as suas forças. Queria Aurelio de volta, queria morar com ele, ser possuída por ele, ser amada por ele, ou ao menos se sentir amada. Por outro lado, ela gostava de Santa Mônica. Gostava de ser cuidada por , mesmo com todas as ameaças, a respeitava muito mais do que Blanc. Isso era incomparável. Ouve o barulho da porta se abrir e olha para um bem vestido em um terno Versace e um sorriso no rosto ao ve-la muito bem vestida.
- Incrível não te ver usando Chanel. - ele desliza a mão pelas curvas da garota e aproxima o nariz de seu pescoço. - E nem usando o perfume.
- Não sou tão imbecil assim. - ela diz friamente devido ao nervosismo. Ele sabia muito bem disso.
- É o que garotas normais fariam.
- É por isso que elas continuam com o título de normais. - diz saindo do quarto e indo até o primeiro andar da mansão para ir até o carro que esperavam os dois. sorri e a acompanha.
- Se você tiver esse humor com Karl, ele com certeza te contrataria.
- Eu não quero trabalhar para ele. - ela diz e o encara sério.
- Como? - o encara. - Você não quer trabalhar na Chanel?
- Quando você concluiu que eu gostaria?
- Quando conversamos sobre isso. Quando eu falei sobre o assunto e você me falou sobre ele com os olhos brilhando. Quando vi suas coisas e só haviam coisas de Chanel.
entrou no carro e o fez rapidamente em seguida para não perder a linha da conversa, ela o encara e ao se ver obrigada a responder, diz:
- Eu gosto de <b>Chanel</b>. Coco. Não Karl. Se Gabrielle estivesse viva até hoje, eu com certeza gostaria de trabalhar para ela. Mas ela não está. E ela é apenas um ótimo modelo de inspiração a seguir.
- Você sabe que Karl a vê como uma pessoa para trabalhar para ele, não é?
- Sei.
- E mesmo assim você quer encontrá-lo?
- Se ele fora escolhido para ser o sucessor de Chanel, ele não é pouca coisa, .
E foi assim que decidiu que era aquela mulher quem ele queria para ele para o resto de sua vida. Obviamente todo político tinha suas segundas, terceiras e quartas opções. Mas ... Ela seria sempre a primeira.

Twenty-five.

- Você é muito interessante, . - Karl dizia depois de um gole que havia dado em seu chá. - Fuma?
- Sim.
- E honesta. - ele sorri. Encosta em sua cadeira. - Gosto disso.
- Posso fazer uma pergunta?
a encara. Até aquele momento, se mantivera calada apenas se limitando a responder as perguntas de Karl. Não tentava puxar assunto, ouvia tudo o que ele tinha para falar, todas as histórias que queria contar. E ele parecia gostar. Sem a irritação como em uma entrevista, ele não era cortado, tampouco lhe perguntava sobre qualquer assunto administrativo de Chanel. estava ali para ouvi-lo. E ele estava ali para falar.
- À vontade. - ele diz simpaticamente, algo que nunca vira com uma pessoa que Karl achasse ser inferior a ele. Não em encontros anteriores que tivera com o estilista.
- Em sua carta, o senhor fora claro sobre meu senso ser o mesmo que de senhora Chanel. - ela diz com as mãos pousadas em seu colo. Karl abre um sorriso ainda maior. - Mas meu senso de moda não é igual o de Coco. - Karl havia permitido a chamar Gabrielle Chanel por seu apelido usado apenas com clientes ou pessoas mais próximas.
vira Karl beber mais um gole de seu chá de menta, até então depositar a xícara no pires e o pires na mesa.
- Depois de um bom tempo trabalhando neste rumo e tendo contato com a própria Coco enquanto ela era viva, experiência é o que não falta em um homem como eu. Uma coisa que ela era, era visionista. Coco enxergava o futuro. Ela sabia do futuro. O que ele trazia de moda para ela. E ela não se importava com nenhuma outra coisa senão seus sensos de moda. Ela fazia o que queria fazer. Desenhava e criava o que quisesse desenhar e criar. E não importava o que fosse, ela riscava os traços que desejava. Eu senti os seus traços, . - ele aponta para o trabalho que ela havia levado para mostrar ao profissional. - Mão livre, isso é algo que não existe na contemporânea. Os estilistas estão planejando os riscos como planejam uma peça de tecido para aquele casaco ridículo da Zara. Os bons estilistas colocam o que está na cabeça, no papel. Não existem modelos assim no mundo. - ele aponta mais uma vez para a pasta de trabalhos. - Coco gostava disso. Ela poderia admirar uma pessoa que conseguisse, assim como ela, criar algo sem pensar nos limites, caso tivesse conhecido alguém. Infelizmente, ela não teve a oportunidade. Felizmente, eu tive.
- Obrigada. - dizia maravilhada com as palavras de Karl. Então era isso. Ela era parecida com Coco no final das contas. O sorriso não saia de seu rosto e Karl entendia muito bem. Ele estala os dedos e um dos funcionários presentes se aproxima com uma pasta, o entregando para o próprio Karl, que o abre e olha para agora sério.
- Tenho uma proposta. - ele diz. levanta as sobrancelhas, ela sabia o que era. Ou achava que sabia. A pasta vinha com o nome de Chanel e pelo sorriso que ele lhe dava, não era nada menos do que algum estágio ou espaço na empresa de Chanel. - Uma nova marca será lançada. Crown, é como se chama. Está apenas nos planos. Preciso de um estilista. Estava a procura de um. Mas você deve saber que quando quero fazer algo, gosto de faze-la bem feito. E eu não lançaria a marca enquanto não encontrasse alguém a altura do que procuro. Logo que vi seus trabalhos, vi ali as confecções que eu quero ver em Crown. Minha proposta é muito simples: Seja a estilista de Crown.
Não era o que planejava. Sentado entre Karl e , ele encarava a garota sério. Via nela a confusão por não ter sido chamada para Chanel. Ou talvez por obter uma proposta tão séria logo de cara. O fato é que ela conseguiria o que queria. Ela receberia bem e se veria em breve livre dele. Isso estava saindo de seu controle.
- Mas eu ainda não sou formada...
- Não é necessário formação para fazer uma coisa bem feita. - Karl sorri. - Você acha que Coco teve algum tipo de formação?
Ele tinha razão, pensara. Estava parecendo uma tola na frente dele. Recupera a compostura e olha para a pasta deixada no colo do estilista:
- Qual é o público alvo?
- Jovens e jovens adultos. Entre os dezesseis e trinta anos. É muito claro que atualmente a moda jovem é usada pelas mulheres aos seus trinta anos. A maioria de nossas clientes são senhoras e pessoas independente, queremos chamar também a atenção do público compulsivo. O gosto pelas compras sempre vem da baixa idade. Elas compram pelo prazer, se é que me entende.
- Sim, claro. - olha para as mãos. - Quanto ao número de estilistas...
- Somente você. O salário girará em torno da lucratividade das vendas. Mas o inicial é de doze mil dólares.
Karl sabia que estava segurando a atenção da garota. Vira seus olhos se arregalarem levemente e seus lábios serem pressionados um contra o outro.
- Você poderá trabalhar em sua própria residência. E exigirei um número entre quarenta a cinquenta desenhos por coleção.
Cinquenta desenhos não era ruim. Era difícil, mas não impossível. E sabia que daria conta. Ela conseguia este tipo de coisa.
- Infelizmente o projeto está parado há dois meses, não posso dar ao luxo de esperar por mais.
- Poderei ficar aqui nos Estados Unidos? - ela pergunta. Achara engraçado que dentre todos as dúvidas que tinha sobre a oferta, essa era a que mais queria uma resposta. Karl levantou levemente uma sobrancelha tão curioso quanto ela, mas por saber a razão da pergunta. Uma pessoa que deseja um trabalho geralmente não pergunta o local onde irá trabalhar, mas sim quando poderá começar.
- Tudo depende de como as coisas andarem, sou de Paris, assim como você, pelo que vi em sua ficha. - ele pega outra pasta que já estava depositada em seu colo. - Portanto a sede será em Paris. No entanto, até lá terei tempo para decidir se gostaria que minha estilista esteja a parte do resto da equipe ou se deverá ter sua vida profissional como a de qualquer outro.
assentiu. Não que a confirmação de que ela tivesse que voltar à sua cidade natal fosse mudar sua opinião, iria aonde Karl quisesse que ela fosse. Na verdade, ela sabia que aquela pergunta fora diretamente relacionada à e Aurelio. Talvez se sentisse melhor se ele dissesse que teria a sede construída em Milão ou até na Alemanha, seu país de origem.
- Esta é uma grande oportunidade, se deseja saber minha opinião. - ele chama a atenção da garota de volta. levanta o olhar para encará-lo. - Nenhum jovem estilista no mundo conseguiu o que você está prestes a conseguir, . Ser a estilista de uma marca que está para ser uma nova tendência é o que todos desejam, mas muito poucos conseguem. Este é um caminho certo de sucessos, negá-lo a tornaria uma tola.
A garota sabia daquilo. Assentiu confirmando sua participação, fazendo o sorriso de Karl aparecer. O senhor de setenta e oito anos se endireita e faz um leve sinal com a mão, onde o empregado lhe trouxe mais duas pastas e recolheu as duas que à pouco estavam no colo do estilista.
- Este é o contrato. Esta é a cópia do novo projeto. Não é necessário manter segredo, tudo já está na mídia, a única novidade é a sua contração. - ele lhe entrega uma pasta aberta, em que leu de cabo a rabo com muita paciência e atenção, deixando sua assinatura no fim. E a outra não se atreveu a olhar na frente da pessoa que criou para ela. - Imagino que esteja criando peças para o verão. - Karl balança a mão e duas mulheres retiraram as louças de cima da mesa, deixando nada mais do que o celular dele e de à mesa.
- Sim senhor.
- Ótimo! E quantos já tem pronto? - vê o homem cruzar a perna e depositar as mãos no colo polidamente, a fazendo limpar a garganta e se endireitar:
- Sete.
- É um bom número para quem a pouco perdeu tudo. - ele sorri. - Está com eles aí?
- Sim senhor. - ela pega a pasta de couro marrom que levava consigo a todos os lugares e a entrega para Karl, que abre-a cuidadosamente e passa a observar e analisar todos os desenhos criados.
- Muito bom... - murmura. Depois de um tempo, desvia o olhar para a estilista: - Florais?
- Gosto deles.
- Como muitas francesas. - ele concorda. - Acho que este vestido está muito clichê. Você poderia trocar o vestido para liso e o colete com florais.
- E rendas?
- E rendas. - o homem sorri aprovando. - Rendas é uma ótima aposta para o próximo verão europeu.
abre um pequeno sorriso. Ela amava rendas. Gostava da seda, mas era um tecido muito complicado de se lidar. Rendas eram decorativas, mas tão essenciais em um vestido de luxo quanto o tule em um festido de casamento clássico.
- Isso é jeans? - ele aponta para uma outra peça, confirma. - Interessante... Uma boa combinação, resultado muito impressionante. - seus óculos de grau apoiados no nariz, não conseguia ver em que parte do desenho Karl estava olhando. - E se trocasse as botas por mocassins?
levanta a sobrancelha e olha para o desenho que Karl inclinou para que ela soubesse sobre qual desenho falava. Olha para Karl, que a olhava aguardando uma resposta. Aperta os lábios e diz:
- Prefiro as botas.
Karl sorri.
- Muito bom. Gosto de confiança em seus desenhos. Bem - ele fecha a pasta com uma mão e a devolve para . -, belo trabalho, gostaria que me enviasse um jogo de trinta e cinco a quarenta e três peças até o início de Dezembro, sim?
- Sim senhor.
- Perfeito. - ele se levanta, sendo seguido pelos dois. - Fora ótimo conhece-la senhorita . Vejo um futuro brilhante.
- Muito obrigada. - ela sorri feliz. O homem lhe beija as duas bochechas e aperta a mão de , trocando algumas palavras que não ouviu por não estar nem um pouco interessada. Ao sentir a mão de em sua cintura, soube que era a hora de deixar a cobertura do hotel em que Karl estava hospedado. Durante todo o caminho, os dois se mantiveram calados. Sendo seguidos por diversos fotógrafos, mantinha-se séria e, pela primeira vez, não vira sorrir ou acenar para câmera alguma. Continuou com a mão em sua cintura e continuou caminhando sem parar até seu carro.
O percurso de casa fora extremamente curto para e longo para . Pensamentos longínquos um do outro, ela feliz, ele perturbado. Ao chegarem à mansão, deixou o carro com um pequeno sentimento de aborrecimento por não ter a quem contar a novidade, gostaria de poder compartilhá-la com alguém, mas a única pessoa disponível para poder falar sobre o assunto era . E ela não queria muito papo com ele.
Ao contrário da garota, ainda se manteve dentro do carro por alguns minutos, dispensando o manobrista para ter um tempo para pensar. Se lembra da quantia oferecida por Karl como sinal para o trabalho de . Ela poderia achar que seria tudo aquilo, mas sabia que aquilo não era um terço do que ela estaria recebendo daqui a alguns meses. Com doze mil, ela poderia comprar uma pequena casa em qualquer lugar dos Estados Unidos. Mas ele ainda tinha uma carta na manga. era intercambista e não podia morar sozinha sem alguma autorização do governo. Enquanto o visto dela se mantivesse assim, ela pertenceria a ele. Pelos cálculos, tinha um ano, no mínimo, para achar uma solução para este seu problema.
Porém a pergunta principal era: Por que diabos ele estava planejando estar com em um ano?

Twenty-six.

Com a proposta aceita, o tempo de para diminuíra drasticamente. O estudante de administração de empresas, ao invés de fazer como fazia com qualquer mulher que tentava lhe esnobar para que o tivesse mais para ela, que era abandoná-la, passou a se trancar mais em sua casa e apenas sair quando quisesse. Enquanto ele não arranjasse uma maneira de faze-la se apaixonar por ele, continuaria a seguindo cada passo fora de casa para saber se ela estaria ou não pensando em sair dali. Por enquanto o resultado não fora nada terrível. As coisas continuaram da maneira que eram.
estava presa em seu quarto. Uma semana e alguns dias se passaram desde a reunião com Karl. Seus assistentes continuavam em contato com ela, mas nunca era nada demais, apenas faziam as perguntas habituais de assistentes a mando de seus patrões. Olha para a pasta nova de desenhos que havia comprado para si e que já possuía um desenho e meio pronto. Se continuasse assim, não conseguiria nunca cumprir o prazo de Karl. Suspira e olha para o corredor com os armários de roupas. Podia ouvir o maço de Gauloises dali lhe chamar para uma tragada. Mas não podia. Se voltasse a fumar aquele cigarro, estaria cedendo para Aurelio. Era isso o que ele queria.
Aurelio. Ele estava muito escondido para quem havia feito um estardalhaço há algumas semanas atrás. Duas semanas se completariam e ela não teria ouvido falar nada dele. Se fosse ingênua como antes, acreditaria que ele havia desistido dela. Mas ela sabia muito bem que ele não era um homem de desistir assim tão fácil. Em toda vida que passara com Aurelio em Paris, ele nunca desistira de nada que acreditava. E era isso o que ela admirava mais nele. Independente do número de vezes que ele caísse ou fosse derrubado, ele sempre ia até o fim quando achava que aquele era o fim para ele.
Suspira encarando o céu escarlate. Olha para trás pensando se continuava trancado em seu quarto. Ultimamente ele tem sido extremamente misterioso, com poucas palavras e apenas a acompanhando nos lugares. Nos primeiros três dias, ela achava que ele estaria tramando algo. Sem entrar no quarto dela durante o final de semana para possuí-la... Ele decididamente estava tramando algo. Era o que ela pensava. Cinco dias se passaram e ele continuou sem invadir a privacidade dela, o que a fazia sentir uma vontade imensa de ir espiá-lo em seu quarto.
Mas o que diabos ela estava pensando?
Balança sua cabeça e respira fundo. Precisava tomar um ar, pairar. Estava na hora de dar uma volta no centro, isso. Dar uma volta no centro seria uma boa. Segue até seu closet e pelo que havia visto em seu celular, o clima não passaria da mínima dos 18ºC e a máxima dos 22ºC, então estaria bem fresco. Decide pegar uma bermuda jeans de cós alta e uma camisa de algodão creme, prendendo-a dentro da bermuda. Um cinto marrom e os sapatos Oxford marrom camurça para combinar com o cinto. Os cabelos soltos e a bolsa de couro, que apesar de velha e desgasta, muito útil.
Ao sair do quarto, caminhou na ponta dos pés e correu para fora de casa para que não a tivesse ouvido e decidido fazer companhia a ela. Ela precisava deste tempo para ela. Mesmo com toda a privacidade que andava tendo em seu quarto, ela não podia dizer o mesmo fora dele, já que o filho do prefeito a seguia para todos os lados. Respira fundo e segue para o centro. Desde que começara a desenhar ainda mais pensando em sua nova e agora oficial profissão, ela tem pensado bastante no que iria considerar um hobby, já que seu antigo hobby se tornou seu trabalho. Ao passar por uma loja de eletrônicos, vê uma Nikon na vitrine. Se lembra da vista que tinha da sacada de seu quarto e abre um sorriso. Fotos eram apenas fotos para ela, afinal.
Resolveu estrear seu cartão de crédito. Caminhou para dentro da loja e passou quarenta minutos sendo paparicada pela vendedora, que tentava lhe vender uma câmera por um preço absurdo. Ela só queria uma Nikon como a da vitrine, se eles não queriam vender aquela, por que colocavam-na a exposição?

A tarde fora gasta com fotos. Acabou parando na baía de Santa Mônica, uma que durante o dia era cheia de famílias felizes e de noite, casais felizes. se sentara em uma pedra e mirava todos as famílias e mais tarde, casais. Durante o tempo que passou sentada naquela pedra, nenhum problema ocupara sua mente. A única coisa que vinha era: Melhor posição e 'botão errado'. Como uma máquina poderia ter tantos botões?
Fora parar quando a luz já estava alta no céu, mas a praia não deixava de estar cheia de casais. O que a parou fora o aroma da Gauloise que surgiu repentinamente. Olhou rapidamente para trás e viu Aurelio em pé um pouco atrás dela com o cigarro novo aceso entre os dedos da mão direita, enquanto a esquerda estava guardada dentro do bolso da jeans.
ao pensar em sua beleza com aquele cenário, respira fundo e volta a se virar, encarando a vista do mar que agora não era tão bem exposto devido à fraca luz da lua crescente.
- Difícil te encontrar sozinha ultimamente. - ele inicia o diálogo.
- Onde está Marguerite?
- Paris. As aulas acabaram.
- Foi sozinha?
- Fleur a veio buscar.
olhou para Aurelio séria e uma de suas sobrancelhas levantadas.
- Fleur?
- Sim.
- Chevalier?
- Que outra Fleur seria?
aperta os lábios e volta a encarar o mar. Mexe em sua câmera desligada demonstrando o quão perturbada estava. Fleur Chevalier. A única mulher que conseguiu o respeito de Aurelio até então. A família Chevalier era elitista e muito bem conhecida na França. Amigos íntimos da família de Aurelio, ele e Fleur foram criados juntos, portanto não havia pessoa que entendesse ele melhor do que ela. Independente do quanto as garotas se rebaixassem para ficar com Aurelio, nenhuma delas se atreveria a machucar Fleur. Era uma garota tão adorável que nem sequer a pessoa mais rancorosa do mundo conseguiria derrubá-la. Se havia uma mulher a quem não gostava, definitivamente era Fleur. Apenas pelo fato dela poder ter Aurelio quando ela bem quisesse.
E Margueritte também a amava. Dizia ser sua irmã mais velha e só sabia o quanto aquilo fincava no corpo dela. Adorava a irmã mais nova de Aurelio como a irmã que nunca teve. Ouvir a garotinha falar dos lindos cabelos lisos que cacheavam perfeitamente e em como as duas se pareciam... Aquilo não a fazia se sentir nada melhor. E o pior de tudo era que Fleur era educadíssima com , algo que ela não conseguiria retribuir nem se morresse e nascesse mais duas vezes.
- Ela veio até aqui para buscar Margueritte?
- Sim.
- Deveria ter voltado com ela.
- Ela voltará para cá.
fechou os olhos para que não pudesse virar novamente o rosto para Aurelio e ele descobrisse através de seus olhos e lábios tudo o que ela estava sentindo. Lentamente respirou fundo e passou a olhar as fotos que havia tirado o dia inteiro, mais de 200. Um sorriso se põe em seus lábios ao ver as crianças brincando com seus irmãos e irmãs mais velhos, ideias lhe vem à cabeça para uma coleção infanto-juvenil. Talvez Karl gostasse daquilo.
- Vamos voltar para casa. - sua atenção é novamente desviada por Aurelio.
- Eu estou em casa. - espontaneamente ela responde.
- O que aquele cara tem? - Aurelio pergunta. Ela aperta os lábios. Não queria falar sobre com ele. Não com ele. - Ele não é o seu tipo.
- E desde quando você sabe sobre meu tipo?
- Eu sei tudo sobre você, , você sabe disso. Por que está tão aborrecida comigo? - por mais que ele tentasse soar magoado, não sentia um pingo de mágoa no tom de sua voz. O encara e vê o cigarro queimando entre seus dedos.
- Você me usou.
- Eu não uso as pessoas.
- Então não sou humana para você? - ela o olha e ele solta uma risada nasalada.
- . Não vamos levar isso para o lado emocional--
- Claro, porque é o que eu sempre faço. Levo para o lado emocional. - ela diz irritada. Ele sempre dizia isso no início de suas discussões. - Não sei como um dia pude me apaixonar por você.
- Um dia? Achei que ainda estivesse.
Ela o encara incrédula.
- Como você pode ser tão inescrupuloso? - balança a cabeça e se levanta, batendo na traseira para tirar a sujeira e então pegando a sacola de compra e a bolsa, caminhando para longe de Aurelio, que a seguiu, e segurou forte em seu braço, trazendo-a de volta para si.
- Você é minha até quando eu dizer que não é mais.
- Desculpe, mas agora eu sou de outra pessoa, Aurelio. - ela diz friamente.
E daquela maneira eles permaneceram. Olhos nos olhos, raios passando de um para o outro. Lábios grudados.
o empurrou brutamente. Ao encará-lo, viu um sorriso em seus lábios.
- Eu chuto que você ainda é minha.
Ela pode sentir suas bochechas queimarem, mas não de vergonha. De raiva. Segurou seu temperamento e então ergueu o queixo em autoridade:
- Vamos dizer que eu sou dos dois. - o sorriso de Aurelio diminui. - Mas dentre ele e você... Ele ganha.
E com um sorriso, ela o deixa parado no topo da enorme pedra em que passara o dia inteiro.

Twenty-seven.

Durante o caminho de volta para casa, sentia suas emoções misturadas e confusas.
Achava que deveria se sentir bem por estar superando Aurelio. Por mais que ele fosse o primeiro amor da vida dela e este uma mulher nunca esquece, sabia que estava na hora de deixar o que é passado para trás e viver o seu presente. Aquele que ela conseguiu sem a ajuda de quem achava que lhe daria tudo.
Respirou fundo ao ver as árvores começarem a aparecer. O ônibus andava mais rápido do que quando estava no centro por estar bem mais vazio. Era raro ver moradores da área pegarem transportes públicos quando tinham seus próprios carros com motoristas para levá-los aonde quisessem. provavelmente era a única que se dava ao trabalho. O ponto onde descia ainda era a quinze minutos de casa. Durante a caminhada, não conseguia evitar pensar em Aurelio, em Fleur, em . Fecha os olhos caminhando alguns segundos sem a menor noção se estava caminhando em linha reta ou torta. Abriu-os quando abaixou a cabeça, acompanhando o asfalto. Ao levantar a cabeça, viu que faltava pouco para entrar em casa. Teria que encarar . . Que estava muito mais amável e precavido do que ele era quando se conheceram. Ele a estava respeitando. Daria seu primeiro salário para saber o que se passava com ele. Desde que aceitara a proposta de Karl, ele tem estado estranho.
- Boa noite, senhorita. - ouve a voz do empregado e abre um pequeno sorriso. - Gostaria de comer algo?
- Uma salada, talvez. Com uma limonada? - não estava com fome, mas dificilmente os empregados lhe perguntavam se gostaria de comer algo. Da primeira vez que recusara, eles a ignoraram por cinco dias, algo que para ela não fora tão ruim, tampouco bom; principalmente quando ela queria saber como chegar em tal loja e eles não lhe respondiam.
- Sim senhorita, gostaria que lhe chamasse em seu quarto?
- Sim, por favor. - tentou sorrir, mas seu humor não a estava permitindo. Deu as costas ao empregado e subiu as escadas.
Ao entrar no corredor, seus olhos foram diretamente para a porta do quarto de , que estava entreaberta. Levada pela curiosidade, se arrastou nas pontas dos pés até a porta, bisbilhotando da maneira que conseguia dentro do aposento. A cama estava desarrumada, mas não havia nem sinal do dono da casa. Tenta olhar os outros espaços e pode ver a luz de dentro de uma das portas acesa. Deveria ser o banheiro. Aperta os lábios e os olhos de modo que pensava se ele estaria mesmo o dia inteiro trancado dentro de seu quarto, algo que ela fazia quando havia acabado de se mudar para a casa.
- Você sabe que pode entrar quando quiser, não é? - as palavras são jogadas em seu ouvido, a fazendo pular com o susto e acabar entrando no quarto por acidente. Olha para trás e vê com a toalha branca enrolada na cintura enquanto o resto do corpo brilhava pela água que havia sido escorrida durante o banho. Os cabelos molhados o davam um ar rebelde irresistível. - Usei o seu banheiro, apesar de eu ter mudado de quarto, nenhum é melhor que o chuveiro do seu.
, ao se recompor do flagrante, empina o queixo e mexe os ombros:
- Tanto faz. - e dá passos para sair do quarto de , porém, impedida de completar o ato. - Com licença?
- Eu vi quando você saiu. - a mão dele estava apoiada no batente de modo que não pode ver nada senão seu forte braço bloqueando seu caminho. - E agora você estava me espiando... Isso é um sinal de saudade?
- Isso não é nada. - ela diz tentando sair novamente, mas desta vez tivera seu corpo puxado para dentro do quarto e a porta fechada. - Não é por nada, mas se você ficou o dia inteiro dormindo, eu não, então se você não se importa--
- Admita. - diz cruzando os braços e o olha boquiaberta.
- O que eu deveria admitir?
Uma risada é ouvida pela parte dele.
- Você tem sentimentos por mim.
Fora a vez dela rir.
- E desde quando você tirou essa conclusão ridícula.
- Da sua ação ridícula agora à pouco. - ele balança a cabeça em direção da porta a fazendo sentir seu estomago embrulhar por dentro.
- Não se preocupe, não irá mais repetir. - então lhe manda um sarcástico sorriso, se virando para sair, mas sendo mais uma vez impedida.
- Por que você simplesmente não admite?
Ao olhar para , pode ver o quão sério ele estava. Parecia que agora a conversa havia entrado em uma seriedade que ela não conseguia entender. Ele estava implorando para ela dizer que gostava dele?
- Por que você não admite? - ela levanta o queixo em autoridade e ele solta uma risada nasalada.
- Convenhamos, . Eu sou , se lembra? As mulheres apenas admitem para mim que gostam de mim. Não eu à elas.
- Acho que então você deveria esquecer o seu nome e sobrenome e fazer diferente com essa mulher aqui, se quiser ouvir o que quer ouvir. - ela lhe envia um sarcástico sorriso e antes que ele saísse de seu choque, sai do quarto fechando a porta atrás de si.
dá um soco na parede e aperta os olhos enquanto deslizava a outra mão pelas madeixas. Respira fundo, olha para o teto e resmunga:
- E você acha que não estou tentando?

Twenty-eight.

Durante o banho que tomava, ela tentava lavar seus pensamentos com a forte água quente que caía em sua cabeça. Esfregava o couro cabeludo com toda a força que possuía até sentir seus braços doerem por não aguentarem mais ficar levantados. Olha para o espelho fora do box e olha para o estado de seu rosto. Seus olhos mais especificamente. Eles estavam confusos e tristes. Mas ela não se sentia triste. Confusa, sim. Com . Não Aurelio. Ela sabia que não queria mais saber de Aurelio, ele era como a Gauloise escondida em sua gaveta; Tentadora e perigosa. Viciante. Tudo o que ela tentara fazer durante esse tempo que ele retornara para sua vida, fora não deixá-lo tocá-la. Sabia que uma vez em seus braços, ela não conseguiria mais sair deles. Tinha de ser esperta.
Ao terminar o banho, passa um bom tempo penteando seu cabelo em frente ao espelho. A toalha envolta em seu tronco, parando pouco antes do meio de suas coxas de modo de que se abaixasse, sua traseira estaria exposta ao frio do banheiro coberto por azulejos. Agora não era mais Aurelio em seus pensamentos, mas sim . Desde quando esse jogo de sentimentos começara? Ela sabia que ele sentia algo por ela. Ok, talvez ela não sentisse, mas algo dentro dela berrava dizendo que ele estava, de fato, interessado por ela. Não sexualmente falando, como fora no início do "relacionamento" dos dois, mas sim... psicologicamente falando.
Faz um tempo que isso tem perturbado o sono de . Não que ela se importasse... Mas agora ela parecia estar bem mais interessada no que ele poderia estar sentindo por ela do que antes. Estaria ela também interessada nele?
- Pare de pensar essas besteiras. Você fez uma promessa. - ela aponta a escova para si pelo espelho. - E promessa é dívida.
"Não quando falamos de amor." Algo lhe retruca, a fazendo arregalar os olhos e jogar a escova na pia, se virando e indo para o quarto. Anda em círculos nervosa, mexendo e bagunçando os cabelos que havia acabado de escovar. Quem falou sobre amor? Amor fora o que sentira por Aurelio há algum tempo atrás. Fora o que acabara com ela. Fora o que trouxe ela aos Estados Unidos.
Fora o que fizera ela estar onde estava. E ela não estava tão mal.
Seus pés param de se mexer, assim como as mãos. Os olhos estavam fixos em um ponto qualquer no chão encarpetado do quarto. Se desviam para o espelho do banheiro ao fundo. Ela não podia estar apaixonada. Não por um cara que gostava de usar seu corpo para satisfazer às suas luxúrias.
" não corre atrás de você ou te obriga a transar com ele faz dias. Quase uma semana." A voz dentro de si diz. aperta os olhos e morde os lábios. "E parece que ele ficará por bem mais tempo assim."
Não era o que ela queria ouvir. Seu estomago embrulha, mostrando que ela estava certa. Ela não queria ouvir aquilo.
- Mas o que diabos você 'tá pensando, sua louca? - ela chacoalha a cabeça fortemente com os olhos apertados e uma expressão de dor. - Isso foi a coisa mais absurda e sem razão que você pensou desde que chegou aqui.
Os braços continuaram jogados ao lado do corpo ainda envolto pela toalha branca. As pernas já quase secas, assim como alguns fios de seu cabelo. Olha mais uma vez para o espelho e pode ver o cabelo bagunçado. Mas não era aquilo o que ela queria enxergar. Ela queria ver dentro de si. Se aproximou do espelho dentro do banheiro e apoiou ambas as mãos na bancada da pia, olhando fixamente para seus olhos. Queria achar a verdade. Queria saber se aquilo tudo que estava a confundindo fazia sentido.
Depois de alguns minutos olhando todos os pontos de seus próprios olhos, ela descobriu que não adiantava o quanto analisasse. Seus olhos não diriam a verdade para si, porque seu coração não queria acreditar e seu cérebro estava confuso. Ela teria que descobrir de outra maneira. Andou mais algumas voltas agora dentro do banheiro, até ter uma ideia. Se ela não conseguia lhe dar a resposta, talvez ele conseguisse.

Depois de vinte minutos de ter berrado para que deixasse sua salada na mesa de seu quarto, abriu a porta e olhou para os dois lados do corredor, verificando se não havia nenhum sinal de qualquer empregado por perto. Olhou para o relógio cinco vezes para se certificar de que já havia passado das dez e todos estavam de volta à casa dos empregados, na propriedade dos . Mas tinha que se precaver. Ao não ouvir nenhum barulho senão o da televisão ligada do quarto de , abriu a porta de seu quarto por inteiro e deu alguns quatro ou cinco passos até chegar em frente à porta do quarto de , finalmente hesitando em seu plano.
O que ela estava fazendo, afinal? Por que estava dando tanta importancia para o que sentia por ele ou o que ele sentia por ela? Ela não estava preocupada com o que sentia por Aurelio até alguns dias atrás? Ou talvez algumas horas atrás? Onde estava toda a hesitação com seus sentimentos com ele? Aurelio era o que ela achava ser o homem de sua vida, não . era a oportunidade que Deus colocou em sua frente para chegar aonde queria chegar. E assim como Ele planejara, ela conseguira.
Por que então ela não havia deixado a mansão? Tinha dinheiro para comprar um apartamento em um bairro mais perto do centro, onde estava cheio de gente para lhe inspirar. E mesmo assim não houve nem um dia desde que fora empregada, que pensasse em sair debaixo do mesmo teto que . Talvez fosse isso o que ela estivesse querendo descobrir; Ela queria descobrir o que ele estava sentindo, não ter certeza sobre os sentimentos dela. Porque aquilo era um jogo. Os dois sabiam. Era um jogo com benefícios e ela devia brincar com ele uma última vez antes de decidir sair dali.
Com a certeza do que queria, levanta a mão para bater na porta de , mas não consegue. Antes de seus dedos chegarem a cinco centímetros da porta, ela parara e deixara a mão cair ao lado do corpo novamente, agora com uma expressão de confusão estampada no rosto. Olha para o lado para saber se alguém estava por perto, mas as luzes no primeiro andar estavam apagadas e não havia nenhum barulho de gente dentro da casa. Durante o período que ela hesitara - novamente -, a imagem do rosto de lhe veio à cabeça. Quando ele perguntou por que ela não admitia. Ele parecia sentir dor quando perguntou. sentiu mais do que ele demonstrara ali. Por que ele não admitia? E se ele o fizesse? Como ela reagiria?
Sentiu o coração palpitar forte e arregalou os olhos assustada. Não era possível. Seu coração não estava batendo forte com a possibilidade de ter apaixonado por ela, estava? Respira fundo e aperta as mãos agora mais nervosa do que nunca. Talvez não estivesse pronta para saber a verdade. Se ela soubesse a verdade de , teria de dar a sua verdade para ele em troca. E o que ela diria? O que ele gostaria de ouvir? Por que ela se preocupava e se importava tanto com isso?
Por que ela estava parada à frente da porta de ?
Não tivera tempo de pensar em mais nada. Ouvira a porta se abrindo bruscamente em sua frente e parar a olhando sério. Os olhos brilhantes pela luz do corredor, uma vez que dentro de seu quarto a iluminação era devido às imagens que se passavam na TV.
Nada disseram. Ela não corou. Ele não a questionou. Olhou para o corpo da garota, que por estar tão ocupada com seus pensamentos, se esqueceu de colocar uma roupa, estando ainda com a toalha em torno de seu corpo. Sem dizer nada, ela se virou para voltar ao seu quarto, mas ele a impediu segurando em seu pulso. Ela não se virou para ele. Fechou os olhos pois não queria encontrar com os olhos dele. Na verdade, ela não queria que seus olhos encontrassem com qualquer parte do corpo dele. Se apenas de pensar em sentir a presença o nervosismo causara um impacto daqueles, não sabia o que aconteceria se ela encontrasse com os olhos dele.
Sem a pressionar, ele aguardou ela tomar uma iniciativa. Apenas não largou de seu pulso, deixando claro de que ela não sairia dali até dizer algo ou se soltar dele, ação esta que não passara pela cabeça da garota. Para ela apenas haviam duas opções: Ceda ou encare-o. E era entre essas duas que ela estava tentando se decidir.

Twenty-nine.

Não sabiam a quanto tempo estava ali, mas nenhum dos dois pareciam estar com pressa. As pernas de estavam fracas, não pelo tempo que estava em pé, mas sim pela mão que ainda lhe segurava. Suspirou e se virou lentamente, sentindo seu pulso ser solto. Encarava o chão e pode ver os pés descalços de . Subiu os olhos lentamente pelo corpo do homem e pode ver a bermuda de linho branca que usava. O tronco nu e os cabelos bagunçados por estar deitado até agora na cama.
- Você não ia descer, não é? - ele sussurrou fracamente, a fazendo se arrepiar.
- Não. - sua voz saiu um pouco depois.
Voltaram ao silencio de antes e à tensão também. Ela ainda não havia conseguido subir o olhar para os olhos dele. Respirou fundo diversas vezes até o faze-lo. Ele parecia estar pronto para receber o choque dos olhos dela nos dele. Para sua própria surpresa, ela também estava preparada. Deu um passo para frente, subindo a mão e tocando no peitoral do homem, que não desviou os olhos de seus olhos para olhar a ação. Manteve-se parado, deixando-a se aproximar e tocá-lo com a outra mão também. Sentiu por alguns segundos a parte frontal de seu corpo, o abdomen definido e os músculos ainda tensos. Inclinou um pouco os pés afim de ficar mais alta e deixou que seus lábios tocassem nos de . Com eles grudados, parece que tudo havia despertado no homem, que finalmente subiu as mãos e as depositara em sua cintura e costas, a puxando para dentro de seu quarto e fechando a porta atrás dela.
O beijo se mantivera sem mão-bobas ou movimentos bruscos. Parecia o primeiro beijo de ambos.
O ritmo era lento e as respirações se mantinham compassíveis. Ele chegou a acariciar o rosto dela, algo que nunca havia feito em ninguém. As maçãs de estavam quentes, enquanto as bochechas se mantinham geladas. Ela passava as mãos delicadamente pelos braços e tronco do homem, que suspirava com ela como se tivessem combinado. Por um longo tempo tudo se resumiu àquele beijo.
Ela então voltou a dar passos para frente, o fazendo dar para trás até se sentar na cama que aparecera atrás dele. O beijo se cessara e ela procurou pelo controle da televisão, o achando quase do lado de . Pegou o objeto e desligou o causador da iluminação e som do quarto. Agora sim tudo estava mais sério. A única coisa deixando com que os dois enxergassem os olhos do outro era a luz da lua. Ele a puxou para ele em um abraço e ela acariciou seu rosto, ainda vendo todos os detalhes do rosto de , que mantinha uma expressão que ela se sentia bem em observar. Pensava se ele a faria mais uma vez para ela algum dia, ou voltaria a ser o de sempre no dia seguinte.
Enquanto isso, ele sentia seu estomago embrulhar por ver tão interessada em seus traços. Nunca a vira o encarando com tanta atenção desde que se conheceram. Ele se sentia como um dos desenhos dela por ter seus olhos tão fixados nele assim. Um leve puxão e a toalha fora ao chão. passou as mãos pelos traços da mulher em seus braços e a viu fechar os olhos e entreabrir os lábios em prazer. Sentiu-a suspirar e não resistiu à tentação de abocanhar seus seios. A pele lisa o fazia sentir como se estivesse comendo uma boa fruta no café da manhã. As mãos de se revezavam entre o rosto e os cabelos de .
Durante alguns minutos ele se mantivera revezando entre os dois seios de , até ela o afastar de si para voltar a beijá-lo. Este era um dia em que a boca de parecia diferente de qualquer outro, carnudos e cheios de... sentimentos. Ela estava gostando de receber todo aquele tratamento. Se sentara no colo dele, de frente, sentindo o membro do homem rígido abaixo da bermuda que não demorou para cair no chão junto com a cueca Calvin Klein que trajava. Ameaçou a deitar na cama, mas ela o impediu, fazendo-o a encarar confuso:
- Quero por cima. - sua voz saíra mais como um pedido do que uma certeza, o fazendo sorrir e então a puxar consigo para o meio da cama, se encostando na cabeceira e arrumando os travesseiros atrás e ao lado dele. Ela sorriu um doce sorriso, este que gostaria que ficasse tatuado nela. - Camisinha?
- Quero sem camisinha. - fora a vez dele fazer o pedido, e ela o encarou surpresa. Ao olhar para e não achar a expressão maliciosa ou abusada dele em seu sorriso e olhos, não fez nenhuma objeção. Ao contrário do que haveria feito em qualquer uma das noites há semanas atrás, ela se aproximou ainda mais dele e beijou-lhe mais uma vez os lábios. As mãos do homem passavam pelas laterais de seu corpo e seus cabelos, enquanto ela apenas lhe tocava o maxilar.
Se movimentou e tocou no membro de , que grunhiu com o toque. Aquele dia eles não teriam oral. Iriam se satisfazer com o puro sexo. O sexo de casais de verdade. Os de amantes.
Assim que penetrou o membro de em sua virgindade, soltou um forte suspiro e apoiou suas mãos no peitoral do mesmo. Gradativamente fora aumentando a velocidade, e sem perceber, ela gemia alto com ele a observando fazer todo o trabalho.
A satisfação e o prazer vinha mais por ver as expressões de pudor de e os gemidos por vontade própria do que de seu pênis dentro da garota. Queria que ela fosse mais rápido, queria explodir dentro dela, mas aquilo estava irreal demais para que ele a parasse. Segurou seu queixo e se inclinou para um beijo enquanto ela tentava manter o ritmo por si só. Em momento algum tentou tomar controle da situação, como sempre fazia. Ela gostou daquilo, ela amou aquilo. Ela queria aquilo. Queria tomar conta do sexo. Queria ve-lo gemer por ações dela, não dele. Beijá-lo enquanto o sentia dentro de si fora o ápice do prazer. Não conseguia respirar direito, mas tampouco queria perder aquela sensação.
Separou seus lábios para um longo e alto gemido.
- Merda! - diz ao sentir o ápice chegar. - ... - geme para o homem que trabalhava seu dorso com os lábios.
- Continue... - ele diz com a voz abafada.
- Não consigo... - ela diz com os olhos apertados, gemendo sem parar. - Vamos mudar. Agora.
Ele se afastou dela e pode ver seus olhos pedindo por um pouco da brutalidade dele. Abriu um sorriso e ao senti-la parar, disse:
- Você sabe que não vou parar até...
- Sei. - ela sai de cima dele e o espera se sentar para deitar em seu lugar. - Quero um estrago.
- Achei que fosse diferente dessa vez. - ele põe uma séria expressão no rosto e ela levou seus olhos até ele e disse:
- É diferente.
Viu os lábios de se apertarem e percebeu que estava estragando tudo. Um certo desespero tomou conta de seu corpo e ela rapidamente se desencostou da cabeceira, indo até ele e segurando em seu rosto, de modo que ele soubesse que estava falando sério:
- Está sendo diferente. - sussurra, e ele olha para o lado. - Você não... - afrouxa a força, o fazendo voltar a encará-la. - Você não está sentindo?
Ele abre a boca, mas nada sai. parecia aborrecida e decepcionada. Aborrecida com ela e decepcionada com ele. Sente a grande mão de em seu rosto:
- Não estamos bebados, não é?
- Estou muito sóbria.
Se calam mais uma vez e ela sentiu uma certa hesitação da parte de . Olhou para o lado sem graça e então disse:
- Só achei que você gostaria que eu... Bem... Que eu gozasse por você tomando conta da situação. - agradecia a todos os santos pelas luzes apagadas e seu rosto estar na sombra. Mas os santos não foram tão solidários com , a fazendo ver a expressão de felicidade em seu rosto. Os lábios dele se fundiram com o dela e lentamente ele a deitara na cama, agora completamente decidido a tocá-la. fechou seus olhos e sentiu as mãos deslizarem por seu corpo. Passou pela virgindade úmida da garota, agora não mais impulsa ao ápice. Mas ele não queria que seus dedos fizessem o seu trabalho. Beijou os seios de por mais alguns segundos e então se pos entre suas pernas, penetrando na virgindade quente e ouvindo um suspiro alto vindo da garota.
- Não pare nem que eu peça. - ela diz e ele, com os braços apoiados ao lado do tronco da garota, fez com que seus olhos se encontrassem. Ela não conseguia não gemer. Ela gostava de gemer para . - Meu ápice vem em--
- Então é por isso que você não goza. - ele diz ofegante, trabalhando lentamente, enquanto sentia-a estremecer. - Por que não me contou antes?
- Porque eu não queria antes. - ele sorri ao ve-la virar o rosto, provavelmente por vergonha. - Mais rápido...
Ele não pode não obedece-la. Ela dificilmente pedia para ele velocidade. A cama se movimentava, mas por ser tão boa, não fazia barulho. Ela enlaçara sua cintura com as pernas e agora gritava por mais, o fazendo lhe dar mais por pudor. Gemia com ela.
- ...
Ela abriu os olhos. Fazia tempo que não ouvia seu apelido ser pronunciado. Aurelio nunca o havia feito. Faz uma careta ao se lembrar do ex. Olha para o rosto de , que se contorcia entre dor e prazer, forçava a entrada. Por alguns segundos, se esqueceu de sentir todo o prazer. Olhava para estocar dentro dela e pode abrir um sorriso, acaricia o rosto do homem, que abre os olhos para encará-la, os dois suados e vermelhos. Ela se inclina para ele, enquanto desenlaçava suas pernas dele para poder se apoiar na cama, e beija seus labios. Ele, em um impulso, a puxa para si com um dos braços, a fazendo se sentar. Para por alguns instantes até ele a encostar na cabeceira para que pudesse ser mais fácil de penetrá-la.
- ... - ela sussurra, sentindo-o aumentar ainda mais. - Mais... Mais...
Ele não conseguia parar, era automático, quanto mais fundo achava que ia, mais prazer lhe dava.
- ... Está vindo.
- Mais um pouco. - ela sussurra e ele aumenta as estocadas. já não estava mais aguentando, ela sabia, mas não queria que ele parasse. Ela sabia que quando ele dizia estar para gozar, era para que ela fizesse o mesmo, pois ele aguentava mais um pouco. Ele aguentaria o tempo que fosse para gozar com ela, ambos sabiam disso.
Alguns minutos mais e não aguentava mais. Gritava para que parasse e arranhava os braços de , que sorria e, com uma expressão demoníaca em seu rosto, ia cada vez mais perto. Ele voltara a deitar para que fosse mais fácil aumentar a velocidade. Ela berrava para que parasse, mas ao mesmo tempo dizia querer mais. Ele não parara em momento algum, não diminuíra a velocidade.
Mas no meio dos gemidos e dos pedidos de mais, ele pode ouvir com muita clareza o que procurava ouvir faziam dias:
- Eu te amo. - ela sussurrou com os olhos abertos. Ele abrira os dele, e a viu com um sorriso nos lábios. Beijou o sorriso dela e grudou os corpos o máximo que podia, a fazendo voltar a gritar durante o beijo, pois agora ele ia com mais sede ao pote do que jamais fizera. Nenhuma mulher o fizera exceder suas expectativas assim.
- ...
- Mais um pouco. - ele diz, mas sabia que ela não aguentaria. Aumentou as estocadas e, juntos, chegaram em seus ápices.

Os corpos estavam virados um de frente para o outro. Enquanto ela acariciava o rosto dele, ele fazia o mesmo no tronco dela.
- Repita. - ele diz com um sorriso nos lábios.
- Eu te amo. - ela diz e ele ri. - O que tem de engraçado?
- Em você? Nada. - ele encosta seus lábios. - Eu só achei que nunca fosse capaz de querer tanto ouvir sem parar essas palavras de alguém.
sentiu as bochechas queimarem.
- Diga novamente. - ele pede.
- É a sua vez agora. - ela abriu um sorriso.
Ele riu mais uma vez.
- Eu te amo, .

Thirty.

Durante duas semanas, o novo status de relacionamento de e estava dando certo. O casal andava de mãos dadas e se tratavam como um verdadeiro casal apaixonado. Ele a levara para fazer compras e ela não se importara em te-lo ao lado. Assim como era com Aurelio quando o amava. Olhava para e via a ele. Durante a noite, eles dividiam uma cama. Durante o dia, ele a acompanhava. Quando ela pedia por tempo para desenhar, ele a respeitava.
Depois de três semanas, ele a surpreendera com um ateliê inteiro só para ela. Onde era a casa da piscina, se tornou o canto de . Com a vista para a praia que ela tanto gostava, com a sala de revelação das fotos que ela se inspirava, com a mesa de desenhos, a máquina de costura e os manequins, além de estoques e mais estoques de todo o material que ela necessitava para trabalhar. Recebera um telefonema de Karl sobre os desenhos que ela enviara, mais alguns extras para uma moda infanto-juvenil e recebera muitos elogios e também pedidos para mudanças de alguns modelos, estes que fizera com o maior prazer e agilidade.
Durante um mês, nenhum dos dois tivera problema algum. Até viajar para Nova Iorque. Fora questão de uma noite fora de casa. Uma noite.

" is back!
Aparentemente, anunciou estar solteiro. Deixando a agora ex-namorada em Santa Mônica, a primeira atitude que o famoso milionário filho do prefeito de Santa Mônica tomou, fora ir para o lugar certo 'afogar suas mágoas'. E muito bem feito! Ele fora visto na Seven, boate mais badalada e cheia de gente bonita em Nova Iorque, acompanhado de duas garotas tão bonitas quanto a ex. Nada bobo. Políticos sabem bem como se virar!"

Ela achava que não fosse sentir aquele sentimento nunca mais. Aquela dor no estômago e as lágrimas se juntarem todas em seus olhos, caindo todas juntas e encharcando todo seu rosto. Por que fora idiota o suficiente para acreditar nele? Por que não enxergara a verdade? Porque se baseava no presente e acreditasse que o futuro pudesse continuar daquela maneira? Por que era tão fraca e ingênua?

A praia estava escura pois o sol já havia desaparecido. Ela não havia falado com e nem atendido ao telefonema dele. No singular. Em três dias fora, ele apenas ligara uma vez. Enviara um recado pela empregada dizendo que teria de ficar por mais alguns dias, mas que não tardaria a voltar.
Ele era um idiota. Um imbecil. Mas ela era ainda mais. Ela acreditara nele.
Se sentou na areia e abraçou as pernas. Odiava esse sentimento, a fizera perder toda a inspiração para seus desenhos, sua sorte era que já havia enviado todos e estava apenas preparando mais alguns para a precaução de Karl recusar algum já enviado a ele.
Sentiu uma presença ao seu lado e ao olhar para o lado, lá estava Aurelio. Fecha os olhos. Tudo o que menos precisava depois de , era Aurelio. Não queria nenhum homem por perto de si. Pelo menos não os que lhe machucassem.
- Vamos voltar para Paris. - ele disse calmo.
- Me deixe em paz.
- , você ainda não aprendeu a lição?
- Por que acha que isso aconteceria? Se eu fosse para algum lugar, não seria para onde você estivesse, Aurelio! - ela diz sem paciência. Ele olhava para o horizonte e fumava sua Gauloise, que ela pegara bruscamente e dera uma longa tragada. Fazia um mês que não fumava, a pedido de . Precisava da nicotina em seus pulmões.
- Por que você me odeia tanto?
- Por que você continua insistindo? - ela diz o encarando incrédula. - Você me TRAIU. Você me ENGANOU. Você me TROCOU. Você me MANDOU EMBORA! Ninguém que ama merece receber isso! E você ainda age como se tudo estivesse certo.
- Eu posso fazer dar certo.
- Certo. Como sempre fizera com todas as mulheres em sua vida.
- , eu estou há meses nesse país horrível por causa de você. Isso não demonstra nada do que eu sinto por você?
- Isso não justifica nada do que me fez passar no passado.
- Eu te descobri, . Te ajudei--
- E você sempre jogou isso em minha cara! Eu cresci, Aurelio! Eu me tornei independente! Lide com isso! - ela se levanta e taca o cigarro nele, caminhando de volta para a mansão. É segurada por Aurelio, que a puxa para ele e a beija, a fazendo o empurrar abruptamente. - Você está maluco?
- Prove que não me ama. Se você não me ama, prove. E eu irei embora.
Ela dá um passo para trás assustada. Aurelio nunca havia falado em ir embora. Em deixá-la. Mas ela não o amava mais. Ela amava o imbecil do , que era exatamente como Aurelio.
- Você me ama, não é? E você amou aquele americano porque ele se parece comigo. Você quis colocar alguém em meu lugar, mas não conseguiu. - ele disse. - Aceite, . Você me quer. E eu quero você. - ele dá um passo para mais perto dela, e ela dá um passo para trás.
- Por que você faz isso quando eu estou confusa? Porque você sabe que eu sou fraca... - ela coloca as mãos na cabeça e olha para o chão. As lágrimas voltam a cair e ela ajoelha na areia. - Me deixa em paz, eu não quero mais saber de ninguém...
- Eu estou aqui para você, . - ele a abraça, de modo que ela chorava encharcando sua camiseta. - Chore em mim, se apoie em mim. Fique comigo.
- Por que você sempre me deixa ir embora? - ela pergunta chorosa.
- Porque eu sei que você vai voltar. - ele responde e ela se cala. - Quer saber por que não fui embora daqui até agora? - segura o rosto de , a fazendo olhar para ele. Ela assente. - Porque sei que não irá voltar para mim se eu for.
- Por que simplesmente não fica com Fleur?
- Porque não é ela quem cuida de mim e me quer bem. Ninguém quer ficar com alguém que não lhe quer bem.
- Você não me quer bem. - ela diz ingenuamente. - Só me faz chorar.
- Não sou bom com demonstrações de afetos, você sabe. - ele diz com sua voz grossa. - Mas você sabe ler meus olhos melhor do que ninguém, não é?
levantou o rosto e olhou para a máquina de sentimentos de Aurelio; Seus olhos. O sorriso nos lábios dele e o brilho do olhar.
Em um impulso, ela o beijou. E tudo foi exatamente como ela sabia que fosse ser se estivesse nos braços do francês. Ela seria dele.

Os empregados estavam de folga a pedido de para antes que ele fosse viajar, portanto ninguém a questionaria se a visse entrando de mãos dadas com Aurelio.
Subiram até seu quarto e assim que ele empurrou a porta com o pé, encostou seus lábios nos dela. As roupas agilmente retiradas e jogadas ao chão, Aurelio sabia os tipos de vestimenta que usava. Ele sabia onde seus toques surtiam efeito, sabia onde deveria beijar.
Ela olhava em seus olhos enquanto ele a penetrava lentamente, como sempre fazia. Gentilmente se movimentava para dentro e fora dela. Ela gemia baixo:
- Por que faz esse barulho esquisito? - ele pergunta e ela olha para o lado: - Ele te fez fazer isso?
- Talvez. - ela responde.
Se sentia vulnerável. Era assim sempre que fazia sexo com Aurelio. Ele sempre tinha o controle da situação, mas nunca exigira isso. Se ela quisesse tomar o controle, ele deixaria sem reclamar. Mas gostava de ser controlada por Aurelio. Ao contrário de , ela gostava de estar por baixo de Aurelio e de deixá-lo fazer o que quisesse fazer com ela.
- Vamos acabar com isso. - ele diz beijando seus lábios de modo que ela apenas podia suspirar. Sentiu o membro de Aurelio aumentar a velocidade e suspirava ainda mais fortemente.
Nada senão o barulho de suas virgindades se fundindo era ouvido.
- Pare... - ela pedia, e ele, como a conhecia, aumentava a velocidade, a fazendo arcar seu corpo de modo que ele baixou o rosto para beijar seus seios. - Eu quero aquela posição. - ela diz ofegante e ele, sem reclamar, a puxa e se retira de dentro dela de modo com que ela pudesse se mexer.
Ficou de costas para Aurelio e apoiou as mãos na cabeceira, tendo Aurelio atrás de si, a penetrando. Gostava quando ele ficava por detrás dela. Se sentia protegida pelo corpo dele. Ela levava a mão para trás, encostando na nuca de Aurelio e então inclinando o rosto para beijá-lo. Uma das mãos dele se dirigiu até seus seios, também para se apoiar nela, enquanto isso, a outra brincava com o clitóris da mulher, que gemia palavras desconexas enquanto o beijava.
- Mais... - ela pedia e ele mais lhe dava. - Eu preciso gemer.
- Por quê?
- É um modo de... Soltar todo o prazer.
- Ele lhe disse isso?
- Eu senti. - ela diz enquanto o sentia por seus lábios em seu pescoço. Era demais para ela. Aurelio era o único que conseguia mexer com sua virgindade, seios e lábios sem se perder.
- Tudo bem. Mas então espere eu chegar lá. - ele diz aumentando ainda mais as estocadas, a fazendo arquear ainda mais e pedir para que parasse. - Grite para mim, mon'ange.
- Aurelio... - ela dizia repetidamente, enquanto se apoiava na cabeceira. Ele ia mais e mais rápido, até que se afastou dela e sabia que era hora de gritar. Ele a deitou rapidamente na cama e a penetrou sem medo e com força, a fazendo agarrar o lençol em prazer. Gritava para que parasse e ele ia mais e mais rápido.
Como sempre, ele esperava ela chegar em seu ápice para que gozasse junto com ela. E como sempre, ele a penetrara ainda um pouco mais, de modo que ela gritasse em dor.
- Aguente... Você tem sido uma má garota, mon'ange. - ele diz vermelho, a vendo se contorcer na cama.
não aguentava tanta força, gritava para que parasse, mas tudo o que ele fazia era aumentar ainda mais as estocadas. Depois de alguns segundos, sentiu o corpo se acostumar e relaxar.
Aurelio fizera aquilo cinco vezes aquela noite. Pararam apenas quando viram o sol tomar conta de todo o quarto.

Durante três dias se manteve trancada dentro do quarto, sozinha. A pedido dela, Aurelio a deixou em casa. Disse que ficaria na América por mais uma semana, tempo para ela se decidir se voltaria com ele para Paris ou não.
Olha para o céu afora e pergunta a si mesma se um dia sentiria falta daquele lugar. A resposta era óbvia, ela sempre sentia falta das paisagens. Para ela, eram as pessoas quem estragavam tudo.
Ouviu duas batidas na porta e mesmo sem responder, sentiu o cheiro de adentrar em seu quarto e a abraçar, depositando um beijo no dorso de seu pescoço.
- Sentiu minha falta? - sua voz saíra melosa e ao mesmo tempo rouca.
- Não. - ao contrário do homem, saíra até seca demais.
Imediatamente ao ouvir o tom da garota se afastara e observara suas costas. Havia ouvido direito? estava falando sério? Ou estava brincando? Foram apenas uma semana e meia, não é possível que uma pessoa que demorasse meses para se apaixonar, desapaixonasse em uma semana e meia.
- Eu não sou tão masoquista quanto você acha. - ele se expressa da maneira que encontrou, de modo que não a ofendesse. Não houve uma resposta imediata.
- Eu vi o noticiário. - ela diz.
- E o que tem nele?
- Você. - ela vira seu rosto para encará-lo. dá um passo para trás. Ele conhecia bem aquela expressão. E não fora a expressão que ele deixara para trás há onze dias atrás.

Thirty-one.

solta uma risada.
- Eu não sabia que você era tão ciumenta. - sua voz era machista, de modo que ele havia pensado que ela estava mesmo sentindo uma grande falta dele. Que ele parecia estar se divertindo ao sorrir para os jornalistas que sempre o parada quando saía de seu carro.
- Eu não sou. - ela responde séria. Ele desfaz o sorriso.
- O que está acontecendo?
- Me diga você. O que você fez nessa última semana? Se divertiu muito?
- Eu fui para lá a trabalho, , você sabe muito bem. E além do mais - ele encara o corpo da garota. -, tenho minha própria diversão em casa.
- Você é nojento. - ela faz uma careta e lhe devolve as costas, indo até seu closet, pegando algumas roupas dentro do primeiro armário que viu à frente.
entrou a jato dentro do local e segurou forte em seu braço, a virando para si. Ela pode ver seu rosto vermelho e a expressão nervosa, algo que nunca, jamais havia visto no rosto de .
- O que você quer? O que eu fiz? Por que está assim? - ele olhava dentro dos olhos de a procura de algum sinal de mudança, mas não conseguia enxergar nada. Ao contrário de quando ele ainda estava aqui, agora já não mais podia ver a si mesmo nos olhos da garota. - Por que não está me correspondendo?
- Por que está fazendo drama? Foi você quem começou a não me corresponder! - ela tenta se soltar dele, mas a força era tanta que ela podia sentir seus dedos começarem a formigar.
- Eu não te liguei porque eu trabalhava o dia inteiro e chegava--
- Por que está me dando satisfação? Isso era algo que você deveria ter feito quando estava lá! Não quando está aqui! - ela tenta se soltar mais uma vez, mas era impossível. não estava a par de sua força, tampouco que a mão da garota estava começando a avermelhar. - Está me machucando!
- Eu demorei meses para te conquistar, você não pode ter--
- É engraçado como é fácil você fazer as pessoas te odiarem e tão difícil faze-las te amarem. - tinha seus olhos cheios de rancor. - Isso não tem a ver com atenção ou--
- ENTÃO O QUE TEM A VER? HUH? ME CONTA!
- Foi você quem começou tudo. Você quem me traiu primeiro! Com aquela mulher! - ela aponta com a mão que estava solta para um ponto no chão onde pode ver uma revista aberta. Soltou o braço de para poder se aproximar do material e arregalou os olhos quando viu seu conteúdo. Leu as letras que o acusavam de estar com uma mulher socialite.
- Impossível... - ele murmura. estava com sua atenção virada para seu pulso, que estava vermelha e as marcas de dedo de bem expostas. - Isso é impossível.
Ela nada disse, queria ve-lo sofrer. Ve-lo ficar com raiva de tudo. Como ela. Não podia se sentir miserável sozinha. Ele tinha que estar se sentindo mal. Tinha de estar péssimo.
- Isso. - ele se vira, mexendo a revista com a mão no alto. - É uma mentira. Isso não aconteceu e eu posso te provar!
- Por que você iria querer provar algo que provaram que aconteceu? - o rancor estava estampado no tom de voz de . se calou. Não pelo que ela disse, claro, ele acreditava no que dizia. Mas seu tom de voz...
Achava que nunca fosse ouvir aquele tom de voz em novamente. Um tom de desprezo. Parou para pensar por que se importava tanto com a presença dela. Há mais de seis meses atrás ele era feliz, livre e independente. Agora vivia preocupado, vivia querendo saber como ela estava, perdera sua vida socialite. Seus pais estranharam seu comportamento, o próprio pai pedia para acompanhá-lo em eventos, mas ele recusava porque tinha de vigiar a garota para que ela não fugisse de si na primeira oportunidade. Havia dito que a amava. Era claro seus sentimentos por ela. O que era perturbador era o fato de quando esse sentimento surgiu. No começo era questão de posse. Mesmo ele sabendo que ela não era de dar para qualquer um, ele não queria correr o risco.
Ela era tão importante assim para ele?
Olha para , que encarava o pulso, massageando-o. Fora aí que soubera da resposta. Sim, ele se importava. Ele a amava, um amor diferente, nascido de uma estranha relação, mas no final das contas, era amor.
- Eu te amo. - ele diz, de modo que não pode evitar levantar a cabeça em sua direção. - É por isso que eu quero provar. E se você quer me deixar, não vou te impedir. Mas apenas depois de você me ouvir.

Thirty-two.

Ela não conseguiu se mover. Tentou, mas fora em vão. Seu corpo estava pesado, parecia colaborar com . Nada disse, um olhar fora o suficiente para o fazer pegar seu número e ligar para um número.
- Quando se é muito famoso, chega um momento que a imprensa começa a ultrapassar dos limites com relação à vida pessoal. Antes de você chegar e roubar o meu coração, eu era do time que não ligava em estar na mídia, contanto que fosse por algo bom. Depois que você chegou, eu passei a querer todos longe de mim, porque você não gostava de toda a atenção. Por causa disso, eu fiz o que todas as celebridades fazem, contratei pessoas quase identicas à mim, para que se passassem por mim em certos lugares. Por mais que elas fossem descobertas, até as pessoas terem certeza disso, a notícia já teria sido divulgada. - ele desliga a ligação ao ouvir o número ocupado, e tenta novamente. - É uma maneira de não parecer rude com a imprensa, apesar de tudo, sou filho de um político famoso e meu rosto já é mundialmente conhecido. Eu não posso dar razão para eles me odiarem e me transformarem em um milionário mimado e drogado como todos os outros no mundo.
o olhava já não mais com rancor, porém com interesse no que ele dizia. Sua boca, agora seca, indicava que algo ruim estava por vir. E ela apostava que ela seria a vítima.
- Neste dia, desta foto, eu estava em um jantar particular com o presidente de uma multinacional que meu pai queria trazer para Santa Mônica. Acontece que era um evento ultra secreto, já que o concorrente dele ainda está aqui na cidade, prestes a sair, mas achando que está fazendo algum mal ao meu pai. - olha para a foto de seu sósia na revista e volta o olhar para , que o encarava. - Eu não sei como foi que isso aconteceu. Isso não chegou à mim.
O silêncio se manteve até o telefonema de ser atendido. Ele falava alto e com raiva no telefone, tudo o que conseguia ouvir, era a voz de seu agente dizendo que aquilo estava resolvido e que haveria uma multa a ser paga para ele, pelos jornalistas e revistas que divulgaram a falsa matéria. sentiu seu estomago remoer e fechou os olhos. Então era tudo mentira. Uma verdade, porém mentida. Deixou-se cair no chão ainda com os olhos fechados, sentindo algumas roupas abaixo de seu corpo, ao invés de confortando-a, machucando-a. A dor que desejava que ele estivesse sentindo também agora era toda dela. A dor se duplicara.
Sentiu a mão de alisar sua bochecha e então ele respirar fundo, se deitando ao seu lado no chão.
- Você fez alguma besteira por causa disso? - a voz dele saíra compreensível, algo que tanto ela, quanto ele estavam surpresos.
- Fiz.
- Você transou com alguém?
- Transei.
Ele virou seu rosto para ela. não se atreveu a abrir os olhos.
- Quem? Algum empregado? Da faculdade? Da praia?
- Meu ex.
nada disse. Até onde sabia, o ex de estava na França. Se sentou e olhou para as pernas de fora por causa do pijama que trajava. Pela primeira vez não estava ansioso para tocá-la.
- Acho melhor me explicar isso direito.
Ela respira fundo e, ainda sem abrir os olhos, começou a falar:
- Já faz um tempo que ele está atrás de mim. E então há dois dias atrás ele voltou depois de um tempo sumido. Eu não estava no meu melhor estado, então me deixei levar. E nós transamos.
- E ele... Fez, você sabe...
- Sim. - sabia que Aurélio era o único que a fazia gozar.
O silêncio se manteve entre os dois. Por mais que tentasse se enervar com a garota, algo dentro dele não deixava, podia ser o que sentia por ela, podia ser o lado que a conhecia, o fato é que ela ter transado com o ex dele era o que menos o preocupava no momento. Encosta na porta do armário e passa a raciocinar sobre a situação. não era pessoa de acreditar em coincidências. Tudo acontecia por um propósito... Ou era causado por um.
Encara que finalmente havia aberto os olhos e encarava o teto, daria sua fortuna para saber o que se passava em sua cabeça. Se continuava nervosa com ele, se estava arrependida... O que o acalmava era que no meio daquele coctel de emoções, indiferença não estava incluída nos ingredientes. Já era o suficiente para ele saber que depois de meses, finalmente ele podia fazer parte de dentro da muralha da estilista. Porém, ao contrário do que ele jamais imaginara, estar daquele lado da parede era muito mais confuso e complicado. Esperava encontrar uma garota fria com o coração de pedra, mas com uma paixão carnal que qualquer homem desejaria para si. Ao invés disso, encontrara uma garota insegura e ingênua, que comete erros e se precipita.
Pensa que era o tipo de garoto que ele tentara evitar por toda a vida, aquelas que não gostavam de se expor por terem medo da sociedade. Achava que evitava a sociedade por achá-la inferior à ela, como ele sentia. Se sentira atraído por ela porque pensava que, no fundo, ela era igual a ele. E agora tudo se mostrou ser o que não era. Conhecendo a si mesmo, tinha certeza que era questão de segundos para deixá-la ir embora, ou ele mesmo a chutá-la para longe da sua vida. Mas vendo aquele olhar pensativo dela, os dedos cruzados acima da barriga e os cabelos bagunçados, espalhados no chão... Ele sentira que ali era o lugar dela. Com ele.
Surpreso com seus próprios pensamentos, se pegou com ela por um longo tempo, o sentimento de repugnancia que sentia pelas garotas que se mostravam fracas não era atribuída à . Diferente dos antigos casos de , que se demonstraram sensíveis, tudo o que ele queria fazer agora era protege-la do ex dela. Mante-lo longe dos dois.
- O que pretende fazer agora? - ele pergunta depois de muito tempo calado. demorara um tempo para responder. Talvez por estar distraída, se decidir em dar a resposta que ela queria dar ou ele queria ouvir, ou quem sabe pensando na melhor resposta a dar para ele.
- Não sei. - fora o que respondeu.
Sem dizer mais nada, se levanta e a vê não se mexer. Talvez ela não fosse assim tão insegura quanto ele imaginara. Sem tocá-la ou dar a intenção da mesma, ele se retirou do quarto de e seguiu para o primeiro andar da mansão. Sacou seu celular e ligou para seu agente.
- Quero que descubra quem é o ex-namorado de . Ele está aqui na América. O ache.
Era fato: não acreditava em coincidencias.

Thirty-three.

Dois dias se passaram com presa dentro do quarto.
não se atreveu a ir confortá-la. Por mais que a quisesse consigo, o sentimento de que ela deveria sofrer as próprias dores tomava conta de si. Queria que ela pagasse pela traição. Estando frágil no momento ou não, ela o traíra. E ninguém traía . Enquanto ele não descobrisse o que queria descobrir, ele continuaria a evitando.
No dia anterior, havia recebido o telefonema de seu agente com as informações que havia pedido no dia anterior a este:
- O nome dele é Aurelio Blanc, fora estudante de Relações Internacionais, mas conhece a senhorita desde adolescentes. Chegaram a morar juntos--
- Eu não quero saber a história deles. - o corta rancoroso. - Quero saber o que ele faz aqui e se ele foi o autor do escândalo.
- Não é possível saber com certeza a razão dele na América, estava em Nova Iorque até pouco tempo com a irmã menor. - o agente dizia no telefone. - Depois se mudou para cá, e regularizava com Los Angeles e NYC.
- O que ele fazia em NYC? - encosta em sua cadeira, no escritório. A porta estava trancada e sabia que não iria sair do quarto por um bom tempo. Ouvira há pouco uma das empregadas tentar lhe fazer sair para comer. - Com quem se encontrava?
- Não sei, senhor.
- Descubra. - e desligou em sua cara. Massageia as têmporas e desencosta da cadeira, apoiando os cotovelos na mesa. Se levanta rapidamente e caminha para fora do escritório, mandando uma das empregadas pedir seu carro. Sobe até seu quarto pegando seu blazer e ao sair, vê a porta do quarto de ainda fechada. Passa um tempo encarando a mesma, para então se desviar ela e descer as escadas. Não queria admitir, mas estava contando os dias para ver a garota sair de dentro do lugar.
Avisa a empregada de que não o esperasse para o jantar e partiu com o carro em direção à estrada de Santa Mônica.
Chegou em Huntington Beach horas depois, o dia já estava escuro, mas a hora não era tão tarde. O GPS indicava o caminho que tinha de fazer e já errara três vezes. Respira fundo, tentando conter seu nervosismo, e depois de uma hora finalmente consegue chegar no lugar indicado. Tinha de lembrar de atualizar o sistema do GPS.
Tocou a campainha e aguardou ser atendido, enquanto esperava, olha para os dois lados da rua larga e bem iluminada, não havia sinal nenhum de paparazzis, apesar de haver diversas pessoas caminhando. Nenhuma delas com interesse maior em saber o que fazia ali. Não pareciam sequer conhecer o famoso filho do político. Ouviu a porta ranger e então olha para a pessoa que abriu:
- Senhor ? - um homem quase identico a ele, se não fosse pelo nariz consideravelmente mais torto.
- Boa noite Aidan, posso entrar? - diz em sua voz mais formal possível.
- Claro, claro. - seu sócia dá um passo para trás, deixando com que passasse e visse um estrondoso jardim cheio de diferentes flores, mas sem espaço o suficiente para caminhar. Cerca de dez a quinze passos depois, os dois podiam se ver dentro da casa simplória de Aidan. Ele o levou até uma sala, onde perguntou se gostaria de beber algo:
- Não, obrigado. Na verdade, é uma visita rápida. - ele levanta a mão enquanto sentava no sofá com estofado florido. A casa provavelmente era da mãe de Aidan. - Me diga, quantos anos você tem mesmo?
- Vinte e dois. - Aidan responde confuso com a visita e muito mais com a pergunta. - Posso ajudá-lo em algo, senhor ?
- Ah sim, pode. - ele sorri. - Semana passada você esteve comigo e minha equipe em Nova Iorque, certo? Para se passar por mim para a mídia.
- Certo.
- Eu gostaria de saber se, fora do horário de trabalho, alguma pessoa te procurara. Um homem, mais precisamente.
- Não estou entendendo.
podia ver nos olhos de Aidan que ele não estava a par da gravidade que seu emprego corria risco. Levanta a sobrancelha e respira fundo:
- Você encontrou com algum homem de sotaque francês em Nova Iorque?
Aidan arregalou levemente os olhos e encostou na poltrona onde estava sentado, passou a mão pelo queixo e olhou para cima, tentando se lembrar.
- Tinha este cara, eu não sei se ele era francês e não podia ouvir muito bem para saber do sotaque, mas ele fumava Gauloises e falava 'oui'.
- Ele te ofereceu algo?
- Queria me contratar para um serviço, disse que tinha um ateliê de arte e gostaria que eu posasse para seus artistas.
As coisas poderiam estar sendo esclarecidas, mas se sentia ainda mais confuso. Pensava nas perguntas certas a fazer a Aidan. Encara o homem que agora, diferente dele mesmo, estava vestido desleixadamente e os cabelos que, em trabalho eram jogadas para trás com gel para se parecer com , estavam desgrenhadas e jogadas na cara. Suspira e diz:
- Ele pediu algo mais? Ofereceu algo?
- Não... Depois que neguei, ele disse que eu deveria pensar melhor, pois era uma ótima oferta. Então pediu que eu o acompanhasse até a Marquee.
Voilá!
- E você foi?
- Fui, claro. É uma das melhores baladas de Nova Iorque e o dia seguinte tinha folga, então não vi mal nenhum ir.
- E obviamente, a imprensa estava lá. - completa seu raciocínio. Agora que tinha tudo o que queria, se levanta. - Era só isso o que queria saber, Aidan, obrigado.
Sem entender um pingo do que estava dizendo, Aidan não fez nada senão o acompanhar até a porta e o ver se afastar dentro de sua Cayene. Já dentro do carro, colocou o viva-voz em seu celular ao ligar para seu agente.
- Cornelius. - a grossa voz do homem surge.
- Descobriu algo?
- Ele está em Santa Mônica.
- É uma cidade grande. - ele vira à esquerda, onde a placa indicava a rodovia. Se sentia mais seguro segui-las, ao GPS.
- Está hospedado no Holiday Inn, ficara lá durante três dias sem sair, mas não está no local no momento. A administração disse que o check out dele será amanhã às 11 da manhã.
se mantém calado e olha seu retrovisor. Solta uma risada enquanto balança a cabeça e bate no volante um tanto nervoso. Assim que volta a encarar a estrada, diz:
- Vá até minha residência e verifique se está lá.
- Sim senhor.
- E Cornelius? - ele chama seu agente, agora pisando no acelerador.
- Sim?
- Demita Aidan e peça para Joe Bull me ligar agora.
- Sim senhor.
O som da ligação sendo desligada fez com que voltasse sua atenção para a estrada. Não estava se importando com as multas que pegaria esta noite. Sua cabeça agora estava em outro lugar.
Esse tal de Blanc era mesmo mais esperto do que ele esperava. Mas não o suficiente para sair ileso.

Thirty-four.

Demorara cerca de três horas para chegar em casa. desceu de seu carro calmamente e caminhou até dentro da mansão, onde as luzes estavam apagadas.
Durante o caminho de volta, ele recebera a ligação de seu agente, informando que ninguém entrara ou saíra da casa. Com o pensamento mais tranquilo, ele passou a se importar menos com o trânsito que estava na rodovia principal para Santa Mônica.
Seguiu para o quarto com o blazer em mãos, pois não gostava de dirigir com ele, achava que limitava o movimento de seus braços. Enquanto subia as escadas, sentiu que estava sendo observado. Parou seus movimentos e soltou uma breve risada, olhando para cima com impaciência.
- Sua segurrança é mesmo uma merde. - a voz com sotaque francês soa da sala por onde ele havia acabado de passar. se vira com o sorriso malicioso nos lábios e vê o semblante de um homem alto sentado em seu sofá.
- Ele funciona com americanos.
A risada francesa é ouvida.
- Você é mesmo interressante, . - Aurelio cruza as longas pernas enquanto via voltar a descer as escadas, jogando o blazer no sofá. - E admito, inteligente. Enviar seus guarda-costas parra vigiá-la forra bem prudente.
- Sei agir na hora certa.
- Oui, oui. - Aurelio balança a mão não demonstrando tanto interesse. - Vamos dirreto ao ponto, você sabe por que ela está com você?
abre um sorriso esperto no rosto e vai até o bar que tinha em um canto da imensa sala.
- Obviamente.
- Bom, então deixe-me reforçar sua opinião, seja ela qual for. está com você porque você é semelhante à moi.
Aquilo chamou a atenção do dono da mansão. Este que desviou o olhar do whisky que se servia e passou a encarar os olhos claros do francês, que por fora parecia estar se divertindo com a situação, mas em seus olhos, ele sabia que não estava gostando do momento tanto quanto .
- Semelhantes? - ri em deboche. Aurelio abre um sorriso com os lábios ainda grudados e suspira:
- Fomos atrraídos pela beleza naturral dela. - ele joga a cabeça para trás, encarando o teto bem longe de si por ter o pé direito em torno dos seis metros de altura. - Quem não olharia mais uma vez parra aquelas perrnas?
fecha a expressão e bebe um gole de seu whisky. Se lembra claramente da visão que teve pela primeira vez de . As pernas em contraste com o vestido amarelo e os passos retos como os de uma modelo. Ela parecia estar em uma própria passarela bem no meio da universidade.
- Depois de a conhecido, fomos atrraídos pelo mistério dos olhos dela e o comportamento que nos expulsava. E quanto mais afastados érramos, mais dentro querríamos estar. - ele solta uma breve risada. - Garrota dificíle. Mas boa de cama. E no meio de todo este jogo, veio l'amour. - ele finalizara encarando , que levanta uma das sobrancelhas.
- De fato isso aconteceu. - rapidamente diz para não demontrar que Aurelio estava certo, e que ele ficara constrangido com as coincidências. - Mas acho que você se esqueceu da possessividade de atenção.
- Ah, oui, oui, houve isso também. - Aurelio balança a mão mais uma vez.
Os dois trocaram um longo olhar de análise, à procura de alguma fraqueza, mas nenhum dos dois encontrara nada.
- Vim buscá-la. - Aurelio finalmente diz.
- Sinto lhe dizer, mas deixará minha casa sozinho. - ele bebe outro gole do whisky sorrindo. Aurelio o retribui.
- Você acha mesmo que ela quer ficar com você?
- Bom, ela disse que me amava. Ela disse isso para você?
- Diversas vezes. E ainda ama. Caso contrrário, não hesitaria em me deixar ir emborra quando eu dei a intenção.
levantou as sobrancelhas demonstrando uma falsa surpresa e terminou um grande gole do whisky com uma careta.
- Você não tinha a intenção de ir embora.
- Pas (Não). - Aurelio sorria.
- Você a ama? - pergunta agora sério. Fora a vez de Aurelio levantar as sobrancelhas, abertamente surpreso pela pergunta inesperada. Encarou e deixou um sorriso escapar.
- Pode-se dizerr que o que sinto é amorr, oui.
- Pode-se dizer... - repete para si mesmo e solta outra risada em deboche. - Quando estiver à altura de receber o amor dela, volte. - e se levanta, deixando o copo na mesa e pega seu blaser, a colocando em um ombro enquanto a segurava pela gola.
- Ela mencionou a dívida que tem comigo? - ouviu a voz dele e novamente parou os passos, revirando os olhos e virando o rosto para ver o semblante de Aurelio ainda sentado no sofá. Suspira:
- De quanto falamos?
- De uma vida. A dela, mais 'prrecisament'.
- O que quer dizer com isso?
Aurelio abriu um sorriso, o choque dera certo, estava curioso e nervoso. Se levantou finalmente e alisou a camisa que usava, respirou fundo:
- Perrgunte à ela você mesmo. - ele diz calmo. - E diga que vou emborra amanhã. Aurre voi, . - e caminhou calmamente até a porta da frente, abrindo a porta e se retirando de dentro da mansão.
ficara parado por um tempo pensando no que ele queria dizer e concluiu que não tinha escolha, tinha de ir falar com . Terminou de subir o lance de escadas e foi direto para o quarto da garota, onde entrou sem nem ao menos bater. Ela assistia a qualquer filme antigo que passava na TCM. Desviou o olhar rapidamente para e os arregalou, surpresa. Não ousou dizer nada, ansiava por este momento ao mesmo tempo que o evitava. Olhou nos olhos do socialite e não gostou muito do que viu. Lentamente desligou a TV com o controle remoto e esperou tomar a iniciativa.
- Que dívida é essa que você tem com Aurelio Blanc?
arregalou os olhos.

Thirty-five.

Ela podia sentir o coração começar a acelerar rapidamente e a respiração forte de .
- Como--
- Apenas responda. - ele diz sério. Ela desvia o olhar para o lado.
- Não é nada importante.
- Para ter sua vida como pagamento? - ele diz ironico, a fazendo voltar a encará-lo.
- Você o encontrou?
- Ele veio fazer uma visitinha desagradável. Responda minha pergunta.
se perguntava quando Aurelio esteve ali e por que não fora ve-la. Aperta os olhos ao perceber o que pensava. estava em sua frente exigindo uma explicação e ele não parecia nenhum pouco paciente.
- É passado.
- Bom, o seu passado está atrapalhando o nosso futuro! - ele diz ainda mais nervoso. Era tão feio assim a razão?
Ela arregalou levemente os olhos ao ve-lo tratar o futuro dos dois como um só. Fora o suficiente para ela começar a pensar por onde devia começar.
- Minha mãe morreu quando eu ainda era pequena. Assim que o velório dela acabou, meu pai saíra de casa e me deixou sozinha. Eu tinha doze anos. Sempre soube me virar. Mas o juizado de menores não se importava com isso e me deixou em um orfanato, onde um homem me adotou. - ela abraçara as pernas e passara a encarar a colcha de pluma de ganso que a cobria até a cintura. - Ele era dono de uma casa de prostituição, haviam diversas garotas por lá da minha idade e até mais novas. Ele não vendia o nosso corpo, apenas nosso trabalho. Aurelio me achou durante uma festa que havia de alguns homens de uma certa empresa. Ele me tirou de lá e cuidou de mim.
manteve seus braços cruzados enquanto ouvia as palavras de , não se sentia mais tão nervoso quanto há alguns segundos atrás, mas o fato de saber da verdade o perturbava bastante.
- Quando aquele homem tentara me pegar de volta, Aurelio o fez ir preso. Eu não soube muito bem o que aconteceu, ele nunca me contara o que fizera. No fim, ele me ajudou com os estudos e então me mandou para cá. - ela olha para o lado, se lembrando da real razão de ter ido até a América.
- Você o ama? - pergunta. Depois da história que ouvira, ele sabia que era possível ela ainda sentir algum tipo de sentimento forte pelo homem que, para ela, salvou-lhe a vida.
Ela o encara com o olhar entristecido, mas ele não pode ver a resposta estampada. Aguardou pacientemente a resposta, até ela vir:
- Já o amei mais. - responde baixo. - Agora tudo o que sobrou fora gratidão.
Aquilo, de alguma maneira, acalmou os nervos de . Seu coração desacelerou e ele sentiu o peito desinchar. Pode sentir a brisa que entrava pela janela entreaberta bater em si, algo que já acontecia antes, mas com a raiva, ele não percebia. Encarou com outros olhos e a viu encolhida em sua cama, insegura e à procura de proteção. Achou a visão irônica e se perguntou como seria se ele fosse consolá-la.
Cruzou os braços e olhou para o escuro do céu, hoje sem estrelas. Suspirou ao pensar sobre o dia seguinte. O mais engraçado, era que ele não se sentia nem um pouco mal pelo que estava para acontecer. Olha para mais uma vez e desistiu de se manter em pé. Retirou a camisa e a calça, ficando apenas em sua boxer. Se aproximou da cama e, em um único movimento, a empurrou delicadamente para o lado e a puxou para dormir consigo. Fora questão de segundos para que ela adormecesse. Demorou bem mais para ele dormir.
Talvez fosse sua consciência.

No dia seguinte, acordou antes do que esperava. Olhou para o relógio e viu que era onze e meia. Virou o rosto a procura de , mas não a encontrou ao seu lado. Se sentou ainda um pouco sonolento e se obrigando a abrir seus olhos por inteiro. O sol estava forte no lado de fora. Ouviu o barulho da chuveiro ligado e supôs que fosse ela. Encostou no batente da cama e lá ficou pensativo até ver sair do banheiro enrolada em uma toalha branca.
- Vai sair? - ele pergunta.
Ela o encara antes de entrar em seu closet.
- Aurelio vai embora hoje. - ela diz como se nada do que tivesse acontecido no dia anterior, tivesse de fato acontecido. levanta uma de suas sobrancelhas e então se levanta, saindo do quarto.
Tomou um rápido banho e colocou uma jeans seguido de uma camisa, que ficara com os botões de cima sem serem abotoados. Assim que desceu, pode ver o olhar surpreso de enquanto comia seu pão amanteigado.
- Vou com você. - ele agradece a cozinheira pelas suas frutas. Ela o fica encarando séria. - Garantir que você volte.
- Eu não--
- Nada do que você falar vai mudar minha opinião, não perca seu tempo. - ele diz abrindo o jornal, como fazia todas as manhãs, e lendo o conteúdo que lhe interessava, a sessão de política.
O resto do café da manhã se passara no mudo. Apenas o som dos talheres e a virada de página do jornal. As cozinheiras desligavam a rádio quando entrava na cozinha. Depois de meia hora, ele enfim se levantou, sendo seguido por . Caminharam até o carro, enquanto ela mascava um chiclete de menta. Olhou para a garota, que estava vestida com uma saia de cós alta florida e uma leve blusa regata branca, acompanhada de um blaser em tom rosê [Modelo]. Abriu um leve sorriso e entrou no lado do motorista, enquanto ela entrava no passageiro.
Seguiram calados até o hotel, mas Aurelio já havia feito seu check out havia uma hora. pode ver no rosto de , a decepção. Ouviu o celular vibrar e, antes de atender, olhou para os dois lados para saber se havia algum policial por perto. Assim que se certificou de que não infringiria nenhuma lei perto de um oficial, atendeu a chamada de Joe Bull.
- . - ele diz.
- Está feito.
- Com sucesso?
- Cem por cento.
- Cornelius irá acertar com você. - e desligou sem dizer mais nada. Pos um sorriso nos lábios e mais uma vez olhou para . Observava a paisagem do lado de fora do carro sem interesse. - Está na hora de você seguir em frente.
Ela vira o rosto para saber se ele estava falando com ela, ao ver que sim, suspirou e voltou a encarar a vista:
- É o que estou fazendo desde que pisei neste país.
- Parece ainda apegada ao passado.
- Isso já é um problema meu.
não conseguia deixar de sorrir. Mesmo com a personalidade de voltando a ser o que era antes, ele gostava mais desta do que a sensível que estava até noite passada. Gostava da de atitude, não a que se escondia em seu quarto.
- O que quer fazer?
Ela levanta os ombros:
- O que quiser.
- Você não gosta de transar de dia.
- Ótimo, me leve para fazer compras então. - ela diz nervosa, o fazendo soltar uma risada e virar à primeira esquerda.
Ao entrar na rua, a mesma estava interditada por policiais e paramédicos.
- Desculpe, senhor , terá de dar a volta pela Summerset. - um dos oficiais diz assim que ele abre a janela de seu carro.
- Muito grave? - ele aponta com a cabeça para o acidente.
- Feio. Um carro perdeu o controle e colidiu com um caminhão de consolers que ia para o porto. - o oficial olha para o acidente.
- O passageiro passa bem? - demonstra preocupação, como fazia com todas as pessoas que via em sua frente. Era parte do papel dele, parte da fama que ele tinha. O policial suspira e balança a cabeça em negação.
- Não conseguiu sobreviver, foi bem feio, senhor . E o pior é que parece que ele não é daqui dos Estados Unidos, havia o passaporte e passagens de embarque hoje para Paris em sua mala de mão.
desfaz a expressão falsa para uma real. Olha para , que tinha seus olhos arregalados e a boca aberta para o policial. Ele a viu voltar a olhar para o local do acidente e, antes que pudesse impedi-la de fazer algo, a garota saiu do carro rapidamente, correndo em direção à ambulância, que ainda não havia posto o corpo dentro do carro. Os oficiais e bombeiros estavam ocupados demais que sequer perceberam a garota indo em direção ao corpo da vítima.
Olhou para os lados e viu que a mala de mão estava posta ao lado da maca e em cima da mesma, o passaporte da pessoa. Rapidamente ela pegou o documento e o abriu. Suas pernas falharam e se não fosse por estar atrás dela, ela estaria agora no chão. A foto de Aurelio estava estampada na página número dois de seu passaporte, seu nome e identificação na página três. As lágrimas desceram do rosto de sem ela perceber.
- Senhor ...
- Ela conhece a vítima. - levanta a mão sério para o oficial, que se intimida e se afasta dos dois.
abriu o zíper do saco que estava envolto em Aurelio e viu o rosto com cortes do homem que ela amou. Suas mãos e lábios tremiam, não esperava nunca por isso. Achava que depois de hoje estaria livre de Aurelio, suas chantagens e pedidos de retorno, mas ela não imaginava que estaria livre dele para sempre. Depositou um beijo na testa de Aurelio e murmurou algumas coisas em francês que não pode ouvir, e não gostaria também. Fechou o zíper e olhou para , que olhava sério para o corpo de Aurelio.
- Vamos embora. - ela disse, se afastando do corpo. a acompanhou calado e informou o oficial, antes de entrar no carro, que enviaria as informações sobre quem entrar em contato em Paris.
Assim como no caminho de ida, o silêncio da volta fora ainda pior. nada dissera e menos ainda. Chegando em casa, pensara se fora o certo voltar para casa, ao invés de levá-la às compras. A viu sair de casa sem os sapatos, provavelmente indo caminhar na praia. Suspirou e ligou para Joe Bull e Cornelius.

Assim que o agente e o ex-contratado chegaram, se trancou em seu escritório com os dois.
- Eu disse para fazer na estrada! - ele dizia nervoso, andando de um lado para o outro. - Não era para ela ter visto.
- Senhor , quando alteramos a engenharia de um carro, não é possível nós sabermos quando e onde o carro irá bater. - Joe diz calmo. olha para o homem com raiva nos olhos, mas nada retruca. O cara estava certo, ele não tinha como prever lugar e hora que o carro ia sair desgovernado.
- Fui até a polícia entregar as informações que o senhor pediu sobre os contatos, eles disseram que terá de dar um depoimento por ser uma conhecida dele aqui na América.
o encara bruscamente.
- Ela está sendo acusada?
- Não exatamente. Pelo menos não foi o indício. - Cornelius parecia mais um robô, não demonstrava expressão nenhuma e sempre que se encontrava com , estava vestido com o terno perfeitamente passado e alinhado.
- Há alguma suspeita de homicídio? - o encara.
- Por enquanto não. Eles vão verificar no histórico do carro quando foi a última vez que ele fora posto em revisão. A empresa que alugou o carro para Blanc irá cuidar disso. A família dele provavelmente irá querer processar a empresa.
concorda com a cabeça. As coisas saíram um pouco de seu controle, mas tudo parecia estar andando de acordo com seu plano. Olha para o lado externo da casa, onde estava localizada a praia. provavelmente ainda estava caminhando, pensando em sua história com o falecido.
- Seja o que for, não quero ela na polícia. Nem muito menos que eles tentem entrar em contato com ela, ou qualquer pessoa da família. - aponta para Cornelius, que concorda com a cabeça. Olha para Bull: - É melhor você ir embora.
- Sim senhor. - ele se levanta. - Ah, estarei indo para Porto Rico passar uma temporada por lá, muitos trabalhos ultimamente, minha família acha que estou por lá, no caso da polícia desconfiar que fui eu. Qualquer coisa...
- Sim, sim, vá logo. - balança a mão.
Enquanto ele ficara andando de um lado para o outro, Cornelius fazia as ligações necessárias para completar os pedidos de seu patrão. Joe Bull caminhou até a porta, e ao abrir, deu de cara com o encarando sério.
- Ahn... Senhor ? - ele chama o homem, que o olha impaciente. Ao ver , sua expressão muda.
- Você o matou? - perguntou com sua voz séria. Cornelius parara de falar ao telefone e olhava para agora em receio.
- Vamos conversar--
- A resposta é simples. - ela o corta com seu tom mais alto. - Sim ou não?
respirou fundo e colocou as mãos na cintura. Olhou para o chão e então voltou a encarar a garota.
- Não exatamente.
- Você mandou matá-lo. - ela diz raivosa.
- Era eu ou ele, . - ele faz um movimento com a mão, fazendo com que Cornelius e Bull saíssem do escritório rapidamente.
- Ele não tinha a intenção de te matar!! - ela quase grita, se aproximando mais de . - E você o matou!!
- Bom, não era para ele ter morrido. - diz, tentando amenizar sua situação, que não estava nada boa, ele sabia. - Ele veio me ameaçar ontem, eu só tive que tomar uma atitude para que nem eu, nem você nos machucássemos. Eu estava nos protegendo. - ele ainda mantinha sua voz calma.
- Mentira. - diz com a voz trêmula. - Aurelio nunca mataria ninguém, a não ser que a pessoa fizesse mal à pessoa que ele ama.
- Eu te tirei dele--
- Isso não justifica! Ele estava indo embora!
- Qual a garantia de que ele não voltaria?
balança a cabeça em descrença. Coloca as mãos na cintura e então se retira da sala rapidamente, subindo as escadas e batendo a porta. sabia muito bem qual era seu próximo passo. Chamou pelos seguranças e ordenou que não a deixasse sair da propriedade. Seguiu até o quarto de e bateu na porta. Como todas as vezes, não obteve uma resposta. Entrou sem bater mais uma vez. Viu as malas jogadas em cima da cama e caminhou até o closet, onde a viu retirando com rapidez suas roupas e as dobrando de uma maneira que não ocupasse tanto espaço na mala.
- Aonde pensa que vai?
- Embora. - ela diz séria e passa por ele, colocando a primeira leva na mala.
- Você não vai a lugar algum. - ele a segura quando ela voltava para o closet.
- Você não entende, não é? - ela o olha em seus olhos. - Eu não posso e não vou ficar na mesma casa que a pessoa que matou ele. - e o empurra, se soltando de seus braços.
- Você disse que não o amava. - a encara sério. Ela o olha enquanto dobrava um de seus blasers.
- Isso não significa que eu vá esquecer tudo o que ele fez para mim no passado. - ela responde friamente.
Aquilo para ainda era resquício de amor. Como podia uma pessoa ser tão dependente e presa ao passado? Soltou uma risada nasalada.
- E quando você vai entender que eu fiz isso por nós dois? Ele pode matar, eu não?
para de mexer com as roupas e o encara mais uma vez. Aperta os lábios, tinha razão.
Deixa os braços caírem ao lado do corpo. De repente toda sua força sumira. Não tinha como retrucar o que ele havia dito. Caminha até o fundo de seu closet e se senta na poltrona que ali tinha. Fecha seus olhos em dor, uma dor não física, mas sim psicológica. Por que estava odiando tanto ?
Sentiu a mão dele depositar em seu joelho e levantou o olhar para seus olhos. Várias coisas passavam por sua cabeça, então não teve tempo de reagir à proximidade de seus lábios nos dela. As mãos nunca se encontrando, deslizando no corpo do outro, respirava forte enquanto sentia os lábios de descer por seu colo até seus seios já à mostra. Sem trabalho com a boca, tudo o que eles fizeram foi apenas transar

Assim que ela abriu os olhos, não pode se lembrar imediatamente aonde estava. O chão encarpetado que antes parecia até macio, agora estava duro e a deixando com frio. Respirou fundo e espreguiçou, finalmente se sentando e olhando para os dois lados, onde pode ver suas roupas todas espalhadas ao seu redor. Fez uma careta, seguida de um resmungo ao se lembrar da noite passada. Procura por algum sinal de , mas ele não estava ali. Se levanta e pega um robe que ainda não havia sido jogado dentro de uma de suas malas e segue para fora do closet, verificando se ele poderia estar no banheiro ou até mesmo em seu quarto. Sem sinal algum do dono da casa, aquilo já começara a aborrece-la. Desce as escadas e encontra com as cozinheiras conversando, parando subitamente assim que veem adentrar, esta balança o braço:
- Não se preocupem comigo. - sua voz sai rouca e sonolenta.
- Você precisa de uma dose dupla de gorduras e calorias neste seu rosto anêmico. - a cozinheira principal diz indo até a geladeira.
- Sim, obrigada. - fora tudo o que conseguira responder. - não está em casa, está?
- Não senhorita, saiu de manhã bem cedo e disse que não irá almoçar em casa.
- Ele deixou algum recado para mim? - ela bebe um gole do suco deixado à sua frente, tentando demonstrar o maior desinteresse do mundo pela atitude do homem.
- Não senhorita. - a cozinheira torna a repetir.
Fora a chave final para deixar de mau humor. Fingiu não se importar e comeu todo o café da manhã que haviam lhe dado. Se levantou e seguiu de volta para seu quarto, onde se pôs em sua sacada e, com a vista para o mar, pensou em tudo o que estava passando.
Pensar nunca era bom para Kitamura.

Thirty-six.

Assim que chegara em casa tarde da noite, vira a casa escura e sem ruídos. Os empregados já haviam se retirado devido ao horário.
Subira as escadas lentamente por causa da exaustão e viu a porta do quarto de entreaberta. Parou subitamente, estranhando a luz estar apagada. Se aproxima cauteloso e abre a porta de pouco em pouco até ver que ela não estava por lá. Caminha agora nervoso até o closet da garota e o vê completamente vazio.
- O que diabos-- - começa a dizer, mas para, passando a mão pelo rosto. Solta uma risada nervosa e caminha para fora do quarto, pegando seu celular e voltando a descer as escadas da mansão. - Cornelius, quero que descubra onde está. Agora. - e desliga, pegando as chaves do carro no prato da entrada e mandando os seguranças abrirem o portão para ele sair.
Percorreu Santa Mônica inteira atrás da garota, mas fora apenas duas horas depois que Cornelius retorno seu telefonema, informando que havia ido para a França.
Encostou seu carro no primeiro lugar que achara vago e respirara fundo, fechando seus olhos e batendo a cabeça no volante. O que havia feito de errado agora? Primeiramente veio o sentimento de culpa, onde ele procurava saber no que havia errado. Em seguida a raiva se apossou, querendo que o avião da moça caísse para que ela pudesse se juntar com aquele demônio que acabou com parte da sua vida. Enfim desistiu de pensar nisso. Se ela queria se ver livre dele a ponto de deixá-lo dessa maneira, ele tinha seu orgulho próprio e não correria mais atrás dela.
Fora a última vez que se permitira se preocupar por uma mulher.

DEZ ANOS DEPOIS.

" finalmente visita os Estados Unidos.
A atual estilista da Crown, marca criada pelo renomado Karl Lagerfield, chegou à Nova Iorque para uma conferência exclusiva de sua nova coleção. A mulher de apenas trinta e três anos, conhecida por ser a sensação no mundo da nova e a indicada a ser a próxima revolucionária da moda, possui um acervo incrível admirado pelos maiores criadores de moda do mundo. Situada em Paris, na França, a estilista dedica seu tempo a criar novas coleções com Karl e cuidar de seu projeto social para crianças carentes.
Recentemente, Lagerfield criou a hipótese de passar Chanel para futuramente, quando "achar que ela estará preparada para a marca". não comentara nada sobre o assunto até então.
Comparada com a famosa Gabrielle 'Coco' Chanel, consta na lista de pessoas mais influentes do mundo deste ano. Dona de um humor característico, sua vida pessoal é como o próprio nome diz: Pessoal.
Sua única relação pública fora com o agora político , candidato a deputado federal.
Paixões à parte, não veio para desenterrar relações passadas, tampouco em criar uma nova. A garota, focada em seu trabalho, veio acompanhada de Marguerite, a quem adotara dez anos atrás. A adolescente que agora está para completar seus dezesseis anos, pediu à "irmã mais velha" que pudesse acompanhá-la durante a temporada de moda americana.
Nenhum jornalista fora permitido entrar em contato com , tendo suas aparições sendo agendadas por seus três agentes. permanece na América até o final da próxima semana, quando embarca para os Emirados Árabes para o lançamento de uma nova loja Crown."

A garota fecha a página onde estava estampada sua foto e fecha a capa do iPad, colocando-o na mesa ao lado do sofá em que estava deitada. Olha para a televisão, onde podia ver em um comercial político, prometendo coisas que nunca iria cumprir. Assim como fizera à ela. Prometera a felicidade e lhe trouxe a culpa. Desvia o olhar para Marguerite, adormecida no sofá ao lado em baixo das cobertas. Durante os sete primeiros anos, vivera com o sentimento de culpa por ter deixado , sofrendo com suas próprias atitudes. Agora, depois de dez anos e olhando para a "jeune sœur" (irmã menor), saberia que se arrependeria ainda mais em pensar que, por sua culpa, a garota perdera a última pessoa de sua família, sendo abandonada por quem mais confiou. preferira viver na amargura de ter deixado a deixar Marguerite nas mãos de Fleur. Jamais se perdoaria. E por mais que sofresse toda vez que visse o sorriso da garota, por ver o mesmo que Aurelio raramente dava à alguém, sabia que era seu destino conviver com essa dor.
Olha para a TV, onde continuava falando. Fisicamente, ele não parecia muito diferente do que deixara há dez anos atrás. Pensa se ele alguma vez se recordara do que tivera com ela uma vez. Ela se recordava.
Desliga o aparelho e acorda delicadamente Marguerite, acompanhando-a até seu quarto na cobertura do melhor hotel da cidade, andar que havia sido fechado para as duas. Assim que a acomodou em sua cama, segue para seu próprio quarto, onde abre a mala Louis Vutton criada exclusivamente para ela e dada pessoalmente por Marc Jacobs, estilista da marca. Retira de dentro, a foto de Chanel que levava consigo como amuleto, apenas para se lembrar como chegara ali onde estava e até onde queria ir.
- Você sofreu assim também? Ou sou apenas eu? - ela perguntou à foto da mulher, obviamente não recebendo uma resposta.
Adormeceu com milhares pensamentos na cabeça, tendo nenhum deles claros em mente.

Thirty-seven.

A semana se passara rapidamente e apesar de sua agenda estar completamente lotada, a maioria das entrevistas que dava eram no salão de convenções do hotel.
Faltando ainda quatro dias para o voo aos Emirados Árabes, Marguerite a convenceu de irem fazer compras no centro de Nova Iorque, já que a irmã mais velha estava com o resto do dia livre. Seguidas por diversos fotógrafos e acompanhada de milhares de seguranças e infinitos fãs, caminhara pela quinta avenida, a rua das melhores lojas. Depois de compras com Marguerite, as duas foram levadas pelos representantes americanos a um restaurante no SoHo, onde os donos fecharam um espaço reservado apenas para as duas.
dificilmente dizia algo, e apenas sorria quando era necessário. Sua expressão fria era sempre constante, mas, sendo parte de sua própria característica, ninguém pareceu se importar. Marguerite não parava de falar no quão legal era a América e que gostaria de estudar ali na próxima temporada. A irmã mais velha nada lhe respondia.
Voltaram para o hotel quando era tarde da noite, por volta das onze e meia. As compras foram levadas pelos funcionários do hotel e acompanhou Marguerite até seu quarto, como sempre fazia desde que começaram a morar juntas. A irmã menor no início chorava por Aurélio, e por mais que soubesse que a causa da morte do irmão fora , nunca culpou ou amou menos a irmã mais velha por isso. Fora o único aquecimento no coração de durante estes dez anos.
Abriu a porta de seu quarto e viu um semblante no escuro. Acendeu a luz sem medo de descobrir que fosse um assassino ou qualquer outra pessoa. Arregalou os olhos ao ver segurando a foto de Chanel em mãos. Ao ve-la parada à porta, depositou a armação na sofá e voltou a mão ao bolso.
- Já faz um tempo. - ele diz. Ela não se move, tampouco responde. - Não achei que um dia fosse voltar para a América.
- Nem eu. - ela responde séria. Ele abre um pequeno sorriso e olha para o chão, voltando a encará-la.
- Vim ver com meus próprios olhos como estava. A TV engorda as pessoas. - ele volta a olhar para o corpo ainda escultural de . Como era antes, a mulher não se intimidara com o olhar do homem. - Parece bem.
- Pareço? - ela pergunta sem propósito algum de obter uma resposta. Era apenas para intimidá-lo. Ouve uma risada nasalada de .
- Você pretende mesmo ter o mesmo fim dela? - aponta com a cabeça para a foto de 'Coco' no sofá. olha para a moldura e volta a encarar .
- Eu pretendo criar meu próprio caminho.
- Até agora você seguiu o caminho dela. - ele solta uma risada. - Veja só, até terminou sozinha como ela.
Aquilo estava a machucando, ele sabia disso. sabia qual era o propósito dele ali. Quando decidira voltar para a América sabia que ele tentaria entrar em contato de alguma maneira e faze-la sofrer por sua atitude de dez anos atrás. Por mais que tivesse se preparado para isso, não estava nem o mínimo preparada para o que estava recebendo.
- Se você quer ser uma revolucionária - ele se aproxima dela. - aprenda a criar sua própria estrada. - parou quando estava a centímetros da mulher. - Pare de imitá-la.
- Se inspirar é diferente de imitar, achei que você soubesse a diferença. - ela diz se sentindo intimada, porém não desistindo de seu orgulho, que falava bem mais alto que qualquer outro sentimento jogado dentro de seu estomago, que embrulhava no momento.
- Inspirar é usar as coisas boas de uma pessoa à quem admira para coisas boas criadas por você, não tomar certas atitudes apenas porque acha que tal pessoa faria o mesmo. - ele diz ainda próximo à .
- O que faz aqui? - ela diz brutamente.
- Já disse, vim ver com meus próprios olhos como estava. - volta a se afastar de , com as mãos ainda dentro dos bolsos, dando-lhe as costas e indo até a janela do quarto, olhando os pontos na rua, que simbolizavam as pessoas na frente do hotel, provavelmente fãs ou fotógrafos.
- Nós dois sabemos que isso é uma mentira. - diz. Decidira tentar faze-lo acabar com ela de uma vez, ao invés de torturá-la aos poucos como estava fazendo. Esperava que ele a machucasse com palavras e então a deixasse ali, da maneira que ela o deixara.
Vê o homem não se mexer por um tempo, e então se virar para ela, a assustando de certo modo, que a fez dar um passo para trás. Talvez não estivesse pronta para sofrer deste tanto. Talvez os dez anos de preparação para encará-lo não tenham sido o suficiente para ela.
Nunca acreditaria que o momento seguinte fora real, se não estivesse de fato sentindo seu coração pulsar tão forte que parecia querer rasgar seu peito e sair pulando afora. manteve o olhar na mulher que não sabia mais se tentava se proteger de suas palavras, ou ouvi-las com atenção.
- O que posso dizer? - ele olha para cima com um sorriso irônico no rosto, e então volta a encará-la. - É o que dizem, não é? - vê em seus olhos a confusão e então finaliza: - O primeiro amor a gente nunca esquece.

FIM

 

Comentários da autora



Muito obrigada à todas vocês que acompanharam e tiveram paciência durante estes dois anos que estive escrevendo Chanel. Que esperaram as atualizações ou que começaram a ler agora e tiveram tempo para ler todos estes trinta e sete capítulos com atenção.
Uma autora só leva sua história a sério quando a repercussão com suas leitoras é boa, fico muito feliz que Chanel recebeu uma boa atenção de todas vocês, obrigada de verdade pelo destaque em Outubro, os mais de 100 comentários e os papos pelo twitter e tumblr. Espero que vocês saibam o quanto foi importante a participação de vocês para que Chanel chegasse ao fim.
Quem me conhece sabe que quando deixo uma fanfic em andamento, é porque não vejo um fim concreto para ela, para chegar ao fim, é preciso de muita dedicação tanto minha, quanto das minhas leitoras. Então mais uma vez, obrigada! Vocês são demais!

Vejo vocês em outras fanfics minhas? Prometo me esforçar para não desapontá-las (:
Se você é minha leitora e possui um tumblr, não deixe de seguir meu blog: http://natashiamkfictions.tumblr.com/

Natashia Kitamura.