A New Chance

Escrito por Joy Takahashi - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Francielle

Prólogo

As pessoas dizem que tudo na vida tem um sentido, mas até agora eu não achei sentido algum para a minha vida. Acho que eu fui um projeto que deu errado ou coisa assim, não fazia sentido eu ter nascido, afinal não fazia sentido eu estar ali, ou talvez eu tenha nascido só pra mostrar o quanto a Ash era perfeita, e eu era só um erro. Sempre foi assim.
Meus pais se separam há um ano e meio, depois que nos mudamos para a Europa. Eu fui morar com meu pai e minha irmã Ash com a mamãe. Eu e meu pai nos mudamos pra York, uma cidade rústica localizada no norte de Inglaterra, enquanto minha irmã e minha mãe ficaram em Londres. Eu ia pra casa dela a todo mês e era a mesma coisa com a Ash, ela o centro das atenções e eu só mais uma garota! Nós nunca ficamos juntas depois que nossos pais se separaram, mas nós até que nos dávamos muito bem... Ela sempre foi a perfeita da família, enquanto eu era a gordinha fofinha. Apesar de sermos irmãs não éramos parecidas em nada, ela era como uma Barbie morena, e bom, eu era só a ! Tentei varias vezes me vestir como ela, mas eu não tinha o mesmo corpo dela. Não tinha a mesma personalidade, não era delicada, inteligente e muito menos educada. Odiava que as pessoas apertassem minhas bochechas, odiava quando falavam de mim, odiava simplesmente quando elas bagunçavam os meus cabelos, e não, não era porque eu era vaidosa, e sim porque eu não gostava daquelas pessoas que só estavam fazendo aquilo falsamente, só pra agradar os meus pais, só para eu não ser a excluída o tempo todo. Sempre fui muito introvertida. Não achava normal a intimidade que as pessoas criavam em apenas um dia, e até hoje não acho! Nunca fui como minha irmã, descontraída e comunicativa, só me sentia livre e segura na presença dos meus amigos.
Bom, agora já tenho 16 anos, e estou me mudando novamente para Londres porque meu pai, James, acredita que é melhor para nós. James sempre foi assim, mudava de ideia de uma hora pra outra. Quando morávamos no Brasil ele sempre tentava fazer algo diferente, para fugir um pouco do tédio, talvez. Acho que ele é bipolar, ou talvez seja neura minha... Minha mãe, Anne, nunca deixava que Ash e eu ouvíssemos suas brigas. Ela nos trancava no quarto, sempre quando passava das dez horas e ele ainda não havia chego. Sempre achei que ele tinha problemas com álcool, mas Ash sempre afirmou que isso era coisa da minha cabeça e que ele só era um homem estressado.
Com todos os problemas que tive ao longo dos anos, perdi muito peso! Atualmente estou com 16 anos, tenho poucos amigos e sou feliz da minha forma. Pelo menos tento parecer feliz. Parada ao lado do meu pai enfrente a casa da minha mãe perceber que já chegamos, dar seus gritinhos de felicidade e nos colocar para dentro porque estamos ensopados. Não se esqueça , sorriso no rosto, sorriso no rosto! Agora sim estamos prontas.

Capítulo. 01

Minha saída de York, não tinha sido triste ou coisa assim, afinal meus amigos sempre vinham para Londres e também já inventaram, obrigada Senhor, celular e internet.
Minha nova casa tinha duas suítes e um dormitório, que serviria como quarto das bagunças - sabe aquelas coisas que não tem onde colocar, mas também não podem ser jogada fora. Eu fiquei com uma suíte e meu pai com outra, minha com seu closet enorme. As paredes do quarto eram bege e apenas uma parede lilás com um mural de metal fazia ele ficar bonitinho. A cama era de casal com uma colcha branca com detalhes em roxo. Havia um criado mudo e um baú ao pé da cama na mesma cor. Tinha uma janela grande o suficiente pra eu passar por ela com mais duas pessoas, caso eu precisasse fugir. Em baixo da janela tinha algo como uma soleira larga que dava para se sentar, o banheiro era espaçoso todo em branco. Era uma casa espaçosa e habitável. Sobreviveria ali.
Eu não fiquei muito tempo lá em baixo com Anne e James, não tinha assunto com eles, então decidi subir e desfazer algumas caixas que continham itens pessoais e depois disso fui tomar um banho. Tomei um banho demorado, com a água bem quente para relaxar os músculos, eu precisava disso. Assim que terminei, coloquei a roupa mais confortável possível, uma calça moletom, meias, uma camiseta de manga longa listrada em preto e branco, minhas pantufas e deixei os cabelos secarem sozinhos. Fui arrumar minhas roupas no closet, até que ouvi conversas na sala. Prendi meu cabelo quase seco em um coque frouxo, e desci.
As vozes eram de minha mãe e minha irmã que, quando ouviram meus passos nas escadas se viraram para me olhar. Dei um sorrisinho sem graça pra elas e soltei um “oi” tímido. Me sentei e esperei alguém falar algo.
- Então , o colégio já começou há uma semana. O que você acha de começar depois de amanhã? – Anne perguntou em seu tom calmo e sorridente.
- Ah já começou? Achei que só começaria daqui duas semanas. – falei abraçando os joelhos, em sinal de frio.
- É que no colégio Santa Clares, as aulas se iniciam mais cedo. – Ash disse enquanto olhava para a tela plana desligada.
- Ah, sim. Tudo bem então. – forcei um sorriso. – Onde James está? – perguntei a Anne.
- Ele foi tomar um banho, já deve estar descendo.
E depois disso ficamos em silêncio até meu pai aparecer no alto da escada, com seu sorriso, cheio de pés de galinha em volta dos olhos grandes pretos. James era novo, tinha os cabelos pretos e grandes bochechas. Tinha um bom físico e era considerado um cara quarentão bonito, mas admito que deveria ter sido mais quando era mais novo.
Anne também era jovem, não aparentava ter duas filhas. Seus cabelos loiros eram na altura do ombro e combinavam perfeitamente com a pele clara e os olhos azuis. Eu realmente não sei como eu havia nascido assim.
Depois de pequenos diálogos, e uma pizza que eu me recusei a comer, fui me deitar. Estava extremamente cansada depois da longa viagem de carro e estava fraca, pois não tinha comido nada desde que sai de York.
Para muitos doutores, pais preocupados e enxeridos, eu tenho o que se pode chamar de bulimia.
Minha melhor amiga é Mia. Talvez eu seja louca por ouvir alguém que supostamente não existe pra muitos, ou apenas especial por ouvi-la, mas o que importa é que ela está sempre comigo, me apoiando ou não. Ela quer me levar à perfeição e eu espero não decepcioná-la. Apesar de muitos julgarem bulimia como uma doença por nos fazer sofrer, é apenas um obstáculo que eu tenho que sofrer antes de chegar ao ponto certo. Acho que não sou como todas as outras garotas que também ouvem Mia: a maioria delas tem como objetivo de vida emagrecer pra se sentir melhor, o meu objetivo é emagrecer e mostrar que eu posso ser melhor. Uma vez Mia me disse algo inesquecível, algo que me fez sentir especial, lembro exatamente das palavras delas “Você vai ser minha, e quando entrar para o meu exército da perfeição, nós poderemos mostrar a todos como nós somos melhores, por realmente enxergar a perfeição e querer ser perfeita.” É claro que quando eu chegar até lá, vou me sentir melhor, sem medo de usar qualquer roupa, sem ter receio de ir até uma tarde na piscina, vou me sentir mais livre.
Dormir era a melhor coisa que existia porque dormindo eu poderia sonhar. Mas provavelmente meu pai não pensava assim, já que estava cantarolando pela casa logo cedo.
Me levantei sem ânimo algum, e fui até o banheiro fazer minha higiene pessoal. Voltei para o quarto colocando uma meia calça preta, um shorts jeans de cós alto, uma camiseta branca larga com uma bailarina feita de borboletas estampada, jaqueta de couro, e meu inseparável all star preto. Não passei muita maquiagem, só um blush, para dar um ar saudável, e algumas camadas de mascara para cílios.
Quando desci as escadas, James estava na parte de trás da casa que eu não tinha visto como era ainda.
- Pai?! – chamei.
- Ah você resolveu levantar! – ele disse enquanto se aproximava.
- Nem é tão tarde assim... - espera ai que horas são? - Ou é? Que horas são? – perguntei.
- São exatamente... – ele fez uma pausa olhando no relógio de pulso. - 14 horas e 23 minutos, senhorita “durmo mais que a cama”. – ele disse a última parte com uma voz afetada, eu soltei um pequeno riso nasalado.
- Ah sim, nem é tão tarde... Eu vou dar uma volta, ver se tudo ainda é como antes. – disse olhando pra rede laranja que ele tentava amarrar nas arvores pequenas que tinham nos fundos da casa. – Você quer alguma coisa?
Fazia um bom tempo que eu não andava pelas ruas de Londres, mesmo sempre vindo pra cá. Era um pouco difícil eu sair de casa, pois tentava passar o maior tempo possível com Anne, já que ela sempre reclamava que não passávamos muito tempo juntas. O máximo que fazíamos era ir em um restaurante de tempero caseiro duas quadras acima do escritório onde ela trabalha. Mesmo ela tendo vários problemas, ela sentia minha falta, afinal ela é a minha mãe, meio distraída, mas continua sendo minha mãe. Às vezes também encontrava com a e o Harry, eles eram meus melhores amigos antes de eu me mudar. Nossa relação havia se perdido com o tempo que eu passei fora, mas esperava que tudo voltasse ao normal agora.
James demorou um pouco para responder, mas depois balançou a cabeça negativamente. Já estava indo pegar minha bolsa, mas antes de atravessar a porta da cozinha, James me gritou.
- Hey! – me virei, e dei alguns passos em direção a ele, e ergui a sobrancelha, pedindo silenciosamente que ele continuasse. – Coma alguma coisa antes de ir. Não vi você comer nada depois que saímos de York. – ele disse um pouco preocupado. James nunca foi de me encher o saco, para comer ou algo assim. Ele era um pouco esquecido e muito distraído, mas era um bom pai. Eu não tinha horário para chegar em casa porque nunca fui de sair e chegar no outro dia, eu sabia das minhas responsabilidades ! James me criou de um modo que eu sofreria com meus atos sozinha, do tipo: não era ele quem iria se atrasar para o colégio se fosse dormir tarde, era eu. Ele sempre me deu liberdade para fazer o que eu quisesse, mas sempre deixou claro, que toda ação tem sua reação.
- Ah! Eu como algo no caminho, não se preocupe! – a mentira veio tão fácil que eu até estranhei, normalmente eu gaguejava, ou ficava nervosa com as mãos suadas, mas dessa vez ela simplesmente veio, como se estivesse ali pronta pra sair, á horas.
- Tudo bem. – ele deu um suspiro e voltou a arrumar a rede.
Antes de sair de casa tomei três copos de água gelada e logo me sentir melhor.
A tarde estava fria, como sempre. O vento gelado batia contra o meu rosto e fazia meus cabelos ricochetear em meu pescoço me fazendo ter cócega. As ruas estavam vazias, a maioria das pessoas estavam em suas casas em frente à lareira, enrolados em cobertores bebendo chá – tá ai outra coisa que eu não gosto, beber chá, alem de ser horrível, ele ainda prende o intestino e dá gases – ou vendo TV, ou seja elas não estariam na rua, apesar de ser primavera parecia que o inverno havia se estendido um pouco mais esse ano.
Parei em varias vitrines, tanto de roupas como de livrarias. Estava olhando através da vitrine alguns livros, quando senti uma respiração no meu pescoço, e apesar de ter muita cócega, admito foi realmente bom! O ar que saia da boca de seja lá quem fosse estava realmente quente. Minha primeira reação foi paralisar; é eu só fiquei ali parada enquanto o ser respirava calmamente no meu pescoço, fiquei cerca de dois segundos ali parada sentindo o hálito quente bater contra o meu pescoço que se arrepiava mais do que o normal. Eu só tive uma reação quando senti os lábios quentes e macios roçando a pele do meu pescoço. Foi como se eu saísse de um transe. Rapidamente me virei assustada me deparando com lindas íris verdes, me encarando. Dei um passo para trás assustada com a proximidade, e pude ver melhor o garoto que estava me agarrando: tinha cabelos castanhos com cachos nas pontas em um jeito totalmente bagunçado jogado para o lado, a pele branca, com poucas espinhas – que davam um charme - espalhadas sobre o rosto, o nariz era em um formato anguloso, já os lábios eram rosados e estavam curvados em um sorriso nada inocente, tinha covinhas em ambas as bochechas, e o olhos, eram tão verdes que eu podia ficar o dia todo admirando-os. Era Harry.
- O que foi gata não lembra de mim? – ele perguntou com a voz rouca sensual, e eu quase fiquei hipnotizada mais uma vez.
- Ãn?! – foi tudo que eu consegui pronunciar.
- Ah, por favor, , vai disser que não se lembra de mim? – ele disse chegando mais perto.
- Eu não... Não o conheço, desculpe. – disse dando um pequeno sorriso de lado, tentando parecer confusa.
- Ah para de graça você esta me assustando.
- Não, é sério eu sou a irmã gêmea da , cheguei ontem pra morar aqui. - disse se afastando dele – Se você quiser ver meus documentos... – disse rolando os olhos. Talvez eu fosse melhor nisso do que eu imaginava.
- Oh! Me desculpe, eu... Eu... Ai meu Deus! Me desculpe, eu não me lembro mesmo da ter dito algo, mas... Ai que vergonha. – ele disse ficando vermelho e colocando as mãos no rosto. E depois disso eu simplesmente não aguentei mais e explodi em gargalhadas. Harry me olhava indignado como se fosse capaz de me matar, e eu simplesmente ria.
Depois de alguns minutos eu fui parando aos poucos e Harry cada vez mais tentava esconder que também tinha achado graça.
- Você tinha que ter visto a sua cara. – disse o abraçando, era tão bom vê-lo depois de tanto tempo, era tão bom poder abraçar ele. Nesse um ano que passei em York, Harry e eu apenas nos víamos uma vez a cada três meses, e isso era horrível, eu não tinha mais meu melhor amigo tarado.
- Muito engraçadinho isso da sua parte, tampinha. – ele disse me soltando para me ver melhor. – Eu realmente pensei que fosse outra pessoa ! Você ‘tá tão diferente. ‘Tá mais bonita. – ele sorriu maliciosamente e me abraçou pela cintura.
“Viu só ele gosta do que você está se tornando, imagina quando estiver totalmente perfeita... Eles irão cair aos nossos pés.”
- Obrigada Harry. – disse corando levemente.
- Ah meu Deus, - ele disse olhando pro céu. – Ela ainda não sabe como reagir a um elogio.
- Ai seu idiota, para com isso tá todo mundo olhando. – dei um tapa na cabeça dele de leve.
- Não importa! Mas agora me conta quando você chegou? Porque não avisou? A já sabe? – tagarelava feito uma menina.
- Eu cheguei ontem, queria fazer uma surpresa, e não ninguém sabe, só você! – disse sorrindo. Era bom estar aqui novamente, eu tinha feito amigos verdadeiros nesse pequeno tempo, amigos que nem em York - que eu havia morado um ano - eu encontrei.
- A vai ter um ataque quando te ver. – ele disse fazendo uma voz afetada, e virando a mão. Soltei uma pequena risada, e bati em sua mão.
- Você vai continuar no St. Claire não é? – ele perguntou ficando sério novamente.
- Vou! Acho que amanhã mesmo já estou lá, Anne não quer que eu perca aulas. - disse fazendo uma careta.
- , eu realmente preciso ir, mas eu te vejo amanhã né?! – perguntou fazendo uma carinha de cachorro perdido.
- Claro! Nós nos vemos amanha, Haroldo. – disse brincando enquanto bagunçava os cabelos dele.
- Já disse que não entendo porque me chama assim não é?! – disse ele rindo.
- É eu sei. – sorri um pouco mais largo.
Ele me deu mais eu abraço apertado e um beijo no meu pescoço que me fez arrepiar, e logo se virou na direção oposta a minha, atravessando a rua entre os carros, me mandando um aceno de longe.

Capítulo. 02

Depois de passar em uma livraria e comprar dois livros, voltei para casa. James estava terminando de desencaixar algumas coisas, e já eram 18 horas quando Anne ligou nos convidando para jantarmos na casa dela. James aceitou o convite já que provavelmente iria fazer um sanduíche de janta. Tomei um banho rápido, troquei de roupa e chamei meu pai para podermos ir.
A casa da minha mãe era uma replica da minha em questão de tamanho e divisão dos cômodos e, devo admitir, ela fez um ótimo trabalho no design da casa. Ash desceu quando a campainha foi tocada e correu até a porta toda alegre, dizendo que era seu namorado, na porta.
Enquanto Ash foi abrir a porta para o namorado, todos fomos em direção a sala de jantar onde tinha um pequeno lustre acima da grande mesa de madeira, com cadeiras muito confortáveis.
O cara que entrou na sala junto com Ash, tinha olhos castanhos mais lindos que eu já vi, cílios espessos que valorizavam ainda mais os olhos, pele lisa, e um sorriso envergonhado, tinha altura mediana, e parecia ter um bom físico, em seus olhos podia se notar que era misterioso, mas ao mesmo tempo engraçado, ele era realmente surpreendente, mas o que mais me chamou a atenção foi sua roupa despojada. Usava uma camiseta preta colada ao corpo deixando bem visível seu peito definido, por cima uma jaqueta estilo College preta de couro, calças jeans clara surrada, e um Nike preto de cano médio. Ele tinha um certo jeito de bad boy, que com certeza fazia as garotas pirarem.
Ash o puxou até a mesa, sorrindo abertamente.
– Pai, esse é o Zayn Malik. – ela disse sorrindo mais ainda, Zayn estendeu a mão direita até James que a apertou e sorriu de lado.
– É um prazer enfim conhecer o senhor. – meu Deus que voz era aquela? De onde vinha aquele sotaque? Com aquele rosto deveria ser o pior dos pecados, ele é o meu cunhado, eu não deveria pensar assim sobre ele não é?! A voz dele era aveludada, em um tom grosso um pouco rouco, era melhor que qualquer musica que meus ouvidos já haviam captado.
– O prazer é meu, Zayn! – James disse sorrindo.
– E aquela é a minha irmã . – Ash falou se virando em minha direção fazendo que ele a copiasse. Quando nossos olhares se cruzaram eu realmente me senti um pouco desconfortável, ele me olhava com tal intensidade que parecia que poderia me desvendar facilmente.
– Nossa vocês são tão diferentes. – ele disse e eu dei um sorriso de canto, um tanto quanto constrangida.
James e Anne nos acompanhavam no nosso silêncio até que algo tocou na cozinha e Anne saiu da sala correndo chamando atenção de todos que ficaram em silêncio esperando ela voltar. Minutos depois, ela voltou com uma travessa com peixe com batatas e pousou a travessa em cima da mesa.
– Podem atacar. – Anne disse sorrindo e dando um passo para trás, James foi o primeiro a se levantar e ir tirar comida, depois Ash e depois Zayn.
não vai comer? Ou esta esperando alguém tirar para você? – perguntou Ash, enquanto se ajeitava na cadeira.
“Sorria , não demonstre o quão fraca você é.”
– Eu estou com o estômago um tanto sensível! Deve ter sido o croissant que eu comi um pouco mais cedo. – disse enquanto sorria falsamente. Ash deu de ombros, James me mandou um olhar preocupado e Anne apenas pegou meu prato e começou a colocar comida.
– Hey An... Mãe eu não quero, se eu comer provavelmente vou passar mal. – disse mandando um sorriso confortador.
– Coma só um pouco , você vai passar mal é se não comer nada. – disse ela em um tom de “eu sou sua mãe e você tem que me obedecer”.
– Sua mãe tem razão . – disse James apoiando Anne. Eu mereço mesmo.
– É sério eu não estou com fome. – disse enquanto estralava alguns dedos.
Enquanto nós tínhamos nossa pequena discussão percebi que Zayn olhava fixamente para o meu braço esquerdo, que estava descoberto. Imediatamente eu coloquei as mãos sobre as coxas e abaixei a cabeça um tanto envergonhada. Haviam marcas ali no braço. Marcas de decepção comigo mesma, de frustração, arrependimento e nojo. Elas iam desde o começo do pulso até o antebraço. Era sempre assim, sempre que não conseguia vomitar, eu descontava em meu pulso, e até mesmo em minhas coxas. Eu tinha nojo de mim e me cortava, apenas, para sentir dor. A dor vinha no lugar da frustração. Eu não me orgulhava disso, fazer isso mostrava o quanto eu era fraca por não conseguir me segurar e depois não conseguir aguentar as consequências.
Anne continuava a tagarelar que eu deveria comer e James ajudava. Em um ato de raiva, levantei bruscamente da mesa fazendo todos pararem o que faziam e olharem para mim.
– Eu... Preciso ir ao banheiro. Com licença. – dito isso eu me virei e sai. Peguei minha jaqueta e fui o mais rápido que pude até a minha casa, não que ela fosse longe, afinal ela era ao lado da casa de Anne, mas eu corri e chegando lá, procurei rapidamente a chave em cima do batente da porta. Quando finalmente a encontrei apenas encostei a porta e fui de dois em dois degraus até meu quarto. Eu não sei por que fiz isso, eu sentia vergonha, sentia raiva dos meus pais por não me deixarem em paz, e até mesmo por ficarem tentando me fazer comer, quando viam que eu já estava enorme. Deitei na cama e tentei dormir, mas não conseguia. Ouvi a porta da sala abrir, fiquei um pouco tensa... Não deveria ter deixado aberta, mas segundos depois relaxei ao ouvir o assobio de James enquanto subia as escadas, me encolhi mais ainda na cama, fechando os olhos e fingindo que estava dormindo, logo depois ouvi a porta do meu quarto se abrir, e poucos segundos depois se fechar novamente.

Capítulo. 03

Eu ouvia alguém me chamar de algum lugar longe provavelmente era o James, mas a voz dele estava muito longe, e eu queria afastar, ela mais e mais. Me encolhi mais ainda sobre os edredons e tentei ignorar a voz de James.
- é a ultima vez que eu vou te chamar. – silêncio, adorável silêncio. – Vou voltar aqui com um balde de água fria. – ele disse me chacoalhando, murmurei algo e me encolhi novamente. – Você tem aula hoje, vamos levante daí. – ele disse puxando os cobertores.
- Ah não, me deixa aqui... – resmunguei.
- eu tô falando sério levanta agora. – ele disse mais autoritário.
Ótimo acordar com um pai mal humorado gritando com você lindo isso, eu juro que se minhas pernas não estivessem tão fracas eu sairia batendo os pés como uma criança.
Depois de um banho muito rápido já que James me gritava de cinco em cinco minutos, eu coloquei uma calça jeans, camiseta de manga longa preta com estampa do RHCP, meu all star, prendi o cabelo molhado em um rabo de cavalo alto e desci. Colocando os óculos escuros wayfarer. Peguei uma maça verde na fruteira cortei à ao meio e comi um pedaço, tomei dois copos d’agua com gelo, e fui até os fundos de casa a procura do James.
Eu não me lembrava onde era o colégio, e nem fazia questão.
- Hey, pai! – chamei da porta. – Vamos?!
- Ah claro vá pegar sua bolsa que eu só vou pegar minha pasta. – ele disse enquanto bebericava o café enquanto olhava para o pequeno jardim que tinha nos fundos. Assenti e fui atrás da minha bolsa, peguei a mochila que tinha apenas um caderno de quinze matérias, uma agenda e um estojo com poucas canetas. Quando voltei meu pai já me esperava no carro, para irmos ao colégio.
James tinha um bom carro novo, mas eu realmente era um desastre com nomes de pessoas imagina de carros, e eu nunca vi necessidade em aprender.
Poucos minutos depois eu pulei do carro, ouvindo meu pai dizer pra eu voltar com Ash.
O colégio estava igualmente há um ano, com suas grades grandes e pretas, a pequena guarita, e logo atrás o grande e majestoso colégio, ele era mais um colégio em Londres particular, mas não de mauricinhos, é claro tínhamos as exceções, já que eu podia ver grandes carros no estacionamento para alunos, mas continuava sendo um ótimo colégio.
Eu mal havia entrado no colégio quando senti alguém se chocar fortemente comigo, e logo depois me apertar, não precisei de muito pra reconhecer, seu grito estridente e seus cabelos pretos que estavam quase entrando em minha boca. .
- Sua filhota de demônio! Como você tá linda, porque não me ligou eu teria ido te ver assim mesmo que você chegou, porque não me disse que estava tão linda assim? Porque me deixou aqui? – ela disse a última frase mais baixo ainda sem me soltar.
Como eu não lembrava que era tão assim? Tão ela? Tão minha melhor amiga? Como eu não me joguei em seus braços assim que cheguei em Londres? Eu com certeza não me lembrava o quanto era minha amiga, não me lembrava como era bom estar nos seus braços e me sentir segura...
- Me... Me desculpe, eu não sabia que estava com tanta falta de você... – disse afundando o rosto em seu pescoço.
- Não foi nada, , eu sei que deve ter sido muito mais difícil pra você que foi pra lá sem conhecer ninguém. Espero que não tenha me substituído por uma versão mais pervertida e bonita que eu. – ela disse me soltando. Eu ri, aquela era minha .
- É impossível encontrar alguém mais pervertida que você. – ri e apertei as bochechas dela. – E eu espero que não tenha me trocado por uma mais chata que eu. – disse enquanto jogava o cabelo pra trás.
- Não, eu achei uma morena sabe... – disse fazendo pouco caso.
- Oh você me trocou. – disse fingindo desespero.
- Minha pequenina tá de volta! – ouvi alguém – lê-se Liam Payne - gritando de longe, imediatamente girei meus calcanhares, e corri em direção a ele e pulei em seus braços.
- Ai que saudade de você seu liamdo! - disse enquanto ele me colocava no chão, e dava uma gargalhada fiquei sem entender.
- eu já te disse que não falo português! – isso sempre acontecia quando eu ficava nervosa ou só não pensava direito, eu fala em português, simplesmente me esquecia de onde estava e falava em português.
- Ai desculpa, foi a emoção.
- Isso me deixa, me abandona depois de ter sumido, isso mesmo me abandona de novo, ! – veio reclamando.
- Ow você sabe que eu não te abandonei né, eu só vim ver o Liamzinho! – disse abraçando pela cintura enquanto entrava no colégio.
- Sei... – ela disse enquanto o sino soava, fez uma cara feia, e Liam a pegou pela cintura e arrastou ela.
- Vem ! – ele disse, quando percebeu que eu não estava indo.
- Eu tenho que passar na secretaria pegar meu horário, nós nos vemos por ai... – disse mandando um beijo no ar, e tentando me lembrar onde ficava a secretaria. Os corredores já estavam praticamente vazios então foi mais fácil encontrar.

Capítulo. 04

Existe coisa pior do que ter Álgebra III logo no primeiro período? Não! Acho que segunda feira é o meu pior horário. Talvez eu consiga mudar algumas aulas como a de arte contemporânea para música, não que eu toque algo ou saiba cantar, mas com certeza vai ser melhor do que isso, o meu armário era ao lado do da minha irmã – o mesmo de quando eu estudei aqui – acho que não tiveram muitos alunos novos, mas a maioria eu não me lembrava, talvez minha memória que fosse ruim ou muitos tivessem mudado.
E foi esses pensamentos que antecederam todas as aulas antes do almoço. Quando deu o sino foi como se abrissem a porta da jaula de animais selvagens que não se alimentavam há anos, pois todos jogaram suas apostilas de qualquer jeito na bolsa – ou nem haviam colocado-a na bolsa – e já irromperam porta a fora. Eu fiquei para trás apenas com três garotas e um garoto, só lembrava de duas das garotas, se não me engano eram Elouise Adams e Gianna Collins, as duas estavam em umas matérias comigo, quando fiquei aqui. Ambas tinham mudado um pouco, elas estavam bem mais altas, mas os rostos continuavam os mesmo, me lembro que uma vez as duas aprontaram o maior escândalo porque o professor havia acusado elas de ter passado super cola na gaveta da escrivaninha dele para que não abrisse, elas foram capazes de chorar e tudo, e no fim o professor ficou na duvida e não se queixou com os diretor, até hoje não sei quem fez aquilo.
O pátio estava da mesma forma que eu me lembrava, aqui não era como o High School Music que as mesas eram perfeitamente separadas por panelinhas, por muito tempo eu imaginei que os colégios fora do Brasil fossem assim, mas me enganei redondamente com esse pensamento, é claro que as pessoas tentavam se sentar com seus grupos, mas todas elas tinham amigos de fora da panelinha, e então se misturavam um pouco. Assim que passei pelas grandes duas portas amarelas do grande refeitório dei de cara com Ashley digitando furiosamente em seu blackberry na primeira mesa com mais algumas pessoas que eu não sabia o nome. Quando passei por ela dei um pequeno cutucão em sua cintura, chamando sua atenção ela se sobressaltou pelo susto, mas logo depois abriu um sorriso, Ash sempre foi carinhosa comigo, mesmo escondendo algumas coisas, mas eu ainda era sua irmãzinha mais nova, e apesar de ela ter um grande pitada de futilidade no seu DNA ela era super gentil comigo, e sempre tentava me ajudar quando morávamos juntas, é claro como todas as irmãs nós tínhamos nossas brigas, mas eram raras e nós também quase não ficávamos muito tempo juntas, elas sempre tinha que sair com as amigas ou namorados e eu já preferia ficar em casa, já que quando ela saia com as amigas sempre ficavam falando sobre seus namorados, e bom eu não um... E também não era legal ficar nas rodinhas dela, não sei aqui, mas no Brasil ela tinha umas amigas realmente estranhas.
- Hey, porque não me esperou hoje? – ela perguntou. – Eu te daria uma carona. – respondeu sem que eu tivesse tempo de respondê-la.
- Ah eu não sabia, James estava me apressando e eu sai correndo de casa... – expliquei. – Quem sabe amanhã? - disse sorrindo e encostando o quadril na mesa onde ela estava sentada.
- É. Vem! Vamos nos sentar... – ela disse acenando para algumas pessoas da mesa e me arrastando pelo braço com vários de meus antigos amigos. já estava lá concentrada em seu suco, sem dar muita atenção para o que se estavam falando, Liam e Louis estavam rindo como hienas, Harry estava com uma cara de poucos amigos, e tinha um garoto loiro de olhos azuis rindo que tinha uma risada escandalosa muito bonitinha e na minha frente só que de costas para eu e Ash estava o Zayn, como eu o reconheci não sei... Mas tinha certeza que era ele.
- Nossa achei que você tivesse raptado, a tampinha, Ash! – disse o Liam sorrindo pra mim. Todos na mesa olharam em minha direção e eu sorri brevemente me sentando ao lado de .
- Não vai vir me dar um abraço ? Depois de todo esse tempo sem nos falarmos você finge que não me conhece? – perguntou Louis fazendo drama. Me levantei da cadeira antes mesmo que ele terminasse a frase, e fui em sua direção com os braços abertos.
- A Lou não seja tão dramático, nós nos falávamos praticamente todos os dias... – disse o abraçando apertado.
- Mas eu sentia falta de te apertar. – ele disse me apertando mais e mais. Louis era alguns anos mais velho que eu, ele havia repetido algumas vezes, mas agora ele estudava com Ash, Zayn e Liam, no terceiro ano, enquanto ficava eu, Harry e no segundo. Acho que Zayn era do terceiro porque tinha o visto entrar na sala do professor Mozart que só da aulas para os terceiros anos, então provavelmente ele era, o garoto loiro dos olhos azuis no canto ainda não tinha sido apresentado e eu não sabia ao menos de que ano ele era.
Louis me soltou e eu fui sentar na minha cadeira.
- Não vai comer ? – perguntou Ash, me fazendo ficar com raiva.
- Hm... Não eu tomei um café da manha reforçado hoje antes de sair de casa e agora não estou com fome, mais tarde como alguma coisinha. – disse o mais calmamente que pude, e instantaneamente puxei minhas mãos para perto do meu ventre e comecei a estralá-las. Até que não se ouvisse mais barulho algum, só a dor nos dedos por estar frio e eu estar ali, aquela dor obviamente não era legal, mas quando você está nervosa por ter sete pares de olhos te encarando. Talvez eu realmente devesse fazer artes cênicas, para me aprimorar.
- Eu sou Niall – disse o garoto loiro. – Meus amigos não têm a capacidade de me apresentar. – ele terminou encarando o restante da mesa.
- Oi Niall, sou a , mas acho que você já sabe isso. – disse sorrindo, e me esticando para dar a mão pra ele que estava a duas cadeiras da minha. Ele pegou minha mãe em suas mãos mais geladas e depositou um pequeno beijo em minha mão.
- E então , como foi a vida em York. – perguntou Louis.
- Péssima eu imagino! Deve ser horrível viver sem mim. Não é?! – disse pela primeira vez.
- No começo foi realmente estranho, mas depois fui me adaptando, aquela cidade é realmente maravilhosa, é tudo tão clássico, tão...
- Velho! – completou Ash. E todos riram. - Mas lá é realmente bonito.
- É. – disse olhando fixamente para Zayn, que estava distraído com o seu sanduíche natural. Depois de alguns segundos eu desviei o olhar e voltei a conversar com todos, novamente. Antes de voltar para a sala tomei dois copos de água gelada que quase fizeram meu cérebro congelar, de tão gelada que estava.
Minhas próximas aulas não foram tão ruins já que Harry ficou comigo em duas delas, e Niall na última.
Ao fim das aulas sai a procura da Ash com Niall a procura dos meninos, acho que ele pegava carona com eles, não sei direito.

Capítulo. 05

Eu ouvia alguém me chamar de algum lugar longe, provavelmente era o James, mas a voz dele estava muito longe, e eu queria afastar ela mais e mais. Me encolhi mais ainda sobre os edredons e tentei ignorar a voz de James.
é a ultima vez que eu vou te chamar. – silêncio, adorável silêncio. – Vou voltar aqui com um balde de água fria. – ele disse me chacoalhando, murmurei algo e me encolhi novamente. – Você tem aula hoje, vamos levante daí. – ele disse puxando os cobertores.
– Ah não, me deixa aqui... – resmunguei.
eu tô falando sério, levanta agora. – ele disse mais autoritário.
Ótimo acordar com um pai mal humorado gritando com você, lindo isso! Eu juro que se minhas pernas não estivessem tão fracas eu sairia batendo os pés como uma criança.
Depois de um banho muito rápido, já que James me gritava de cinco em cinco minutos, eu coloquei uma calça jeans, camiseta de manga longa preta com estampa do RHCP, meu all star, prendi o cabelo molhado em um rabo de cavalo alto e desci. Coloquei os óculos escuros wayfarer. Peguei uma maça verde na fruteira cortei ao meio e comi um pedaço, tomei dois copos d’água com gelo e fui até os fundos de casa a procura do James.
Eu não me lembrava de onde era o colégio, e nem fazia questão.
– Hey, pai! – chamei da porta. – Vamos?!
– Ah claro! Vá pegar sua bolsa que eu só vou pegar minha pasta. – ele disse enquanto bebericava o café e olhava para o pequeno jardim que tinha nos fundos. Assenti e fui atrás da minha bolsa, peguei a mochila que tinha apenas um caderno de quinze matérias, uma agenda e um estojo com poucas canetas. Quando voltei meu pai já me esperava no carro para irmos ao colégio.
James tinha um carro bom novo, mas eu realmente era um desastre com nomes de pessoas, imagina de carros! E eu nunca vi necessidade em aprender.
Poucos minutos depois eu pulei do carro, ouvindo meu pai dizer pra eu voltar com Ash.
O colégio estava igualmente há um ano atrás, com suas grandes grades pretas, a pequena guarita e logo atrás o grande e majestoso colégio. Ele era mais um colégio em Londres particular, mas não de mauricinhos. É claro tínhamos as exceções, já que eu podia ver grandes carros no estacionamento para alunos, mas continuava sendo um ótimo colégio.
Eu mal havia entrado no colégio quando senti alguém se chocar fortemente comigo e logo depois me apertar. Não precisei de muito pra reconhecer, seu grito estridente e seus cabelos pretos que estavam quase entrando em minha boca. .
– Sua filhota de demônio! Como você tá linda, por que não me ligou? Eu teria ido te ver assim mesmo que você chegou! Por que não me disse que estava tão linda assim? Por que me deixou aqui? – ela disse a última frase mais baixo ainda sem me soltar.
Como eu não lembrava que a era tão... Assim? Tão ela? Tão minha melhor amiga? Como eu não me joguei em seus braços assim que cheguei em Londres? Eu com certeza não me lembrava o quanto era minha amiga, não me lembrava como era bom estar nos seus braços e me sentir segura...
– Me... Me desculpe, eu não sabia que estava com tanta falta de você... – disse afundando o rosto em seu pescoço.
– Não foi nada, ! Eu sei que deve ter sido muito mais difícil pra você que foi pra lá sem conhecer ninguém. Espero que não tenha me substituído por uma versão mais pervertida e bonita que eu. – ela disse me soltando. Eu ri, aquela era minha .
– É impossível encontrar alguém mais pervertida que você. – ri e apertei as bochechas dela. – E eu espero que não tenha me trocado por uma mais chata que eu. – disse enquanto jogava o cabelo pra trás.
– Não, eu achei uma morena sabe... – disse fazendo pouco caso.
– Oh você me trocou. – disse fingindo desespero.
– Minha pequenina tá de volta! – ouvi alguém – lê-se: Liam Payne - gritando de longe. Imediatamente girei meus calcanhares, corri em direção a ele e pulei em seus braços.
– Ai que saudade de você seu liamdo! - disse enquanto ele me colocava no chão e dava uma gargalhada que fiquei sem entender.
eu já te disse que não falo português! – isso sempre acontecia quando eu ficava nervosa ou só não pensava direito, eu fala em português, simplesmente me esquecia de onde estava e falava em português.
– Ai desculpa, foi a emoção.
– Isso me deixa, me abandona depois de ter sumido, isso mesmo me abandona de novo, ! – veio reclamando.
– Ow você sabe que eu não te abandonei né, eu só vim ver o Liamzinho! – disse abraçando pela cintura enquanto entrava no colégio.
– Sei... – ela disse enquanto o sino soava. fez uma cara feia e Liam a pegou pela cintura, arrastando-a.
– Vem ! – ele disse, quando percebeu que eu não estava indo.
– Eu tenho que passar na secretaria e pegar meu horário, nós nos vemos por ai... – disse mandando um beijo no ar, e tentando me lembrar onde ficava a secretaria. Os corredores já estava praticamente vazios então foi mais fácil encontrar.
Existe coisa pior do que ter Álgebra III logo no primeiro período? Não! Acho que segunda feira é o meu pior horário. Talvez eu consiga mudar algumas aulas como a de arte contemporânea para música, não que eu toque algo ou saiba cantar, mas com certeza vai ser melhor do que isso. Meu armário era ao lado do da minha irmã – o mesmo de quando eu estudei aqui. Acho que não tiveram muitos novos alunos, mas a maioria eu não me lembrava. Talvez minha memória que fosse ruim ou muitos tivessem mudado.
E foram esses pensamentos que antecederam todas as aulas antes do almoço. Assim que o sinal tocou, me senti como se abrissem a porta da jaula de animais selvagens que não se alimentavam ha anos, pois todos jogaram suas apostilas de qualquer jeito na bolsa – ou nem haviam colocado-a na bolsa – e já irromperam porta a fora. Eu fiquei para trás apenas com três garotas e um garoto. Só lembrava de duas das garotas, se não me engano eram Elouise Adams e Gianna Collins. Ambas tinham mudado um pouco, elas estavam bem mais altas, mas os rostos continuavam os mesmos. Lembro que uma vez as duas aprontaram maior escândalo porque o professor havia acusado elas de ter passado super cola na gaveta da escrivaninha dele para que não abrisse. Elas foram capazes de chorar e tudo, e no fim o professor ficou na duvida e não se queixou com o diretor. Até hoje não sei quem fez aquilo.
O pátio estava da mesma forma que eu me lembrava. Aqui não era como o High School Music que as mesas eram perfeitamente separadas por panelinhas. Por muito tempo eu imaginei que os colégios fora do Brasil fossem assim, mas me enganei redondamente com esse pensamento! É claro que as pessoas tentavam se sentar com seus grupos, mas todas elas tinham amigos de fora da panelinha, e então se misturavam um pouco. Assim que passei pelas grandes duas portas amarelas do grande refeitório, dei de cara com Ashley digitando furiosamente em seu Blackberry na primeira mesa com mais algumas pessoas que eu não sabia o nome. Quando passei por ela dei um pequeno cutucão em sua cintura, chamando sua atenção. Ela se sobressaltou pelo susto, mas logo depois abriu um sorriso. Ash sempre foi carinhosa comigo, mesmo escondendo algumas coisas, mas eu ainda era sua irmãzinha mais nova e, apesar de ela ter uma grande pitada de futilidade no seu DNA, ela era super gentil comigo e sempre tentava me ajudar quando morávamos juntas. É claro que como todas as irmãs nós tínhamos nossas brigas, mas era raro isso acontecer e nós também quase não ficávamos muito tempo juntas.
– Hey, porque não me esperou hoje? – ela perguntou. – Eu te daria uma carona. – respondeu sem que eu tivesse tempo de respondê-la.
– Ah eu não sabia. James estava me apressando e eu sai correndo de casa... – Expliquei. – Quem sabe amanhã? - disse sorrindo e encostando o quadril na mesa onde ela estava sentada.
– É. Vem! Vamos nos sentar... – ela disse acenando para algumas pessoas da mesa e me arrastando pelo braço com vários de meus antigos amigos. já estava lá concentrada em seu suco, sem dar muita atenção para o que se estavam falando. Liam e Louis estavam rindo como hienas, Harry estava com uma cara de poucos amigos e tinha um garoto loiro de olhos azuis rindo com uma risada escandalosa muito bonitinha. E de costas para eu e Ash estava o Zayn, como eu o reconheci não sei... Mas tinha certeza que era ele.
– Nossa achei que você tivesse raptado a tampinha, Ash! – disse o Liam sorrindo pra mim. Todos na mesa olharam em minha direção e eu sorri brevemente me sentando ao lado de .
– Não vai vir me dar um abraço ? Depois de todo esse tempo sem nos falarmos você finge que não me conhece? – perguntou Louis fazendo drama. Me levantei da cadeira antes mesmo que ele terminasse a frase, e fui em sua direção com os braços abertos.
– Ah Lou, não seja tão dramático! Nós nos falávamos praticamente todos os dias... – disse o abraçando apertado.
– Mas eu sentia falta de te apertar. – ele disse me apertando mais e mais. Louis era alguns anos mais velho que eu. Ele havia repetido algumas vezes, mas agora ele estudava com Ash, Zayn e Liam, no terceiro ano, enquanto ficava eu, Harry e no segundo. Acho que Zayn era do terceiro porque tinha visto ele entrar na sala do professor Mozart que só da aulas para terceiro ano, então provavelmente ele era. O garoto loiro dos olhos azuis no canto ainda não tinha sido apresentado e eu não sabia ao menos de que ano ele era.
Louis me soltou e eu fui sentar na minha cadeira.
– Não vai comer ? – perguntou Ash, me fazendo ficar com raiva.
– Hm... Não eu tomei um café da manhã reforçado hoje antes de sair de casa e agora não estou com fome, mais tarde como alguma coisinha. – disse o mais calmamente que pude, e instantaneamente puxei minhas mãos para perto do meu ventre e comecei a estralá-las. Ate que não se ouvisse mais barulho algum, só a dor nos dedos por estar frio e eu estar ali. Talvez eu realmente devesse fazer artes cênicas, para me aprimorar.
– Eu sou Niall – disse o garoto loiro. – Meus amigos não tem a capacidade de me apresentar. – ele terminou encarando o restante da mesa.
– Oi Niall, sou a , mas acho que você já sabe isso. – disse sorrindo, e me esticando para dar a mão pra ele que estava a duas cadeiras da minha. Ele pegou minha mão e depositou um pequeno beijo.
– E então , como foi a vida em York? – perguntou Louis.
– Péssima eu imagino! Deve ser horrível viver sem mim. Não é?! – disse pela primeira vez.
– No começo foi realmente estranho, mas depois fui me adaptando! Aquela cidade é realmente maravilhosa, é tudo tão clássico tão...
– Velho! – completou Ash. E todos riram.- Mas lá é realmente bonito.
– É. – disse olhando fixamente para Zayn, que estava distraído com o seu sanduíche natural. Depois de alguns segundos eu desviei o olhar e voltei a conversar com todos ali presente. Antes de voltar para a sala tomei dois copos de água gelada que quase fizeram meu cérebro congelar, de tão gelada que estava.
Minhas próximas aulas não foram tão ruins já que Harry ficou comigo em duas delas, e Niall na última.
Ao fim das aulas, sai a procura da Ash com Niall, que também estava a procura dos garotos. Acho que ele pegava carona com eles, não sei direito.
Só encontrei Ash cerca de dez minutos que o sinal havia batido, acho que ela estava dando uns pegas no Zayn já que saiu do fundo do colégio com os cabelos bagunçados e a roupa torta.
– Onde você estava? – disse não contendo o sorriso malicioso, só de imaginar Zayn dando uns pegas em mim.
– Ah, eu estava ali atrás oras. – disse ela sorrindo abobada. – Vamos? Tenho que fazer um trabalho enorme e os meninos nos chamaram para ir a casa do Louis hoje de tarde.
– Ah sim! – disse seguindo ela e entrando no seu carro que parecia ter saído de alguns desenho animado, já que ele era vermelho quase rosa e pequenino.
– Você tem carteira de motorista?
– Nop. – eu disse olhando distraidamente pela janela.
– Por que não tirou ainda?
– Porque não tinha por que eu tirar. E ainda não tem. Eu quase não saio de casa e sempre quando eu saio é pra perto, e é bom fazer exercícios.
– Ah. Mas agora você deveria fazer! Você sabe dirigir?
– Um pouco, não sei a ordem das marchas.
– Porque o carro do James troca sozinho, mas não estou afim de aprender. – eu disse.
– Você sabe que não pode depender do pai para sempre, não sabe?
– Sei! E nem quero depender! Estou pensando em arrumar um emprego, algo fácil sabe? Que não atrapalhe nos meus estudos.
– A mãe do Zayn estava procurando alguém para trabalhar de babá. - ela disse estacionando em sua casa.
– Sério? Isso seria ótimo. Mas tem que ser depois do colégio... – seria muito bom pra mim, pelo menos não ficaria mofando em casa e bom, estaria perto do Zayn. Ai credo ele é o namorado, da minha irmã! Mas talvez ele tenha um primo, ou um irmão mais velho...
– Ela não quer para todos os dias, é só para os dias em que ela e o Sr. Malik tem que sair e é só pra cuidar da Safaa, que é a menor, o Zayn cuida da Waliyha.
– Você pode falar com o Zayn por mim? Sabe, fala que eu estou procurando algo e pra ele pedir pra mãe dele...
– Você não tem boca ?
– Tenho, mas...
– Mas nada! Usa ela. Vou te passar o telefone do Zayn ai você fala com ele, ou então fala com ele hoje na casa do Lou... – eu bem que queria usar minha boca, mas pra fazer outras coisas.
– Tudo bem. Vou ver com o James primeiro.
– Se ele ouvir você o chamando de James vai ficar puto...
– Ah não importa. – disse saindo do carro.
já tinha ligado duas vezes me perguntando se eu iria para a casa do Louis e nas duas eu disse que não, mas Ashley resolveu ir até minha casa para fazer o maior discurso para eu ir com ela. Mas eu não queria sair, era isso!
– Hey ! Vamos! Eu já liguei pro pai dizendo que nós vamos sair e até comentei com ele sobre você ficar com a Safaa e ele achou super legal para você juntar seu dinheirinho. – ela dizia tudo isso gritando pela casa tentando me encontrar. – Vamos logo, não tô afim de perder o Harry andando de boxer pela casa. - ela disse depois de me encontrar.
– Mas é que eu queria dar uma organizada no meu quarto...
– Você faz isso depois! Quanto mais cedo nós irmos mais eu vou poder ficar e não posso faltar no serviço novamente. - Ashley trabalhava em um restaurante italiano como recepcionista.
– Tá bom, mas eu não posso ficar muito okay?!
– Okay, agora vamos!

Capítulo. 06

– Hey ! - Ash gritou da sala. – Zayn disse que a mãe dele vai estar em casa hoje.
– Nossa e o que isso tem a ver comigo? – disse chegando na sala, com dois potes de pipoca nos braços e me sentando entre Zayn e Liam.
– Você pode falar com ela sobre cuidar da Safaa. – Ela respondeu.
– Ah tudo bem, eu vou!
– Louis, traga os cobertores!
– Ai garoto quer me deixar surda? – perguntei dando um tapa na cabeça do Liam.
– Nem gritei no seu ouvido.
– Mas então , você tem experiência com crianças? – questionou Zayn.
– Hm... Não... Tem algum problema? Mas eu cuidava às vezes da Maisa, lembra Ash?
– Lembro! Ela era tão quieta nem parecia uma criança.
– Não! Acho que não tem problema não.
– Quantos anos têm a Safaa?
– Ela tem 8 anos é um pouco teimosa, mas é fácil de lidar.
– Zayn vai te dar uma carona até lá e depois você pode pegar um táxi, não pode? – perguntou Ashley.
– Claro! Sem problemas.
– Vocês podem calar a boca e me ajudar? – perguntou Louis cheio de cobertores.
– Tudo bem estressadinho! - Liam zombou fazendo uma careta e indo ao encontro dele.
– Alguém pode me dizer por que a não veio? – Zayn perguntou.
– Parece que o pai dela pediu ajuda para comprar o presente de casamento da mãe dela.
– Em breve teremos uma festa! - brincou Louis.
– Com vinho de verdade e uísque importado. - continuou Liam.
– E vamos ter que usar terno. - depois de Zayn dizer isso todos se viraram pra ele, balançaram a cabeça em sinal de desaprovação e explodiram em risadas.
– Você tem que ser o chato? – perguntou Louis jogando uma almofada que era pra ter acertado no Zayn, mas incrivelmente acertou em mim.
– Hey! – protestei, pegando a almofada e jogando em direção ao Louis. E errei feio.
– Caralho você é cega? - perguntou Zayn.
– Não é só que... Ah cuida da sua vida. – disse rindo.
O resto da tarde passou entre risadas e pipocas voando. Logo Ash teve que ir trabalhar e ficamos todos conversando. Eu e Zayn tínhamos algo em comum: morávamos ali há pouco tempo. Ele me disse que estava com Ash há 7 meses e eu contei a ele que tinha tido só um namorado e que o relacionamento durou 3 semanas. O que deixou ele assustado, não sei por quê. Quando contei o motivo do término do namoro, Louis resolveu me abraçar, o que mais parecia que ele queria quebrar todos os meus ossinhos. Depois de uma tarde de fofura, Zayn me chamou pra ir embora.
O caminho entre a casa do Louis e Zayn era um pouco comprido. Meia hora em silêncio, apenas ouvindo alguma rádio que tocava músicas boas. Quando estacionamos em frente a casa dos Malik’s, Zayn fez questão de abrir a porta pra mim e logo depois colocou a mão levemente sobre minhas costas me levando para dentro. Confesso que fiquei um tanto desorientada com esse ato dele e não foi por nunca ninguém ter feito algo assim comigo, mas pelo cheiro que ele exalava. Quando ele me abraçou na casa do Louis eu não havia percebido que era tão bom, já que estava no meio de um abraço grupal, mas agora só havia ele e eu caminhando pela estreita calçada que nos levava até a porta. Eu realmente estava arrepiada.
– Mãe. - Zayn cumprimentou sua mãe rapidamente com um beijo na testa dela. - Essa é a , irmã da Ashley, acho que comentei que ela havia chego.
– Ah sim! Prazer . Sou Patrícia, mas pode me chamar de Pattie. – ela me deu um pequeno beijo no rosto. Patty era realmente bonita, não parecia ter três filhos. Era magra e tinha os cabelos escuros.
Depois de cerca de duas horas conversando com Pattie decidimos que eu iria apenas quando ela precisasse, e iria a casa dela no outro dia para conhecer melhor a rotina das meninas. Na volta Zayn insistiu em me levar até minha casa e dessa vez, infelizmente, nós não fomos em silêncio.
– Você já está se sentindo em casa? – ele perguntou desviando a atenção da rua movimentada para uma segunda à noite.
– É estou. Quer dizer, acho que nunca me senti realmente em casa depois que sai do Brasil!
– Você sente muita falta de lá não é?!
– É, eu sinto falta de tudo! Desde o idioma até o clima estranho. Nada contra a Europa, bem ao contrário, eu sempre amei esse lugar. – disse dando um pequeno sorriso de canto ao me lembrar do Brasil.
– Acho que percebi que você sente falta do idioma. Só em um dia que passamos juntos e já ouvi você falar não sei quantas frases em português! – ele disse rindo.
– Eu às vezes me esqueço que tenho que falar o tempo todo em inglês. Em York eu sempre estava em casa falando com meu pai em português e eu também sou péssima no inglês. – disse rindo. – Você tinha que ter me ouvido quando cheguei aqui...
– Seu inglês não é tão ruim, acho o seu sotaque bonitinho. – ele disse fazendo uma cara fofa e depois voltando a atenção na rua. – Quando você chegou aqui não falava inglês?
– Não! Eu balbuciava inglês e vivo esquecendo palavras! Quando fico nervosa ou coisa assim, desembesto a falar em português, as pessoas ficam me olhando estranho.
– Imagino... Mas deve ser bem legal falar duas línguas! Ash tentou me ensinar, mas não tinha paciência comigo. Mas já sei xingar em português. – ele falou com um sorriso de orelha a orelha.
– Mas e ai... Como você e minha irmã se conheceram? – perguntei tentando virar o meu corpo para olhar para ele, mas fui impedida pelo cinto de segurança.
– Faz uns seis ou sete meses foi tudo bem rápido com ela. Começamos há namorar duas semanas depois que eu cheguei. – ele disse parecendo se lembrar.
– Foi tipo amor a primeira vista? – perguntei piscando os olhos várias vezes e tentando fazer uma carinha fofa, mas acho que saiu como uma careta porque assim que ele viu isso, ele riu alto. Não foi uma gargalhada verdadeira, soou mais como se ele estivesse rindo de mim, e bom ele estava.
– Essas coisas não existem! – ele disse convicto.
– Ai me deixa ser iludida e esperar que um dia um cara legal se apaixone por mim na primeira vez que me ver! – disse dando um tapa leve em seu braço e logo depois corando fortemente. Quem eu achava que era? A amiga dele ha mais um dia? É com certeza Zayn não me fazia bem. Ou talvez fazia, até demais.
– Não estou falando de amor a primeira vista. – eu o encarei arqueando a sobrancelha direita, esperando que ele continuasse. – Eu estou dizendo do amor! É tudo interesse e atração física...
– Ah então esta me dizendo que pessoas gordas e feias nunca vão ser amadas?
“Ele tem razão ! Pessoas gordas e feias, nunca serão amadas.”
– Não! Não foi isso que eu quis dizer! Quero dizer que esse sentimento forte, que te faz ter vontade de morrer no lugar da pessoa amada não existe. As pessoas apenas se gostam. O resto é tudo ilusão criada pelo Nicolas Sparks.
– Faz sentido, mas eu acho que exista esse amor... Só não são todos que tem o prazer ou o desprazer de sentir ele...
– Pode ser. – ele encarou as pessoas que atravessavam a rua batucando os dedos pelo volante. Da casa dele até a minha era um tanto longo, mesmo de carro – Você disse que preferia o Brasil pela situação em que seus pais se encontravam lá, quero dizer: eles se separam depois que chegaram aqui não é?! – ele disse depois de algum tempo em silêncio.
– Não é só isso, mas isso também contribui bastante. Lá era tudo mais calmo e eu não sofria a pressão que eu sofro aqui.
– Que tipo de pressão? – ele perguntou curioso.
– Nada muito importante. – disse sorrindo.
– Mas aqui você tem seus amigos, tem a e agora eu e o Niall.
– É eu acho que não poderia pedir amigos melhores, mesmo eles sendo bem estranhos na maioria das vezes. – disse soltando um risinho.
– Você é realmente amiga da não é?! – onde ele queria chegar com todas aquelas perguntas. – Quero dizer: Vocês contam tudo uma para outra, são melhores amigas... – eu sabia muito bem onde ele queria chegar e não estava gostando disso. Ele havia descoberto uma parte realmente horrível que eu me envergonhava, pois mostrava o quanto eu era fraca.
– Somos. – respondi seca. – Nós temos nossos segredos íntimos, mas a maioria das coisas nós contamos uma pra outra.
– Você já escondeu algo dela por ter medo da reação dela? Tipo algo que você fez ou faz realmente errado. – droga, droga, mil vezes droga. Eu olhei para o lado tentando desviar daquela pergunta e fiquei realmente grata quando vi minha casa através do vidro escuro do carro.
– Não conte a ninguém o que sabe Zayn, por favor. – antes que ele pudesse responder algo, eu pulei do carro, disse um obrigada enquanto batia a porta do carro e saia sem ao menos olhar para trás.

Capítulo. 07

A manhã seguinte passou como no dia anterior, a única diferença era que eu evitei tanto o Zayn que veio me dar um sermão, eu havia conhecido mais o Niall ele era realmente legal e engraçado, ele não era daqui também, e havia começado há cerca de três meses. Hoje eu iria a casa dos Malik’s para ver como era a rotina das meninas, o problema era que eu iria ter que passar toda a tarde lá e Pattie trabalhava, ou seja, eu teria que ficar com Zayn hoje todo o final da tarde. Depois que acabou as aulas eu corri e praticamente me joguei dentro do carro da já que ela disse que me daria uma carona até em casa. Percebi enquanto eu estava encolhida dentro do carro e não vinha logo que Zayn estava procurando alguém, talvez fosse eu ou talvez fosse Ashley que assim que eles se encontraram ele parou de parar as pessoas, mas continuava olhando para os lados, eu teria que inventar alguma desculpa por não ter pego carona com ele o mais rápido que eu imaginasse.
– O que você tem em sua lerda? – perguntou estranhando meu comportamento. – Primeiro você fica igual a criança fugindo do Zayn, depois se esconde no carro, o que aconteceu ontem na casa do Louis?
– Nada! Não aconteceu nada, e eu não estou me escondendo, é só que estou com um pouco de dor de cabeça e claridade não ajuda em nada, você sabe disso...
– Fala logo menina! Sou sua melhor amiga não sou?! Então não me esconde, eu não te escondo nada. – depois que ela disse aquilo eu fiquei com a consciência um pouco pesada, mas eu não podia falar para ela.
– É só que ele veio com umas perguntas estranhas pro meu lado... – disse enquanto olhava pela janela.
– Que tipo de perguntas? – ela perguntou pensando besteira.
– Nada que te interesse! Vai logo ai sua lesma, tenho que trabalhar não sou vagabunda. – disse rindo e tentando mudar de assunto.
– Sei muito bem que tipo de pergunta o Zayn te fez. – ela fez um barulho estranho com a boca e eu só balancei a cabeça negando, e rindo. – deixa eu te ajudar a perder o trauma de ser comida? posso te pegar no carro, ou você prefere na parede? nós podemos fazer aquela...
– Cala a boca sua retarda! Ai que nojo ele é o meu cunhado! – disse rindo e dando tapas nela.
– Hey cuidado ai eu estou dirigindo. E todo mundo sabe que o namoro do Zayn e da sua irmã é tudo menos fiel.
– Eu não sabia disso e eu não vou pegar o namorado da minha irmã, isso é desonra!
– Minha querida desonra vai ser se você não pegar o Zayn! Aquele gostoso! – ela disse se abanado e me fazendo soltar uma gargalhada com a cara de safada dela. – Mas é sério ! Não quero ver você evitando ele, ele é um cara super legal, e dude na boa quem evita um semideus daquele? Só você que tem titica de galinha no lugar do cérebro.
– Okay! Mas eu não estava evitando ele. – disse assim que ela parou em frente a minha casa.
– Você vai precisar de carona pra ir a casa do Zayn?
– Ah não sei... Será que a minha melhor amiga me daria? – disse fazendo um bico muito ridículo.
– Você vai ter que tomar o banho mais rápido da sua vida okay! Ou se não vai ir andando!
Nós entramos e enquanto eu fui tomar banho ficou fuçando nas minhas coisas, eu sentia saudade dela mexendo em tudo, quando eu ia a casa dela era a mesma coisa, lembro-me da primeira vez que eu fui a casa dela, eu quebrei a boneca que estava em cima da cômoda dela e depois deixei lá como se não tivesse sido eu. Acho que até hoje ela não sabe que fui eu que quebrei.
Depois que sai do banho coloquei um short de cós alto, uma camiseta de manga longa, larga que na manga era mais apertada, meu all star e deixei meu cabelo secar sozinho. me levou até a casa do Zayn fazendo piadinhas indecentes o caminho inteiro, ela mal me deixou na porta da casa dele e já sumiu. Boa amiga ela não é?!
– Hey ! Onde você se meteu hoje no fim das aulas? Eu não te achei em lugar nenhum.
– Oi Zayn. – dei um pequeno sorriso. – Eu peguei uma carona com a , nós tínhamos que resolver algumas coisas... – disse entrando na grande casa.
Logo que você entrava na casa dele, já se podia ver a grande escada que dava para o andar de cima, a sala de estar e jantar eram divididas por lâmpadas de cores diferentes, e a sala de jantar era no degrau de cima, a sala de estar era em cores claras, e se contrastava com o painel que tinha detalhes em preto, o sofá era um bege quase branco, e no chão tinha um tapete felpudo branco com detalhes em preto nas bordas, o andar de cima era composto por varias portas que Zayn foi me informando do que se tratava cada uma. Cada um tinha o seu quarto, o quarto do Zayn e do senhor e senhora Malik eram suítes e o das meninas era um dormitório, havia o banheiro que as meninas usavam e o de convidados fiava em baixo da escada, mas ontem Pattie deixou bem claro para que eu usasse o banheiro do andar de cima, na parte de trás da casa havia uma pequena piscina com cerca de três metros de comprimento, não parecia ser tão funda.
– Pirralhas a está aqui! – Zayn anunciou assim que entramos no quarto, as meninas estavam distraídas cada uma fazendo sua própria coisa, Safaa a mais nova estava desenhando algo no chão, e Waliyah estava vendo algum filme fofinho na Disney, elas deram um sorriso pra mim e murmuraram um “Oi ” e logo voltaram a fazer o que estavam fazendo, eu entrei no quarto e me sentei ao lado da Saffa.
– Você gosta de desenhar ? – perguntou ela parando o seu desenho e me olhando.
– Gosto, mas eu não desenho muito bem...
– Eu também não, mas a mamãe disse que depois a gente pega a platica. – ela disse me dando um sulfite branco e alguns lápis de cores.
A tarde se passou assim, eu ajudei Waliyah a fazer alguns exercícios de matemática, e depois ficamos vendo televisão, já eram seis horas quando Janaina – a cozinheira e arrumadeira – trouxe alguns lanches para as meninas, quando ela perguntou se eu queria alguma coisa eu disse que aceitaria um suco natural em açúcar ao me ouvirem disser isso todos eles – incluído Zayn e Janaina – fizeram uma careta, como se eu fosse um E.T.
Pattie e o Senhor Malik – eu ainda não sei o nome dele – ligaram avisando para o Zayn ir me levar para casa porque hoje eles teriam um jantar de negócios e chegariam tarde, Janaina ficou com as meninas enquanto Zayn foi me levar. O caminho foi absolutamente silencioso, e quando eu estava prestes a pular do carro, ele segurou meu braço me fazendo ficar sentada, eu o olhei sem entender e ao mesmo tempo com medo do que viria a seguir.
, eu sei que nós não nos conhecemos direito, mas eu realmente me importo com a idiotice que você está fazendo. – ele disse sério, me encarando eu fiquei vulnerável com o olhar dele, eu me sentia transparente, quando ele me olhava daquele jeito.
– Eu não sei do que você está falando. – disse o mais firme que eu pude, mas mesmo assim senti minha voz fraqueja na última palavra. Desviei meus olhos para minhas mãos e instantaneamente comecei a estralar meus dedos, aquele era um costume que me entregava, todos sabiam que eu estava nervosa de mais quando estralava os dedos, e todos os ossos do corpo que eu conseguisse.
– Por favor ! Não se faça de desentendida. As marcas no seu braço. – ele disse pegando delicadamente minha mão direita em suas mãos frias.
– Eu que te peço, por favor, Zayn. – disse tentando puxar meu braço, mas ele segurou firme, sentia meus olhos arderem e sabia que logo lágrimas escorreriam dele.
você tem amigos! Você tem uma família que se importa com você, você não precisa fazer isso, tenho certeza que pode conversar com a a qualquer momento, os meninos... Eu . – ele levemente passou a mão levantando a manga da minha camiseta, e expondo minha maior vergonha. – Você não precisa disso. – ele escorregava o dedo gelado levemente por cima de um dos cortes. Minhas lágrimas transbordavam dos meus olhos, deixando minha visão turva.
– Você deve estar ficando louco. – disse gaguejando um pouco. – Isso foi meu gato. – puxei brutalmente minha mão, e descendo a minha manga, sem que ele tivesse tempo de entender qualquer coisa que eu havia dito eu novamente corri pra fora do carro.
James estava na cozinha quando entrei, rapidamente passei as costas da minha mão limpando as lágrimas e respirando fundo.
– Oi pai. – disse e segui para a escada.
! – ele chamou. – Venha aqui, hoje nós vamos jantar na sua antiga pizzaria preferida. – ele disse sorridente.
Não tinha como meu dia piorar.
– Nós não podemos ir outro dia? – perguntei já pensando em uma desculpa.
– Não! Nós vamos hoje. – ele disse autoritário. – Vamos logo, já vou pegar minha carteira, me espere no carro. – ele saiu da sala e eu fiquei pensando em alguma desculpa para dar.

Naquela noite Mia me infernizou, até eu miar* o suco de laranja que eu havia tomado à tarde, eu simplesmente odiava quando eu tinha que me forçar a jogar tudo pra fora, era horrível, mas no final sempre Mia me dava os parabéns e dizia que apesar de ter decepcionado ela comendo, ela ficava feliz por saber que eu estava arrependida, eu não suportava o cheiro da Mia, o gosto dela a sensação do meu corpo se retorcendo, e o pior de todos: a vergonha que sentia por ter me descontrolado.
*miar: significa forçar o vômito.
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Depois de um mês e quinze dias, eu já havia me acostumado com os meus amigos novamente, com a rotina da Joan, do meu pai e até com a minha. Mia ultimamente, não parava um segundo de me insultar, eu sempre merecia e sempre tentava me retratar, passei a ir andando até a casa dos Malik’s, diminui minhas calorias semanais pela metade e é claro que eu tive reações... Uma delas foram as tonturas que eu sempre tinha, elas sempre estavam presentes nas horas de se levantar, andar mais depressa e eu não podia pensar em correr. Meus pais não pareciam ver o que estava se passando comigo, para eles aquilo era somente uma fase, eles deixaram de me convidar para comer, pois já sabia que eu inventaria alguma desculpa, estava muito maternal esses dias, toda hora dizendo que eu tinha que comer, ou querendo sempre ficar comigo, eu sei que como melhor amiga ela se preocupava comigo, mas estava realmente me irritando, ela queria saber todos os meus passos, queria sempre ir comigo a todo lugar, e quando nós saímos até para caminhar juntas ela me enchia de perguntas. Zayn no começo tentou se aproximar, mas eu não deixei era horrível ter que sempre cortar ele, nunca responder as suas perguntas verdadeiramente, mas eu não podia deixar ele invadir o meu espaço pessoal, os únicos que estavam cooperando comigo eram Niall e Liam, eu me sentia a vontade perto deles, talvez eles fossem distraídos demais para perceber algo diferente comigo, mas eles nunca me enchiam de perguntas, nunca ficavam tentando me fazer comer, eles apenas concordavam. Ashley ultimamente estava sempre ocupada demais e não era somente para eu, era também para todos inclusive Zayn, havia comentado comigo que tinha visto ela com Harry no Hide Park, na sexta passada. Eu havia perguntado a ela onde ela estivera e ela me disse que estava no restaurante cobrindo uma folga de uma amiga, eu não a questionei nem nada apenas assenti, não queria brigar com ela, mas estava bem explicito que ela e Zayn não estavam tão bem, e infelizmente algo dentro de mim, me deixou feliz.
Todos nós estávamos ansiosos para a festa de bodas de prata dos pais da , era amanhã, e só se comentava isso, e não era porque estávamos muito felizes, quero dizer nem eu, nem os meninos estávamos, já que eles reclamaram a semana toda que iriam ter que usar terno, e eu não estava feliz porque não havia achado vestido algum que me caísse bem o suficiente. Hoje prometeu que iria comigo procurar algo no Shopping, James havia me dado algumas libras para completar, já que eu estava guardando o dinheiro que ganhava com Joan para comprar um carro.
Como hoje era quinta provavelmente Pattie chegaria cedo e então iria vir me buscar para ir com ela, logo depois que ela chegasse.
– Não Joan, vamos tomar banho agora, chega de televisão por hoje, Waliyah já está fazendo os deveres. – disse desligando a televisão. Joan começou a correr pelo quarto para que eu não a pegasse, eu sorria, mas minha real vontade era de jogar um tênis na cabeça da pequena, pra quem sabe ela parar de correr. – Joan! Joan vamos logo, eu não estou passando muito bem, não posso correr atrás de você querida. – disse o mais amigavelmente.
– A não pega, só come barata assada. – Oh Gosh! Eu não mereço isso!
– Por favor, Safaa. – fui andando lentamente em sua direção, a falta de alimento no meu organismo, estava me deixando mais lenta, minhas mãos tremiam constantemente e meu sorriso, já não era mais o mesmo.
– Safaa! Vá tomar banho agora, ou se não, te deixo sem ver televisão amanhã pelo o dia inteiro. – Zayn disse com uma voz autoritária da porta. Safaa rapidamente desfez o sorriso, no seu rosto e caminhou para fora do quarto.
– Obrigada Zayn! – disse baixo e sai atrás da pequena, fazendo o máximo para não esbarrar nele que estava encostado no batente da porta.
– Não foi nada. – o ouvi dizer depois que entrei no banheiro.
Depois que dei o banho em Safaa, penteei seus cabelos e fiquei a observando brincar de bonecas com Waliyah, elas realmente pareciam bonecas. Meu celular me distraiu delas, andei o mais rápido que pude até o canto do quarto onde minha mochila estava encostada na cama.
.
?
– perguntou com a voz abafada.
– Sim! O que foi?
– Eu tive que emprestar o meu carro para minha mãe porque o dela quebrou, tem como você pegar um táxi? Eu já estou aqui.
– Okay, eu pego um táxi.
– Que horas você chega? – ela disse fazendo um barulho impaciente com a boca.
– Não sei muito bem, mas acho que dali a uma meia hora.
– Ah tudo bem! Eu já escolhi o seu vestido mesmo. – ela disse rindo.
– Como assim já escolheu?
– Ah ele é lindo tenho certeza que você vai amar. Agora vai trabalhar.
– Okay! Tchau.
– Tchau feia.
Depois que ela desligou desci e fui para a cozinha tomar um copo de água, não estava me sentindo muito bem, encontrei com o Zayn quando passei pela sala, mas ele não disse nada. Não naquela instante.
– Posso falar com você? – droga o que ele queria agora?
– As meninas estão no quarto sozinhas, acho melhor deixarmos a conversa para outra hora. – disse abandonado o copo, e indo rapidamente para fora da cozinha, assim que entrei no pequeno corredor, senti tudo ao meu redor girar, e cambaleei para o lado me apoiando na parede fria.
Respirar fundo era tudo que eu lembrava, minha visão foi ficando turva e logo eu não senti o chão sobre meus pés e tudo estava escuro.

Capítulo. 08

Já teve a sensação de estar sendo observada? Muitos ficariam com medo de quem quer que fosse, mas no fundo eu sabia que era Mia, sabia que ela me observava e tinha nojo do que eu era, Mia tinha razão eu era uma porca nojenta, que só pensava em comer, eu era uma porca que só queria a minha felicidade, eu não pensava em como meus pais e até Ash ficariam felizes quando eu fosse realmente bonita, não pensava em como iria ficar feliz por ter uma amiga a sua altura, não pensava em ninguém... Somente em mim. Eu não deveria estar aqui.

Meus olhos arderam e rapidamente eu os fechei novamente, minha mão esquerda estava sendo segurada por alguém que de inicio eu não consegui ver quem era a luz atrapalhava, não adiantava piscar, forcei meus olhos até reconhecer ele. Não sabia o que ele estava fazendo aqui, ao contrário de outras pessoas que acordam em uma cama dura de hospital e não sabem onde estão eu sabia perfeitamente o que estava fazendo ali e aquilo me fazia se sentir pior. Ouvia a voz da minha mãe e do meu pai conversando do lado de fora do quarto, e ele segurava firmemente a minha mão.
- Você está bem? – a voz dele saiu rouca como se não falasse há horas.
- Eu estou. Desculpe-me.
- Não tem do que se desculpar . – ele fazia carinho com o dedo na palma da minha e aquilo era realmente bom.
- Eu devo ter te atrapalhado, e você não precisava ter ficado aqui comigo.
- Não atrapalhou em nada. Eu estava preocupado com você.
- Não se preocupe é apenas uma queda de pressão, logo eles me liberam.
- Você estava muito fraca, eles tiveram que te dar muito soro. – ao dizer aquilo meus olhos viraram para minha mão direita e viram a pequena agulha que era acompanhada por um pacotinho cheio de soro, meus olhos ficaram cheios de lágrimas, e eu já iria puxar a agulha, quando ele segurou mais firme a minha mão.
- Calma é só uma agulha. – ele disse tentando me acalmar.
Mas o problema não era a agulha era o que vinha junto dela. Soro. E por esse soro milhões de calorias estavam entrando em meu corpo nesse momento, tudo que eu havia feito durante meses estava indo por água a baixo, e eu me sentia horrível, queria sair dali, queria me cortar, queria me arranhar, queria morrer por não ser forte o suficiente, senti uma dor horrível na boca do estomago aquela dor que eu sempre sentia antes de jogar tudo para fora, sem que tivesse tempo para dizer nada pulei da cama e corri em direção ao pequeno banheiro, não deu tempo de me chegar ao vaso sanitário, e então joguei tudo na pia mesmo, senti Zayn se aproximar e tentei fechar a porta, mas demorei de mais ele já estava segurando meus cabelos e acariciando minhas costas.
- Sai Zayn! – gritei empurrando, sem sucesso algum. – Sai, por favor. – não tinha mais nada para ser jogado fora, era apenas um liquido sem cor, mas Mia insistia em me forçar mais e mais, as lágrimas escorriam pelo meu rosto e se misturavam com o suor que descia pela minha testa, minhas mãos tremiam e quando olhei para a mão direita, uma grande mancha de sangue estava manchando o granito branco da pia.
Sem força alguma liguei a torneira e deixei a mão direita sobre a água e logo pude ver que quando puxei a agulha um pedaço – pequeno – de minha pele ficou junto com ela, aquela dor não chegava nem perto da dor que eu tinha no meu coração, naquele momento, novamente Zayn me via de um jeito que ninguém mais havia visto, quando o sangue diminuiu, joguei um pouco de água no rosto e na nuca, enxaguei a boca e me virei em direção ao quarto. Anne e James estavam com olhares preocupados sobre mim. Zayn encarava algo atrás de mim. Ótimo ele estava provavelmente pensando que eu era uma louca.
Isso não teria acontecido se você soubesse se controlar.” Muito obrigada Mia. – pensei com toda a ironia que eu podia.
Depois de toda aquela humilhação meu pai foi chamar uma enfermeira que logo fez um curativo em minha mão, ela queria colocar novamente o soro, mas eu implorei tanto que minha mão pediu a ela que deixasse, alguns minutos depois que ela saiu entrou um medico esguio e carrancudo, ele tinha olhos pequenos, cabelos grisalhos e um sorriso falso estampado no rosto. Depois de um sermão sobre uma boa alimentação ele me deixou ir embora. Zayn ficou o tempo todo no canto do quarto apenas ouvindo tudo.
Quando estava prestes a entrar no carro, do meu pai, Zayn me chamou.
- ! – olhei para trás esperando que ele continuasse. – Seu material ficou em casa, você pode ir comigo, depois eu te deixo em casa. – eu olhei para meu pai pedindo permissão.
- Você vai ir direto para casa. – assenti e fui na direção do carro do Zayn.
- Zayn, você pode não comentar com ninguém o incidente de hoje? – perguntei quando estávamos próximos a casa dele.
- Claro, mas...
- O que foi? – perguntei assustada.
- Minha mãe disse que seu celular não parava de tocar então ela atendeu, e disse para a que você estava passando mal. – ele disse estacionado o carro.
- Droga! Eu tinha me esquecido da , ela deve estar louca comigo. – disse baixinho. – Que horas são?
- São dez e vinte. – ele disse saindo do carro, rapidamente e abrindo a porta para mim. Aquilo foi estranho, talvez ele estivesse fragilizado pelo que viu hoje.
- Hm. Obrigada. – disse dando um pequeno sorriso e logo depois encarando meus tênis.
Assim que entrei na casa, fui recebida por Safaa que abraçou minhas pernas.
- , me desculpe por ter corrido de você hoje, eu prometo que vou te obedecer pra você nunca mais ficar doente. – ela disse arrependida, logo me abaixei e abracei a pequena.
- Não foi sua culpa meu amor! Eu só fiquei porque não estava comendo muito bem, por isso que você tem que comer tudo, ou se não, também fica doente. – disse acariciando o pequeno rosto dela.
- Safaa deixe para se desculpar depois, a está cansada meu bem. – disse Pattie, pegando ela nos braços.
- Eu já estou melhor. – disse sorrindo. – Desculpe pelo transtorno. – disse um tanto envergonhada.
- Não se preocupe, não foi transtorno algum. E eu fico realmente aliviada agora que estou te vendo corada, imagine minha situação ao chegar e te encontrar desfalecida nos braços de um Zayn totalmente desesperado?! – ela fez uma cara preocupada, e logo me abraçou com um braço, já que segurava Safaa com o outro braço.
- Mãe, a só veio pegar o material dela, o pai dela já deve estar ficando preocupado. – disse Zayn suavemente atrás de mim.
- Ah! Tudo bem, as meninas juntaram seus cadernos, e colocaram dentro da bolsa. – ela disse enquanto pegava minha mochila que estava no sofá e pegou meu celular no criado mudo. Antes que eu pudesse pegar, Zayn pegou minha mochila e jogou sobre o ombro esquerdo.
- Obrigada por tudo Pattie. – disse sorrindo.
- Não tem que agradecer nada. – ela disse sorrindo, Safaa me deu um rápido beijo no rosto.
Zayn colocou a mão sobre minhas costas e me guiou até o carro, chegando lá ele abriu a porta para mim, com um sorriso tímido de canto, eu apenas agradeci com um sorriso e logo ele deu a volta no carro, batendo a porta e colocando minha bolsa no banco de trás.
- Você quer parar para comer algo, nós pegamos rapidinho, seu pai nem vai perceber.
- Não, obrigada Zayn! Eu estou bem. – disse sorrindo amigavelmente.
- Eu sei que eu não deveria, porque o seu pai está te esperando, mas depois eu falo com ele... – ele disse rápido. – Mas nós parar vamos parar naquela lanchonete, se você não quiser comer nada, tudo bem, mas eu queria conversar com você.
- Tudo bem.
- Posso te perguntar uma coisa? – ele disse depois de um tempo em silêncio.
- Você já perguntou. – disse tentando ser engraçada. Ele deu uma pequena risada. – Pode.
- Você me considera seu amigo? – ele perguntou quando estacionou o carro.
- Sim, quero dizer você sempre está comigo e me ajuda sempre que pode... – disse procurando o botão para soltar o cinto de segurança.
Ele ficou em silêncio e quando olhei para o seu lugar ele não estava mais lá, senti sua mão deslizar por minha cintura e soltar o cinto, nós estávamos próximos de mais...
- Mmm... Obrigada. – disse virando o rosto sem graça do olhar dele e bagunçando o cabelo, logo ele se endireitou novamente e estendeu a mão para que eu pudesse levantar.
- Obriga... – ele me cortou.
- Você agradece demais. – ele disse rindo, a risada dele é tão linda.
- É só porque você faz me faz muitas coisas.
- Quer que eu pare? – ele perguntou parando de andar.
- Não! – respondi rápido demais.
- Que bom, porque mesmo que você falasse que queria eu não iria parar. – ele disse convencido. Eu apenas ri.
Quando entramos na lanchonete demos de cara com um bando de adolescentes que me pareciam bêbados e drogados, pelo barulho que faziam.
Nós nos sentamos na mesa mais afastada que tinha e logo uma moça baixinha - que ficou olhando demais para o Zayn quando entramos – veio nos atender.
- O que vão querer? – ela perguntou olhando para o Zayn.
- O que vai querer ? – ele perguntou a mim.
- Só vou querer um suco de maçã. – disse sorrindo, e logo encontrei o olhar tenso de Zayn sobre mim. – É que meu estômago ainda não está muito bem. – expliquei, ele apenas assentiu.
- Eu vou querer dois X-Salada e uma porção grande de batata frita e um suco de laranja. – ele disse sorrindo amigavelmente.
- Tudo bem, essa é a sua senha. – dizendo isso ela deu uma ultima olhada para Zayn e logo se virou, deixando um pequeno papel com os números “148” sobre a mesa.
- Nossa ela quase te engoliu pelos olhos. – disse brincando.
- Ah para! Você está exagerando, ela só estava sendo simpática. – ele disse dando um tapinha no ar muito gay.
- Ah sim ela estava sendo muito simpática, tipo: Eu não estou no cardápio, mas você quer me comer? – disse fazendo uma voz mais fina que o fez gargalhar.
- Eu não queria voltar no assunto, mas é que me chamou atenção e eu realmente preciso falar. – ele disse ficando sério, apenas assenti com a cabeça para que ele continuasse. – Na hora que você estava me expulsando do banheiro, você não estava falando em inglês.
- O que? – perguntei confusa.
- Você estava falando em português, e eu fiquei tentando entender o que era... – ele disse rindo.
- Ah sim! Eu nem havia percebido. – disse sem graça.
- Desculpa por ter tocado no assunto.
- Não foi nada e eu tenho que te agradecer por ter me levado para o hospital. – disse pegando o papel e passando ele entre os dedos.
- Eu já te disse você agradece demais. – ele disse brincando. – Eu vou ao banheiro já volto.
- Okay. – ele se levantou e foi para perto do balcão. Antes mesmo de ele voltar do balcão a senha apitou e eu levantei com o papel em mãos para buscar.
- O que foi? – ele perguntou quando eu cheguei. – Você tá passando mal? – ele emendou antes que eu pudesse dizer alguma coisa, aquela preocupação dele me fez rir.
- Não, claro que não! Vim pegar os pedidos. – disse balançando o papel com a senha. – E você o que tá fazendo aqui ainda, não ia ao banheiro? Ah já sei você tá pedindo o telefone daquela menina que nos atendeu? – perguntei arqueando uma sobrancelha.
- Não, eu vim... – ele parou abrindo um sorriso malicioso. – Ah você ficou com ciúmes? Que bonitinha. – disse apertando minhas bochechas.
- Não eu... – eu não estou com ciúmes dele. - Ah vai mijar Zayn. – disse virando e indo pegar os pedidos.
Depois que peguei o pedido voltei para a mesa.
- Você tá sozinha moça? – perguntou um garoto – ue se não me engano estava algumas mesas á frente – se sentando, no lugar onde estava Zayn. Ele parecia ter a minha idade, tinha os olhos azuis, cabelos pretos e um sorriso bonitinho, ele tirou o cabelo de cima do olho e se aproximou mais de mim.
- Na verdade eu estou acompanhada. – disse sorrindo amigavelmente, era bom sentir que alguém se interessava por mim, mas eu estava com Zayn.
- Demorei muito amor? – perguntou Zayn atrás de mim e eu vi o garoto a minha frente o enfrentar com os olhos.
- O que? – perguntei assustada alternando os olhares entre o garoto a minha frente e Zayn.
- Perguntei se demorei muito? – ele disse puxando a cadeira da mesa do lado e se sentando ao bem mais parte de mim. Logo ele passou o braço direito sobre meu ombro e me deu um beijo no rosto. E eu fiquei perdida.
- Eu não sabia que ele era seu namorado. – o garoto disse se levantando. – Me desculpe se atrapalhei. – ele saiu tropeçando.
- Qual é o seu problema? – perguntei tirando o braço dele de meus ombros e me virando para encara-lo, que estava com uma expressão divertida.
- Não tenho problema algum! – ele disse mais divertido ainda. – Vou comer estou morrendo de fome. – disse pulando para a cadeira a minha frente.
- Ah Zayn qual é dude? Ele é tipo o único cara que fala comigo em meses e você espante ele? – perguntei revoltada, mas mantendo a voz baixa.
- E eu sou o que ? – ele perguntou parando de encarar o lanche. – Uma moça? – perguntou com a voz afetada.
- Você sabe o que eu quis dizer! Poxa, às vezes eu me acho um E.T. quando todas as minhas amigas têm alguém, menos eu e quando eu tenho alguma chance você estraga. – disse fazendo bico.
- Me desculpe ! Agora come logo seu lanche.
- Eu não vou comer, foi você quem pediu! – disse cruzando os braços como uma criança.
- , não vem com essa de não estar com fome, ou não estar muito bem, comigo não rola baby! – ele disse empurrando o lanche em minha direção. - É sério! Eu posso vomitar a qualquer momento, meu estômago não está muito bom Zayn. – disse fazendo careta.
- Não quero saber! Como logo, se você vomitar eles limpam e eu te dou outro lanche. – ele disse mandão.
- Eu vou ligar para o meu pai avisando que vou demorar um pouco okay?! – ele apenas assentiu e eu fui para perto dos banheiros.
- Pai?
- Porque você ainda não chegou? – perguntou sério.
- É que eu estava com fome e pedi pro Zayn me trazer em uma lanchonete, mas depois que terminar de comer eu vou para casa, tudo bem? – perguntei com a voz mais doce que eu podia.
- Ah você está comendo? Mas ele vai te trazer depois não vai?
- Vai pai, ele vai me levar.
- Ah então tudo bem, só não quero você andando sozinha por ai...
- Tudo bem pai.
- Você está com a sua chave?
- ‘Tô sim.
- Se cuida.
- Tchau.
Voltei logo em seguida para a mesa, Zayn ainda estava comendo o lanche e bebericando o suco.
- E ai? – perguntou assim que eu cheguei.
- E ai o que? – perguntei me fazendo de desentendida.
- O seu pai...
- Ele disse que tudo bem. Só não me quer andando por ai sozinha. – disse bebendo o meu suco.
- Mmmm. Agora você já pode comer!
- Mas... – ele me cortou, eu estava com raiva dele já.
- , por favor, come só a metade.
Eu estava com medo de comer, com medo de comer e não conseguir me controlar, eu tinha medo de voltar a ser a grande ...
- Tudo bem. – disse pegando o lanche assim que dei a primeira mordida mastiguei lentamente, Zayn acompanhava aquilo como se fosse a melhor coisa do mundo, eu fiquei constrangida com aquilo, desviei meu olhar para a mesa e peguei o suco.
Estava pronta para dar outra mordida quando meu celular vibrou em cima da mesa.
- .
- Oi . – disse virando um pouco o corpo para não encara Zayn.
- Ai graças a Deus, estou tentando falar com você a um tempão... – disse aliviada.
- Desculpa, eu esqueci o celular na casa do Zayn. – disse virando para ele e sorrindo.
- Tudo bem, mas você já está bem? A senhora Malik me disse que você estava no hospital. – sua voz oscilava entre o preocupado e impaciência.
- Eu estou bem sim, foi só uma queda de pressão. – disse enquanto batuca os dedos na mesa.
- Deve ser porque você não come direito e... – cortei ela.
- Tudo bem mamãe, já sei. – disse bufando. – Nós podemos ir no shopping amanhã?
- Ah não se preocupe, eu já comprei o seu vestido. – ela disse animada. – Ai ele é lindo você vai adorar.
- Como assim já comprou? E se ele não servir?
- Relaxa! Você vai amar ele. – depois que ela disse ouvi uma porta se batendo.
- Tudo bem, amanhã eu te dou o dinheiro então. – disse rolando os olhos, outra porta se batendo. – Tá tudo bem ai ?
- Não precisa do dinheiro, ai depois eu te ligo okay?! Tenho umas coisas para resolver. – e depois disso ela desligou sem nem me dar tchau.
- Tão bem educada. – disse colocando o celular novamente na mesa. – Zayn já esta tarde será que você pode me levar para casa perguntei depois de tomar um gole do suco.
- Vamos só vou pagar. – ele disse se levantando. – Se quiser ir indo para o carro. – ele disse estendendo a chave.
- Não! Eu te espero. – levantei e fui saindo na frente dele, antes que eu pudesse dar mais um passo, ele me puxou e entrelaçou nossas mãos. Olhei confusa para elas.
- Temos que manter as aparências amor.
Eu apenas sorri e acompanhei-o.
Viemos o caminho conversando sobre como era à vida dele antes de Londres, ele me disse que queria fazer Engenharia Civil depois que terminasse o colegial, disse que sempre foi muito apegado ao pai dele, mas com esse novo serviço dele eles quase não se viam mais, e que sentia falta de como eram quando mais novo, disso que não se arrepende de ter vindo para Londres, porque ele realmente havia feito amigos que ele podia conversar na boa, e que onde ele morava antes era tudo um pouco mais difícil por ser uma cidade pequena, ou seja, tudo que acontecia todos ficavam sabendo.
Quando eu estava prestes a descer ele simplesmente se virou e me beijou.
Os lábios dele eram macios e quentes, sua língua quente passou sobre os meus lábios calmamente e eu sem pensar duas vezes dei passagem para que ela explorasse o interior da minha boca, seu beijo não tinha pressa, era calmo, quente, bom, era o melhor beijo que eu já havia recebido, sua mão acariciou minha bochecha e desceu lentamente para minha nuca, deixando um rastro formigante para trás, uma de minhas mãos foram parar na sua nuca se entrelaçando com os eu cabelo, a outra foi para o sei peito e o trouxe para mais perto, a outra mão dele enlaçou minha cintura e em uma manobra que eu não entendi, eu já estava sobre suas pernas, ele mordia levemente meu lábio inferior, e às vezes o puxava entre o beijo, sua mão que estava na minha nuca fazia um carinho que me arrepiava, e quando o ar foi necessário ele desceu um caminho de beijos molhados até meu queixo e depois foi para a minha orelha, mordendo meu lóbulo e o puxando delicadamente, enquanto eu tentava respirar normalmente, mas obviamente com ele brincando com o meu pescoço foi impossível. Eu não sabia o que eu estava fazendo... Eu nunca tinha me sentindo daquele jeito, nunca havia perdido tanto a noção de onde eu estava, e com quem eu estava.
Droga, droga, droga, mil vezes droga. O que eu estava fazendo ele era o namorado da minha irmã como eu pude ser tão baixa?
O mais rápido que eu pude eu pulei do colo dele, que me olhava sem entender nada, desci do carro e corri para casa tateando os bolsos a procura da minha chave. Percebi que havia deixado à mochila no carro, virei o rosto e ele ainda estava parado em frente a minha casa, não sabia como voltaria lá e pediria minha bolsa, não podia voltar, mas também não podia ficar para fora, meus olhos estavam enchendo de lágrimas e, eu não podia mais esperar, respirei fundo e caminhei o mais calmamente que pude até o carro.
Bati levemente no vidro e logo ele se abaixou. Zayn parecia aborrecido agora.
- Eu esqueci minha mochila. – disse sem graça.
- Nós podemos conversar? – ele disse mais calmo do que aparentava.
- Acho que não é necessário. Nós não precisamos ficar relembrando um erro. – disse o mais fria que pude.
- Por favor, não vamos falar nada que você não queira. – ele perguntou com uma expressão cansada, pudera não é já devia beirar uma hora.
- Você não quer deixar para outro dia? Quem sabe amanhã?
- Por favor, já ‘tô aqui. Só entra no carro tá legal. – ele disse abrindo a porta, ignorando tudo que eu havia falado.
- Tudo bem... – disse entrando. Ele ligou o carro e logo estávamos em movimento. – Onde estamos indo?
- Ah nenhum lugar especifico, só queria sair da frente da sua casa. – ele disse desviando os olhos da estrada. – Você quer ir a algum lugar?
- Não, eu confio em você. – disse tudo um pouco rápido, e me arrependi de ter dito aquilo, quando vi um sorriso brincar em seu rosto.
Nós ficamos em silêncio até ele parar no Hide Park. Ele desceu do carro e abriu a porta para eu, nós caminhamos alguns metros em silêncio até ele começar a falar.
- Eu e sua irmã... – ele disse olhando para mim. – Nós meio que damos um tempo. – ele disse colocando as mãos no bolso da calça e se inclinando um pouco para frente para se equilibrar. Aquilo me fez se sentir melhor, mas logo depois pior que tipo de irmã eu era que gostava quando ela terminasse com o namorado que ela gosta. Já sei: o tipo de irmã que fura o olho e depois se arrepende.
- Mas vocês ainda não terminaram oficialmente. – disse me encolhendo. Apesar de estarmos beirando o verão, o vento frio da noite me dava calafrios.
- Mas ela já está em outra. – ele disse como se aquilo não o atingisse.
- Como assim em outra? – perguntei.
- Ela meio que ‘tá com o Louis, você não sabia? – perguntou arqueando uma sobrancelha. Apenas neguei com a cabeça. – Você é muito distraída . Eles estão juntos desde antes de você chegar.
- E você sabia? – perguntei assustada.
- Sabia. – ele disse normal.
- Mas porque você continuou com ela? – perguntei parando e andar, um casal que estava à cerca cinco metros de nós se agarravam encostados em uma enorme arvore, e ainda não havia percebido nossa presença. – Ai meu deus, você gosta tanto dela assim. – tudo fazia sentido, ele não queria terminar com ela porque era apaixonado por ela, e como ela havia o traído com o melhor amigo quis dar o troco, traindo ela comigo, ele havia me usado o tempo todo... – Você estava só me usando? – perguntei com a voz trêmula.
Eu me sentia pesada mais do que o normal, sentia que a qualquer momento as lágrimas poderia descer pelo meu rosto, meus olhos já ardiam, o vento ricocheteava os meus cabelos sobre meu rosto, o fazendo embaraçar mais ainda. Eu havia sido usada.
- Não! – ele disse desesperado. – Não, eu não estaria com ela atá agora se não estivesse fazendo a mesma coisa com ela.
- Para de menti pra mim. – disse um pouco mais alto. – Você ‘tava se aproximando de mim, para poder dar o troco nela, por ter ficado com o seu amigo. – cuspi as palavras e sai andando a mais rápido que eu podia na direção contraria dele.
- Porra garota será que você pode me escutar? – ele disse apertando meu braço. – Eu não estava te usando okay?! Eu só te beijei porque era algo que eu queria desde o primeiro dia que você chegou aqui...
- Para de me iludir Zayn. – disse com a voz chorosa.
- Não estou te iludindo. – disse me virando para encará-lo nos olhos. – Eu ‘tô falando a verdade, eu queria fazer aquilo desde o dia em que você chegou aqui, e a cada dia que você me evitava, mais eu corria atrás, não foi só atração física que eu senti por você, eu queria ser seu amigo, eu queria te ajudar, eu queria te curar. – ele disse a última parte com a voz mais fraca. – Antes de me mudar para cá, eu tinha uma melhor amiga, sempre que nós saímos ela se negava a comer inventava alguma desculpa, mas nunca comia, você me lembrou ela quando eu te conheci, mesmo sempre sorrindo nunca era verdadeiro... – ele parou para respirar eu estava tentando conter as lágrimas, mas era impossível. – Ela tinha as mesmas marcas que você, - ele disse dando uma risada sarcástica. – E dizia também que havia sido o gato dela, até que um dia ela passou muito mal. A mãe dela já desconfiada que ela tinha problemas com o corpo, levou ela a um psicólogo, e pediu para que eu ficasse de olho nela, quando estivéssemos juntos. No começo ela foi ao psicólogo e quando foi descoberto o que ela tinha, ela se negou a voltar lá. Eu queria colocar ela em uma clínica, mas ninguém me ouvia, a mãe dela ficou com medo que todos na cidade soubessem, e então decidiu tentar novamente. Na cidade onde eu morava tinha sempre alguém que fazia alguma festa muito grande e chamava a cidade inteira, e ano passado foi a vez da mãe dela fazer essa festa. – ele me abraçou e colocou a cabeça na curva do meu pescoço, me fazendo arrepiar, depois de algum tempo ele pegou em minha mão e me levou até um banco próximo a nós. – Eu estava com ela durante a festa inteira, ela estava linda, sorria a todos e parecia melhor, quando a festa acabou e eu fui embora ela disse que iria me ligar na manhã seguinte para combinarmos nossas férias, só que ela... – os olhos dele estavam marejados, e ele apertava minha mão.
- Zayn... – chamei acariciando o rosto dele com as costas da mão. – Não precisa continuar. – disse tentando transparecer calma, mas a verdade era que eu estava me dilacerando por dentro, cada pedaço do meu corpo estava se sentindo horrível.
- Eu quero continuar. – ele disse com a voz um pouco mais forte. Eu não via mais o casal se agarrando, eles pareciam ter ido embora e agora só alguns carros passavam correndo por nós, estávamos sozinhos, a lua brilhava enorme lá no céu nós iluminando, as postes deixavam tudo aquilo lindo, e as luzes da cidade me faziam lembrar aqueles filmes de romance quando a mocinha estava feliz com o mocinho passeando pelo parque, mas não estávamos em um filme e a realidade era bem pior do que qualquer romance americano onde o casal feliz e apaixonado ficava separado praticamente o filme todo. – A mãe dela a encontrou naquela noite mesmo comendo na cozinha escondido. Ela ficou super feliz por ver a filha comendo por ver que ela já estava melhor, mas na manhã seguinte ela foi encontrada pelo irmão trancada dentro do banheiro com uma poça de sangue em baixo do pulso, e já era tarde de mais.
Eu não sabia o que dizer e muito menos o que fazer, fiquei sem reação, mesmo já imaginando o que aconteceria no fim, eu não esperava o ver daquela maneira, ele parecia tão cansado, arrependido, infeliz, ele estava acabado.
- Eu não quero passar por isso de novo . – ele disse me abraçando firme, minhas lágrimas molhavam a camiseta dele, e a cada soluço meu, ele me apertava mais contra ele.
- Você não vai passar por isso Zayn, eu tenho tudo sobre o controle. – disse com dificuldade por estar chorando.
- Então o que foi aquilo lá em casa? – ele perguntou me soltando. – Você não tem porque continuar com isso...
- Por favor, Zayn... – pedi suplicante.
- Você é perfeita, ! Não precisa fazer isso com você, não precisa fazer isso com seus amigos, você não imagina como foi horrível pra eu perder a Ivy, e agora... Eu não posso deixar você acabar com a sua vida sem tentar fazer você mudar de ideia.
Eu apenas encarei as luzes acima de nós sem dizer nada.
- Eu gosto demais de você pra te deixar ir embora. – e dizendo isso ele me beijou novamente, mas agora era um beijo cheio de medo, de duvidas, de esperanças... Ele massageava minha nuca, com a ponta dos dedos, e mais uma vez ele desceu uma mão até minha cintura me puxando para seu colo, e me deixando desnorteada com o cheiro do seu corpo. Minhas mãos bagunçavam seus cabelos, enquanto a outra estava sobre sua face, ele terminou o beijo com selinhos demorados, e quando eu fui sair do seu colo, envergonhada, ele me apertou mais forte contra seu corpo e ficou fitando os meus olhos, fazendo minhas bochechas queimarem.
- Não vou deixar você ir. – ele disse e beijando meu queixo.
- E quem te disse que eu quero ir? – perguntei o fitando o peito dele, envergonhada.
- É só que você sempre foge de mim. – ele disse me dando mais um beijo no queixo.
Nós ficamos ali por um bom tempo compartilhando beijos e silêncio, até que a mãe dele ligou para ele preocupada.
Ele me deixou em casa com alguns beijos, e logo foi embora. Entrei em casa tentando fazer o mínimo de barulho, corri para o meu quarto e fui tomar um banho quente para conseguir dormir.

Capítulo. 09

É claro que eu cheguei atrasada no colégio hoje, meu cabelo parecia um ninho depois do tanto que eu corri, ninguém quis me esperar, nem Ashley, que sempre estava atrasada hoje decidiu ir no horário e me largar para trás. Entrei no segundo tempo e para minha infelicidade era física, a minha professora me odiava desde que me pegou colando da Giovana e o resultado foi nós duas tirarmos zero naquela prova. Até hoje me sinto culpada pela Gi, poxa ela só estava me passando à prova, não precisava ter tirado zero.
Na hora do almoço eu decidi ir a biblioteca para poder estudar um pouco e talvez achar um bom livro, mas a verdade era que eu estava com medo de como seria meu encontro com Zayn, eu não saberia o que fazer e provavelmente ficaria muito tensa.
– O que você faz aqui? – perguntou Liam, quando nos encontramos em um dos corredores.
– Nossa Liam, não sabia que você sabia ler. – disse fingindo surpresa.
– Haha, engraçadinha. Eu sou um garoto muito culto. – ele disse sério, mas depois começou a rir.
– Você é um garoto muito gay isso sim.
– Vou te mostrar quem é o gay. – ele disse me empurrando contra a parede. Confesso que fiquei assustada, e já estava pronta para chutar as bolas dele, quando ele começou a rir escandalosamente. – Você tinha que ter visto a sua cara . Foi impagável. – ele disse batendo palminhas.
– Já que você já riu de mim, eu posso procurar um livro Liam? – perguntei com cara de poucos amigos.
– Credo! Não precisa fazer essa carranca. Eu só estava brincando. Eu sou todo da ... – ele disse e logo depois se arrependeu.
– Como assim da ? – perguntei parando abruptamente.
– Nada, eu acho que você confundiu alguma coisa, eu não disse . – ele disse gaguejando.
– Não acredito que aquela monstra não me disse nada, ai eu vou matar ela... – disse enquanto saia apressada da biblioteca.
! – Liam gritou, mas eu o ignorei.
Não precisei procurar muito , como sempre estavam todos no refeitório, na mesma mesa de sempre.
– Nós podemos conversar ? – perguntei assim que cheguei na mesa.
– Bom dia pra você também . – disse Niall.
– Bom dia. – me virei para a mesa e me arrependi de ter virado. Zayn estava me fitando firmemente, eu senti minhas pernas bambearem, no momento em que ele sorriu, não precisa falar eu sei que é muito Bella e Edward, mas foi realmente o que eu senti e quando percebi já estava sorrindo para ele de volta.
Ashley estava entre Louis e Harry, ele sorriram para mim e depois continuaram discutindo algo, estava na ponta ao lado do Louis e Zayn e Niall do outro lado da mesa.
– Tem que ser agora? Eu nem terminei de comer ainda. – ela pediu fazendo biquinho.
– Então quando você terminar nós nos falamos. – disse me sentando ao lado do Zayn.
– Eu te trouxe uma coisa. – ele disse baixou, mas ouviu e ficou prestando atenção. Ele tirou algumas coisas da bolsa, ate que achou algo embrulhado em um guardanapo dentro de um pacote plástico transparente.
Ele chacoalhou aquilo que parecia ser uma laranja, no ar e logo me entregou, fiquei sem entender muito bem, mas abri e descobri que não era uma laranja e sim uma tangerina.
– Mmm. Legal uma tangerina. – disse olhando ela.
– Não despreza ela. Sabia que uma tangerina tem cerca de cinquenta calorias? – ele disse como se fosse ele que houvesse descoberto o mundo.
– Eu acho que já havia ouvido falar. – menti, eu tinha praticamente uma tabela em minha cabeça de quanto tudo tinha de calorias.
– E então... – ele disse esperando que eu continuasse.
– Hm. Obrigada? – perguntei em duvida.
– Já disse que você agradece demais. – eu apenas rolei os olhos. – Você é muito lerdinha... Eu trouxe pra você comer!
– Mas eu...
– Come logo . – ele me cortou sério. – Nós já conversamos. – ele disse mais baixo só pra eu ouvir.
– Tudo bem. – engoli em seco.
Descasquei lentamente a tangerina e peguei um dos gomos e o levei até a boca.
– Lembra que na casa do Luan tinha um pé de tangerina e nós pulávamos o muro pra pegar? – perguntou Ashley quebrando o silêncio.
– Lembro também que em uma dessas vezes eu cai do muro e quebrei o braço. – disse lembrando-se do incidente, tive que ficar um mês e meio com gesso e meu braço ainda ficou um pouco torto.
– Eu não tinha culpa se você era uma bola de gorda e seu peso foi todo para o braço, e ,aliás, o muro não tinha nem um metro e meio. – ela disse rindo e todos na mesa exceto eu e Zayn não rimos – eu achei muito fofinha a reação dele – mas eu senti um aperto na boca do estômago e Mia me chamou para o mundo real.
– Eu preciso ir ao banheiro, já volto. – disse levantando e correndo para o banheiro.
Não tive coragem de me ajoelhar como sempre fazia no banheiro de casa – aquele era muito nojento – fiquei em posição fetal, respirei fundo, fiquei ereta novamente entrelacei minhas mãos na altura do estomago e com toda a minha força puxei minhas mãos contra o estomago – como uma espécie de muro – repeti mais duas vezes o processo e logo apoiei as mãos na parede fria e impulsionei o corpo para frente, sentido o gosto horrível subir ate a minha boca, respirei fundo, fiquei ereta novamente, e fiz novamente o processo, terminado de jogar tudo para fora. Quando terminei minhas mãos tremiam, minha testa suava e meus olhos lagrimejavam. Sai do gabinete devagar e com medo de ter alguém no banheiro e joguei uma água no rosto e na nuca, lavei a boca e busquei uma bala no meu bolso. Prendi meu cabelo em um coque e me olhei no espelho, eu novamente havia feito.
“Você sempre volta, você é minha.”
Quando sai do banheiro encontrei com o Zayn, me esperando.
– Você está bem? – perguntou me fitando. – Parece um pouco pálida. – ele disse segurando meu rosto.
– Impressão sua. – disse desviando o olhar.
– Você ficou assim pelo que a Ashley te disse não foi?
– Não! Eu só tive que vir ao banheiro.
– Você não sabe mentir para mim. – ele disse e me roubou um selinho.
– Você está louco? Alguém pode ver. – disse dando um tapa no braço dele, mas ao mesmo tempo rindo.
– Então vamos em algum lugar onde ninguém possa ver. – ele disse me puxando até alguma sala, que eu não consegui ver do que era. – É só até eu me resolver com a Ash, depois eu mesmo saio gritando por ai, que você é minha. – ele disse risonho.
Aquela frase me fez parar abruptamente, ele me olhou como se não tivesse entendido e eu pude ouvir a risada alta e escandalosa da Mia.
– O que foi?
– Nada, é que eu pensei ter ouvido algo. – disse balançando a cabeça como se quisesse esquecer o que era.
– Mmm. – ele murmurou já com a boca no meu pescoço, me fazendo arrepiar.
Ele me empurrou para a parede e começou a devorar meu pescoço, logo foi subindo a boca até a minha, mas não chegou a me beijar, só ficou mordendo meu lábio e me deixando mais louca ainda, uma das mãos dele desceu até um pouco abaixo da minha cintura quase chegando em meu quadril, ele colocou a mão dentro da minha camiseta e eu arrepiei inteira com a sua mão gélida em minhas costas quente, ele continuava brincando com meus lábios até que não aguentei mais e ataquei aquela boca carnuda, joguei os braços por cima dos ombros dele e enquanto pegava no cabelo dele com uma mão o outra eu arranhava a nuca dele bem devagar. Ele tirou a mão de dentro da minha blusa e desceu ela para meu quadril, instantaneamente eu ri e dei um tapa fraco na cabeça dele, ele riu e desceu a mão para minha coxa e a subiu para a cintura dele e continuo com a mão na parte interna da minha coxa, logo a outra mão dele que estava em minha cintura foi para a outra coxa me dando impulso para ficar pendurada nele, enlacei minhas pernas em sua cintura e arranhei mais forte as costas dele, uma das mãos dele subiu novamente e foi levantando um pouco da minha camiseta deixando minha cintura descoberta, ele apertou minha cintura e me carregou até uma mesa próxima e me sentou lá minhas pernas continuavam enlaçadas em sua cintura. Nosso beijo hoje não era nada calmo, era totalmente ao contrario, ele era puro luxuria e desejo, minha perna cansou e desceu me fazendo ficar com uma das pernas entre as dele. A mão dele que estava nas minhas costas foi para minha barriga e sem que eu percebesse o botão da minha calça jeans já estava aberto e a mão dele estava deslizando para dentro dela, antes que eu pudesse fazer qualquer coisa ele já estava me estimulando por cima da calcinha, minha respiração que antes já estava descompassada, agora já estava assustadora. Ele percebeu que eu ainda estava sem reação e arrastou boca até o meu ouvido mordendo de leve meu lóbulo. Logo depois ele desceu os lábios para o meu pescoço dando leves mordidas, sua mão saiu de dentro da minha calça e apertou firme minha cintura, me fazendo soltar um gemido baixo, senti ele sorrir e logo decidi que era a minha vez. Puxei seus cabelos para trás e pude ter uma visão perfeita – apesar do escuro da sala – de seu pescoço, colei minha boca alternando entre chupões e leves mordidas, ele acariciava minha cintura e costas. Subi meus lábios para os dele, mordendo os e puxando rindo um pouco ao ver a expressão de prazer em seus olhos. Nós estávamos nos beijando fervorosamente quando o sino bateu me fazendo pular da mesa, e fechar o botão do meu jeans, apresada. Ele ficou tampando a minha passagem e me encarando com uma expressão divertida.
– Nós temos que ir. – disse tentando manter uma respiração calma e o empurrando para sair.
– Só se você for de carona comigo hoje. – disse ele cruzando os braços.
– Tudo bem, mas eu tenho que ir logo. – disse passando por ele e caminhando até a porta enquanto tentava desamassar a roupa e arrumar o cabelo.
– Ei, você não vai me dar nenhum beijo? – perguntou parando na minha frente, virei os olhos e dei um selinho e corri para fora da sala.
Ainda havia muitos alunos no corredor, tentei parecer normal, mas era difícil não sorrir até para o bebedor, eu estava radiante.

Capítulo. 10

Quando o sino de saída soou, já estava me esperando na porta do vestiário feminino.
– Nossa porque ainda não te expulsaram da educação física? Nos últimos vinte minutos que eu passei aqui você ficou só anotando os pontos... – ela parou me arrastando para carro. – Onde você estava quando sumiu hoje no intervalo?
– Ahh! Falando em intervalo eu me lembrei de uma coisa! – mudei de assunto e parei na frente dela. – Por que você não me disse que tava com o Liam? – perguntei colocando as mãos na cintura.
Ela mudou de cor tão instantaneamente que eu achei que ela fosse explodir.
– Eu não tô com o Liam. – a voz dela estava trêmula e ela tentou desviar de mim para entrar no carro.
O estacionamento já estava quase vazio, os únicos carros eram dos professores – caros demais pra que eles pudessem pagar – e o da .
– Não mente pra mim! – entrei mais uma vez na sua frente. – Por que você não me falou nada?
– É tudo muito recente, nós quase não nos falamos mais, acho que quando você estava em York, nós éramos mais próximas do que depois que você voltou... – gesticulou rápido. – Sempre que eu te chamo pra comermos juntas ou só andarmos você tem algo, está sempre trabalhando, estudando, malhando ou lendo, parece que não quer mais sair comigo...
– Não é isso! É que agora tá tudo muito corrido pra mim, eu sou nova nessas coisas de conciliar trabalho com amigos, me desculpe se eu ando um tanto ausente.
– Não é só isso ! Você está estranha, quieta, fechada... – suspirou – Não é mais a mesma que eu conheci antes e isso é ótimo porque agora você é mais independente e você sabe que eu adoro mudanças, mas essa não é aquela que fazia piada de tudo, que ria comigo no intervalo. Você não é mais você!
“Você é minha.”
– Me desculpe. – disse me aproximando dela. – Você tem razão! É só que... – eu devo contar a ela? Devo realmente me abrir e contar tudo para ela? Será que ela vai me ajudar? Ou só vai me julgar e me maltratar? Ela vai fazer o papel de amiga? Ou vai apenas me largar aqui? Será que ela vai me ajudar a subir como a Mia? Será que...? – eu ando um pouco cheia com as meninas, minha cabeça tá sempre doendo e eu e meu pai estamos a cada dia mais distante, nem parece que moramos na mesma casa... – menti.
“Você não precisa dela, tudo que você precisa é de mim!”
– Tudo bem... – suspirou.
– Eu juro que vou tentar estar mais presente. – disse abraçando forte.
– Okay! Mas você vai se arrumar na minha casa para a festa dos meus pais, não é?! – perguntou abrindo a porta do seu Honda Civic preto com os vidros escurecidos [N/Intrometida: Se você achar que um carro como esse estiver te seguindo na rua, corra.] – É claro que vai, seu vestido está lá em casa.
– Você pode me deixar na casa do Zayn? Eu perdi minha carona com ele. – disse entrando no carro.
– Pra quem antes corria dele, você avançou bastante né. – disse rindo e ligando o carro.
Antes que ela pudesse sair com o carro do estacionamento, nossa atenção se voltou rapidamente para as duas batidas na minha janela e quando eu vi o ser que estava ali, um sorriso quase se espalhou pelo meu rosto e eu quase pulei do banco. deve ter percebido que eu estava travada, pois se curvou sobre mim e abriu a janela.
– Oi Zayn! – ela disse monótona.
– Oi . – disse rápido e logo olhou pra mim. – Você vai de carona comigo, o que está fazendo ai? – disse abrindo a porta do carro e pegando a mochila que estava no meu colo.
– É que como eu demorei achei que você já tinha ido. – disse olhando pra boca dele e imaginando como ela estaria melhor agora se estivesse colada a minha pele.
– Eu só estava esperando vocês acabar o DR.
– Você ouviu nossa conversa? – perguntou se esticando para tentar acertar um tapa nele, que se esquivou.
– Não eu só vi de longe. – disse rindo.
se você vai com ele, cai fora do meu bebê. – ela disse me enxotando do carro.
– Nossa eu te amo mais , sua bruta. – pulei do carro.
– Eu sei! Quero você as dezesseis horas na minha casa e sem atrasos.
– Mas a festa só começa as sete, pra que eu vou chegar... – parei pra fazer as contas – Três horas antes?
– Não interessa! Só esteja! E você Zaynzinho, quero você as sete, lindo e cheiroso de terno. – ela disse e saiu com o carro nos deixando para trás com cara de idiota.
– Ela sabe? – disse enquanto estávamos caminhando em direção ao carro.
– Sabe do que?
– De nós...
– E existe um nós? – sorri.
– Talvez ainda não... Mas vai existir.
No caminho para casa nós ligamos o radio e fomos cantando músicas aleatórias sem nos falarmos. Antes de nós descermos, ele roubou um beijo, mas eu logo o cortei e corri para casa. Todas as vezes que eu encontrei com ele dentro da casa, ele dava um jeito de beijar meu pescoço, me abraçar, me dar um selinho ou só me deixar sem ar com a proximidade. Como tinha compromisso, Pattie chegaria mais cedo para ficar com as meninas. Quando ela chegou Zayn estava tomando banho, então eu sai sem vê-lo e peguei um táxi.
A casa da estava mais bonita do que o normal. No jardim da frente havia varias árvores com pequenas luzes por todas elas e o gramado parecia estar com neve, mesmo estando na primavera.
me fez esperar cerca de meia hora até me deixar entrar no banho. Depois secou meu cabelo, alisou, enrolou, prendeu, soltou, prendeu novamente, e sem deixar que eu desse a minha opinião em nada. Quando pedi para ver o vestido, ela me mandou calar a boca e não atrapalhar, depois continuou o processo. Fez minha maquiagem e quando terminou, me fez esperar ela se arrumar. Eu fiquei sentada mexendo nas suas coisas.
– Vem! Vamos colocar os vestidos, já estamos atrasadas! – falou saindo do banheiro apenas de calcinha e sutiã. O corpo dela ela lindo, sem nenhuma gordura, era todo proporcional, seus seios, colo e busto eram todos proporcionais. Ela era linda, e não eu não sou gay. Eu senti inveja por não ter aquele corpo, raiva de mim por não conseguir ser como ela e nojo da grande porca que eu era.
– Uhum, vamos. – fomos em direção ao closet dela. – E se o vestido não servir em mim? O que eu vou fazer?
– Claro que vai servir! Para de noia. – ela me empurrou das portas e pegou dois sacos brancos que continham nossos vestidos.
– Ai deixa eu ver logo! – estava ansiosa. Queria ver como era, mas estava com medo de ficar muito estranha nele, afinal não era tudo que ficava bom em mim, não era tudo que ficava bom no meu corpo.
Quando ela tirou os vestidos do saco pude perceber qual era o meu e qual era o dela. nunca me deixou usar vestidos longos, porque eu já sou pequena e obviamente que ela compraria um vestido curto. Ele era preto, tubinho com alcinhas finas, nas alças haviam paite preto o mesmo que continha em curvas abstratas pelo vestido todo, essas curvas saiam todas de um ponto inicial que era acima do seio direito e passavam por todo o vestido.
O vestido da era longo, com uma abertura em uma das pernas que começava na coxa, era um tecido mole – que eu não conhecia, mas ele parecia ser bem fresco – era frente única e nas costas era todo trançado, ele era azul marinho e a cara da .
– Ele é lindo. – disse pegando o vestido da sua mão.
– Eu tenho um ótimo gosto e eu sabia que você iria adorar. – disse ela convencida, já colocando o seu vestido.
– Mas eu acho que ele não vai entrar.
– Claro que vai! Foi o menor que eu achei.
– Mas...
– Cala a boca e coloca logo a porra do vestido! – mandona.
– Tá bom! Já tô colocando.
Depois que coloquei o vestido me olhei no espelho e me senti bonita, como não me sentia a muito tempo. Eu já havia perdido muito peso, minha cintura já estava bem mais fina, mas eu não estava bem, eu não me sentia bem talvez fosse pela minha obsessão de ver a maioria dos meus ossos aparecendo, como eles realmente devem aparecer, como eles deveriam aparecer se não fosse por toda a gordura que havia no meu corpo.
– Com qual sapato eu vou? – quebrei o silêncio.
– Você que escolhe. – pegou dois scarpins, um preto e um vermelho.
– Vou com o preto. – fui em direção a ela.
– Não você vai com o vermelho! – disse autoritária.
– Mas...
– Eu sabia que você escolheria o preto! E por isso que você não vai! – me deu o scarpin vermelho. – Vai ficar muito simples e o scarpin vai dar um tcham! Agora coloca logo, porque todo mundo já deve estar ai em baixo.
– Nossa você consegue ser pior que minha mãe. – resmunguei, colocando o sapato.
Não me dava bem com saltos... Na verdade achava todos lindos, mas preferia meus tênis! E só usava salto quando minha mãe me obrigava. Ou quando a me obrigava.
Dei mais uma olhada no espelho.
– É eu fiz um ótimo trabalho. – disse ao meu lado. Nós estávamos realmente bonitas. Sorri pro meu reflexo.
– Modesta...
– Eu sei, eu sei! – me puxou para fora do quarto.

Capítulo. 11

Quando estávamos na ponta das escadas, eu vi como tinha gente naquela sala! A maioria das pessoas eu não conhecia, mas todas estavam bem vestidas em seus ternos ou vestidos longos. Foi aí que percebi que eu era a única da festa sem um vestido longo! Quis correr para o quarto e me enrolar numa coberta e não sair de lá nunca mais, mas me deu um beliscão tão forte – que provavelmente tirou um pedaço da minha pele – que me fez desistir de subir.
A festa estava mesmo chata, não tinha visto nenhum dos garotos e só ficava cumprimentando pessoas que nunca tinha visto na vida. Tudo por culpa da que não parava de me arrastar para trás dela. Até que Marta – mãe da – nos mandou para o jardim dos fundos. Eu estava achando que lá só estariam os garçons e o pessoal que estava trabalhando na festa, mas estava completamente enganada.
Onde antes havia uma piscina agora tinha um tablado de madeira transformando em uma pista de dança que alguns adolescentes dançavam, no lugar das espreguiçadeiras estavam grandes mesas redondas, no balcão onde normalmente fica o churrasqueiro, havia um barman com várias bebidas coloridas ao seu redor. A decoração era simples, mas as mudanças eram realmente muitas desde a última vez que eu tinha ido lá.
– Por que não me disse que a festa era aqui?
– Porque se eu tivesse dito, teria que cumprimentar um monte de pessoas cujo a maioria eu não sei o nome e sozinha! – sorriu amarelo.
– Um amor de pessoa você! – disse irônica.
Logo encontramos os meninos e... Eu preciso dizer que eles estavam lindos? Porque se precisar eu digo! Eles estavam muito, mas muito lindos mesmo! Normalmente os meninos ficam estranhos de terno, mas eles estavam magníficos. Zayn estava em um canto olhando a pista de dança e não havia notado a nossa presença ainda. Ele estava muito sexy de terno preto, muito sexy mesmo.
Sentei me ao lado do Harry e peguei seu copo sem ao menos ver o que era e virei.
Uísque.
– Hey! Calma ai pequena... – disse me abraçando de lado. Ele já estava bêbado, isso era percebível pelo grau da sua voz que estava mais rouca e mais lenta do que o normal. Quando ele disse isso todos que não haviam me visto – Zayn e Louis – se viraram para ver com quem ele estava falando. Louis me mandou um sorriso e um aceno de mão, já Zayn se levantou e veio em minha direção abotoando o terno.
– Oi ! Eu tenho que te passar um recado da minha mãe. – disse parado na minha frente. – Mas aqui está muito barulhento, você pode ir comigo lá dentro. – completou. Eu apenas assenti e o segui.
A bunda dele não era muito grande, mas minha mão estava coçando para apertá-la. Eu sei isso não é legal de uma garota dizer.
Quando ele entrou no banheiro, eu olhei para os dois lados para ver se alguém estava vendo o que eu estava prestes a fazer, mas não vi ninguém aparentemente olhando e então entrei.
No momento em que meu corpo entrou totalmente no banheiro, a porta foi fechada num baque e eu fui empurrada pra parede e os lábios dele se colidiram com os meus, sem ao menos me deixar pegar ar antes, mas eu não posso reclamar estava mesmo com vontade de fazer aquilo.
Quando nos separamos eu continuei com os olhos fechados e com a cabeça encostada no peito dele, apenas ouvindo a respiração dele.
– Você não pode usar roupas assim. – Zayn falou depois de um tempo em silêncio.
– Por que não? – me afastei dele um pouco para ver seu rosto.
– Porque você me deixa louco. – cantarolou como se fosse obvio, fazendo carinho na minha cintura. Eu rolei os olhos e voltei a encostar a cabeça no peito dele. – E também não gosto que as pessoas fiquem olhando para suas pernas... – completou baixinho.
– Mas ninguém estava olhando para as minhas pernas. – ri.
– Meu Deus! Você é cega? Não viu o jeito que o Styles te olhou? Ele deixou claro que estava te imaginando sem roupa! – falou novamente como se fosse óbvio.
– Não! Ele não me olhou assim! – falei tentando me lembrar de como ele havia me olhado. – Mas de qualquer maneira ele esta bêbado!
você chama a atenção das pessoas porque você é linda. – acariciou meu rosto. – Você não consegue ver isso, mas você é perfeita.
“Você vai acreditar nisso? Ele já deve ter dito isso para metade da cidade.”
– Acho melhor nós voltarmos, a já deve estar me procurando.
E antes que ele dissesse qualquer coisa, eu fugi novamente.
“Ele com certeza fala isso pra todas, deve se achar o salvador da pátria quando só esta mentindo para todas! Ele deve ser um cafajeste que só esta falando esse tanto de mentiras pra te levar para a cama e depois voltar correndo para sua irmã e isso tudo porque ela é melhor que você. Ela é melhor que você em tudo.”
“Ela é melhor que você em tudo.”

Aquela frase continuou rodando meus pensamentos até que um garçom passou por mim e eu peguei dois copos de uma vez e os virei, não sabia o que era, mas esperava que fosse algo pouco calórico e com muito álcool.
Depois de mais ou menos uns 8 copos de alguma bebida que eu não sabia identificar qual era, comecei a passar mal. Tudo estava rodando, a música não era mais música e sim um terrível ruído que me doía até a alma, eu estava tremendo e senti que tudo o que havia descido, estava voltando. Sai correndo da pista de dança imediatamente, corri para longe da vista de todos e quando percebi que ninguém poderia me ver, coloquei tudo pra fora. Eu vomitei tudo o que tinha ingerido naquele dia, até que não sobrou mais nada pra por pra fora. Foi quando eu suas mãos nas minhas costas.
você tá bem? O que houve? – Zayn perguntou preocupado.
– Eu acho que eu exagerei na bebida...
– Por que você saiu correndo aquela hora? Por que você bebeu tanto a ponto de vomitar tudo isso?
– Agora tá tudo bem – eu disse, sorrindo amarelo.
– Vem, vou te levar a um lugar especial... – disse ele, me dando a mão e me presenteando com seu mais belo sorriso.
– Onde você vai me levar Zayn? – disse, com cara de dúvida.
– Você só vai saber se vir comigo – não resisti.
Nós entramos no carro e ele ligou o rádio, não reconheci a música, talvez eu estivesse um pouco bêbada.
Um tempo depois ele começou a cantar uma música que não reconhecia, ele cantava olhando para mim e sorrindo... Demorei um certo tempo ate conseguir assimilar a letra da música.

I'm telling the world
That I've found a girl
The one I can live for
The one who deserves

Every part in my heart I'm giving out
Every song on my lips I'm singing out
Any fear in my soul I'm letting go
And anyone who ask I'll let them know

She's the one, she's the one
I say it loud
She's the one, she's the one
I say it proud

Eu não tive reação, meu coração estava transbordado de algo que eu não soube descrever! Amor, felicidade, alegria, quem sabe... Mas foi o melhor momento da minha vida. Assim que ele terminou de cantar, beijei e logo ele me cortou. Zayn estacionou o carro e começamos a nos beijar intensamente. O carro estava ficando quente demais para nós dois ele passou para o banco de trás, e eu fui logo depois, assim que cheguei ele me atacou novamente, as mãos dele não paravam um só momento, minhas mãos estavam dentro da camisa dele e quando arranhei-o de leve, senti ele se contrair. Ri com aquilo. Logo uma de suas mãos desceu até minha coxa e foi subindo com o vestido. Naquele momento eu não fiquei com vergonha, eu queria aquilo mais que ninguém. Quando o vestido já estava na metade da minha barriga, não aguentei e tirei-o de uma vez, jogando-o no banco da frente e ficando apenas de lingerie. Zayn beijava minha barriga, me fazendo se arrepiar cada vez mais e logo depois foi subindo seus beijos ate meu pescoço. Enquanto ele fazia caricias enlouquecedoras, desabotoei sua blusa quase desesperadamente, arranhei o seu abdômen lentamente sentindo ele pressionar sua boca ainda mais no meu pescoço. Logo depois ele desabotoou sua calça sem tirar seus lábios do meu pescoço e eu o ajudei a tirar com os pés. Ele agora massageava um dos meus seios enquanto chupava e mordiscava o outro lentamente, hora ou outra ele pressionava sua pélvis contra minha me fazendo arfar. Eu já não conseguia mais controlar os gemidos, ele chupava com tanta força que no outro dia provavelmente iria ficar dolorido, mas eu não ligava pra isso. Ele foi descendo a boca devagar até chegar à minha calcinha, ele parou e me encarou, como se pedisse permissão para continuar e eu tentei sorrir, mas eu estava com vergonha. Sim, vergonha! Era nossa primeira vez juntos e apesar de um pouco bêbada, eu sabia o que eu estava fazendo, sabia com quem eu estava fazendo e eu sabia também que eu queria aquilo mais do que ele... Ele deu um beijo um tanto forte, sobre minha calcinha, me fazendo arquear as costas para senti-lo mais, continuou beijando e lambendo minha intimidade sobre a calcinha, me fazendo se contorcer para tirar a calcinha de uma vez, ele então desceu lentamente minha calcinha e sorriu. Logo depois fez um caminho de beijos molhados desde os meus joelhos ate minhas coxas, ele alternava entre as pernas, e me fazia arfar cada vez mais e mais com a sua demora para chegar ao meu ponto. Quando chegou a minha virilha enrolou, mais um pouco ali arrastando os lábios de um lado para o outro de uma maneira enlouquecedora, me fazendo soltar sons um tanto quanto vergonhosos de minha garganta, ele mais uma vez olhou para mim com os olhos travessos, e então sugou meu clitóris da forma mais inesperada possível, ele não só sugou, ele lábia como se estivesse fazendo um zigue zague, dava leves mordidinhas que me faziam gemer cada vez mais alto, eu me curvava para ter mais contato com sua língua, empurrava a cabeça dele, mais e mais, enquanto ele apertava minhas coxas com as mãos, me fazendo ficar mais louca ainda, e ele foi descendo com a língua até que me penetrou com a língua, me fazendo dar um grito abafado e rouco, ficou por um tempo lá, mas logo depois subiu para o meu clitóris e me penetrou dois dedos inesperadamente, fazia movimentos de vai e vem, enquanto sua língua me sugava, me mordia e lambia, sua barba rala roçava em minhas virilhas, fazendo daquilo um atrativo maior ainda, senti minha vagina apertar os dedos dele dentro de mim, e logo depois uma sensação maravilhosa que eu nunca havia sentido antes me inundou, meus dedos dos pés todos se dobraram de forma prazerosa, meu corpo ia se relaxando as pontas de meus dedos ficaram dormentes, eu poderia morrer agora que morreria feliz. Eu estava ótima.
Mas ele não parou por ali, subiu seus lábios para os meus e me beijou calmamente enquanto tirava sua boxer. Agora era a hora, ele só havia me preparado, para recebê-lo. Eu estava pronta. Pouco a pouco senti nossos membros roçarem, podia sentir minhas unhas cravando em suas costas, mas como ele não reclamou, não me importei, eu sentia a penetração. Ele entocava cada vez mais forte, e aquilo era como se me rasgasse ao meio, mas eu queria aquilo mais que qualquer coisa e estava disposta a aguentar. Sentia suas veias pulsando dentro de mim, sentia minha intimidade toda arder, ele talvez percebeu que não estava sendo prazeroso pra mim e então diminuiu a velocidade das entocadas, e me beijou calmamente no pescoço,murmurou algo no meu ouvido que e não entendi. Não demorou para que toda aquela dor se tornasse em algo minimamente desconfortável e eu começasse a sentir prazer. As entocadas passaram de lentas e suaves para mais rápidas e forte, suas mãos corriam por todo meu corpo. Sentia nossa respiração cada vez mais acelerada, nossos beijos mais intensos e os movimentos mais rápidos. Era pressão demais pra mim e comecei a gemer e dar pequenos gritinhos. Era um prazer tão grande que achei que fosse explodir de felicidade, minhas mãos tremiam, o suor escorria por meu rosto, todos os membros do meu corpo estavam tensos e novamente eu senti todo aquele prazer, só que dessa vez redobrado, meu corpo parecia leve demais. Zayn deve ter percebido que eu estava ao ápice daquele momento e entocou cada vez mais rápido, me fazendo ter um squirt, algo que eu não sabia que eu poderia ter até aquele momento, Zayn ficou um tanto impressionada e não demorou muito para que ele gozasse também. Zayn deitou do meu lado e ficou me fitando, até que o cansaço o atingisse também.

Acordei com Zayn fazer círculos em minha nuca, quando me virei para ele percebi que estava coberta com seu paletó e ele já estava com sua boxer preta de ontem. O cabelo dele estava ligeiramente bagunçado e aquilo o deixava mais sexy que o normal! Era bom vê-lo assim fora da rotina, era o mesmo Zayn que disse que queria cuidar de mim no Hide Park.
– Por que você tá vermelha? – a voz dele estava completamente rouca e me encarava como se pudesse ver minha alma, e só aquilo foi necessário para eu me sentir boba perto dele.
Não respondi apenas escondi meu rosto em seu peito.
– Por que você está com vergonha? – a mão que estava na minha cintura foi para a minha bochecha e ficou fazendo círculos com o dedão.
– Mas eu... – é óbvio que eu estou vermelha e é mais óbvio ainda que eu esteja com vergonha, eu estou semi-nua na frente de um nu, que me viu nua, e ele queria que eu estivesse como? Dançando o hula hula pra ele?
Ele arqueou uma das sobrancelhas esperando uma resposta.
– A pergunta certa seria; o porquê de eu não estar com vergonha, Zayn.
– Vergonha do que ? De ser a garota mais perfeita que eu já fiquei?
“Você e mais a metade de Londres.”
– Okay Zayn, você está inflando meu ego. – falei dando uma pequena risada irônica.
– Só estou falando a verdade pequena.
– Que horas são? – perguntei depois de um tempo em silêncio.
– Meio dia e vinte e quatro. – respondeu despreocupado.
No momento em que ele disse, eu levantei em um pulo e me arrependi redondamente de ter feito aquilo. Minha cabeça rodou e logo uma dor horrível me atingiu. Ótimo, tudo que eu preciso agora é de ressaca.
– Hey calma! – disse ele passando a mão no meu braço. – Você tá bem? – perguntou preocupado.
– Nada que meu analgésico não possa resolver. – falei calma. – Zayn você pode descer do carro pra que eu possa me trocar? – perguntei calma.
– Mas...
– Por favor, Zayn. – o cortei.
Ele resmungou alguma coisa e pegou sua calça, descendo do carro indo em direção a não sei onde. Pra falar a verdade eu não fazia a mínima ideia de onde eu estava. Parecia ser um campo ou algo assim... Não consegui ver direito atrás do vidro.
Achar minhas roupas não foi uma tarefa tão fácil! Ou melhor, achar o meu sutiã não foi fácil, ele estava em baixo do banco do passageiro e colocar a mão ali não é algo tão fácil. Depois de devidamente vestida, passei a procurar de algo que me lembrasse como eu havia chego ao carro do Zayn. A última coisa realmente clara que eu me lembro foi de ouvir a me dar um sermão enorme por ter bebido tanto e não conseguir andar sozinha, e depois eu já estava no banco de trás do carro de Zayn o agarrando, sem nenhum pouco de vergonha na cara.

Capítulo. 12

Como eu tive coragem de deixá-lo me ver nua? Como eu pude deixar ele me ver tão frágil, com todas as cicatrizes, todos os hematomas e principalmente, com toda aquela gordura? Era mais que óbvio que agora eu deveria correr para casa e nunca mais sair de lá.
– Hey! Você está ai? ? – ele estalava os dedos na minha frente e, em questão de segundos, meus olhos entram em foco e eu pude vê-lo. Ele tinha o mesmo sorriso de sempre, mas hoje, parecia cansado.
– Ah... Você pode me deixar em casa? – cuspi as palavras.
– Claro. - Zayn disse abrindo a porta e assumindo seu lugar como motorista. – Você quer passar em algum lugar antes?
– Não, meu pai deve estar preocupado. – falei pulando para o banco da frente.
– Okay.
O caminho todo ele tentou conversar, mas eu apenas dava respostas monossilábicas até que ele desistiu e foi em frente em silêncio.
Enquanto a cidade passava pelos meus olhos, eu pensava em um jeito de fugir das perguntas do James, que com certeza estava puto uma hora dessas.
Quando ele estacionou em frente a minha casa, eu não disse nada e já sai do carro batendo a porta e cortando todas as expectativas que ele tinha de falar comigo.
Quando entrei em casa estava tudo quieto, chamei algumas vezes por James, mas ele não respondeu. Ponto para mim. Fui pro quarto, liguei o rádio no aleatório e fui tomar um a banho bem demorado tentando o máximo possível não lembrar dos momentos com o Zayn - estava mais preocupada forçando a minha memória a se lembrar de como eu fui parar no carro dele. Flashes da noite passada vinham na minha mente, mas nada que me ajudasse a ver quem começou com a sessão de agarramento no carro. Mal me lembrava de como havia ido parar lá! Lembro-me da me empurrando pro Zayn dizendo que eu precisava de ajuda, mas não de como começou tudo.
Talvez eu tivesse falado algo que não devia, mas não conseguia me lembrar e, quanto mais eu tentava, mas minha cabeça doía.
Fui despertada pelo telefone tocando, mas não me importei. Me lavei e resolvi ficar mais um pouco em baixo da água. É claro que ficaria se a budega do telefone parasse de tocar. Nem mesmo I Must Be Dream do The Maine que tocava em uma altura considerável podia abafar o som chato e persistente do telefone na cozinha.
Já estava desligando a ducha quando o telefone parou de tocar, soltei um suspiro e abri novamente o que havia fechado e esperei que a água corresse pelo meu corpo.
Eu me sentia mal por não sentir nada em relação a Ash, pelo menos não sentia naquele momento, talvez o nojo e a vergonha estivesse grande de mais para que eu pudesse ter um momento de arrependimento, ou talvez eu não estivesse arrependida por ter transando com o Zayn.
Eu estava perdida.
Era domingo e eu estava absolutamente sem nada pra fazer, resolvi ir correr e ver se encontrava meu pai, já que a última vez que havia visto ele fora na sexta pela manhã e depois disso não havia mais visto ele.
Depois de colocar uma roupa apropriada para correr, desci e comi uma maçã verde. Não encontrei James pela casa, já estava ficando preocupada, tentei ligar para o celular dele, mas estava dando fora de área. Ele me avisaria se fosse ficar o fim de semana toda fora de casa, não avisaria?!
Antes de sair de casa, deixei um recado – caso ele chegasse e eu não estivesse em casa – falando que havia saído pra correr, mas não demoraria muito.
Estava enrolada na toalha com o sem vida jogado todo de um lado só no meu ombro, meus cabelos não eram nem de longe bonitos – não mais. Eles estavam sem vidas, quebrados e agora, mais do que nunca, caiam toda vez que eu passava a mão. Minha pele estava pálida, nos meus olhos não havia mais brilho, minhas mãos sempre estavam trêmulas e eu praticamente já não tinha mais unhas. Unhas, eu sempre amei minhas unhas compridas e quadradas! Lembro-me da época em que elas estavam sempre perfeitas, eu adorava minhas unhas coloridas e hoje elas estavam todas quebradas ou ruídas... No que eu havia me tornado? Um dia conseguiria ser perfeita? E se eu fracassasse? E se tudo isso fosse em vão?
“Não seja idiota, princesa. Você vai ver, eu e todos vão se orgulhar de você! Irão cair aos seus pés!”
Já eram quase 19 horas e nada do James aparecer. Se antes eu estava preocupada agora eu já estava desesperada. Sem saber o que fazer, corri pra casa da minha mãe, pra ver se ela sabia o paradeiro dele. Anne me atendeu preocupada, talvez minha expressão entregasse que algo estava errado.
– O que foi ? Porque essa cara? – disse dando espaço para eu entrar.
– O James... Eu não o vejo desde de sexta pela manhã, o celular dele só da caixa postal... Ele simplesmente desapareceu, sem deixar nenhum aviso... – disse gesticulando rápido demais.
– Merda. – ela murmurou, agora com uma expressão mais preocupada ainda. – Eu... Eu vou atrás dele e você – disse apontando pra mim – não saia daqui, Ash saiu, quando ela chegar fique com ela e não saia daqui está me entendendo? – disse firme.
Confesso que fiquei um tanto assustada com o jeito que ele estava me tratando... Por que eu não poderia sair dali? Por que eu não poderia ir pra minha casa?
– Por que não posso ir pra casa?
– Por favor, filha. Faz o que eu estou te dizendo. – pediu suplicante. Eu apenas afirmei e fiquei a vendo pegar a bolsa e sair, sem dizer nada.
Eu me joguei no sofá e fiquei zapeando até que achei em um dos canais passando Ela é o Cara. Eu simplesmente amava aquele filme, levantei apaguei a luz e depois me joguei novamente no sofá. Não estava prestando toda atenção no filme, minha cabeça estava cheia demais... Eu estava preocupada com James, estava com medo do que iria acontecer caso eu Ash descobrisse o que houve comigo e o Zayn, estava confusa.
Não percebi que havia cochilado no sofá, na verdade só percebi quando fui acordada por risadinhas que vinham da escada. Sem fazer barulho, levantei o tronco e olhei por cima do ombro, Ash estava agarrada a alguém e eles se beijavam fervorosamente ao mesmo tempo que subiam as escadas entre tropeços. Não consegui identificar quem era o cara, mas me parecia ser conhecido pelo formato dos ombros. Talvez fosse o Louis... Cerca de um minuto depois eu ouvi a porta do quarto bater, e imaginei que eles tivessem entrado no quarto.
Levantei-me lentamente procurando o controle da TV na penumbra da sala, eu queria ir embora, mas eu realmente estava com medo de desobedecer Anne. Era raro ela falar daquele jeito e sempre quando falava era melhor eu obedecer.
Mais risadas ecoaram pela casa e uma curiosidade súbita de saber com quem Ash estava me fez subir as escadas lentamente e colar o meu ouvido contra a porta, como uma vizinha enxerida. Eu sei, aquilo era horrível, mas poxa eu estava curiosa. Não precisei esperar muito para ouvir eles gemendo e logo depois eles começaram a conversar. “Você é perfeita” foi a primeira frase que eu ouvi, eu conhecia aquela voz e não precisava de nenhum esforço para saber de quem era. Mas talvez eu estivesse enganada, afinal ele me disse que eles haviam dado um tempo... Ele não mentiria pra mim, não é?!
Não precisei ter mais duvidas quando ouvi a voz ofegante da Ash dizer: “Eu te amo, Zayn.”
Tudo que eu tive vontade de fazer foi gritar, mas eu simplesmente me virei e desci as escadas o mais silenciosamente possível, não queria que eles desconfiassem que eu ouvi aquilo. Eu abri a porta e fui pra casa devagar, sentindo o vento frio bagunçar meus cabelos. Não iria chorar, não queria chorar, não por ele... Ele não era nada meu, eu não precisava dele, ele só havia atrapalhado minhas dietas, me deixado confusa, me usado e agora ele estava transando com a minha irmã. Que sejam felizes! Mas que sejam felizes na puta que o pariu!
Como eu pude ser tão imbecil pra me iludir por um tanto de palavras ensaiadas que ele diz pra todas? Como eu pude confiar nele? Como eu pude pensar em abandonar Mia por ele?
Minha cabeça estava a mil, mas tudo simplesmente parou quando eu entrei em casa e vi Anne sentada no sofá com as mãos no rosto chorando. Não entendi o que havia acontecido, até ver James jogado no chão da sala...
Eu entrei em desespero e corri pro lado dele o chacoalhando o máximo que minha força permitia, eu queria saber o que havia acontecido, mas estava desesperada demais para tentar pensar um pouco até que as mãos gélidas da Anne me puxaram para cima, e me abraçaram forte.
– Calma ele só está dormindo... – ela disse acariciando meu cabelo.
– O que aconteceu? – perguntei com a voz chorosa sem sair do abraço dela.
– Nada... Está tudo bem. – me apertou mais ainda.
– COMO ESTÁ TUDO BEM? MEU PAI ESTA JOGADO NO MEIO DA SALA E VOCÊ ME DIZ QUE ESTÁ TUDO BEM? – gritei empurrando ela para longe.
Sentei novamente do lado dele e puxei seu rosto para o meu colo e me arrependi de ter feito aquilo, foi como um choque, algo que eu nunca esperaria ver... Não dele...
O nariz dele estava sujo de um pó branco e só idiota não perceberia o que era aquilo. Cocaína.
Então era isso? Meu pai era viciado em cocaína? Aquele que sempre me disse pra ficar longe das drogas, era um drogado? Era por isso que ele sempre agia estranho quando voltava tarde do serviço? Não podia ser, ele era meu pai. Aquilo era normal acontecer com outras pessoas, era normal acontecer com jovens, mas não com alguém como ele. Ele tem um emprego ótimo, tem amigos, tem família...
Agora as lágrimas caiam sem pudor algum, eu não aguentei ficar ali mais. Coloquei calmamente a cabeça dele sobre o chão e me levantei, indo atá a porta. Ouvi Anne me chamar, mas ignorei e continuei andando. Não sabia pra onde ir, estava desorientada, tudo que eu confiava havia sido mentira, tudo que eu acreditava ser bom, era apenas mentira. Minha vida não passava de uma mentira.
Eu já não tinha mais lágrimas, mas a dor tinha aberto um buraco no meu peito e a cada vez que as imagens se passavam pela minha cabeça, parecia que alguém estava me espancando, aquilo era horrível, eu queria morrer. Eu só queria que tudo parasse de doer, ou que em segundos meu despertador soasse dizendo que tudo isso não passou de um terrível pesadelo, que eu teria um bom dia pela frente...
Andei tanto que só percebi que estava realmente cansada quando cheguei no rio Tâmisa. Sentei em algo parecido com um píer e fiquei ali olhando o movimento. Meu celular tocava insistentemente e eu apenas ignorava, não me importava quem estava ligando, eu queria um tempo pra decidir o que fazer da vida... Será que eu poderia voltar pro Brasil? Ou até mesmo para York, não me importava para onde... Só queria que parasse de doer. Eu não sabia o que doía mais: por ter sido tão ingênua e confiado nas palavras do Zayn ou descobrir algo que eu nunca imaginei do meu pai... Com certeza o meu pai, ele sempre fora uma inspiração pra mim e agora, quando eu penso em pai, tudo que me vem a cabeça é um cara drogado.
Eu estava realmente sozinha.
“Você sabe que eu estou aqui não sabe princesa?”
É claro eu só tenho a você Mia.
Eu não queria voltar para casa, então fui pra casa da , que me acolheu mesmo eu não querendo falar o real motivo por estar suja, descabelada e com o rosto inchado de tanto chorar.

Capítulo. 13

Era segunda feira e eu me recusava a ir pro colégio.
- Vamos , por favor, levanta... – ela puxava meus cobertores insistentemente. Eu não estava com sono, só estava cansada. Poderia ficar deitada ali para sempre, não havia conseguido dormir um minuto sequer, não queria ver ninguém. Apenas resmunguei e virei pro lado. – ! Eu não sei o que está acontecendo, mas provavelmente algo com seu pai, ou com sua mãe e talvez com o Zayn, mas você não pode ficar ai pra sempre... Por favor, me fala o que aconteceu...
- Eu transei com o Zayn. – disse rapidamente sem olhar pra ela.
- VOCÊ TÁ TODA DEPRESSIVA PORQUE TRANSOU COM ELE? – ela gritou me assustando. – Caralho foi tão ruim assim? Por favor, me fala que você estava depilada... – disse soltando um risinho. Se eu não estivesse tão confusa poderia ter gargalhado horas pelo comentaria besta dela.
- Ai cala a boca , as coisas são mais complicadas do que isso e é lógico que eu estava. – falei me levantando e prendendo meu cabelo em um coque.
- Me fala o que é complicado ? E se você disser que está com vergonha dele, provavelmente vou te jogar pela janela... – gesticulava rapidamente, me fazendo ficar confusa.
- Não é isso... – eu não sabia se devia contar pra ela, mas ela era a única que podia confiar e desabafar no momento e se eu quisesse ficar um tempo fora de casa, provavelmente ficaria na casa dela, afinal não tinha outro lugar melhor.
- Então o que é criatura? – voltou a se sentar na minha frente novamente.
- É que o Zayn havia me dito que... Ele tinha dito que tinha dado um tempo com a Ashley, mas ontem quando eu estava na casa da minha mãe sozinha, ele e ela chegaram se agarrando, mas eu não sabia que era ele e eles não tinham me visto na sala... Eu estava curiosa pra saber quem Ash estava pegando então eu subi e ouvi eles conversando... – disse dando um sorriso sem graça e logo depois abaixando a cabeça e prestando muita atenção em minhas pernas que estava dobradas como de índio.
- Eu não acredito nisso! Ele é um cretino! Eu nunca deveria ter deixado ele te levar pra casa, eu nunca deveria ter entregado a minha menininha pra ele. – ela estava realmente nervosa, andava de um lado para o outro, sem parar.
- , relaxa... Desse jeito vai abrir um buraco no chão, não é como se eu amasse ele, eu só fiquei chateada por ter confiado nele e também por ter traído a Ash.
- Você tem certeza que não gosta dele ? – perguntou calma. Ela deveria ser bipolar! Não, ela realmente era bipolar.
- Tenho, era só atração física, está tudo sob controle. – estava tudo sob controle... Eu não precisava me desesperar.
- Espera... – ela disse voltando a se sentar na ponta da cama. – Ele sabe que você sabe? – confesso que demorei um pouco pra entender...
- Não, claro que não! Eu sai de lá correndo.
- Ah sim... Mas é sério , você não pode se esconder dele para sempre. – disse acariciando minha mão que estava sobre a colcha da Hannah Montana rosa e branca. Eu murmurei um “Eu sei” – E além do mais, você trabalha na casa dele, cuidando das irmãs dele.
Droga eu havia me esquecido totalmente disso.
- Está tudo bem, eu estou bem... Só um pouco chateada. – sorri mais convincente. – Vamos pro colégio ter um dia de tortura! – disse desanimada.
- Vai tomar um banho enquanto eu pego algo pra você vestir. – disse me empurrando para o banheiro.
Antes de ir pro colégio e eu passamos em casa pra eu pegar minha mochila, mas eu não tive coragem de entrar, então tive que implorar pra para que ela pegasse e depois de quase chorar, ela enfim entrou. disse que aparentemente não tinha ninguém em casa, talvez James tenha saído pro trabalho, ou talvez esteja morrendo de ressaca no quarto. Admito que estava confusa pra caralho, não sabia como lidar com isso, provavelmente se me perguntasse ontem o que eu queria pra ele diria que era pra ele ir pro inferno, mas hoje já estava com a cabeça mais fria e só queria que ele melhorasse ou talvez até mandasse ele pra um clínica de reabilitação, mesmo sabendo que as pessoas iriam falar e muito, já que era o meu pai, o James que todos achavam o pai perfeito, aquele que era liberal na medida certa e que colocaria as filhas na frente de tudo. Eu estava com medo do que iriam pensar dele... Eu estava com medo por ele.
A chegada no colégio não foi nada agradável, já que assim que desci do carro fui agarrada por uma louca – lê-se minha irmã – que quase me sufocou de tanto me apertar e depois começou a me olhar dos pés a cabeça, procurando algum tipo de machucado. Ela tirava a franja da minha testa e checava se eu não estava com febre ou coisa assim e eu apenas repetia “eu estou bem, eu estou bem” enquanto metade das pessoas riam daquela cena ridiculamente fofa que Ashley aprontava.
- Onde você passou a noite? Você comeu? Tem certeza que está bem? Me desculpa! Eu juro que só não fui atrás de você porque a mãe me prendeu e disse que você precisava de um tempo, mas eu queria ir correndo atrás de você... – ela me abraçou novamente. – Eu sinto muito por você ter visto ele daquela forma... – ela disse baixinho no meu ouvido de uma maneira que só eu ouvisse. Eu queria chorar, meus olhos ardiam, mas eu não podia chorar pois o colégio todo nos encarava. – Você não faz ideia de como ele esta mau. – eu não pude mais segurar, apertei mais meus braços puxando ela pra um abraço mais forte e enterrando meu rosto entre os cabelos com cheiro de chocolate dela e simplesmente chorei. Senti que ela estava andando e andei junto com ela cegamente, sem saber pra onde ela estava me levando. Só paramos quando senti minhas costas em algo duro e gelado que parecia ser o carro, tirei meu rosto da curva do pescoço dela e abri rapidamente a porta do carro dela colocando as mãos sobre o meu rosto e deixando as lágrimas escorrerem. Como eu pude ser tão idiota? Como eu pude trair minha irmã? Como eu pude?
- Me desculpe. – disse entre soluços olhando para ela que estava de cócoras na minha frente me olhando atenciosamente. – Me perdoe, por favor, eu não queria... – pedi suplicante. Senti ela me abraçar novamente e acariciar meu cabelo.
- Calma, tá tudo bem, você estava de cabeça quente e de certa forma eu sabia que você iria pra casa da . – eu me sentia horrível, me sentia falsa, suja, eu queria contar, mas estava com medo.
- Ash... – chamei ela bem baixinho. – Ash... Você me perdoaria se eu tivesse feito algo que te machucaria, sabendo o quão arrependida eu estou? – perguntei fungando e secando os olhos.
- O que você fez ? – perguntou preocupada.
- Só responda... – pedi de cabeça baixa, não suportaria olhar nos olhos dela.
- E-eu acho que sim, você é minha irmã... – disse acariciando meu braço de forma protetora. – Você quer me dizer algo?
Eu poderia dizer e acabar com tudo, poderia dizer e esperar que ela me jogasse pra fora do carro dela e depois me atropelasse ou até perder a irmã que era meu único real apoio naquele momento, mas se tudo de ruim viesse de uma vez eu provavelmente ficaria bem daqui alguns dias, não ficaria?! Eu poderia me deitar com a consciência menos pesada e ela poderia me perdoar um dia, certo?! Afinal como ela mesmo disse, nós somos irmãs...
- Ash... Eu – respira, respira – EudormicomoZayn. – disse rápido demais esperando ela absorver o que eu havia dito.
- Você o que? – ela estava vermelha, talvez não tivesse entendido direito, afinal eu disse muito rápido.
- Eu... Eu dormi com o Zayn. – disse de olhos fechados e depois, tudo que eu senti foi meu rosto latejar do lado esquerdo. Mais lágrimas escorriam sem pudor algum pelo meu rosto. Quando abri os olhos, ela não estava mais ali, eu respirei fundo, sai do carro batendo a porta e fui em direção ao banheiro... Mas antes que pudesse chegar lá o sino soou me fazendo apressar os passos.
Não havia visto depois que fui atacada por Ash e muito menos Zayn ou os outros meninos. O banheiro estava vazio – e eu agradeço por isso – lavei meu rosto calmamente e reparei que além das enormes olheiras arroxeadas, haviam cinco dedos vermelhos e inchados marcados no meu rosto. Eu poderia me matar agora mesmo, não iria fazer diferença, seria melhor para mim mesma. Tudo aquilo iria parar de doer, tudo iria se acalmar, pelo menos pra mim. É, eu sei, estava sendo egoísta por não pensar em ninguém além de mim mesma, mas não iria aguentar mais aquilo, eu não queria mais nada, tudo que eu queria era morrer.
Cadê a porra de Deus que dizem que ajuda quando você precisa? Cadê? Por que não me leva de uma vez? Que seja pro inferno, lá deve ser melhor que aqui, qualquer lugar seria melhor que aqui, eu só queria morrer... Era pedir demais? Seria um alívio para todos... Seria alguém a menos pra todos se preocuparem... Eu precisava sair dali, precisava fugir como eu sempre fiz eu nunca fui forte pra aguentar meus erros e muito menos os dos outros, eu deveria sumir, eu queria sumir, pra qualquer lugar... Sem pensar eu simplesmente soquei o espelho que ficava acima da pia com uma força que eu não imaginava que minhas mãos trêmulas um dia fossem ter. Ele se quebrou, a dor dos pedaços de vidro entrando em minha mão não chegava nem aos pés da dor que eu sentia por dentro, aquela dor que parecia corroer cada pedaço de esperança que um dia eu tive, o sangue que eu derramava não era o suficiente pra me fazer ficar assustada – não mais – e mais uma vez eu soquei o espelho fazendo mais pedaços entrarem em minha mão e os que já estavam presos na minha pele, afundarem mais... E sem ter o que fazer eu peguei minha mochila que estava caída no chão próximo aos meus pés e sai de lá fazendo um rastro de sangue e lágrimas por onde passava.
Meus pés me levavam pra um caminho que eu não sabia qual era, só percebi que estava fora do colégio quando quase fui atropelada por um carro qualquer no estacionamento. Com o susto eu havia pulado para trás e tropeçado em qualquer coisa que fez com que minhas pernas fracas demais caíssem. Eu não queria me levantar, talvez se eu me arrastasse até o meio do estacionamento alguém idiota poderia me atropelar e acabar com tudo aquilo. Talvez devesse ficar no chão, que era o meu verdadeiro lugar, junto com vermes e sujeira. Talvez aquele fosse meu verdadeiro lugar. Aquele era meu lugar, no chão.
Não havia porque levantar, eu não tinha mais amigos, nem mesmo Mia estava ali, eu estava sozinha... Eu não sabia quem era, mas estavam me levantando, eu não queria abrir os olhos, eu queria ficar ali ate tudo acabar, queria que meu coração parasse de bater naquele mesmo segundo.
- , pelo amor de Deus, olha pra mim... ? – era o Harry.
Eu abri os olhos lentamente e quase fiquei cega por causa da claridade.
- O que aconteceu ? – ele perguntou preocupado me ajudando a levantar.
- O que está acontecendo aqui? – ouvi uma voz de longe e não precisei olhar para saber que era o Malik.
- Por favor, me tira daqui Harry... – pedi tão baixo que não sabia se ele havia me ouvido.
- Não aconteceu nada Zayn, eu só vou dar uma carona pra , ela não está se sentindo muito bem... – Harry disse entrando na minha frente.
- Pode deixar cara, eu levo ela. – ele disse já mais perto, eu não havia o visto ainda, estava de costas para ele.
- Não, cara vai pra aula, aposto que seu professor ainda te deixa entrar. – Harry disse calmo, enquanto abria a porta do carro pra eu.
- Eu levo ela. – Zayn disse mais sério! Já perto o suficiente pra ver meu rosto inchado. – Que porra é essa no seu rosto ? – ele já parecia descontrolado – Quem fez isso com você ? – disse colocando a mão no meu rosto, o mais rápido que eu pude tirei a mão dele do meu rosto, me esquecendo completamente que ela estava repleta de sangue e vidro.
- Tira as mãos de mim. – disse entre dentes...
- O que aconteceu com você? – ele perguntou segurando forte meu pulso e olhando para a mão ensanguentada – O que você fez? – perguntou puxando meu rosto e vendo os dedos marcados.
- O que eu fiz? – perguntei rindo ironicamente. A essa hora eu só queria culpar alguém por tudo o que estava acontecendo e eu havia achado. Abri a porta do carro com a mão esquerda que estava livre e puxei minha mão da dele, o empurrando para descer do carro do Harry. Harry estava sem entender nada parado ao lado do Zayn. – Eu fui idiota o bastante pra acreditar em você, pra confiar em você. – disse apontando o dedo pra ele.
- Do que você está falando? – ele perguntou confuso.
- Eu estou falando de você e a Ash se comendo ontem no quarto dela – disse calmamente. – Eu estou falando dela dizendo que te ama... – puxei o máximo de ar que eu podia e soltei calmamente. – Eu tô falando da minha irmã sofrendo, eu tenho tanto nojo de você... – Harry que antes estava confuso agora mal respirava de tão paralisado, enquanto Zayn estava com uma expressão de assustado no rosto. – Eu tenho nojo de mim, por ter permitido que tudo acontecesse, por ter acreditado em você! Eu realmente deveria ter ouvido Mia que sempre gritava o quão filho da puta você é!!! Sua mãe deve se arrepender de te ter colocado no mundo, mas eu tenho certeza de que ela é tão boa, que mal consegue ver o quão imbecil é você! Você não merece nem dó, de tão ridículo que é... Inventar toda aquela história de Ivy? A que ponto você chegou... Me fala o que era... Uma aposta? Era uma aposta pegar a vadiazinha aqui?! Era isso que você apostou? – perguntei olhando pro Harry, que continuava parado. – Se era uma aposta parabéns! Você conseguiu. – disse voltando a olhar nos olhos dele que pareciam estar lacrimejando. Mas era um ótimo ator mesmo não é?! Ele iria chorar, era isso? Eu não queria mais olhar pra cara dele mais nenhum minuto, apenas me virei e entre no carro. – Harry, você ainda pode me levar? – perguntei antes de fechar a porta ele apenas acenou que sim com a cabeça e deu a volta no carro. – Ah Malik antes que eu me esqueça, a sua namorada deve estar te procurando por ai, acho melhor você correr dela, se não quiser levar um desses também – disse ironicamente apontando pro meu rosto.
Harry arrancou com o carro e um Malik idiota ficou parado nos vendo ir embora. Eu não prestava atenção no caminho, não prestava atenção no Harry, só pensava em como minha vida iria ser a partir de agora... Eu poderia virar mendiga, ou então ir morar pra sempre com a – ou só até ficar de TPM –, ou então eu iria voltar pra casa fingir que nada daquilo estava acontecendo, que eu nunca tive uma irmã, que a Ash é só a princesa da minha mãe que me odeia. É eu prefiro a última. Não poderia simplesmente abandonar minha mãe e muito menos meu pai. Eu não sabia o que fazer. Despertei do meu transe com Harry me cutucando e com um sorriso nervoso no rosto.
- Nós chegamos, vem! – ele disse descendo do carro e dando uma pequena corrida para abrir a porta pra mim. – Minha tia trabalha aqui, ela pode fazer um curativo ai rapidão e depois eu posso te levar pra casa. – ele disse me guiando até a entrada do hospital. Estava tão alienada que mal pude ler a grande placa com o nome do hospital.
- Ah... Não precisa Harry, eu mesmo posso cuidar disso. – disse olhando pra minha mão. Eu mal sentia a dor, estava tudo amortecido, talvez se me jogasse do alto de um prédio não sentiria a queda.
- Você está louca? Vai ter que dar alguns pontos nisso... – disse fazendo careta para minha mão. – Heey – gritou um enfermeiro. – Eu preciso de ajuda aqui!
Logo eu já estava em uma sala branca enquanto uma mulher dava alguns pontos em um lugar onde o maior pedaço de vidro havia entrado. Todos ficaram surpresos quando eu disse que não queria anestesia, esperava que a dor de ver aquela pinça tirando todos os cacos de dentro da minha mão fosse ajudar, ajudar a dor passar, mas não foi nenhum terço da dor que eu sentia. Harry ficou perto de mim o tempo todo, mesmo eu falando pra ele esperar do lado de fora da sala, já que ele estava meio verde. Talvez fosse o sangue, não sei. Eu tive que implorar para não chamarem os meus pais, não queria que nenhum deles me vessem naquela situação. Os dedos da Ash já haviam sumido do meu rosto, mas a área em que ela acertou ainda doía. Quem sabe um dia ela não me ensine a bater assim? Depois de enfaixarem minha mão e me derem um anti-inflamatório, eu fui liberada.
Harry sabia que eu não estava muito afim de conversar, então ligou o rádio baixinho em uma estação que tocava Beatles praticamente o tempo todo... Nós só nos falamos quando ele perguntou onde eu morava, eu dei as instruções a ele e tudo ficou silencioso novamente. Quando ele parou em frente de casa, eu estava pronta pra descer quando ele me chamou.
- Oi? – perguntei o mais doce que eu pude.
- Sabe, eu ainda te considero minha melhor amiga e espero que você me considere também... – ele parecia estar com vergonha.
- Mas é claro que sim, Harry. – falei sorrindo docemente.
- Se você estiver precisando de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo , seja um saco de maconha ou até um lugar pra morar, eu vou te ajudar. – disse sorrindo abertamente. Não pude não rir daquilo.
- Tudo bem, mas por enquanto eu só quero um abraço. – o abracei sem nem esperar que ele respondesse.
- Aw minha pequena, por que você se meteu em tudo isso? – Harry falou enquanto acariciava minhas costas.
- Eu não sei Harry... Só sei que não tem como mais sair ilesa... – resolvi o soltar antes que começasse a chorar. – Obrigada por tudo, obrigada mesmo! – disse dando um beijo no rosto dele e descendo do carro em seguida.
Não queria entrar em casa, estava com medo do meu pai estar lá. Não estava com medo dele e sim de como eu iria reagir. Toda vez que eu pensava nele vinha a imagem dele ontem a noite. Aquele não era meu pai. Um tanto hesitante entrei em casa, largando a bolsa no hall de entrada e andando cuidadosamente por toda casa... Ele não estava lá.
Ainda era 9 horas da manhã e eu precisava urgentemente me distrair, resolvi entrar no tumblr já que haviam dias desde a última vez que tivera entrado.
Todos os tumblrs da minha dash estavam falando de um tal de ECA, fiquei um pouco confusa sobre o que eles falavam e resolvi procurar no Google. Descobri que era uma mistura de substâncias que queimava rapidamente as calorias. Não pensei em outra coisa além de que eu precisava comprar! Não era difícil, eles vendiam sem receita. Sai de casa correndo atrás das tais substâncias e encontrei na primeira drogaria que eu fui. Quando cheguei em casa, preparei um café forte sem açúcar e tomei com o Franol e a Aspirina, aquilo me deixou tão acelerada que meus dedos se mexiam por conta própria, eu sentia meu coração acelerado e minha pupila dilatada. Sentia que não podia para de maneira alguma, então corri pra sala ligando o home theater na estação mais animada que encontrei e comecei a pular. Não conseguia parar de me mexer, eu estava soada e minhas pernas doíam, mas podia ficar pulando de um lado para o outro o dia todo que não me cansaria.
Já estava na décima sexta ou sétima música, quando senti que meu organismo gritava por descanso, fui parando aos poucos e logo só estava mexendo os quadris enquanto tentava arrumar a cozinha com uma mão só.
As horas foram passando e eu continuava em NF*. Não precisava comer. Comida não me ajudaria em nada, não naquele momento. Já eram cerca de cinco da tarde quando meu estômago roncou, lembrei que eu tinha um maço de cigarro perdido dentre as gavetas da minha cômoda e logo estava eu, procurando como louca o maço de Malboro in Gold, que havia comprado para aqueles momentos. Não gostava de fumar. Pra falar a verdade, o máximo que eu havia fumado minha vida toda foram cinco cigarros. Eles me deixavam relaxada, me faziam sentir leve, mas também me deixavam tonta e com dor de cabeça. Talvez eu não soubesse tragar direito, mas eu não me sentia bem fazendo aquilo. Assim que achei o peguei junto com o isqueiro vermelho simples e fui pro banheiro fechando a porta atrás de mim.
Na segunda traga eu já estava tonta, sentada sobre a tampa do vaso sanitário. Terceira. Tudo rodava mais e mais. Me levantei novamente, eu tinha que aprender a lidar com isso, não podia ficar tonta toda vez que fumava um misero cigarro! Não deu muito certo, já que me senti pior ao levantar. Joguei o excesso de cinzas na pia do banheiro e depois dei uma tragada forte segurando o máximo que eu pude a fumaça em meus pulmões, cerca de cinco segundos depois soltei e tive uma crise de tosse, respirei fundo e dei uma tragada leve, mais uma, e logo depois senti meus dedos esquentares indicando que o cigarro já estava no fim. Levantei me do vaso abri a tampa, joguei a bituca do cigarro lá dentro e dei descarga em seguida acompanhando a bituca ir embora. Estava fraca, liguei o chuveiro no gelado e logo em seguida me despi, já que não conseguia me manter em pé, sem estar apoiada em algo. Assim que a água gelada entrou em contato com a minha pele, eu achei que me sentiria bem, fechei os olhos e deixei a água escorrer por meu corpo. Estava mais tonta ainda, minhas pernas tremiam, o gosto ruim do cigarro em minha boca me incomodava. Sai do box delicadamente e peguei minha escova de dente passando o creme dental nela. Estava cada vez mais fraca, tentava puxar o máximo de ar que eu podia, repetia pra mim mesma: “Você não pode desmaiar, você não pode desistir.” Não tinha força alguma pra escovar os dentes, minhas pernas tremiam cada vez mais, até que minha visão foi ficando turva e tudo que eu pensava era: “Eu não posso desmaiar, não posso ser tão fraca.” Já não via mais nada, estava tudo preto.
Lentamente encostei minha cabeça no revestimento frio sai de dentro do box, cegamente abaixei novamente a tampa do vaso sanitário e me sentei. Minhas pernas continuavam tremendo mesmo depois de estar sentada. Estava com medo de desmaiar, de repente comecei a ter ânsias de vomito e consegui alcançar o chuveiro que ainda estava ligado. Joguei um pouco de água no rosto e na nuca, voltei a me sentar ainda e depois de algum tempo que abri os olhos minha visão não estava perfeita, mas estava vendo que a minha frente havia uma parede branca e isso já era ótimo. Me levantei devagar e desliguei o chuveiro. Depois me enrolei na minha toalha rosa da Barbie, abri a porta e fui em direção a cama, me jogando nela. Fiquei enrolada na toalha até ter certeza que podia levantar e tomar um verdadeiro banho.
Odiava admitir isso, mas estava fugindo do meu pai, da Anne, Ash, Zayn, e até do Harry. Estava com medo de ir trabalhar por ter faltado ontem sem ter dado explicações nenhuma pra Tricia ou para o Yaser – a Safaa me contou o nome do pai dela – Eu estava com medo de me dispensarem, mas seria o melhor pra mim agora. Pelo menos não teria que ficar encarando ele.
Hoje acordei sozinha, sem precisar dos gritos do James ou um despertador. Minha barriga doía como se tivesse um elefante dentro dela, afinal, fazia mais de 36 horas que eu não comia nada e se a situação toda não estivesse tão horrível, estaria distribuindo sorriso até pra calçada, mas o máximo que eu conseguia fazer agora era apertar fortemente a minha barriga e me curvar em posição fetal. Eu sei, isso devia ser bem estranho para quem estivesse me olhando e não eram poucas pessoas afinal eu estava bem na porta do colégio e todos já deviam saber o que aconteceu ontem, já que quando pisei no estacionamento uma onda de cochichos se iniciou. Eu vim andando hoje, acordei o mais cedo que eu pude pra sair de casa antes do James e fiz um café não tão forte quanto o de ontem, já que não queria ficar parecendo o Theodoro do Alvin e os Esquilos depois de beber café. Tomei meu Franol e a Aspirina e sai correndo pro colégio, já que não queria encontrar com ninguém no caminho.
Eu praticamente me arrastei até a sala e me joguei na carteira mais longe o possível dos olhos das pessoas e lá fiquei com a cabeça baixa até o professor bonitinho de literatura entrar e chamar a atenção de todos.
Eu não conseguia prestar atenção na aula, ora estava pensando em uma desculpa plausível para dar aos Malik’s hoje mais tarde ora estava pensando sobre meu pai, as vezes no Zayn e na Ash e as vezes meu cérebro parava de funcionar e eu ficava só vegetando.
Em uma dessas horas em que eu estava vegetando, senti alguém cutucar levemente minha cabeça que estava deitada sobre a carteira.
- ? Você está bem? – perguntou uma garota de grandes olhos castanhos que por um momento me lembraram Zayn – mas os olhos dele brilhavam mais – que eu não consegui lembrar o nome, mas tinha certeza que tinha duas ou três aulas com ela.
- Só estou com um pouco de dor de cabeça não se preocupe. – disse sorrindo o mais docemente que eu pude.
- Se você quiser eu posso copiar a matéria pra você... – ela apontou para minha mão direita enfaixada. – Já que você está impossibilitada, essa matéria vai cair na prova. – ela disse simpática.
- Eu não quero atrapalhar...
- Não, tudo bem, me de seu caderno. – eu dei o caderno a ela com um pouco de vergonha, mal sabia o nome dela e ela estava toda gentil comigo.
Quando o sino do fim da aula soou, eu me levantei lentamente enquanto juntava o meu material com uma mão e espera a garota da minha frente me devolver o caderno. Ela se virou com uma expressão de deboche e depois jogou o caderno em cima da mesa fazendo um grande estrondo, chamado atenção do professor e dos poucos alunos que estavam na sala, ela sorriu cínica e eu não entendi o que ela estava fazendo até descer meus olhos no caderno e ver o que estava escrito em grandes letras garrafais na folha “Você deveria arranjar um namorado pra você, pegar o da irmã é baixo até pra uma vadia.” Confesso que aquilo não fez nem cócegas em mim, eu já estava quebrada... Não me importaria se jogassem ovos em mim. Eu provavelmente continuaria andando e não olharia para trás, talvez nada me abalasse mais, eu estava amortecida pela própria dor, já não tinha mais motivos pra ficar me martirizando. Eu iria apenas ignorar e ficar ocupando espaço na Terra até que eu parasse de ser covarde ou algo do além me matasse de uma vez, talvez eu morresse com Mia, isso seria bom, pelo menos morreria com a única que me apoia não é?! Eu já não me importava mais com o que acontece com a minha vida, não me importava mais com o que eles falariam de mim, eu só queria continuar com minha meta porque chega uma hora que todos cansam de chorar, muitos queriam fazer os outros chorarem, mas eu era covarde demais pra fazer isso. Então eu apenas ficaria em silêncio, sem lágrimas, sem gritos, sem carinho, eu só ficaria com a dor, com a dor sufocada em meu peito. Eu era orgulhosa demais para um dia dividir com alguém. Então o silêncio a partir de agora passava a ser meu melhor amigo. Ele estaria sempre ao meu lado como Mia, porque mesmo Mia me maltratando eu sempre soube que era para o meu próprio bem, e o silêncio, era o que eu deveria ter feito ha muito tempo.
Não olhei pra ninguém da sala apenas peguei meu caderno e sai com dificuldade por estar carregando tudo em uma mão. Segui até meu armário, e joguei meus livros cadernos lá apressadamente. Peguei a apostila de Geografia Ecológica e me encaminhei para a sala o mais rápido possível. No horário do almoço eu simplesmente me tranquei no banheiro e fiquei vendo a hora passar lentamente pelo celular, só sai de lá quando o sino soou novamente, vi de relance, mas entrei no meio de milhares de alunos que estavam se encaminhando para o prédio 2 e então não vi ela depois disso.

*NF: Nothing Food, nada de comida.

Capítulo. 14

Eu estava com medo de apertar a campainha, pra falar a verdade eu não sabia o que estava fazendo lá, ta okay eu sabia, mas será que a Janaina não poderia ficar com as meninas até que eu morresse? Okay eu deveria parar de ser covarde... Lentamente eu levantei o braço e alcancei a campainha com o dedo indicador pressionado levemente e depois soltando.
Quando a porta se abriu eu quase dei um pulo com medo que fosse Zayn, mas era uma garota morena um pouco mais alta que eu aparentava ter uns 20 anos e me lembrava o Zayn pela cor da pele os cabelos pretos e os olhos castanhos dourados. Talvez eles fossem irmãos ou parentes próximos...
- Oi? – ela me chamou educadamente, me tirando do pequeno transe.
- An... Eu sou a , sou babá da Safaa... – disse esperando que ela me desse passagem para entrar.
- Ah claro, babá da Safaa... – disse batendo na própria cabeça e me dando espaço para entrar. – Eu sou Doniya, irmã da Safaa. – disse estendendo a mão para mim.
Eu estendi a mão, mas antes dela apertar a puxei rapidamente não queria que ela apertasse meus pontos... Apenas abanei a mão machucada mostrando para ela que deu um sorriso tímido.
- Eu sou , ou ... Como você preferir. – disse sem graça e depois disso nós ficamos em silêncio até que eu ouvi alguém descer as escadas correndo, me agarrei a bolsa com medo de ser Zayn, mas era Waliyha, que sorriu e veio em minha direção correndo.
- Porque você não veio ontem ? Nós ficamos preocupadas... – disse em repreensão.
- Me desculpe! – disse verdadeiramente – Eu tive alguns imprevistos.
- Ah tudo bem. – ela disse enquanto se distraia com a minha mão – O que houve com a sua mão? Você a quebrou? – ela perguntou assustada.
- Não eu só cortei, foi um... Foi um acidente, não se preocupa logo, logo já vai estar melhor. Mas me conta como foi à tarde de vocês ontem? – perguntei mudando de assunto.
- Foi muuuuuito chata o Zayn estava estranho toda hora ligando pra alguém, estava estressado e quando a Safaa perguntou por você ele ficou vermelho e se trancou no quarto, ai depois disso a Doniya chegou e nós ficamos vendo TV. – Waliyha dizia tudo aquilo muito tediosamente e eu resolvi deixar quieto e não perguntar mais nada sobre ontem.
Eu e Doniya não conversamos mais, depois do nosso pequeno encontro, eu fui pro quarto da Safaa vê-la e depois para o da Waliyha e fiquei nesse vai e vem e toda vez que tinha que passar para o outro quarto, eu espiava o corredor com medo de se trombar no Zayn. Já estava tarde quando Janaina subiu me avisando que ela iria fazer supermercado com Doniya e que depois iria direto para casa, eu simplesmente tive que perguntar a ela se o Zayn estava em casa, e quase tive um treco quando ela disse que ele estava no quarto ao lado. O porquê de estar tão nervosa assim era: raiva, nojo e vontade de matar ele.
Depois que Janaina e Doniya saíram meu nervosismo triplicou e tudo que eu fazia era querer sair logo daquela casa, a única opção para eu me acalmar era o meu maço de cigarro que estava jogado em algum lugar da minha bolsa, antes de sair para o jardim liguei a TV na Disney que passava algum filme em desenho que eu não sabia a menor ideia de qual era e estava nervosa demais para ficar e descobrir, agarrei com força a bolsa estilo eco bag e fui rapidamente em direção ao jardim como uma fugitiva, olhando para todos os lados, com medo de ser pega.
Coloquei o cigarro entre os lábios e logo depois pesquei o isqueiro na bolsa assim que a chama quente saiu eu a coloquei na outra extremidade do cigarro, puxando fortemente a fumaça e logo a soltando, logo depois puxando e segurando a fumaça em meus pulmões cerca de cinco segundos depois eu soltei a fumaça branca me sentindo um pouco mais tranquila, mas só aquela não foi o bastante, puxei mais uma vez e como anteriormente soltei, fiquei olhando o grande jardim a minha frente tentando me acalmar e quando estava prestes a levar novamente o cigarro a boca, aquela voz me fez assustar...
- Não sabia que você fumava. – ele disse levemente. Sabia que ele estava muito próximo porque sentia a respiração quente dele bater em minha nuca fria.
Fiquei imóvel, nem respirava o que eu havia adiado o dia todo estava acontecendo agora.
- Não sabia que você não prestava. – disse com uma confiança que não sabia de onde havia saído. Traguei mais uma vez e continuava de costas para ele.
- Eu acho extremamente sexy mulher fumando... – ele disse encostando os lábios na minha nuca, e fingindo não ter ouvido o que eu havia dito.
Respirei fundo e traguei mais uma vez e joguei o cigarro pela metade no chão antes de pisar em cima e apaga-lo. Não disse nada, sai fui em direção a porta da cozinha buscando um chiclete na bolsa e quase correndo em direção ao banheiro.
Talvez eu estivesse gostando dele, mas eu deveria esquecer agora, não é?! Ele havia me machucado e eu não sabia o que mais doía, talvez fosse ele ter me enganado ou talvez ele ter feito eu trair minha irmã, eu não sei, só queria distância dele, distância de tudo que me lembrava a ele.
Quando Tricia chegou eu corri pra sala, e dei meu melhor sorriso, as meninas já estavam banhadas e com as tarefas prontas apenas esperando para que o restante da família chegasse para jantarem todos felizes...
- Oi ... Porque você não fica pra jantar conosco hoje? – ela perguntou quando eu pegava minha bolsa no quarto das meninas.
- Acho melhor eu ir pra casa... – sorri fraco e fiquei esperando ela desencostar do batente do quarto, para que eu pudesse passar.
- Ah, por favor, assim você pode conhecer melhor a Doniya, tenho certeza que vocês vão ser amigas...
- Eu realmente tenho que ir... Deixa para a próxima. – sorri em mostrar os dentes.
- Tudo bem, então avise o seu pai que amanhã você ira jantar conosco, e não vai ter como fugir. – ela sorriu marota.
- Hm. Eu acho que tenho um trabalho pra fazer amanhã com uma amiga, depois que sair daqui. – disse ajeitando a bolsa no ombro e fugindo de encarar o olhar decepcionado dela.
- Tenho certeza que a amiga é a ... – disse Zayn que surgiu sabe Deus de onde, com um sorriso idiota. – E tenho mais certeza ainda que ela vai amar ver a Waliyha amanhã...
- Mas... Mas não é a ! – disse firme com raiva de ele ser tão intrometido.
- Então quem é? – ele perguntou com toda aquela pose de superior e com os lábios repuxados para os lados, daquele jeito charmoso e petulante que só ele sabia fazer.
- É... Não te interessa quem é Malik. – disse pausadamente para mascarar a vontade de enforca-lo que eu tinha e voltei a olhar para Tricia que estava com um olhar confuso sobre nós. – Com licença, eu preciso ir embora.
- Ah sim... Te vejo amanhã não é? – ela questionou antes de me dar passagem.
- Sim. – sorri o mais confiável que eu pude e assim que ela deu um passo para o lado eu passei trombando o ombro no ombro dele e o cheiro insuportavelmente bom dele preencheu o ar ao meu redor. Respirei fundo tentando gravar aquela fragrância, mas logo depois me arrependi eu não poderia me torturar com o cheiro dele, eu não devia. Rapidamente desci as escadas e fui em direção da porta sem me despedir das meninas ou de outra pessoa que estivesse lá.

Continua...

 

Comentários da autora

Olá! Primeiro vou pedir desculpas, pois é eu estava meio sem tempo, e que sei que isso não é desculpa já que os capítulos já estavam prontos, mas eu queria mudar um pouco eles, então precisei de tempo para reformá-los. E como eu mandei TRÊS capítulos vocês não podem ficar bravas comigo. Também queria pedir desculpas, pela minha ceninha de sexo ali em cima haha, é a primeira que eu faço então, por favor, considerem! Eu realmente espero a opinião de vocês... Xx Joy.




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