Albor

Escrito por Isabelle Caroline - Siga a autora no Twitter
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Prólogo

Luzes, flashs, vozes, tensão. Normalmente é assim antes de todo show, o ritual e então entramos no palco. Fizemos show em casa, foi incrível! Quanto tempo não voltava e via todos novamente?! Matava a saudade. Chego em casa e tomo um banho demorado. Me deito e me aconchego embaixo do cobertor.
"Triiiiim"
- Oi?
- John! Não te acordei foi?
- Hã... Não. - acordou sim.
- É que minha sobrinha chegou hoje de viajem e queria saber, se não quer vir comer aqui em casa amanhã? Pat, Garrett e Kennedy vão vir.
- E eu tenho escolha?
- John!
- Mas é claro que vou, Jared!
- Chegue cedo. Boa noite.

Primeiro

Jared desligou. Voltei a dormir. Acordei e fui logo me arrumar para ir a casa dele. Há meses ele fala de sua sobrinha, de como ela é incrível, de como eles se dão bem independente do parentesco e que ela sairia do Canadá para o ver. Se eu chegasse atrasado ia ter que aguentá-lo resmungando a turnê inteira.
Shit! Não acho meus sapatos em lugar nenhum. Eu, John O'Callaghan, um cara organizado, não acha seus sapatos! Mas faz tanto tempo que não venho em meu apartamento que nem lembro onde os guardo. Andei por todo o closet até tropeçar em umas caixas. Ai estão vocês! Termino de me arrumar e nem como nada antes de sair. Comida é o que não vai faltar na casa do Jared.

- JOHN! - Jared me recebia com um abraço - Vamos! Estão todos lá dentro. Chegou cedo mesmo - ele riu. Sorri.
- Mas claro Jared, se não ia ter que lhe aguentar a turnê inteira.
- Ia mesmo! - rimos e entrei. Vi todos e os cumprimentei, sentei-me à mesa. Mas ainda não vi a sobrinha de quem tanto Jared falava.
- Mas cadê ela? - Kennedy exclamava entrando no jardim com um monte de pratos na mão e colocando-os na mesa.
- Ela chegou tarde ontem e ainda estava dormindo, mas ela acordou e já desce.
Continuamos lá com os comes e bebes. Todo mundo rindo e se divertindo. Pat correndo atrás de Garrett com uma bola na mão. Não me pergunte o que eles estavam fazendo, eu realmente não entendi. Até que me viro para ver o que Jared queria. E lá estava ela. Um sorriso de lado meio sem graça por ser apresentada assim por seu tio que é quase de sua idade, com o rosto ainda aparente que acabara de acordar. Foi assim que a vi pela primeira vez. Todos deram atenção a ela e se apresentaram.

- Então você é o John! - ela toda sorridente me abraçava.
- Sim, e você é a ! - correspondia seu sorriso.
- Jared me falou tanto de vocês... Até parece que já os conheço. - ela com seu prato, senta em uma cadeira ao meu lado.
- Digo o mesmo. Ele ficou meses falando de você e de como você era. - ela sorriu e olhou para Jared que estava sentado do meu lado e ouvia tudo.
- Mas como não falar da minha melhor amiga?
- Ah, tio! Não é para tanto. - levantou e pegou um copo de suco. - Puxa saco! - disse baixo.
- Eu ouvi hein! - rimos.
Comemos e conversamos. Ela é uma boa garota. Jared não exagerou ao falar tanto dela. Todos gostaram de cara e já se davam bem. Pat nos chamou para jogar futebol - o jardim do Jared era perfeito para isso.
- VAMOS! - foi a primeira a se manifestar e todos a fitaram. - O que foi? Vamos gente, futebol é legal. - ela sorriu pegando a mão de Garrett o ajudando a levantar, enquanto Pat corria animado até um canto arranjar algo para fazer de gol. Vi que não tinha escolha de não aceitar jogar com eles quando todos levantaram e iam em direção aonde estava Pat. me encarava. Devia estar pensando "Ora John, não vai fazer desfeita!". Acabei me levantando e indo. Jogamos e foi divertido. era péssima de bola como o Jared, mas não deixava de tentar jogar. Pat levava uma bolada na barriga toda vez que Kennedy tentava dar uma de Ronaldo. Sempre me vaiavam quando eu chutava ao gol porque sempre acertava. Começou a chover forte e fomos obrigados a sair correndo para dentro, deixando tudo na chuva. Fomos todos para a sala.
- Kennedy, nada de sentar no meu sofá todo molhando! - Jared o puxou de uma vez antes que ele sentasse.
- E onde vamos sentar?
- No tapete.
- Mas que frescura! - Kennedy resmungou e Jared lhe deu um peteleco sentando no chão ao seu lado.
- E agora? O quê vamos fazer? Está chovendo forte lá fora, vai demorar a passar. - Pat disse desanimado e todos concordavam com a cabeça. Acabou-se o que era doce.
- Tio... - sentada ao lado dele mexia nos cabelos de Jared, fazendo manha e ele a olha de canto. - Você não tem um jogo de Banco Imobiliário?
- Ótima ideia! Adoro Banco Imobiliário! - Garrett, que estava quase dormindo, ao ouvir despertou-se rapidamente. Uma boa ideia a dela.
- Tenho... - ele olhou no rosto de todos e viu que queríamos jogar. - Então eu vou lá em cima pegar. - ele subiu e logo voltou com o jogo. Passamos o dia jogando e nem vi o tempo passando. Fazia tempo que não passávamos um tempo assim como antes de sermos uma banda famosa. Quando lembrei da hora olhei no relógio e já era quase meia noite. Resolvi ir para casa.

Segundo

Dois dias depois...

"Triiim!"
- John! Quer sair para beber comigo e Jared? - a voz de Pat estava bem animada. Boa hora me ligarem agora que eu estava me afogando em tédio a ponto de estar vendo canal de culinária. Talvez aprender a rechear um lagarto sirva para mim algum dia... Com certeza não!
- Quero!
- Então nos encontramos no Deliver.
- Ok!
Pat sempre adivinha o momento certo para me chamar e fazer algo com ele. Desliguei a TV e acho que ouvi um coro de aleluia no fundo. Me arrumei, mas não caprichei muito, não estava afim de pegar ninguém. Ultimamente não ando afim e até acho estranho. Será que estou virando gay? NÃO! Ai já é exagero. Saí e não demorou muito cheguei onde os rapazes estavam. Bebemos um pouco e ficamos ali curtindo.
- Jared, olha o que eu faço com esse palito... - Pat ia para enfiá-lo no nariz, mas não o fez porque Jared nem prestou atenção nele.
- Ora Jared, o que foi?
- Você ficou o tempo todo aqui, mas a sua cabeça estava em outro lugar. - completei. E ele nos olhava pensativo.
- Nada... - desviou o olhar.
- Larga disso e nos fale logo! Sabe que pode contar com a gente. - Pat lhe deu um leve tapa nas costas.
- !
- O que ela fez? - sabia que uma hora ela ia dar trabalho para ele. Parecia perfeita demais.
- Ela está doente?
- Não.
- Quebrou a perna?
- Não.
- Descobriu que ela é usuário de maconha?
- Meu Deus Pat, NÃO! - comecei a rir e Jared me olhou.
- Desculpe...
- É que ontem estávamos conversando e ela me contou que não veio para o Arizona só para me ver. Mas também porque ela acabou a faculdade e conseguiu um emprego em uma empresa aqui e agora ela tem uma semana para arranjar um apartamento até ela começar a trabalhar. - Pat e eu o ficamos olhando por um tempo.
- Mas o que isso tem de ruim?! - Pat concordou comigo com a cabeça.
- Bom, eu ofereci meu apartamento para ela ficar, porque acho muito perigoso ela morar sozinha, ainda mais longe assim dos pais dela e da família dela que está toda no Canadá... Aqui ela só tem a mim. - ele tomou um gole de whisky - Mas ela não quer, ela quer ser independente e morar sozinha. Eu estou preocupado com isso...
- Oras, Jared! Ela já é grandinha e quer aprender a se virar sozinha, você tem é que dar apoio a ela. Ela não pode depender de você a vida toda! E vocês vão morar na mesma cidade, qualquer coisa ela liga para você, vai na sua casa, não sei, mas ela nunca vai ficar desamparada. Vocês só vão morar em endereços direfentes. Só! - ele tomou outro gole de whisky.
- Mas John, e quando sairmos em turnê? Ou tivermos que fazer shows em outras cidades... - odeio a insegurança dele.
- Se acontecer alguma coisa ela te liga e você vem correndo. Sem dificuldade.
- É, larga de ser um tio coruja! - Pat o segurou pelos ombros - E apóie a menina!
- É! Vocês tem razão... Obrigado gente, não sei o que faria sem vocês!
- Bom, já que os olhos de Jared foram abertos, quero fazer um brinde. - Pat colocou mais whisky no copo de todos - Um brinde ao Jared que está tentando ser um tio menos coruja. - Jared sorriu e pegou seu copo - A mim que ainda não fiquei bêbado, AINDA! - rimos - E ao John que acabou de olhar a bunda de uma mulher.
Mas eu olhei tão discretamente. Todos concordamos e brindamos. Bebemos muito e tivemos que ser levados por Garrett para casa, que ficou reclamando o caminho todo por não o termos chamado para ir junto.

- John, anda! - Kennedy gritava da porta e eu não achava minhas chaves. Não acho nada em minha própria casa.
- Calma, minhas chav... - ACHEI! Estavam em cima da TV.
- Nem parece que mora aqui, vive perdendo suas coisas. - ele ia em direção ao elevador. Eu ia dizer alguma coisa, mas...

"Triiim"
- Preciso da sua ajuda!
- O quê foi dessa vez, Jared?
- Eu tenho que ir ao Canadá falar com os pais de e ela vai ficar aqui para escolher um apartamento e eu queria que a ajudasse. Ela sabe escolher, mas... Eu queria uma pessoa responsável para ajudá-la e para cuidar dela enquanto eu estou fora e eu pensei em você, John... - sabia que ia acabar sobrando para mim.
- Tem que ser eu mesmo? - cocei a cabeça e Kennedy me olhava querendo saber o que era e eu o despistei quando o elevador se abriu no térreo.
- Bom, sim... Na verdade a me pediu que fosse você e... - o interrompi.
- Tudo bem, eu ajudo, mas pede para ela me ligar para falar comigo.
- Tudo bem, obrigado John.
- Amigos são para isso. - desliguei e Kennedy estava em cima de mim.
- O que era?
- Era o Jared. - ia em direção ao carro. - Te conto no caminho, vamos se não perdemos o primeiro tempo do jogo!

Terceiro

- O jogo de ontem foi incrível! - Kennedy me acordou logo cedo só para compartilhar seu entusiasmo.
- É... Incrível... Kennedy, que horas são? - tentava abrir os olhos.
- Sete e quinze por quê?
- Por que hoje é sábado e as pessoas costumam acordar mais tarde nesse dia. - me sentei na cama e olhava o sol pela janela que já brilhava forte.
- Desculpe, é que estou louco para ver a final hoje com você e acabei acordando cedo.
- Tudo bem, mas hoje vamos no seu carro.
- Okay.
Ele desligou e eu fui obrigado a me levantar da cama, já que depois de acordar não consigo mais voltar a dormir. Tomei um banho e fui tomar meu café da manhã e pensar o que eu faria aquele sábado sem nenhuma entrevista, show ou qualquer outro compromisso além do jogo com Kennedy. Ia para pegar os ovos na geladeira e preparar uma omelete.

"Triiim"
- Bom dia, John! - uma voz feminina e animada falava do outro lado da linha. Eu dormi com alguém ontem e não me lembro?!
- Bo-Bom dia... -
- Não se lembra de mim? - quase deixei os ovos que estava segurando caírem. Oh Meu Deus, eu devo mesmo ter dormido com alguém e esquecido. Fiquei mudo. - John?
- O-Oi...
- Por que está gaguejando, eu te acordei? Se for... Desculpe.
- Não, você não acordou.
- Parece que não sabe quem é! - ela riu.
- Não, não sei. - continuou rindo e permaneci mudo.
- É a !
- Ah! - Que alívio! - Como está?
- Estou bem, meu tio viajou ontem e disse que você queria que eu ligasse... Então, liguei.
- Foi mesmo. Eu queria falar com você sobre o que ele me pediu.
- Ah claro!
- Já tomou café da manhã?
- Não.
- Então venha aqui em casa e tomamos café da manhã juntos e ai eu falo contigo.
- Tá! - ela desligou e eu preparei duas omeletes. Uma das minhas especialidades culinárias. Deixei tudo pronto e ela não chegava. Odeio atrasos.

"DingDong"
Deve ser ela. Abri a porta e a vi toda sorridente com um vestido florido acima do joelho, foi a primeira coisa que reparei nela.
- Entre! - dei passagem.
- Obrigada. - ela entrou e observou todo o apartamento. - Belo apartamento.
- Obrigado. - sorri. Fui para a cozinha e ela me seguiu. - Fique à vontade. - me deu um sorriso e se sentou. Retribui o sorriso e a servi. - Espero que goste de omelete.
- Gosto sim! - entreguei a ela seu prato e sentei à frente dela. - O que queria falar comigo?
- Eu só queria falar com você antes de sairmos para escolher algum apartamento, para saber se já tem algum em mente, quando vamos sair, essas coisas. - Sorri e comecei a comer. Ela me olhava.
- Só isso?
- É! - ela sorriu e abaixou a cabeça para seu prato.
- Pois bem, eu não estou com nenhum em mente e realmente não sei por onde começar. E eu queria sair o mais rápido possível, eu devia ter arranjado para ontem. - ela comia enquanto falava. - E a propósito, está uma delícia!
- Obrigado! - sorri de lado meio sem jeito. - Se isto é tão urgente por que não começamos a olhar agora mesmo? - ela me olhou entusiasmada.
- Sério John?
- Claro! - levantei-me e coloquei meu prato na pia e ela fez o mesmo. - Eu sei de umas imobiliárias, vou levá-la nelas. - sorri e peguei minhas chaves em cima da mesa e fui para a porta, ela só me seguiu.
- John... - me virei para ela, que estava parada em frente à porta e me olhava com um sorriso de canto. - Obrigada por aceitar ser o "meu babá" - ela fez aspas e acabou me fazendo rir. - Sei que não deve gostar muito de fazer esse tipo de coisa.
- Não precisa agradecer querida, eu faço isso com prazer. - sorri e ela suspirou aliviada.
Fomos para a primeira imobiliária, vimos fotos de uns cinco apartamentos e ficou interessada em três. Pegamos as chaves dos apartamentos para devolver no fim do dia.
- Em qual vamos primeiro?
- Que tal aquele das paredes cor salmão? - ligava o carro - Ele fica aqui perto.
- Está quase na hora do almoço... - ela colocou as mãos sobre a barriga. Parece uma criança.
- Olhamos esse que é aqui perto e depois comemos em algum restaurante. - la me olhou e fez com a cabeça que sim e fomos.

- O que achou? - gritei do banheiro da suíte enquanto ela olhava o closet.
- Ah... Não gostei muito... Vamos ver os outros dois!
- Você que manda! - saímos para olhar os outros dois, mas fomos almoçar primeiro.

- Então John... - ela abaixou o cardápio depois de fazermos os pedidos e eu a olhei. - O quê vai fazer hoje à noite? - HMMM! Primeiro ela me "escolhe" para fazer companhia a ela e agora quer me encontrar em casa a noite... Aí tem coisa!
- Vou sair com Kennedy, vamos ver um jogo de basquete. - pela cara que fez deve ter ficado decepcionada.
- Ah...
- Por quê?
- Por que eu queria companhia para ver a maratona de Senhor dos Anéis que vai passar. Meu tio sempre vê comigo, mas ele não está. - Rá!
- Se eu não tivesse compromisso...
- Tudo bem, eu chamo o Garrett! - me trocou pelo Garrett! Ficamos calados por um tempo e ela não parava de me observar.
- Então... Que dia Jared volta? - tentei puxar assunto.
- Terça-feira. Espero que ele consiga convencer meus pais. - ela mexia os dedos enquanto falava.
- Então ele foi para convencer seus pais?
- Sim, para eles eu só vim ver meu tio. Se eu dissesse sobre o emprego não me deixariam vir. - ela continuava a mexer os dedos.
- Por que não? - nosso pedido chegou.
- Por que eles queriam que eu arranjasse algo lá mesmo, no Canadá. Mas... Eu quero tanto tentar a vida aqui. - ela sorriu e começou a comer.
- Quer ser independente, é isso?
- Exatamente!
- E acha que morando longe de seus pais vai conseguir ser independente total deles?
- Acho.
Que decidida!
Depois começamos a falar de quando decidi seguir minha carreira e fiquei longe de meus pais, acabando dando mais força a ela de querer sua "independência total". Foi uma conversa bem agradável. Me fez lembrar de quando eu era ?moleque?. Terminamos o almoço e fomos ver os outros dois apartamentos, mas ela não gostou de nenhum. Então combinamos de eu a levar segunda de manhã em outra imobiliária. Ela está procurando aquele apartamento que ela se apaixone à primeira vista. É, ela é daquelas que acredita em amor a primeira vista. Eu não acredito muito nisso, mas pode acontecer.
Gostei muito de passar o dia com ela, é uma pessoa bem divertida e agradável. Ela tem umas manias que não tem como não reparar. E uma dessas manias é me fazer rir, sempre! E ela não é só agradável e divertida, é também bem bonita. Dá gosto de sair com ela porque todos a olham. Para uma garota de 19 anos ela é um mulherão. Cabelos ondulados e castanhos claros. Olhos castanhos e sobrancelha desenhada. Cintura fina e pernas grossas. E um sorriso lindo! Nem parece ser sobrinha de Jared. Como uma garota tão bonita pode ser parenta dele? Parei. Queria conhecer a mãe dela, irmã de Jared, para saber se ela é tão bonita quanto à filha. Acho que sim.
Fui ao jogo com o Kennedy e nosso time perdeu. Foi horrível, nos minutos finais o time adversário virou e perdemos por uma diferença mínima. Kennedy ficou revoltado. Disse que o tempo já tinha acabado quando jogaram a bola e foi cesta. Ele queria descer e bater no juiz, mas o fiz mudar de idéia quando disse que o ia levar para beber, para compensar a perda. Outra noite de bebedeira, mas dessa vez com o Kennedy. Ligamos para o Garrett para ele não reclamar depois que não o chamamos para ir a lugar nenhum, mas ele não pode ir, estava com vendo a maratona. Ela realmente me trocou pelo Garrett, pensei que fosse brincadeira.
Passou o final de semana e acordei bem cedo na segunda, antes do sol nascer. Resolvi tocar um pouco antes de começar o dia. Passei um bom tempo na sacada com meu violão tocando as músicas que gosto e relaxando mais um pouco antes de começar todo aquele pique da banda de novo. Estamos querendo fazer um novo álbum, então vamos ter muito trabalho esses dias. Minha barriga começou a reclamar então resolvi fazer um lanche. Peguei algo para comer e fui ver TV. Passei os canais até achar algo interessante para assistir. Um filme de faroeste.

"DingDong"
Quem será a essa hora? Não pode ser a , está cedo ainda. Abri a porta.
- Ainda de pijama? - a olhei sério.
- O que faz aqui tão cedo? - continuei na frente da porta a encarando.
- Uai, não tínhamos combinado de sair de manhã?
- É, mas não de madrugada!
- Larga de drama, John! - ela foi entrando e quase me atropelando. - Vamos, vai trocar de roupa. - foi se sentando no meu sofá. Que abusada!
- Não agora. - fechei a porta. E ela ficou me encarando. - Tudo bem... - entrei para trocar de roupa. E logo voltei.
- HM!
- O que foi?
- Nada. - que estranha! Não disse mais nada e saímos para o carro. A levei para a outra imobiliária e pegamos a chave de um apartamento para ver.
- É ESSE! - ela gritou toda sorridente de dentro do closet.
- Esse?
- Esse!
- Se apaixonou? - ri baixo.
- Sim! - os olhos dela brilhavam. Ela se apaixonou mesmo por ele. Era um apartamento pequeno e aconchegante. Sem luxo. Mas do jeito que ela queria. - Temos que sair para comemorar!
- Outra noite de bebedeira! - ela riu.

Quarto

Tivemos uma noite de bebedeira daquelas! Foram todos com a gente. Jared não queria deixar beber, então nós o fizemos ficar bêbado e assim ele não ia se importar com o que ela fizesse ou deixasse de fazer. Como todos nós estávamos bêbados, fomos para casa à pé e tinham muitas avenidas até minha casa, não sei como cheguei vivo. Quase não me lembro do que exatamente aconteceu noite passada, mas me lembro que nos expulsaram do bar e quase morremos atropelados no caminho de volta. Ah, sim! E o apartamento de é quase perto do meu, então ela me acompanhou até em casa e depois foi sozinha para a dela. Será que ela chegou bem? Tenho que ligar para ela para saber, se tiver acontecido alguma coisa, Jared acaba comigo!

- John? - sua voz estava como se estivesse acabado de acordar, ou sido acordada por mim.
- Bom dia!
- Bom dia...
- Eu só quero saber se chegou bem em casa. - ela riu.
- Se preocupou comigo foi?
- Mas claro, você estava bêbada e foi sozinha para casa! - ouvi ruídos como se ela estivesse se levantado da cama.
- Ah... Bem, eu estou bem!
- Que bom... O Jared... - ela me interrompeu.
- Pode ir falando, só vou escovar os dentes. - Deus do céu!
- Ér... Ta bom! O Jared já viu o apartamento? - ouvia barulhos de objetos sendo mexidos em uma gaveta.
- Ah sim, ele veio antes de sairmos ontem.
- E o que ele achou?
- Disse que o apartamento é ótimo, e que só não gostou porque era longe do dele. - ela falava com a boca cheia. E eu já estava ficando incomodado com aquilo.
- , liga para mim quando acabar de fazer o que tem que fazer. Tchau! - desliguei o telefone. Mal desliguei e meu telefone toca. Deve ser ela.

- Eu disse que era para ligar quando terminasse de fazer o que tem que fazer!
- Disse para quem? - era uma voz de homem. OH, MAN!
- Quem está falando?
- É o Jared! - ele começou a rir. Fiquei mudo. - Bom, eu liguei para saber que horas vai vir para irmos dar a entrevista. - Tinha me esquecido da entrevista!
- Agora mesmo, só vou trocar de roupa.
- Estamos esperando você!
- Ta! - desliguei e fui correndo me arrumar.
Ainda estava de pijama e com ressaca. Terminei de colocar a roupa, tomei um remédio, peguei minhas chaves e fui rumo à casa de Pat para de lá irmos com o nosso ônibus até onde ia ser a entrevista! Nunca deixávamos nosso ônibus de lado quando se tratava de fazer alguma coisa para a banda, era uma coisa que tínhamos que fazer e gostávamos. Chegamos e fomos muito bem recebidos, ganhamos uns crachás de identificação e ficamos numa sala esperando a pessoa que iria nos entrevistar. O bom é que tinha alguns salgadinhos e se tem salgadinhos, é para se comer. Atacamos os cinco ao mesmo tempo.

- Esses salgadinhos de espera são tão bons... - Pat comia e falava.
- É, e nunca conseguimos descobrir aonde eles compram! - Garrett pegou o último. Shit! Eu queria mais um.
- Hoje eu pergunto e descubro!
- Isso John, faça! - tocamos as mãos, eu e Pat. Até que uma moça entra na sala e nos cumprimenta. Ela percebe que o prato está vazio e dá uma risada disfarçada. Ajeitamo-nos no sofá e ela nos encara.

- Oi, meninos! Que bom que vieram, vai ser um prazer entrevistar vocês hoje! - ela sorriu e se ajeitou na cadeira.
- O prazer é nosso! - Pat disse nos representando.
- Posso começar? - ela pegou um gravador. Era para uma revista. "Pode sim"; "É, comece"; "Claro?. Dissemos todos ao mesmo tempo. - Então, como vocês começaram com a banda? - uma pergunta que já cansamos de responder e insistem em perguntar. Ela fez mais outras perguntas e íamos respondendo. Não estava tão ruim.

"Triiiiim"
Todos se olham e começam a procurar nos bolsos. Continua tocando e eu fico calmo, sei que ninguém ia ligar para mim. Ou ia? Kennedy que estava ao meu lado me encara como se disesse "É o seu John, desconfia!", bati a mão no bolso e era realmente o meu, levantei rápido e pedi desculpas falando que podiam continuar que não iria demorar. Olho o número e atendo.

- ! - disse irritado.
- John! - disse animada.
- Qual é...
- Você me pediu para ligar e eu liguei! - droga, foi mesmo.
- Ta, mas atrapalhou uma entrevista, estou ocupado.
- Já que eu atrapalhei mesmo, que não seja atrapalhado em vão e vamos conversar.
- Está louca? Conversar? Não posso.
- Pelo menos me diz se gosta de comida chinesa... - quanto mais falo com ela, mais estranho.
- Mas para qu.. - esquece, se eu perguntar vai ser pior. - Gosto sim.
- Então tá! Até, John!
- Até! - ela desligou e voltei para a entrevista ainda um pouco sem entender o que tinha acabado de acontecer. Terminamos a entrevista e ficamos conversando do lado de fora do caminhão.

- Cadê o Pat? - perguntei e o procurava no meio das pessoas que saiam do lugar onde fizemos à entrevista.
- Ele estava pegando o telefone da garota... - Kennedy abria uma bala.
- Quem? A bonitinha que nos entrevistou?
- A própria! - os três falaram juntos e foram correr para pegar em algum lugar verde. E advinha? Minha camisa! Cai no chão com todos em cima de mim.
- MAS QUE... - ia xingar, mas vi uma criança - MELECA! - riram. Saíram de cima de mim pedindo desculpas e me ajudaram a levantar. Até que Pat resolve aparecer.
- Não perde tempo, garanhão - Garrett ria e dava uns tapas em suas costas e Pat sorria satisfeito guardando um papel no bolso, que provavelmente era o papel com o telefone.
- Já que todos estão aqui, podemos ir almoçar. - todos concordaram animados depois que Jared disse.
- Mas onde vamos comer? - Kennedy mordia sua bala.
- Na casa da , ela quer inaugurar a cozinha! - por isso aquela pergunta de comida Chinesa! Não acredito que ela saiba cozinhar comida Chinesa, ela não tem cara de gostar de cozinha. Entramos no ônibus e fomos direto para a casa de , que nos recebeu toda sorridente.

- Chegaram bem na hora! - ela fechava a porta. - Podem ir sentar-se à mesa que está na cozinha, que não é grande, mas cabe todo mundo.
Todos foram animados em direção à cozinha e quando chegamos todos ficaram meio que espantados. Tinha o número de pratos para cada um, e em cima dos pratos caixinhas de comida Chinesa, comecei a rir. Agora entendi tudo. Só ela mesmo. Todos me olhavam. Sentei-me e todos sentaram sem entender. apenas olhava para Jared com um sorriso e parece que esperando alguma reação de seu tio. E conseguiu. Ele colocou as mãos na cabeça e olhava tedioso para ela.

- Quando disse que queria ?estrear? a cozinha pensei que fosse cozinhar e não pedir comida pronta, Dona - deu ênfase em "Dona ". E ela riu, o abraçou e deu um beijo demorado em sua bochecha.
- Eu não sei cozinhar, tio. - ela sentou entre Garrett e Jared, olhando Pat tentando abrir sua caixa.
- Mas desde quando uma Monaco não sabe cozinhar? - ele indignado abria sua caixa, enquanto todos já comiam, inclusive eu, e observavam os dois.
- Desde o dia em que nasci. - começou a comer. E Jared apenas a encarava inconformado. Eu tentava não rir da situação, seria feio. Então enchia minha boca de comida. Mas aquele macarrão estava ótimo!
- Pelo visto está com fome, John! - Pat me observava comer.
- Ah... - limpei minha boca com o guardanapo e todos me olhavam. - Sim, estou! - Pat sorriu e continuou a comer. Começamos a falar sobre as pessoas que moram na Suíça e a conversa rendeu. Não sei como começamos a falar sobre isso, mas aconteceu. Quando fui ver as horas já eram quatro da tarde e eu estava atrasado para ver o meu programa de terça-feira. Me despedi e tentou me convencer a ficar, mas eu precisa ver o meu programa, gosto de ter esse momento só meu com a televisão. Voltei para casa cansado. Tomei um banho demorado e coloquei uma bermuda. Peguei uma cerveja na geladeira e liguei a tv. Perfeito! Tive aquele meu momento e depois, mais tarde, fui dormir.
Acordar cedo para me encontrar com o Garrett para vermos os arranjos de uma música que estamos fazendo. Cheguei e ele já estava na sala de música da sua casa mexendo nos acordes.
Passamos a manhã toda lá e só conseguimos o refrão. Então resolvemos lanchar alguma coisa, ligar para o Kennedy vir nos ajudar e voltar para ver se conseguíamos mais. Estava concentrado arrumando os acordes da música com o Garrett e acabo me assustando com a campainha. Garrett foi atender e logo aparece com o Kennedy que segurava três copos do Starbucks. Vibrei por dentro. Ele é um anjo! Peguei o meu e tomei de uma vez. Precisava de energia. Eles se sentaram e voltamos ao que tanto tentávamos fazer, achar acordes para os primeiros versos. Fui sair da casa do Garrett meia noite, mas pelo menos conseguimos terminar de fazer os arranjos dos primeiros versos e do refrão. Agora só precisava de alguns ajustes e estava pronta! Cheguei em casa e fui checar a secretária eletrônica.

"Você tem uma mensagem"
Apertei o botão para ouvir, e me sentei no sofá apoiando a cabeça para trás, no encosto.
"Filho! Que saudades. Você não liga mais para a sua mãe... Ligue para mim. Preciso lhe contar as novas. Um beijo.?
Me enchi de felicidade, minha mãe! Como a amo. Minha vida é tão corrida que esqueço de ligar para ela e me arrependo muito disso. Faz quatro dias que não falo com ela. Vou ligar!
Peguei o telefone e disquei o número. Chamou duas vezes e ouço uma voz doce do outro lado. Era ela. Quando descobriu quem era, sua voz mudou de tom, para um tom mais alegre. Conversamos por um bom tempo e ela me contou o que meu pai andou aprontando com ela, os lugares que ela saiu e o gato que ela arranjou para cuidar. Desliguei satisfeito por falar com ela e fui tomar meu banho para dormir.
Acordo no outro dia super disposto. O que uma conversa com a mãe não faz?! Fui me encontrar com os outros na casa de Garrett para ensaiarmos a música nova e dar os últimos ajustes.

- ARH! - Jared bochechou e se espreguiçou na cadeira.
- Acho que já podemos começar a ensaiar - Kennedy levantou indo em direção a sua guitarra. Nós concordamos e fomos para nossos respectivos instrumentos. Já eram quatro da tarde quando fomos fazer isto. Começamos a introdução.
- ESPERA! - tive de falar alto para me escutarem. - Falta alguma coisa, a bateria está demais e quase não ouço o Garrett...
- John tem razão. - Jared tirou sua guitarra. E todos olharam concordando e meio desapontados. Tanto trabalho e ainda há imperfeições. Ossos do ofício. Até que Jared sai da sala de música e vai para a sala de estar atender o celular e nos deixa conversando sobre a introdução.

- Eu acho que se o Garrett usar aquele que a gente falou primeiro e o Pat continuar assim, vai dar certo... - Kennedy rabiscava no caderno os acordes.
- É tem razão, vamos tentar esse. - Disse, e Jared volta para a sala.
- E então?
- Vamos tentar o primeiro que falamos para o Garrett e continuar com o do Pat. - Jared ficou sério.
- Mas se fizermos isso vamos ter que mudar o meu também.
- Vamos tentar assim e se não der, mudamos o seu. - falei e fomos para os nossos lugares.
- Tudo bem. - começamos e não deu certo também, vamos ter que mudar o do Jared. Mudamos. A campainha toca. Garrett vai atender. E chega ele com do lado toda sorridente com uma caixa na mão. Ela cumprimenta todos e senta em uma cadeira.

- Que caixa é essa? - Pat sentou do lado dela e ela sorriu abrindo-a devagar.
- Trouxe rosquinhas para os meus meninos! - Pat abriu um sorrisão e todos foram em cima e atacaram a caixa, inclusive eu.
- Mano, você leu meus pensamentos! - Pat comia sua rosquinha.
- Eu liguei para o meu tio, para saber onde ele estava e ele disse que estava aqui ensaiando uma música, então imaginei que estivessem com fome. - ela pegou uma também. Todos se sentaram para comer. Na sala de música do Garrett tinha um tapete no chão xadrez, nos sentamos nele, menos Pat e que pegaram as únicas duas cadeiras giratórias que tinham. E ainda ficaram brincando de girar com elas. Crianças...

- Pat, eu fui mais rápida! - ela ria e Pat também depois de se desafiarem em "Quem girava mais rápido na cadeira giratória do Garrett." Fizemos nossas apostas e eu apostei nela, porque Pat a estava deixando ganhar ou ele era mole mesmo.
- QUE MENTIRA! - Kennedy protestou com a boca cheia de rosquinha de leite condensado. - O Pat foi mais rápido, está claro isso! - ele deu outra mordida violenta na pobre rosca.
- Essa ficou empatada então, na próxima a gente marca o tempo, quem for mais rápido gira por mais tempo. - Jared falava pegando o celular do bolso. - Isso é pura física. - todos nós rimos. E concordamos. Consegui pegar a última rosquinha da caixa, de chocolate. E os meninos se preparavam para girar. terminou de comer uma rosca e olhava para Pat com cara de desafio, Pat fazia o mesmo. Essa cena ficará para sempre em minha memória. Jared disparou o cronômetro do celular e os dois giraram juntos. Não era para serem juntos, era para ser cada um de uma vez, mas fazer o quê. terminou de girar primeiro, o que indica que "Pat foi mais rápido" segundo a lógica de física do Jared. E que também indica que perdi a aposta e vou ter que pagar a cerveja na próxima vez que sairmos.
- Desculpa meninos, fiz perderem a aposta. - ela dizia para mim e Garrett, que apostamos nela.
- Essa perca vai lhe custar muito caro. - Garrett a ameaçava de brincadeira.
- Garre... - ela fez bico. O bico dela era tão... Que até me comoveu. Ele riu, se levantou e foi em direção a ela, estendeu uma mão e ela segurou-a, ele a ajudou a levantar.
- Eu estava brincando, princesa... - ele a abraçou e ela gostou. Estava com um sorriso enorme. Os dois devem estar de rolo. Jared não gostou muito do que viu, mas ignorou.
- HM! - Pat disse, porque ele é muito discreto. O que fez com que os dois se soltassem sem graça.
- Vamos voltar a ensaiar agora. - Jared levantou do chão e dizia sério. - E você , volte para casa. Seu primeiro dia é amanhã, você tem que acordar cedo.
- Mas tio...
- SEM MAS! - ela o olhou assustada com a sua reação, mas o obedeceu. Disse "Tchau, meninos" do lugar que estava e saiu. Jared nem a olhou.
Terminamos meio tarde, mas conseguimos deixar a música pronta. Jared estava mais calmo depois de seu ataque de ciúmes. Mas hora ou outra olhava Garrett torto. Íamos ter um dia de folga e depois uma apresentação à noite em uma cidade vizinha. Voltei para casa cansado e logo dormi. Acordei no outro dia tarde e aproveitei para fazer uma caminhada pela cidade. Ir a lojas, comer besteiras em fast foods, ir às praças, essas coisas. Coloquei uma roupa e sai. Andava pelo centro da cidade e encontrei uma loja de eletrônicos, entrei para ver se achava alguma coisa legal. Passei um bom tempo lá, me perdi nas opções. Tantas coisas... Mas como sou um cara equilibrado sai de lá só com um Iphone novo. Quando olhei já eram duas da tarde e eu sentia muita fome. Resolvi parar em um restaurante lá perto e me sentar para comer.

Quinto

- Só isso, obrigado. - a garçonete saiu e aproveitei para fuçar no meu novo Iphone. Liguei e estava em espanhol. - Mas o que...
- John? - ouvi atrás de mim me tirando a atenção do meu Iphone.
- !
- O que faz aqui? - ela estava em pé ao meu lado. E aquele ar de garota bonita que ela tem estava diferente, agora era de mulher bonita. Estava totalmente diferente com aquelas roupas de executiva e maquiagem mais forte.
- Resolvi andar pela cidade, senti fome e parei para comer. - ela sorriu. - E você?
- Eu trabalho aqui perto e estou em horário de almoço...
- Já comeu?
- Ainda não. - resolvi convidar ela para comer comigo.
- Não quer comer comigo?
- Claro! - disse animada e se sentou na cadeira ao lado e chamei a garçonete para ela.
- Como está sendo o primeiro dia?
- Bem tenso. Primeiro dia, você não sabe as regras da empresa, não conhece seus novos colegas... É complicado! Mas estou me saindo bem.
- É, primeiro dia de trabalho não é moleza... - a garçonete chegou e ela fez o pedido. - E está gostando?
- Demais! Só de saber que consegui o que tanto queria... - ela se perdeu em pensamentos e eu a fiquei observando. O que a incomodou um pouco.
- Então... Quase não te reconheci com essa roupa. - ela riu.
- Nem eu... Não costumo usar esse tipo de coisa. Mas até que não ficou mal em mim. - rimos e nossos pedidos chegaram. Ficamos conversando um bom tempo, até a hora que ela teve de voltar para o trabalho. Voltei para o "meu passeio" pela cidade e terminei o dia com um Iphone novo em espanhol, algumas camisetas novas, um tênis que provavelmente só vou usar duas vezes e uma carteira vazia. Voltei para casa e guardei minhas coisas. Tomei um banho, sentei em meu sofá e fui tentar mudar o idioma do bendito Iphone. Olhei no relógio, já era meia noite e nada de eu conseguir arrumar aquilo. Desisti e o deixei em cima da mesinha da sala e fui para o meu quarto dormir.

"Triiiim"
Meu celular tocou em cima do meu criado mudo, atendi.
- John... - sua voz estava meio chorosa.
- ? - ela suspirou alto do outro lado.
- John, me ajuda! - ela começou a chorar e meu coração apertou.
- O que aconteceu? - me levantei da cama e fui indo em direção a porta do quarto.
- Eu não sei onde estou... Eu... - ela soluçava e chorava.
- Me fale alguma coisa que chame atenção de onde está, alguma referência e não saia daí que vou te pegar! - ela respirou fundo tentando se acalmar. Peguei um casaco e procurava minhas chaves.
- Tem um mercado na rua onde estou, é a única coisa que ilumina a rua e... Estou em uma estrada, John!
- Oh my God... Como vou achar você? - achei minhas chaves, abri a porta e fui de escada. Não conseguiria esperar o elevador. E eram só 4 andares.
- Não sei... - ela voltou a chorar.
- Calma...
- Vou andar mais um pouco e procurar uma placa.
- Tudo bem... Estou indo para o carro... Se achar qualquer placa me fale... - minha voz falhava porque descia rápido as escadas. Terminei de descer, fui até meu carro e não ouvia . - ? ?
Nada! Entrei em desespero e olhei o celular. A ligação tinha caído, a primeira coisa que fiz foi ligar para ela de volta. Chamou uma vez e atendeu. Ela só chorava do outro lado do telefone.
- Meus créditos acabaram, John... - ela respirou fundo de novo para conseguir falar. - Fiquei com tanto medo, de você não vir e... - a interrompi.
- Não ! Não pense assim mais, eu estou com você e não vou te deixar, está bem? - eu dirigia meio que sem saber aonde ir.
- Ta... ACHEI! - ela gritou. Quase e que estoura algum tímpano meu. - Estrada... 71... 714! É, estou aqui John, perto da placa!
- Tudo bem, eu sei onde fica. Estou indo. Não saia daí!
- Está bem. John... - ela já dizia mais calma.
- Diga.
- Fica no telefone comigo até chegar aqui? Assim eu fico mais calma. - sorri do outro lado do telefone.
- Mas claro. Como foi parar aí?
- Bom... - ela ficou um tempo sem dizer nada. - Uns colegas meus me chamaram para beber, aceitei. Entrei no carro com eles e percebi que saíamos da cidade. Perguntei para onde estávamos indo e disseram que era surpresa. Paramos em um posto mais para baixo daquele mercado que lhe falei. O posto era vazio e abandonado, sabe? - disse que sim e ela continuou. - Disseram que era para descer, descemos. Fiquei meio receosa, não entendia o que estava acontecendo. Por um momento pensei que queriam se aproveitar de mim.
- Céus!
- Mas eles simplesmente entraram no carro e foram embora. Só lembro-me de terem falado em alguma coisa sobre eu ser nova e que era um trote. Corri atrás do carro gritando, mas não adiantou, eles foram embora e me deixaram no posto sozinha. - enquanto ela me contava, me enchia de raiva. Não podem fazer isso com as pessoas.
- Mas o quê? Que canalhas! Amanhã vou com você no serviço e vou bater nesses imbecis!
- Não John! Pode deixar...
- Mas , você não vai fazer nada?
- Não! - oxi... - Eu estou vendo um carro mesmo vindo para cá, é você John? - Via ao longe uma garota pulando e acenando.
- Sim, e você e a menina que está acenando! - ela riu e desligou o telefone. Parei o carro, ela mal entrou e me abraçou. Sorri e a abracei também. - Não esqueça do cinto. - ela riu - Estou falando sério.
- Não sou criança, John... - fez cara de emburrada enquanto colocava o cinto. Ela suspirou fundo. - Que bom que acabou.
A olhei de lado e continuei dirigindo até seu apartamento e parei na porta. Ela tirou o cinto.
- Obrigada John, por ir me buscar, me fazer companhia e me trazer até em casa. - me olhava.
- Por nada. - sorri e ela sorriu de volta. Deu um beijo demorado em minha bochecha e depois saiu. Fiquei lá até conseguir vê-la entrar no elevador. Sai e fui para casa.
Estava exausto! Ele sugou todas as minhas energias. Mas antes de ir deitar, liguei para Jared. Achei que ele deveria saber o que aconteceu com ela. Liguei e contei. Ele ficou preocupado, mas disse que já estava tudo bem, queria ir à casa de naquele momento para falar com ela, mas disse para ele esperar até amanhã e deixá-la descansar. Não sei porquê, mas me sinto responsável por ela, não sei. Fui dormir, vou ter um longo dia amanhã.

Sexto

Passou um mês que ajudei . Depois disso ficamos muito próximos. Ela sempre vai a minha casa depois do expediente. Me ajuda nas tarefas de casa, conversamos e fazemos todas aquelas "coisas de amigos". No começo eu achava estranho, porque nunca tive uma garota assim tão próxima de mim sem nunca a tê-la levado para a cama. Mas foi bom. Com ela eu consigo me abrir e ser o John que eu sou com os meninos.
Hoje é aniversário de Jared e preparou uma festa surpresa para ele. Ela está nisso há uma semana e ele não desconfia de nada. Só acha que estamos meio paranóicos esses dias, mas nada que o deixe pensar que seja uma festa surpresa. me ligou logo de manhã para me lembrar que tenho que passar na confeitaria para pegar o bolo e os doces. Depois ir para a casa de Jared ajudar o resto do pessoal a arrumar a casa enquanto Pat o distraía. Peguei o bolo e os doces e fui para a casa de Jared.
brigava com Kennedy porque ele colocou o som na cozinha e não na sala. O pobre do Kennedy só ouvia e concordava que sim com a cabeça baixa. Deixei as coisas na mesa e ela já me arranjou o que fazer. Nós a ajudávamos e Pat levava Jared a loucura na estrada dizendo que tinham que ir a um lugar para filmar um suposto vídeo de update. Quando estava perto da hora de Pat voltar com Jared, a casa já estava toda pronta e os convidados ainda chegavam. Vinham uns amigos nossos e principalmente amigos de Jared. Pat ligou avisando que estavam perto e todos já tinham chegado. Fomos rápido nos esconder e esperar que eles chegassem. Ouvi Jared sair do carro reclamando e Pat rir. Quando ligou a luz pulamos todos e gritamos "Surpresa!", ele ficou muito surpreso! Mal conseguia falar, abraçou todos e foi quando a festa começou.
Ligaram o som e serviam as bebidas. me pediu para ficar só no refrigerante junto com ela e ajudá-la depois a controlar a festa. Aceitei mesmo querendo muito tomar álcool. convenceu Jared a cantar parabéns e o fez soprar as velhinhas que ela comprou para o bolo. Foi a melhor parte da festa! Estava na cozinha e colocava mais um copo de refrigerante quando vi um vulto do meu lado. Era , ela estava indo para a varanda. Coloquei outro copo de refrigerante e fui atrás dela. Entrei e ela estava apoiada na grade e olhava para o céu, que estava estrelado aquela noite. Fiquei apoiado na grade ao lado dela e lhe entreguei o copo de refrigerante que coloquei para ela, ela agradeceu e sorriu, voltando a olhar o céu.

- Está estrelado essa noite... - Tomei um gole do meu refrigerante. Ela sorriu. - Por que está aqui fora?
- Queria sair daquela bagunça um pouco! - tomou um gole de refrigerante.

Ficamos um tempo olhando o céu em silêncio até que Garrett nos chama para brincar de trenzinho. Ele estava totalmente bêbado, como todos os outros. Fomos e "brincamos de trenzinho", mas logo fez com que todos que ainda estavam na festa e bêbados fossem para casa de táxi e me pediu para que a ajudasse a arrumar as camas dos quartos de hóspedes da casa de Jared, para colocar Garret, Pat, Kennedy e Jared para dormir.

- Como é difícil dar uma de responsável! - ela estendia a cama e eu a ajudava. Sorri para ela.
- Ainda mais com quatro crianças para cuidar... - ela riu.
- Obrigada por me ajudar, John.
- Que isso!

Ouvimos barulhos vindo da sala e descemos rápido. Kennedy pulava em cima do "sofá de ouro" de Jared junto com Garrett. Pat e Jared riam e nem se importavam. brigou com os dois e os mandou para a cama. Eu só observava sem fazer nada e ria da situação. Estava sentado no sofá quando ela voltou e se jogou nele do meu lado.

- Estou EXAUSTA! - se espalhou no sofá. A olhei de canto. - Tão cansada que não consigo dormir agora. - ri.
- E o que quer fazer até lá? - a olhei.
- Hm. Que tal jogarmos? - ela se ajeitou no sofá.
- Jogar... O quê?
- Tente adivinhar o que estou pensando! - ela sorriu e se virou para mim no sofá.
- Ah, mas isso é impossível...
- Se você me conhecer bem, não é! - piscou para mim.
- Tudo bem! - me virei para ela. Ela fechou os olhos.
- Advinha o que estou pensando. - ela sorria bobamente como se soubesse que eu não acertaria. E eu não conseguia pensar em nada. Só conseguia observar o sorriso dela.
- Psiu, abra os olhos. - ela fechou as sobrancelhas. Ri. - Você tem que abrir porque só olhando nos seus olhos vou saber o que está pensando. - ela sorriu de lado e abriu. A olhei nos olhos e ficamos nos olhando por um tempo. - Já sei, está pensando no resto de bolo que sobrou na geladeira. - ela, que estava sorrindo, logo ficou séria e me fitava.
- Como sabe?
- Conheço você... - ela sorriu e começou a acariciar meu rosto como costuma fazer quando estamos falando de coisas que ela gosta de falar.
- É melhor eu ir terminar com aquele bolo antes que meu tio faça isso. - ela levantou rápido. A peguei por trás.
- Você não vai terminar com ele sozinha! - ria com ela tentando se soltar de mim.
- Sai John! Vou terminar com ele sozinha. - fez cara de bravinha e continuava tentando se soltar de mim e eu a segurava pela cintura. Ríamos e nem ouvimos que tinha alguém descendo a escada.
- O que está acontecendo aqui? - alguém falou atrás e me virei para ver. Jared andava em direção a cozinha.
- Nada, tio... - sorriu de lado e Jared a olhou de canto.
- Sei... - ele abriu a geladeira e colocou um copo de água. - Sorte a de vocês que estou praticamente dormindo. - bebeu a água e subiu.
- É melhor eu ir dormir... - concordei com a cabeça. - Boa noite, John lindo! - ela sorriu e me beijou na bochecha.
- Boa noite!

Sétimo

Passou se uma semana do aniversário de Jared. É a semana da estreia do novo CD. Todos nós estamos ansiosos. Nós trabalhamos duro e demos o nosso melhor, estamos com muita expectativa. O pessoal está ansioso para ver o retorno que vai ser. No dia da estréia fui acordado pela ligando, perguntando se eu estava ansioso e se estava bem. Ela me convidou para ir em um piquenique no parque que ela tinha planejado com o Jared. Ela convidou todos da banda, uns amigos nossos de fora e uns amigos dela. Cada um teve que levar algo para o piquenique no parque. Os meninos levaram uma bola e fomos jogar numa parte sem muitas árvores que tinha perto de onde estávamos. Nosso time estava perdendo de 2 gols, porque Jared não conseguiu pegar as bolas que Garrett chutou. As meninas amigas de e ela assistiam o nosso jogo enquanto acabavam com toda a comida que trouxemos para o piquenique.
- VAI, JOHN! - ela gritava me incentivando enquanto eu chegava perto do gol! - UHUUU! - ela correu e me abraçou. Eu ainda tentava recuperar meu fôlego enquanto a abraçava.
- Gol para você! - sorri e ela riu.
- Argh! Você está todo suado! - ela me soltou e se limpava.
- Sei que gosta de mim até suado. - pisquei e ela riu, me empurrando pelo ombro de leve.
- É, vocês venceram! - um dos amigos de , o Ian veio me cumprimentar.
- Ei, Ian, a Rêbecca me disse que você trouxe torta de chocolate porque sabia que eu gostava, é verdade? - Ian sorriu para ela e ela retribui. - Acho que isso foi um sim...
- Com certeza. - eles ficaram se olhando e eu me senti incomodado.
- Acho melhor irmos se não começam sem a gente. - disse.
- É, vamos! - Ian disse estendendo a mão para . Ela pegou em sua mão e saíram me deixando para trás. Mala. Quando cheguei aonde todos estavam só tinha espaço: para mim, a amiga falante de , a Rêbecca e Kennedy. Todos comiam e conversavam mas eu não conseguia parar de observar e Ian que ficavam de cochichos e risos. Ora ou outra ele inventava de colocar uvas na boca dela. O que ele é? Grego? Ele era o tipo de cara garanhão que arranca suspiros de adolescentes e acende o fogo das mulheres. Tenho que admitir que aquele jeito de galã, sorriso de artista e olhos azuis ajudam. Comecei a ficar irritado e cortava qualquer um que puxasse assunto comigo.

- O que há com você, John? - Kennedy comia a torta que Ian trouxe. Maldita torta!
- Nada. - tentava não olhar para ele, assim ele não descobriria que tinha sim alguma coisa.
- Sei... - ele percebeu que olhava os dois conversando. - VOCÊ ESTÁ COM CIÚMES, JOHN! - Não vi a hora que me imaginei batendo com a garrafa que estava em minha mão na cabeça dele, mas não poderia fazer, havia muitas testemunhas. Todos me olharam de uma vez e só consegui sorrir sem graça e olhar torto para Kennedy. - Ér, brincadeira gente! - ele colocou todo o resto de torta na boca e o pessoal ficou um tempo calado, mas voltaram a fazer o que estavam fazendo antes.
O piquenique acabou e a única vez que consegui falar com ela foi quando fiz o gol e Ian apareceu. Depois disso, tive uma semana cheia com a estreia do novo álbum. Mal falava com , só por SMS's. Estávamos cheios de trabalho, então recebemos um domingo de folga antes de entrarmos em outra turnê pelo estado na quarta feira. Um mês fazendo shows com algumas músicas do novo CD. Acordei e sentei na cama para pensar o que iria fazer. Eu sentia falta dela. Desde sexta não nos falamos e eu me sentia sozinho. Levantei e troquei de roupa para sair. Resolvi ir na locadora pegar uns filmes e ficar a tarde inteira em casa comendo e vendo filmes. Eu sei que não é um programão de domingo, mas era o que eu queria ou precisava fazer. Peguei as chaves do carro e fui para a locadora. Parei na sessão de filmes de ação e não senti vontade de ver nenhum. Fui para a sessão de aventura e a mesma coisa. Sessão de comédia... Comédia e aventura.... Até que parei em comédias românticas e me interessei por três. O que está havendo comigo? Não gosto desse tipo de filme! Só respirei fundo e fui com a mão para pegar um. Meu celular toca.

"Que saudades de você, John! - ."

Li a mensagem com um sorriso e respondi:

"Também sinto saudades suas - John"

Peguei os filmes e levei para pagar a locação.

"O que vai fazer hoje? Tenho o dia livre hoje e queria passar com você... - "

"Peguei uns filmes para ver, porque não vem na minha casa e assistimos? - John"

"Tudo bem, estou indo para lá. - "

Peguei os filmes e fui para o carro rumo a minha casa. Cheguei e ela ainda não estava lá, então resolvi arrumar a sala para vermos os filmes tentando deixar ela mais confortável. Afastei o sofá e arrumei o carpete com um monte de almofadas. Fui pra cozinha preparar a pipoca e ela chegou. Passamos o dia juntos vendo os filmes, brincando e conversando como fazíamos. Já era a noite quando estávamos na cozinha preparando algo para comer.

- Tem certeza que é assim? - ela me olhava mexendo o molho do cachorro quente.
- Não discute com o cozinheiro. - ela riu.
- Tudo bem... - ela colocou um pedaço de pão na boca. - Então... Vocês vão viajar na quarta?
- É, saímos em turnê na quarta...
- Vou sentir saudades suas, John... - quando disse isso me virei para olhá-la e ela me encarava com os olhos cheios de lágrimas. Ela sorriu quando viu minha reação. - Eu sei que vai ficar viajando por só um mês, mas... Você é meu melhor amigo, não consigo ficar tanto tempo sem você! - ela levantou.
- ... - ela veio em minha direção e me abraçou.
- O quê foi, John? - ela me apertava mais.
- Nada, só que... Também vou sentir sua falta.

Oitavo

Estamos há três semana em turnê, está sendo bom. As fãs estão cada vez melhores, nos apoiando e nos ajudando a cada lugar que passamos. Tudo está ótimo por aqui, mas eu não estou. Eu estou enlouquecendo. Enlouquecendo sem a minha menina. Só falei com ela uma vez essa semana e foi tão rápido... Pelo menos sei que ela está bem. Agora eu tenho realmente certeza de que a amo. A amo como nunca amei ninguém. É uma coisa que nunca senti, faz bem ao mesmo tempo que faz mal e eu não me arrependo de sentir o que sinto por ela. Me sinto vivo. É tão estranho... Acordo e a primeira coisa que vejo é o sorriso dela. Vou lanchar lembrando dela. Todas as músicas que canto tento achar alguma coisa que tenha a ver com ela. E antes de dormir oro a Deus para que ele a proteja e cuide por mim, e pego no sono pensando nela. É assim todos os meus dias aqui, resumidamente. Eu passei esse mês todo pensando em como contar a ela sobre os meus sentimentos e imaginei cada reação que ela poderia ter e me preparei para todas. Estou decidido a contar a ela que a amo e que a quero do meu lado. Eu estou marcando no calendário os dias para voltar para casa e no dia que a ver, vou dizer a ela. Faltam apenas três dias e hoje é o último show da nossa turnê pelo estado. Mais dois dias de estrada e estaremos em casa.

- John, você viu meus sapatos cor madeira? - Kennedy estava de quatro olhando embaixo do sofá.
- Acho que os vi do lado da sua cama. - ele me encarou sério, se levantou e saiu.
- Vamos, estamos atrasados! - Jared arrumava a gravata indo em direção a porta.
- Eu já estou pronto.
- Ah, John! Preciso te falar uma coisa...
- O que?
- ligou, falou comigo e pediu para dizer que está com saudades. - meu coração acelerou.
- Ela não quis falar comigo?
- Ela estava atrasada para sair, então só deixou o recado.
Fiquei parado por um tempo pensando porque ela não poderia ter arranjado um tempo para falar comigo, pelo menos por um minuto. Respirei e sai. Fizemos um bom show, dormimos e logo de manhã caimos na estrada. Eu estava ansioso para chegar em casa logo. Deitar na minha cama, sentar no meu sofá, ouvir os recados da mamãe e ver ela. Chegamos no domingo a noite, cada um foi para sua casa. Eu queria vê-la, mas estava muito tarde. Não consegui dormir a noite porque eu sabia que quando a visse não resistiria, a beijaria e contaria tudo o que sinto. Eu tentava não pensar nisso e dormir, mas era inevitável. Depois de muito tempo lutando com meus pensamentos peguei no sono. Acordei às nove da manhã, pulei da cama e tomei um banho. Me arrumei e sai. Passei na floricultura e comprei as suas flores preferidas. Cheguei em seu apartamento, respirei fundo e toquei a campainha.

- JOHN! - Ela pulou em meu pescoço e encheu minha bochecha de beijos. Abri um enorme sorriso e a abracei. - Que saudades, meu lindo! - Ela sorriu.
- Também pequena... - Dei um beijo em sua testa.
- E essas flores?
- Ér, são para você! - Sorri e a entreguei as flores. Ela as cheirou e me pediu para entrar.
- Vou pegar um vaso para colocá-las. - saiu para a cozinha e me sentei no sofá. Respirei fundo tentando manter a calma e seguir meu plano. Me perdi nos meus pensamentos e ela aparece toda sorridente na sala me assustando. Ela ri.
- Tudo bem, John?
- Hã... Claro! Por que não estaria? - sorri de lado e ela me olhou desconfiada.
- Okay... - ela senta do meu lado e coloca as pernas em cima das minhas como sempre fazia. Nos olhamos.
- Preciso de contar uma coisa! - falamos juntos.
- Fala, John!
- Não, fala você!
- Tudo bem... - ela sorriu de lado animada. Pensei que poderia ser alguma promoção ou coisa do tipo, por isso, deixei que ela falasse primeiro.
- Lembra do Ian? - fiz que sim com a cabeça. - Então... Saímos umas vezes e estamos namorando quase um mês! - ela com um enorme sorriso e não consegui esconder meu olhar de decepção. - John, o que foi?
- Nada... Me desculpe, mas tenho que ir! - levantei de uma vez quase a derrubando do sofá.
- Espera...
- Estou atrasado, tchau! - sai de uma vez e andei o mais rápido que pude para o meu carro. Sentia-me sufocado. Não conseguia acreditar que cheguei tão tarde... Mas espere John, talvez seja um namoro que não dure muito. Talvez ela veja que aquele não é o cara da vida dela e que ele não gosta dela como deveria gostar e você consiga dizer o que sente e fiquem juntos. Mas e se ele a amar? E se eu for a pessoa que sai ferida nessa história toda? Cheguei em casa e deitei na cama. Dormi o dia todo, só assim consegui abafar um pouco a dor que sentia, e parava de pensar besteiras. Acordei derrotado com o meu celular tocando. Não queria me levantar, queria passar o dia todo ali, pensando nela e como seria se estivéssemos juntos.

- John, esqueceu que a gente combinou de sair pra zoar hoje? Combinamos para as duas da tarde e já são quatro e nada de você aparecer! - Jared estava irritado no telefone, tinha esquecido completamente do nosso compromisso.
- Me desculpe cara, mas eu não estou muito bem hoje para sair...
- O QUÊ? John O'Callaghan não está bem para sair? Estou indo para aí agora! - quando fui pedir para não vir era tarde demais, ele já tinha desligado o telefone. Apenas coloquei o celular no criado mudo e cai em cima da cama encarando o teto. Tempos depois a campainha toca e Jared aparece com um engradado de cerveja, eu sorrio e ele entra.

- Ainda de pijama? Muito sério.
- E é...
- Abra sua cerveja e depois seu coração. - ele colocava o engradado em cima da mesinha do meio e sentamos no chão.
- Obrigado por vir, preciso falar com alguém...
- É por causa de , não é? - ele abriu uma cerveje e o fiquei encarando sem dizer nada. - É...
- Como sabia?
- Eu percebi como você falava dela, e como ficava quando ela ligava para você. Sou seu amigo John, eu te conheço e sei quando está apaixonado, mesmo que isso só tenha acontecido uma vez, mas como você é intenso não é difícil de perceber. - Ele tomou um gole da sua cerveja e eu o encarava.
- O que eu faço?
- Olha, agora não tem nada para se fazer. Apenas aceite o namoro dela e continue sendo seu melhor amigo. E quando ela precisar de você, vai estar lá para ajudá-la e é isso que importa... Vê-la feliz, certo? - fiz que sim com a cabeça, meu amigo está certo. Ela estando feliz nada mais importava. Continuamos ali juntos tomando cerveja e conversando até tarde da noite.

Capítulo 9

Hoje faz três meses que me contou do namoro dela com Ian. E hoje eu vou sair para beber como faço toda a noite há exatamente três meses. Tinha acabado de sair de uma entrevista e nem passei em casa para trocar de roupa. Tinha telefones de garotas muito gostosas da noite passada. Você me pergunta como eu faço para superar toda essa dor de ver quem eu amo com outro e eu respondo: "Com festas, sexo e bebida." Sim, é assim que encaro. E hoje vai ser mais uma daquelas noites. Peguei meu celular e estava procurando o número da loira dos peitos enormes. Qual o nome dela mesmo? Bri... Tifanny! Achei! Quando fui direcionar a ligação recebo uma mensagem. Abri, é de e estava escrito "Help". A primeira coisa que fiz foi voltar meu carro para a casa dela e acelerar. Não sei como ela tem tanto poder sobre mim. Eu podia simplesmente ignorar e mandar ela pedir ajuda ao namorado, mas não consigo, meu amor não deixa. Estacionei o carro e subi o mais rápido que pude as escadas, esqueci totalmente que o elevador existia. Bati na porta e tentava recuperar o fôlego, mas ele se foi quando vi a imagem dela com os olhos inchados e vermelhos, rosto molhado e um olhar triste.

- O que aconteceu?
- Entra e eu te conto. - ela apenas se virou e sentou no sofá. Fui atrás dela, fechei a porta e sentei no chão de frente para ela.
- Agora me conta, por que está assim tão mal?
- Hoje de manhã eu resolvi fazer uma surpresa para o Ian e passei mais cedo na casa dele, cheguei e a porta estava aberta então resolvi entrar e acabei pegando ele em amassos com outra garota. - quando terminou de dizer começou a chorar.
- Isa... Não chora assim por ele, por favor... - me ajoelhei e a abracei. Ficamos abraçados até ela se acalmar e parar de chorar.
- Terminei com ele. - ela me olhava.
- Ele não te amava.
- Mas eu sim. - meu coração apertou quando ouvi isso. Não consegui dizer mais nada, só a olhava. Não é fácil ouvir alguém que se ama dizer que ama outro. - Está tudo bem, John? - ela percebeu que estou aflito.
- Sabe do que você precisa? - me levantei de uma vez.
- O quê? - cerrou os olhos.
- Sair para beber. - sorri de lado. Conclui que se beber faz a minha dor de amor passar, a dela também passaria. E afinal, depois disso que acabei de ouvir, preciso mesmo ir beber. Ela riu.
- Se você está dizendo... - ela levantou. Fomos até o bar de sempre, ela falava mais do que o normal aquela noite. Quando estava triste ela falava, e muito. Bebíamos e tinha momentos em que ela chorava do nada e depois voltava ao seu estado quase normal. Já eram duas da manhã e saímos andando para casa. Passávamos por uma ponte e ela resolveu sentar na beira, me sentei ao lado dela.

- Já imagino a enxaqueca de amanhã. - ela riu e eu também.
- Eu sei um remédio ótimo pra isso. - olhávamos o céu.
- Cuida de mim amanhã? - ela me olhou - Quando eu acordar? - Sorriu de lado e eu a olhei nos olhos, meu coração apertou.
- Cuido.
- Você é a melhor coisa que já aconteceu para mim. - ela continuava me olhando. Não consegui dizer nada por um tempo.
- E você para mim, não imagina como. - ela me abraçou de lado e deitou sua cabeça em meu ombro.
- Gosta de mim a ponto de conseguir me descrever para alguém?
- Descrever como? Dizendo que você não resiste e começa a cantar quando toca a música que mais gosta? Ou quando você fica triste e fala demais? Ou quando está dormindo e tem um pesadelo você cerra as sobrancelhas? Ou quando sorri perto da sua boca fica cheio de furinhos e eu acho lindo? Ou quando você gosta de alguém você não consegue o olhar sem sorrir? Ou como suas mãos ficam geladas de manhã? Ou como fica irritada quando vê algo que acha injusto? Assim? - ela levantou a cabeça e me olhou sorrindo. - Você também gosta de mim a ponto de me descrever a alguém? - sorri para ela e ela fez careta.
- Claro que não! - Riu. - Eu só sei que você esconde seus olhos e sorriso lindo com medo de alguém se apaixonar por você pela sua beleza e não pelo que voce é. De como fala bobagens só para fazer as outras pessoas rirem, porque quando os outros ao seu redor estão bem você fica bem. De como você não tem medo de ser você. De como seu cabelo fica lindo para cima. - ela passou a mão nos meus cabelos e sorriu. Eu a correspondi e me aproximava dela aos poucos no intuito de a beijar. - De como é bobo, mas também sério, - Estava bem perto - E... - Ela bocejou - Estou com sono. - Ela riu e eu ri. Nos afastamos.
- Acho melhor levá-la para casa.
- Sim, vamos. - nos levantamos e fomos para sua casa. Eu a deixei na porta e me virava para ir.

- John, você disse que ia cuidar de mim amanhã de manhã! - cruzou os braços e eu me virei.
- Ah, mas eu ia vir aqui amanhã. - sorri de lado.
- Não... Dorme aqui, por favor. - ela fez bico e sorriu.
- Tudo bem...

Passei o dia com ela e percebi que ela se animava mais. Decidi então passar mais um tempo para ajudá-la a superar o Ian. Passei duas semanas indo vê-la todos os dias e percebi que o tempo ia passando e ela ia ficando melhor. Eu estava feliz por ajudá-la e vê-la feliz. Chamei-a para ir comigo a um restaurante perto da nossa casa no sábado, eu me arrumei o melhor que pude, não era um restaurante chique, mas eu queria ficar bonito para ela. Comprei uma rosa e fui a esperar no restaurante. Me sentei ansioso e pedi um copo de água ao garçom, ficava olhando o movimento e as pessoas que estavam no lugar, pareciam pessoas felizes. Esperei mais um pouco e olhei no relógio, ela está meia hora atrasada. Resolvi ligar, poderia ter acontecido alguma coisa. Liguei e ela não atendeu ao telefone. Fiquei preocupado. Continuei esperando. Uma hora e meia e nada dela aparecer. Voltei para casa e me prometi ligar para ela logo de manhã.

- Finalmente atendeu ao telefone! O que aconteceu ontem a noite? - me levantava da cama.
- Oh meu Deus! O jantar... - pelo visto ela esqueceu. - Desculpe, John...
- Hm, tudo bem. Mas por onde estava?
- Ontem encontrei com o Ian na minha portaria, ele estava péssimo e me pediu desculpas. Eu o achei tão sincero e o desculpei e a gente acabou... - ouvi uma voz de homem no fundo.
- Já entendi tudo. - desliguei o celular e tirei a bateria. Tirei os fios do telefone da tomada, tranquei a porta e voltei para a cama. Voltei a sentir aquela dor de antes. Eu realmente não fui feito para amar. Não sou uma pessoa que se apaixona, tanto é que só amei duas garotas até hoje e não sei lidar com essa dor. Tenho medo do que ela pode me transformar. Vou fazer o que tinha que ter feito muito tempo atrás: tirar uns dias só para mim na casa da minha mãe. Era tarde da noite, mas eu sei que qualquer hora que eu ligasse ela ia me atender com a mesma doçura de sempre.

- Mãe, quero ir para casa. - sentado no sofá olhando para o teto.
- O que aconteceu meu filho? - ela estava meio sonolenta.
- Preciso colocar umas ideias no lugar, eu posso ir para aí depois de amanhã?
- Claro meu filho, você é sempre bem vindo em casa. Sabe disso! - sorri ao ouvir essas palavras.
- Obrigado mãe, eu te amo!
- Eu também te amo. - desliguei o telefone. Fui para meu quarto arrumar as malas. Quando dei por mim estava em cima das roupas dormindo, eram duas da tarde e eu nem tinha começado. Estava tão cansado que não vi quando peguei no sono. Me levantei e tomei um banho, comi alguma coisa e fui terminar de arrumar minhas malas. Liguei meu telefone para poder agendar um voo na rodoviária. Aproveitei e liguei para Jared.

- John! - ele parecia aliviado em saber que era eu ao telefone. - Por que não atende o telefone? - contei tudo o que tinha acontecido e o que estava sentindo para ele. - Ahn, tudo bem John, mas pare de chorar por favor! - Ele disse irritado e nós rimos.
- Não duvide da minha masculinidade.
- Eu estou tentando. - rimos de novo. - Mas então, vai viajar para conseguir esquecer a , é isso?
- Sim.
- Vai amanhã cedo?
- Foi o único que consegui.
- E pretende se despedir dela antes?
- Hã, não. Eu queria que contasse para ela por mim, quando eu já tiver ido. Pode fazer isso?
- Você não está se afastando John, está fugindo!
- Talvez... Eu tenho que terminar de arrumar minhas coisas, vai fazer isso por mim? - ouvi seu suspiro do outro lado.
- Tudo bem. E enquanto ao resto? Garrett, Pat e Kennedy?
- Conta a verdade pra eles e explica que tive que tirar umas férias. Aproveitem e tirem também.
- Ótimo, espero que saiba o que está fazendo.
- Obrigado, Jared, por tudo!
- Você sabe que sempre vou estar aqui para o que precisar. - Desliguei o telefone e fui terminar de arrumar minhas coisas. Terminei tarde da noite e fui dormir, tinha que acordar cedo.

Respirei fundo e sai do meu apartamento. As malas já estavam no carro. Liguei-o e demorei para sair da garagem, eu me lembrava dos meus amigos e dela. Dos momentos que passamos, eu estava deixando tudo de lado e fugindo. Mas eu cansei de lutar, simplesmente isso. Entrei no aeroporto e fui esperar a hora de chamar o meu voo, coloquei o fone de ouvido e fechei os olhos. Passa um tempo e ouço o meu voo ser anunciado, me levanto e me viro.

- JOHN, ESPERA! - ouço alguém me chamado e me viro de uma vez. - Graças a Deus! - ela me abraça tentando recuperar o fôlego. Ainda surpreso tento falar algo mas ela me interrompe. - Não fala nada! Deixa eu falar primeiro. - ela respirou fundo de novo. - Me perdoa. Me perdoa por não perceber, me perdoa por não assumir o que eu sentia por você e acabar te fazendo sofrer. Me perdoa, John, por ter que deixar chegar a esse ponto para poder assumir que eu te amo. Eu sei que pode ser tarde demais, mas eu não posso te deixar escapar de novo... Eu te amo desde a primeira vez que nos vimos, mas eu tive medo. Enterrei isso e parti para outro, me iludi e fiz besteiras que magoaram você. Não vi que me amava também, por que se eu soubesse... Ah, se eu soubesse você não estaria indo embora agora. - Ela começou a chorar. - Eu só quero que me perdoa por ter o feito sofrer.
Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Eu apenas consegui sorrir, a puxar para mim e a beijar. Foi um dos melhores beijos que já roubei. Viajei, mas a levei junto. Duas semanas, só eu e ela. O começo de uma vida feliz ao lado seu lado.

Fim!

 

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