Best Friends

Escrito por Dana Rocha - Siga a autora no Twitter
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Acordei naquela manhã ao som de I Must Be Dreaming, como em acordava todas as manhãs. Automaticamente, peguei meu celular e apertei o botãozinho que desligava a música.
Sorri ao lembrar de quando dedicou-a para mim em um dos show que os meninos deram num encontro de famílias. Foi uma bagunça naquele dia. As famílias dos cinco todas reunidas.
Eu, é claro, como prima do e namorada do , era como a convidada de honra.
Ex-namorada agora. Nós tínhamos terminado há quase um ano, mas continuávamos sendo grandes amigos. Motivo? Não estava dando certo para nenhum de nós dois. Éramos aquele tipo de casal que ficava melhor como amigos do que como namorados. Por sorte tínhamos a mesma opinião e pudemos continuar amigos na boa. Não conseguiria imaginar minha vida sem o , sério.
Levantei correndo ao ouvir o telefone da sala tocar. Atendi sem nem olhar o número.
- Alô?
- Oi minha morceguinha!
- Oi, Pat. - Pat tinha essa mania estranha de me chamar por apelidos no mínimo exóticos.
- , o tá passando aí pra te buscar. Precisamos da sua ajuda.
- Ai, ai, o quê vocês fariam sem mim? Vou me arrumar. Beijos, tchau.
- Tchau. - Desliguei o telefone e corri para o quarto para me arrumar.

Dez minutos depois, tocava a campainha do meu apartamento, no terceiro andar.
Desci as escadas rapidamente e me joguei em seus braços, quando cheguei à entrada.
- ! - me enlaçou pela cintura e girou meu corpo sorrindo.
- Oi, . - Ele me soltou no chão e me deu um beijo no rosto. - Os meninos estão super ansiosos com a festa no final de semana. Aí eles me pediram pra te chamar.
- Eu sei que vocês me amam. - Disse sorrindo. me pareceu tenso por um momento mas depois abriu um sorriso, diga-se de passagem, maravilhoso, e agitou as chaves de seu carro na minha frente.
- Vamos? - Ele abriu a porta do passageiro para mim e deu a volta até o lado do motorista.
- Ainda está com aquela garota, a Taylor? - Perguntei fazendo uma careta.
Eu não gostava da namorada do . Ela era daquelas garotas patricinhas, que só andavam de salto beeeem alto e saia beeeem curta. Mas a minha opinião sobre ela eu guardava para mim mesma. Até porque se eu comentasse sobre isso com algum dos garotos (especialmente o Pat, que adorava tirar onda com minha cara) iriam achar que eu estava com ciúmes e dizer que eu gostava do . Eu gostava, mas não daquele jeito.
- Não. Ela não servia para mim. - Ele respondeu sem olhar para mim. - Eu não gostava dela.
Tentava me convencer de que o único motivo para que não olhasse para mim em nenhum momento era porque ele estava dirigindo e gostava de prestar atenção para evitar acidentes. Mas algo dentro de mim dizia que havia algo errado com .
- Tá tudo bem? - Perguntei tocando sua mão que estava depositada na marcha, enquanto esperava o sinal abrir.
ficou surpreso com o toque e encarou nossas mãos por um instante. Ele tirou sua mão de baixo da minha e segurou meu pulso, puxando-me para mais perto dele e colocou minha mão em seu peito para que eu ouvisse o seu coração.
Conseguia sentir sua respiração curta e compassada. A minha não estava diferente. Nunca pensei que me sentiria tão deliciosamente desconfortável assim tão perto dele.
- .. - Sua voz não passava de um sussurro. Antes que ele pudesse terminar a frase, fomos interrompidos por uma buzina irritante vinda do motorista atrás de nós. sorriu nervoso.
Ficamos em silêncio durante o resto do caminho. Na verdade evitávamos encontrar os olhares.
Eu estava confusa. Afinal, o que havia sido aquilo. O que queria dizer? O que ele pretendia fazer?

- Baratinha! - Pat gritou assim que eu cheguei ao estúdio onde eles treinavam para a apresentação de sábado à noite.
- ! - e gritaram também.
caminhou até mim com aquele sorriso irresistível nos lábios e os braços bem abertos para me receber.
- O cuidou de você, linda? - perguntou quando nos soltamos. O apelido surgiu quando ainda namorávamos mas ainda me chamava assim o tempo todo. Às vezes era constrangedor. Tá bom, era sempre constrangedor quando ele me chamava assim. Devia ter algo a ver com o modo como ele pronunciava a palavra; como se eu fosse uma espécie de deusa ou algo do gênero.
bufou, pegou o seu baixo e começou a dedilhar alguma música ali.
Eu sorri para e me dirigi até Pat, que me abraçou pela cintura sorrindo.
- Estávamos ensaiando as músicas novas. Quer ouvir? - Pat perguntou com uma voz que me lembrava uma criança de cinco anos de idade.
- Oba, quero sim! - Disse animada, sentando numa cadeirinha no canto da sala.
ainda tocava aquela música desconhecida em seu baixo, sem olhar para mim por nenhum momento.
- Vai gostar, priminha! Vamos , acorda! - sacudiu seu ombro que ele se levantasse.
- To indo. - Disse. Estava de mau humor. Todos perceberam isso.
- Não precisa tocar se não quiser, Gary. - Eu disse, surpreendendo todos. Ainda estava um pouco abalada com tudo o que havia acontecido no carro.
me lançou um meio sorriso sarcástico e se juntou ao resto da banda para começar a tocar uma música que eu deduzi que se chamava Growing Up.
- É linda. - Bati palmas quando eles terminaram.
fez uma reverência e sorriu. Pat começou a pular feito um doido.
- Se você gostou dessa, tem que ouvir a que o compôs!
se assustou e deu um pulo pra trás, caindo em cima de , que se desequilibrou e ambos acabaram caindo em cima da bateria de Pat, fazendo um barulho ensurdecedor.
- , o que você bebeu? - Pat gritou com raiva. Se tinha uma coisa que eu conhecia sobre ele é que nunca, nunca ninguém devia encostar na sua sua bateria. - Sai de cima da porcaria da bateria!
- Aff, Pat, relaxa. Viu, nem quebrou!
E assim eu vi que o ensaio estava cancelado.
- Quer coca, priminha? - sentou ao meu lado, empurrando uma latinha vermelha pra mim.
- Não, obrigada. Qual é a dessa música?
- Ah, sei lá. O apareceu há um tempinho atrás com ela e disse que queria porque queria que ela entrasse no Black and White.
- É boa?
- Tá brincando? É muito mais do que boa, sério. Quando esse povo ficar de bom humor a gente toca pra você.
separou e Pat antes que eles começassem a se bater e depois gritou:
- Já chega vocês dois! Nós temos que ensaiar e não ficar aqui brigando igual macacos!
- Eu to indo embora. - pegou o casaco num canto da sala e olhou para mim. - Tchau . - Não sei se foi o sorriso torto, ou o modo que ele me olhou, ou a voz meio rouca, ou até o leve perfume que ele deixou no ar ao passar por mim, mas alguma coisa fez com que os cabelos da minha nuca se arrepiassem naquele momento.
-Acorda, mulher! - Pat deu um pedalada fraca na minha cabeça. Só aí eu fui perceber que devia estar olhando feito uma retardada para a porta.
- Querem fazer alguma coisa? Óbvio que o ensaio já era. - perguntou indo se sentar do meu outro lado.
- Grande ! Faltam 3 dias para a estréia e ele simplesmente começa a fazer ceninha. - É, Pat estava bastante nervoso.
- Calma cara. Todos estamos ansiosos.
- Vai dar tudo certo, vão ver. - Levantei e comecei a fazer massagem no . Ele estava tenso, mas relaxou na hora. Relaxou até demais.
- Ah, para! Eu não quero ouvir os seus gemidos, ! - olhou sugestivamente para Pat e todos começamos a rir da situação. Pelo menos até a porta ser aberta novamente com uma certa violência.
- Não se preocupem eu só vim pegar... - olhou de mim para e eu pude ver algo diferente em seus olhos. Eles brilhavam, mas não era de alegria. - Não queria atrapalhar vocês. Eu só esqueci as chaves do carro. - A voz dele era dura. E isso foi tudo o que disse até sair da sala de novo.

Passei o resto da tarde com os meninos. Estava chovendo quando eles me deixaram em casa.
Subi correndo e quando cheguei, a primeira coisa que fiz foi tomar banho. Estava exausta.
Fiquei no banheiro até começar a enrugar. Saí, coloquei um pijama qualquer e me joguei na cama.
Ao fechar os olhos, foi a primeira pessoa em quem eu pensei.
Lembrei de hoje de manhã no carro. Nós estávamos tão próximos... Não sei o que deu em mim, mas naquele momento, se tivesse tentado me beijar, eu juro que não faria nada pra atrapalhar.
Ok, eu admito: sempre tive uma quedinha pelo . Lógico, afinal, ele era lindo. Aqueles olhos verdes, aquela voz maravilhosa, aquele cheiro inebriante só dele... Tá, melhor parar por aqui. Seria uma grande estupidez eu me apaixonar por ele.
jamais olharia pra mim de outra forma que não como uma grande amiga.
Fechei os olhos novamente e me lembrei de quando nós nos conhecemos.

Flashback ON

Foi numa festa que organizou há uns dois anos atrás. Eu conhecia Pat desde os meus cinco anos de idade, pois ele já era melhor amigo do meu primo. Quando tinha quinze, me mudei com os meus pais para a Califórnia e praticamente perdi contato com eles.
Com 21 anos, voltei para Tempe, minha cidade natal. E foi quando eu reencontrei Pat, que estava com um outro garoto da banda que ele havia formado com . era um dos caras mais gatos que eu já tinha visto na vida. Eles me chamaram para a tal festa, e eu fui, toda contente, esperando reencontrar o .
Mas quando eu cheguei, estava se agarrando com uma garota qualquer num dos cantos da casa. Fiquei com tanta raiva que enchi a cara mesmo.
Peguei a chave do carro já preparada para ir embora, quando um outro garoto me chamou.
- Você não pretende mesmo dirigir assim, né?
Virei-me para ele tentando parecer irritada, mas aquele rostinho de anjo acabou com a minha cara de má. Sorri para ele e disse (gritei, na verdade, por causa do volume alto da música):
- Só se você me der um motivo pra ficar. Quer dançar comigo? - Não queria nem saber, eu já era uma mulher independente normalmente. Imagina bêbada!
É, mas eu acho que o garoto não estava acostumado com garotas assim, por que ele derrubou toda a cerveja no chão quando eu me aproximei.
Nós dançamos uma música lenta, e quando nossos rostos estavam próximos o bastante...
- ! Até que enfim te encontrei! Ah, ! - Pat chegou todo animado. Nem percebeu que tinha atrapalhado tudo.

Flashback OFF

Depois daquele dia eu virei praticamente um dos membros da banda. Estava sempre com eles. Esperava que um dia comentasse algo sobre aquela noite, mas isso nunca aconteceu. Eu conclui então que ele resolveu fingir que aquilo não havia ocorrido porque ele nunca quis algo sério e quando viu que eu era amiga do Pat e prima do , achou melhor cair fora. Eu também não insisti. Principalmente porque eu estava bastante ocupada com o . Nós começamos a namorar pouco tempo depois de nos conhecermos e... Bom, estamos onde estamos.
Fiquei relembrando daqueles tempos até o sono tomar conta de mim. O dia havia sido bastante cansativo e o dia seguinte não seria diferente.

POV

Os meninos chegaram em casa por volta das onze da noite. Só sei disso porque, de repente, aquele apartamento tão silencioso foi inundado por gritos.
Continuei no meu quarto, tocando a música que eu compus no violão, até Pat praticamente arrombar a porta do mesmo. Sabia que ele estava bravo comigo, mas ele geralmente não arrombava quartos.
- Agora vai me fazer o favor de dizer o que aconteceu com você?
- Fecha a porta. - Disse, simplesmente.
No final das contas Pat era o meu melhor amigo. E eu precisava mesmo conversar com alguém.
- E aí? - ele se sentou ao meu lado na cama, ainda zangado. - Você fez a ficar mal cara. Ela passou o dia preocupada. - De certa forma aquele comentário fez o meu coração acelerar o ritmo.
Mas só por um momento, afinal, ela se preocupava com todos nós. Mesmo se fosse o que tivesse dado um chilique, ela ficaria assim.
- Não tenho culpa. Não fiz nada.
- Quer parar de ser idiota? Eu sei que tem alguma coisa acontecendo com você. Você vai me falar ou o que?
Respirei fundo. Se eu ia dizer a hora era aquela. Grande amigo eu sou!
- Euestouapaixonadopela. - Falei tudo de uma vez e observei o rosto de Pat se distorcer em uma careta.
- O que?
- Eu... Estou... Apaixonado... Pela... . - Falei pausadamente para que ele entendesse. Pat ficou cinza na hora.
- Você o quê? Espera aí! apaixonado? Pela ? - Pat andava de um lado para o outro do quarto com as mãos para cima, gritando aquilo aos quatro ventos e rindo.
- Quer calar a boca? - Puxei ele de volta para a cama.
- Por que? Qual é cara? Notícias assim tem que ser espalhadas.
- Não. Você não pode contar pra ninguém.
- Por quê?
- Olha só: Eu me apaixonei por ela desde a primeira vez que eu a vi. Eu nem sabia quem era ela. Na verdade preferia não saber. Lembra daquela festa na casa do né?
- Aham.
- Então, eu encontrei ela no bar. Ela tava super bêbada, mas dude, ela era a garota mais linda que eu já tinha visto. A gente dançou um tempão e tals. Aí você apareceu e disse que ela era a . A de quem o tinha falado o dia inteiro.
Pat ficou me encarando com a boca aberta.
- Vai entrar mosca, cara. Desde aquele dia eu tentei disfarçar e ficar no meu canto. Mas eu não aguento mais isso, Pat!
- Aquela música que você fez...
- É, é pra ela.
- O que você vai fazer?
- Eu não sei. Não posso fazer isso com o .
- Aí, dois! - abriu a porta do quarto. - A pizza chegou.
- Beleza! - Pat saiu correndo do quarto, me deixando com .
- Você vem cara?
- Não to com fome. Valeu.
- Claro, acho que o não lembrou de pedir uma pizza com sabor de . - Olhei para ele com os olhos arregalados. me lançou um sorriso compreensivo. - O Pat não grita muito baixo sabe?
- , eu... - Eu realmente não queria estragar a amizade com . Nós éramos amigos a tempo demais.
- Olha, se você gosta mesmo dela acho melhor correr atrás. Porque idiotas tentando conquistá-la é o que não falta. - Eu acho que se eu arregalasse mais os meus olhos, eles provavelmente sairiam das órbitas.
- Mas você não...
-Não, cara. Se eu soubesse disso antes não tinha deixado chegar nesse ponto. Fala sério, pedir conselho pro Pat é tenso. - Nós começamos a rir juntos. Com certeza eu me lembraria disso dá próxima vez - Agora vamos logo que eu não gosto de pizza fria. Ah, se você fizer alguma coisa pra machucar a , eu juro que te mato.
- Ok, ok. Pode deixar, essa com certeza não é a minha intenção.

POV

Os dias passaram rapidamente. Pat foi o único dos meninos que eu encontrei nos últimos dois dias. Ele ficava rindo toda hora como um retardado. Quando eu perguntava o que ele estava escondendo ele só dizia ?vai ver, vai ver.? Acho que é por isso que eu estou tão ansiosa pra que a noite chegue logo.
Estava tão orgulhosa dos meus meninos. Aquela noite ficaria para a história.
- Alô, ?
- Oi amor, tudo bem?
- Aham e você? Escuta, to passando aí na sua casa daqui a pouco pra nós irmos no shopping. Precisamos de roupas novas para a estréia.
- Ah, tem certeza que eu posso ir? Quer dizer, eu nem conheço eles!
- Ah, não. Nem começa! Você vai sim, por favor!
- Ok. Pode vir, eu estou sempre pronta. Beijos.
Desliguei o telefone e sorri. era a minha única e melhor amiga. Não sei como eu nunca apresentei ela aos meninos.
Quando cheguei na casa dela, já estava na porta me esperando com um imenso sorriso no rosto.
Sorrimos uma para a outra quando ela entrou no carro. começou a esfregar uma mão na outra como se dissesse ?Vamos nessa!?
É, aquilo seria divertido.

Chegamos na minha casa por volta de cinco horas da tarde. A festa de estréia do Black and White seria às oito da noite, mas eu prometi que chegaria às sete no local onde aconteceria o evento, então corri para o banheiro para me arrumar. se arrumou na minha casa também e quando o relógio indicava seis e quarenta da tarde nós já estávamos prontas.
- E aí, tem algum gatinho na banda? Vai me apresentar né?
- Lógico, . - Respondi rindo.
Era possível ouvir a música já do lado de fora do local da festa. Mostrei meu convite vip para o homem na entrada e puxei comigo. Algumas meninas que estavam do lado de fora ficaram nos olhando com cara feia. Aparentemente não conseguiram entrar ainda. Afinal, o show e tudo o mais só começaria depois das oito.
Pra festa de estréia haviam sido convidadas cerca de cinquenta fãs, por meio de sorteios, promoções ou coisas do gênero. Obviamente eu não precisei me inscrever pra nada disso. Até fiquei com dó das garotas lá fora, sério.
Os meninos conversavam alegremente quando eu entrei. Era um espaço bastante amplo, com um palco não muito alto, se destacando de tudo o mais.
Havia uma mesa, onde - imagino eu - os meninos dariam autógrafos, com uma bandeira bem grande de um M gigante e vários cds ?Black and White? pra quem quisesse aproveitar o embalo e comprar o novo albúm. - ! - chamou enquanto eu tentava puxar para o campo de visão dos garotos.
- Meninos, essa aqui é minha amiga, . - Puxei o braço dela com tanta força que ela se desequilibrou e nós duas caímos juntas no chão.
- Oh, meu deus, vocês estão bem? - Pat e vieram ao nosso socorro.
ajudou a se levantar e depois um ficou encarando o outro como dois idiotas.
- Você? - Disseram juntos.
- Vocês se conhecem? - Perguntei, animada.
- Sim. - não parecia tão animada quanto eu.
- Nós nos conhecemos numa festa e ficamos uma vez. Eu passei meu numero pra mas ela nunca ligou. - O tom de era ríspido. Nunca tinha ouvido ele falar assim. Como se estivesse mastigando vidro.
- Pouco comum, não? Quer dizer, normalmente não é a garota que dá o numero para o garoto? E ele que não liga no dia seguinte? - coçava a cabeça. Todos estávamos achando aquilo um tanto estranho.
- Quando eu ia passar o meu, o pessoal começou a dançar a macarena e nós nos perdemos.
- É, e ela nem fez questão de tentar me encontrar.
- Eu estava indo embora!
- Podia ter ligado depois. - Continuava sendo estranho. não falava em tom de desafio, mas de um modo que me fez ter pena dele.
- Eu liguei. Mas o único que eu consegui falar no asilo, não tinha a voz nada parecida com a sua. Acho que nem dentes o cara tinha.
Explodi numa gargalhada. Um asilo? Seria possível o não saber ao menos o número do próprio telefone? , Pat e também riam como loucos. Mas a minha atenção parou no garoto mais afastado da pequena briguinha: .
Ele estava lindo, olhando pra mim com aquela carinha de bebê e os olhinhos brilhando. Acenou com a cabeça pra mim e depois voltou o olhar para e .
- Asilo? Mas eu juro que eu passei o número certo.
- Ah, tá. - O tom de era cético. Morria de medo quando ela usava esse tom.
- , me escuta: Eu sempre fico com vááárias garotas em festas, mas naquela foi só você. Por que você é especial, é diferente das outras. E eu sinceramente fiquei esperando você me ligar por uma semana. Nem ficava mais de cinco minutos com outra pessoa, sério. - Os olhinhos de brilhavam de sinceridade. Se eu fosse a já teria me jogado nos braços dele e dado aquele beijo. É, porque não é todo dia que nós vemos caidinho por alguma garota.
Ela tentou manter a expressão séria por mais algum tempo, mas era inútil. Podia ver claramente um sorriso tentando escapar e um brilhinho bem famoso nos olhos dela. Mas claro, costumava ser mais reservada que eu, então só suavizou a expressão e perguntou:
- Qual o número do seu telefone? - tentou esconder o sorriso atrás da tela do celular, mas era esperto, conhecia bastante as garotas pra saber que ela já não estava mais com um pingo de raiva dele.
Talvez tenha sido por isso que ele fez o que fez. Bom, posso dizer que um segundo depois os lábios dos dois estavam coladinhos. nem sequer hesitou. Ficou surpresa, claro, mas aceitou numa boa e logo passou os braços ao redor do pescoço de . Meu olhar foi inconscientemente na direção de , que aparentemente também olhava para mim, porque abaixou os olhos quando os nossos olhares se encontraram.
- Falta meia hora! - Tim apareceu do nada, foi assustador. Tipo, estava tudo silencioso e de repente vem aquele cara com a voz grossa e grita pelas minhas costas! Tive que respirar fundo para não falar um palavrão feio. - Melhor vocês virem se preparar para a apresentação. Ah, oi, .
- Oi. - Disse como se eu não tivesse quase tido um enfarte há alguns segundos atrás por causa daquele doido.
Tim Kirch era o empresário da banda e irmão do meu melhor amigo, Pat Kirch. Só por isso ainda não o matei. Quer dizer, porque essa não foi a primeira vez que ele me assustou assim. Acho que ele realmente gostava de fazer isso.
e se separaram meio embaraçados e os meninos foram para o mesmo lugar de onde eu tinha visto Tim sair.
foi para um canto, depois de me dar um sorriso sem graça. Acho que queria tentar disfarçar a boca vermelha.
Nem reparei que não estava sozinha até ele me chamar.
- Espero que goste do show. - sorriu.
- Com certeza eu vou amar as músicas novas. - Tinha alguma coisa diferente em naquela noite. Ele parecia mais leve. E eu, bom, eu estava bastante nervosa. Porque agora quando eu o via, lembrava-me daquela noite, naquela festa. E tudo o que eu pensava era que eu tinha necessicidade de terminar aquilo que foi interrompido por Pat.
- Espero que sim. - Ele sorriu mais uma vez, mas tinha algo diferente naquele sorriso, e foi para o mesmo lugar onde os outros estavam.

Pouco tempo depois a sala já estava cheia de garotinhas que gritavam os nomes dos meninos.
Pelo que Pat me disse, eles viriam para dar autógrafos durante meia hora e depois tocariam cinco músicas do novo álbum. As fotos viriam depois e então eles estariam liberados pra uma noitada daquelas.
A meia hora dos autógrafos sinceramente pareceu uma eternidade. Os meninos às vezes olhavam para o canto da sala onde eu e estávamos e sorriam. Aproveitei o momento para falar com minha amiga. Estava esperando que ela se pronunciasse, mas como vi que não ia acontecer, resolvi abordá-la na cara de pau mesmo.
- Então, você e o , o e você, hein?
escondeu o rosto com os cabelos. Nunca a vira tão tímida assim antes.
- Ah, vai. Desembucha. Ele tá caidinho por você e você por ele. - Bingo! Com isso consegui fazer com que ela me olhasse, com os olhinhos arregalados.
- O que? Até parece que ele gosta mesmo de mim.
- Você não ouviu o que ele disse? Você acha que ele brincaria assim com você? Quer dizer, agora que ele sabe que você é minha melhor amiga. O não costuma brincar com a própria vida assim... - sorriu. - E além do mais, os meninos ainda vão zuar ele por causa disso. Acho que se não fosse verdade ele não se arriscaria a ser motivo de piadas por no mínimo uma semana.
- Acho que você está certa. É só que eu gosto dele de verdade também. A gente conversou mais do que qualquer outra coisa naquela festa, sabe? Foi estranho na verdade, mas foi legal.
- Com licença, mas... Você não é aquela ex do ? Vocês voltaram? - Uma garota de em média quinze anos interrompeu nossa conversa.
- Sou sim, mas não. Eles são meus amigos.
- Ah, tá. - Ela pareceu satisfeita e foi até uma rodinha onde as outras garotas também apontavam para nós e cochichavam. Eu podia ir ali e meter a mão na cara de cada uma, mas achei melhor ignorar, afinal, todas pareciam menor de idade e eu não queria encrenca.
Voltei o olhar para a mesa onde os meninos distribuíam autógrafos. Tim estava lá, mandando as meninas se sentarem ao redor do palco para o show começar.
Sorri para eles e puxei para ficarmos grudadas no palco, antes que as outras garotas chegassem. Sério, o palco devia ser no máximo quarenta centímetros mais alto que o resto do piso.
Nos sentamos no chão mesmo e ficamos observando os meninos se prepararem.
piscou para nós duas e cumprimentou as fãs.
- E aí, pessoal! Excitadas para ouvir as músicas novas?
Um coro de gritos respondeu a pergunta dele. estava só com uma calça jeans preta, sem camisa.
A primeira música eu reconheci como aquela que eles tocaram para mim, Growing Up. A segunda, pelo que disse era Fuel To The Fire. A terceira foi Don?t Stop Now e a quarta Right Girl. Agora esperávamos ansiosas pela quinta e última música.
Eu realmente estava surpresa com o trabalho dos garotos. Todas eram lindas e contagiantes. Sério, estava tão contente que tinha vontade de pular no palco e abraçar todos eles. Era um trabalho difícil ficar ali sentadinha escutando as músicas.
- A última música foi composta pelo aqui. Ela ficou muito boa, então acompanhem! - Pat dizia por trás da sua sagrada bateria.
Senti-me um pouco tensa por um momento e me ajeitei, deixando a coluna totalmente ereta.

(recomendo que coloque a música [http://www.youtube.com/watch?v=N1RltuCpYoE] agora)

Fiquei boquiaberta enquanto ouvia a letra da música. evitava olhar para mim. Claro, porque era sobre mim que aquela música falava. Não, falava sobre nós dois. Sobre aquela noite, na festa...
As imagens passavam na minha cabeça como um filme, um filme em que eu e éramos os protagonistas. Tudo era sobre nós: quando nos conhecemos na festa e depois eu o conheci de novo no dia seguinte e ele ficou me encarando com aqueles lindos olhos brilhantes, como se quisesse me dizer alguma coisa; todas as risadas e brincadeiras, que nos aproximaram de um modo extraordinário; o repentino afastamento quando eu comecei a namorar com ; a expressão estranha no rosto dele quando e eu estávamos juntos; como eu subitamente odiava todas as namoradas e ficantes dele, não importava o quão legais elas fossem; o modo como eu me sentia quando estávamos juntos, quando ele me abraçava... Nada mais importava.
Porque sempre foi isso: eu o amava e ele me amava. Um amor suficientemente grande para fazer com que nós dois mantivéssemos isso para nós mesmos. Um amor que latejava no meu interior e fazia meus olhos encherem d'água, enquanto ouvia o restante da canção.
Eu nunca fui de chorar, mas naquela hora simplesmente não consegui evitar que as lágrimas escorressem pelo meu rosto.
?I can?t get inside of you...?
Essa música dizia tanto sobre os nossos sentimentos. Quero dizer, porque nenhum de nós dois acreditava que os sentimentos eram recíprocos.
Mas estava lá, tocando como se a vida dele dependesse daquilo. Como se nada mais importasse.
Devia estar sendo difícil para ele, expor seus sentimentos assim, porque ele não sabia que eu também gostava dele e estava ali arriscando tudo encima do palco. Duas coisas deviam passar pela mente dele. Um: Eu ficaria um pouco assustada com tudo isso e sairia correndo dali - e aí nossa amizade estaria estragada para sempre. Ou dois: Eu invadiria o palco e pularia no pescoço dele assim que a música acabasse. É, certamente seria a segunda opção... Se todas as outras garotas no local não tivessem tido a mesma idéia.
Quando a música acabou e se despediu das meninas, elas se levantaram correndo e se lançaram com tudo nos garotos. De repente eu nem conseguia vê-los mais naquele mar de fãs.
Seria difícil para eles saírem dali agora e também não queria que eles me vissem chorando. Por isso peguei o celular e mandei uma mensagem para enquanto puxava para fora do local do evento.
?Estámos indo para a lanchonete. Nos encontrem lá. E tentem não demorar, ok? Vocês foram maravilhosos, parabéns.?
A lanchonete em questão ficava perto do apartamento dos garotos. Nós costumavamos ir todos os finais de semana lá. Mas a tradição vinha de antes: os meninos iam lá desde beeem antes de me conhecerem.

Pedi um refrigerante para mim e outro para enquanto esperávamos os meninos. Eles chegaram lá depois de meia hora.
e eu estávamos no estacionamento esperando. O 8123. Aquele lugar significava tanto para nós...
- Morceguinha! - Pat me abraçou por trás.
- Saí, você tá suado!
- Todos nós estamos tá? Mas as meninas lá não se importaram com isso.
- Há, há.
- Aí, eu vou pegar refrigerantes, quem me ajuda? - perguntou enquanto se aproximava de nós.
- Eu! - disse , depois de receber um cutucão meu.
sorriu para ela e eles foram juntos para a lanchonete.
Estávamos eu, Pat e no estacionamento. Pensei em perguntar dos outros dois, mas logo os avistei, vindo na nossa direção. parecia receoso e olhava para o chão.
começou a correr e pulou em Pat, que caiu no chão e puxou junto. Eu saí do alcance deles antes que fosse levada junto para o montinho.
- Ah, seus idiotas, saiam de cima de mim! - Pat gritava, mas sua voz saía abafada.
e se levantaram e Pat saiu correndo atrás deles.
Eu ria da situação até ouvir uma outra risada bem perto de mim.
olhou para mim ao mesmo tempo em que eu olhei para ele. Ele parecia nervoso, assim como o sorriso que ele lançava pra mim.
- , nós temos que conversar sobre aquela música. - Resolvi abrir logo o jogo. Afinal, eu nunca gostei muito de enrolação.
- É... Bom... Eu não...
- Ok, cala a boca. - Pela cara que ele fez, meu jeito direto o assustou, de novo. Sorri para que ele ficasse menos nervoso, mas acho que não adiantou muito. - Ela é sobre mim, certo?
- , eu...
- Ok, eu só quero dizer que - agora eu estava nervosa. - Quero dizer que eu te amo, . Há bastante tempo, só... - Mas eu não pude terminar a frase.
Por quê? Simplesmente porque estava muito ocupada retribuindo o beijo de .
me abraçou pela cintura enquanto eu bagunçava os cabelos de sua nuca.
- Eu te amo também, . - Ele sorriu quando nos separamos para respirar. Sua testa estava encostada na minha. - Eu achava que você ainda gostava do .
- Hm, é só um grande amigo.
- É, com certeza é sim. - se aproximou de novo, mas fomos interrompidos pelos outros garotos.
- Ae! Finalmente! - Pat gritava correndo em volta de nós dois.
- Ok, chega, chega! - Tentava parecer séria mas o meu sorriso me entregava.
- Refris! - e finalmente voltaram. trazia quatro latinhas de coca e três.
- Demoraram, hein! Tavam aproveitando igual esses dois aqui? - perguntou apontado para mim e .
respondeu com uma pedalada em e passou uma mão envolta da cintura de depois de entregar uma coca pra cada um.
- Vamos fazer um brinde? - sugeriu animado.
- Ao Black and White? - Perguntei animada.
- Ao The Maine! - deu um pulinho
- E à amizade. Aos melhores amigos do mundo! - completou ao meu lado.
Levantamos as mãos com as latinhas e gritamos:
- Aos melhores amigos do mundo, ao Black and White e ao sucesso do The Maine!
Não faço idéia da hora que nós fomos embora do estacionamento naquela noite. Só posso dizer que com certeza foi especial. Treze de Julho ficaria para sempre em nossas memórias. Para todos nós aquele era o início de uma nova fase. Uma fase onde os nossos laços de amizade fariam toda a diferença. Porque enquanto tivéssemos uns aos outros, tudo ficaria bem. Os melhores amigos do mundo, com certeza. Porque só os melhores amigos são capazes de colorir esse mundo preto e branco.

 

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